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Calendário de lançamentos e testes – F1 2012

Seguinte, pessoal. Muita gente perguntando sobre as próximas datas de lançamento dos carros das equipes da Fórmula 1 para a temporada 2012. Então, abaixo, compilei todas as datas em um calendário. Tudo de importante acontece semana que vem. Lembrando que já lançaram seus carros, pela ordem: Caterham, McLaren, Ferrari e Force India.

As próximas:

Lotus – 05/02 (vulgo amanhã)
Sauber – 06/02
Toro Rosso – 06/02
Red Bull – 06/02
Williams – 07/02
Mercedes – Não confirmado
Marussia – Não confirmado
Hispania – Não confirmado

Embora não tenha agendado o lançamento, é bem provável que a Mercedes apresente seu carro também nos próximos dias. Os primeiros testes da pré-temporada começam na terça e é difícil que uma equipe grande perca um dos pouquíssimos dias de testes disponíveis.

A propósito, segue outro calendário, o dos testes da pré-temporada. São apenas 12 datas:

De 07 a 10/02 – Jerez de La Frontera (4 dias)
De 21 a 24/02 – Barcelona (4 dias)
De 01 a 04/03 – Barcelona (4 dias)

Lembrando que a temporada começa em 18/03, na Austrália.

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Fórmula Ornitorrinco

Depois do lançamento da Caterham na semana passada, as novas Ferrari e Force India divulgadas hoje confirmaram a tese de que os carros da Fórmula 1 deste ano serão ornitorrincos feitos de fibra de carbono. Mas por quê essa solução aerodinâmica bizarra?

Bom, o motivo dos engenheiros terem escolhido este desenho eu realmente não sei. Mas o que provocou tal mudança foi o novo regulamento da categoria. Por questões de segurança, a FIA instituiu que os bicos dos carros este ano não poderão ter uma altura superior a 55 centímetros em relação ao solo.

VJM05, o ornitorrinco-da-índia.

A preocupação é com possíveis colisões em “T”. Na altura em que os bicos estavam até o ano passado, era possível que estes acertassem a cabeça de um piloto adversário em caso de um choque perpendicular. Com imposição da nova altura, agora o bico do carro bateria na lateral do cockpit, preservando assim o piloto que sofresse a eventual pancada. Como o regulamento diz que a altura do cockpit pode permanecer a 62,5 cm do solo, a melhor alternativa encontrada pelos projetistas, depois de simulações aerodinâmicas (creio), foi criar este degrau esquisito no bico.

Até agora, a McLaren parece ter fugido à regra, mas ainda não dá para ter certeza. Como o bico apresentado anteontem não é o que será utilizado na temporada, novidades (desagradáveis) podem aparecer nos carros prateados nas primeiras provas do ano. Uma coisa é fato: os carros da F1 estão medonhos em 2012.

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O novo Hulkenberg

Nico Hulkenberg, embora tenha sido um dos destaques da temporada 2010 da Fórmula 1, ficou sem cockpit no ano passado. Preterido na Williams pelos dólares petrolíferos de Pastor Maldonado, acabou amargando uma temporada toda como reserva da Force India. Este ano, graças do destempero de Adrian Sutil fora das pistas – quase matou um executivo da Genii numa briga de bar -, foi promovido a titular e vai correr de novo.

Para celebrar seu retorno à F1, o alemão resolveu mudar a pintura de seu casco pela primeira vez desde que estreou na categoria. E, admito, o desenho novo ficou legal pra caramba. Abaixo, um comparativo na linha antes e depois. O laranjão com preto vai adornar bem no carro Sukitão da equipe.

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Sebring: um circuito histórico

O circuito de Sebring, localizado na Flórida, Estados Unidos, voltou a ser manchete no Brasil nesta semana, em razão dos primeiros testes de Rubens Barrichello na Fórmula Indy. O que passou despercebido foi que este autódromo, embora com aparência bem precária nos dias atuais, é de relativa importância na história do automobilismo.

Até o começo dos anos 50, Sebring era apenas uma pista de treinamento da Força Aérea Americana, com uma pista de pousos de decolagens. Em 1950, foi construído o circuito em anexo à pista, que ainda existe. Trata-se de um dos mais antigos autódromos do país, sendo desde então um dos principais palcos de corridas de carros esportivos, fazendo até hoje parte do calendário da American Le Mans Series com suas tradicionais 12 Horas de Sebring. E quem joga Forza Motorsport e Gran Turismo no videogame conhece Sebring muito bem, embora o traçado de hoje seja um tanto diferente daquele de 60 anos atrás.

Mas talvez o momento de maior notoriedade de Sebring no automobilismo internacional tenha sido o Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1 de 1959, lá disputado. Foi uma corrida histórica por diversos aspectos: foi o primeiro GP dos EUA disputado pela F1, já que, até então, as 500 Milhas de Indianápolis faziam parte do calendário, mas não tinham suas equipes e pilotos. Depois, foi histórica por ter sido palco de uma disputa de título, que acabou nas mãos de Jack Brabham. E ainda coroou um jovem vencedor.

Naquele GP, disputavam o título três pilotos: com Cooper, Brabham e Stirling Moss. Com Ferrari, Tony Brooks. Brabham liderava o campeonato e precisava vencer para confirmar o título. Poderia até ser segundo, desde que o vencedor não fosse Moss. Já as chances de Brooks eram menores: tinha que vencer e torcer para que Brabham não fosse segundo. Para Moss, uma simples vitória resolveria tudo.

E o inglês da Cooper marcou a pole position e partiu na frente, seguido do australiano Brabham. Porém, o “campeão sem título” teve um problema de transmissão e foi obrigado a abandonar logo na sexta volta, deixando o caminho aberto para o “Black Jack”. A partir daí, Brabham disparou na frente e dominou toda a corrida. Mas quando parecia que o título estava confirmado, o australiano ficou sem combustível a cerca de 500 metros da linha de chegada.

Jack não se intimidou, desceu do carro e começou a empurrar seu Cooper (na época, isso valia). Sem saber a posição de Brooks, imaginou que o adversário pudesse vencer e roubar-lhe a coroa. Com muita garra, empurrou seu pesado carro por toda a extensão da reta, até cruzar a linha de chegada em quarto lugar, exausto.

O esforço foi admirável, mas de nada teria servido se Brooks tivesse vencido. Mas para sua sorte, o inglês da Ferrari foi apenas terceiro, o que lhe garantiu o primeiro de seus três títulos mundiais. A vitória ficou com o jovem neo-zelandês Bruce McLaren. À época com 22 anos, 3 meses e doze dias de idade, tornou-se o mais precoce piloto a subir ao alto do pódio na categoria. Seu recorde durou 44 anos, tendo sido superado apenas em 2003, quando Fernando Alonso venceu na Hungria com 22 anos e 26 dias de idade. Hoje, este recorde é de Sebastian Vettel.

Foi a primeira e única corrida de Fórmula 1 em Sebring. Apesar da prova movimentada, o interesse do público foi pequeno – resistência local que dura até hoje. Assim, a organização não se interessou em um novo contrato e, em 1960, o GP dos EUA foi disputado em Riverside, na Califórnia. O que também não deu certo, tendo o GP encontrado uma casa mais definitiva apenas em 1961, quando foi disputada a primeira das 20 provas consecutivas em Watkins Glen.

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Jogo de aparências

A McLaren lançou hoje seu carro para a temporada de 2012, o MP4-27. Quer dizer… lançou e não lançou. Sim, houve uma cerimônia em Woking, transmitiram para o mundo todo via Internet (muito legal), entrevistas com pilotos, tudo como manda o figurino. Aí cai o pano e o que se vê? Um não-carro novo.

Tá, é o carro novo. Só que não, não é. O bico não é o que será utilizado na temporada, para não alertar os adversários. O aerofólio é o de 2011, para que os adversários não copiem as novidades. O difusor é fake, para que ninguém descubra as novidades que vêm por aí.

Em resumo: foi uma cerimônia de começo de temporada e só. Serve para mostrar as cores do carro (que não mudou), a dupla de pilotos (que não mudou), exibir os orgulhosos patrocinadores (que também não mudaram, entre os principais). Enfim, todo o frisson que um lançamento de carro provocava no passado hoje é apenas lembrança. O objetivo da cerimônia é chamar a atenção para a equipe, apresentar seu posicionamento para a temporada e descolar espaço na mídia. O carro fica em segundo plano.

Essa é a realidade, e não digo que isso seja necessariamente ruim. Mas que pelo menos deveriam mudar um pouco o foco da cerimônia. “Vodafone McLaren Mercedes 2012 Presentation” seria mais honesto que “MP4-27 Launch”. Afinal, não lançaram coisa nenhuma.

Tá bom, sem exageros, dá até pra ver uma coisa nova ou outra, mas em sua maioria, insignificantes. O importante mesmo ou está oculto sob a carenagem ou ainda não foi mostrado.

Mas o mais divertido de tudo foi a galhofa de Lewis Hamilton para cima de Felipe Massa. Citando o novo posicionamento dos retrovisores, alfinetou o brasileiro: “Felipe ficará feliz”. E todo mundo caiu na gargalhada.

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Automobilismo e inclusão social

Na Inglaterra, no final de semana passado, aconteceu algo pouco divulgado aqui no Brasil, mas de certa importância para o automobilismo. Nic Hamilton, irmão de Lewis Hamilton, fez sua estreia como piloto em Brands Hatch, na rodada de abertura do BTCC (British Touring Cars Championship), competindo na Copa Clio, uma das corridas preliminares. Seria apenas mais uma notícia de parente de piloto famoso buscando espaço no esporte, não fosse um detalhe relevante: Nic possui paralisia cerebral.

O irmão caçula do campeão mundial de Fórmula 1, de 19 anos, tem problemas motores nos membros inferiores e, por isso, caminha com dificuldade. Normalmente, é visto no paddock em cadeira de rodas. A paralisia cerebral, causada normalmente por pouca oxigenação no cérebro na gestação, durante ou logo após o parto, pode se manifestar de diversas formas, mas são poucos os casos em que há comprometimento de raciocínio ou inteligência. Porém, em razão de muitos portadores apresentarem dificuldades de fala, erroneamente são taxados de pouco inteligentes.

Com um carro adaptado à sua condição, Nic Hamilton entrou na pista não só para realizar um sonho, mas também para dar uma demonstração pública de que um portador de paralisia cerebral é capaz de guiar um carro com perícia, em alta velocidade. Competiu junto com os demais e assim será durante toda a temporada. Os resultados nas duas primeiras corridas foram condizentes com a estreia de alguém sem experiência: 12º e 15º, mas isso pouco importa. Fica a bela lição de inclusão social proporcionada por Nic, sua família e as autoridades automobilísticas da Inglaterra.

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Constrangimento

Foto: Mike Ehrmann/Getty Images

Simona de Silvestro foi um dos grandes nomes da abertura da Indy no último domingo, em São Petersburgo. Terminou a prova em quarto lugar, sua melhor classificação na categoria desde sua estreia no ano passado, e ainda deu muito trabalho para o brasileiro Tony Kanaan, terceiro colocado.

Porém, fora o seu grande desempenho na pista, chamou a atenção também o seu patrocinador. O carro da pilota suíça é pintado em verde por causa de seu principal investidor, que promete um mundo limpo, verde e ecologicamente correto: energia nuclear. Sim, um lobby pró-energia nuclear patrocina a equipe HVM. O problema é que não poderia haver momento menos oportuno para isso, com o Japão vivendo uma crise nuclear e com resíduos dos vazamentos radioativos da usina de Fukushima sendo detectados na China e até mesmo nos Estados Unidos.

Está certo que é o momento no qual os defensores da ideia (e, principalmente, do negócio) mais precisam de boa propaganda. Mas não são os bons resultados de Simona, nem a exibição do carro na TV, que vão trazer alguma confiança a esta duvidosa fonte de energia. Pelo contrário, o patrocínio acaba até sendo prejudicial para a pilota, que tem sua imagem associada à fonte de uma das maiores catástrofes ecológicas do século. Causa, no mínimo, constrangimento.

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Heidfeld homenageia Kubica

Foto: Reprodução/F1

O leitor Lucas R enviou, via comentários, um link com frames da F1 em alta definição, capturados por telespectadores.

Não bastasse a conclusão de que as imagens são mesmo incríveis, percebi algo que passou meio batido no capacete de Nick Heidfeld. Ao menos no treino de sexta-feira, que foi quando este frame foi capturado, ele alterou um singelo detalhe em seu capacete, em homenagem a seu ex-companheiro de BMW Sauber, Robert Kubica.

No espaço dedicado às cores da bandeira alemã, na lateral, Nick aplicou ali uma bandeira da Polônia. Um gesto simples, mas bonito.

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Capacetes da Fórmula 1 2011

Ilustração: Ivan Capelli

Ilustração: Ivan Capelli

Trabalhando para o especial da nova temporada do site Grande Prêmio, desenvolvi um pacote de ilustrações com todos os capacetes dos pilotos da temporada 2011 da Fórmula 1. Achei que ficou tão bacana que resolvi publicar também aqui no blog.

Confira ao lado todos os cascos da temporada, clicando na imagem para ampliá-la. Aproveite e escolha nos comentários o mais bonito e o mais feio. Eu já tenho opinião formada: o mais bonito é o de Felipe Massa. O mais feio, Pastor Maldonado. Se bem que os de Adrian Sutil e Paul di Resta também são um tanto quanto medonhos…

Lembrando que hoje à noite, às 22h30, começam os primeiros treinos livres para o GP da Austrália. Estarei no Twitter dando pitacos durante a transmissão do SporTv. Estão todos convidados: twitter.com/ivancapelli .

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Adiando a extinção

A Hispania, por muito pouco, não virou mais um daqueles times que anunciam sua chegada à Fórmula 1 e morrem antes mesmo de estrear. Não são casos muito raros, só de cabeça fica fácil lembrar da italiana First, da francesa DAMS, da japonesa Dome e da mais recente, a norte-americana USF1. Originalmente, a equipe seria chamada Campos, o mesmo time que já competia na World Series e na GP2, pertencente ao ex-piloto espanhol Adrián Campos. Porém, sem fundos para dar sequência ao projeto, Adrián arrumou o empresário espanhol José Ramón Carabante como sócio. A equipe pôde nascer, mas Campos perdeu praticamente tudo.

Carabante, dono do Grupo Hispania, que atua no mercado imobiliário espanhol, é um sujeito suspeito. Uma péssima fama o precede, principalmente de não honrar palavra, compromissos, nem dívidas. Cheques sem fundo parecem ser uma prática corrente. Sua forma de fazer negócios não é muito bem vista na Espanha e o acontecido com Adrián Campos parece reforçar esta imagem. Inicialmente apoiador e dono de uma pequena parcela da equipe, Cabarante foi comprando os percentuais de outros acionistas e, com isso, ganhando poder. E conseguiu tumultuar tanto o ambiente ao ponto de fazer com que Adrián desistisse de tudo e vendesse para ele todo o restante do time. O dinheiro veio de um banco espanhol, através de contatos políticos (também suspeitos).

Sô feia, mas tô na F1. (Fotos: Paul Gilham/Getty Images)

Sô feia, mas tô na F1.
(Fotos: Paul Gilham/Getty Images)

Algumas semanas depois, a Hispania estreava na Fórmula 1, no GP do Bahrein do ano passado. Obviamente, um projeto tumultuado e de poucos recursos não teria como dar certo. O time trocou de pilotos toda hora em busca de dinheiro, tinha o carro mais lento e amargou sempre as piores posições no grid e nas corridas. Só não foi último colocado no campeonato por causa da inexistente confiabilidade dos carros da Virgin, que no começo do ano tinham um tanque de combustível de tamanho incompatível com o volume de litros necessário para terminar uma corrida. A Hispania teve a sorte de encontrar alguém tão incompetente quanto ela pela frente.

Mas o cenário para 2011 não deve ser muito diferente. O carro novo foi apresentado somente hoje, penúltimo dia de testes da pré-temporada, e nem foi para a pista. E, ao que parece, é apenas uma versão do fraco modelo do ano passado, com dianteira remodelada. A pintura, com espaços para patrocínio preenchidos com “Sua logo aqui” e “Este é um espaço legal” é patética. A dupla de pilotos, com o jovem-aposentado Vitantonio Liuzzi e o risível indiano Narain Karthikeyan, é absurda. Colin Kolles, diretor da equipe contratado por Cabarante, também tem péssima fama no meio do automobilismo, também por má conduta. Em resumo, o time é ridículo, uma picaretagem.

Talvez a equipe até mesmo vá para a pista na Austrália, mas tenho sérias dúvidas se terá capacidade de terminar a temporada. A menos que seja comprada por alguém sério, a Hispania continuará a ser um arremedo de time até que sua extinção aconteça. Por enquanto, ela foi apenas adiada.

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Todos ri – A cabeçada de Mansell

Nigel Mansell sempre foi uma figuraça. Piloto vibrante e bravo – por vezes um tanto troglodita -, fora das pistas era um sujeito um tanto desengonçado e engraçado. Carismático, em muitos momentos acentuou o tom atrapalhado de sua personalidade. Embora sofresse mesmo de problemas de coluna – agravados depois da pancada que o tirou da briga pelo título em 1987 -, não raramente descia do carro mancando, ou quase desmaiando, ou só fazendo cara de coitado mesmo, ainda que não houvesse motivo algum para isso. Um pouco de teatro fazia parte da personalidade do Leão.

Mas o GP da Áustria de 1987 foi um tanto dolorido para Mansell. Bastante dolorido, eu diria. Na semana antes da prova, o inglês extraiu um de seus dentes do siso, o que o fez competir sob o efeito de fortes analgésicos. Mesmo assim, continuava reclamando de dores. A corrida, por si só, já começou com dores de cabeça. Mansell saía na primeira fila, ao lado do pole position, seu companheiro Nelson Piquet. Na largada, manteve a segunda posição, mas uma carambola no meio do grid interrompeu a prova e anulou a partida. Na segunda largada, teve problemas e seu carro mal arrancou. Teria abandonado a corrida ali, não fosse a sorte de um segundo acidente generalizado obrigar a interrupção da prova outra vez. O Leão, assim, pôde pegar o carro reserva e voltar para a pista, disputando assim a corrida que acabara de abandonar.

Na terceira e definitiva largada, arrancou mal e caiu para a quarta posição. Mas fez uma corrida memorável, recuperando posições, até ultrapassar Nelson Piquet na 20ª volta. O brasileiro tinha problema de pneus e hesitou ao encontrar retardatários. Mansell foi para cima e fez uma bela manobra, num curvão a quase 200km/h. Piquet precisou trocar de pneus e a corrida ficou livre para o Leão, uma bela vitória.

Mas grandes as dores de cabeça, literalmente, apareceriam no caminho para o pódio. Um carro aberto conduzia Mansell, Piquet e Teo Fabi. Os fãs gritavam seu nome e o atabalhoado inglês resolveu corresponder, levantando para acenar para o público. Não percebeu que o carro se aproximava de uma passarela de concreto e bateu forte com a cabeça, caindo dentro do carro. A cena, memorável, pode ser vista no vídeo abaixo.

No pódio, Mansell não parava de passar a mão na cabeça machucada. Na entrevista pós-corrida, uma cena histórica: com a habitual cara de coitado, aplica uma bolsa de gelo enquanto Reginaldo Leme se prepara para começar a gravar. Certamente, foi a vitória mais dolorida até hoje na Fórmula 1.

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Crescimento constante

A Force India apareceu na Fórmula 1 sem grandes expectativas. Nascida da compra da Spyker, que havia comprado a Midland, que havia comprado a Jordan, imaginava-se que a investida do indiano Vijay Mallya seria apenas de manter a equipe por um tempo para vendê-la logo depois, como fizeram seus atrapalhados antecessores. Mas não foi bem assim.

Um time que parecia uma piada no começo, dada a esquisitice que a cultura Indiana tem aos olhos ocidentais, se mostrou bastante sério. Em pouco tempo, a equipe cresceu e, logo em seu segundo ano de vida, conseguiu resultados espetaculares, como a pole de Giancarlo Fisichella no GP da Bélgica de 2009. O italiano quase venceu a corrida, terminando em segundo lugar. Fora isso, Adrian Sutil também teve grande atuação em Mônaco, no ano de estreia, mostrando que os indianos não estavam brincando em serviço.

De ano em ano, a Force India vem crescendo. Ainda que em 2010 não tenha conseguido nenhuma pole ou pódio, na média os resultados foram melhores. Ficou em sétimo entre os construtores, a apenas um ponto da Williams. O ponto fraco do time claramente foi o italiano Vitantonio Liuzzi, com atuações abaixo da média. Sutil manteve os bons resultados, ainda que sem nenhuma corrida de grande destaque.

O VJM-04, vulgo Sukitão.
Foto: Divulgação/Force India

A meta para 2011 é seguir a tendência de evolução, quem sabe atingindo o posto de quinta força da Fórmula 1. O desafio é enorme, mas a equipe conta com um belo trunfo para esta temporada: o estretante escocês Paul di Resta, primo de Dario Franchitti, destaque da Mercedes no DTM e que promete ser uma das sensações da Fórmula 1. Sua velocidade pode ser um estímulo para Adrian Sutil, rivalidade sadia dentro de casa é sempre bom.

O novo carro, VJM-04, não tem grandes novidades. Cofre de motor e tomadas de ar copiadas da Mercedes do ano passado, restante do carro bastante similar ao modelo anterior. A pintura, com mais laranja, deixou o modelo parecido com uma garrafa de Sukita. Para quem estreou parecendo uma lata de cerveja, é uma mudança e tanto. Questões estéticas à parte, o fato é que a Force India até hoje não virou chacota. E não deve virar agora.

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Mais Marussia do que Virgin

A Virgin Racing, debutante na Fórmula 1 no ano passado, teve há alguns meses parte de seu capital vendido para a Marussia Motors, uma daquelas fábricas de carros-esporte para milionários que existem por aí. Embora em seu nome completo o time tenha virado Marussia Virgin Racing (coisa que ninguém usa, ou você já viu uma Vodafone McLaren correndo?), a FOM continua tratando o time como Virgin.

Mas, na apresentação do MVR-02, hoje na Inglaterra, ficou claro que o time tem mais de Marussia do que de Virgin. Para começar, o tom mais formal da apresentação, diferente da pirotecnia virginiana. Richard Branson, o dono do conglomerado Virgin, uma espécie de Eike Batista britânico (fez muito dinheiro e agora tem como meta aparecer), nem deu as caras. E se o aparecido não apareceu, alguma coisa isso quer dizer.

Talvez a mudança faça bem à equipe. O ano de estreia foi pra lá de desastroso, tendo a Virgin ficado em último lugar entre os construtores. Zerada como as demais estreantes, mas atrás até mesmo da insalubre Hispania nos critérios de desempate. Um resultado indigno para um time que nascia sob o financiamento de um bilionário e que prometia revolucionar a categoria com um carro projetado exclusivamente de forma virtual, utilizando a Dinâmica de Fluído Computacional, sem túnel de vento.

O MVR-02 pode até não andar. Mas é bonitinho.
Foto: Divulgação/Virgin

O plano de de continuar utilizando somente CFD continua valendo para o MVR-02, já que túnel de vento é muito caro. As linhas do novo carro lembram um tanto a Toro Rosso, o que leva a crer que copiaram mal. Os pilotos responsáveis pela equipe em 2011 serão Timo Glock, que permanece, e o novato belga Jerome D’Ambrosio. O alemão é uma espécie de vale mais do que pesa: tem boa cotação, mas juro que ainda não o vi fazer nada de extraordinário. Já D’Ambrosio é uma aposta, um novato que traz dinheiro e espera-se que não torre tudo o que trouxe ao time em peças de reposição e novos chassis.

A grande meta é fazer alguns pontos, sair do zero e da lanterna. Deve conseguir, já que a Hispania, se correr, não deve ter a menor chance. Mas ainda é muito pouco para um time que surgiu prometendo renovar a Fórmula 1. Quem sabe a experiência em construção de carros trazida pela Marussia consiga renovar o próprio time, um primeiro passo para conseguir alguma coisa.

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Ousar para vencer

A McLaren, desde sua fundação, em 1966, nasceu para ganhar. Ainda que tenha passado por algumas fases ruins – principalmente no final dos anos 70, até ser vendida para Ron Dennis – sempre foi um time respeitado e temido na Fórmula 1. Mas a década de 2000 não foi assim tão prodigiosa para a equipe. Conquistou apenas um título mundial, com Hamilton, em 2008. Título de construtores, então, não se vê desde 1998.

Nos últimos anos, a equipe pecou pela irregularidade. Dominava em alguns circuitos, fazia corridas medonhas em outros. A precisão, atributo que sempre foi característica do time, parece ter ficado para trás. Detectando isso, os dirigentes perceberam que era hora de mudar.

A parceria com a Mercedes continua – ainda que os alemães tenham passado a focar suas atenções na própria equipe – e a dupla de pilotos com dois excelentes pilotos britânicos, os campeões do mundo Jenson Button e Lewis Hamilton, permanece. Dessa maneira, a McLaren decidiu inovar exatamente na construção do carro. O MP4-26, lançado hoje em Berlim, é o mais diferente da temporada. Ainda que não seja exatamente revolucionário é, no mínimo, ousado.

O MP4-26 e seu design diferente. Repare nas tomadas de ar, inéditas.
Foto: Divulgação/McLaren

Enquanto que as grandes novidades dos carros geralmente ficam escondidas, na nova McLaren dá pra ver muita coisa diferente. Tomada dupla de ar acima do cockpit, desenho praticamente invertido das tomadas laterais, linhas bastante destoantes daquilo que se viu até agora. E, se por fora tem tanta coisa nova, resta saber o que pode haver oculto sob a carenagem.

Com Red Bull e Ferrari, a McLaren deve formar o trio de ferro da temporada, talvez incomodados pela Mercedes. Mas é bom os adversários abrirem o olho. Das últimas vezes em que o time de Woking foi assim ousado – como em 1988, com o carro de perfil baixíssimo, ou 1998, com os dois pedais de freio posteriormente proibidos -, a concorrência só engoliu poeira.

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Para voltar ao topo

A história da atual equipe Mercedes na Fórmula 1 chega a ser curiosa. Originou-se da Tyrrell, que virou BAR e depois tornou-se Honda. Quando os japoneses debandaram e deixaram a escuderia nas mãos de Ross Brawn, nasceu a Brawn GP. Imaginava-se um arremedo de time: além do carro branco e sem patrocínios, as temporadas anteriores da Honda foram um verdadeiro desastre. Mas, contrariando a lógica, a Brawn nasceu vencedora. Ganhou a corrida de estreia e ainda terminou o ano de 2009 campeã de pilotos e construtores. Nascia ali uma lenda.

Nascia, mas morria rapidamente, com apenas uma temporada. Num lance surpreendente, a Mercedes deu de ombros para a McLaren e comprou a maior parte da equipe campeã. Surgiu ali a Mercedes GP. Em outro lance não menos surpreendente, os alemães tiraram Michael Schumacher da aposentadoria, montando ali o que parecia ser um supertime, talvez a favorita de 2010. Não colou. Os resultados foram escassos, apenas o quarto lugar entre os construtores. O heptacampeão Schumacher decepcionou e a grata surpresa foi Nico Rosberg, que conseguiu subir três vezes ao pódio. Ainda assim, pouco para quem vinha de um título mundial.

Schumacher é atração, mas também uma grande interrogação.
Foto: Divulgação/Mercedes

Um paradoxo curioso se formou. Quando ninguém esperava nada, o time foi lá e ganhou tudo. Quando se imaginava uma potência, sucumbiu. Assim, talvez a receita da Mercedes em 2011 seja a de não gerar expectativa alguma. Quem sabe assim os resultados surjam ao natural.

A dupla de pilotos foi mantida, mas agora uma enorme interrogação paira sobre Michael Schumacher. Aos 42 anos, já andou até cancelando testes no simulador, por causar-lhe enjoos. Não parece mais ser capaz de causar medo aos adversários como um dia já foi. Nico Rosberg é a esperança de vitórias, mas para isso precisa de um carro de primeira.

O W02, modelo para esta temporada, foi lançado na terça-feira passada, durante os testes em Valência. No design, é arrojado. Possui uma frente proeminente parecendo um bico de pato e uma pintura prateada com belos detalhes verdes (ou azuis, depende do gosto do freguês). Pelo dinheiro investido e pelos nomes envolvidos, é um time que não deve ser menosprezado. A concorrência com McLaren, Ferrari e Red Bull será dura, mas a Mercedes espera, ao menos, deixar a desconfortável quarta posição entre as grandes da F1. O grande desafio é voltar à ponta.

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A luta pela sobrevivência

Herói da resistência, último dos moicanos, o sobrevivente. Todos essas descrições podem ser atribuídas a Frank Williams, o único dos grandes chefes de equipe que até hoje consegue manter seu time vivo e competindo sem ter de vender sua alma, ou melhor, uma parte daquilo que construiu, para uma montadora.

É lógico que tudo tem um preço. Por orgulho, a Williams parou no tempo. De equipe temida, vitoriosa e modelo que todos queriam copiar, tornou-se apenas uma figurante simpática, com um orçamento infinitamente inferior aos das concorrentes que um dia deixou para trás. Mesmo assim, o nome Williams continua carregando em si a essência do automobilismo.

Para continuar viva, a equipe mais uma vez teve de ceder um cockpit a um piloto pagante de qualidade duvidosa. Se há alguns anos o sapo engolido foi Kazuki Nakajima, imposto pela Toyota, agora foi Pastor Maldonado quem desembarcou em Grove com uma mala cheia de dinheiro. Bolívares, para ser mais preciso, vindos do patrocínio da estatal petrolífera venezuelana PDVSA. A bem da verdade, Hugo Chávez salvou a Williams. Os principais patrocinadores, Philips, Royal Bank of Scotland e Air Asia, debandaram e deixaram o time sem condições de bancar a temporada de 2011. Até que apareceu o Pastor.

Repare na asa traseira, patrocinada pelo governo da Venezuela. O mundo mudou.
Foto: Paul Gilham/Gettyimages

Em compensação, no outro cockpit, a equipe tem Rubens Barrichello. Pode não ser uma grande estrela da atualidade, mas é o mais experiente piloto, tem um alto grau de competitividade e traz um retorno espantoso na relação custo/benefício. É o nome certo para trazer resultados, sejam eles importantes pontos para o Mundial de Construtores, seja algum pódio ocasional. Mas o certo é que, sem uma estrela potencial do quilate de Nico Hulkenberg, dificilmente façanhas como a pole de Interlagos no ano passado devem se repetir.

O FW33, modelo de 2011, foi para a pista pela primeira vez ontem em Valência. A pintura ainda é temporária, um azul marinho sólido que a Williams já vem adotando na pré-temporada há vários anos. O carro traz algumas inovações interessantes, principalmente no desenho da traseira, bastante enxuta. Os motores Cosworth podem não ser a melhor opção, mas garantem um mínimo de competitividade.

Se o objetivo da Williams é sobreviver, conseguiu por mais um ano. Se o objetivo é sobreviver com dignidade, também deve conseguir. Mas se o objetivo for voltar a vencer, ainda vai demorar. E bastante.

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Falta ambição

Equipe número 2 da Red Bull, nascida do espólio da simpática Minardi, a Toro Rosso surgiu para fazer apenas figuração na Fórmula 1. E assim foi nos seus primeiros anos, até que, dentro da estratégia de servir de plataforma de lançamento de jovens pilotos da Red Bull, teve a bênção de contar com Sebastian Vettel em um de seus cockpits por uma temporada e meia.

O salto técnico da Toro Rosso em 2008 foi impressionante. De time da rabeira conquistou status de equipe média e provou até o gostinho da vitória, num inesquecível GP chuvoso em Monza. Terminou aquela temporada à frente da própria Red Bull, criando um certo constrangimento nos austríacos.

Sabe-se lá se por causa disso ou não, o fato é que a partir daí a relação do time italiano com a fábrica de energéticos azedou. Vettel foi para a Red Bull e Didi Mateschitz chegou a ensaiar a venda da equipe, que acabou não acontecendo. A parceria técnica com o time principal acabou e agora são praticamente dois times independentes, ainda que Didi continue aportando dinheiro e escolhendo seus pilotos.

O STR6 no estúdio: bem diferente do primo RB7.
Foto: Divulgação/Red Bull

O lançamento do STR6 ontem deixou bem claro esse distanciamento técnico. O carro é bem diferente do RB7 da Red Bull, com um bico mais baixo, linhas menos agressivas e uma tampa de motor mais convencional. O propulsor que empurrará o bólido continua sendo Ferrari e a dupla de pilotos segue a mesma do ano passado: Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi, talvez a mais fraca de toda a Fórmula 1.

A perspectiva da Toro Rosso é de mais uma temporada fazendo figuração, numa versão meio torta do lema do Barão de Coubertin, que dizia que “o importante é competir”. No caso deles, talvez o importante seja apenas estar presente, desenvolver pilotos e exibir a marca. Tarefa que, um dia, já foi das cada vez mais indigentes categorias de base.

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A número 1

Foto: Divulgação/Red Bull

Dentre todos os lançamentos da Fórmula 1 hoje em Valência (e que terão seus respectivos posts mais tarde), o que mais se destaca é o da Red Bull, atual equipe campeã do mundo. Se chegar ao topo já é difícil, manter-se é tarefa ainda mais complicada. Mas o time rubrotaurino parece que tem a receita para buscar o bicampeonato.

Vejamos: o melhor projetista das últimas duas décadas da Fórmula 1 (Adrian Newey), um propulsor bastante confiável (Renault), um piloto veterano que vive a melhor fase da carreira (Mark Webber) e outro piloto que já deixou de ser uma grande promessa e virou realidade ao sagrar-se campeão do mundo (Sebastian Vettel). Tem como ficar melhor? Eu acho difícil.

Foto de estúdio do RB7 que, de tão retocada, até parece um desenho.
Foto: Divulgação/Red Bull

O RB7, que foi para a pista pela primeira vez hoje, surpreende por romper mais do que o esperado com o seu modelo antecessor. Parece ser mais do que uma simples evolução, principalmente no desenho da traseira e das asas dianteira e traseira. No fim das contas, é um reflexo técnico da filosofia da marca que banca time. Tão importante quanto ganhar é ser diferente, ousado, inovador. E isso a Red Bull vem conseguindo, ainda que seu marketing por vezes exagere um pouco no conceito de juventude inconsequente.

Resta saber agora se o carro é bem nascido. Se for, pela estrutura e por tudo o que fizeram em 2010, é a equipe favorita ao título. Fica agora como interrogação o comportamento de Sebastian Vettel como detentor do título. Vestirá a capa com maestria ou o compromisso de continuar ganhando poderá levá-lo a tropeços? As respostas, a partir de março. Mas Vettel tem toda a pinta de ter vindo para ganhar. De novo.

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Em busca de uma identidade

Em 1981, Ted Toleman e Alex Hawkridge traziam à Fórmula 1 a Toleman Team, equipe nascida quatro anos antes nas bases do automobilismo inglês, Fórmula Ford 2000 e Fórmula 2. Cinco anos depois, o time mudava de mãos, sendo comprado pela griffe de roupas italiana Benetton.

Foi uma estratégia ousada para a época, fazendo com que uma marca de um produto não-relacionado ao automobilismo deixasse de ser apenas patrocinadora para virar dona de equipe. Assim, surgiu um novo conceito de marketing na categoria, de abrangência mundial, que agregava à marca uma série de valores e elevou a Benetton a um novo patamar em seu mercado. A estratégia foi repetida por outras empresas, principalmente japonesas, como a imobiliária Leyton House e a transportadora logística Footwork, mas nenhuma com o mesmo sucesso. Somente a Red Bull, já nos anos 2000, conseguiu êxito similar.

Nos anos Benetton, o time criou uma identidade forte. Era vista como uma equipe simpática, colorida, ousada e despojada. Quando virou um time vencedor, na era Schumacher, um tanto dessas características foram perdidas. A imagem de zebra foi deixada de lado para virar o time a ser batido, e essa ascensão ao mainstream mudou um pouco as coisas por lá. Mas não que isso fosse ruim. Ruim mesmo foi a fase pós-Schumacher, uma ressaca violenta que fez o time colecionar resultados negativos em sequência, culminando na venda para a Renault, em 2000.

A equipe voltou a crescer, principalmente a partir de 2003, com a chegada de Fernando Alonso. A curva ascendente seguiu até o bicampeonato mundial do espanhol, em 2005-2006. A partir daí, no entanto, a queda foi grande. A Toleman-Benetton-Renault foi se apequenando até culminar no escândalo do GP de Cingapura de 2008, um dos capítulos mais baixos da história da Fórmula 1, quando Nelsinho Piquet bateu de propósito no muro para que um Safety Car ajudasse seu companheiro Alonso, que venceu a corrida.

O Renault-Genii disfarçado de Lotus. Até que ficou bonito.
Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic

Toda a história só veio à tona um ano depois, e o estrago sobre a imagem da equipe foi devastador. Patrocinadores foram perdidos e a própria Renault resolveu abandonar o barco. Manteve o nome, mas vendeu o controle da empresa para o Genii, um grupo de investimentos luxemburguês. E aí começou a saga da busca por uma identidade.

Em 2010, a tentativa foi de resgatar a Renault Turbo dos anos 70/80. Pintura retrô em amarelo e preto, losango grandão na lateral. Os resultados foram bons com o excelente Robert Kubica, mas não convenceu. Agora, o time captou um patrocínio mandrake da Lotus Cars, pintou o carro de preto e dourado e inventou que seu nome é Lotus. Não convenceu ninguém, nem a FIA, que vem tratando o time como simplesmente Renault.

O carro é bonito e foi lançado hoje. Tem algumas inovações, como um escapamento frontal que ninguém entendeu direito ainda como vai funcionar, mas o Giorgio Piola (que no Brasil global foi reduzido a “o espião da F1″) vai desenhar e aí a gente vai saber. A dupla de pilotos é desequilibrada: um grande (Kubica) e um instável (Vitaly Petrov). Para completar, uma chuva de pilotos reservas, entre eles Bruno Senna e Romain Grosjean.

Dados os bons resultados do ano passado, é de se esperar algum sucesso. Mas Genii, tira essa pintura e essa ideia da cabeça. Todo mundo sabe que teu nome é Valdemar.

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Austeridade, teu nome é Sauber

Peter Sauber é um sujeito raro. Encara o automobilismo com a paixão, o rigor e a seriedade que merece, ainda que não viva o momento mais auspicioso de sua trajetória como dono de equipe. Abandonado repentinamente pela BMW no final de 2009, reergueu seu time praticamente do nada para fazer uma boa temporada em 2010. Revelou o mito Kamui Kobayashi e ainda deu chances a veteranos esquecidos como Pedro de la Rosa e Nick Heidfeld.

Oitava colocada entre doze equipes, a Sauber conseguiu mais verba da premiação da FOM e pretende, com isso, voltar a crescer em 2011. Do México, trouxe o piloto Sergio Perez e mais dinheiro, oriundo de telecomunicações e tequila. Kobayashi continua ao volante, garantia de shows e ultrapassagens.

Koba, o mito, já andou com o carro em Valência.
Foto: AP Photo/Alberto Saiz

O C30, carro novo, apresentado hoje em Valência, é reflexo da austeridade de seu dono. Sem grandes invencionices e com uma pintura conservadora, tem tudo para abocanhar bons resultados aqui e ali. Os motores são Ferrari, que se quebrarem menos, como na segunda metade da última temporada, são garantia de bom desempenho.

Aos poucos, à moda suíço-mineira, a Sauber pode conseguir um destaque maior. Basta lembrar dos imbatíveis carros prata da Sauber-Mercedes da época dos esporte-protótipos e dos bons resultados na primeira temporada na Fórmula 1 em 1993, com pouco dinheiro e com o carro todo preto, para saber do que este senhor calvo é capaz. Deem-lhe recursos. Capacidade e motivação não lhe faltam.

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