Virou farelo

Virou farelo

Muita gente acredita na máxima que diz que “qualquer propaganda é boa propaganda”, e este parece ser o caso dos executivos mundiais da Pirelli. Sim, por que só isso explica o tamanho descalabro que tem sido o retorno dos italianos para a Fórmula 1.

Não há dúvidas de que fornecer pneus para a Fórmula 1 é uma excelente estratégia de marketing. A empresa ganha visibilidade mundial, aparece em todos os carros, no cenário de todas as corridas, no boné dos vencedores, enfim… garante presença da marca em praticamente todos os meios de comunicação do mundo durante um ano inteiro. Tal exposição não tem preço. Mesmo o investimento milionário para desenvolver e fabricar os pneus compensa de longe o retorno em visibilidade da marca. Até aí, está garantida a propaganda. O problema é que ela precisa ser boa.

Mas não é o caso até aqui. A pedido da organização da Fórmula 1 – é bom que se diga -, a Pirelli caiu na armadilha de fabricar pneus menos resistentes e com uma variação de desempenho maior que os anteriores da Bridgestone. Quando novos, andam que é uma beleza, mas em poucas voltas perdem rendimento. O objetivo é tornar as corridas mais movimentadas, com mais ultrapassagens e pit stops. Assumir este desejo dos organizadores já é um grande risco, e ele foi assumido pelos italianos.

A situação, no entanto, foi um pouco além do previsto. Não que os pneus representem um risco severo à segurança – até agora não provocaram nenhum acidente – o problema é que os compostos da Pirelli se esfarelam a olhos vistos. Domingo passado, em Sepang, a situação chegou a limites absurdos. Como se vê na foto que ilustra o post, os trechos da pista externos ao trilho por onde passam os carros ficaram tomados de nacos de pneus, num nível muito maior do que o já visto alguma vez na história da Fórmula 1.

E aí cabe a pergunta: valeu a pena? Durante a prova, no Twitter, foi possível constatar diversas piadinhas a respeito, de gente de todo o mundo. A brincadeira mais corrente era: “Tomara que a Pirelli não traga a tecnologia da Fórmula 1 para o meu carro”. E aí, o que deveria ser um grande apelo de propaganda, virou piada. Ou seja, eu até compro um Pirelli, mas desde que não seja aquela porcaria que eu vejo na Fórmula 1.

Ainda que no inconsciente, a Pirelli está gravando na cabeça dos consumidores do mundo todo, via F1, a mensagem de que fabrica pneus que duram pouco. Que fazem sujeira. Que são ruins. Em breve, podem causar acidentes. Fernando Alonso já sinalizou preocupação com o excesso de “marbles” que os Pirelli lançam na pista, dizendo que tentativas de ultrapassagem em pistas como Montreal e Cingapura podem terminar em acidentes caso o piloto “pise” no lado sujo da pista.

No fim das contas, a situação é um grande contrassenso. A Fórmula 1 sempre se posicionou como auge tecnológico do automobilismo, tendo os melhores pilotos, os melhores fabricantes, os grandes patrocinadores e tudo de grandiloquente que se imagina relacionado a corridas. E aí, propositalmente, contrata alguém para fabricar um pneu vagabundo. E esse alguém aceita. Absurdo.

As corridas ficaram movimentadas, isso é inegável. E se a emoção é genuína ou fabricada, é outra discussão. O fato, no entanto, é que a nova regra dos pneus está criando imagens contraditórias. E fazendo a reputação da Pirelli virar farelo.

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Todos contra Vettel

Foto: Clive Mason/Getty Images

São apenas duas corridas de um total de 19, é verdade. Mas o campeonato 2011 da Fórmula 1 já vai ganhando alguns contornos. E o mais delineado de todos até aqui é o da disputa pelo título: são todos contra Sebastian Vettel.

O atual campeão do mundo faz uma arrancada perfeita em direção ao bi. Duas pole positions, duas vitórias dominadoras, 109 voltas lideradas das 114 do campeonato até aqui. Até agora, Vettel só não esteve na frente nos breves momentos entre uma troca de pneus e outra. Não deu chances a ninguém, nem mesmo a seu companheiro Mark Webber, que fez duas corridas irregulares neste mesmo período.

Um domínio tão grande, com um companheiro de equipe sucumbindo tão facilmente, chega a lembrar a era Schumacher na Ferrari. Também pelo fato de, apesar de ser o melhor carro, a Red Bull não ser tão melhor assim. É verdade que, em voltas lançadas, os touros são imbatíveis. Mas, em ritmo de corrida, deixam um pouco a desejar, principalmente em função do desgaste de pneus.

Nas vitórias na Austrália e na Malásia, a vantagem de Vettel para o segundo colocado poucas vezes foi maior do que dez segundos. Os adversários sempre estiveram perto, mas nunca a ponto de ameaçar seriamente a sua liderança. No estágio atual, o carro da Red Bull é bom o suficiente para fazer com que o talento de Vettel se sobressaia sobre os demais na medida certa. Enquanto que, nas mãos de um piloto irregular como Webber, vira um carro comum.

Isso é o que dá esperança aos adversários. A Red Bull é boa, mas não imbatível. E a McLaren é quem está mais próxima. Lewis Hamilton foi um esforçado combatente nas duas primeiras corridas, mas em ambas sucumbiu por excesso de arrojo. Na Austrália, saiu da pista e teve o assoalho quebrado. Na Malásia, abusou dos pneus e foi obrigado a uma parada extra a três voltas do fim. Jenson Button, de condução mais gentil com os pneus, foi uma ameaça mais séria na Malásia, terminando a prova a apenas três segundos do vencedor. Mas talvez, para bater Vettel, seja necessário um pouco mais de arrojo.

A Ferrari ainda é muito instável. Tem um desempenho abaixo da crítica em voltas de classificação, o que deixa seus carros sempre para trás no grid de largada. Porém, em ritmo de corrida, faz tempos animadores. Fernando Alonso fatalmente subiria ao pódio em Sepang, não fosse tão afoito no ataque a Hamilton nas voltas finais, o que lhe fez perder um pedaço da asa dianteira. Felipe Massa consegue ser muito rápido em alguns momentos da corrida, mas lhe falta uma certa constância. A Ferrari precisa de um desempenho mais constante para poder brigar pela vitória. Com o dinheiro e o staff que tem, em breve deve chegar lá.

O fato é que Vettel já assumiu o posto de protagonista do campeonato de 2011. Agora, resta descobrir quem vai conseguir se posicionar como real desafiante ao título. Em algumas corridas, a tendência é que McLaren e Ferrari se aproximem e se tornem uma ameaça real. O problema será se, até lá, o alemãozinho continuar a empilhar vitórias. Se demorar, pode ser tarde demais.

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Automobilismo e inclusão social

Na Inglaterra, no final de semana passado, aconteceu algo pouco divulgado aqui no Brasil, mas de certa importância para o automobilismo. Nic Hamilton, irmão de Lewis Hamilton, fez sua estreia como piloto em Brands Hatch, na rodada de abertura do BTCC (British Touring Cars Championship), competindo na Copa Clio, uma das corridas preliminares. Seria apenas mais uma notícia de parente de piloto famoso buscando espaço no esporte, não fosse um detalhe relevante: Nic possui paralisia cerebral.

O irmão caçula do campeão mundial de Fórmula 1, de 19 anos, tem problemas motores nos membros inferiores e, por isso, caminha com dificuldade. Normalmente, é visto no paddock em cadeira de rodas. A paralisia cerebral, causada normalmente por pouca oxigenação no cérebro na gestação, durante ou logo após o parto, pode se manifestar de diversas formas, mas são poucos os casos em que há comprometimento de raciocínio ou inteligência. Porém, em razão de muitos portadores apresentarem dificuldades de fala, erroneamente são taxados de pouco inteligentes.

Com um carro adaptado à sua condição, Nic Hamilton entrou na pista não só para realizar um sonho, mas também para dar uma demonstração pública de que um portador de paralisia cerebral é capaz de guiar um carro com perícia, em alta velocidade. Competiu junto com os demais e assim será durante toda a temporada. Os resultados nas duas primeiras corridas foram condizentes com a estreia de alguém sem experiência: 12º e 15º, mas isso pouco importa. Fica a bela lição de inclusão social proporcionada por Nic, sua família e as autoridades automobilísticas da Inglaterra.

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Morte na pista

Foto: Divulgação/J. Star Racing

Gustavo Sondermann teve morte cerebral diagnosticada agora há pouco, em São Paulo, em decorrência de um forte acidente em Interlagos, na etapa de abertura da Copa Montana, categoria de acesso da Stock Car. É sempre um choque para quem gosta e acompanha o automobilismo, por mais que a gente saiba que é um esporte de risco. A morte sempre está ali, muito perto, mas a gente tenta ignorar.

Mas hoje ela se revelou, feia e maldita. E, enquanto que na tentativa de extrair da fatalidade algum sentido vejo que já há uma busca por culpados, não consigo pensar nisso. À minha cabeça vem a sensação de uma imensa falta de sorte.

Lembro que conversei com o Dr. Dino Altmann, médico da Stock Car, no ano passado sobre a segurança dos autódromos no Brasil. E ele foi taxativo ao afirmar que Interlagos é o circuito mais seguro, o único que passa nos padrões da FIA para a Fórmula 1. E é lá que acontece a segunda morte em competição oficial, num intervalo de menos de quatro anos, e exatamente na mesma curva, a do Café.

Trata-se de uma curva flat, em subida, com o muro muito próximo, à direita. Muito difícil um piloto cometer um erro e bater ali, normalmente um acidente acontece em virtude de uma falha mecânica, um toque, ou uma derrapada por causa da chuva (que é o que pode ter acontecido hoje). E, mesmo que o piloto batesse no muro, pelo ângulo do impacto, dificilmente algo grave aconteceria. O risco está no retorno do carro à pista, que pode ficar parado atravessado e sofrer impacto de alguém que venha atrás, com motor cheio. Pelo fato do trecho da pista se tratar de uma subida, o piloto que vem de trás não tem a visão completa de um acidente à frente. Quando percebe, já é tarde para uma manobra de evasão. E foi exatamente o que aconteceu hoje e em 2007, com Rafael Sperafico, a outra vítima fatal.

Os acidentes em “T” são os mais graves do automobilismo. E não existe autódromo no mundo que impeça uma colisão como essa, basta o carro ficar atravessado numa posição infeliz. Alessandro Zanardi perdeu as pernas e quase morreu num acidente exatamente assim na Indy, em 2001. Trata-se de um dos maiores temores de um piloto.

No caso de Interlagos, o problema é a falta de visibilidade. Agravada pela corrida com chuva e com o pára-brisa embaçado por causa do calor do motor. Como se diz na aviação, não existe uma causa única para uma tragédia. Uma infelicidade na pista, o piso molhado, a falta de visibilidade, tudo contribuiu para o fato. É preciso, sim, trabalhar para evitar que tais fatores possam se unir outra vez e provocar novo desastre. Pilotos da Stock já se manifestam a favor de utilizar no Café uma variante que ali existe, utilizada para corridas de motos. Seria uma boa iniciativa.

Conheci o Gustavo de vista, embora nunca tenha chegado a trocar uma palavra com ele. Mas a choque é grande da mesma forma. Resta conviver com este gosto amargo que uma tragédia assim provoca e lamentar a perda de um jovem de 29 anos. E ficam aqui registradas minhas condolências à família, aos amigos e todos aqueles que continuam buscando algum sentido no que aconteceu.

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Constrangimento

Foto: Mike Ehrmann/Getty Images

Simona de Silvestro foi um dos grandes nomes da abertura da Indy no último domingo, em São Petersburgo. Terminou a prova em quarto lugar, sua melhor classificação na categoria desde sua estreia no ano passado, e ainda deu muito trabalho para o brasileiro Tony Kanaan, terceiro colocado.

Porém, fora o seu grande desempenho na pista, chamou a atenção também o seu patrocinador. O carro da pilota suíça é pintado em verde por causa de seu principal investidor, que promete um mundo limpo, verde e ecologicamente correto: energia nuclear. Sim, um lobby pró-energia nuclear patrocina a equipe HVM. O problema é que não poderia haver momento menos oportuno para isso, com o Japão vivendo uma crise nuclear e com resíduos dos vazamentos radioativos da usina de Fukushima sendo detectados na China e até mesmo nos Estados Unidos.

Está certo que é o momento no qual os defensores da ideia (e, principalmente, do negócio) mais precisam de boa propaganda. Mas não são os bons resultados de Simona, nem a exibição do carro na TV, que vão trazer alguma confiança a esta duvidosa fonte de energia. Pelo contrário, o patrocínio acaba até sendo prejudicial para a pilota, que tem sua imagem associada à fonte de uma das maiores catástrofes ecológicas do século. Causa, no mínimo, constrangimento.

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Heidfeld homenageia Kubica

Foto: Reprodução/F1

O leitor Lucas R enviou, via comentários, um link com frames da F1 em alta definição, capturados por telespectadores.

Não bastasse a conclusão de que as imagens são mesmo incríveis, percebi algo que passou meio batido no capacete de Nick Heidfeld. Ao menos no treino de sexta-feira, que foi quando este frame foi capturado, ele alterou um singelo detalhe em seu capacete, em homenagem a seu ex-companheiro de BMW Sauber, Robert Kubica.

No espaço dedicado às cores da bandeira alemã, na lateral, Nick aplicou ali uma bandeira da Polônia. Um gesto simples, mas bonito.

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Asa móvel: #EpicFail

Foto: Clive Mason/Getty Images

Incrível como, ano após ano, a FIA se esforça em criar novidades no regulamento da Fórmula 1 que simplesmente não atendem em nada os objetivos propostos. O último #EpicFail da entidade foram as tais asas móveis, que estrearam no GP da Austrália.

O recurso, criado com o intuito de facilitar ultrapassagens, revelou-se uma engenhoca inútil. No começo da prova, quando Jenson Button atacava Felipe Massa, que vinha num ritmo bem mais lento, imaginou-se que a asa móvel resolveria a parada. Com ansiedade, todos esperaram Button acionar o dispositivo pela primeira vez. O inglês fez a última curva da pista colado na Ferrari do brasileiro, a luz do volante acendeu, ele acionou o dispositivo e… nada aconteceu. O piloto da McLaren tentou ultrapassagens por oito voltas, até se afobar e cortar uma curva.

A asa móvel foi absolutamente inútil exatamente na situação a qual mais dela se esperava. Disputa direta de posição, dificuldade de ultrapassagem mesmo com um carro mais lento à frente. E a solução de todos os problemas não solucionou coisa nenhuma.

O caso Button-Massa foi o mais emblemático, mas em várias outras brigas na corrida a asa móvel foi utilizada. E, assim como no primeiro caso, de pouca coisa serviu. Virou apenas mais uma traquitana besta. Talvez sua maior valia tenha sido na ultrapassagem de Felipe Massa sobre Sebastien Buemi, no final da corrida. Ainda assim, uma manobra que provavelmente aconteceria também sem ela.

Talvez, em autódromos com retas mais longas, como Shanghai, ela sirva para alguma coisa. Mas é motivo de chacota criarem um frisson tão grande em cima de algo que, na prática, funciona apenas em determinadas condições. E assim segue a Fórmula 1, até a próxima “inovação” enfiada goela abaixo, sem resultados práticos.

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Webber e Massa, os pilotos-Tiririca

Foto: Mark Thompson/Getty Images

Depois do que protagonizaram no GP da Austrália, pode-se dizer que Mark Webber e Felipe Massa são os “pilotos-Tiririca”, em alusão ao maior bordão da campanha eleitoral de 2010: pior do que está, não fica.

Dispondo do mesmo carro do vencedor Sebastian Vettel e correndo em seu país natal, Webber não se encontrou em momento algum em todo o final de semana. Andando em um ritmo muito mais lento, sequer foi páreo para pilotos com carros inferiores, como Fernando Alonso e Vitaly Petrov. Teve um desgaste de pneus acentuado, que o obrigou a três pit stops. Na saída do terceiro pit, demonstrou afobação na perseguição a Alonso e chegou a sair da pista.

Cruzou a linha de chegada em quinto, parando logo o carro no acostamento. Talvez tenha sofrido algum problema mecânico que venhamos a descobrir mais tarde. De toda forma, o mau desempenho nos treinos também deixa uma pulga atrás da orelha: parece que o australiano acusou o golpe da derrota para Vettel no ano passado.

Assim como Felipe Massa, que desde a cessão de posição a Alonso no GP da Alemanha do ano passado não repete mais as boas atuações de outros tempos. Hoje, fez até uma excelente largada, saltando de oitavo para quinto. Defendeu com raça a posição dos ataques de Jenson Button, até o inglês cometer um erro e ultrapassar por um atalho na pista, o que lhe resultou numa punição com “drive through”.

Porém, apesar da dedicação e da habilidade na defesa de posição, era nítido que o ritmo de Felipe era muito ruim. Assim que Button passou, perdeu também a posição para Alonso e foi ficando para trás, cada vez mais para trás. Seu ritmo era tão pouco competitivo que Button, mesmo punido com uma passagem forçada pelos boxes com velocidade limitada, conseguiu alcançá-lo e ultrapassá-lo no final da corrida.

Fechando a prova num lamentável nono, fica o consolo de ter marcado a volta mais rápida. Entretanto, é um dado pouco importante, já que Felipe foi o piloto de carro de ponta a fazer o mais tardio pit stop, o que o deixou na pista mais leve e com pneus em melhor estado. Fez bela ultrapassagem sobre Sebastien Buemi, mas algo que deve ser considerado uma obrigação para quem pilota uma Ferrari.

O perceptível é que, tal qual Webber, Felipe errou demais no final de semana. Rodou, saiu da pista nos treinos, defendeu posição contra Button de forma agressiva (ainda que leal). Tudo isso aponta para um certo descontrole emocional, uma tentativa de ultrapassar os limites para conseguir um bom resultado. Até aqui, sem sucesso.

Ainda é cedo, o GP da Austrália foi apenas a primeira corrida de 19 da temporada. Mas os indícios são de que tanto Massa quanto Webber estão desestabilizados por terem companheiros de equipe campeões, difíceis de serem batidos.

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Perez, o nome da prova

Foto: Robert Cianflone/Getty Images

Sebastian Vettel venceu sem dificuldades, fazendo parecer fácil. Vitaly Petrov fez história com o primeiro e merecido pódio. Mas quem brilhou mesmo, até pela pouca expectativa que se tinha, foi o mexicano Sergio Perez, da Sauber.

Sétimo colocado, chegar uma posição à frete do bem cotado companheiro Kamui Kobayashi já teria sido por si só um grande resultado. Mas as circunstâncias é que deram mais brilho à conquista de Perez: ele fez a prova inteira com apenas uma troca de pneus.

O equilíbrio do bom carro da Sauber foi determinante para o resultado, mas de toda forma, é notável que alguém tenha feito uma corrida poupando pneus assim, ainda mais um estreante. Mais: durante boa parte da corrida, o mexicano esteve com a volta mais rápida da prova em mãos, feita num momento em que seus pneus já tinham mais de 20 voltas de uso. Perez mostrou ser um piloto rápido, mas que sabe conservar o equipamento. Seu segundo stint durou cerca de 35 voltas, algo impensável para qualquer outro piloto que quisesse ser competitivo.

Bastante criticado por entrar na equipe bancado pela Telmex de Carlos Slim, o novato mostrou que não é apenas um piloto pagante. É um bom piloto que entra na F1 amparado por um bom patrocínio. Algo que, convenhamos, não tem nada de desabonador. Poucos são aqueles que estrearam na categoria sem trazer consigo uma grande mala de dinheiro.

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Petrov: fazendo história

Foto: Clive Mason/Getty Images

Terceiro colocado no GP da Austrália, Vitaly Petrov fez história hoje. É o primeiro pódio de um piloto russo na Fórmula 1. O que é um tanto óbvio, já que ele é o primeiro piloto do país a correr na categoria.

O importante, no entanto, é que o resultado não teve nada de fortuito. Petrov largou bem, pulando de sexto para quarto logo na primeira curva. Depois, manteve um ritmo consistente de corrida e defendeu-se bem dos ataques de Fernando Alonso no final, ainda que tenham sido um pouco tímidos.

Em comparação com a corrida de seu companheiro e nº 1 da Renault, Nick Heidfeld, o feito de Petrov ganha ainda mais valor. O alemão fez uma corrida ridícula, para dizer o mínimo. Não demonstrou qualquer competitividade e acabou a corrida em 14º, à frente apenas da Lotus de Jarno Trulli e da Virgin de Jerome D’Ambrosio, que são carros lentos que correm praticamente numa categoria à parte.

E uma pergunta, em tom de lamento, fica no ar: se Petrov foi terceiro em circunstâncias normais, o que teria feito Robert Kubica com este bem nascido carro da Renault?

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