MENU

22 de março de 2008 - 13:14História

Causos da Malásia: a primeira do Homem de Gelo


O GP da Malásia era a segunda etapa do campeonato de 2003 da Fórmula 1. A categoria vivia um momento atribulado, com as equipes ainda tentando entender o novo sistema de classificação. Desde a corrida anterior, na Austrália, os pilotos precisavam participar do treino que define o grid de largada já com o combustível para a corrida. A novidade gerou maiores possibilidades em termos de estratégia e ainda não havia ficado claro para ninguém qual a melhor opção. Valia a pena sair leve, largar na pole, disparar na frente e parar cedo nos boxes? Ou era melhor ser mais conservador, largar atrás com mais combustível e fazer as paradas de box no melhor momento?

A Ferrari demorou para entender o novo regulamento e não começou bem aquela temporada, depois de um ano dominante em 2002. Na Austrália, Michael Schumacher e Rubens Barrichello saíram leves e formaram a primeira fila, mas tiveram uma corrida problemática. O brasileiro rodou logo no começo e abandonou, enquanto o alemão se viu em apuros com pneus intermediários numa pista que insistia em secar. A estratégia de três paradas não rendeu frutos e o então pentacampeão do mundo chegou num modesto quarto lugar. A vitória ficou com o pouco cotado David Coulthard, que havia saído em 11º e que ainda corria com uma McLaren do ano anterior adaptada ao novo regulamento.

A primeira grande surpresa do regulamento de classificação veio a ocorrer na Malásia. Fernando Alonso, apenas em sua segunda corrida pela Renault, marcou a pole position, tornando-se o piloto mais jovem da história a sair na posição de honra, um recorde que dura até hoje. Jarno Trulli, seu companheiro de equipe, compartilhava da mesma estratégia de largar leve e, assim, conseguiu o segundo lugar do grid, formando uma primeira fila azul e amarela. Schumacher sairia em terceiro, seguido por Coulthard, Barrichello, Nick Heidfeld e Kimi Raikkonen.


Na largada, Alonso mantém a ponta e Schumacher força para ganhar a segunda posição de Trulli. Força tanto que acaba jogando o italiano para fora da pista. Por causa do toque, o alemão caiu para o 14º posto. Não bastasse o começo ruim, outro castigo veio rápido para Schumacher. A direção de prova o julgou culpado pelo acidente na segunda curva e o obrigou a pagar um drive-through. O alemão passava a ser carta fora do baralho na briga pela vitória.

Beneficiados pelo acidente à frente, Coulthard assumia a segunda posição, Heidfeld a terceira e Raikkonen, a quarta. Logo na terceira volta, o motor Mercedes de Coulthard apagou e o escocês abandonou a prova. Mas nem todas as notícias eram ruins para a McLaren. Na mesma passagem, Kimi Raikkonen ultrapassou a Sauber de seu ex-companheiro Heidfeld e assumiu a segunda posição. Neste momento, o finlandês passava a ser o favorito para a vitória. Todos sabiam que Alonso tinha pouco combustível e não tardaria a parar nos boxes, fazendo de Raikkonen o virtual líder do Grande Prêmio.

Não deu outra. Com 13 voltas, a Renault chamava Alonso para reabastecer e Kimi assumia a liderança de uma corrida pela terceira vez na carreira. A briga pela ponta ficava restrita ao finlandês e a Rubens Barrichello, que havia caído para sexto com a confusão da largada e vinha galgando posições. Kimi, contudo, conseguiu controlar a diferença para a Ferrari, nunca a deixando baixar da casa dos 14 segundos, podendo fazer seus pit stops e voltar bem posicionado com relativa facilidade.

Controlando a diferença com uma pouco usual tranqüilidade para quem rumava para sua primeira vitória, Raikkonen fez uma corrida perfeita. Bem diferente do GP da França do ano anterior, quando teve a vitória em mãos e deixou escapar a cinco voltas do fim, quando perdeu o ponto de freada na curva Adelaide e entregou de bandeja o primeiro lugar para Michael Schumacher.

Completadas as 56 voltas, Kimi cruzava a linha de chegada em primeiro, com quase 40 segundos de vantagem sobre Rubens Barrichello, o segundo. A estratégia da Renault, embora claramente não fosse capaz de brigar pela vitória, deu certo e premiou Fernando Alonso com o terceiro lugar. A formação do pódio, aliás, continha alguns recordes. Alonso tornava-se o primeiro espanhol da história a chegar entre os três primeiros, assim como era o piloto mais jovem a obter o mesmo feito. E a idade dos participantes formava o pódio mais juvenil da história até então, com média de 25 anos, 3 meses e 17 dias. Era uma nova geração se impondo.


Na cerimônia de premiação, Kimi apresentava uma alegria contida, com econômicos sorrisos. Nem parecia sua primeira vitória, tal a postura de veterano que comemora a trigésima vitória. O mundo estava começando a conhecer o Homem de Gelo.

Comentários do Facebook

comentários

9 comentários

  1. João disse:

    Sr. Renan, acho que ele disse que Couthard ganhou na Austrália. A vitória de Kimi é na Malásia…

  2. Renan disse:

    no começo vc falou que o Coulthard ganhou

  3. Ridson disse:

    o cappeli comparou a reação dele como a de um veterano que ganha 30 vezes…sendo essa a 1 vitória dele.

  4. Nuno falcão disse:

    capelli, em cima dizes que Raikkonen comemora a sua 1ªvitoria e depois se contradiz dizendo que é a trigésima!Será que eu percebi mal ou Raikkonen venceu mesmo 30 vezes, ou será o total de vitorias finlandesas?Abraço

  5. Anonymous disse:

    Raikkonen fez um começo de campeonato fortíssimo em 2003. Errou nos treinos da Austrália e foi obrigado a sair de trás na corrida, com muito combustível.

    Com as paradas e problemas dos outros, assume a ponta com a Mclaren de 2002 e resiste a Schumacher com absoluto controle, que levou o alemão a estragar o carro ao sair da pista, como disseram. Depois ultrapassou o limite de velocidade nos boxes e teve que pagar um drive-through, perdendo a vitória para Montoya, que por um erro, a perdeu para Coulthard.

    Na Malásia venceu, e no Brasil, teria vencido não fosse o acidente de Webber e Alonso terem antecipado o fim da corrida.

  6. Anonymous disse:

    O negócio do Kimi que o outro anônimo disse antes é verdade. Perdeu a liderança por rodar no óleo. Claro, sem querer ficar puxando saco, não confundam as coisas. Sacanagem com o finlandês. Hoje é ele, se chover, coitado do Massa, só o Galvão pra achar que ele é bom na chuva. Pra quem não concorda comigo, tem um vídeo dele na Inglaterra, acho que 2002, na Sauber, dá dó.
    João Vieira.

  7. Speeder_76 disse:

    Belo relato, Capelli.

    Contudo, há um pequeno erro, que interessa corrigir: o alonso não foi o primeiro espanhol da história a subir ao pódio. Houve um Afonso de Portago, que no GP de Inglaterra de 1956, foi segundo classificado, partilhado com o inglês Peter Collins, num Ferrari.

    Esse Portago, já agora, foi uma personalidade e tanto, apesar de ter morrido no ano seguinte nas Mille Miglia (foi por causa disso que acabou a prova como competição…)

  8. Anonymous disse:

    Na frança 2002, o raikkonen escapou pq pegou o óleo do motor do carro do Mcnish, graças a esse resultado o Moy perdeu o título antecipadamente para o M. schumy.

  9. bruno ferreira disse:

    Capelli, tem certeza que o problema do Schumacher na Austrália tinha sido os pneus intermediários? Não me lembro de pista molhada naquela corrida.

    O que me lembro que aconteceu foi um problema nos defletores da Ferrari. Numa disputa com o Raikkonen, o Schumacher passou por cima da zebra e os defletores ficaram pendurados. Ele teve que fazer um pitstop extra pra retirar a peça, que ameaçava se soltar e ficar no meio da pista.

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado Campos obrigatórios são marcados *

Você pode usar estas tags e atributos de HTML: <a href="" title=""> <abbr title=""> <acronym title=""> <b> <blockquote cite=""> <cite> <code> <del datetime=""> <em> <i> <q cite=""> <strike> <strong>