Coluna de hoje – Sopapo com luvas de pelica

Pastor Maldonado estreou na F1 há um ano, mas sempre foi visto com certa desconfiança. Não pela categoria que lhe acolheu, mas sim pela nação vizinha maior e mais rica ao sul do Equador. Um venezuelano na F1? Patrocinado por uma estatal? Bancado por um “ditador”? E muita gente torceu o nariz.

O fato de ser campeão e recordista de vitórias na GP2, categoria de acesso à F1, não importou. Aliás, a mais básica das análises não costuma ser o forte de quem questiona o talento de alguém baseado em algo tão superficial quanto o país em que nasceu, a cor da pele, seu sotaque ou a espessura de suas sobrancelhas. Se o meu ambiente diz que ele é apenas um bicho exótico, por que me preocupar em estudá-lo e entender o que ele está fazendo na F1?

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Maldonado põe Venezuela no mapa da F1

A vitória de Pastor Maldonado hoje em Barcelona colocou seu país natal, a Venezuela, no mapa da Fórmula 1. Até sua chegada à categoria, sua nação havia sido representada por apenas dois outros pilotos: Ettore Chimeri, italiano de nascimento mas naturalizado venezuelano, que disputou apenas uma corrida em 1960; e Johnny Cecotto, campeão de motociclismo que se aventurou nos carros nos anos 80, mas teve sua carreira na F1 ceifada logo no início de sua segunda temporada, num grave acidente em Brands Hatch. O melhor resultado do país até então cabia a Cecotto, sexto colocado no GP de Long Beach de 1983. Com Maldonado, tudo mudou.

Primeiro colocado hoje, Maldonado tornou a Venezuela o 21º país a ter seu hino executado no alto do pódio da Fórmula 1. A última vitória inédita de uma nação na categoria havia sido a de Robert Kubica, polonês, no GP do Canadá de 2008. Confira abaixo todas as primeiras vitórias dos países na F1:

Primeiras vitórias por países
Itália: Giuseppe Farina (Alfa Romeo), GP da Inglaterra de 1950
Argentina: Juan Mauel Fangio (Alfa Romeo), GP de Mônaco de 1950
Grã-Bretanha: Mike Hawthorn (Ferrari), GP da França de 1953
França: Maurice Trintignant (Ferrari), GP de Mônaco de 1955
Austrália: Jack Brabham (Cooper), GP de Mônaco de 1959
Suécia: Jo Bonnier (BRM), GP da Holanda de 1959
Nova Zelândia: Bruce McLaren (Cooper), GP dos EUA de 1959
Estados Unidos: Phil Hill (Ferrari), GP da Itália de 1960*
Alemanha: Wolfgang von Trips (Ferrari), GP da Holanda de 1961
México: Pedro Rodriguez (Cooper), GP da África do Sul de 1967
Bélgica: Jacky Ickx (Ferrari), GP da França de 1968
Suíça: Jo Siffert (Lotus), GP da Inglaterra de 1968
Áustria: Jochen Rindt (Lotus), GP dos EUA de 1969
Brasil: Emerson Fittipaldi (Lotus), GP dos EUA de 1970
África do Sul: Jody Scheckter (Tyrrell), GP da Suécia de 1974
Canadá: Gilles Villeneuve (Ferrari), GP do Canadá de 1978
Finlândia: Keke Rosberg (Williams), GP da Suíça de 1982
Colômbia: Juan Pablo Montoya (Williams), GP da Itália de 2001
Espanha: Fernando Alonso (Renault), GP da Hungria de 2003
Polônia: Robert Kubica (BMW Sauber), GP do Canadá de 2008
Venezuela: Pastor Maldonado (Williams), GP da Espanha de 2012

* Desconsiderando as 500 Milhas de Indianápolis

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Campeonato aberto

Além do embolo geral nas corridas, o bacana é que a própria tabela do campeonato está que é uma bagunça só. Após o GP da Espanha, decorridos 25% do campeonato, Fernando Alonso e Sebastian Vettel lideram empatados com 61 pontos. Nos critérios de desempate, vantagem para Vettel, que tem um sexto lugar que o espanhol não tem. E só por isso, porque ambos estão empatados com uma vitória, um segundo e um quinto. Demais.

Lewis Hamilton, que se mostrou nos treinos o mais rápido do campeonato (três poles, ainda que uma delas tenha sido cassada por bobagem da equipe), ainda não ganhou nada. Porém, é terceiro graças a três terceiros lugares. Mark Webber e Kimi Raikkonen, que também ainda não venceram, são quarto e quinto colocados. Está tudo aberto.

Impossível cravar um favorito, mas uma coisa já dá pra dizer: Alonso é gênio, mas o carro da Ferrari não é assim tão ruim. O espanhol conseguiu brigar pela vitória de igual para igual com a Williams de Maldonado e com as Lotus. Tudo bem que foi beneficiado pelas posições ruins de largada das McLaren, mas isso não o desabona em nada. O carro apresenta nítida evolução, ainda que seja muito lento em reta. Quando conseguir uma boa posição de largada, como agora na Espanha, pode brigar pela vitória e não creio que esteja assim tão fora da disputa pelo campeonato. Afinal, é líder, e não só graças ao surpreendente primeiro lugar no GP da Malásia.

Por essas e outras, Felipe Massa precisa abrir o olho. Fazia uma corrida até decente hoje, era sexto quando foi punido com um controvertido drive-through e acabou despencando para 15º. Explica, mas não justifica. Sebastian Vettel sofreu punição igual, estava pouco à frente dele na pista e chegou em sexto. E já não dá mais para dizer que “a Red Bull é muito melhor que a Ferrari”. Não é. Não se espera que Felipe chegue à frente de Alonso, a própria Ferrari já se manifestou publicamente sobre isso. Mas ao menos um lugar entre os seis seria obrigação. A situação está difícil.

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A revolução chegou

Quem diria, a Williams voltou a vencer. Quem diria, o cara que conduziu a equipe a esta glória incerta foi Pastor Maldonado. Quem diria, um GP da Espanha foi emocionante. Quem diria, a FIA acertou.

Já vem de muitos anos um esforço da entidade em democratizar a Fórmula 1. Na primeira década do ano 2000 acentuou-se uma diferença que já vinha desde o final dos anos 80, da distância econômica entre as equipes de ponta e as médias. Orçamentos astronômicos estavam tornando a categoria inviável e a diferença entre chegar em 8º ou 1º estava na casa do meio bilhão de dólares. Alguma coisa precisava mudar.

A FIA tentou de tudo. Na ânsia de cortar custos e tornar a categoria mais emocionante, limitou carros, congelou motores, limitou testes, fez o diabo. Pouca coisa tinha funcionado, até que ano passado surgiu a ideia de embaralhar tudo com os compostos de pneus. A entidade sugeriu à Pirelli a fabricação de pneus imprevisíveis, e as coisas melhoraram um pouco em 2011. A Red Bull nadou de braçada, mas foi um campeonato com corridas bem divertidas. Mas em 2012, com a proibição dos difusores soprados e com pneus ainda mais malucos, a coisa engrenou. Me arrisco a dizer que é a temporada mais emocionante que já tive o prazer de acompanhar, e olha que estou nessa desde a metade dos anos 80.

A vitória da Williams hoje em Montmeló coroou o grande momento da Fórmula 1. Há pelo menos sete equipes brigando pela ponta e assim deve ser até o final do ano. Cinco delas já conseguiram, sendo pelo menos duas altamente improváveis: Mercedes (China) e Williams (Espanha). A Lotus, que vem muito bem, ainda não chegou lá, mas tem tudo para conseguir. Assim como a Sauber, que bateu na trave na Malásia e pode aprontar outra durante o campeonato.

O melhor de tudo: nenhuma dessas surpresas foi fortuita, um resultado que caiu no colo graças a um acidente múltiplo, uma chuva maluca ou um Safety Car fora de hora. As equipes “exóticas” ganharam porque estavam melhor naquela pista, ponto. É normal num campeonato a performance entre os times variarem de uma pista para outra, mas nem sempre isso reflete em troca de posições. Num campeonato com carros equilibrados como o de 2012, o reflexo é claro. Um décimo de segundo pra cá ou pra lá separa um piloto da pole ao 10º lugar.

Pelas características do traçado e pelo fato de ser a pista mais utilizada durante os testes de inverno, costuma-se dizer que o GP da Espanha é um termômetro do campeonato. Numa análise superficial, pode-se entender que este ano foi exceção. Mas não foi. A batida do campeonato é justamente a imprevisibilidade e a vitória espetacular de Maldonado com a Williams nos deu a medida. Com todo mundo embolado, quem for ligeiramente superior leva. E hoje Maldonado foi muito superior. Rompeu a barreira da vitória, provou que não é apenas um braço-duro que gasta o dinheiro da pátria para se divertir. Maldonado é piloto, e dos bons. E, a partir de hoje, não deve mais encontrar dificuldades para manter-se na Fórmula 1. Deixa de ser o patinho feio para virar um piloto desejado. Sabe andar na frente, é rápido, poupa pneus, defende posição, anda rápido e é cauteloso quando necessário. Vitória maiúscula de um piloto que amadureceu.

A Fórmula 1, o público e o esporte agradecem.

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Mudou tudo

Ih, podem esquecer os posts abaixos. McLareanos, cancelem a festa e coloquem o champanhe de volta na geladeira, as comemorações da 150ª pole ficam pra outra corrida. Lewis Hamilton foi desclassificado do treino de qualificação por ter abandonado sem gasolina. Pelo regulamento, é obrigatório retornar aos boxes e ter, ao menos, um litro de combustível para análise. Bailou.

Festa na Venezuela, Pastor Maldonado é pole com a Williams. Pena que tenha acontecido dessa forma, meio que no tapetão, mas o resultado é pra lá de merecido. Maldonado andou bem demais no treino e Frank Williams não poderia esperar presente melhor na comemoração de seus 70 anos.

A lamentar, mesmo, mais um erro grotesco da McLaren. Lewis fez uma pole com mais de meio segundo de vantagem sobre a galera, o que significa que não havia necessidade alguma de colocar tão pouca gasolina no carro. Tenha sido erro de avaliação ou erro de operação, o que fica evidente é que a McLaren tem errado demais nesta temporada.

Alijou Jenson Button da briga pela vitória na Malásia depois de uma troca desastrosa de pneus. Na China, fez um pit stop horrendo atrás do outro para Lewis Hamilton. Agora, na Espanha, uma cagada no cálculo de combustível no tanque ferrou com a vida do menino, que da pole se viu jogado para o último lugar na largada. Salvo algum grande milagre, está fora da briga pela vitória.

Hamilton é praticamente um filho da McLaren e dificilmente virá a público dizer qualquer coisa desabonadora sobre seu time. Mas que nas internas deve ter soltado o verbo, deve. E com absoluta razão. A McLaren fez um belo carro em 2012, mas parece estar se esforçando para não vencer. É uma bobagem atrás da outra.

Assim, fica difícil.

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McLaren celebra 150 pole positions

Com a volta mais rápida de Lewis Hamilton hoje no treino de classificação para o GP da Espanha, a McLaren atingiu a impressionante marca de 150 pole positions na Fórmula 1. É a segunda equipe em poles, perdendo apenas para a Ferrari, que tem 205.

O piloto que mais contribuiu para este feito da McLaren foi Ayrton Senna, autor de 46 poles com carros da equipe. Mika Hakkinen marcou 26 e Lewis Hamilton vem logo atrás, com 22. Confira abaixo os autores das poles 1, 50 e 100 e também os 15 pilotos que ajudaram a construir esta marca histórica.

Poles históricas da McLaren
Pole #1: Peter Revson, GP do Canadá de 1972
Pole #50: Ayrton Senna, GP da Bélgica de 1989
Pole #100: Mika Hakkinen, GP da Alemanha de 1999
Pole #150: Lewis Hamilton, GP da Espanha de 2012

Poles pela McLaren
1) Ayrton Senna – 46
2) Mika Hakkinen – 26
3) Lewis Hamilton – 22
4) James Hunt – 14
5) Kimi Raikkonen – 11
6) Alain Prost – 10
7) David Coulthard – 7
8) Gerhard Berger – 4
9) Emerson Fittipaldi – 2
    Juan Pablo Montoya – 2
    Fernando Alonso – 2
12) Peter Revson – 1
      Dennis Hulme – 1
      Keke Rosberg – 1
      Heikki Kovalainen – 1

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Rapidinhas da Classificação: Espanha

- Quinta corrida do ano, terceira pole da McLaren, todas com Lewis Hamilton. Porém, até agora, nenhuma vitória do inglês. Será que agora vai?

- Neste final de semana em Montmeló, Lewis tem sido supremo. Dominou os treinos como quis e cravou a pole com mais de meio segundo para o resto. É o cara a ser batido na corrida amanhã, tamanha a vantagem que demonstrou até aqui.

- Porém, juro que torci para que ele fizesse alguma besteira na volta final e a pole ficasse com Pastor Maldonado. O subestimado venezuelano foi bem demais hoje e merecia a inédita pole position. Como consolo, ficou em segundo lugar no grid, o que não é mada mau. A Williams, diferente do que se esperava, continua evoluindo e ainda deve brilhar bastante nesta temporada marcada pelo equilíbrio.

- O treino de hoje evidenciou ainda mais esta paridade. No Q2, apenas 1s separou o segundo colocado do 17º. Do 2º para o 12º, somente cinco décimos. E, com tanta proximidade, as pequenas variações comuns em tempos de volta são suficientes para jogar favoritos lá pra trás. Hoje o travo amargo ficou com Jenson Button, 11º e portanto fora da fase final da classificação, e Mark Webber, 12º. Deveriam estar mais à frente, mas não estão.

- Assim como Sebastian Vettel, que ficou apenas num decepcionante 8º lugar, atrás até da Ferrari de Fernando Alonso. A Red Bull sempre andou muito bem em Barcelona e o resultado de hoje acende, novamente, a luz vermelha na equipe austríaca. A reação do Bahrein, pelo jeito, foi fogo de palha.

- Assim como a Mercedes, dominante na Malásia e que depois disso voltou a ser o que era. Nico Rosberg larga em sétimo, Michael Schumacher em nono. Muito pouco para quem dava um banho em classificações.

- A Ferrari evolui e a terceira colocação de Alonso no grid é prova disso. Pena que tal evolução não se reflete no desempenho de Felipe Massa, que hoje foi outra vez o piloto fraco das primeiras corridas da temporada. 17ª posição é muito pouco para um carro da Ferrari, ainda que ele não seja nenhuma maravilha.

- A classificação de hoje não foi boa para os brasileiros em geral. Bruno Senna não conseguiu passar nem do Q1, errou e rodou, enquanto Maldonado dava show lá na frente. Fica como consolo o fato de até aqui Bruno ter ido muito melhor nas corridas do que nos treinos. Mas, largando de 18º, vai ter que remar muito, enquanto Maldonado pode até beliscar um pódio, por quê não?

- A Lotus não foi tão bem quanto eu imaginava, mas acho que os dois carros pretos virão muito bem na corrida. Romain Grosjean é quarto e Kimi Raikkonen, quinto. A longa reta do circuito da Catalunha facilita muito as ultrapassagens com DRS e KERS, o que indica que a posição de largada não deve influir tanto assim no resultado. Com uma boa estratégia de pneus, até Jenson Button, vindo lá do meião, tem possibilidades de vitória.

- Os pneus serão muito decisivos amanhã. Os macios da Pirelli andam que é uma beleza, mas viram farelo rapidinho. Andar com médios não compensa. Duram mais, mas são muito mais lentos. A corrida deve ter um trilhão de pit stops, o que atrapalha um pouco a ação na pista. E Hamilton que se cuide. É favorito, mas a McLaren não tem trocado pneus muito bem.

- Palpitaço para amanhã: pódio com Kimi, Hamilton e Maldonado. Não sei em que ordem.

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Coluna de hoje – Nosso doido favorito

Insano, alucinado, doido, destemido, kamikaze. Mas, acima de tudo isso, um baita piloto. Assim era Gilles Villeneuve, cuja morte completa 30 anos hoje, num terrível acidente durante o treino de classificação para o GP da Bélgica, em Zolder. O canadense teve uma passagem meteórica pela Fórmula 1, mas permanece até hoje vivo na memória dos fãs, ainda que tenha disputado apenas quatro temporadas completas na categoria. Sua passagem foi fugaz, mas apaixonante.

Gilles estreou na F1 em 1977, com um terceiro carro da McLaren, no GP da Inglaterra. Foi indicado por James Hunt, a quem havia batido em uma prova de F2 no ano anterior. Chamou a atenção com um nono lugar no grid e na corrida chegou a andar em 6º lugar, embora tenha terminado em 11º, fora da zona de pontos. No entanto, foi o suficiente para chamar a atenção de Enzo Ferrari. O comendador ligou para Villeneuve, que imediatamente abandonou seu acordo de disputar mais três corridas pela McLaren e passou a negociar com a equipe italiana, visando a temporada de 1978. Niki Lauda, então primeiro piloto e brigado com toda a equipe, conquistou o título mundial com duas corridas de antecedência e mandou avisar que não sentaria mais em nenhum dos carros vermelhos. Foi a oportunidade de Villeneuve, que estreou pela Ferrari naquele ano mesmo, no GP do Canadá. Ali nasceria uma parceria para toda a vida, literalmente.

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Coluna de hoje – O 11 de setembro da F1

Completam-se hoje 18 anos de um dos dias mais sombrios de toda a história da F1. Dado o ineditismo e a sequência de desastres que marcaram aquele final de semana em Imola, é possível traçar um paralelo com os atentados de 11 de setembro de 2001. Os dois eventos macabros que foram transmitidos ao vivo para todo o mundo marcaram a história de forma irremediável: a organização política do planeta nunca mais foi a mesma depois que os aviões sequestrados atingiram as torres do World Trade Center e o Pentágono, assim como a F1 nunca mais foi a mesma depois que Roland Ratzenberger e Ayrton Senna encontraram a morte junto aos muros do autódromo italiano.

Porém, diferentemente dos atentados terroristas aos Estados Unidos, no caso do GP de San Marino de 1994 não é possível apontar culpados. Na época falava-se muito no regulamento e até hoje há quem repita que “o regulamento deixou os carros instáveis”, “os pilotos tinham medo de guiar” ou que “a velocidade aumentou e a falta da eletrônica deixou os pilotos reféns de verdadeiras cadeiras-elétricas”. Uma imensa bobagem. De fato, a retirada das assistências aos pilotos em fins de 1993 (suspensão ativa, controle de tração e freios ABS) tornou mesmo os carros mais ariscos e o resultado foi uma temporada com mais acidentes. Porém, nenhuma das fatalidades de Imola se deveram a isso.

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Pilotoons animado – China e Bahrein

Bruno Mantovani, novamente, mandando bem nas charges animadas.

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A grande perdedora

O equilíbrio vem sendo a marca da temporada 2012 da Fórmula 1. As equipes estão tão próximas que as oscilações normais de performance entre um circuito e outro são suficientes para jogar um time da ponta para o segundo pelotão. Com isso, ainda não há uma hierarquia clara. McLaren, Ferrari, Mercedes e Red Bull ganharam as quatro primeiras provas do ano, mas tanto Lotus quanto Sauber também estiveram próximas da vitória. Com isso, fica claro que estamos em um campeonato de regularidade e que qualquer ponto pode fazer muita diferença no fim do ano.

E aí, colocando em perspectiva as primeiras provas do ano, fica claro que a grande perdedora deste primeiro quinto de campeonato foi a McLaren. De todos os times, foi o que mais vezes apareceu na frente e teve condições de vencer praticamente todas as corridas. Foram duas poles e três primeiras filas em quatro corridas, mas que se converteram em apenas uma vitória. Os motivos foram os mais diversos: bobagem de piloto, quebras e até erros absurdos nos pit stops, pouco comuns na história da McLaren. A sequência de pit stops terríveis com Hamilton no Bahrein foi inacreditável, assim como uma desastrosa troca de pneus tirou de Button qualquer chance de vitória na China. Ontem, em Sakhir, dois dos três piores pit stops da corrida foram da McLaren.

O tour oceânico-asiático da Fórmula 1 se encerrou com a Red Bull na frente entre os construtores e com Vettel na liderança entre os pilotos, quando a lógica diz que a McLaren é quem deveria estar chegando de volta à Europa com vantagem. Uma gigantesca oportunidade foi desperdiçada, mas isso não significa que a equipe seja carta fora do baralho. Hamilton é segundo no campeonato, Button é o quarto, todos eles muito próximos da ponta da tabela. Pilotos, dinheiro e estrutura ela tem. Um carro vencedor, também. Não deve é se deixar abater pelas chances perdidas e ser mais competente, como de hábito é.

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Foi bem

Depois das duas primeiras corridas do ano, a Ferrari tinha todos os motivos do mundo para dispensar Felipe Massa. O brasileiro, de fato, fez duas provas desastrosas, não foi nada competitivo, errava com muita facilidade e parecia ser um piloto inferior a seu carro, e olha que o carro da Ferrari é uma porcaria. Porém, depois dos GPs da China e do Bahrein, já não se pode dizer o mesmo. É claro que Felipe não fez nenhuma corridaça, não deu show, não fez nada de excepcional. Porém, foi correto e fez exatamente o que seu carro permitia fazer.

Hoje, em Sakhir, fez sua melhor prova na temporada. Largou muito bem, saltando de 14º para oitavo logo na primeira volta, ultrapassou Kimi Raikkonen na volta seguinte numa manobra de tirar o fôlego, foi competitivo o tempo todo. Andou na cola de Fernando Alonso e, principalmente no terceiro stint, era mais rápido do que ele graças aos pneus macios, enquanto o companheiro andava de médios. Não ultrapassou, talvez respeitando a hierarquia da equipe, mas mostrou que tinha condições de fazê-lo. Terminou a prova em nono, marcou os primeiros pontos, o que deve lhe trazer alguma paz dentro da equipe.

Diz-se que a Ferrari pretende utilizar Sergio Perez nos testes do próximo final de semana em Mugello. Se estiver pensando em 2013, acho até que a equipe faz bem. Porém, muitos interpretam isso como uma possibilidade real de demissão a Felipe Massa. Se o mexicano responder bem, bye bye Felipe. Se isso acontecer, será uma pena. Felipe mostrou nas últimas duas corridas que está novamente com a cabeça no lugar e que pode, sim, ser um bom companheiro para Alonso.

Quem espera que Felipe volte a ser o vencedor de 2006 a 2008 vai continuar quebrando a cara e praguejando contra ele, pois a realidade atual da Ferrari não permite isso, seja pela baixa qualidade do carro, seja pelo ambiente totalmente voltado a Fernando Alonso. Porém, é preciso que se diga que o brasileiro voltou a fazer corridas boas e está andando em alto nível, muito perto do companheiro, que é um piloto genial. Se for substituído, pouca gente conseguiria fazer melhor do que ele com este carro da Ferrari. Nem Perez.

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De volta ao topo (também)

Tudo bem, eu sei que essa Lotus não é aquela Lotus e tal. É um time meio esquizofrênico, que diz ser Lotus, é de propriedade de um grupo esquisito chamado Genii, tem raízes na Toleman e exibe em seu carro três estrelas pelos títulos de construtores da fábrica de Enstone (Benetton 1995, Renault 2005/2006). Mas o fato é que a equipe está inscrita como Lotus e, para todos os efeitos, é Lotus.

Então, sendo este time a Lotus, o GP do Bahrein hoje confirmou o renascimento do tradicional nome na Fórmula 1. Kimi Raikkonen foi segundo, Romain Grosjean terceiro, e foi a primeira vez em cerca de 24 anos que um piloto de um carro de nome Lotus subiu ao pódio. O último havia sido Nelson Piquet, terceiro no GP da Austrália de 1988. Além disso, a última vez que dois pilotos de uma equipe chamada Lotus haviam subido juntos ao pódio havia sido na Espanha, em 1979, quando Carlos Reutemann chegou em segundo e Mario Andretti, em terceiro, tal qual hoje em Sakhir. Curioso: nas duas situações, nenhuma das Lotus ostentava o preto e dourado que a atual equipe travestida diz se orgulhar. Em 1988, Piquet guiava o carro amarelo dos cigarros Camel. Em 1979, Reutemann e Andretti vestiam verde, o british green, com patrocínio da Martini. Uma bela máquina, aliás.

E foi por pouco que Kimi Raikkonen não venceu a corrida. Largou bem, saltando de 11º para 7º, mas se enrolou numa disputa com Nico Rosberg e acabou perdendo uma posição para Felipe Massa, numa bela ultrapassagem do brasileiro. Precisou remar para recuperar o posto e ali perdeu um tempo precioso. Kimi galgou mais posições, se deu bem por ter um jogo de pneus macios a mais que os demais e apareceu na segunda posição a partir da metade da prova. E, para surpresa geral, com o carro mais rápido de todos.

Calçado com pneus médios, pressionou o líder Vettel, que tinha macios desgastados, mas não conseguiu a ultrapassagem. Após o último pit stop, em igualdade pneumática de condições, não pôde mais exercer a mesma pressão. Ainda assim, chegou muito perto. Não tivesse perdido tempo atrás da Ferrari de Massa no começo da corrida, é provável que tivesse conseguido passar Vettel e a história seria diferente. Mas não foi.

Ainda assim, o resultado foi excepcional, principalmente pelo terceiro lugar de Romain Grosjean, o primeiro pódio francês na Fórmula 1 desde 1998, quando Jean Alesi foi também terceiro no Belgian Bowling F1 GP. Curioso: Grosjean é, na verdade, suíço, nascido em Genebra. Porém, como não há automobilismo na Suíça, corre como francês.

Saldo da história: um francês que não é francês sobe ao pódio com uma Lotus que não é Lotus numa corrida num país politicamente em frangalhos e que finge que está tudo bem. A F1 é, no fim das contas, uma grande farsa.

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De volta ao topo

Campeonato legal demais este de 2012. Sebastian Vettel e a Red Bull fizeram um belíssimo trabalho hoje e venceram o GP do Bahrein. De quebra, ainda assumiram a liderança do campeonato, graças à inacreditável sequência de bobagens protagonizada pela McLaren nos pit stops de Lewis Hamilton.

A corrida de Vettel foi do jeitinho que ele (e todo piloto) gosta: partiu da pole, abriu uma boa vantagem no começo e tratou de ficar administrando. Porém, a vida do bicampeão não foi tão fácil quanto o resultado pode levar a imaginar, principalmente no terceiro quarto da corrida, quando sofreu uma forte pressão da Lotus de Kimi Raikkonen. O finlandês esteve muito perto de ultrapassar e coube a Vettel se utilizar da tranquilidade que só alguém que já é bicampeão do mundo tem. Com inteligência e sem afobação, manteve os traçados defensivos certos e não permitiu que a Lotus, que vinha bem mais rápida, pudesse consumar a ultrapassagem.

Foi uma vitória maiúscula, de quem tinha um bom carro, mas não tão superior assim. Foi nos detalhes (boa largada, consumo de pneus, bela defesa de posição) que Vettel virou a sorte a seu favor. O campeonato está aberto e divertido pra burro. Pela primeira vez na história, quatro líderes diferentes nas quatro primeiras etapas, segundo levantamento feito pelo Almanaque da F1. E, desde 1983, é a primeira vez que quatro pilotos de quatro equipes diferentes ganham as quatro primeiras corridas.

Até que alguém coloque o ovo de Colombo em pé, será assim, corrida a corrida. A McLaren foi melhor na Austrália e na Malásia, mas só conseguiu vencer a primeira. A Ferrari deu uma sorte danada na Malásia e levou. A Mercedes foi a melhor em Xangai e hoje foi o dia da Red Bull. Ainda não dá para saber quem vai andar na frente na Espanha daqui a três semanas, até porque vem muita novidade por aí. Haverá uma sessão de testes nesse intervalo e muitas equipes devem aparecer com evoluções de seus carros.

A Red Bull chega à Europa com a vantagem de estar na liderança, ainda que só tenha sido realmente competitiva em uma prova. E a McLaren, que poderia estar folgada na frente, vai ter que tirar o atraso. É o melhor início de campeonato dos últimos tempos.

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Rapidinhas da Classificação – GP do Bahrein

- A temporada de 2012 da Fórmula 1 está divertida demais, a ponto de qualquer prognóstico ser impossível. Quando todo mundo tem certeza que a Ferrari fez uma porcaria de carro e que vai se ferrar no campeonato, Fernando Alonso vai lá e ganha na Malásia. Quando a gente diz que a Mercedes come pneus demais e não tem chances, Rosberg vai lá e ganha na China. E quando a gente dá a Red Bull como carta fora do baralho, Sebastian Vettel vai lá e faz uma pole no Bahrein.

- A Red Bull foi bem demais em Sakhir e só não fez dobradinha na primeira fila porque Lewis Hamilton estragou a festa no último segundo, roubando de Mark Webber o segundo lugar no grid. Red Bull e McLaren brigando pela ponta, vai ser uma corrida divertida.

- Mas o que explica tanta variação, além da questão das diferenças de comportamento dos carros com os pneus, é a proximidade entre as equipes. Os seis primeiros do grid estão separados por menos de meio segundo, sendo que o sexto é Daniel Ricciardo, com uma pouco cotada Toro Rosso. Tá tudo embolado. Basta melhorar um ou dois décimos para alguém ganhar uma penca de posições. Na F1 2012, todo mundo tem direito a quinze minutos de fama.

- E um embolo assim gera situações curiosas. No Q1, dançou Michael Schumacher, com a 18ª posição. Porém, o tempo de volta dele não foi nenhuma absurdo: apenas 1s mais lento que o primeiro, Sergio Perez. Teria conseguido vaga fácil, mas errou na última volta rápida e se deu mal.

- Resumo: 18 carros separados por um segundo é sinal de que surpresas tendem a acontecer com recorrência. Como aconteceu: a eliminação prematura de uma Mercedes, sabidamente rápida em classificação, e a ida para o Q2 de uma Caterham, com Heikki Kovalainen. Vai ter festa lá até o sol raiar.

- No Q2, mais embolo. Tirando Kovalainen, todo mundo ficou no mesmo segundo. Nessas idas e vindas, quem se deu mal foi Kimi Raikkonen, que ficou em 11º e caiu fora da fase final da classificação. Fernando Alonso operou um milagre, fazendo o quinto tempo e passando para a fase seguinte. Felipe Massa fez o que dava com a Ferrari e ficou em 14º.

- Porém, não foi tão ruim assim. Ele ficou a 4 décimos de Alonso. A diferença grande de posições se deve ao fato de estar todo mundo embolado. Felipe vai largar numa posição ruim, é óbvio, mas se a Ferrari às vezes consegue coisa melhor (como a nona posição do grid de Alonso hoje) é porque o espanhol é capaz de fazer milagres, é um piloto de exceção. Não se iluda: no lugar de Felipe, pouca gente faria melhor do que ele hoje.

- A Williams não vai tão bem quanto nas três provas anteriores. Bruno Senna conseguiu apenas o 15º tempo, mas tem boas chances na prova amanhã. O desgaste de pneus será um fator chave e tanto ele quanto seu carro sabem cuidar bem dos compostos. Com uma boa estratégia, pode chegar nos pontos. Bruno colocou Maldonado no bolso de novo, ficando o venezuelano na 17ª posição. Porém, como trocou o câmbio, o feioso perdeu cinco lugares e vai sair em 22º.

- Previsão de vitória amanhã? Impossível. Dá pra apostar na dupla da Red Bull, na dupla da McLaren e também em Nico Rosberg. O alemão não classificou tão bem quanto na China, vai sair em quinto, mas se o carro responder bem aos pneus como em Xangai, pode dar o pulo do gato. Ross Brawn é gênio da estratégia, todos sabemos bem disso.

- Ponto negativo para Bernie Ecclestone e a palhaçada e “esconder” a Force India na transmissão. Temerosa depois do susto que levou na quinta-feira (mecânicos quase tomaram um coquetel molotov nas fuças), o time boicotou o segundo treino livre de sexta para voltar para o hotel ainda com luz do dia. Resultado: gancho da FOM, que não mostrou os carros na classificação hoje. E, pelo que diz a própria equipe, serão escondidos amanhã na corrida também.

- Como bem disse o Diogo Kotscho no Twitter, o Bahrein é mais livre que a própria Fórmula 1. Bando de palhaços.

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Opiniões sobre o Bahrein

O jornalista William Vinderfeltes, da Rádio Universidade de Santa Maria, gravou comigo um depoimento sobre a polêmica envolvendo a Fórmula 1 e a realização do GP do Bahrein. Em sua matéria, ele conversa também com Paulo Alexandre Teixeira, o famoso Speeder_76 do blog Continental Circus. Vale a pena escutar a reportagem.

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Melhor que a encomenda

Pouca gente – para não dizer ninguém – imaginava um começo de campeonato tão bom para a Williams em 2012. O time britânico acertou a mão no carro, os motores Renault deram um belo upgrade no desempenho e seus pilotos estão respondendo muito bem.

Com 18 pontos no Mundial de Construtores (mais que o triplo de tudo o que somou em todo o ano de 2011), a Williams já está em sétimo na classificação, mas só não é a quinta ao lado da Mercedes por causa do acidente de Pastor Maldonado na última volta do GP da Austrália. Tivesse conduzido o carro “para casa” com tranquilidade, os oito pontos estariam garantidos.

Porém, a pancada do Pastor no muro não depõe contra seu campeonato. O venezuelano tem feito corridas com inteligência, é rápido nas classificações e tem se mostrado muito combativo durante as provas. Briga, ultrapassa, defende posição, é praticamente um showman. Pontuou apenas na China, mas faria um ponto na Malásia não tivesse tido um problema de motor a poucas voltas do fim. É um dos protagonistas do campeonato.

Assim como Bruno Senna. Olhado com desconfiança por causa do sobrenome e por duas oportunidades não aproveitadas na Fórmula 1, o brasileiro é outro que vem se saindo melhor que a encomenda. Apesar da corrida ruim na Austrália, foi brilhante em Sepang e fez bonito também em Xangai. Nas últimas duas provas, andou sempre à frente do companheiro de equipe, um piloto mais experiente e que batia Rubens Barrichello com regularidade no ano passado. Precisa melhorar seu posicionamento nas largadas, já que tocou ou foi tocado em todas as três corridas até aqui. Na China, teve a sorte de não ter tido o carro danificado, depois de encostar sua asa dianteira no pneu traseiro esquerdo da Ferrari de Felipe Massa. Porém, apesar dessa ressalva, faz um campeonato brilhante até aqui. Quem especulava no começo do ano que a Williams tinha a pior dupla de pilotos do campeonato deve estar com a língua bem dolorida hoje.

Frank Williams completou 70 anos anteontem e tem como presente o renascimento de sua equipe. Menor do que já foi um dia, mas muito maior do que era em 2011. O resgate da Williams é importante para a história da Fórmula 1 e um pódio nesta temporada seria o presente perfeito. Vitória só em alguma situação absurda, mas um pódio e uma classificação final entre as seis melhores equipes é um objetivo bastante factível, mesmo com pouco dinheiro para desenvolver o carro. E eu acho que vai acontecer.

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Coluna de hoje – Tempo da delicadeza

Apesar do começo modorrento, o GP da China teve um final emocionante, com diversas trocas de posição do segundo ao 14º lugar. Boa parte deste equilíbrio, assim como a vitória de Nico Rosberg, pode ser atribuída aos pneus Pirelli. As equipes ainda não entenderam exatamente como os compostos de 2012 funcionam e os testes das sextas-feiras não têm sido suficientes para projetar com 100% de certeza qual a melhor estratégia de corrida. O resultado disso são alguns acertos e uns tantos erros, que acabam tornando as corridas imprevisíveis.

Quem mais acertou em Xangai, sem dúvidas, foi a Mercedes. Ross Brawn, sempre ele, montou a estratégia perfeita para Rosberg na corrida chinesa, aproveitando a pilotagem limpa do alemão para fazer apenas dois pit-stops, ainda assim sem exigir que ficasse tempo demais com um mesmo composto na pista. O vencedor da prova fez um primeiro stint de 13 voltas com pneus macios. O rendimento foi bom e, a partir desta amostra, foi possível projetar mais 21 voltas em ritmo competitivo com os compostos médios. O carro continuou respondendo bem e, a partir daí, ficou claro que não haveria um terceiro pit stop, já que Rosberg parou para colocar compostos médios novamente a apenas 22 voltas do fim.

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Decolou

A Dallara desenvolveu um carro com diversos recursos de segurança para evitar decolagens na Indy, potencialmente fatais nos ovais. Pois ontem em Long Beach Marco Andretti provou que, quando se é bração, dá pra sair voando.

O replay do acidente aparece aos 2min50s do vídeo. Ele nem teve tanta culpa assim, mas não podia perder a oportunidade de chamá-lo de braço duro.

Perigoso.

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Liderança agridoce

Lewis Hamilton, sempre combativo, não ganhou nada ainda em 2012. Fez duas poles, mas não venceu e nem sequer conseguiu bater seu companheiro Jenson Button em condições normais de corrida. Porém, é o único a ter subido no pódio em todas as corridas, sempre em terceiro, e virou líder do campeonato. Pode isso, Arnaldo?

Pode, ué. Num campeonato equilibrado como o que está se desenhando, com alta divisão de vitórias (até aqui foram três ganhadores de três diferentes equipes), a regularidade acaba falando mais alto. E Hamilton, que até então nunca foi tido como um piloto cerebral, muito menos regular, surpreende ao correr com inteligência, visando marcar pontos. Está fazendo certo.

Será que Hamilton mudou? Não exatamente. Continua agressivo, como a briga com Sergio Perez e as ultrapassagens sobre Felipe Massa e Sebatian Vettel mostraram, mas já não corre mais os riscos desnecessários do passado. Porém, curiosamente, sem muita felicidade. Geralmente expansivo e alegre nos pódios, Hamilton está contido este ano. Não ganha, não está feliz, mas é líder. Um sentimento agridoce.

A presença de Button na equipe, se no ano passado desestabilizou Lewis, este ano parece estar ajudando no desenvolvimento de seu talento. Com um piloto tão completo ao lado, o campeão de 2008 precisou amadurecer para continuar competitivo. E está conseguindo. A disputa interna da McLaren é pra lá de interessante e pode se converter na briga pelo título da temporada, já que a equipe é a única que tem sido competitiva em todas as corridas. Assim, quem sabe, no fim do ano, Lewis possa finalmente sorrir.

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