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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Arquivo da categoria: Curiosidades
Bruno na Williams
Não sei se foi um “vazamento” ou se foi mesmo divulgada, mas uma Fan Page não-oficial de Bruno Senna no Facebook conseguiu uma foto de estúdio dele já com o macacão da Williams.
O carro será apresentado nesta terça-feira, mas pela foto já dá para ter uma ideia de como deverão ser as cores do carro: azul marinho, branco e vermelho. Me parece, assim, que os boatos de que os carros poderiam ser azul e amarelo estão descartados.
Na terça pela manhã, a resposta.
Tags: Bruno Senna, Williams
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O outro touro
E a irmã caçula da Red Bull também apresentou seu carro hoje. O STR7, da Toro Rosso, é feio igual a quase todos os outros modelos da temporada. Mas pelo menos a pintura desse é bacana, com aquele touro furioso na lateral. Mesmo indo para a sétima temporada, não me canso dessa arte. Acho legal.
O carro parece convencional, sem invencionices. Vai ser uma equipe interessante de acompanhar em 2012, com dois pilotos pouco experientes, loucos para acelerar e prontos para dar prejuízo: o australiano Daniel Ricciardo e o francês Jean-Eric Vergne. Alguém topa um bolão sobre como o Galvão vai pronunciar o nome do Jean? Eu aposto em Jã-Êrriq-Vernhê. Com possíveis variações, de acordo com o humor ou o avançado da hora: Venhê, Venhé, Vêrg.
Bonitão
Enquanto os novos carros da Fórmula 1 provocam os mais diversos pesadelos (já há relatos de pessoas sonhando com ornitorrincos assassinos, botos-rosa violentos, golfinhos psicopatas e baionetas afiadas), o novo Dallara DW12 da Indy é um verdadeiro colírio. Linhas harmônicas, espaço para publicidade e até uma bem-vinda proteção anti-decolagem nos pneus traseiros.
O Alex Grün foi quem me chamou a atenção agora, destacando esta foto que eu roubei descaradamente do site do Américo. É a primeira vez que aparece um dos novos Dallara já pintado com as cores dos patrocinadores. E ficou bonitão.
Tags: Dallara, Helio Castroneves, Indy
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Lançamentos do dia
Dia movimentado essa segundona. Quem apareceu de carro novo bem cedinho foi a Sauber. Logo depois veio a Red Bull e em poucos minutos a Toro Rosso também deve pintar com seu novo carro.
A Sauber surpreende pela pintura, com uma dianteira preta que ficou meio esquisita. Pelo menos a equipe finalmente saiu daquele esquema BMW que perdurava desde 2006. O desenho é orgânico, inspirado na natureza, mais especificamente no animal mais harmônico que existe: o ornitorrinco.
Já a Red Bull mostrou um carro similar ao vencedor do ano passado, com mudanças na dianteira em função do novo regulamento. Digamos que é um ornitorrinco diferente, nascido da cruza genética com um escaninho. Adrian Newey pode ter dado o pulo do gato ao acrescentar este vão na parte dianteira do carro. Para onde vai o ar que entra por ali eu não sei, mas certamente alguém vai dizer que gerará mais downforce, uma evolução que tornará o carro mais eficiente aerodinamicamente e blá blá blá.
Bonito, bonito, não achei nenhum dos dois. Mas admito que já estou me acostumando a estes novos seres.
Tags: Red Bull, Sauber
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O carro do Kimi
A Lotus lançou no começo desta tarde o E20, modelo com o qual vai disputar a temporada 2012. O carro é bonito – apesar do bico ornitorríntico – e agora tem patrocínio de xampu e desodorante. Mas a grande atração, mesmo, é o retorno de Kimi Raikkonen à Fórmula 1.
Porém, nem de longe isso é um indício de bons resultados. Palpitar é se arriscar, e me arrisco a dizer que a Lotus tende a ser uma das grandes decepções da temporada. A equipe vem numa queda livre técnica desde o acidente de Robert Kubica, há um ano. Sem pilotos líderes (Heidfeld, Petrov e Bruno Senna foram rotundos fracassos) e sem o mesmo dinheiro dos tempos de Renault, o time despencou em 2011. Começou a temporada no pódio e terminou rezando para terminar entre os dez primeiros, coisa que só conseguiu em uma das últimas quatro corridas.
Kimi chega para salvar a pátria, mas não parece ser o piloto certo para isso. Está fora da categoria há dois anos, a adaptação é difícil em razão dos poucos testes permitidos e, convenhamos, nunca foi um sujeito que soubesse unir e guiar uma equipe em torno de um objetivo comum. É talentoso, é rápido, mas deve enfrentar dificuldades semelhantes à de Schumacher na Mercedes. E quando tudo der errado, vai para o fundo do box comer um picolé e mandar o mundo às favas. Romain Grosjean, seu companheiro, ganha uma segunda chance na Fórmula 1 depois das medíocres apresentações pela mesma equipe, em 2009. Ganhou a GP2, reergueu a carreira, mas ainda assim é visto com desconfiança.
Os motores são Renault – os mesmos da campeã Red Bull, diria o fã mais esperançoso -, mas nem isso é garantia de sucesso. Com o congelamento de motores, hoje eles não fazem mais a mesma diferença do passado. Vale lembrar que a outra Lotus (hoje Caterham) dispunha dos mesmos propulsores em 2011 e nem por isso saiu da rabeira do grid. Fossem propulsores Mercedes ou Ferrari, a equipe estaria na mesma enrascada.
Durante a semana teremos uma melhor noção do potencial da Lotus para esta temporada. Mas, até que a tabela de tempos prove o contrário, é séria candidata ao meio do pelotão.
Calendário de lançamentos e testes – F1 2012
Seguinte, pessoal. Muita gente perguntando sobre as próximas datas de lançamento dos carros das equipes da Fórmula 1 para a temporada 2012. Então, abaixo, compilei todas as datas em um calendário. Tudo de importante acontece semana que vem. Lembrando que já lançaram seus carros, pela ordem: Caterham, McLaren, Ferrari e Force India.
As próximas:
Lotus – 05/02 (vulgo amanhã)
Sauber – 06/02
Toro Rosso – 06/02
Red Bull – 06/02
Williams – 07/02
Mercedes – Não confirmado
Marussia – Não confirmado
Hispania – Não confirmado
Embora não tenha agendado o lançamento, é bem provável que a Mercedes apresente seu carro também nos próximos dias. Os primeiros testes da pré-temporada começam na terça e é difícil que uma equipe grande perca um dos pouquíssimos dias de testes disponíveis.
A propósito, segue outro calendário, o dos testes da pré-temporada. São apenas 12 datas:
De 07 a 10/02 – Jerez de La Frontera (4 dias)
De 21 a 24/02 – Barcelona (4 dias)
De 01 a 04/03 – Barcelona (4 dias)
Lembrando que a temporada começa em 18/03, na Austrália.
Tags: Pré-temporada
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Fórmula Ornitorrinco
Depois do lançamento da Caterham na semana passada, as novas Ferrari e Force India divulgadas hoje confirmaram a tese de que os carros da Fórmula 1 deste ano serão ornitorrincos feitos de fibra de carbono. Mas por quê essa solução aerodinâmica bizarra?
Bom, o motivo dos engenheiros terem escolhido este desenho eu realmente não sei. Mas o que provocou tal mudança foi o novo regulamento da categoria. Por questões de segurança, a FIA instituiu que os bicos dos carros este ano não poderão ter uma altura superior a 55 centímetros em relação ao solo.
A preocupação é com possíveis colisões em “T”. Na altura em que os bicos estavam até o ano passado, era possível que estes acertassem a cabeça de um piloto adversário em caso de um choque perpendicular. Com imposição da nova altura, agora o bico do carro bateria na lateral do cockpit, preservando assim o piloto que sofresse a eventual pancada. Como o regulamento diz que a altura do cockpit pode permanecer a 62,5 cm do solo, a melhor alternativa encontrada pelos projetistas, depois de simulações aerodinâmicas (creio), foi criar este degrau esquisito no bico.Até agora, a McLaren parece ter fugido à regra, mas ainda não dá para ter certeza. Como o bico apresentado anteontem não é o que será utilizado na temporada, novidades (desagradáveis) podem aparecer nos carros prateados nas primeiras provas do ano. Uma coisa é fato: os carros da F1 estão medonhos em 2012.
Tags: Ferrari, FIA, Force India, Regulamento
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O novo Hulkenberg
Nico Hulkenberg, embora tenha sido um dos destaques da temporada 2010 da Fórmula 1, ficou sem cockpit no ano passado. Preterido na Williams pelos dólares petrolíferos de Pastor Maldonado, acabou amargando uma temporada toda como reserva da Force India. Este ano, graças do destempero de Adrian Sutil fora das pistas – quase matou um executivo da Genii numa briga de bar -, foi promovido a titular e vai correr de novo.
Para celebrar seu retorno à F1, o alemão resolveu mudar a pintura de seu casco pela primeira vez desde que estreou na categoria. E, admito, o desenho novo ficou legal pra caramba. Abaixo, um comparativo na linha antes e depois. O laranjão com preto vai adornar bem no carro Sukitão da equipe.
Jogo de aparências
A McLaren lançou hoje seu carro para a temporada de 2012, o MP4-27. Quer dizer… lançou e não lançou. Sim, houve uma cerimônia em Woking, transmitiram para o mundo todo via Internet (muito legal), entrevistas com pilotos, tudo como manda o figurino. Aí cai o pano e o que se vê? Um não-carro novo.
Tá, é o carro novo. Só que não, não é. O bico não é o que será utilizado na temporada, para não alertar os adversários. O aerofólio é o de 2011, para que os adversários não copiem as novidades. O difusor é fake, para que ninguém descubra as novidades que vêm por aí.
Em resumo: foi uma cerimônia de começo de temporada e só. Serve para mostrar as cores do carro (que não mudou), a dupla de pilotos (que não mudou), exibir os orgulhosos patrocinadores (que também não mudaram, entre os principais). Enfim, todo o frisson que um lançamento de carro provocava no passado hoje é apenas lembrança. O objetivo da cerimônia é chamar a atenção para a equipe, apresentar seu posicionamento para a temporada e descolar espaço na mídia. O carro fica em segundo plano.
Essa é a realidade, e não digo que isso seja necessariamente ruim. Mas que pelo menos deveriam mudar um pouco o foco da cerimônia. “Vodafone McLaren Mercedes 2012 Presentation” seria mais honesto que “MP4-27 Launch”. Afinal, não lançaram coisa nenhuma.
Tá bom, sem exageros, dá até pra ver uma coisa nova ou outra, mas em sua maioria, insignificantes. O importante mesmo ou está oculto sob a carenagem ou ainda não foi mostrado.
Mas o mais divertido de tudo foi a galhofa de Lewis Hamilton para cima de Felipe Massa. Citando o novo posicionamento dos retrovisores, alfinetou o brasileiro: “Felipe ficará feliz”. E todo mundo caiu na gargalhada.
Automobilismo e inclusão social

Na Inglaterra, no final de semana passado, aconteceu algo pouco divulgado aqui no Brasil, mas de certa importância para o automobilismo. Nic Hamilton, irmão de Lewis Hamilton, fez sua estreia como piloto em Brands Hatch, na rodada de abertura do BTCC (British Touring Cars Championship), competindo na Copa Clio, uma das corridas preliminares. Seria apenas mais uma notícia de parente de piloto famoso buscando espaço no esporte, não fosse um detalhe relevante: Nic possui paralisia cerebral.
O irmão caçula do campeão mundial de Fórmula 1, de 19 anos, tem problemas motores nos membros inferiores e, por isso, caminha com dificuldade. Normalmente, é visto no paddock em cadeira de rodas. A paralisia cerebral, causada normalmente por pouca oxigenação no cérebro na gestação, durante ou logo após o parto, pode se manifestar de diversas formas, mas são poucos os casos em que há comprometimento de raciocínio ou inteligência. Porém, em razão de muitos portadores apresentarem dificuldades de fala, erroneamente são taxados de pouco inteligentes.
Com um carro adaptado à sua condição, Nic Hamilton entrou na pista não só para realizar um sonho, mas também para dar uma demonstração pública de que um portador de paralisia cerebral é capaz de guiar um carro com perícia, em alta velocidade. Competiu junto com os demais e assim será durante toda a temporada. Os resultados nas duas primeiras corridas foram condizentes com a estreia de alguém sem experiência: 12º e 15º, mas isso pouco importa. Fica a bela lição de inclusão social proporcionada por Nic, sua família e as autoridades automobilísticas da Inglaterra.
Constrangimento

Simona de Silvestro foi um dos grandes nomes da abertura da Indy no último domingo, em São Petersburgo. Terminou a prova em quarto lugar, sua melhor classificação na categoria desde sua estreia no ano passado, e ainda deu muito trabalho para o brasileiro Tony Kanaan, terceiro colocado.
Porém, fora o seu grande desempenho na pista, chamou a atenção também o seu patrocinador. O carro da pilota suíça é pintado em verde por causa de seu principal investidor, que promete um mundo limpo, verde e ecologicamente correto: energia nuclear. Sim, um lobby pró-energia nuclear patrocina a equipe HVM. O problema é que não poderia haver momento menos oportuno para isso, com o Japão vivendo uma crise nuclear e com resíduos dos vazamentos radioativos da usina de Fukushima sendo detectados na China e até mesmo nos Estados Unidos.
Está certo que é o momento no qual os defensores da ideia (e, principalmente, do negócio) mais precisam de boa propaganda. Mas não são os bons resultados de Simona, nem a exibição do carro na TV, que vão trazer alguma confiança a esta duvidosa fonte de energia. Pelo contrário, o patrocínio acaba até sendo prejudicial para a pilota, que tem sua imagem associada à fonte de uma das maiores catástrofes ecológicas do século. Causa, no mínimo, constrangimento.
Tags: HVM, Indy, Simona de Silvestro
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Heidfeld homenageia Kubica

O leitor Lucas R enviou, via comentários, um link com frames da F1 em alta definição, capturados por telespectadores.
Não bastasse a conclusão de que as imagens são mesmo incríveis, percebi algo que passou meio batido no capacete de Nick Heidfeld. Ao menos no treino de sexta-feira, que foi quando este frame foi capturado, ele alterou um singelo detalhe em seu capacete, em homenagem a seu ex-companheiro de BMW Sauber, Robert Kubica.
No espaço dedicado às cores da bandeira alemã, na lateral, Nick aplicou ali uma bandeira da Polônia. Um gesto simples, mas bonito.
Capacetes da Fórmula 1 2011
Trabalhando para o especial da nova temporada do site Grande Prêmio, desenvolvi um pacote de ilustrações com todos os capacetes dos pilotos da temporada 2011 da Fórmula 1. Achei que ficou tão bacana que resolvi publicar também aqui no blog.
Confira ao lado todos os cascos da temporada, clicando na imagem para ampliá-la. Aproveite e escolha nos comentários o mais bonito e o mais feio. Eu já tenho opinião formada: o mais bonito é o de Felipe Massa. O mais feio, Pastor Maldonado. Se bem que os de Adrian Sutil e Paul di Resta também são um tanto quanto medonhos…
Lembrando que hoje à noite, às 22h30, começam os primeiros treinos livres para o GP da Austrália. Estarei no Twitter dando pitacos durante a transmissão do SporTv. Estão todos convidados: twitter.com/ivancapelli .
Tags: Capacetes
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Todos ri – A cabeçada de Mansell

Nigel Mansell sempre foi uma figuraça. Piloto vibrante e bravo – por vezes um tanto troglodita -, fora das pistas era um sujeito um tanto desengonçado e engraçado. Carismático, em muitos momentos acentuou o tom atrapalhado de sua personalidade. Embora sofresse mesmo de problemas de coluna – agravados depois da pancada que o tirou da briga pelo título em 1987 -, não raramente descia do carro mancando, ou quase desmaiando, ou só fazendo cara de coitado mesmo, ainda que não houvesse motivo algum para isso. Um pouco de teatro fazia parte da personalidade do Leão.
Mas o GP da Áustria de 1987 foi um tanto dolorido para Mansell. Bastante dolorido, eu diria. Na semana antes da prova, o inglês extraiu um de seus dentes do siso, o que o fez competir sob o efeito de fortes analgésicos. Mesmo assim, continuava reclamando de dores. A corrida, por si só, já começou com dores de cabeça. Mansell saía na primeira fila, ao lado do pole position, seu companheiro Nelson Piquet. Na largada, manteve a segunda posição, mas uma carambola no meio do grid interrompeu a prova e anulou a partida. Na segunda largada, teve problemas e seu carro mal arrancou. Teria abandonado a corrida ali, não fosse a sorte de um segundo acidente generalizado obrigar a interrupção da prova outra vez. O Leão, assim, pôde pegar o carro reserva e voltar para a pista, disputando assim a corrida que acabara de abandonar.
Na terceira e definitiva largada, arrancou mal e caiu para a quarta posição. Mas fez uma corrida memorável, recuperando posições, até ultrapassar Nelson Piquet na 20ª volta. O brasileiro tinha problema de pneus e hesitou ao encontrar retardatários. Mansell foi para cima e fez uma bela manobra, num curvão a quase 200km/h. Piquet precisou trocar de pneus e a corrida ficou livre para o Leão, uma bela vitória.
Mas grandes as dores de cabeça, literalmente, apareceriam no caminho para o pódio. Um carro aberto conduzia Mansell, Piquet e Teo Fabi. Os fãs gritavam seu nome e o atabalhoado inglês resolveu corresponder, levantando para acenar para o público. Não percebeu que o carro se aproximava de uma passarela de concreto e bateu forte com a cabeça, caindo dentro do carro. A cena, memorável, pode ser vista no vídeo abaixo.
No pódio, Mansell não parava de passar a mão na cabeça machucada. Na entrevista pós-corrida, uma cena histórica: com a habitual cara de coitado, aplica uma bolsa de gelo enquanto Reginaldo Leme se prepara para começar a gravar. Certamente, foi a vitória mais dolorida até hoje na Fórmula 1.
Crescimento constante

A Force India apareceu na Fórmula 1 sem grandes expectativas. Nascida da compra da Spyker, que havia comprado a Midland, que havia comprado a Jordan, imaginava-se que a investida do indiano Vijay Mallya seria apenas de manter a equipe por um tempo para vendê-la logo depois, como fizeram seus atrapalhados antecessores. Mas não foi bem assim.
Um time que parecia uma piada no começo, dada a esquisitice que a cultura Indiana tem aos olhos ocidentais, se mostrou bastante sério. Em pouco tempo, a equipe cresceu e, logo em seu segundo ano de vida, conseguiu resultados espetaculares, como a pole de Giancarlo Fisichella no GP da Bélgica de 2009. O italiano quase venceu a corrida, terminando em segundo lugar. Fora isso, Adrian Sutil também teve grande atuação em Mônaco, no ano de estreia, mostrando que os indianos não estavam brincando em serviço.
De ano em ano, a Force India vem crescendo. Ainda que em 2010 não tenha conseguido nenhuma pole ou pódio, na média os resultados foram melhores. Ficou em sétimo entre os construtores, a apenas um ponto da Williams. O ponto fraco do time claramente foi o italiano Vitantonio Liuzzi, com atuações abaixo da média. Sutil manteve os bons resultados, ainda que sem nenhuma corrida de grande destaque.
A meta para 2011 é seguir a tendência de evolução, quem sabe atingindo o posto de quinta força da Fórmula 1. O desafio é enorme, mas a equipe conta com um belo trunfo para esta temporada: o estretante escocês Paul di Resta, primo de Dario Franchitti, destaque da Mercedes no DTM e que promete ser uma das sensações da Fórmula 1. Sua velocidade pode ser um estímulo para Adrian Sutil, rivalidade sadia dentro de casa é sempre bom.
O novo carro, VJM-04, não tem grandes novidades. Cofre de motor e tomadas de ar copiadas da Mercedes do ano passado, restante do carro bastante similar ao modelo anterior. A pintura, com mais laranja, deixou o modelo parecido com uma garrafa de Sukita. Para quem estreou parecendo uma lata de cerveja, é uma mudança e tanto. Questões estéticas à parte, o fato é que a Force India até hoje não virou chacota. E não deve virar agora.
Mais Marussia do que Virgin

A Virgin Racing, debutante na Fórmula 1 no ano passado, teve há alguns meses parte de seu capital vendido para a Marussia Motors, uma daquelas fábricas de carros-esporte para milionários que existem por aí. Embora em seu nome completo o time tenha virado Marussia Virgin Racing (coisa que ninguém usa, ou você já viu uma Vodafone McLaren correndo?), a FOM continua tratando o time como Virgin.
Mas, na apresentação do MVR-02, hoje na Inglaterra, ficou claro que o time tem mais de Marussia do que de Virgin. Para começar, o tom mais formal da apresentação, diferente da pirotecnia virginiana. Richard Branson, o dono do conglomerado Virgin, uma espécie de Eike Batista britânico (fez muito dinheiro e agora tem como meta aparecer), nem deu as caras. E se o aparecido não apareceu, alguma coisa isso quer dizer.
Talvez a mudança faça bem à equipe. O ano de estreia foi pra lá de desastroso, tendo a Virgin ficado em último lugar entre os construtores. Zerada como as demais estreantes, mas atrás até mesmo da insalubre Hispania nos critérios de desempate. Um resultado indigno para um time que nascia sob o financiamento de um bilionário e que prometia revolucionar a categoria com um carro projetado exclusivamente de forma virtual, utilizando a Dinâmica de Fluído Computacional, sem túnel de vento.
O plano de de continuar utilizando somente CFD continua valendo para o MVR-02, já que túnel de vento é muito caro. As linhas do novo carro lembram um tanto a Toro Rosso, o que leva a crer que copiaram mal. Os pilotos responsáveis pela equipe em 2011 serão Timo Glock, que permanece, e o novato belga Jerome D’Ambrosio. O alemão é uma espécie de vale mais do que pesa: tem boa cotação, mas juro que ainda não o vi fazer nada de extraordinário. Já D’Ambrosio é uma aposta, um novato que traz dinheiro e espera-se que não torre tudo o que trouxe ao time em peças de reposição e novos chassis.
A grande meta é fazer alguns pontos, sair do zero e da lanterna. Deve conseguir, já que a Hispania, se correr, não deve ter a menor chance. Mas ainda é muito pouco para um time que surgiu prometendo renovar a Fórmula 1. Quem sabe a experiência em construção de carros trazida pela Marussia consiga renovar o próprio time, um primeiro passo para conseguir alguma coisa.
Ousar para vencer

A McLaren, desde sua fundação, em 1966, nasceu para ganhar. Ainda que tenha passado por algumas fases ruins – principalmente no final dos anos 70, até ser vendida para Ron Dennis – sempre foi um time respeitado e temido na Fórmula 1. Mas a década de 2000 não foi assim tão prodigiosa para a equipe. Conquistou apenas um título mundial, com Hamilton, em 2008. Título de construtores, então, não se vê desde 1998.
Nos últimos anos, a equipe pecou pela irregularidade. Dominava em alguns circuitos, fazia corridas medonhas em outros. A precisão, atributo que sempre foi característica do time, parece ter ficado para trás. Detectando isso, os dirigentes perceberam que era hora de mudar.
A parceria com a Mercedes continua – ainda que os alemães tenham passado a focar suas atenções na própria equipe – e a dupla de pilotos com dois excelentes pilotos britânicos, os campeões do mundo Jenson Button e Lewis Hamilton, permanece. Dessa maneira, a McLaren decidiu inovar exatamente na construção do carro. O MP4-26, lançado hoje em Berlim, é o mais diferente da temporada. Ainda que não seja exatamente revolucionário é, no mínimo, ousado.
Enquanto que as grandes novidades dos carros geralmente ficam escondidas, na nova McLaren dá pra ver muita coisa diferente. Tomada dupla de ar acima do cockpit, desenho praticamente invertido das tomadas laterais, linhas bastante destoantes daquilo que se viu até agora. E, se por fora tem tanta coisa nova, resta saber o que pode haver oculto sob a carenagem.
Com Red Bull e Ferrari, a McLaren deve formar o trio de ferro da temporada, talvez incomodados pela Mercedes. Mas é bom os adversários abrirem o olho. Das últimas vezes em que o time de Woking foi assim ousado – como em 1988, com o carro de perfil baixíssimo, ou 1998, com os dois pedais de freio posteriormente proibidos -, a concorrência só engoliu poeira.
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A história da atual equipe Mercedes na Fórmula 1 chega a ser curiosa. Originou-se da Tyrrell, que virou BAR e depois tornou-se Honda. Quando os japoneses debandaram e deixaram a escuderia nas mãos de Ross Brawn, nasceu a Brawn GP. Imaginava-se um arremedo de time: além do carro branco e sem patrocínios, as temporadas anteriores da Honda foram um verdadeiro desastre. Mas, contrariando a lógica, a Brawn nasceu vencedora. Ganhou a corrida de estreia e ainda terminou o ano de 2009 campeã de pilotos e construtores. Nascia ali uma lenda.
Nascia, mas morria rapidamente, com apenas uma temporada. Num lance surpreendente, a Mercedes deu de ombros para a McLaren e comprou a maior parte da equipe campeã. Surgiu ali a Mercedes GP. Em outro lance não menos surpreendente, os alemães tiraram Michael Schumacher da aposentadoria, montando ali o que parecia ser um supertime, talvez a favorita de 2010. Não colou. Os resultados foram escassos, apenas o quarto lugar entre os construtores. O heptacampeão Schumacher decepcionou e a grata surpresa foi Nico Rosberg, que conseguiu subir três vezes ao pódio. Ainda assim, pouco para quem vinha de um título mundial.
Um paradoxo curioso se formou. Quando ninguém esperava nada, o time foi lá e ganhou tudo. Quando se imaginava uma potência, sucumbiu. Assim, talvez a receita da Mercedes em 2011 seja a de não gerar expectativa alguma. Quem sabe assim os resultados surjam ao natural.
A dupla de pilotos foi mantida, mas agora uma enorme interrogação paira sobre Michael Schumacher. Aos 42 anos, já andou até cancelando testes no simulador, por causar-lhe enjoos. Não parece mais ser capaz de causar medo aos adversários como um dia já foi. Nico Rosberg é a esperança de vitórias, mas para isso precisa de um carro de primeira.
O W02, modelo para esta temporada, foi lançado na terça-feira passada, durante os testes em Valência. No design, é arrojado. Possui uma frente proeminente parecendo um bico de pato e uma pintura prateada com belos detalhes verdes (ou azuis, depende do gosto do freguês). Pelo dinheiro investido e pelos nomes envolvidos, é um time que não deve ser menosprezado. A concorrência com McLaren, Ferrari e Red Bull será dura, mas a Mercedes espera, ao menos, deixar a desconfortável quarta posição entre as grandes da F1. O grande desafio é voltar à ponta.





















