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Calendário de lançamentos e testes – F1 2012

Seguinte, pessoal. Muita gente perguntando sobre as próximas datas de lançamento dos carros das equipes da Fórmula 1 para a temporada 2012. Então, abaixo, compilei todas as datas em um calendário. Tudo de importante acontece semana que vem. Lembrando que já lançaram seus carros, pela ordem: Caterham, McLaren, Ferrari e Force India.

As próximas:

Lotus – 05/02 (vulgo amanhã)
Sauber – 06/02
Toro Rosso – 06/02
Red Bull – 06/02
Williams – 07/02
Mercedes – Não confirmado
Marussia – Não confirmado
Hispania – Não confirmado

Embora não tenha agendado o lançamento, é bem provável que a Mercedes apresente seu carro também nos próximos dias. Os primeiros testes da pré-temporada começam na terça e é difícil que uma equipe grande perca um dos pouquíssimos dias de testes disponíveis.

A propósito, segue outro calendário, o dos testes da pré-temporada. São apenas 12 datas:

De 07 a 10/02 – Jerez de La Frontera (4 dias)
De 21 a 24/02 – Barcelona (4 dias)
De 01 a 04/03 – Barcelona (4 dias)

Lembrando que a temporada começa em 18/03, na Austrália.

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Fórmula Ornitorrinco

Depois do lançamento da Caterham na semana passada, as novas Ferrari e Force India divulgadas hoje confirmaram a tese de que os carros da Fórmula 1 deste ano serão ornitorrincos feitos de fibra de carbono. Mas por quê essa solução aerodinâmica bizarra?

Bom, o motivo dos engenheiros terem escolhido este desenho eu realmente não sei. Mas o que provocou tal mudança foi o novo regulamento da categoria. Por questões de segurança, a FIA instituiu que os bicos dos carros este ano não poderão ter uma altura superior a 55 centímetros em relação ao solo.

VJM05, o ornitorrinco-da-índia.

A preocupação é com possíveis colisões em “T”. Na altura em que os bicos estavam até o ano passado, era possível que estes acertassem a cabeça de um piloto adversário em caso de um choque perpendicular. Com imposição da nova altura, agora o bico do carro bateria na lateral do cockpit, preservando assim o piloto que sofresse a eventual pancada. Como o regulamento diz que a altura do cockpit pode permanecer a 62,5 cm do solo, a melhor alternativa encontrada pelos projetistas, depois de simulações aerodinâmicas (creio), foi criar este degrau esquisito no bico.

Até agora, a McLaren parece ter fugido à regra, mas ainda não dá para ter certeza. Como o bico apresentado anteontem não é o que será utilizado na temporada, novidades (desagradáveis) podem aparecer nos carros prateados nas primeiras provas do ano. Uma coisa é fato: os carros da F1 estão medonhos em 2012.

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O novo Hulkenberg

Nico Hulkenberg, embora tenha sido um dos destaques da temporada 2010 da Fórmula 1, ficou sem cockpit no ano passado. Preterido na Williams pelos dólares petrolíferos de Pastor Maldonado, acabou amargando uma temporada toda como reserva da Force India. Este ano, graças do destempero de Adrian Sutil fora das pistas – quase matou um executivo da Genii numa briga de bar -, foi promovido a titular e vai correr de novo.

Para celebrar seu retorno à F1, o alemão resolveu mudar a pintura de seu casco pela primeira vez desde que estreou na categoria. E, admito, o desenho novo ficou legal pra caramba. Abaixo, um comparativo na linha antes e depois. O laranjão com preto vai adornar bem no carro Sukitão da equipe.

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Sebring: um circuito histórico

O circuito de Sebring, localizado na Flórida, Estados Unidos, voltou a ser manchete no Brasil nesta semana, em razão dos primeiros testes de Rubens Barrichello na Fórmula Indy. O que passou despercebido foi que este autódromo, embora com aparência bem precária nos dias atuais, é de relativa importância na história do automobilismo.

Até o começo dos anos 50, Sebring era apenas uma pista de treinamento da Força Aérea Americana, com uma pista de pousos de decolagens. Em 1950, foi construído o circuito em anexo à pista, que ainda existe. Trata-se de um dos mais antigos autódromos do país, sendo desde então um dos principais palcos de corridas de carros esportivos, fazendo até hoje parte do calendário da American Le Mans Series com suas tradicionais 12 Horas de Sebring. E quem joga Forza Motorsport e Gran Turismo no videogame conhece Sebring muito bem, embora o traçado de hoje seja um tanto diferente daquele de 60 anos atrás.

Mas talvez o momento de maior notoriedade de Sebring no automobilismo internacional tenha sido o Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1 de 1959, lá disputado. Foi uma corrida histórica por diversos aspectos: foi o primeiro GP dos EUA disputado pela F1, já que, até então, as 500 Milhas de Indianápolis faziam parte do calendário, mas não tinham suas equipes e pilotos. Depois, foi histórica por ter sido palco de uma disputa de título, que acabou nas mãos de Jack Brabham. E ainda coroou um jovem vencedor.

Naquele GP, disputavam o título três pilotos: com Cooper, Brabham e Stirling Moss. Com Ferrari, Tony Brooks. Brabham liderava o campeonato e precisava vencer para confirmar o título. Poderia até ser segundo, desde que o vencedor não fosse Moss. Já as chances de Brooks eram menores: tinha que vencer e torcer para que Brabham não fosse segundo. Para Moss, uma simples vitória resolveria tudo.

E o inglês da Cooper marcou a pole position e partiu na frente, seguido do australiano Brabham. Porém, o “campeão sem título” teve um problema de transmissão e foi obrigado a abandonar logo na sexta volta, deixando o caminho aberto para o “Black Jack”. A partir daí, Brabham disparou na frente e dominou toda a corrida. Mas quando parecia que o título estava confirmado, o australiano ficou sem combustível a cerca de 500 metros da linha de chegada.

Jack não se intimidou, desceu do carro e começou a empurrar seu Cooper (na época, isso valia). Sem saber a posição de Brooks, imaginou que o adversário pudesse vencer e roubar-lhe a coroa. Com muita garra, empurrou seu pesado carro por toda a extensão da reta, até cruzar a linha de chegada em quarto lugar, exausto.

O esforço foi admirável, mas de nada teria servido se Brooks tivesse vencido. Mas para sua sorte, o inglês da Ferrari foi apenas terceiro, o que lhe garantiu o primeiro de seus três títulos mundiais. A vitória ficou com o jovem neo-zelandês Bruce McLaren. À época com 22 anos, 3 meses e doze dias de idade, tornou-se o mais precoce piloto a subir ao alto do pódio na categoria. Seu recorde durou 44 anos, tendo sido superado apenas em 2003, quando Fernando Alonso venceu na Hungria com 22 anos e 26 dias de idade. Hoje, este recorde é de Sebastian Vettel.

Foi a primeira e única corrida de Fórmula 1 em Sebring. Apesar da prova movimentada, o interesse do público foi pequeno – resistência local que dura até hoje. Assim, a organização não se interessou em um novo contrato e, em 1960, o GP dos EUA foi disputado em Riverside, na Califórnia. O que também não deu certo, tendo o GP encontrado uma casa mais definitiva apenas em 1961, quando foi disputada a primeira das 20 provas consecutivas em Watkins Glen.

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Jogo de aparências

A McLaren lançou hoje seu carro para a temporada de 2012, o MP4-27. Quer dizer… lançou e não lançou. Sim, houve uma cerimônia em Woking, transmitiram para o mundo todo via Internet (muito legal), entrevistas com pilotos, tudo como manda o figurino. Aí cai o pano e o que se vê? Um não-carro novo.

Tá, é o carro novo. Só que não, não é. O bico não é o que será utilizado na temporada, para não alertar os adversários. O aerofólio é o de 2011, para que os adversários não copiem as novidades. O difusor é fake, para que ninguém descubra as novidades que vêm por aí.

Em resumo: foi uma cerimônia de começo de temporada e só. Serve para mostrar as cores do carro (que não mudou), a dupla de pilotos (que não mudou), exibir os orgulhosos patrocinadores (que também não mudaram, entre os principais). Enfim, todo o frisson que um lançamento de carro provocava no passado hoje é apenas lembrança. O objetivo da cerimônia é chamar a atenção para a equipe, apresentar seu posicionamento para a temporada e descolar espaço na mídia. O carro fica em segundo plano.

Essa é a realidade, e não digo que isso seja necessariamente ruim. Mas que pelo menos deveriam mudar um pouco o foco da cerimônia. “Vodafone McLaren Mercedes 2012 Presentation” seria mais honesto que “MP4-27 Launch”. Afinal, não lançaram coisa nenhuma.

Tá bom, sem exageros, dá até pra ver uma coisa nova ou outra, mas em sua maioria, insignificantes. O importante mesmo ou está oculto sob a carenagem ou ainda não foi mostrado.

Mas o mais divertido de tudo foi a galhofa de Lewis Hamilton para cima de Felipe Massa. Citando o novo posicionamento dos retrovisores, alfinetou o brasileiro: “Felipe ficará feliz”. E todo mundo caiu na gargalhada.

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Virou farelo

Virou farelo

Muita gente acredita na máxima que diz que “qualquer propaganda é boa propaganda”, e este parece ser o caso dos executivos mundiais da Pirelli. Sim, por que só isso explica o tamanho descalabro que tem sido o retorno dos italianos para a Fórmula 1.

Não há dúvidas de que fornecer pneus para a Fórmula 1 é uma excelente estratégia de marketing. A empresa ganha visibilidade mundial, aparece em todos os carros, no cenário de todas as corridas, no boné dos vencedores, enfim… garante presença da marca em praticamente todos os meios de comunicação do mundo durante um ano inteiro. Tal exposição não tem preço. Mesmo o investimento milionário para desenvolver e fabricar os pneus compensa de longe o retorno em visibilidade da marca. Até aí, está garantida a propaganda. O problema é que ela precisa ser boa.

Mas não é o caso até aqui. A pedido da organização da Fórmula 1 – é bom que se diga -, a Pirelli caiu na armadilha de fabricar pneus menos resistentes e com uma variação de desempenho maior que os anteriores da Bridgestone. Quando novos, andam que é uma beleza, mas em poucas voltas perdem rendimento. O objetivo é tornar as corridas mais movimentadas, com mais ultrapassagens e pit stops. Assumir este desejo dos organizadores já é um grande risco, e ele foi assumido pelos italianos.

A situação, no entanto, foi um pouco além do previsto. Não que os pneus representem um risco severo à segurança – até agora não provocaram nenhum acidente – o problema é que os compostos da Pirelli se esfarelam a olhos vistos. Domingo passado, em Sepang, a situação chegou a limites absurdos. Como se vê na foto que ilustra o post, os trechos da pista externos ao trilho por onde passam os carros ficaram tomados de nacos de pneus, num nível muito maior do que o já visto alguma vez na história da Fórmula 1.

E aí cabe a pergunta: valeu a pena? Durante a prova, no Twitter, foi possível constatar diversas piadinhas a respeito, de gente de todo o mundo. A brincadeira mais corrente era: “Tomara que a Pirelli não traga a tecnologia da Fórmula 1 para o meu carro”. E aí, o que deveria ser um grande apelo de propaganda, virou piada. Ou seja, eu até compro um Pirelli, mas desde que não seja aquela porcaria que eu vejo na Fórmula 1.

Ainda que no inconsciente, a Pirelli está gravando na cabeça dos consumidores do mundo todo, via F1, a mensagem de que fabrica pneus que duram pouco. Que fazem sujeira. Que são ruins. Em breve, podem causar acidentes. Fernando Alonso já sinalizou preocupação com o excesso de “marbles” que os Pirelli lançam na pista, dizendo que tentativas de ultrapassagem em pistas como Montreal e Cingapura podem terminar em acidentes caso o piloto “pise” no lado sujo da pista.

No fim das contas, a situação é um grande contrassenso. A Fórmula 1 sempre se posicionou como auge tecnológico do automobilismo, tendo os melhores pilotos, os melhores fabricantes, os grandes patrocinadores e tudo de grandiloquente que se imagina relacionado a corridas. E aí, propositalmente, contrata alguém para fabricar um pneu vagabundo. E esse alguém aceita. Absurdo.

As corridas ficaram movimentadas, isso é inegável. E se a emoção é genuína ou fabricada, é outra discussão. O fato, no entanto, é que a nova regra dos pneus está criando imagens contraditórias. E fazendo a reputação da Pirelli virar farelo.

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Todos contra Vettel

Foto: Clive Mason/Getty Images

São apenas duas corridas de um total de 19, é verdade. Mas o campeonato 2011 da Fórmula 1 já vai ganhando alguns contornos. E o mais delineado de todos até aqui é o da disputa pelo título: são todos contra Sebastian Vettel.

O atual campeão do mundo faz uma arrancada perfeita em direção ao bi. Duas pole positions, duas vitórias dominadoras, 109 voltas lideradas das 114 do campeonato até aqui. Até agora, Vettel só não esteve na frente nos breves momentos entre uma troca de pneus e outra. Não deu chances a ninguém, nem mesmo a seu companheiro Mark Webber, que fez duas corridas irregulares neste mesmo período.

Um domínio tão grande, com um companheiro de equipe sucumbindo tão facilmente, chega a lembrar a era Schumacher na Ferrari. Também pelo fato de, apesar de ser o melhor carro, a Red Bull não ser tão melhor assim. É verdade que, em voltas lançadas, os touros são imbatíveis. Mas, em ritmo de corrida, deixam um pouco a desejar, principalmente em função do desgaste de pneus.

Nas vitórias na Austrália e na Malásia, a vantagem de Vettel para o segundo colocado poucas vezes foi maior do que dez segundos. Os adversários sempre estiveram perto, mas nunca a ponto de ameaçar seriamente a sua liderança. No estágio atual, o carro da Red Bull é bom o suficiente para fazer com que o talento de Vettel se sobressaia sobre os demais na medida certa. Enquanto que, nas mãos de um piloto irregular como Webber, vira um carro comum.

Isso é o que dá esperança aos adversários. A Red Bull é boa, mas não imbatível. E a McLaren é quem está mais próxima. Lewis Hamilton foi um esforçado combatente nas duas primeiras corridas, mas em ambas sucumbiu por excesso de arrojo. Na Austrália, saiu da pista e teve o assoalho quebrado. Na Malásia, abusou dos pneus e foi obrigado a uma parada extra a três voltas do fim. Jenson Button, de condução mais gentil com os pneus, foi uma ameaça mais séria na Malásia, terminando a prova a apenas três segundos do vencedor. Mas talvez, para bater Vettel, seja necessário um pouco mais de arrojo.

A Ferrari ainda é muito instável. Tem um desempenho abaixo da crítica em voltas de classificação, o que deixa seus carros sempre para trás no grid de largada. Porém, em ritmo de corrida, faz tempos animadores. Fernando Alonso fatalmente subiria ao pódio em Sepang, não fosse tão afoito no ataque a Hamilton nas voltas finais, o que lhe fez perder um pedaço da asa dianteira. Felipe Massa consegue ser muito rápido em alguns momentos da corrida, mas lhe falta uma certa constância. A Ferrari precisa de um desempenho mais constante para poder brigar pela vitória. Com o dinheiro e o staff que tem, em breve deve chegar lá.

O fato é que Vettel já assumiu o posto de protagonista do campeonato de 2011. Agora, resta descobrir quem vai conseguir se posicionar como real desafiante ao título. Em algumas corridas, a tendência é que McLaren e Ferrari se aproximem e se tornem uma ameaça real. O problema será se, até lá, o alemãozinho continuar a empilhar vitórias. Se demorar, pode ser tarde demais.

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Automobilismo e inclusão social

Na Inglaterra, no final de semana passado, aconteceu algo pouco divulgado aqui no Brasil, mas de certa importância para o automobilismo. Nic Hamilton, irmão de Lewis Hamilton, fez sua estreia como piloto em Brands Hatch, na rodada de abertura do BTCC (British Touring Cars Championship), competindo na Copa Clio, uma das corridas preliminares. Seria apenas mais uma notícia de parente de piloto famoso buscando espaço no esporte, não fosse um detalhe relevante: Nic possui paralisia cerebral.

O irmão caçula do campeão mundial de Fórmula 1, de 19 anos, tem problemas motores nos membros inferiores e, por isso, caminha com dificuldade. Normalmente, é visto no paddock em cadeira de rodas. A paralisia cerebral, causada normalmente por pouca oxigenação no cérebro na gestação, durante ou logo após o parto, pode se manifestar de diversas formas, mas são poucos os casos em que há comprometimento de raciocínio ou inteligência. Porém, em razão de muitos portadores apresentarem dificuldades de fala, erroneamente são taxados de pouco inteligentes.

Com um carro adaptado à sua condição, Nic Hamilton entrou na pista não só para realizar um sonho, mas também para dar uma demonstração pública de que um portador de paralisia cerebral é capaz de guiar um carro com perícia, em alta velocidade. Competiu junto com os demais e assim será durante toda a temporada. Os resultados nas duas primeiras corridas foram condizentes com a estreia de alguém sem experiência: 12º e 15º, mas isso pouco importa. Fica a bela lição de inclusão social proporcionada por Nic, sua família e as autoridades automobilísticas da Inglaterra.

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Morte na pista

Foto: Divulgação/J. Star Racing

Gustavo Sondermann teve morte cerebral diagnosticada agora há pouco, em São Paulo, em decorrência de um forte acidente em Interlagos, na etapa de abertura da Copa Montana, categoria de acesso da Stock Car. É sempre um choque para quem gosta e acompanha o automobilismo, por mais que a gente saiba que é um esporte de risco. A morte sempre está ali, muito perto, mas a gente tenta ignorar.

Mas hoje ela se revelou, feia e maldita. E, enquanto que na tentativa de extrair da fatalidade algum sentido vejo que já há uma busca por culpados, não consigo pensar nisso. À minha cabeça vem a sensação de uma imensa falta de sorte.

Lembro que conversei com o Dr. Dino Altmann, médico da Stock Car, no ano passado sobre a segurança dos autódromos no Brasil. E ele foi taxativo ao afirmar que Interlagos é o circuito mais seguro, o único que passa nos padrões da FIA para a Fórmula 1. E é lá que acontece a segunda morte em competição oficial, num intervalo de menos de quatro anos, e exatamente na mesma curva, a do Café.

Trata-se de uma curva flat, em subida, com o muro muito próximo, à direita. Muito difícil um piloto cometer um erro e bater ali, normalmente um acidente acontece em virtude de uma falha mecânica, um toque, ou uma derrapada por causa da chuva (que é o que pode ter acontecido hoje). E, mesmo que o piloto batesse no muro, pelo ângulo do impacto, dificilmente algo grave aconteceria. O risco está no retorno do carro à pista, que pode ficar parado atravessado e sofrer impacto de alguém que venha atrás, com motor cheio. Pelo fato do trecho da pista se tratar de uma subida, o piloto que vem de trás não tem a visão completa de um acidente à frente. Quando percebe, já é tarde para uma manobra de evasão. E foi exatamente o que aconteceu hoje e em 2007, com Rafael Sperafico, a outra vítima fatal.

Os acidentes em “T” são os mais graves do automobilismo. E não existe autódromo no mundo que impeça uma colisão como essa, basta o carro ficar atravessado numa posição infeliz. Alessandro Zanardi perdeu as pernas e quase morreu num acidente exatamente assim na Indy, em 2001. Trata-se de um dos maiores temores de um piloto.

No caso de Interlagos, o problema é a falta de visibilidade. Agravada pela corrida com chuva e com o pára-brisa embaçado por causa do calor do motor. Como se diz na aviação, não existe uma causa única para uma tragédia. Uma infelicidade na pista, o piso molhado, a falta de visibilidade, tudo contribuiu para o fato. É preciso, sim, trabalhar para evitar que tais fatores possam se unir outra vez e provocar novo desastre. Pilotos da Stock já se manifestam a favor de utilizar no Café uma variante que ali existe, utilizada para corridas de motos. Seria uma boa iniciativa.

Conheci o Gustavo de vista, embora nunca tenha chegado a trocar uma palavra com ele. Mas a choque é grande da mesma forma. Resta conviver com este gosto amargo que uma tragédia assim provoca e lamentar a perda de um jovem de 29 anos. E ficam aqui registradas minhas condolências à família, aos amigos e todos aqueles que continuam buscando algum sentido no que aconteceu.

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Constrangimento

Foto: Mike Ehrmann/Getty Images

Simona de Silvestro foi um dos grandes nomes da abertura da Indy no último domingo, em São Petersburgo. Terminou a prova em quarto lugar, sua melhor classificação na categoria desde sua estreia no ano passado, e ainda deu muito trabalho para o brasileiro Tony Kanaan, terceiro colocado.

Porém, fora o seu grande desempenho na pista, chamou a atenção também o seu patrocinador. O carro da pilota suíça é pintado em verde por causa de seu principal investidor, que promete um mundo limpo, verde e ecologicamente correto: energia nuclear. Sim, um lobby pró-energia nuclear patrocina a equipe HVM. O problema é que não poderia haver momento menos oportuno para isso, com o Japão vivendo uma crise nuclear e com resíduos dos vazamentos radioativos da usina de Fukushima sendo detectados na China e até mesmo nos Estados Unidos.

Está certo que é o momento no qual os defensores da ideia (e, principalmente, do negócio) mais precisam de boa propaganda. Mas não são os bons resultados de Simona, nem a exibição do carro na TV, que vão trazer alguma confiança a esta duvidosa fonte de energia. Pelo contrário, o patrocínio acaba até sendo prejudicial para a pilota, que tem sua imagem associada à fonte de uma das maiores catástrofes ecológicas do século. Causa, no mínimo, constrangimento.

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Heidfeld homenageia Kubica

Foto: Reprodução/F1

O leitor Lucas R enviou, via comentários, um link com frames da F1 em alta definição, capturados por telespectadores.

Não bastasse a conclusão de que as imagens são mesmo incríveis, percebi algo que passou meio batido no capacete de Nick Heidfeld. Ao menos no treino de sexta-feira, que foi quando este frame foi capturado, ele alterou um singelo detalhe em seu capacete, em homenagem a seu ex-companheiro de BMW Sauber, Robert Kubica.

No espaço dedicado às cores da bandeira alemã, na lateral, Nick aplicou ali uma bandeira da Polônia. Um gesto simples, mas bonito.

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Asa móvel: #EpicFail

Foto: Clive Mason/Getty Images

Incrível como, ano após ano, a FIA se esforça em criar novidades no regulamento da Fórmula 1 que simplesmente não atendem em nada os objetivos propostos. O último #EpicFail da entidade foram as tais asas móveis, que estrearam no GP da Austrália.

O recurso, criado com o intuito de facilitar ultrapassagens, revelou-se uma engenhoca inútil. No começo da prova, quando Jenson Button atacava Felipe Massa, que vinha num ritmo bem mais lento, imaginou-se que a asa móvel resolveria a parada. Com ansiedade, todos esperaram Button acionar o dispositivo pela primeira vez. O inglês fez a última curva da pista colado na Ferrari do brasileiro, a luz do volante acendeu, ele acionou o dispositivo e… nada aconteceu. O piloto da McLaren tentou ultrapassagens por oito voltas, até se afobar e cortar uma curva.

A asa móvel foi absolutamente inútil exatamente na situação a qual mais dela se esperava. Disputa direta de posição, dificuldade de ultrapassagem mesmo com um carro mais lento à frente. E a solução de todos os problemas não solucionou coisa nenhuma.

O caso Button-Massa foi o mais emblemático, mas em várias outras brigas na corrida a asa móvel foi utilizada. E, assim como no primeiro caso, de pouca coisa serviu. Virou apenas mais uma traquitana besta. Talvez sua maior valia tenha sido na ultrapassagem de Felipe Massa sobre Sebastien Buemi, no final da corrida. Ainda assim, uma manobra que provavelmente aconteceria também sem ela.

Talvez, em autódromos com retas mais longas, como Shanghai, ela sirva para alguma coisa. Mas é motivo de chacota criarem um frisson tão grande em cima de algo que, na prática, funciona apenas em determinadas condições. E assim segue a Fórmula 1, até a próxima “inovação” enfiada goela abaixo, sem resultados práticos.

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Webber e Massa, os pilotos-Tiririca

Foto: Mark Thompson/Getty Images

Depois do que protagonizaram no GP da Austrália, pode-se dizer que Mark Webber e Felipe Massa são os “pilotos-Tiririca”, em alusão ao maior bordão da campanha eleitoral de 2010: pior do que está, não fica.

Dispondo do mesmo carro do vencedor Sebastian Vettel e correndo em seu país natal, Webber não se encontrou em momento algum em todo o final de semana. Andando em um ritmo muito mais lento, sequer foi páreo para pilotos com carros inferiores, como Fernando Alonso e Vitaly Petrov. Teve um desgaste de pneus acentuado, que o obrigou a três pit stops. Na saída do terceiro pit, demonstrou afobação na perseguição a Alonso e chegou a sair da pista.

Cruzou a linha de chegada em quinto, parando logo o carro no acostamento. Talvez tenha sofrido algum problema mecânico que venhamos a descobrir mais tarde. De toda forma, o mau desempenho nos treinos também deixa uma pulga atrás da orelha: parece que o australiano acusou o golpe da derrota para Vettel no ano passado.

Assim como Felipe Massa, que desde a cessão de posição a Alonso no GP da Alemanha do ano passado não repete mais as boas atuações de outros tempos. Hoje, fez até uma excelente largada, saltando de oitavo para quinto. Defendeu com raça a posição dos ataques de Jenson Button, até o inglês cometer um erro e ultrapassar por um atalho na pista, o que lhe resultou numa punição com “drive through”.

Porém, apesar da dedicação e da habilidade na defesa de posição, era nítido que o ritmo de Felipe era muito ruim. Assim que Button passou, perdeu também a posição para Alonso e foi ficando para trás, cada vez mais para trás. Seu ritmo era tão pouco competitivo que Button, mesmo punido com uma passagem forçada pelos boxes com velocidade limitada, conseguiu alcançá-lo e ultrapassá-lo no final da corrida.

Fechando a prova num lamentável nono, fica o consolo de ter marcado a volta mais rápida. Entretanto, é um dado pouco importante, já que Felipe foi o piloto de carro de ponta a fazer o mais tardio pit stop, o que o deixou na pista mais leve e com pneus em melhor estado. Fez bela ultrapassagem sobre Sebastien Buemi, mas algo que deve ser considerado uma obrigação para quem pilota uma Ferrari.

O perceptível é que, tal qual Webber, Felipe errou demais no final de semana. Rodou, saiu da pista nos treinos, defendeu posição contra Button de forma agressiva (ainda que leal). Tudo isso aponta para um certo descontrole emocional, uma tentativa de ultrapassar os limites para conseguir um bom resultado. Até aqui, sem sucesso.

Ainda é cedo, o GP da Austrália foi apenas a primeira corrida de 19 da temporada. Mas os indícios são de que tanto Massa quanto Webber estão desestabilizados por terem companheiros de equipe campeões, difíceis de serem batidos.

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Perez, o nome da prova

Foto: Robert Cianflone/Getty Images

Sebastian Vettel venceu sem dificuldades, fazendo parecer fácil. Vitaly Petrov fez história com o primeiro e merecido pódio. Mas quem brilhou mesmo, até pela pouca expectativa que se tinha, foi o mexicano Sergio Perez, da Sauber.

Sétimo colocado, chegar uma posição à frete do bem cotado companheiro Kamui Kobayashi já teria sido por si só um grande resultado. Mas as circunstâncias é que deram mais brilho à conquista de Perez: ele fez a prova inteira com apenas uma troca de pneus.

O equilíbrio do bom carro da Sauber foi determinante para o resultado, mas de toda forma, é notável que alguém tenha feito uma corrida poupando pneus assim, ainda mais um estreante. Mais: durante boa parte da corrida, o mexicano esteve com a volta mais rápida da prova em mãos, feita num momento em que seus pneus já tinham mais de 20 voltas de uso. Perez mostrou ser um piloto rápido, mas que sabe conservar o equipamento. Seu segundo stint durou cerca de 35 voltas, algo impensável para qualquer outro piloto que quisesse ser competitivo.

Bastante criticado por entrar na equipe bancado pela Telmex de Carlos Slim, o novato mostrou que não é apenas um piloto pagante. É um bom piloto que entra na F1 amparado por um bom patrocínio. Algo que, convenhamos, não tem nada de desabonador. Poucos são aqueles que estrearam na categoria sem trazer consigo uma grande mala de dinheiro.

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Petrov: fazendo história

Foto: Clive Mason/Getty Images

Terceiro colocado no GP da Austrália, Vitaly Petrov fez história hoje. É o primeiro pódio de um piloto russo na Fórmula 1. O que é um tanto óbvio, já que ele é o primeiro piloto do país a correr na categoria.

O importante, no entanto, é que o resultado não teve nada de fortuito. Petrov largou bem, pulando de sexto para quarto logo na primeira curva. Depois, manteve um ritmo consistente de corrida e defendeu-se bem dos ataques de Fernando Alonso no final, ainda que tenham sido um pouco tímidos.

Em comparação com a corrida de seu companheiro e nº 1 da Renault, Nick Heidfeld, o feito de Petrov ganha ainda mais valor. O alemão fez uma corrida ridícula, para dizer o mínimo. Não demonstrou qualquer competitividade e acabou a corrida em 14º, à frente apenas da Lotus de Jarno Trulli e da Virgin de Jerome D’Ambrosio, que são carros lentos que correm praticamente numa categoria à parte.

E uma pergunta, em tom de lamento, fica no ar: se Petrov foi terceiro em circunstâncias normais, o que teria feito Robert Kubica com este bem nascido carro da Renault?

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E deu Vettel

Foto: Clive Mason/Getty Images

Numa corrida boa para a média da Fórmula 1, mas fraca para os padrões do Albert Park, deu Sebastian Vettel. O alemão da Red Bull confirmou o domínio de todos os treinos e venceu praticamente de ponta a ponta, perdendo a liderança apenas durante o primeiro pit stop.

Mas a vida do atual campeão do mundo não foi tão fácil quanto se imaginava. Lewis Hamilton comprovou que a McLaren resolveu os problemas da pré-temporada e andou num ritmo consistente e até ameaçador durante meia corrida. Depois do segundo pit stop, as coisas se acomodaram e o inglês não mais incomodou Vettel.

A diferença entre o primeiro e o segundo colocados ficou na casa dos 22 segundos, bem menos do que o banho esperado depois dos treinos de classificação. É provável, também, que Vettel não tenha forçado o tanto quanto poderia. Administrou a corrida, apenas. O suficiente para vencer, e bem.

Os pneus, ainda que esfarelentos, não tiveram o desgaste apocalíptico que muitos pregavam. Dois pit stops para a maioria, alguns com três, e um milagroso único pit stop de Sergio Perez, o estreante que brilhou conservando pneus e chegando na sétima colocação.

A Ferrari foi a equipe que mais acusou o desgaste de pneus, com Fernando Alonso e Felipe Massa fazendo corridas abaixo do esperado. O espanhol foi quarto, atrás de Vitaly Petrov, outra vez. E o brasileiro foi apenas nono, numa corrida que alternou bons e péssimos momentos.

Rubens Barrichello foi outro irregular. Saiu da pista na primeira volta, caiu para última, veio recuperando posições e já brigava pelo nono lugar quando cometeu outro erro e abalroou Nico Rosberg, eliminando o alemão da corrida e danificando seu próprio carro. Abandonou voltas mais tarde, com problemas mecânicos.

A grande novidade, a asa traseira, foi um fracasso retumbante. A FIA, pelo jeito, não aprende.

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Afirmações e decepções

Afirmações e decepções

O treino de classificação para o GP da Austrália serviu para, pela primeira vez, colocar os competidores de 2011 em combate. Até aqui, tanto nos testes de inverno quanto nos treinos oficiais, tudo o que se podia fazer eram suposições, já que não se tinha parâmetros exatos de competição. Agora não, todo mundo foi para a pista para valer, brigando em condições iguais. E, aí sim, foi possível saber quem se afirma e quem decepciona.

A grande afirmação, sem dúvida, é a Red Bull. Já se entendia que se tratava do melhor carro, mas a distância para os rivais, de quase um segundo, foi uma covardia. Durante a corrida, tende a ser maior ainda. Pelo que se sabe, o carro rubrotaurino é o que menos gasta pneus e mantém um ritmo constante de corrida. Os adversários podem até começar a prova num ritmo próximo, mas em pouco tempo o desempenho tende a cair vertiginosamente. E aí, a Red Bull dispara na frente de vez. Sebastian Vettel deve vencer com tranquilidade, já que o inconstante Mark Webber não está em um bom final de semana.

A McLaren afirmou-se de maneira surpreendente. Depois dos apuros na pré-temporada – que chegaram a fazer Lewis Hamilton soltar o verbo aos jornalistas -, parece que acharam a mão do carro, ao menos para voltas rápidas. Em ritmo de corrida ainda não se sabe como os carros prata vão se comportar, mas existe uma expectativa de que não tenham um ritmo tão consistente quanto a Ferrari, embora os italianos tenham ido mal no treino.

Antes mesmo do GP da Austrália, Fernando Alonso já tinha avisado que o carro novo da Ferrari não era tão veloz, mas era confiável. E é este o trunfo dos italianos para a corrida de logo mais à noite. Em ritmo de classificação, a Ferrari decepcionou. Alonso foi apenas quinto, atrás de Red Bulls e McLarens, e Felipe Massa não se achou. Larga em oitavo depois de ter rodado na saída dos boxes no Q3.

Heidfeld na brita: maior decepção do dia (Foto: Clive Mason/Getty Images)

Heidfeld na brita: maior decepção do dia
(Foto: Clive Mason/Getty Images)

Outra decepção do dia foi Rubens Barrichello, que colocou uma roda na terra no Q2, rodou e ficou na caixa de brita. Alex Wurz, ex-piloto, afirmou sem rodeios no Twitter: “Um erro de principiante”. Mas o próprio Rubens adimitiu o erro, que faz parte do jogo, acontece. O importante é que a Williams demonstrou um ritmo competitivo e é forte candidata aos pontos, mesmo com a 17ª posição de largada em função da eliminação precoce no treino. Como no Albert Park as corridas tendem a ser confusas, com entradas do Safety Car, apostar em Barrichello entre os dez primeiros na corrida não é nenhum absurdo. A probabilidade é grande.

Mas a maior das decepções ficou por conta de Nick Heidfeld, substituto de Robert Kubica na Renault. O carro demonstrou estar bem, já que o surpreendente Vitaly Petrov emplacou um sexto no grid, melhor posição da carreira. Mas Nick, o número 1 da equipe, não esteve competitivo na classificação. É bem verdade que foi atrapalhado por uma excessivamente lenta Hispania em sua última tentativa, mas antes disso o alemão tentou pelo menos outras três voltas rápidas, e em nenhuma teve qualquer sucesso, chegando até a passear na caixa de brita. Pagou o mico de ser eliminado no Q1 e vai largar na 18º posição.

Falando em Hispania, o absurdo dos absurdos. A equipe mais ridícula da última década na Fórmula 1 não para de passar vergonha. No treino da manhã, conseguiu pela primeira vez colocar os carros na pista. Mas Vitantonio Liuzzi viu seu carro apagar depois de duas curvas. Não treinou. Narain Karthikeyan teve mais sorte, conseguiu dar algumas voltas e marcar tempo. Quase dezoito segundos mais lento que o primeiro, mas ao menos o carro andou. Na classificação, não houve quebras, mas o ritmo dos carros era absurdamente lento, atrapalhando todo mundo que tentava uma volta rápida. Um vexame. Ficaram obviamente abaixo da margem de 107% do tempo do primeiro colocado e foram barrados da corrida, o que deve acontecer com frequência na temporada. Até que a equipe seja vendida ou imploda.

Kobayashi confirmou a boa fase da Sauber (Foto: Robert Cianflone/Getty Images)

Kobayashi confirmou a boa fase da Sauber
(Foto: Robert Cianflone/Getty Images)

Gratas surpresas foram Sauber e Toro Rosso. A equipe suíça conseguiu colocar seus dois carros entre os seis primeiros no Q1. No Q2, Sergio Perez bobeou e não passou adiante, ficando em 13º. Mas Kobayashi chegou ao Q3 e larga em nono na corrida. Sebastien Buemi também mandou muito bem com a Toro Rosso, foi para a parte final do treino e sai em décimo.

Mas é na próxima madrugada, na corrida, que vamos ter mais clara a verdadeira relação de forças deste início de temporada 2011. Os pneus Pirelli, que se desgastam bem mais rápido do que os antigos Bridgestone, terão papel decisivo na dinâmica da prova. Há quem afirme que não será estranho ver os pilotos fazendo quatro pit stops. Certeza mesmo, só depois da prova. Mas a sensação inicial é de que, no pelotão da frente, pouca coisa mudou com relação ao final do ano passado. Talvez só a Red Bull tenha aberto um pouco mais de vantagem para os demais. O que aponta para uma temporada de domínio, até que a FIA invente alguma coisa para animar o campeonato.

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Entendendo a asa móvel

Foto: Robert Cianflone/Getty Images

A grande novidade da temporada 2011 da Fórmula 1, além da chegada de um novo fabricante de pneus, é sem dúvida o recurso de asa traseira móvel. Nos primeiros treinos livres no Albert Park ficou mais claro como o recurso funciona, embora tenha gerado também muitas dúvidas. Então, em forma de “FAQ”, perguntas e respostas capellescas sobre as tais asas móveis que estão estreando. Algumas respostas foram baseadas numa conversa com o piloto reserva da Lotus, o brasileiro Luiz Razia.

Qual o sentido das asas móveis?
Criar mais uma varíavel nas corridas, que permita mais ultrapassagens. Com o aerofólio traseiro posicionado num ângulo mais baixo, o carro ganha velocidade em reta, facilitando manobras de ultrapassagem.

Como funciona?
O carro possui agora um botão no volante, que aciona o dispositivo que movimenta a asa. Quando o piloto pressiona este botão, um mecanismo modifica o ângulo de ataque, gerando menos arrasto aerodinâmico e fazendo o carro ganhar velocidade. Na foto que ilustra o post o funcionamento fica bastante claro. À esquerda, a asa em posição normal. À direita, a asa aberta.

O piloto pode modificar o ângulo da asa quando quiser?
Não. Nos treinos e na classificação, até pode. Mas o sistema só funciona se o piloto estiver com o pé 100% no acelerador. Uma leve retirada de pé já faz com o que a asa retorne à posição original. Na corrida, o sistema funcionará em condições muito especiais, na chamada “zona de ultrapassagem”.

O que é a zona de ultrapassagem?
É um trecho da pista, delimitado pelos organizadores da prova, no qual os pilotos poderão mudar a inclinação da asa durante as corridas. Normalmente, deve ser a reta de chegada, mas isso pode variar em circuitos como o de Shanghai, no qual há uma reta maior e mais apropriada para ultrapassagens que a de chegada.

Então é possível mudar o ângulo da asa quando quiser na reta?
Não. A asa móvel só vai funcionar durante a corrida se o piloto estiver a no máximo um segundo de distância do adversário à frente.

E como isso vai ser medido?
Sensores marcarão a diferença entre os pilotos na curva que antecede a zona de ultrapassagem. Se a distância for suficiente para acionar a asa na zona de ultrapassagem, uma luz se acenderá no volante. Assim, o piloto sabe que pode acionar o mecanismo.

E se um piloto acionar a asa fora da zona de ultrapassagem? Será punido?
Não há esta possibilidade. O mecanismo é controlado pela central eletrônica do carro, distribuída pela FIA e igual em todos os modelos, de todas as equipes. O piloto pode até apertar o botão, mas a asa não vai se recolher.

O piloto da frente poderá recolher a asa móvel para se defender da ultrapassagem?
Não. Como o acionamento do mecanismo só será liberado eletronicamente a quem estiver dentro da margem de 1s atrás do adversário, o piloto da frente não terá direito a utilizar o recurso. A não ser que, lógico, também esteja a menos de 1s de distância de outro piloto. O mecanismo existe para auxiliar o piloto em posição de ataque, não aquele em posição de defesa.

E se houver um problema mecânico e a asa traseira travar na posição mais baixa, o que acontece com o piloto? É desclassificado?
Nem é preciso desclassificar, ele já terá a corrida comprometida. Não terá estabilidade suficiente para fazer as curvas mais lentas e será severamente prejudicado nos tempos de volta. Terá que parar nos boxes para consertar ou abandonar a corrida.

Dá para fazer curvas com a asa recolhida?
Nos treinos, sim, mas só curvas de alta velocidade, feitas “flat”. Até porque, se o piloto tirar o pé do acelerador, o mínimo que seja, a asa volta à posição original. Na corrida, como existe a limitação da zona de ultrapassagem, não é possível acionar a asa móvel em curvas.

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Capacetes da Fórmula 1 2011

Ilustração: Ivan Capelli

Ilustração: Ivan Capelli

Trabalhando para o especial da nova temporada do site Grande Prêmio, desenvolvi um pacote de ilustrações com todos os capacetes dos pilotos da temporada 2011 da Fórmula 1. Achei que ficou tão bacana que resolvi publicar também aqui no blog.

Confira ao lado todos os cascos da temporada, clicando na imagem para ampliá-la. Aproveite e escolha nos comentários o mais bonito e o mais feio. Eu já tenho opinião formada: o mais bonito é o de Felipe Massa. O mais feio, Pastor Maldonado. Se bem que os de Adrian Sutil e Paul di Resta também são um tanto quanto medonhos…

Lembrando que hoje à noite, às 22h30, começam os primeiros treinos livres para o GP da Austrália. Estarei no Twitter dando pitacos durante a transmissão do SporTv. Estão todos convidados: twitter.com/ivancapelli .

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O Fator Tilke

* Texto produzido para o Especial F1 2011 do site Grande Prêmio

Houve um tempo em que o Mundial de F1 era dividido em períodos bastante distintos. Com mais da metade das corridas acontecendo em território europeu, falava-se na ‘temporada europeia’ do campeonato, período no qual ocorria o campeonato propriamente dito. Havia corridas importantes na Ásia, na África e nas Américas, mas as equipes consideravam decisivas as provas da Europa porque, além de serem mais numerosas, aconteciam em sequência e possuíam características semelhantes entre si. Eram circuitos velozes — Silverstone, Monza, Hockenheim, Zeltweg, Paul Ricard, Imola, entre outros — que exigiam baixos perfis aerodinâmicos e força de motor. Tais características guiavam o planejamento das equipes, que preferiam ter carros competitivos na Europa, ainda que pudessem dar alguma chance aos adversários nas demais corridas.

Porém, a partir do final dos anos 90 as coisas começaram a mudar. A internacionalização da F1 levou a categoria a fazer cada vez mais provas para além do continente europeu. Além disso, os próprios circuitos da Europa começaram a ser revistos após as traumáticas mortes de Ayrton Senna e Roland Ratzenberger. Com isso, surgiu um novo paradigma para desenvolvimento de autódromos para a F1: circuitos com grandes áreas de escape, poucas curvas de alta velocidade e retas antecedidas por curvas muito fechadas. Quem estabeleceu este paradigma? Um arquiteto alemão de nome famoso, mas cujo rosto muita gente desconhece: Hermann Tilke.

O primeiro trabalho de Tilke para Bernie Ecclestone foi o circuito de Sepang, na Malásia, inaugurado em 1999. Antes disso, ele já tinha sido o responsável pela reforma de Zeltweg, que tornou-se A1 Ring, mas foi na Ásia que nasceu um casamento que não parou de render frutos, ainda que questionáveis. De lá para cá, Tilke já projetou nove autódromos novos para a F1, além de ter reformado inteiramente o traçado de Hockenheim, na Alemanha. Mas nem mesmo outros circuitos mais antigos escaparam a mão do arquiteto: Monza, Silverstone, Nürburgring e Montmeló também já foram revisitados por ele, ainda que mais em obras de infra-estrutura do que exatamente em remodelagem do traçado.

A presença cada vez mais maciça da obra de Hermann Tilke na F1 na última década começa a gerar um novo fator na categoria. Atualmente, é muito importante ter um carro que seja adequado às características dos circuitos por ele projetados. Afinal, em 2010 Tilke assinou o projeto dos circuitos de nove das 19 corridas disputadas. Dominar os tilkódromos está se tornando um fator decisivo para a briga por um título. E não só para as equipes, mas também para os pilotos.

Que o diga Mark Webber, o australiano da Red Bull que perdeu por muito pouco o título de 2010 para seu companheiro Sebastian Vettel. O desempenho de Webber nos tilkódromos é muito baixo, nunca tendo até hoje ganhado uma corrida sequer num destes circuitos. Na temporada passada, marcou neles ridículos 68 pontos, enquanto que foi o maior pontuador nos outros tipos de autódromos, com 174 pontos. Para efeito de comperação, o campeão Vettel marcou exatamente o mesmo número de pontos nos circuitos Tilke e não-Tilke: 128 em cada. Fernando Alonso, vice-campeão, fez o mesmo: 126. Pode-se dizer sem errar: Mark Webber perdeu o título por causa do mau desempenho nos tilkódromos.

Isso porque a tendência é que os circuitos-Tilke continuem a ganhar espaço no calendário. Em 2011, seriam nove etapas em 20, não fosse o cancelamento do GP do Bahrein por motivos extra-pista. E para 2012, ao que tudo indica, serão 10 das 20 etapas. Em pouco tempo, eles serão a maioria do campeonato. E, a partir disso, o ‘Fator Tilke’ passará a orientar decisivamente o planejamento de equipes e pilotos.

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