Dando sequência ao levantamento dos números dos testes da pré-temporada que me dispus a fazer, agora o post é sobre o rescaldo dos oito dias de testes realizados até aqui, sendo quatro em Jerez de la Frontera e quatro em Barcelona.
Como são pistas de distâncias diferentes, o número de voltas utilizado anteriormente poderia trazer distorções. Assim, fiz a conversão para quilômetros. Agora, se tem uma noção mais precisa da quilometragem rodada por equipes e pilotos.
Dentre as equipes, o distância percorrida está assim até aqui:
1) Williams – 3.756km
2) McLaren – 3.546km
3) Mercedes – 3.398km
4) Force India – 3.193km
5) Sauber – 3.149km
6) Red Bull – 3.001km
7) Ferrari – 2.820km
8) Toro Rosso – 2.772km
9) Caterham – 2.702km
10) Lotus – 1.821km
11) Marussia – 1.573km
12) HRT – 478km
- Surpreende que a Williams consiga andar tanto com poucas falhas mecânicas. O carro pode até não ser rápido, mas vai longe. E vale lembrar que não quebrar na mão do Maldonado já é um belo teste de resistência.
- McLaren e Mercedes também rodaram bastante, o que é esperado para equipes de ponta. A Mercedes, porém, andou apenas 1.857km com o carro novo. O resto foi percorrido com o velho. Mesmo assim, parece que o time vem bem.
- Surpreende que a Sauber tenha sido a quinta equipe que mais andou, mesmo com as dezenas de falhas mecânicas sofridas. Ainda que a rotina da pré-temporada venha sendo: “Sauber na pista, lá vem bandeira vermelha”, a distância percorrida impressiona. Pelo jeito, o programa previa tantas voltas quanto o da Williams.
- Ferrari e Red Bull andaram distâncias parecidas, mas ainda não consegui captar porque a Ferrari rodou pouco, mesmo sabendo que o carro é problemático. Talvez já tenham noção que a solução não será andar muito e é preciso testar novos componentes.
- A Lotus, que tinha rodado bastante em Jerez, praticamente não testou em Barcelona depois de ter detectado uma falha grave no chassi. Está com o mico preto na mão.
- HRT e Marussia andaram só com carros do ano passado, estão atrasadas no projeto e cumprem bem o papel de figurantes canastronas.
Agora, a festa dos pilotos. Números parecidos, não sei se cabe muita análise. Mas vamos lá:
1) Kamui Kobayashi – 1.933km
2) Lewis Hamilton – 1.829km
3) Nico Rosberg – 1.799km
4) Jenson Button – 1.717km
5) Pastor Maldonado – 1.657km
6) Paul di Resta – 1.609km
7) Michael Schumacher – 1.599km
8) Felipe Massa – 1.597km
9) Bruno Senna – 1.554km
10) Mark Webber – 1.507km
11) Jean-Eric Vergne – 1.495km
12) Sebastian Vettel – 1.494km
13) Nico Hulkenberg – 1.371km
14) Daniel Ricciardo – 1.277km
15) Fernando Alonso – 1.223km
16) Sergio Perez – 1.217km
17) Heikki Kovalainen – 1.210km
18) Charles Pic – 1.071km
19) Romain Grosjean – 971km
20) Kimi Raikkonen – 850km
21) Vitaly Petrov – 647km
22) Valtteri Bottas – 545km
23) Jarno Trulli – 518km
24) Timo Glock – 503km
25) Pedro de la Rosa – 478km
26) Giedo van der Garde – 328km
27) Jules Bianchi – 213km
E, para visualizar melhor o quanto cada piloto andou no programa de cada equipe, segue um infográfico capellesco mostrando a participação de cada um no total de quilômetros rodados por seus times.
No gráfico, nota-se que:
- Mesmo quebrando pra burro, Kobayashi andou muito. Deve estar pagando promessa.
- A opção da Marussia por Charles Pic é notória e faz muito sentido. É preciso dar quilometragem ao novato e o carro testado ainda é o antigo. Quando chegar o novo, o francês estará mais adaptado à F1 e Timo Glock terá a primazia da nova máquina.
- A Red Bull divide as voltas quase que irmanamente entre Vettel e Webber. Diferença mínima, na casa dos décimos.
- Bruno Senna deu lugar a Bottas em Barcelona, perdendo a “liderança” no número de voltas para Maldonado.
E você, o que mais consegue ler no gráfico?




Williams rodou tudo que tinha que rodar para entender o muito melhor motor e pilotos novos!
O pega dela é com a Caterham…
Bom, do que consigo avaliar:
1 – A Williams precisa, pelo menos esse ano, não quebrar na mão dos novatos. Daí a verdadeira Maratona. Aprenderam com a Red Bull: quebrar tira vários pontos preciosíssimos (né Vettel? 2010…). Já os pilotos, realmente é a dupla mais fraca. Espero que eles evoluam, mas sem muita esperança não.
2 – O que dizer da Mclaren. A dupla mais forte de todas. E com a balança indo mais pro lado do Button. Existe o campo da boataria, dizendo que o Hamilton pode sair, mas acredito que ele só saia se a Mclaren tiver construido uma bomba, o que não se faz lá há tempos.
3 – A Mercedes traçou uma meta bem inteligente e ousada: deixar de ser a 4ª colocada e bater o próximo da lista, que vem a ser a Ferrari. Para isso, porém, precisa usar de forma otimizada os melhores recursos que ela possui, que não são poucos: 2 pilotos ótimos, um chefe de equipe com faro de campeão e $$$$. Se ela não melhorar esse ano, teremos uma Toyota 2.0 piorada.
4 – Ferrari e Red Bull estão parecidíssimas. Porém, os problemas da Red Bull não são tão graves quanto os da Ferrari. A Ferrari, pelo menos, tem demonstrado tranquilidade e inteligência pra tratar dos problemas. O Vettel, por um lado, já demonstrou publicamente que o carro precisava melhorar, e ele melhorou.
Teremos o Massa com sua prova de fogo, querendo vencer e convencer.
Teremos o Alonso com faro de vitórias, querendo atravessar o mundo pelo tri.
Teremos o Webber, bom… sendo o Webber.
E o Vettel dispensa comentários. É o cara com maior determinação para vitórias desde o Schumacher, Senna e Prost.
Das outras equipes, são parecidíssimas as expectativas, até por que os pilotos são bem talentosos, tirando a HRT e Marussia (coitado do Glock).
É meu amigo Capelli. Bons momentos vividos nos anos de ouro da Fórmula 1. Está tudo muito difícil, pois nosso esporte preferido depende mais do equipamento do que do piloto. E ai, não é técnica, é tecnologia. E tecnologia é “money, grana, bufufa, pila… Perdeu-se o sentido da coisa. Já dizia um tal de Collin Chapman: – No money, no race!!!. Tínhamos ídolos no esporte. Isso acabou! Quando se vê que as equipes precisam de tempo pra desenvolver o carro, podemos ver mais uma vez que é somente tecnologia. Por isso, aumentam o número de pilotos “pagadores” em detrimento da técnica e da arte de pilotar: diminuir o espaço de frenagem, cambiar no tempo certo, alterar a relação do câmbio (isso era o piloto quem determinava), regulagem de suspensão (pois ia da sensibilidade do piloto e não da telemetria), enfim outros vários artifícios que um bom piloto usava para vencer. Infelizmente estamos preocupados com quilometragem percorrida por A, B ou C… Tá ficando difícil falar de automobilismo!!!!
Sinceramente, a F1 está deixando de ser uma categoria de “qualidade” no que diz respeito aos carros (não estou falando de eletrônica). Que saudade dos velhos tempos quanto os pilotos tinham 12 voltas para se qualificarem…
Eu também gostava mais dessa classificação…
Interssante, mas quase certeza que 2012 vai ser repeteco de 2011 infelizmente. Ps: Quando vai ser o próximo “pergunte ao Capelli” ?
A Willians pode ter andado muito, mais a questão é saber o quanto os pilotos podem trazer de informação pra dar direção ao desenvolvimento. E no caso o “Bruninho” e o “Maldanado” não tem perfil de desenvolvimento, e o tal do Bottas é mais dificil ainda.
E ter mais experiencia responde ao Lucas R. O De La Rosa tem muito mais kilometragem que o Karthikeyan, evidente, e sem carro novo o que ele poderia fazer??? Nem pegar a mão da barata seria possivel.
Alguém me explica por que o Karthikeyan ainda não testou? Só agora, ao olhar o gráfico, é que percebi que o De La Rosa andou em 100% dos testes.
Está certo que nem carro novo a equipe tem ainda, mas ainda que o carro seja ruim, quilometragem nunca é demais.
Quanto à Williams ser a equipe que mais andou na pista, isso se chama desespero! É aquele momento de “vai ou racha”. A equipe já não tem mais o direito de errar. É acertar ou acertar, do contrário já era!
Muito bem bolada a idéia de usar as cores dos carros nos gráficos de cada equipe. Quase faltou cor no gráfico da Caterham!
Quando a HRT testou, o Karthikeyan ainda não estava confirmado. Ela não participou das sessões em Barcelona.
Tem razão. Eu tinha esquecido desse detalhe!
Capelli,
Red Bull será mais uma vez o carro a ser batido, desde que o piloto seja o Tiãozinho, obvio…
McLaren pinta como a pedra no sapato dos rubrotaurinos. Ferrari, Lotus e Mercedes devem medir força, com a Force India correndo por fora…
Toro Rosso parece ter um bom carro – vai incomodar na zona de pontos juntamente com a Sauber.
Williams tem um carro que não quebra, mas também não anda. Vai lutar com as naninas mais uma vez.
abs
Teste de resistência é não quebrar com o Senna, não com o Maldonado. Mas um é brasileiro né…
Maldonado arrebentou alguns carros em 2011. Senna, que me lembre, nenhum.
To com uma leve suspeita de que o carro da Williams está melhor do que aparenta… acho q podem supreender…
Muito bem bolado usar as cores das equipes para separar os pilotos no gráfico, mas a Toro Rosso tá mais pra azul e vinho que pra azul e mostarda
Pode ser… é que eu pensei no carro de frente e lembrei do bico dourado. :)