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20 de maio de 2008 - 23:20Curiosidades, História

Causos de Mônaco: Quase não chegou ninguém…


O principado de Mônaco comemorava em 1982 a 40ª edição do mais famoso Grande Prêmio de Fórmula 1. Como sempre, uma corrida polêmica, com pilotos e chefes de equipe reclamando do traçado anacrônico, sinuoso, cheio de guard-rails que aprisionavam a potência de seus carros, mas que depois posavam felizes e sorridentes ao lado do Príncipe Rainier e de sua esposa Grace Kelly. Sim, há tempos a Fórmula 1 é cínica e hipócrita.

Um travo amargo acompanhava aquela corrida, o primeiro final de semana sem Gilles Villeneuve, morto nos treinos para a etapa anterior, na Bélgica. Era a sexta prova de um campeonato ainda sem favoritos claros e com a categoria abalada pela perda de um de seus maiores astros.

Nos treinos, como de hábito em 1982, domínio da Renault, que marcou sua quinta pole position em seis corridas, dessa vez com René Arnoux. Seu companheiro Alain Prost saía em quarto, atrás da Brabham de Riccardo Patrese, segundo, e da Alfa Romeo de Bruno Giacomelli, terceiro.

Na largada, Arnoux pulou na ponta e abriu vantagem rapidamente. Patrese largou mal, caindo para terceiro e perdendo mais uma posição para Prost logo na abertura da segunda volta. Confirmando o favoritismo da Renault, o francês ultrapassou também Giacomelli na Saint Devote na quarta volta, confirmando a dobradinha dos franceses na liderança.

A corrida seguia monótona na frente, até Arnoux errar e rodar nos esses da Piscina, na 15ª passagem. Prost herdou a primeira posição e caminhava tranqüilo para sua terceira vitória na temporada. Até que, a três voltas do fim, começou a chover. E iniciou-se um Deus nos Acuda até hoje sem par na história da Fórmula 1.


Não era um temporal, apenas uma chuva fina, mas suficiente para transformar o asfalto monegasco em um verdadeiro sabão. E então Prost, com sua tradicional hidrofobia, perde a traseira na saída da Chicane do Porto, vai parar nos guard rails e dá adeus a uma fácil vitória a duas voltas e meia do fim.

Riccardo Patrese assume a ponta e provavelmente venceria a corrida, mas roda na Loews na penúltima volta. As câmeras de televisão passaram a focar a Ferrari de Didier Pironi, novo líder, mesmo com o bico do carro avariado. O francês abre a última volta e encaminha-se para a vitória, até que começa a arrastar-se sem combustível na entrada do túnel. Pironi pára desolado e ninguém mais entende o que está acontecendo. Quem é o novo líder? Alguém vai vencer esta corrida?

As câmeras começam a procurar a Alfa Romeo de Andrea de Cesaris, mas quando chegam nele, já é tarde. O italiano está parado na subida para o Cassino, também sem combustível. O diretor de imagens já nem sabe o que mostrar a exibe a Williams de Derek Daly, também encostando na La Rascasse. Daly estava uma volta atrás, mas a essa altura ninguém mais sabia quem estava em qual posição.

Finalmente a transmissão se acha e exibe o novo-velho líder: Riccardo Patrese. Mesmo tendo aberto a última volta quase um minuto atrás de Pironi, é dele novamente a liderança do GP de Mônaco. O italiano completa a corrida, cruza a linha de chegada timidamente, lamentando muito a rodada que, julgava ele, havia feito com que perdesse a vitória.

No túnel, Pironi pede uma carona para retornar aos boxes e Patrese encosta sua Brabham. O francês abraça-se ao santoantônio, dá tapinhas no capacete do italiano e o congratula: “parabéns, vencedor”. Só ali Patrese soube que, quase sem querer, havia vencido pela primeira vez na Fórmula 1.


O resultado da corrida maluca: Patrese em primeiro, mesmo rodando na penúltima volta. Pironi em segundo, mesmo com o bico avariado e sem gasolina. De Cesaris terceiro, também sem gasolina. Uma volta atrás, cruzam a linha as Lotus de Elio de Angelis e Nigel Mansell, quarto e quinto. Em sexto, Derek Daly, que parara na Rascasse com o carro todo quebrado. Prost, mesmo batendo a duas voltas e meia do fim, foi sétimo.

Ainda que com dez classificados ao final, apenas cinco carros efetivamente receberam a bandeira quadriculada na corrida em que, por pouco, não aconteceu de ninguém chegar ao final.

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comentários

30 comentários

  1. [...] * Mas nada supera a maluquice que foi o final da corrida de 1982. A liderança trocou de mãos diversas vezes nas últimas três voltas, até que Riccardo Patrese vencesse. Detalhe: ele só ficou sabendo que tinha vencido algum tempo depois. Essa história está detalhada aqui. [...]

  2. estoria fantastica do GP do Monaco de 1982, ganho por Patrese sem saber! http://tinyurl.com/qodqq5

  3. SiMeoNiS disse:

    pedro

    DNPQ é “do not pre-qualified”, ou seja, o cara não conseguiu passar da pré-qualificação (um classificatório para o treino oficial). na época tinha limite de carros que poderiam participar do treino qualificatório pra corrida, assim como tinha um limite menor ainda de carros que podiam largar.

  4. Henrique disse:

    A questão do Bernie ter ido embora antes do fim do GP e só saber que seu piloto ganhou acho que procede, já li reportagens sobre isso….

    Isso que é Chefe…

  5. Tuvuca disse:

    A locução do Murray Walker na prova, com vários “oh my goodness” é impagável… corrida fantástica.

  6. Anonymous disse:

    Lí, não lembro onde, uma entrevista com o Patrese, em que ele afirma que só conseguiu retornar por que conseguiu fazer o carro pegar no tranco, pois era um trecho em descida, senão até ele teria abandonado…E o Piquet, sofria com o desenvolvimento do motor B.M.W. turbo, enquanto o Patrese utilizava outro motor, um aspirado, só não sei se era um Ford-Cosworth ou um Alfa-Romeo.
    Até mais.

    Jorge Roberto Alves Pereira.

  7. Pedro disse:

    Eu tenho uma duvida, oq seria o DNPQ?

    DNPQ 18 Raul Boesel March-Ford

    (varios terminaram assim alem do Raul em Mônaco 82)

    Ótimo texto Capelli!!!

    Abraços!!!

  8. F1 + disse:

    Monaco com chuvaaaaa!

    Quero só ver, to muito ansioso pra corrida de domingo!!!!

    Que chova, e chova muito!

    Abraços,

    Rodrigo Segura

  9. Bruno disse:

    hahaha Alain Prost e sua hidrofobia!!!

    Ótimo texto, e uma corrida incrível!

  10. VicentePires disse:

    Usando um slogan já conhecido:

    “Amo muito tudo isso”

    Valeu pela lembrança Capelli.

  11. marcos almeida disse:

    Gostei muito da postagem. Grande corrida. E o que aconteceu com o Piquet nesse GP?

  12. frederico cesar disse:

    O piloto Derek Daly usava um capacete muito parecido com o J. C. Pace (o Moco). Fiz uma busca na net e descobri um blog sobre ele, para quem se interessar
    http://continental-circus.blogspot.com/2008/03/o-piloto-do-dia-derek-daly.html

    Esta em português de portugal.

    Não sou o Capelli, mas repondendo ao no amigo cscorvo informo que Schumacher bateu na 1 volta do Gp de 96.
    abrs

  13. Mafra disse:

    Vou fazer a dança da chuva pra ver se ajuda!!!

    Ótimo texto! :)

  14. Daniel Médici disse:

    Gilles Villeneuve, vencedor do GP de Mônaco do ano anterior, falecera no GP imediatamente anterior à etapa de Monte Carlo de 1982.

    Ayrton Senna, vencedor do GP de Mônaco do ano anterior, falecera no GP imediatamente anterior à etapa de Monte Carlo de 1994.

  15. Stanis disse:

    Capelli, o Galvão comentou uma vez que o Bernie (chefe da Brabham) ao ver Patrese rodar na penúltima volta, abandonou o circuito e só soube da vitória de seu piloto ao chegar em Londres. Isso procede?

  16. Smirkoff disse:

    Capelli, no interessante livro “1982″ o Cristopher Hilton levanta uma hipótese interessante: não foi só a chuva que causou as rodadas de Prost e Patrese. Uma volta antes do Prost rodar, o Derek Daly, que era o mais rápido na pista naquele momento, errou e acertou a parede na Tabac, arrancando a asa traseira e causando uma fissura no câmbio. Ele ia parar nos boxes, mas faltava pouco, e como a asa traseira não era tão importante em Mônaco nos tempos do carro-asa, a equipe mandou ele continuar… sem saber que estava pingando óleo na pista úmida!!

    O Patrese nunca teve idéia de como ele rodou na entrada da Loews devagar do jeito que estava. E o Daly andou até o câmbio travar…

  17. Fábio disse:

    Sim de facto chuva no Monaco só pode dar espectaculo. Fiz um pequeno post sobre o GP de 96 no meu blog. Para quem estiver interessado é só ir ver

  18. Felipe disse:

    Mônaco com chuva é coisa pra gente grande.

    Torço muito pela chuva na corrida desse final de semana. Imaginem a primeira corrida na F-1 sem o controle de tração e na chuva depois de 8 anos?! Será histórico.

  19. Edson disse:

    Pessoal, vale a pena ver nos outros vídeos a chegada do GP de mônaco de 1970. É a última volta e ninguém menos que Jack Brabham e Jochen Rindt estão disputando a vitória. Brabham entra na frente na última volta… mas será que ele ganha?
    Destaque tb para algumas coisa que são absurdas hoje, como o fotógrafo posicionado em uma calçada antes da curva que antecede a descida do túnel(quase em cima da pista), ou os carros saindo de traseira o tempo todo…

    http://www.youtube.com/watch?v=XC2v4A_y4VI

  20. cscorvo disse:

    Capelli, conta também o GP de Mônaco de 1996, quando só cruzaram a linha o Panis, Coulthard (que correu com o capacete de Schumacher), Herbert e Frentzen. Schumacher bateu na volta de apresentação (ou na primeira volta, não lembro), Damon Hill liderava tranqüilo quando o motor estourou. Alesi herdou a liderança, mas também quebrou e a vitória caiu no colo do Panis.

  21. Maxwell disse:

    Corrida maluca…..
    Linda Historia.. fiquei emocionado..
    quem sabe a corrida de domingo não seja de baixo de chuva, e seja tão emocionante quanto já foi a uns 15 anos atraz…
    oh saudade da F1 do final dos anos 80…

  22. Anonymous disse:

    A camera ñ mostra, mas eh dificil q o patrese ñ tenha sido empurrado,sendo assim desclacificado, mas ñ foi.

  23. SiMeoNiS disse:

    a do Panis terminou quatro.

    Panis, Coulthard, Herbert e Frentzen

    provavelmente vai ser o próximo “causo” que o Capelli vai contar

  24. Dennis disse:

    Proponho um bolão para esse fim de semana, se realmente chover na prova, quantos chegam ao final?

  25. Anonymous disse:

    Nelsdon Piquet definiiu bem Monaco: “Correr em Monaco é como andar de bicicleta dentro de casa.” Mas essa pista tem um charme como poucas hoje em dia. mas que é traqvad isso é.
    Abraço a todos.
    paulo Santos/RJ

  26. Bruno disse:

    sim, aquela do Panis foram apenas 4 carros, porém, todos na mesma volta. será que esse fim de semana metade do grid também vai ficar pelo caminho?

  27. Grün disse:

    Belíssimo texto, camarada… Informativo, leve, bem-humorado. Parabéns!

  28. Filipe Furtado disse:

    Na prova do Panis creio que terminaram 4. O impressionante nessa é que o Patrese foi o unico que deu todas as voltas.

  29. Anonymous disse:

    essa foi beeem confusa, mas teve aquelas do panis q tb terminaram poucos carros neh?

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