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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da categoria: Reportagens
Acabou
O caso da entrevista está encerrado. Cesare Maria Manucci, repórter da Autosprint, confirmou ao blogueiro Charles Bronson, em e-mail autêntico enviado a este escriba, que tal entrevista nunca existiu. A Autosprint também nunca teve um repórter chamado Massimo Casiraghi.
Acuado, o autor da farsa finalmente a reconheceu, alegando um trote de primeiro de abril. O curioso é que a primeira versão da entrevista foi divulgada no começo de janeiro. Isso é o que eu chamo de planejamento a longo prazo.
Felizmente, tudo acabou no dia mais apropriado.
Balanço: a anatomia de uma farsa
Este é o último post que faço a respeito da entrevista de Osamu Goto, apenas para servir como um ponto final no assunto. Mais comentários, apenas se fatos novos surgirem, como alguma prova incontestável da existência ou não da entrevista.
A imagem que foi divulgada trata-se obviamente de uma fraude. Ainda que não existam provas defintivas, muito pedidas por alguns (queriam o que? uma foto de alguém com o word aberto digitando o texto?), o grande volume de indícios é mais do que suficiente para caracterizar a fraude.
Agora, encerrando o assunto, um balanço minucioso dos principais aspectos que caracterizam toda a mentira. Existem ainda diversos aspectos técnicos que poderiam ser abordados, como a URL de onde o print foi alegadamente realizado, os softwares utilizados para a exibição da notícia, mas nem sequer entrarei nesta seara. Primeiro, por ser técnica demais e, em segundo, por não julgar tão importante. A própria apresentação da reportagem em si já se revela como fraude, sem haver necessidade de fazer questionamentos sobre o autor e sobre o modo como foi obtida.
1. As imagens utilizadas
A foto de Osamu Goto que ilustra a reportagem, – aliás, não é nada comum para uma revista ilustrar uma entrevista apenas com uma 3×4 produzida para divulgação – está publicada na Internet, link aqui. Ela possui, inclusive, as mesmas proporções de corte.
A imagem da Spirit, como já citado, está no site RealHondaF1. Trata-se da mesma foto publicada no site, com o seguinte agravante: ela aparece na “Autosprint” com o selo do site impresso nela. Curioso, não?
Mais curioso ainda se consultarmos na Internic e chegarmos à conclusão de que o domínio só foi criado em 2005. O próprio logo do site é inspirado no logo da equipe Honda. Logo que só foi inventado em fins de 2005. Como a Autosprint teria esta imagem em 2000? Impossível. Assim como seria impossível que eles publicassem uma foto exatamente com as dimensões de corte de uma publicada na Internet, com o selo do site. Nenhum editor permitiria isto.
Alguns leitores me informaram que o site pode existir desde 1999, já que lá existe um wallpaper do carro deste ano. Ora pelotas, é só ter um pouco de boa vontade para ver que este wallpaper foi publicado em 7 de janeiro de 2006!
2. Os erros conceituais
Jornalisticamente falando, uma entrevista jamais começa sem uma introdução. O jornalista começa falando sobre o entrevistado, explicando quem é, o que faz, o que fez. Qual o assunto da entrevista, quando e onde ela foi feita e a introdução de seus pontos mais importantes.
O print apresentado começa com o texto direto e reto, sem sequer citar apresentar na primeira pergunta o nome do entrevistado. Já começa com “AS/OG”.
Um texto assim jamais seria publicado numa revista como a Autosprint.
Também é notável a falta de aspas nos “olhos”, que é como chamamos os trechos em destaque que aparecem no meio da entrevista em fonte maior, para chamar a atenção. Nunca se coloca uma declaração nessa circunstância sem ser entre aspas, em qualquer linguagem ocidental.
3. Os erros históricos
O que diz a entrevista: Na segunda coluna, segunda resposta, Goto diz que a Spirit fez um trabalho de pré-temporada em 1983 com Emerson Fittipaldi, que deu imensas contribuições ao desenvolvimento dos motores Honda.
O que aconteceu: Emerson Fittipaldi testou mesmo um Spirit. Mas em 1984, com motor Hart. A Spirit não fez pré-temporada com a Honda no inverno europeu de 1983, sendo que nesta época o time mal existia. A Spirit só estreou na F1 no meio da temporada de 1983, no GP da Inglaterra. Como Osamu Goto poderia lembrar-se das grandes contribuições de Emerson à Honda, se o brasileiro nunca sentou num carro de F1 equipado com tais motores?
4. Os erros de idioma e ortografia
Uma das principais publicações mundiais, como a Autosprint, jamais vai às bancas com erros ortográficos. Vez e outra, até podem acontecer, mas nunca erros tão básicos e neste volume, e em apenas duas páginas.
Roseberg, Rosemberg, Rosebud? – Na terceira coluna, penúltima pergunta, o nome de Keke Rosberg aparece escrito como “Roseberg”.
Commmmmminciare – O verbo “cominciare” (começar) aparece sempre escrito como “comminciare”, com dois “emes”.
Muratore? – Na quarta coluna, última pergunta, o repórter fala que a Williams conquistou o “titolo mondiale di muratori”. “Muratore”, em italiano, significa “construtor”. Porém, na acepção de “pedreiro”, “empreiteiro”. Ninguém na Itália chama um construtor de carros de “muratore”, mas sim de “construtore”. O termo correto seria “titolo di construtori”. Este tipo de confusão normalmente ocorre quando não se conhece um idioma. Um repórter da Autosprint jamais confundiria uma equipe com uma empreiteira.
Corridore? – Durante toda a entrevista, tanto o repórter quanto Goto tratam pilotos pelo termo “corridore”. Embora não esteja propriamente errado, este termo não é utilizado. Quando se quer falar “piloto” em italiano, diz-se “pilota”. A palavra “corridore” poderia aparecer eventualmente, para evitar repetição de termos. Porém, durante todo o texto, somente ela é utilizada. É como se, numa matéria em português, um piloto fosse o tempo todo chamado de “corredor”, sem que a palavra “piloto” aparecesse. Estranho, não?
Quello anno? – Na quarta coluna, quando fala sobre o contrato de Keke Rosberg, Goto diz que o contrato do finlandês terminava “in quello anno”. Em italiano, não se costuma escrever desta forma, mas sim “quell’anno”. Um texto de revista não cometeria um erro assim.
Tradutor automático? – Na quinta coluna, terceira resposta, aparece a seguinte frase que, por sinal, começa com letra minúscula, em mais um erro de ortografia.
“abbiamo meso questo come uma condizione per dare proseguimento com il compagno do gioco/partner.”
Quem tentou traduzir para o italiano quis utilizar o passado composto. Mas o particípio do verbo “mettere” (colocar – palavra utilizada na versão em português da entrevista), é “messo”, não “meso”. O correto, então, seria “Abbiamo messo questo…” Mas o desavisado, ainda por cima, não conseguiu traduzir o termo “parceria”. E acabou deixando ali as duas opções que normalmente são dadas por tradutores automáticos: “compagno do gioco/partner”. Pior do que isso: não existe “compagno do gioco”, é um erro de gênero. O correto é “compagno di gioco”, para designar “colega, companheiro de equipe”.
Repetição de termos – O vocabulário da matéria, como um todo, é muito pobre. Termos se repetem o tempo todo, como se faltasse ao redator vocabulário para redigir. Isto seria inadmissível num jornalista. Termos, como “corridore”, são repetidos à exaustão, sem qualquer sinônimo para tornar o texto mais leve e agradável. Um texto feito por alguém que não domina a língua completamente é que normalmente apresenta tais vícios.
Dados tantos pontos questionáveis, torna-se nítida a sensação de que o print foi fraudado, alguém buscou fotos na Internet para ilustrar e pegou a entrevista “original” em português e tentou traduzir para o italiano. Pena que não foi bem sucedido na tarefa, dados os tantos e volumosos erros apontados. Poderia ter encontrado mais, fosse meu italiano mais fluente. Infelizmente ele serve apenas para ouvir e ler, mas estou estudando ainda.
Se alguém clamar para si a autoria da imagem e quiser defender todos os pontos apontados, declarando e assinando a veracidade, o canal está aberto. O problema é arranjar uma justificativa plausível para tudo.
E, fechando, deixo muito claro que a intenção aqui não é julgar nem acusar ninguém. A intenção apenas é provar que a imagem é falsa. Depois, é cada um com sua consciência.
A palavra de quem estava lá
Como forma a tentar encerrar esta polêmica toda, farei apenas mais dois posts sobre o assunto da entrevista de Osamu Goto.
O primeiro é este, um comentário feito por Luiz Alberto Pandini, jornalista do GP Total, a respeito da polêmica entrevista de Osamu Goto e do GP do Brasil de 1991. Panda estava em Interlagos naquele ano, cobrindo o GP do Brasil para o Jornal da Tarde, e emite uma opinião definitiva a respeito do assunto.
Com a palavra, el Panda!
“Capelli e demais amigos: me desculpem, mas essa “polêmica” sobre se Senna tinha ou não apenas a sexta marcha em Interlagos/91 é coisa de fã desocupado que deseja fazer onda com café requentado.
Cobri aquele GP para o Jornal da Tarde (minha primeira cobertura de F1) e afirmo categoricamente: na época, não houve NENHUMA dúvida de que Senna realmente fez as últimas voltas somente com a sexta. As imagens on-board foram ao ar ao vivo. Comentaristas como Edgard Mello Filho, no Brasil, e Patrick Tambay, na França, imediatamente perceberam que Senna não trocava de marcha e chamaram a atenção dos ouvintes/telespectadores para o fato de o brasileiro ter problemas no câmbio.
Apenas para registro, um fato ocorrido no dia seguinte ao GP. Debochado, Nelson Piquet deu a seguinte declaração ao jornalista Castilho de Andrade durante a inauguração da fábrica da Benetton em Curitiba: “Essa história é cascata. Ele ‘apagou’ fisicamente”.
A frase foi manchete do Jornal da Tarde da terça-feira seguinte ao GP. Quem conhece Piquet sabe que ele soltou aquilo de maneira inconseqüente, como fazia com a “rádio box”. Não era nem podia ser tomado como análise séria. O JT vendeu horrores naquele dia, mas não havia qualquer dado que sustentasse a “teoria” de Piquet.
O assunto acabou: durante mais de dez anos, foi ponto pacífico que Senna ganhou o GP do Brasil de 1991 com o câmbio em sexta nas últimas voltas. É por isso que fico pasmo quando alguém, ou muito desinformado ou ansioso para fazer o ídolo morto voltar a ser assunto, resolve criar uma FALSA polêmica sobre esse assunto.
Quanto ao link postado pelo Capelli, ele realmente leva a algo que não tem nada a ver com a Auto Sprint de qualquer tempo. Aquilo é primário. Tenho quase certeza de que, quando Capelli receber a revista, não vai encontrar entrevista alguma.
Aos que não me conhecem: sempre assumi no GPtotal que prefiro Piquet a Senna. Algumas pessoas me odeiam por causa disso. Mas a veracidade dos fatos está acima das preferências pessoais. Abraços. (LAP)”
Até onde vai a estupidez humana
Lembram daquele post sobre o feito de Senna em Interlagos em 1991? Lembram que sugeri que uma tal entrevista com Osamu Goto para a Autosprint em 2000, que detratava Senna e exaltava Piquet, se tratava de uma farsa?
Pois bem. Alguém resolveu fazer a entrevista “aparecer”. Vejam aqui. Mas notem como existem pontos muito estranhos a serem observados.
1) A diagramação da Autosprint nunca foi assim. Quem montou isso, nitidamente, não tem noções de diagramação profissional.
2) As fontes são todas de web: texto em Trebuchet MS, legendas das imagens em Times New Roman.
3) O texto justificado está cheio de “caminhos de rato”, o que jamais seria admitido numa revista.
4) O italiano é ruim. Quem fala italiano nota na hora que houve uma tradução mal-feita com origem no português, com expressões que não fariam sentido se tivessem sido escritas por um italiano para italianos lerem. O termo “piloto” é escrito como “corridore”, enquanto que a palavra mais utilizada na terra da bota é “pilota”.
5) A foto da Williams de Piquet é um scan que circula na Internet desde os anos 90 e está no Forix.
6) E a maior de todas as evidências de fraude. A foto da Spirit Honda possui o selo do site RealHondaF1. Como a Autosprint teria este selo em 2000? O site nem existia e este logo é claramente inspirado no da Honda Racing F1, que só foi inventado em fins de 2005, quando a Honda assumiu a BAR. Mais: a foto em questão está aqui, com selo e tudo.
Há quem diga que não é um scan, mas sim um print da edição eletrônica da revista. Mas o site da Autosprint não possui versão eletrônica das edições de 2000. E, ainda que possuísse, todas elas seguem exatamente o padrão visual da revista impressa. Quem tem acesso, sabe. E jamais teriam imagens extraídas de sites não oficiais de admiradores da Honda.
Enfim… repito o que disse anteriormente. Me impressiona que pessoas gastem seu tempo de vida inventando coisas para prejudicar a imagem de outras. Isso só se traduz em uma palavra, na minha concepção: estupidez.
Continuo com minha opinião de que esta entrevista não existe, este falso scan só a reforça. E estou muito perto de obter a Autosprint nº 37 de 2000 para esclarecer de vez esta situação.
Aguardemmmmm…
Como a foto da Honda vazou
Fechei agora a investigação a respeito de como a foto da nova Honda vazou pela Internet.
Hoje pela manhã, horário do Brasil, um usuário do fórum F1 Technical acessou o site da Honda. Lá, ele viu que a última imagem exibida na galeria era a do endereço http://www.hondaracingf1.com/images/gallery/4703_1280.jpg.
Utilizando uma técnica comum em Internet, de procurar arquivos escondidos em sites “chutando” na URL, ele alterou o nome da imagem no browser. Pediu ao servidor, em vez da imagem 4703_1280.jpg, o arquivo 4704_1280.jpg. Apenas acrescentou um algarismo ao nome do arquivo, visto que o “1280″ refere-se à resolução da imagem (1280 pixels de largura).
Bingo! Naquele momento, no endereço http://www.hondaracingf1.com/images/gallery/4704_1280.jpg, constava a ilustração da nova pintura.
Horas depois dele ter publicado seu achado no fórum, a Honda eliminou o arquivo do servidor.
O fato é: a imagem é verdadeira. Estava no site da Honda, não é nenhum fake. Porém, não há provas de que seja a pintura que será lançada na segunda-feira. Pode ser apenas um esboço, uma idéia. Mas ela vazou a partir da própria Honda e fez parte do projeto de concepção do novo visual.
Tags: Honda
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Quem é clone de quem?
A principal polêmica da Fórmula 1 atual diz respeito ao uso de carros construídos pelas equipes-mãe por parte das equipes-satélite. A Toro Rosso apresentou esta semana o STR2, clone do RB3 da Red Bull. A Super Aguri, ao que tudo indica, vai andar também com uma cópia do carro da Honda.
A Williams, que se nega a assumir ser equipe B da Toyota, é quem mais chia com relação a isso. Descumprimento do regulamento técnico, que obriga os times a construírem seus próprios carros, é a justa alegação do velho Frank. Mas como praticamente tudo na Fórmula 1, essa polêmica de nova não tem nada. E provavelmente não vai resultar em nada também.
Na história recente da categoria, houve particularmente dois casos de projetos idênticos entre equipes que causaram protestos. Mas que, no final das contas, acabaram em pizza.
1995 – Benetton B195 e Ligier JS41

Os modelos não são nem um pouco parecidos, não? As duas equipes correram com carros praticamente iguais durante o campeonato. Por que? Porque Flavio Briatore, então diretor esportivo da Benetton, havia comprado a Ligier em meados de 1994. A negociação foi: os franceses cedem o motor Renault para a Benetton e os italianos, em troca, cedem um projeto de carro aspirante ao título mundial. Obviamente, o segundo ponto do trato nunca foi assumido em público. Tempos depois, com o que queria já em mãos (o motor Renault), Briatore repassou a Ligier adiante. Os adversários protestaram, mas a FIA fez vista grossa.
2004 – Sauber C23 e Ferrari F2004

Os modelos não chegam a ser cópias fiéis, como eram Ligier e Benetton, mas que são muito parecidos, isso são. A Sauber, à época, era a equipe satélite da Ferrari. Os motores eram italianos e um dos pilotos era Felipe Massa, funcionário com carteira assinada da fábrica de Maranello. Informações entre ambas as equipes eram trocadas, mas a cooperação técnica entre elas era provavelmente muito maior do que o oficialmente divulgado. Os modelos C23 da Sauber e o F2004 da Ferrari eram praticamente iguais, salvo um exaustor aqui ou uma posição de retrovisores ali. Assim como no caso de 1995, houve chiadeira, mas nenhuma punição foi aplicada.
O que vai acontecer em 2007? Frank Williams vai reclamar bastante, mas Toro Rosso e Super Aguri devem correr com clones da Red Bull e da Honda sem problemas.
Tags: Benetton, Ferrari, Honda, Ligier, Red Bull, Sauber, Super Aguri, Toro Rosso
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Bruno Senna
Muito bacana esta entrevista com Bruno Senna, publicada no Grande Prêmio.
Bruno foi ganhando meu respeito ao longo do tempo. Confesso que, no começo, o achava um playboyzinho brincando de automobilismo, não imaginava que fosse sério. Por aquela besteira que fez com a Lotus do tio em Interlagos, o julguei despreparado. Fiz até uma charge sobre ele – sem graça, aliás – da qual me arrependo. Puro preconceito.
O garoto começou a andar cada vez mais forte e já se apresenta como um nome respeitável. É consciente, tem um bom discurso, é articulado, leva sua carreira com inteligência. Talvez não chegue à Fórmula 1, mas já o considero um piloto profissional. E dos bons.
Tags: Bruno Senna
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Os carros mais bizarros da história
As reações negativas generalizadas que o carro feioso da Renault provocou na semana passada fizeram por atiçar minha memória. Que outras pinturas, tão horrendas quanto, eu já tinha visto na Fórmula 1?
Deste mote saiu o ranking capellesco que você vai poder conferir abaixo.
Top 5 – As pinturas mais bizarras da Fórmula 1
5º Lugar – Jordan-Peugeot 195 (1995)

Isso é o que acontece quando uma equipe possui diversos patrocinadores, mas nenhum grande. Há tantas cores, tantos logotipos, que nenhum deles se destaca. Tem vermelho para agradar a petrolífera Total, tem amarelo para a Polti, tem azul para a Peugeot, tem branco para a vodca Kremlyovskaya e tem o verde irlandês de Eddie Jordan. O resultado? Uma salada de frutas homérica.
É sabido que Benetton e Larrousse, nos anos 80, também eram multicoloridas. Mas cada um dos carros partia de uma cor como base. Podia-se afirmar sem medo que o carro da equipe italiana era verde, que o dos franceses era azul. Os tons restantes faziam a composição da identidade. Neste caso da Jordan é diferente. Alguém pode responder qual a cor deste carro?
Pelo mau gosto na distribuição de cores e patrocínios, somado à total falta de harmonia no desenho, é da Jordan 195 o quinto lugar no ranking.
4º Lugar – AGS JH22 (1987)

A AGS era uma pequena equipe francesa que disputava em 1987 sua primeira temporada completa na Fórmula 1. Seu carro, JH22, era nada mais que um obsoleto Renault RE40 de 1983 modificado. Para bancar as contas, a equipe conseguiu o patrocínio da grife francesa de roupas esportivas El Charro. E aí é que vem a desgraça…
Tudo bem, as cores eram do patrocinador… mas o carro precisava ter cara de saquinho de balas? Listrado? E com uma gigantesca rosa estampada na frente? E a pintura durou, acredite, a temporada toda. Pascal Fabre desfilou o ano com este bólido bizarro, que andava sempre em último, sobrando ainda para Roberto Moreno a tarefa de guiá-lo nas duas últimas provas do campeonato. Esse é só mais um dos muitos micos que o carequinha pagou na Fórmula 1.
Não há como negar: um carro listrado com cara pacote de balas, uma rosa na frente e que andava sempre em último, merece – e muito – o 4º lugar do ranking.
3º Lugar – AGS JH27 (1991)

Não satisfeita em colocar um carro em quarto lugar, a AGS aparece também com a medalha de bronze das bizarrices na Fórmula 1. Também, não poderia ser diferente. Repare na pintura: azul escuro separado de um azul celeste por curvas laranjas e amarelas.
Se o carro de 1987 já era muito feio, quatro anos depois eles conseguiram fazer algo ainda pior. Os franceses, normalmente conhecidos pelo bom gosto e pelo refinamento, deviam morrer de vergonha da AGS.
Felizmente, este foi o último modelo da equipe, que fechou as portas no GP da Espanha.
2º Lugar – Hesketh 308D (1976)

A Hesketh sempre foi uma equipe muito esquisita. Imagine um time descolado como a Red Bull, mas sem todo o planejamento, os aparatos e os cuidados de marketing, no qual tudo acontecia naturalmente. Uma equipe de Fórmula 1 regada a sexo, drogas e rock’n'roll e que teve um ursinho adotado como símbolo pelo dono, um excêntrico lorde inglês de sexualidade controversa. Seu principal piloto, James Hunt, regularmente tomava todas e fumava alguns baseados na noite anterior às corridas.
Quando Hunt deixou a equipe, ao final de 1975, os resultados deixaram de aparecer, mas nem por isso a Hesketh ficou de fora das atenções da Fórmula 1. Passou a alinhar um segundo carro, patrocinado pela revista erótica Penthouse. Tido como um time de playboys, o acordo tinha tudo a ver com o espírito da Hesketh, mas não deixava de ser uma tremenda ironia com relação à revista concorrente.
Porém, o carro era visualmente um terror. Um desenho de uma garota com roupas de baixo estampava a dianteira. Muito, muito ruim. Uma coisa terrível que durou duas temporadas, até 1977. Neste segundo ano, a pintura ganhou ainda duas meninas deitadas nas laterais.
O mais engraçado de tudo isso é que este carro foi guiado por Alex Dias Ribeiro, o piloto mais carola da história do automobilismo, em sua estréia na categoria.
Pela pintura do carro em si, pelo ineditismo do patrocínio e pela ironia de colocar o Ned Flanders de capacete dentro dele, é do Hesketh 308D o segundo posto do ranking de bizarrices.
1º Lugar – Brabham BT60B (1992)

A Brabham, em sua última temporada, tentou de tudo para aparecer. Já que não tinha carro para andar na frente, tentou chamar a atenção de diversas maneiras. Primeiro, contratou uma piloto, Giovanna Amati, que nunca andou forte em categoria nenhuma mas que, por ser mulher, garantiu um batalhão de fotógrafos em frente ao seu box.
Quando o efeito Amati passou, com a italiana fazendo lambanças nos treinos só comparáveis às de Yuji Ide, o novo lance da Brabham foi contratar Damon Hill, um filho de campeão que estreava na Fórmula 1. Rendeu também manchetes e publicidade, mas depois que o inglês não conseguiu classificação para diversas corridas, a novidade passou.
Fazendo valer a máxima “Quer aparecer? Pendure uma melancia no pescoço!”, a equipe inglesa adotou o equivalente para o automobilismo: “Quer aparecer? Pinte o seu carro de cor-de-rosa!”.
E foi isso que a Brabham fez. Pintou seu carro, historicamente belo desde a época de Martini Racing, passando pelos clássicos azul e branco dos tempos de Nelson Piquet, de cor-de-rosa. Pior que isso: uma combinação bizarra de rosa, azul escuro e azul claro. Algumas provas depois, a equipe encerrou definitivamente suas atividades.
Não só por ser horroroso, mas também por ter destruído a reputação da Brabham e ter dado a uma das maiores equipes da história da Fórmula 1 um fim indigno, o BT60B merece a medalha de ouro no ranking das coisas mais feias que já passaram pelas pistas da categoria.
Hors-Concours – Shadow DN9 (1979)

Claro, jamais esqueceria da Shadow de 1979. Só que este carro é tão feio, mas tão feio, tão estranho, tão bizarro, tão cafona, que não tem como ser comparado com nenhum outro. Nunca mais coisa parecida foi vista nas pistas. Deste modo, leva o prêmio de hors-concours entre as coisas tristes que já tivemos que ver. Não há nada pior.
Um pouquinho de história: o piloto holandês Jan Lammers levou para o time, em 1979, o patrocínio dos cigarros Samson. Como o símbolo da companhia era um leão, algum designer cheio de ácido fez a brilhante analogia entre o radiador frontal e a boca de um leão. Alguém completamente chapado aceitou a idéia e assim o carro ficou, sendo sua frente a enorme cara de um leão de fogo, com a boca aberta.
O carro não andou nada, Lammers não fez nada, mas aposto que muitas crianças que viram este Shadow ficaram algumas noites sem dormir.
E você? Lembra de mais algum carro bizarro que não está na lista? Comente.
O Último dos Moicanos
Saiu ontem, todos já devem ter lido, o anúncio da morte de Toulo de Graffenried, que era o último piloto vivo daqueles 21 que alinharam no grid para disputar a primeira corrida da história da Fórmula 1, o GP da Inglaterra de 1950.
O Blog do Capelli foi atrás para descobrir o que aconteceu com cada um daqueles 21 heróis e descobriu que não eram exatamente 21. Eram 23. Dois pilotos dividiram cockpits aquela prova, tendo um total de 23 inscritos. E ora, vejam só, um deles está vivo! Tony Rolt está vivíssimo da silva, aos 88 anos, curtindo na terra da rainha a grana que ganhou projetando carros de tração nas quatro rodas.
Só tem um porém. Tony Rolt não correu. Ele iria dividir um ERA com Peter Walker, mas o câmbio quebrou logo na quinta volta, não deixando o inglês disputar o primeiro GP da história da Fórmula 1. E vejam a doce ironia: ele é o único que ainda está vivo. O único que não correu é o único vivo. Vamos ver o que aconteceu com o resto? O post é longo e chato, mas vale como curiosidade. Os pilotos estão ordenados pela classificação final da corrida.
1. Giuseppe Farina – Vencedor da primeira corrida e campeão mundial de 1950, morreu em 1966, aos 59 anos, num acidente de carro numa estrada francesa.
2. Luigi Fagioli – Venceu uma prova na Fórmula 1, o GP da França de 1951, tendo terminado o campeonato de 1950 em terceiro lugar. Faleceu aos 54 anos, em 1952, após sofrer um acidente no GP de Mônaco daquele ano.
3. Reg Parnell – Disputou corridas esporádicas na categoria entre 1950 e 1954, transformando-se depois em dono de equipe. Conseguiu bons resultados tendo John Surtees ao volante de seus carros. Morreu em 1962, aos 52 anos, de perotonite.
4. Yves Giraud-Cabantous – Participou dos mundiais de F1 de 1950 a 1952, sem conseguir nenhum resultado melhor que um quarto lugar. Faleceu em 1973, aos 68 anos.
5. Louis Rosier – Disputou regularmente os mundiais de Fórmula 1 até falecer num acidente em Le Mans, em 1956, aos 50 anos. Conseguiu dois terceiros lugares como melhor resultado.
6. Bob Gerard – Correu basicamente na Inglaterra, disputando os GPs locais até 1957. Seu melhor resultado foram três sextos lugares. Morreu em 1990, aos 76 anos.
7. Cuth Harrisson – Participou de apenas três corridas em 1950, tendo passado depois a competir em ralis. Faleceu em 1981, aos 74 anos.
8. Philippe Etancelin – Piloto da velha guarda, vencedor de corridas em Le Mans e Pau, tinha já 53 anos quando da disputa do primeiro GP de Fórmula 1. Participou ainda de 12 provas entre 1950 e 1953, até aposentar-se. Morreu em 1981, aos 84 anos.
9. David Hampshire – Disputou apenas mais uma prova de F1 após o GP da Inglaterra. Faleceu em 1990 anos, aos 72 anos.
10. Joe Fry – Participou apenas desta corrida, tendo morrido em um acidente numa subida de montanhas na Inglaterra menos de dois meses depois. Tinha 34 anos.
11. Brian Shawe-Taylor – Disputou também o GP da Inglaterra de 1951. Logo depois, sofreu um acidente em Goodwood, tendo permanecido em coma por várias semanas. Quando recuperou-se completamente, abandonou as pistas e assumiu um posto oficial no serviço de inteligência britânico. Faleceu aos 84 anos, em 1999.
12. Johnny Claes – Participou regularmente dos campeonatos de Fórmula 1 de 1950 a 1955, mas nunca chegou além de um sétimo lugar. Morreu de tuberculose, aos 39 anos, em 1956.
13. Juan Manuel Fangio – Tornou-se uma lenda no automobilismo, ao abandonar as pistas em 1958 com 5 campeonatos mundiais de Fórmula 1 no currículo. Inspiração para várias gerações de pilotos, Fangio faleceu aos 84 anos, em 1995.
14. Joe Kelly – Abandonou as pistas depois de sofrer um acidente que lhe feriu gravemente as pernas, em Oulton Park, em 1955. Antes disso, tinha disputado ainda mais um GP da Inglaterra, em 1951. Morreu em 1993 aos 80 anos.
15. Prince Bira – Príncipe tailandês, este rapaz nascido Birabongse Bhanudej Bhanubandh, mas conhecido no automobilismo como Príncipe Bira, era uma figuraça. Enviado pela família para estudar na Europa, adquiriu lá um gosto refinado, como pretendia a família real tailandesa, mas também adquiriu uma paixão imprevista pelas corridas de automóvel. Participou de 19 GPs entre 1950 e 1954, sendo seu melhor resultado um quarto lugar. Morreu aos 71 anos, em 1985, de ataque cardíaco.
16. David Murray – Participou de quatro corridas na F1 entre 1950 e 1952, mas obteve mais sucesso como dono de equipe, tendo assim vencido as 24 Horas de Le Mans de 1956. Tournou-se ainda um incentivador de talentos escoceses, ajudando a revelar pilotos como Innes Ireland, Jim Clark e Jackie Stewart. Anos mais tarde, teve problemas com o fisco e fugiu para as Ilhas Canárias, onde morreu de ataque cardíaco, aos 63 anos, em 1973.
17. Geoff Crossley – Disputou somente mais um GP de Fórmula 1, na Bélgica, ainda em 1950. Faleceu em 2002, aos 80 anos.
18. Toulo de Graffenried – Correu 22 GPs entre 1950 e 1956, tendo obtido um quarto lugar como melhor resultado. Morreu ontem, na Suíça, aos 92 anos.
19. Louis Chiron – Um dos grandes pilotos da era pré-F1, com vitórias em GPs da França e de Mônaco, disputou nela 15 corridas entre 1950 e 1958, conseguindo um terceiro lugar como melhor resultado. Abandonou as pistas em 1960 e morreu aos 79 anos, em 1979.
20. Eugène Martin – Participou apenas de mais uma corrida, GP da Suíça de 1950, quando sofreu um sério acidente e não retornou mais à F1. Morreu em 2006, aos 91 anos.
21. Peter Walker – Disputou corridas esporádicas na F1 entre 1950 e 1955, tendo obtido sucesso em Le Mans, onde venceu as 24 Horas de 1951. Na mesma pista, sofreu um sério acidente em 1955 que o fez abandonar a carreira. Morreu em 1984, aos 71, em decorrência de problemas com o alcoolismo.
22. Tony Rolt – Soldado condecorado pelo exército britânico por sua luta na Segunda Guerra Mundial, participou de três GPs da Inglaterra entre 1950 e 1955, sem resultados expressivos. Ganhou as 24 Horas de Le Mans de 1953 com um carro com tração nas quatro rodas, uma obra de engenharia sua, que lhe renderia muito dinheiro da indústria automotiva anos depois. Está com 88 anos e ainda vive na Grã-Bretanha.
23. Leslie Johnson – Participou apenas deste GP da Inglaterra, que abandonou logo na segunda volta. Sofria de problemas cardíacos e por isso abandonou as pistas em 1954. Faleceu cinco anos depois, aos 47 anos.

