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Vitória de Rosberg é a 1ª de um alemão com carro alemão

A vitória de Nico Rosberg hoje em Xangai foi significativa em vários aspectos, não só por ter sido seu debute no alto do pódio. Além de ter sido a primeira conquista da Mercedes na Fórmula 1 desde 1955, quando Juan Manuel Fangio ganhou na Itália, foi também primeira vez que um piloto da Alemanha venceu uma prova com um carro construído por uma fábrica local.

Ainda que tenha sido a 125ª vitória germânica na Fórmula 1, todas as anteriores aconteceram por equipes de outros países. Wolfgang Von Trips e Michael Schumacher ganharam pela italiana Ferrari. Jochen Mass, pela inglesa McLaren, Heinz-Harald Frentzen pelas igualmente britânicas Williams e Jordan, assim como Schumacher com a anglo-italiana Benetton. Ralf Schumacher ganhou com motores bávaros da BMW, mas a equipe era a Williams. E Sebastian Vettel dividiu suas vitórias entre a italiana Toro Rosso e a austríaca Red Bull.

Trata-se de um marco no automobilismo alemão, que domina a Fórmula 1 já há uma década com pilotos e motores locais. Agora, o domínio chegou entre as equipes.

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Pneus foram a chave para a vitória

Nico Rosberg é alvo de muitas brincadeiras por seu jeito um tanto andrógino. Sua delicadeza e traços femininos renderam-lhe até um maldoso apelido de “Britney” entre seus colegas pilotos. Mas, ironicamente, foi justamente uma condução delicada que lhe garantiu hoje, em Xangai, sua primeira vitória na Fórmula 1.

Apesar da pole position, foi sim uma vitória surpreendente. A Mercedes destacou-se nas duas primeiras corridas do ano por ser um carro rápido, mas indócil com os pneus. Em poucas voltas, a borracha ia para o espaço, fazendo Rosberg e Schumacher se arrastarem pela pista. Imaginava-se que o mesmo aconteceria hoje no GP da China. Ledo engano.

Partindo da pole, Nico Rosberg disparou na frente e manteve um ritmo de corrida competitivo e estável. Enquanto seus principais rivais – leia-se a McLaren – apostaram em uma estratégia de três paradas para troca de pneus, incrivelmente o W03 papa-pneus aguentou apenas dois pit stops e foi dominante do início ao fim. E a dobradinha só não aconteceu por causa de um erro do famoso “homem do pirulito”, que liberou Michael Schumacher de seu primeiro pit stop antes que o pneu dianteiro direito fosse devidamente aparafusado. O mecânico responsável surtou, gesticulou, bateu as mãos no chão e de nada adiantou. Schumacher voltou para a pista apenas para abandonar algumas curvas depois. O que a Mercedes descobriu nestas duas semanas em que a Fórmula 1 voltou para a Europa, não se sabe. Mas a solução do problema crônico de desgaste de pneus coloca a equipe alemã entre as favoritas para as próximas corridas.

A única real ameaça a Nico Rosberg na corrida partiu de Jenson Button, que fez três paradas e chegou a assumir a liderança da corrida em um intervalo de pit stops. Porém, a McLaren fez bobagem em sua segunda parada, acabando com suas chances. Ainda assim, a minha aposta é que Nico venceria da mesma forma, talvez com apenas um pouco menos de facilidade.

Outros pilotos também arriscaram uma estratégia de apenas duas paradas, mas sem o mesmo sucesso. Kimi Raikkonen, com a Lotus, foi segundo colocado o tempo todo, mas ficou completamente sem pneus nas últimas voltas e despencou para 14º. Felipe Massa foi outro, apareceu bem mas acabou apenas em 13º. Porém, um adendo: chegou apenas cinco segundos atrás de Fernando Alonso, que parou três vezes e terminou em nono. A Ferrari é uma draga, não deu para fazer milagre, e é possível classificar a corrida de Felipe hoje como aceitável. Não foi um resultado satisfatório, longe disso, mas mostrou uma certa recuperação do piloto brasileiro. Não foi um fiasco como nas últimas provas.

A Red Bull apostou em uma estratégia para cada piloto. Webber parou três vezes e chegou em quarto, ultrapassando Vettel no finalzinho numa briga emocionante. Embora tenha perdido para o companheiro, o resultado do atual bicampeão não foi de todo ruim. Partiu mal, despencou de 11º para 14º, mas na base da estratégia chegou a aparecer em segundo no final da corrida. Porém, como Kimi, ficou sem borracha no fim e foi perdendo posições.

O GP da China foi uma corrida aborrecida no começo, mas com boas brigas no final. Porém, tudo devido aos pneus Pirelli e seu rendimento instável. Daqui a algumas provas, quando as equipes entenderem melhor o comportamento dos compostos, as surpresas e diferentes estratégias acabarão. O que é uma pena. Hoje a emoção da F1 é absolutamente dependente da ignorância das equipes com relação aos pneus. Quando tudo estiver dominado, o tédio tomará conta e dificilmente teremos resultados como estes das primeiras provas, com três diferentes vencedores de três equipes diferentes.

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Rapidinhas da Classificação – GP da China

Perdi a hora e não vi o treino nessa madrugada. Mas ainda bem que existe o gravador digital pra salvar a gente das falhas do despertador. Acordei cedo e vi tudo agora.

- Belíssima pole de Nico Rosberg, fazendo valer o DRS revolucionário da Mercedes. Numa pista de longas retas como Xangai, o alemão sentou a bota e meteu uma luneta em todo mundo. Meio segundo de vantagem para o segundo colocado é muita coisa. Tão grande a vantagem que Nico inclusive abortou sua última tentativa de volta rápida. Não precisava.

- Com isso, a Mercedes chega à sua primeira pole em mais de 50 anos. Sim, a última delas havia sido de Juan Manuel Fangio, no GP da Itália de 1955. Muito tempo, outra era. Pela primeira vez, o retorno da Mercedes como equipe paga dividendos. Agora vamos ver na corrida.

- Foi um treino de efemérides. Além da primeira pole da carreira de Nico Rosberg, foi também a primeira vez de Michael Schumacher numa primeira fila desde seu retorno à Fórmula 1. A última vez que o alemão havia largado na primeira fila fora no GP do Japão de 2006, há mais de cinco anos, portanto.

- Como o W03 é bom de reta com DRS, mas péssimo no trato com os pneus, duvido muito que tenham o mesmo êxito na corrida. Como nela a asa móvel só pode ser utilizada em condições específicas (ultrapassagens), toda a vantagem de velocidade em reta da Mercedes se esvai. Assim, surge a McLaren como candidata à vitória. Jenson Button sai em quinto, Lewis Hamilton em sétimo, mas com boa expectativas para a corrida.

- A segunda fila do GP da China é divertida pra caramba. Em terceiro lugar, Kamui Kobayashi, o mito da Sauber. Ao seu lado, Kimi Raikkonen, da Lotus. Dois pilotos agressivos e capazes de tudo. Pode sair bobagem na largada, mas também pode sair coisa muito boa.

- Mark Webber foi a Red Bull mais bem classificada, em sexto. Sebastian Vettel, pasme, não chegou ao Q3 e vai sair apenas em 11º. Foi superado até pela Lotus de Romain Grosjean. O touro tá sem fôlego e o Tiãozinho sentiu o baque, tomando o terceiro toco do canguru em três corridas.

- Falando em toco, Ferrari em nono com Fernando Alonso e em 12º com Felipe Massa. Bom resultado como na Malásia? Só se chover de novo e olhe lá. Felipe melhorou na China, mas ainda está devendo. Precisa confirmar a reação na corrida.

- Sergio Perez, o fenômeno de Sepang, vai largar em oitavo. Foi obscurecido por seu companheiro de Kobayashi hoje, o que é até uma boa notícia. O carro da Sauber é bom e pode render outros grandes momentos como os da Malásia.

- A partir da sétima fila do grid, duplinhas das equipes, revelando claramente a relação de forças entre elas na temporada. Duas Williams, duas Force India, duas Toro Rosso, duas Caterham, duas Marussia e duas HRT.

- Na Williams, Maldonado conseguiu ficar à frente de Bruno Senna, mas por apenas seis milésimos de segundo. Praticamente um empate técnico. Para a corrida, acho que um deles chega nos pontos.

- Agora é colocar dois despertadores para não perder a hora esta madrugada. A prova começa às 4h da manhã e estarei aqui, firme e forte, dando pitacos no Twitter.

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Coluna de hoje – Ponto de Renascimento

O GP da China tem um papel importante na história da Red Bull. Foi lá, em 2009, que a equipe austríaca entrou para o grupo das grandes na F1, conquistando suas primeiras pole-position e vitória. De lá para cá, foram dois títulos mundiais de Pilotos, dois de Construtores, 38 pole-positions e 27 vitórias em 55 corridas, resultados que fizeram dela a maior vencedora da categoria neste período.

Porém, a temporada de 2012 começou mal para os rubrotaurinos. O carro não parece ter o mesmo fôlego de seu antecessor, a McLaren cresceu bastante e chega à China como favorita. Situação essa que expõe uma contradição interessante. Dominadora nos treinos com três poles nos últimos três GPs da China, a Red Bull conseguiu converter apenas a corrida de 2009 em vitória. Por outro lado, a McLaren nunca entrou como favorita, mas ganhou três das últimas quatro corridas em Xangai.

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Há 40 anos: Lotus canta título de Emerson

Anteontem, o Flavio Gomes fez um post em seu blog sobre uma música feita em homenagem à vitória de Emerson Fittipaldi no GP do Brasil de 1973. Desconhecia essa pérola, bacana demais.

Mas aí, nos comentários, o leitor HM nos apresentou outra mais sensacional ainda, que eu também nunca tinha ouvido. No final da temporada de 1972, 18 mecânicos da equipe Lotus se reuniram para gravar um compacto com duas músicas. A principal, lado A do disco, chamava-se “The Champions”, uma homenagem à conquista daquela temporada, com Emerson Fittipaldi ao volante. Todos cantam em coro, como se estivessem em um pub com uma caneca de cerveja nas mãos. O clima é divertido e, por incrível que pareça, a música não é ruim.

Legal ainda as referências que a letra faz a Emerson, chamado de “ás” e “piloto destemido do Brasil”. Vamos ouvir?

He’s the champion, champion, champiooooon… of the woooooooorld!

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Coluna de hoje – Retrato sem Maquiagem

Todo mundo sabe que a F1, graças ao modus operandi de Bernie Ecclestone, representa como alegoria boa parte daquilo que se considera abjeto no mundo dos negócios. Lucratividade acima de tudo, formação de monopólio, falta de transparência e até cooperação com regimes e governos totalitários e/ou corruptos. Em resumo, a F1 é uma bosta.

O problema é que a gente gosta dessa bosta. E dói a alma ver que nada está sendo feito de prático para impedir a realização do GP do Bahrein, daqui a duas semanas. O país asiático, encravado no Golfo Pérsico, enfrenta uma convulsão social há mais de um ano. A corrida de 2011 foi cancelada, mas para 2012 a FOM e a FIA tentam vender um cenário de mar de tranquilidade. Não é, tanto que na última sexta um protestante foi assassinado enquanto pedia nas ruas o cancelamento da corrida.

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Não é assim que se faz…

Meu amigo Willian Freitas, da velha turma do Downforce, mandou essa que aconteceu hoje, na etapa de Brands Hatch do BTCC. O irlandês Aron Smith bateu e ficou parado em posição perigosa. O Safety Car entrou na pista e lá foram os fiscais retirar o carro com o guincho mas… não é assim que se faz, caramba!

Tá certo que o carro tava arrebentado, mas não precisava piorar a situação.

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Checo na Firenze

O Mateus Ferreira pegou a brincadeira que fiz no GP da Malásia e fez uma montagem muito bacana. Simulando o Super Monaco GP, clássico jogo do Mega Drive, exibiu o que aconteceria com Checo Perez após o belíssimo segundo lugar em Sepang.

Demais! Além de divertido e bem executado, traz ótimas lembranças.

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Foi segundo… mas valeu como vitória

A grande performance de Checo Perez em Sepang no último domingo deixou os fãs do automobilismo com um sentimento agridoce. Se por um lado ficou a excitação de ter assistido a uma bela corrida que revelou um novo talento, por outro ficou uma certa frustração pelo fato da grande vitória, o momento épico, não ter acontecido.

Pouco cotado, com um carro de equipe média e largando apenas na nona posição, Perez brigou pela vitória com autoridade, pressionou Fernando Alonso até o final e colocou no bolso os mais recentes campeões mundiais, Lewis Hamilton e Sebastian Vettel. Se a vitória não veio, foi por um erro no final, um detalhe.

Seguindo minha tradição de procurar paralelos no passado, lembrei de pelo menos outros quatro eventos semelhantes, quando um “underdog” surgiu do nada e meteu medo nos cachorros grandes. Como Perez, todos eles terminaram a corrida na segunda posição, batendo na trave de um grande feito histórico. Ainda assim, grandes momentos.

Ayrton Senna – GP de Mônaco de 1984

Era apenas a quinta largada de Ayrton Senna na Fórmula 1. E apenas a segunda vez que a Toleman levava para a pista o modelo TG184, já que a equipe havia disputado as primeiras corridas do ano com o carro do ano anterior. Mais tarde se descobriria que se tratava de um dos melhores chassis daquela temporada, mas até então, a Toleman não passava de uma mera figurante que nunca tinha sequer conquistado um pódio na categoria.

Saindo da 13ª posição do grid, ninguém imaginava que o grande destaque da corrida seria aquele carro brancão, com patrocínio de café e máquina de lavar, meio desengonçado. Mas a condução de Ayrton Senna naquele chuvoso GP de Mônaco o alçou imediatamente à condição de futuro gênio da Fórmula 1. Na primeira volta, foi beneficiado por alguns acidentes e saltou direto para nono. Dali para a frente, começou uma emocionante escalada de posições até chegar ao segundo lugar. Ultrapassou a Williams de Keke Rosberg e a McLaren de Niki Lauda, deixando todos estupefatos.

Tinha tudo para vencer, vinha descontando a diferença para o líder Alain Prost de maneira vertiginosa, até que a direção de prova viu por bem encerrar a corrida com apenas 31 das 76 voltas previstas. Uma decisão correta, já que as condições eram mesmo extremas e apenas oito dos 20 carros que largaram ainda estavam na pista. A chance de não terminar ninguém era grande, assim como a de alguém terminar machucado. Ficou a sensação de coito interrompido, já que a ultrapassagem de Senna sobre Prost era iminente, mas não dá para condenar a atitude da organização da corrida.

O curioso de toda a história é que Senna cruzou a linha de chegada à frente de Prost, que encostou o carro na reta quando viu a bandeira vermelha ao lado da quadriculada. Enlouquecido, achou que tinha vencido e saiu comemorando numa imaginária volta da vitória. Nas cabines, Galvão e Reginaldo chegaram a aclamar o brasileiro como vencedor do GP. Mas quando Ayrton descobriu que em caso de interrupções assim o resultado que vale é o da volta anterior, ficou com cara de poucos amigos. Depois, no pódio, relaxou e percebeu que aquele segundo lugar tinha gosto de vitória. Era a senha que outras viriam no futuro. E vieram.

Jean Alesi – GP dos EUA de 1990

Alesi mal tinha começado sua carreira na Fórmula 1, mas já tinha dito a que veio. Logo em sua estreia, no GP da França de 1989, chegou a andar em segundo lugar e terminou a prova em quarto, com uma fraca Tyrrell. Em 1990, nos Estados Unidos, continuava na Tyrrell e fazia sua primeira corrida de abertura de uma temporada. Não se esperava muito de sua equipe, já que vinha de uma temporada errática no ano anterior (um pódio, alguns pontos marcados, mas falhando em se classificar para o grid em algumas etapas).

Porém, a equipe havia trocado o fornecedor de pneus, estreando em Phoenix os compostos da Pirelli. E os pneus levados pelos italianos fez um sucesso danado naquela pista. Num treino de classificação muito louco, os carros com Pirelli levaram vantagem sobre os Goodyear, gerando resultados curiosos. Pierluigi Martini colocou uma Minardi na primeira fila. Andrea de Cesaris foi o terceiro com Dallara, enquanto Jean Alesi conseguiu um quarto lugar para a Tyrrell. Imaginava-se que tudo tinha sido um brilhareco proporcionado por um bom pneu de classificação e que na corrida as coisas seriam diferentes, mas não foi bem assim.

A profecia chegou a se comprovar logo nas primeiras voltas, com as Minardi e Dallara ficando para trás, enquanto os melhores carros como a McLaren de Senna e a Ferrari de Prost vinham ganhando posições. Porém, Alesi conseguiu imprimir à corrida um ritmo capaz de levá-lo à vitória. Arrancou bem na largada, pulando de quarto para a ponta logo na primeira curva, fez uma série de voltas mais rápidas e foi administrando a liderança com maestria, como fosse um veterano, não permitindo a aproximação de Gerhard Berger, que vinha logo atrás em sua prova de estreia pela McLaren.

Berger errou e bateu, e Alesi conseguiu manter certa vantagem na ponta até mais ou menos metade da corrida, quando passou a ser pressionado pela McLaren de Senna. Seu carro, ainda um modelo do ano anterior, não foi suficiente para conter a eficiente McLaren-Honda do brasileiro e acabou cedendo a ultrapassagem, mas não sem antes vendê-la bastante caro. Senna tentou ultrapassar, mas tomou um xis na curva seguinte. Uma volta depois, tentou outra vez a manobra no mesmo lugar, mas Alesi novamente tentou dar o troco. Não tracionou tão bem, mas conseguiu ainda emparelhar com a McLaren por mais três curvas até, finalmente, ser batido.

Foi bravo, foi heróico, seria a primeira vitória da Tyrrell em sete anos, mas não deu. Alesi terminou em segundo lugar e ali carimbou seu passaporte para ser piloto da Ferrari no ano seguinte. Por bastante tempo foi visto como um potencial campeão de Fórmula 1, mas nunca conseguiu estar na equipe certa na hora certa. Naufragou nas sucessivas crises da Ferrari e terminou a carreira com apenas uma vitória, bem menos do que seu talento prometia – e merecia.

Ivan Capelli – GP da França de 1990

Capelli já não era nenhum novato na Fórmula 1, pelo contrário. Já estava na categoria desde 1985, sempre em equipes pequenas e médias. Estava na March/Leyton House desde 1987, onde fez grandes apresentações em 1988, terminando o campeonato em sétimo lugar, com dois pódios. Porém, a equipe vinha em declínio desde então. O projetista era Adrian Newey, que fazia carros aerodinamicamente perfeitos, mas que tinham muitas dificuldades em terrenos acidentados. Tanto que nem Capelli nem Mauricio Gugelmin, seu companheiro de equipe, haviam conseguido classificação para largar no GP do México de 1990, disputado na ondulada pista do Autódromo Hermanos Rodriguez.

Porém, na etapa seguinte, em Paul Ricard, a situação seria bem diferente. Num circuito de asfalto bastante liso, a perfeição aerodinâmica da criação de Newey encontrou um habitat perfeito para brilhar. Os motores eram os fracos Judd, mas ainda assim o time conseguiu preparar carros competitivos para a corrida. Capelli classificou-se em sétimo no grid e Gugelmin, em nono.

Não se esperava que as Leyton House teriam algum destaque na prova, no máximo eram candidatas a pontuar. Mas a estratégia bolada pela equipe deu um banho em todo mundo. Com carros equilibrados e que consumiam poucos pneus, os dois pilotos partiram com pneus duros para uma corrida sem pit stops, enquanto todos os demais estavam de macios, prevendo uma parada. No começo da prova, tudo normal, com McLaren e Ferrari brigando pela ponta. No entanto, logo após a parada para troca de pneus, surgiu na frente uma dobradinha em azul piscina. Capelli na frente, Gugelmin em segundo, e nada de eles pararem para trocar pneus.

O ritmo de corrida de ambos era bom e uma dobradinha ao final da prova passou a ser possível. Porém, pressionado por Prost, o motor Judd de Gugelmin abriu o bico a vinte voltas do final. O francês da Ferrari passou, assim, a perseguir Ivan Capelli, que se defendia bravamente. Apesar da pressão de Prost, a vitória parecia iminente até que… o motor da March começou a falhar a três voltas do fim. O italiano conseguiu continuar na pista, mas não teve mais qualquer chance de brigar pela ponta. Se arrastando, cruzou a linha de chegada em segundo. Um belo resultado, mas a vitória passou raspando.

Foi o último pódio de Capelli, que continuou afundando com a Leyton House, que mais tarde naquele ano teria seu proprietário preso por fraudes no Japão. O italiano teve ainda uma chance na Ferrari em 1992, mas pegou um dos piores carros da equipe em toda a história e não soube lidar com a situação. Foi dispensado antes do fim da temporada e tentou reerguer a carreira na Jordan no ano seguinte. Depois de duas corridas, obscurecido pelo estreante Rubens Barrichello, percebeu que já não tinha mais espaço e abandonou a Fórmula 1, sem nenhuma vitória.

Damon Hill – GP da Hungria de 1997

Campeão mundial em 1996, mas demitido pela Williams logo após a conquista do título, Damon Hill foi buscar abrigo na Arrows em 1997. A equipe havia sido comprada por Tom Walkinshaw no ano anterior, mas continuava sendo o que sempre foi: um time médio que de vez em quando aprontava uma ou outra. Ainda assim, nos últimos oito anos havia feito apenas um pódio absolutamente ocasional, com Gianni Morbidelli no GP da Austrália de 1995, uma corrida em que quase ninguém chegou ao fim e que o próprio Hill havia vencido com duas voltas de vantagem para o segundo colocado.

A contratação do atual campeão foi mais uma jogada de marketing para atrair as atenções (e patrocínios) que o número 1 estampado na carenagem traz do que exatamente um planejamento para crescimento da equipe. O carro era bem fraquinho e os motores Yamaha nunca disseram o que tinham vindo fazer na Fórmula 1. Logo na estreia, no Albert Park, Hill penou para conseguir classificação para o grid. Seu companheiro, o pay-per-drive Pedro Paulo Diniz, ficou fora da zona dos 107% e só pôde largar depois de um pedido de clemência à direção de prova.

Porém, contra todos os prognósticos, durante a temporada a Arrows evoluiu bastante. Principalmente em circuitos mais travados, nos quais a potência de motor não era determinante para um bom resultado. De repente, em Hungaroring, 11ª etapa do campeonato, Hill obteve uma impressionante terceira posição no grid.

Na corrida, o desempenho do então campeão mundial foi ainda mais incrível. Na largada, ultrapassou a Williams de Jacques Villeneuve e pulou para segundo. Acompanhou a Ferrari do líder Michael Schumacher por cerca de dez voltas, até ultrapassá-la no final da reta. Ninguém acreditava, mas havia uma Arrows na liderança!

Mas não duraria muito tempo, pois Heinz-Harald Frentzen veio escalando o pelotão com sua Williams até ultrapassar Hill, tornando-se o novo líder. Porém, seu carro quebrou quatro voltas depois, devolvendo a ponta para a zebra em azul e branco. E Hill seguiu dominando a prova, para absoluta surpresa de todos que acompanhavam. Não só manteve a ponta como foi abrindo de maneira espetacular. A poucas voltas do fim, tinha mais de 40 segundos de vantagem para Jacques Villeneuve. A vitória era certa, bastava aguardar a bandeira quadriculada.

Só esqueceram de avisar o sistema hidráulico da Arrows, que entrou em colapso e não permitiu mais que o inglês acelerasse seu carro de forma correta. A duas voltas do fim, começou a virar parciais muito lentas e Villeneuve começou a descontar a diferença. A aproximação foi inevitável até que, na metade da última volta, o canadense ultrapassou Damon Hill. Apesar da manobra espetacular, com o piloto da Williams lembrando seu pai ao atirar seu carro na grama para consumar a ultrapassagem, pouca gente ficou feliz. A vitória, merecida, deveria ter sido de Hill e da Arrows. Mas eles tiveram que se contentar com um segundo lugar.

Foi o último pódio da Arrows, que dali para frente entrou em crise até fechar as portas melancolicamente, em 2002. Hill, porém, mudou-se para a Jordan e teve a honra de dar ao time irlandês sua primeira vitória na Fórmula 1 no ano seguinte, na Bélgica. Por sinal, as belas temporadas do inglês com carros inferiores, depois de quatro anos de Williams, serviram para não deixar dúvidas quanto ao seu talento. Hill aposentou-se em 1999 deixando uma imagem bem mais positiva do que a que tinha em 1996, quando foi campeão. Ironias da vida.

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Capelli no Jornal Destak

Para minha grata surpresa, recebi ontem do Jonas Farias a notícia de que o Blog do Capelli (ou Mondo Capelli, para os íntimos) foi recomendado pelo Jornal Destak. Pelo que pude conferir, a recomendação saiu nas edições de ontem do jornal no Rio de Janeiro e em São Paulo.

Com isso, só posso concluir uma coisa: jornalistas e leitores estão ficando todos loucos.

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Coluna de hoje – Perdendo o fôlego (e a cabeça)

A temporada de 2012 começa perigosa para a Red Bull. Bicampeã de pilotos e construtores, dominante na Fórmula 1 dos últimos anos, a equipe austríaca não parece ter o mesmo fôlego de antes. Olhando para a classificação do campeonato, os 42 pontos marcados não chegam a ser ruins, nem é pior do que o início de temporada de 2010, quando o time fez apenas 18 pontos em duas corridas e mesmo assim terminou o ano campeão. Porém, diferentemente daquela temporada, este ano a equipe não consegue andar na frente. Se há duas temporadas os rubrotaurinos dominavam, mas tinham problemas de resistência, hoje a situação é um pouco mais difícil. Resolver os problemas de um carro rápido que quebra é bem mais fácil que fazer um carro mais lento andar.

A edição da semana passada da revista inglesa ‘Autosport’ faz uma reveladora avaliação de performance dos carros de 2012. Comparando os melhores tempos de cada carro durante o GP da Austrália com os obtidos no ano passado, conclui-se que a Red Bull está cerca de 1,2% mais lenta. Já a McLaren está 0,7% mais rápida (para efeito de curiosidade, a Ferrari perdeu 1,5% e quem mais evoluiu foi a Williams, com 1,5% de melhora). Este cenário matemático demonstra bem a realidade: os carros de Adrian Newey já não são mais os melhores do grid. São rápidos, mas não dominam mais. Os resultados também falam por si.

Para se ter uma ideia, a Red Bull só liderou uma volta das 114 da temporada até aqui, num gap entre pit-stops no GP da Austrália. Ano passado, tinha liderado 109 das mesmas 114, e em 2010, 58 de 107. No grid, não conseguiu nenhuma primeira fila. Nos últimos dois anos, a Red Bull só tinha deixado de estar presente na primeira fila de uma corrida em uma ocasião: no GP da Itália de 2010. Em todas as demais 37 provas lá estava um touro vermelho, senão na pole, na segunda posição. Em 2012, no entanto, não conseguiu posição melhor do que o quarto lugar em duas provas.

Sebastian Vettel obteve um belo segundo lugar no GP da Austrália, mas esteve bem distante do pódio na Malásia. Bateu com Karthikeyan e teve um pneu furado, é verdade, mas não chegaria entre os três primeiros da mesma forma, pois era apenas um discreto quarto colocado até o acidente. Mark Webber, que chegou em quarto e repetiu a posição da Austrália, não deu trabalho para ninguém na corrida. Um touro manso.

Não é o fim do mundo, pois o carro parece próximo da McLaren. Não é uma desgraça como o F2012 da Ferrari, pode vencer com alguma regularidade, mas sem nenhuma facilidade. É preciso quebrar a barreira da vitória, mas como a Red Bull não está mais acostumada a ficar longe da ponta, um começo de campeonato ruim assim abala a confiança do time. A reação extremada de Vettel ao final da corrida, chamando injustamente Karthikeyan de idiota, escancara este cenário. Sempre equilibrado e de boa paz, o bicampeão revelou seu lado irritadiço e intempestuoso. Não é assim que conseguirá uma reação rápida. Ainda que tenha os talentos de Newey nas pranchetas e de Vettel ao volante, talvez seja preciso mais calma do que tomar um energético para voltar a vencer.

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Mimimi – parte 2

O leitor Gustavo enviou nos comentários do post anterior o link para um vídeo muito interessante. É a sequência pós-corrida da BBC, na qual Jake Humphrey e David Coulthard analisam o acidente entre Sebastian Vettel e Narain Kathikeyan, mostrando imagens da câmera onboard do alemão e contendo ainda entrevistas com os dois pilotos. Você pode vê-lo aqui.

Dela, pode-se depreender algumas coisas:

1) Mudei de opinião com relação à atribuição de culpa. Se antes achava que Vettel tinha errado, vendo a câmera onboard, me parece que não houve culpa de ninguém. O alemão faz um traçado correto, mas Karthikeyan sai da pista para dar passagem a Hamilton, pega sujeira e fica com o carro instável. Nisso, escorrega na zebra e volta para o traçado, tocando o pneu traseiro esquerdo da Red Bull.

2) As declarações de Vettel foram muito duras. Ele não insinua que Narain é um idiota, ele afirma: “Nas estradas existem idiotas e aqui parece que também temos um”. É muito forte, uma reação desproporcional ao ocorrido.

3) Karthikeyan esbanja humildade, chegando até a assumir responsabilidade pelo acidente. David Coulthard o interrompe e afirma: “Francamente, não acho que você tenha feito nada de errado. Foi uma daquelas coisas que acontecem em corrida quando as condições são difíceis”.

4) Posto tudo isso, fica claro para mim que Vettel está mesmo sentindo a pressão de não conseguir andar na frente. É um grande piloto, tem tudo para dar a volta por cima, mas está abalado psicologicamente. Este rompante de destempero, bem diferente de sua personalidade habitual, demonstra isso. A fraqueza da Red Bull afetou o Tiãozinho.

5) Quem dera no Brasil tivéssemos uma cobertura pós-corrida assim…

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Mimimi

Sebastian Vettel ficou doido da vida com Narain Karthikeyan após o toque no GP da Malásia. O bicampeão mundial teve um pneu furado e perdeu o quarto lugar, terminando a prova em 11º, fora da zona de pontos. Em entrevista, o alemão esculachou o colega, insinuando que “é um idiota”.

Porém, analisando a manobra, não vejo nada de errado na postura do retardatário indiano. Vettel tomou a curva pelo lado de dentro, fez a ultrapassagem e voltou para o traçado cedo demais, passando com seu pneu traseiro sob a asa dianteira da HRT. Dá para ver o lance aqui. Ele queria que Narain colocasse a HRT no bolso para ele ultrapassar?

O choro de Vettel é puro mimimi. O que é interessante, serve para analisar como alguém que se acostumou a ganhar tudo se comporta em momentos de dificuldade. Por enquanto, mal. Muito mal.

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Começou morno

Desde os tempos de Mario Andretti, Al Unser Jr, Emerson Fittipaldi, Nigel Mansell & cia que a Indy não me cativa. Comecei a acompanhar a categoria em 1988, a vi com regularidade até meados de 1995, depois o interesse foi diminuindo. Sei que houve bons campeonatos depois disso, mas por algum motivo os carrinhos do lado de cá do Atlântico não conseguem prender minha atenção. A cisão Cart x IRL enfraqueceu demais ambas as categorias, que viraram um arremedo de campeonato no começo dos anos 2000.

Sei que a situação vem melhorando e achei que, com os novos e belos carros e com uma cobertura mais intensa da televisão com a chegada de Rubens Barrichello, meu interesse fosse ficar renovado. Comecei a assistir o GP de São Petersburgo bem empolgado, mas não durou muito não. Em algumas voltas a Indy passou a ser, para mim, a mesma de sempre.

Tudo bem, é fato que a Indy melhorou bastante. Mas a corrida numa pista chata e ondulada, quase sem ultrapassagens e com alguns erros de organização que dão um ar quase amador à categoria me fazem desconfiar dela. Essa coisa de bandeiras amarelas longas quando qualquer carro para na pista para que um guincho possa rebocá-lo até os boxes é terrível. Pode ser bom para inserir breaks comerciais, mas é chato pra caramba. Quebra o ritmo, bagunça estratégias, transforma tudo em loteria. Além do mais, é dar muita chance aos pilotos. Morreu o carro? Então que fique pelo caminho. Absurdo, também, permitir que Katherine Legge entrasse na contramão do pit lane, para que não tivesse que dar uma volta inteira atrás do guincho. Gente, contramão nos boxes é muita várzea! Nisso, a categoria perde pontos.

Porém, ela também ganha pontos quando Helio Castroneves conquista uma vitória como a de hoje. Depois do fim da loteria de bandeiras amarelas e pit stops, viu-se na terceira posição e ultrapassou Scott Dixon e JR Hildebrand para assumir a ponta. O final foi bacana, mas a temperatura média da corrida não passou do morno. Com a água que a Indy ferve, não dá nem para fazer chimarrão.

Morna também foi a estreia de Rubens Barrichello. Por mais experiente que seja, é um estreante na categoria, sua equipe é média e isso deve ser levado em consideração. Porém, o 17º lugar foi um tanto abaixo do esperado. Ernesto Viso, um de seus companheiros, foi oitavo. Tony Kanaan era virtualmente o líder entre pit stops quando teve um problema de bateria que o forçou a abandonar. Dos três pilotos da KV, Barrichello foi o mais discreto.

A própria transmissão da TV Bandeirantes deixou clara uma certa decepção. No começo, só se via e só se falava em Rubens Barrichello. Com foco sobre ele durante o hino e preparação para a largada e cortes na transmissão oficial para inserção de câmeras exclusivas para mostrar seu desempenho na pista nas primeiras voltas, ainda que andando 13º lugar, parecia ser um dos protagonistas da corrida. Até que, com cerca de um terço de prova, a produção percebeu que daquele mato não sairia mais coelho e desviou os olhares. Era apenas citado, não havia mais análise detalhada sobre ele, nem mais imagens exclusivas. Foi perceptível: a Bandeirantes esperava mais dele.

Aliás, destaque positivo para a transmissão da Band hoje. Apesar de um primeiro corte absurdo para break comercial (entrou uma vinheta de entrada de transmissão de futebol, dando a impressão de que a Indy havia terminado), manteve a corrida no ar até a última volta, respeitando o telespectador. Outra demonstração de respeito foi a escala de Téo José para a narração, precisa e sem afetações, como deve ser.

Fiquei um pouco decepcionado com a Indy, mas é apenas a primeira de 16 corridas. Há todo um campeonato pela frente e, em pistas que permitam mais ultrapassagens, poderemos ter belos espetáculos. Vale a pena acompanhar.

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Motivos para comemorar

Se algum brasileiro sai da Malásia com motivos para comemorar, é Bruno Senna. Enquanto Felipe Massa se debatia em dificuldades, Bruno fez uma corridaça, a melhor de sua carreira. Marcou pontos e ainda superou seu companheiro Pastor Maldonado. Ganhou moral.

Bruno errou no começo quando escorregou na chuva da primeira volta, bateu na traseira de seu companheiro de equipe e perdeu o bico. Caiu para último, teve que fazer um pit stop a mais, mas ali começou uma belíssima corrida de recuperação. Depois da interrupção e da entrada do Safety Car, com as diferenças anuladas, conseguiu tirar proveito do belo carro que fez a Williams para 2012. Brigou, ultrapassou, foi ganhando posições escalando o pelotão até terminar a corrida na sexta posição, sua melhor classificação até hoje. Foi o único com quatro paradas de box a chegar na zona de pontuação. Não fosse o acidente da largada, poderia ter brigado até pelo quarto lugar.

Os oito pontos marcados superam os cinco conquistados pela equipe em toda a temporada de 2011 e dão um bom alento ao time depois do acidente de Maldonado na Austrália. Ficou claro que a Williams vai brigar mesmo entre os dez primeiros durante o campeonato e que o desempenho no Albert Park não foi exceção. O venezuelano também teria marcado pontos, já que era décimo quando seu motor estourou a poucas voltas do fim.

Se o torcedor brasileiro quer motivos para se orgulhar nesta temporada, que centre suas atenções em Bruno Senna. O carro é competitivo e boas surpresas devem vir por aí.

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Não dá mais

Felipe Massa sempre recebeu da Ferrari um tratamento mais do que justo. A equipe confiou em seu potencial desde jovem, o apoiou nas categorias de base, na F1 deu a ele uma grande oportunidade ao lado de Michael Schumacher, e ele respondeu. Permaneceu na equipe com Kimi Raikkonen, brigou pelo título em duas temporadas, chegou muito perto na segunda, tornou-se um piloto de ponta, vencedor.

Em 2009, com um carro ruim, fazia uma temporada adequada ao nível do carro, até que sofreu aquele grave acidente em Hungaroring. Recuperou-se, a equipe continuou apostando nele, voltou a competir. Porém, nunca mais foi o mesmo. Não me arrisco a afirmar que foi por causa do acidente, do lado de fora é muito temerário afirmar isso. Prefiro ficar com a hipótese de que Felipe sentiu a pressão de ter a seu lado um piloto fora-de-série como Fernando Alonso.

Schumacher também é outro gênio, mas em 2006 estava no fim de seu contrato com a Ferrari. Como dizia-se na época, Schumacher era o presente, Felipe era o futuro. Com a chegada de Alonso no time, este futuro virou um presente amargo. E claramente ameaçado depois do fatídico “Fernando is faster than you” na Alemanha em 2010. Ali, precisamente, começou a espiral de declínio do piloto brasileiro.

Dali para frente Massa só fez dois pódios, todos em 2010, nunca mais andou na frente como um dia foi capaz. O carro da Ferrari também nunca mais foi bom como em outros anos, mas comparando seu desempenho com Alonso, a diferença é grande. O espanhol dá um jeito de estar sempre na frente e ganha uma coisa aqui e outra ali, enquanto Felipe luta para pontuar. E em 2012, de grande a diferença tornou-se gritante.

Fossem os maus resultados de Austrália e Malásia exceções, seria algo a relevar. O problema é que a Ferrari vem relevando performances ruins há muito tempo. E em crises assim, a situação acaba chegando em um ponto insustentável. No meu entender, este ponto chegou hoje em Sepang.

A equipe emitiu um recado claro quando deu a Felipe um chassi novo para competir na Malásia. O desempenho na Austrália foi ridículo, ele reclamou, a equipe entendeu que o carro era problemático e deu a ele um novinho em folha. Ele disse que o carro era melhor nos treinos, se classificou um pouco melhor, mas fez uma corrida patética, desastrosa, risível.

Alonso venceu com o mesmo carro, coisa de piloto de outro planeta. Mas Felipe tinha obrigação ser, pelo menos, sexto colocado. Foi 15º, o último da corrida, já que os carros de Caterham, Marussia e HRT não contam. Foi tão ruim ou pior que na Austrália. Se o problema não é o chassi, qual o problema então?

Não sei, mas é fato que Felipe já não tem mais espaço na Ferrari. E, enquanto ele luta contra problemas muito provavelmente psicológicos, Sergio Perez, um jovem apoiado pela Ferrari como Felipe já foi no passado, chega em segundo e quase ganha com uma Sauber.

Não será injustiça alguma se a Ferrari romper o contrato com Felipe e substituí-lo por Perez já na próxima corrida. Não há mais ambiente, as críticas na Itália são ferozes e, dessa vez, cobertas de razão. Felipe está destruído moralmente, é um rascunho do excelente piloto que um dia foi. Talvez, em outro ambiente, possa recuperar a confiança. Na Ferrari, com Alonso, isso será impossível.

Agora a saída é só questão de tempo.

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Prateadas pipocando

Curioso demais o início de campeonato de McLaren e Mercedes, que na pré-temporada insinuaram que poderiam dominar o campeonato. Na Malásia, o que se viu foi a segunda pipocada de ambas em duas corridas.

O caso mais grave é o da Mercedes, que tem um carro rápido em classificação, mas desastroso em ritmo de corrida. Até começa bem, mas os pneus se desgastam rapidamente e depois disso é ladeira abaixo. Michael Schumacher foi prejudicado por um incidente com Romain Grosjean na primeira volta, mas ainda assim, não faria muito melhor do que o décimo lugar conquistado. Isso ficou claro pelo ritmo ridículo de Nico Rosberg, que durante boa parte da prova fazia tempos de volta similares aos dos pilotos da Marussia. Ter marcado um ponto foi até pouco merecido para o time. E não teria acontecido, não tivesse o motor Renault da Williams de Maldonado aberto o bico no finalzinho.

O que acontece com a McLaren é menos preocupante, mas ainda assim, é sério. Pelo domínio que demonstrou nos treinos e classificações de Austrália e Malásia, a equipe deveria ter saído desta primeira rodada dupla com duas dobradinhas e com domínio total na classificação. Não foi bem assim. Se Button foi genial e venceu na Austrália, Hamilton foi claudicante e terminou apenas em terceiro. Hoje, em Sepang, Button fez uma besteira monumental quando tentava ultrapassar a HRT de Narain Karthikeyan e perdeu o bico do carro. Culpa do incidente 100% atribuível (existe essa palavra?) ao inglês, que tentou atropelar o indiano, num erro raro em sua carreira. Teria feito um pódio certo, quiçá uma vitória, mas acabou fora da zona de pontos, em 14º.

Já Lewis Hamilton foi burocrático. Largou bem, mantinha a liderança com certa cautela sob chuva, até que foi vítima de erros de sua equipe em dois pit stops. Quando a pista secou, imaginava-se que conseguiria um ritmo suficiente para chegar na briga de Alonso e Perez, mas ficou acompanhando à distância. Um ritmo de prova estranho para quem tem o melhor carro deste início de campeonato. Fez outro pódio em terceiro, novamente com cara de nádegas durante a premiação.

A McLaren tem tudo para se recuperar, já deu mostras de que o carro é competitivo, mas perdeu uma grande oportunidade de disparar na frente. Na temporada europeia a Red Bull deve estar mais à frente e a briga tende a ser mais acirrada. No fim do ano, a equipe pode lamentar muito este início errante de campeonato. Já a Mercedes deve estar coçando a cabeça. O carro não aguenta 10 voltas com o mesmo pneu e isso é muito grave.

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El fodón

Flavio Gomes costuma chamar Fernando Alonso de “El Fodón de las Asturias”, e não vejo apelido mais adequado. O que fez o espanhol hoje com o limitadíssimo carro da Ferrari foi um daqueles momentos raros na história da Fórmula 1. Tudo bem que a chuva tende a embaralhar um pouco as coisas, mas o bicampeão mundial foi absolutamente perfeito em todas as condições. Fosse na chuva, na pista úmida ou na pista seca, Alonso fez com que a Ferrari parecesse um bom carro. Não é.

Na coletiva, foi absolutamente honesto: “Essa vitória não muda nada. Continuamos atrás e termos que lutar muito para irmos para o Q3 nas classificações”, observou. E durante a corrida isso ficou muito claro. Alonso conquistou a vitória durante o período em que a pista esteve de molhada para úmida, utilizando pneus intermediários. Aproveitou-se do acidente de Button com Karthikeyan, do erro da McLaren no pit stop de Hamilton, assumiu a ponta e conseguiu abrir ali uma sólida vantagem. Conforme a pista foi secando, perdeu terreno para Sauber e McLaren, mas a diferença já era boa o suficiente para tentar uma vitória.

A Sauber de Perez, no entanto, tinha mais ação e fatalmente venceria a prova, não fosse sua escapada. Alonso teve sorte, mas é a típica sorte dos vencedores. É preciso se colocar em posição favorável para colher bons frutos quando a sorte aparece. E foi exatamente o que Alonso fez. Não entrou em desespero com a pressão de Perez, manteve um ritmo de corrida consistente – ainda que mais lento – e assim estava em uma situação sólida para vencer. É assim que se faz.

Fernando Alonso é um ponto fora da curva e o que se viu hoje em Sepang foi a essência de um gênio das pistas. O carro pode ser uma porcaria, mas se o piloto é bom, coisas incríveis acontecem. E hoje aconteceu. Líder do campeonato com um carro que mal consegue se classificar entre os primeiros. Supera o início de campeonato de Ayrton Senna em 1993, em situação parecida. Lembrando que aquela McLaren do brasileiro era um belíssimo carro, tinha apenas era um motor muito fraco.

Alonso é piloto suficiente para superar as deficiências do carro. Não vai brigar pelo título, mas vai fazer o que se espera de alguém que recebe um grande salário: ser superior em qualquer circunstância. Tivesse a Ferrari dois Felipes Massa em seus cockpits, estaria zerada no campeonato. Alonso vale cada centavo investido nele. É o fodão.

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Nasce um gênio

No dia em que os gênios fizeram bobagem, um novo gênio aparece. No GP da Malásia, Jenson Button e Sebastian Vettel fizeram bobagens com a HRT de Narain Karthikeyan (que não teve culpa de nada, diga-se), enquanto que o mexicano Sergio Perez foi absolutamente fenomennal. A vitória foi de Fernando Alonso, mas o grande nome da prova foi Perez. Segundo colocado e quase vencedor, pois o piloto da Sauber foi o mais rápido da pista durante boa parte da corrida. Quando se preparava para ultrapassar Alonso e assumir a ponta a poucas voltas do fim, escapou da pista, mas conseguiu voltar para subir ao pódio.

A grande corrida de Perez em muito se deveu à estratégia. Enquanto a corrida começava com chuva e praticamente todos largavam com pneus intermediários (só a HRT arriscou chuva forte), a equipe chamou o mexicano para os boxes logo na primeira volta. Colocou pneus de chuva e foi escalando o pelotão. Quando todos pararam nos boxes, surgiu já em terceiro, ganhando seis posições com relação ao seu posto de largada. Valeu a pena. E era apenas o começo.

O GP foi interrompido pela chuva forte e foram necessários 50 minutos de espera para que fosse reiniciado. Com a pista secando, esperava-se que a vantagem da Sauber acabaria. Qual nada. Perez ainda ganhou uma posição quando a McLaren errou no pit stop de Lewis Hamilton, que caiu para terceiro ao voltar para pneus intermediários. Alonso virou líder e passou a ser perseguido pelo mexicano da Sauber, que foi encostando até que a Ferrari chamasse o líder da corrida para colocar pneus secos. Perez ficou uma volta a mais na pista e perdeu mais de seis segundos nesse momento, mas voltou a perseguir Alonso, chegando muito perto da ultrapassagem no finalzinho da corrida. Até que errou.

Pouco antes do incidente, Perez recebeu uma mensagem de seu engenheiro dizendo para ter cuidado, já que a equipe precisava daquela posição. Isso deu margem a teorias instantâneas de conspiração no Twitter, mas que me parecem um tanto infundadas. A Sauber é cliente de motores da Ferrari e muitos entendem que foi uma mensagem cifrada para ceder a posição. Uma bobagem. A Sauber queria, apenas, que o mexicano não corresse riscos desnecessários e não terminasse como Maldonado na Austrália semana passada. Simples assim. “Ultrapasse, mas tenha cautela”, era o recado. Menos, gente. Bem menos.

Mas, como bem mencionou o piloto João Paulo de Oliveira no Twitter, nunca se deve desconcentrar um piloto num momento como aquele. A mensagem de box pode, sim, ter afetado o desempenho do piloto, que errou. Mas daí a acreditar que tudo foi uma imensa farsa vai um oceano de distância.

A alegria genuína de Perez com o segundo lugar era a resposta a tudo isso. Um piloto jamais estaria assim tão feliz se tivesse sido “proibido” de vencer. No Twitter, dedicou o pódio a Frida, sua cachorrinha Sharpei que faleceu há poucos dias. Peter Sauber, no pit lane, estava em lágrimas. Um momento histórico para a Fórmula 1.

O mexicano foi o nome do dia, uma pena a vitória ter batido na trave, mas faz parte do processo de maturação de um grande piloto. Perez ainda vai longe na Fórmula 1 e, como brinquei no Twitter lembrando o jogo Super Monaco GP, quando parar nos boxes, vai receber a mensagem: “Firenze team wants you”. Depois do que fez hoje, Perez já tem vaga cativa na Ferrari. Só resta saber quando.

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Rapidinhas da classificação – Malásia

- Lewis Hamilton na pole, em mais um dia de domínio da McLaren. Jenson Button em segundo repete a dobradinha do grid da Austrália e faz acreditar que os carros prata não têm adversários para a corrida desta madrugada.

- No entanto, vai ser uma briga interna divertida de assistir. Pressionado, Hamilton precisa devolver o capote que levou na prova de abertura da temporada. Porém, a pista abrasiva de Sepang castiga os pneus e é preciso uma condução suave para que o carro possa desempenhar bem durante toda a corrida, que é longa e sob forte calor. Nessa, Button leva vantagem. Com os dois pilotos liberados para brigarem entre si à vontade, o GP da Malásia tem tudo para ser divertido.

- Michael Schumacher foi bem em todas as fases do treino e conseguiu colocar sua Mercedes entre as duas McLaren e Red Bull. Mérito para o alemão, mas não creio que poderá fazer grande coisa na corrida. Pelo que se viu semana passada, o W03 não é nada gentil com os pneus, que se degradam rapidamente. Um pódio seria uma vitória, uma situação altamente improvável.

- Atrás de Schumacher, largam Mark Webber e Sebastian Vettel. O bicampeão fez apenas o sexto tempo, mas larga em quinto graças à punição aplicada a Kimi Raikkonen por trocar o câmbio. O finlandês da Lotus seria o quinto, mas perdeu cinco posições e vai sair da décima posição.

- Porém, é bom prestar atenção na estratégia de Vettel. Ele é o único piloto dos que foram para o Q3 a fazer suas voltas com pneus duros. Abdicou de uma posição melhor no grid pensando na corrida. Se tudo der certo, deve fazer o último stint com pneus médios, quando todos os outros poderão estar utilizando compostos duros. Pode ser o pulo do gato.

- A Lotus é outra equipe que vem redondinha para esta corrida. Kimi sai em décimo (mas seria quinto) e Grosjean fecha a terceira fila do grid, ao lado de Vettel. É forte candidata a superar a Mercedes na corrida e pinta como terceira força do campeonato neste começo de temporada.

- A Ferrari foi aquilo que a gente já conhece: uma draga. Tirando leite de pedra, Fernando Alonso avançou ao Q3 e conseguiu o oitavo lugar no grid. E Felipe Massa já não foi tão mal quanto na Austrália. Caiu no Q2, larga em 12º, mas fez um tempo apenas três décimos mais lento do que seu companheiro de equipe. Pode não ser um bom resultado, mas não é nenhuma tragédia. Nada suficiente para que uma horda de tifosi furiosos invada Maranello empunhando tochas.

- Uma certa decepção, pelo menos de minha parte, com a Williams. Pastor Maldonado forçou, escapou da pista e não conseguiu avançar ao Q3, largando na 11ª posição. Bruno Senna foi dois décimos mais lento e sai em 13º. Porém, a Williams promete um ritmo de corrida melhor do que na classificação. Tem tudo para marcar pontos, é só ninguém bater na última volta.

- Um time que ainda não se achou na temporada é a Force India. Ficou pelo caminho no Q2, sem nenhum lampejo de brilhantismo como no ano passado, e vai ter Paul di Resta em 14º e Nico Hulkenberg em 16º. Bem diferente do ano passado, quando era figurinha fácil entre os dez primeiros. Perdeu o posto para a Williams.

- Medalhinha para Sérgio Perez, que colocou a Sauber no top 10 e vai largar em nono. Kobayashi, o mito, não foi nada brilhante e parte apenas do 17º lugar. Pelo menos é diversão garantida na corrida, saindo de trás para ultrapassar todo mundo.

- De resto, nota de dignidade para a HRT, que conseguiu ficar dentro da margem de 107% e vai conseguir estrear na temporada. Karthikeyan passou raspando, mas conseguiu entrar no grid por três décimos de segundo.

- Mesmo com a McLaren melhor, a corrida deve ser empolgante pela pequena diferença entre os carros. Na classificação isso ficou claro: do primeiro ao oitavo tempos (considerando o punido Kimi), menos de meio segundo de diferença. A F1 tá embolada e isso é uma excelente notícia.

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