
- A temporada de 2012 da Fórmula 1 está divertida demais, a ponto de qualquer prognóstico ser impossível. Quando todo mundo tem certeza que a Ferrari fez uma porcaria de carro e que vai se ferrar no campeonato, Fernando Alonso vai lá e ganha na Malásia. Quando a gente diz que a Mercedes come pneus demais e não tem chances, Rosberg vai lá e ganha na China. E quando a gente dá a Red Bull como carta fora do baralho, Sebastian Vettel vai lá e faz uma pole no Bahrein.
- A Red Bull foi bem demais em Sakhir e só não fez dobradinha na primeira fila porque Lewis Hamilton estragou a festa no último segundo, roubando de Mark Webber o segundo lugar no grid. Red Bull e McLaren brigando pela ponta, vai ser uma corrida divertida.
- Mas o que explica tanta variação, além da questão das diferenças de comportamento dos carros com os pneus, é a proximidade entre as equipes. Os seis primeiros do grid estão separados por menos de meio segundo, sendo que o sexto é Daniel Ricciardo, com uma pouco cotada Toro Rosso. Tá tudo embolado. Basta melhorar um ou dois décimos para alguém ganhar uma penca de posições. Na F1 2012, todo mundo tem direito a quinze minutos de fama.
- E um embolo assim gera situações curiosas. No Q1, dançou Michael Schumacher, com a 18ª posição. Porém, o tempo de volta dele não foi nenhuma absurdo: apenas 1s mais lento que o primeiro, Sergio Perez. Teria conseguido vaga fácil, mas errou na última volta rápida e se deu mal.
- Resumo: 18 carros separados por um segundo é sinal de que surpresas tendem a acontecer com recorrência. Como aconteceu: a eliminação prematura de uma Mercedes, sabidamente rápida em classificação, e a ida para o Q2 de uma Caterham, com Heikki Kovalainen. Vai ter festa lá até o sol raiar.
- No Q2, mais embolo. Tirando Kovalainen, todo mundo ficou no mesmo segundo. Nessas idas e vindas, quem se deu mal foi Kimi Raikkonen, que ficou em 11º e caiu fora da fase final da classificação. Fernando Alonso operou um milagre, fazendo o quinto tempo e passando para a fase seguinte. Felipe Massa fez o que dava com a Ferrari e ficou em 14º.
- Porém, não foi tão ruim assim. Ele ficou a 4 décimos de Alonso. A diferença grande de posições se deve ao fato de estar todo mundo embolado. Felipe vai largar numa posição ruim, é óbvio, mas se a Ferrari às vezes consegue coisa melhor (como a nona posição do grid de Alonso hoje) é porque o espanhol é capaz de fazer milagres, é um piloto de exceção. Não se iluda: no lugar de Felipe, pouca gente faria melhor do que ele hoje.
- A Williams não vai tão bem quanto nas três provas anteriores. Bruno Senna conseguiu apenas o 15º tempo, mas tem boas chances na prova amanhã. O desgaste de pneus será um fator chave e tanto ele quanto seu carro sabem cuidar bem dos compostos. Com uma boa estratégia, pode chegar nos pontos. Bruno colocou Maldonado no bolso de novo, ficando o venezuelano na 17ª posição. Porém, como trocou o câmbio, o feioso perdeu cinco lugares e vai sair em 22º.
- Previsão de vitória amanhã? Impossível. Dá pra apostar na dupla da Red Bull, na dupla da McLaren e também em Nico Rosberg. O alemão não classificou tão bem quanto na China, vai sair em quinto, mas se o carro responder bem aos pneus como em Xangai, pode dar o pulo do gato. Ross Brawn é gênio da estratégia, todos sabemos bem disso.
- Ponto negativo para Bernie Ecclestone e a palhaçada e “esconder” a Force India na transmissão. Temerosa depois do susto que levou na quinta-feira (mecânicos quase tomaram um coquetel molotov nas fuças), o time boicotou o segundo treino livre de sexta para voltar para o hotel ainda com luz do dia. Resultado: gancho da FOM, que não mostrou os carros na classificação hoje. E, pelo que diz a própria equipe, serão escondidos amanhã na corrida também.
- Como bem disse o Diogo Kotscho no Twitter, o Bahrein é mais livre que a própria Fórmula 1. Bando de palhaços.