Saiu ontem, todos já devem ter lido, o anúncio da morte de Toulo de Graffenried, que era o último piloto vivo daqueles 21 que alinharam no grid para disputar a primeira corrida da história da Fórmula 1, o GP da Inglaterra de 1950.
O Blog do Capelli foi atrás para descobrir o que aconteceu com cada um daqueles 21 heróis e descobriu que não eram exatamente 21. Eram 23. Dois pilotos dividiram cockpits aquela prova, tendo um total de 23 inscritos. E ora, vejam só, um deles está vivo! Tony Rolt está vivíssimo da silva, aos 88 anos, curtindo na terra da rainha a grana que ganhou projetando carros de tração nas quatro rodas.
Só tem um porém. Tony Rolt não correu. Ele iria dividir um ERA com Peter Walker, mas o câmbio quebrou logo na quinta volta, não deixando o inglês disputar o primeiro GP da história da Fórmula 1. E vejam a doce ironia: ele é o único que ainda está vivo. O único que não correu é o único vivo. Vamos ver o que aconteceu com o resto? O post é longo e chato, mas vale como curiosidade. Os pilotos estão ordenados pela classificação final da corrida.
1. Giuseppe Farina – Vencedor da primeira corrida e campeão mundial de 1950, morreu em 1966, aos 59 anos, num acidente de carro numa estrada francesa.
2. Luigi Fagioli – Venceu uma prova na Fórmula 1, o GP da França de 1951, tendo terminado o campeonato de 1950 em terceiro lugar. Faleceu aos 54 anos, em 1952, após sofrer um acidente no GP de Mônaco daquele ano.
3. Reg Parnell – Disputou corridas esporádicas na categoria entre 1950 e 1954, transformando-se depois em dono de equipe. Conseguiu bons resultados tendo John Surtees ao volante de seus carros. Morreu em 1962, aos 52 anos, de perotonite.
4. Yves Giraud-Cabantous – Participou dos mundiais de F1 de 1950 a 1952, sem conseguir nenhum resultado melhor que um quarto lugar. Faleceu em 1973, aos 68 anos.
5. Louis Rosier – Disputou regularmente os mundiais de Fórmula 1 até falecer num acidente em Le Mans, em 1956, aos 50 anos. Conseguiu dois terceiros lugares como melhor resultado.
6. Bob Gerard – Correu basicamente na Inglaterra, disputando os GPs locais até 1957. Seu melhor resultado foram três sextos lugares. Morreu em 1990, aos 76 anos.
7. Cuth Harrisson – Participou de apenas três corridas em 1950, tendo passado depois a competir em ralis. Faleceu em 1981, aos 74 anos.
8. Philippe Etancelin – Piloto da velha guarda, vencedor de corridas em Le Mans e Pau, tinha já 53 anos quando da disputa do primeiro GP de Fórmula 1. Participou ainda de 12 provas entre 1950 e 1953, até aposentar-se. Morreu em 1981, aos 84 anos.
9. David Hampshire – Disputou apenas mais uma prova de F1 após o GP da Inglaterra. Faleceu em 1990 anos, aos 72 anos.
10. Joe Fry – Participou apenas desta corrida, tendo morrido em um acidente numa subida de montanhas na Inglaterra menos de dois meses depois. Tinha 34 anos.
11. Brian Shawe-Taylor – Disputou também o GP da Inglaterra de 1951. Logo depois, sofreu um acidente em Goodwood, tendo permanecido em coma por várias semanas. Quando recuperou-se completamente, abandonou as pistas e assumiu um posto oficial no serviço de inteligência britânico. Faleceu aos 84 anos, em 1999.
12. Johnny Claes – Participou regularmente dos campeonatos de Fórmula 1 de 1950 a 1955, mas nunca chegou além de um sétimo lugar. Morreu de tuberculose, aos 39 anos, em 1956.
13. Juan Manuel Fangio – Tornou-se uma lenda no automobilismo, ao abandonar as pistas em 1958 com 5 campeonatos mundiais de Fórmula 1 no currículo. Inspiração para várias gerações de pilotos, Fangio faleceu aos 84 anos, em 1995.
14. Joe Kelly – Abandonou as pistas depois de sofrer um acidente que lhe feriu gravemente as pernas, em Oulton Park, em 1955. Antes disso, tinha disputado ainda mais um GP da Inglaterra, em 1951. Morreu em 1993 aos 80 anos.
15. Prince Bira – Príncipe tailandês, este rapaz nascido Birabongse Bhanudej Bhanubandh, mas conhecido no automobilismo como Príncipe Bira, era uma figuraça. Enviado pela família para estudar na Europa, adquiriu lá um gosto refinado, como pretendia a família real tailandesa, mas também adquiriu uma paixão imprevista pelas corridas de automóvel. Participou de 19 GPs entre 1950 e 1954, sendo seu melhor resultado um quarto lugar. Morreu aos 71 anos, em 1985, de ataque cardíaco.
16. David Murray – Participou de quatro corridas na F1 entre 1950 e 1952, mas obteve mais sucesso como dono de equipe, tendo assim vencido as 24 Horas de Le Mans de 1956. Tournou-se ainda um incentivador de talentos escoceses, ajudando a revelar pilotos como Innes Ireland, Jim Clark e Jackie Stewart. Anos mais tarde, teve problemas com o fisco e fugiu para as Ilhas Canárias, onde morreu de ataque cardíaco, aos 63 anos, em 1973.
17. Geoff Crossley – Disputou somente mais um GP de Fórmula 1, na Bélgica, ainda em 1950. Faleceu em 2002, aos 80 anos.
18. Toulo de Graffenried – Correu 22 GPs entre 1950 e 1956, tendo obtido um quarto lugar como melhor resultado. Morreu ontem, na Suíça, aos 92 anos.
19. Louis Chiron – Um dos grandes pilotos da era pré-F1, com vitórias em GPs da França e de Mônaco, disputou nela 15 corridas entre 1950 e 1958, conseguindo um terceiro lugar como melhor resultado. Abandonou as pistas em 1960 e morreu aos 79 anos, em 1979.
20. Eugène Martin – Participou apenas de mais uma corrida, GP da Suíça de 1950, quando sofreu um sério acidente e não retornou mais à F1. Morreu em 2006, aos 91 anos.
21. Peter Walker – Disputou corridas esporádicas na F1 entre 1950 e 1955, tendo obtido sucesso em Le Mans, onde venceu as 24 Horas de 1951. Na mesma pista, sofreu um sério acidente em 1955 que o fez abandonar a carreira. Morreu em 1984, aos 71, em decorrência de problemas com o alcoolismo.
22. Tony Rolt – Soldado condecorado pelo exército britânico por sua luta na Segunda Guerra Mundial, participou de três GPs da Inglaterra entre 1950 e 1955, sem resultados expressivos. Ganhou as 24 Horas de Le Mans de 1953 com um carro com tração nas quatro rodas, uma obra de engenharia sua, que lhe renderia muito dinheiro da indústria automotiva anos depois. Está com 88 anos e ainda vive na Grã-Bretanha.
23. Leslie Johnson – Participou apenas deste GP da Inglaterra, que abandonou logo na segunda volta. Sofria de problemas cardíacos e por isso abandonou as pistas em 1954. Faleceu cinco anos depois, aos 47 anos.


Não deixa de ser interessante constatar que, apesar de toda a fama que a antiga Fórmula 1 tinha, de ser insegura, ser um risco para os pilotos, uma loucura andar naqueles carros etc, apenas 3 dos 23 participantes daquela corrida acabaram morrendo nas pistas (isso contando o que morreu numa prova de subida de montanha). Creio que se pegarmos um grid dos anos 70 ou 80, o número de pilotos que morreram nas pistas deve ser maior.
Capelli, excelente trabalho com a lista! Mas o Tony Rolt venceu a Le Mans de 53 pilotando (com Duncan Hamilton) um Jaguar C-Type, de tração traseira.
É uma história polêmica mas saborosa; ele e Hamilton teriam pilotado curtindo uma ressaca histórica, porque quase tinham ficado de fora da corrida por conta de uma desclassificação nos treinos. Encheram a cara na noite anterior à corrida, e foram “resgatados” para o grid pelo próprio dono da Jaguar, Sir William Lyons, poucas horas antes da largada.
Capelli, parabéns elo blog e pelas belas descobrtas.
Onde eu conseguiria uma cópia do poster do GP original?
Grande abraço
Jeff, não sei onde conseguir o pôster… essa imagem um amigo me mandou uma vez, num zip com vários cartazes de corrida. Mas todos pequenos, em baixa resolução.
O post não é longo e chato, pelo contrário, um pouco de história no meio de tanto humor só enaltece seu trabalho. Parabéns pela pesquisa!