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18 de março de 2008 - 0:37Curiosidades, História

Causos da Malásia: Schumacher volta em grande estilo


Em 1999, a Malásia estreava como sede de uma corrida de Fórmula 1. O palco era o novíssimo e requintado autódromo de Sepang, construído por Herman Tilke, que viraria um referencial para a construção de novos autódromos a partir de então.

Era a penúltima corrida da temporada e Mika Hakkinen, Eddie Irvine, Heinz-Harald Frentzen e David Coulthard ainda brigavam pelo título mundial, beneficiados pela ausência de Michael Schumacher, que fraturara uma perna num acidente no GP da Inglaterra. Na prática, só Hakkinen e Irvine brigavam pelo caneco, os demais tinham apenas chances matemáticas.

Apesar da disputa intensa pelo título, as principais manchetes da semana que antecedeu o GP faziam referência à volta de Schumacher. Depois de três meses parado e de ter anunciado que só retornaria no ano seguinte, o alemão quebrou recordes da pista de Fiorano, mudou de idéia e resolveu tomar parte na briga pelo campeonato. Declaradamente, o alemão anunciava que estava voltando para ser segundo piloto de Eddie Irvine e para ajudar a Ferrari a sair da fila. Ninguém acreditou que ele fosse capaz. Mas ele foi.

O retorno do então bicampeão foi assombroso. Marcou a pole position com um segundo de vantagem sobre seu companheiro, com quem dividiu a primeira fila. Na corrida, largou na frente e logo abriu boa distância, deixando claro que tinha carro suficiente para disparar na ponta e vencer com facilidade. Irvine era o segundo, e então, na quarta volta, o jogo de equipe começou. Schumacher abriu e deixou o irlandês passar. A intenção era começar a segurar as McLaren para que o companheiro pudesse abrir vantagem, mas a estratégia não deu muito certo inicialmente. David Coulthard colocou seu carro por fora na curva um e ficou com a preferência para contornar o grampo seguinte. Deu um “chega pra lá” em Schumacher e saiu na frente, merecendo gritos de “olé”.


Mas a alegria do escocês não durou muito. Algumas voltas depois, antes mesmo que conseguisse ir à caça de Irvine, seu carro parou com problemas na bomba de combustível. A partir daí, Schumacher passou a fazer o que queria. Começou a rodar num ritmo bem mais lento, segurando Mika Hakkinen de forma acintosa. O alemão contornava as curvas de forma tranqüila, no traçado, impedindo uma ultrapassagem do finlandês. Em algumas voltas, o alemão chegou a rodar quatro segundos mais lento que Eddie Irvine, mantendo Hakkinen atrás de si. Quando precisava, acelerava e se mostrava o mais rápido da pista. Mas quando necessário, voltava a bloquear o adversário, deixando o finlandês visivelmente irritado.

A McLaren errou ao não ter modificado a estratégia de pit stop e o Hakkinen não teve alternativas. Passou quase a corrida inteira preso atrás de Schumacher, enquanto Irvine disparava na frente para poder fazer seus pit stops e voltar ainda em primeiro.

Ao final, vitória do irlandês, que assumia a liderança do campeonato. Feliz da vida, Irvine chegou a declarar que Schumacher não era apenas o melhor piloto do mundo, mas também o melhor número 2.


Mas a história toda não termina por aí. Mais tarde, a prova foi cercada por controvérsias. Três horas depois da cerimônia do pódio, as duas Ferrari foram desclassificadas da corrida por irregularidades na altura dos defletores laterais. Assim, a FIA declarou Mika Hakkinen bicampeão mundial.

A Ferrari recorreu e, seis dias depois, o tribunal de apelações devolveu a dobradinha à equipe. O argumento dos italianos era que a diferença na altura dos defletores estava dentro da margem de erro permitida, além do fato dos equipamentos utilizados pelos comissários na medição não serem precisos o suficiente. Ganharam.

A devolução da vitória reabriu a briga pelo campeonato e a polêmica cercou aquele final de temporada. Para o bem do esporte, Mika Hakkinen venceu o GP do Japão e faturou o bi. Assim, qualquer suspeita de influência do tapetão na decisão do título foi evitada.

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comentários

9 comentários

  1. Lucas Israel disse:

    Lembro desse campeonato, torci pro Hakkinen feito um alucinado. Aposto que se ao invés do Irvine quem estivesse lá fosse um Barrichello dificilmente a McLaren ganharia, até porque Hakkinen fez de tudo pra perder o campeonato. Acho que essa foi a única corrida na malásia que teve graça. As outras sempre me pareceram procissões!

  2. Anonymous disse:

    toma schumi agora fo tua vez

    cassio

  3. Anonymous disse:

    Não sei se era intriga da imprensa, mas dizia-se na época que o alemão não queria voltar em 1999 para não ter que fazer o papel de segundo piloto.

    Dizia-se também que Irvine estava brigado com a equipe, que fazia corpo mole nas corridas, etc. Um exemplo da má vontade teria sido uma corrida (Áustria ou Nurburgring?) em que o time simplesmente “esqueceu” um dos pneus no pit stop. Sendo verdade essa versão, o título de Hakkinen também foi festejado lá pelas bandas de Maranello…

  4. Pezzolo disse:

    hehehe o pessoal do orkut vai ter assunto essa semana com essas coincidencias entre os blogs…

  5. Bruno McLaren disse:

    Margem de erro… Hahaha! Só pode ser piada. Isso demonstra o quão tolerante a FIA (também conhecida como Ferrari International Aid) é com a Ferrari. Sem falar em Schumacher, que realizou a ultrapassagem mais precisa da história da F-1 em Indianápolis 2003, quando superou Panis 1mm antes de uma bandeira amarela visível…

  6. Café com F1 disse:

    Hahahaha
    Mas uma daquelas coincidências de Blogs, e que todos vão desconfiar de mim…rs
    Gravamos um podcast, o “Café com Velocidade” eu e a Bárbara do Velocidade no Domingo dando os prognósticos do próximo GP, só que vai ao ar só amanhã e lá contamos esta história.
    Como vc publicou antes, lá vão vir as desconfianças de cópia….
    Abraços!
    Aliás, no pod que divulgamos hoje, fazemos algumas referências ao seu blog….

  7. OdeioAlemao disse:

    Deixou de ser Dick Vigarista? Ele só mostrou que os resultados são para ele mais importantes que o esporte, queria que a Ferrari ganhasse nem que para isso precisasse ficar atrapalhando a corrida dos outros…. “Em algumas voltas, o alemão chegou a rodar quatro segundos mais lento que Eddie Irvine, mantendo Hakkinen atrás de si”

  8. Anonymous disse:

    Capelli, parabéns por essa iniciativa de fazer esse quadro antes das corridas. São informações que as vezes, de uma forma ou de outra, esquecemos. E esse quadro nos fazem lembrar de causos importantes e interessantes da formula 1. Continue sempre assim.
    Se o Schumi não tivesse quebrado a perna, seria campeão naquele ano.
    Abraço a todos.
    Paulo Santos/RJ

  9. Renato Müller, Sâo Paulo/SP disse:

    Lembro até hoje dessa corrida, que foi uma das melhores exibições do Schumacher na F-1. Para mim, foi o dia em que ele deixou de ser o Dick Vigarista e mostrou que era (e ainda é) muito mais piloto que os concorrentes. O assombro que senti aquele dia foi muito maior que a ojeriza pelo que ele fez em 94 e 97…

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