Aversão ao risco

Não é de pouco tempo que todo mundo reclama da falta de ultrapassagens na Fórmula 1. Há muito se fala que não há mais tantas corridas emocionantes, que os resultados são previsíveis e que só se ultrapassa pelos boxes. Nem mesmo a temporada de 2007 tem servido para melhorar o ânimo dos fãs. Embora a disputa pelo campeonato esteja apertada na tabela, a mais imprevisível em vinte anos, nem de longe isso vem se refletindo em um campeonato de boas corridas.

A discussão ebuliu um pouco mais nos últimos dias, com excelentes textos de Fábio Seixas, Alessandra Alves e Victor Martins sobre o assunto. Todos vão direto ao ponto: o regulamento esportivo que não privilegia a vitória, o conseqüente comodismo dos pilotos com uma posição que já lhes garanta pontos suficientes, o regulamento técnico que impede as ultrapassagens. Tudo é muito verdadeiro, mas aproveito para acrescentar um novo viés que julgo dos mais importantes: a aversão ao risco.


Copa 2006 teve recorde de chutes de fora da área e baixa média de gols

No futebol, também se fala há anos que o esporte virou um duelo de força, que
a técnica já não se sobressai mais, que os jogos não são mais tão belos quanto antigamente. No fundo, o mesmo problema: a pouca disposição em assumir riscos. Os times entram em campo preocupados em não levar gols em primeiro lugar; para daí, sim, atacar. Na Copa da Alemanha, houve um número recorde de gols marcados de fora da área. Tudo por causa da forte marcação e posicionamento das defesas, que impediam as jogadas pelo meio e de linha de fundo. A alternativa encontrada? Chutão. Uma hora entra. O São Paulo, atual líder disparado do Campeoanto Brasileiro, é o melhor time do país não porque sabe atacar de forma impiedosa. Mas sim porque se defende como ninguém.

Na Fórmula 1, a situação é um tanto semelhante. Todos buscam a vitória, mas não assumem grandes riscos para obtê-la. Se a posição atual na pista já é suficiente para o campeonato, não há motivo para arriscar chegar em primeiro. O segundo ou o terceiro já está de bom tamanho, corre-se com o regulamento debaixo do braço.

Mudar a pontuação resolveria a situação? Em parte, no momento em que a diferença entre o primeiro e o segundo colocados for grande o suficiente, a vitória passa a ser novamente tentadora. Mas talvez não seja suficiente.

Alterar o regulamento técnico para tornar as ultrapassagens algo mais natural, que não exija um esforço de outro mundo, melhoraria o panorama das corridas? Um pouco, quem estivesse rendendo melhor teria mais chances de vencer o carro mais lento à frente. Mas isso garantiria um show de ultrapassagens? Tenho minhas dúvidas.

Por mais que retornassem os pneus slicks, o reabastecimento fosse proibido e a aderência mecânica voltasse a ser mais importante que a aerodinâmica, dificilmente as corridas seriam tão empolgantes como foram em outros tempos. Tudo por um motivo principal: a Fórmula 1, assim como o mundo, evoluiu.

Muito da competitividade existente no passado devia-se à irregularidade dos competidores. Fosse a instabilidade técnica do piloto, fosse a infiabilidade do equipamento. Para quem já viveu a Fórmula 1 de outras épocas, a lembrança é bastante nítida. Não raramente um piloto largava bem, disparava na frente, mas destruía seu equipamento e passava a arrastar-se do meio da prova em diante. Outras vezes um piloto cansava e, por isso, começava a cometer erros. Outras vezes, o carro começava muito rápido, depois perdia desempenho, mas no final voltava a ser uma flecha e corria em direção à vitória. No meio de todo o sobe-e-desce, ultrapassagens e resultados imprevisíveis.


Renault em 1980: muita velocidade, nenhuma confiabilidade

Se a Williams não sofresse problemas e falhas em 1986, a temporada não teria sido quase que um passeio monótono dos carros do Tio Frank? Se a Renault de 1980, que colocava quase um segundo na concorrência durante os treinos, tivesse processos que garantissem um desempenho contínuo durante as provas, Jones e Piquet teriam chance de brigar por aquele campeonato?

Colin Chapman, tido como o maior gênio da Fórmula 1, teve idéias fantásticas que aplicou nos Lotus 72 e 79, carros que revolucionaram o esporte a motor. Mas fracassou miseravelmente com os Lotus 56 e 80, permitindo a escalada da Tyrrell e depois, da Williams. Se os processos e o desenvolvimento tecnológico e de gestão o tivessem guiado, teria ele colocado projetos tão absurdos em prática, jogando por terra o sucesso de anos anteriores? Certamente não, e os anos 70 poderiam ter sido de hegemonia negra e dourada.

São apenas alguns exemplos, mas que ajudam a ilustrar um período no qual o risco assumido de forma inconseqüente garantia a imprevisibilidade das corridas. Quando tudo já está previsto: estratégias, acertos, ritmo… para onde vai a competitividade?

Como “ápice da tecnologia automobilística”, maneira como os organizadores da Fórmula 1 adoram se autodefinir, o profissionalismo entrou de cabeça na categoria. Tanto em termos tecnológicos quanto de gestão. Falhas mecânicas são raras. Semana passada, em Istambul, apenas a Red Bull de Mark Webber abandonou a corrida, mesmo sob um calor infernal. A McLaren igualou seu recorde de confiabilidade, já são doze corridas sem falhas mecânicas em qualquer de seus carros. Michael Schumacher, até o GP do Japão do ano passado, viveu mais de cinco anos sem saber o que eram defeitos em seu carro. Em 2005, o GP da Itália chegou ao final com todos os 20 carros que largaram cruzando a linha de chegada.


Monza/2005: quem largou, chegou

Tudo é resultado do alto nível de gerenciamento de risco adotado pelos dirigentes. Nenhuma peça nova é utilizada em um carro sem que tenha passado por processos rigorosos de controle de qualidade, simuladores testam e orientam os engenheiros quanto às melhores estratégias de corrida, os pilotos preparam-se de tal forma que possuem um vigor físico comparável ao de um astronauta. Um bon-vivant como James Hunt, que bebia, fumava, entregava-se a noitadas na véspera para, no dia seguinte, protagonizar disputas espetaculares, hoje seria inadmissível. Que dono de equipe assumiria tal risco, por melhor que fosse o piloto? Na contingência de tantos riscos, o piloto é o elo mais frágil da cadeia. É ele quem precisa tomar decisões e reagir fisicamente em milésimos de segundo. Você confiaria esta tarefa a alguém que passou a noite anterior bêbado?

O nível de controle que a categoria atingiu foi o que ajudou a destruir boa parte da competitividade. E é esta mesma mentalidade controladora e gestora de riscos que decide se os pilotos devem ou não arriscar uma ultrapassagem ou brigar por posição nas últimas voltas de uma prova.

Infelizmente, não há alteração de regulamento técnico ou desportivo que possa resolver uma contradição tão grande. A gestão de negócios, avessa ao risco por natureza, foi aplicada a um esporte que tem o risco como seu principal ingrediente. Quando o método de gerenciamento aplicado visa evitar justamente aquilo que é a essência do esporte, uma coisa leva à eliminação da outra.

O caminho é sem volta. As mudanças de regulamento, que todos sabemos que urgem, provavelmente tornariam a Fórmula 1 um pouco menos chata e previsível. Porém, jamais teremos novamente aquele festival de imprevisibilidade que nos deixava com a respiração presa até a última curva, sabendo que antes da bandeira quadriculada tudo poderia acontecer.

46 respostas a Aversão ao risco

  1. AlexandreF disse:

    Ótimo Capelli. Excelente. Maravilhoso texto sobre as chatices atuais que estamos assistindo. Fica a sugestão de outro texto sobre suas influentes e importantes idéias do que poderia ser feito para melhorar essa coisa horrenda que estamos vendo atualmente.

  2. André disse:

    O pessoal hoje não assume tantos riscos porque hoje a quantidade de dinheiro envolvida é muito mais alta, e qualquer erro custa caro. Estou também de acordo que o regulamento mais atrapalha do que ajuda, e a questão da segurança foi um fator significativo nesse processo.

  3. MiguelGomes disse:

    É por estes posts (e outros) que adoro este blog!

    Saudações do lado de cá do Atlântico :)

    Miguel

  4. noikeee disse:

    É bem verdade que o aumento de profissionalismo tornou as performances muito mais consistentes, e por isso as corridas muito mais previsíveis, mas acho também que é óbvio que a qualidade actual da F1 está muito abaixo do que seria possível, mesmo com o profissionalismo que existe hoje em dia.

    Basta ver uma corrida de GP2 e perceber que com regras que conseguissem emular o tipo de aerodinâmica e mecânica destes carros de GP2, as corridas de F1 podiam ser bem menos chatas e muito mais empolgantes. É certo que no GP2 há factores que são impossíveis de copiar para a F1: pilotos desesperados prestes a tudo para dar nas vistas, carros todos iguais (bem, suponho que este factor possa ser copiado, mas iria contra uma tradição muito forte da F1), e equipas mais amadoras que as da F1; mas mesmo sem estes factores, estou completamente convencido que as corridas podiam ser muito, mas muito melhores.

  5. Anonymous disse:

    sim mas seria dificil a red bull super aguri honda toro rosso marcar qualquer ponto

    cassio

  6. Milton M. Bonani disse:

    Capelli, seu texto está perfeito. Parabéns!

    Por coincidência, outro dia mesmo o Flavio Gomes postou uma foto do James Hunt fumando, com uma lata de cerveja na mão e uma garota do lado. Acredito que você tenha visto. E nos comentários eu coloquei exatamente isso que você falou, ou seja: Um piloto que fcava na noite anterior na balada, era muito legal naquela época. Hoje, não passaria da primeira curva. Se nós acrescentarmos que o dinheiro envolvido na F- atual é uma coisa absurda, pronto! Temos aí o nível de competividade que as empresas esperam das equipes, pilotos, equipamentos…

    Também adorei a frase da moça que disse: “life finds a way”. Não conhecia e é a mais pura verdade. A evolução é irreversível, ou seja: nunca mais teremos nada parecido às outras épocas.

    Temos que nos adaptar a um novo modo de assistir corridas.

  7. Adalberto Althoff Jr. disse:

    Essa foi uma verdadeira Capellada! Show de texto, homem!

    Parabéns! Nunca tinha visto alguém tratar o assunto com esse ponto de vista, tão concreto…

  8. flavioa ilon da silva disse:

    oi c cappelli

    Vc foi brilhante na sua analise.
    sem nada a crescentar.

    Flavio

  9. Arlindo Silva disse:

    Acho a linha de raciocínio muito próxima. Assisti durante o domingo um resumo da década de 1970 na F1, e cheguei a conclusão que é impossível se retornar a situações como aquelas.

    Muitas das mudanças de posição e disputas ocorriam por fatores que hoje como vc bem resumiu, estão gerenciados e controlados pelos times.

    Que era legal, era, mas temos que reconhecer que a excelência da F1 atual eliminou isto. É o preço do progresso.

  10. Capelli disse:

    Arlindo, realmente impressionante a coincidência. Principalmente porque, pelo horário que aparece na comunidade do Orkut, nós postamos sobre o mesmo assunto exatamente na mesma hora.

  11. Arlindo Silva disse:

    Santa coincidência Capelli!!!

    Estava discutindo este ponto exatamente ontem na comuna de F1 que participo no Orkut (o tópico está neste link: http://www.orkut.com/CommMsgs.aspx?cmm=15013702&tid=2552387747053430380&start=1 ) e tal qual foi minha surpresa quando vi teu comentário hoje pela manhã.

    Vc conseguiu resumir um raciocínio que gastei linhas e linhas escrevendo.

    Vai ser complicado minimizar este problema da falta de disputas. C’est la vie.

  12. HF (BSB) disse:

    Ahh… onde eu disse difícieis quis dizer difíceis.
    E também não acho que a gestão de negócios seja “avessa ao risco por natureza“. Estão aí as aplicações em bolsas, empresas emergentes e derivativos que não me deixam mentir. Os negócios são amigos da estatística, e este regulamento não permite, estatisticamente, assumir riscos.
    Essa é minha humilde e inconclusiva opinião de 1 centavo. XD

  13. Marcos Antônio Filho disse:

    excelente texto Capelli,parabéns!é por isso que venho todo dia ao seu blog,por que sei a qualidade d equem escreve.

  14. HF (BSB) disse:

    Ótima análise como sempre, Capelli. Mas tendo a acreditar, desde muito tempo, numa análise mais parecida com a dos comentários do Érico Calisto.

    Os exemplos da temporada de 2005, sem troca de pneus, e da vitória de Räikkonen em Suzuka, vencendo saindo de 17o, são ótimos. Obrigar a situações críticas, como poupar pneu, leva a corridas mais difícieis e interessantes.

    E digo mais: com uma pontuação como a que o Calloni propôs (20, 10, 5, 3, 2 e 1) e a volta dos descartes, haveria, para pilotos e equipes, uma margem de risco aceitável. O risco voltaria a valer a pena, com uma boa recompensa.

    Como você diz na conclusão: não seria um festival de impresibilidade (na maioria das vezes), mas seria muuuuito mais interessante. =)

  15. petrus portilho disse:

    Capelli, só uma pergunta, na sua opnião, quem tem mais prazer numa corrida, um piloto na IRL (cicuito misto) ou um piloto de Formula????

  16. Lucas ORLY? disse:

    Ivan Capelli, seria uma provável solução a entrada de piltoos q piltem no estilo do Verstappen, de Cesaris e Gilles Villeneuve?

    Pilotos q buscavam seu limite(apesar de encotrarem o muro em muitas oportunidades)

    Outra solução seria deixar o piloto correr apenas no fim de semana, nada de testes ou desenvolvimento, para acabar com essa acomodação q destrói a cada dia o amado certame

  17. Pezzolo disse:

    tudo que não tem mais da F1 ainda tem na Indy, vimos em detroit pilotos, equipes e carros falhando a beça, e resultados imprevisíveis. Isso faz dela uma categoria boa? Médio. Melhor que a F1? Nunca.

    Os tempos são outros e hoje quem ultrapassa na F1 é como marcar um gol, um feito. quem gosta, gosta.

    quanto ao risco, no caso dos acidentes, acho que é relacionado a velocidade da informação, me lembro do acidente do Donnely em 1990 que só fui saber que ele tinha sofrido o acidente na corrida seguinte, uns 15 dias depois, e só fui ver uma foto na 4 rodas seguinte, um mês depois. Hoje é tudo em tempo real. Então, é melhor evitar qualquer acidente do que arcar com a repercussão negativa depois.

  18. AC disse:

    Texto fantástico, concorde-se ou não com a opinião, esta mostra uma clarividência de quem percebe muito de F1. Muito Bom.

  19. Felipe Maciel disse:

    Capelli, me identifiquei bastante com tudo o que foi colocado neste post, porque era exatamente o que eu pensava. Sempre achei que são necessárias diversas alterações no regulamento, mas não tinha mesmo muita expectativa de voltasse a ser tudo como era antes.

    Perfeito, concordo plenamente, belíssima coluna!

    Abs

  20. Érico Calixto disse:

    Acho que vocês estão iludidos ao dizerem que o quadro é irreversível.

    Em 2005 vimos como era possível tornar as corridas melhores através da simples eliminação da troca de pneus. Ao ter que usar o mesmo jogo a prova inteira, os pilotos assumiram a tarefa de cuidar de seus pneus, algo que foi abandonado apartir de 1994 e cujo grande mestre foi Prost. Uma pena que, depois da levar uma surra terrível em 2005, a Bridgestone conseguiu trazer a troca de pneus de volta em 2006.

    Para que a F1 melhore, basta corrigir o desequilíbrio entre aderência e downforce e trazer mais responsabilidades aos pilotos. Não é preciso regredir no tempo e abandonar todos os incrementos tecnológicos. A temporada de 2005 é um bom exemplo disto.

  21. Anonymous disse:

    teve um cara q perguntou quem era o katagrama atual e ele mesmo respondeu q nao tinha
    mas o albers nao corre mais ne…

  22. f1 circus disse:

    Texto lúcido e coerente. Infelizmente, o cenário vislumbrado é cada mais mais desalentador. Só nos resta a resignação perante tais fatos?

  23. Petrus Portilho disse:

    Capelli, gostei demais do seu texto, realmente é um caminho sem volta, acho que qualquer regreção drastica pode, inclusive, trazer riscos para os proprios pilotos, vide temporada 94, O Jonny’O falou algo importante, as ultimas duas corridas da IRL foram otimas, gostei demais, tanto que ontem quando acabou a corrida minha esposa disse: Nossa parece que voce se diverte mais assitindo a Indy do que a Formula 1!
    Pois é isso mesmo, monte um campeonato que não seja monomarca nos padrões IRL sem os carniceiros circuitos ovais, ai sim teremos corridas de verdade, e corridas divertidas de se assistir, não acha?!!

  24. Anonymous disse:

    Perfeita coluna Capelli!
    Concordo com vc ,a F1 moderna vai ter que mudar ,mas nunca voltará a ser como antes.
    Facilidade em ultrapassagem e aumento de pontos para o vencedor pode tornar a F1 mais justa ,mas não é garantia de que não vai ter corridas monotonas.
    A perfeição seria ,ultrapassagem e equilibrio o que é realmente complicado,veja a IRL ,tem tudo isso ,mas é monomarca ,uma aficcionado em F1 gosta acima de tudo das marcas ,o duelo entre elas ,assim surgiu o automobilismo.
    Esse é o grande problema nas mãos dos dirigentes, pois o show é também uma realidade necessaria .
    E o imprevisto mecanico ,este ,não volta mais.

    Jonny’O

  25. João Pinho disse:

    Grande análise. Parabéns, Capelli.
    E concordo na integra consigo.

    Seguindo o exemplo do Hélder, um abraço de Portugal.

  26. Helder Barbosa disse:

    Tenho acompanhado este blog desde o ínicio da temporada, e quero-lhe dar os meus parabéns!!

    Apesar disso este é o meu primeiro comentário aqui, e para começar devo dizer que este artigo está excepcional, faz uma análise fria do maior problema na formula 1 actual, a falta de emotividade.

    E devo dizer que apesar de ter a mesma percepção da origem do problema, tenho agora uma ideia mais clara da situação actual.

    Saudações de Portugal…

  27. Smirkoff disse:

    Excelente análise, Capelli, minhas idéias a respeito são bem semelhantes.

    Penso também que, mesmo considerando a ausência de tentativas de ultrapassagem hoje, há um certo exagero quanto ao fato de os GPs do passado serem cheios de ultrapassagens. Monza, Reims, Spa, pistas de “muito vácuo” permitiam isso, mas não era regra, e muitos GPS eram processionais _a diferença, quando havia, estava mesmo na falta de confiabilidade dos carros e dos pilotos, ou da inconstância do clima.

    A FIA pode introduzir quantas regras quiser, inclusive esses elementos “circences” como grids invertidos, baterias em marcha-a-ré, o que for. Enquanto tanto dinheiro e profissionalismo estiverem envolvidos no esporte, o risco de erro vai ser minimizado. Quem está pagando quer ver seu logo exibido na tela, e piloto que arrisca muito dá prejuízo. E fica com má fama, também, inclusive na imprensa.

    As equipes querem dominar sem sustos. Acho que foi o Pat Symonds que disse numa entrevista que o pessoal da equipe quer mais é que seu piloto suma na frente, e se não sumir, que ninguém ouse tentar passar, porque o pessoal ali do controle, na beira da pista, quase morre de nervosismo quando há alguma chance de ultrapassagem.

    E se o MotoGP parece ser tão mais competitivo, é porque lá se anda em duas rodas, há um fator de equilíbrio físico do conjunto moto-piloto que sempre vai fazer a diferença. Ainda assim, vejam o Stoner esse ano andando sozinho na frente na maior parte das provas…

  28. Anonymous disse:

    tudo que o Capelli disse está perfeitamente coerente esem brechas na argumentação, espetacular !!!

    Aliás, eu diria mais: embora os pilotos e equipes de antigamente protagonizassem grandes espetáculos, não passam de uma leva de amadores e seriam esmagados pelo modo de fazer F1 atual: séria, profissional e onde o melhor, invariavelmente e merecidamente, vence!!

    Inclusive, cito um exemplo: exceto o show que o Yuji Ide deu ano passado, quem é o “Katagrama” da F1 atual… Não existe!!! Os feitos de antigamente tinham do outro lado o fracasso de alguem, enquanto que hoje os feitos ocorrem pela capacidade própria do piloto e escuderia!

  29. Speed Arosi disse:

    Muito bom seu texto, vou até “colar” no meu blog, pois resume muito do que penso e vejo acontecer nos dias de hoje.
    E olhe que vi as Renault Turbo, arrepiando em Interlagos lá pelos anos 70 e de repente, paravam, aceleravam, e vai por ai.

  30. Mateus disse:

    Explendido!

  31. harerton disse:

    Ah, mais um detalhe… precisam mexer não só na aerodinâmica, mas também nos freios! Bom era no início dos anos 80, onde os carros turbos aceleravam barbaridade mas os (iniciantes) freios de carbono nem sempre funcionavam a contento!

  32. harerton disse:

    Belo texto!

    Agora, por mais que tenham regulamentos restritivos e gerenciamentos de risco bem implementados, um piloto que seja fantástico e maluco o suficiente como era o nosso Senna, como foi o Villeneuve pai e como poderia ter sido o Montoya certamente fariam toda a diferença na F1 de hoje. Taí a corridaça do Schummy em Interlagos no ano passado. Precisamos de mais malucos!!! hehehehehe

    [ ]‘s

  33. Jean disse:

    Capelli,

    Coincidencia!
    Mas logo após receber sua reposta ao e-mail consegui postar aqui.
    Valeu, obrigado!
    Agora terá q tolerar mais chato, saudosista e apaixonado por F1 postar aqui.
    Parabens pelo seu grande trabalho.
    Uma pergunta q sempre quis fazer… seu nome tem algo haver com aquele ex-piloto italiano ou apenas coincidencia?
    Abraços
    Jean

  34. Luis Antonio Mendes disse:

    Belo texto Capelli!

  35. Érico Calixto disse:

    E não culpem os circuitos também. O próprio circuito de Hungaroring já foi palco de corridas emocionantes, e isso quando ele era bem mais travado. Os circuitos no calendário são melhores que se imagina.

    O problema todo está nos carros.

  36. Érico Calixto disse:

    Não foi a evolução e profissionalização do esporte que levou à chatice que temos hoje. O cenário de hoje se deve à adoção de regulamentos completamente equivocados que forçaram o desenvolvimento da F1 na direção da absurda eficiência aerodinâmica e extrema importância da confiabilidade. Um exemplo claro que evolução e profissionalização não levam à chatice é a Moto GP, tão evoluída e tecnológica quanto a F1 e ainda assim emocionante e interessante.

    A solução para os problemas da F1 passa por mudanças em todos seus aspectos, mas não é preciso haver retrocesso nos aspectos tecnológicos e esportivos.

    O banimento do reabastecimento tiraria a importância da estratégica de pits e levaria as disputas às pistas, mas isso não faria dos carros carroças. Uma novo regulamento aerodinâmico não eliminaria todos os ganhos nos túneis de vento. A reintrodução de pneus slicks alteraria o balanço entre aderência x aerodinâmica e ainda assim não seria um retrocesso. Uma revisão na pontuação não nos levaria de volta no tempo.

    São inúmeras as sugestões, mas meu ponto aqui é que a culpa não é da evolução e profissionalização, é simplesmente da FIA e (e quem mais ajudou a elaborar) seu regulamento equivocado.

  37. Anonymous disse:

    Eu tenho a solução!
    Festa open bar no sabado a noite para todos os pilotos!

  38. Capelli disse:

    Calloni, a falha no pneu do Lewis certamente foi técnica, mas era algo que estava fora do alcance do controle de qualidade da McLaren. Não foi o carro que falhou.

    Alessandra, talvez a grande falha do texto tenha sido não deixar claro o seguinte: alterações no regulamento técnico e esportivo certamente fariam o campeonato melhorar. Mas, no meu entender, jamais voltará a ser como já foi. Vou mudar um pouco a conclusão para deixar mais claro.

  39. Alessandra Alves disse:

    capelli, não acho que sua análise seja contrária à questão do regulamento esportivo, como você mesmo sinaliza no início do texto.

    no meu blog mesmo, eu comentei com um leitor essa questão da inexorável evolução técnica da fórmula 1. até citei aquele personagem do “jurassic park”, que diz “life finds a way”.

    é o que tem acontecido na fórmula 1. o esporte evoluiu, como você bem pontuou, ao nível da quase perfeição. mesmo as equipes mais fracas dos tempos atuais não têm o nível de amadorismo de tempos atrás. veja, a diferença entre o primeiro e o último do grid atualmente fica na casa dos 2,5/ 3 segundos. pode parecer absurdo, visto de hoje, mas nos anos 50 a diferença entre o primeiro e o último, em uma pista gigantesca como nurburgring, podia chegar a 3 minutos!

    a verdade é que hoje o nível técnico da fórmula 1 é muito alto e, como você ressaltou, o índice de falibidade é quase nulo.

    mas, e então, que fazer? vamos nos contentar com corridas chatas, decididas nos boxes?

  40. Anonymous disse:

    A análise foi fantástica, mas não resta dúvidas que se atualizarem os circuitos (fazer curvas lentas antes de grandes retas com freidas fortes ao final dela possibilitando, assim, que os carro spossam entrar colados uns aos outros), maior diferça na numeração, vários tipos de pneus (uns 4 ou 5) tipos de compostos diferentes para várias táticas diferentes durante a corrida, fim do reabastecimento (para parar com a palhaçada de ganhar a posição nos boxes), venda de chassi e motores para outros times (assim equipes menores podem ter um equipamento competitivo), pneus slick, fim do controle de tração e uma diminuição da capacidade dos freios do carro, certamente trariam mais emoção as corridas. Até concordo que nem assim teriamos corridas como das décadas de 70 e 80, mas certamente não estariamos reclamando da total falta de emoção e ultapassagens que acontece nos últimos anos na F1.

  41. James disse:

    Belíssimo texto, retrata a atualidade da maior parte do automobilismo. Ainda temos corridas legais, disputas e imprevisibilidade, mas é tudo quase NULO, é uma vez ou outra que acontece e olhe lá. E não só na F1, mas em diversas categorias.

    Eu estava acompanhando no SPEED a F3 Inglesa e me surpreendi com várias disputas, erros e a imprevisibilidade dos pilotos sempre andando muito juntos. Acho que vai chegar ao ponto de alguns darem mais atenção à categorias de base do que as principais onde há um desfile, uma procissão de carros.

  42. Luciano Dantas disse:

    Estava lendo seu texto e imaginei a mesma coisa que nosso amigo Calloni, só que um pouco menos radical.. hehe.. Acho que se a distribuição de pontos privilegiasse mais o vencedor, com certeza os pilotos assumiriam mais riscos. Uma pontuação em que a diferença de pontos entre os 3 primeiros fosse maior, com certeza aumentaria as disputas na ponta. Porque no bloco do meio, até que temos ultrapassagens. O problema é na ponta. Um piloto não arrisca disputar posição por 2 pontos de diferença, prefere tentar na próxima corrida. Uma pontuação com a sequência 14 10 6 5 4 3 2 1 com certeza aumentaria essa disputa pela vitória.

  43. Rafael Tavares disse:

    Belo texto!!! Sempre tive esta mesma opinião no que diz respeito à falta de competitividade na F1 atual, mas nunca seria capaz de expressar tal opinião tão bem quanto você fez neste texto!

    Parabéns!

  44. calloni disse:

    boa analise capellistica… agora o pneu do lewis nao pode ser considerado uma falha tecnica? ou pneu nao faz parte da caranga? eu ainda acho que se for radical a mudanca, por exemplo dar 20 pontos pra vitoria, 10 pro 2 colocado, 5 pro terceiro, 3 pro quarto, 2 pro quinto e 1 pro sexto, os caras iriam arriscar mais pra ganhar GPS… seja piloto seja equipe. porem o campeonato poderia ser definido em 6 corridas ne? abs

  45. Francisco disse:

    Bravo, bravíssimo. Comentário mais lúcido que eu li em anos sobre as corridas atuais.

  46. Blog do Diego disse:

    Meus parabéns Capelli!!!

    Exelente texto, concordo plenamente com a sua opinião.

Deixe um Comentário

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

*

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>