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Medonho

Tá certo que os ventos não são muito favoráveis aos uniformes de futebol no Brasil, dada a profusão de patrocínios nos lugares mais estranhos possíveis nos times de todas as divisões. Mas nem é esse o caso do Canoas, da foto acima. O time da região metropolitana de Porto Alegre, antigamente chamado Ulbra, vem disputando o Gauchão com este uniforme bizarro pela própria natureza.

Pra começar, marrom já não é lá a melhor cor do mundo para um fardamento. Para completar, um desenho tosco, que faz parecer que os jogadores estão de colete de treino. E a disposição do número e dos patrocínios também colabora para um conjunto horroroso.

Horrendo, pavoroso, medonho. Assim como o futebol do time, que está na penúltima colocação do Grupo 1, com duas derrotas em três jogos.

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Precisa tanto?

Até há pouco tempo, camisa de futebol repleta de patrocínios era coisa de time pequeno. Os grandes, com verbas milionárias, ostentavam sempre apenas um patrocinador principal, no máximo outro nas mangas e olhe lá. Até que o Corinthians contratou Ronaldo.

Dentro das regras vigentes, a sacada foi genial. Trouxeram o gordo, pagaram um salário fixo relativamente baixo (R$ 400 mil mensais é pouco para os padrões de uma estrela internacional) e deram a ele o direito de receber 80% da comercialização de patrocínios secundários na camiseta. O Corinthians ganhou, Ronaldo ganhou, mas a camisa sofreu. Do dia para noite, o manto corintiano virou um caderno de classificados. Eu mesmo tentei anunciar a venda do meu carro na camisa do Ronaldo, mas o Andrés Sanchez achou que fosse trote e desligou na minha cara.

Ironias à parte, o fato é que o marketing corintiano mudou o paradigma de patrocínios no futebol brasileiro. Contratos jogo a jogo, logos espalhados por toda a parte, até uma controversa propaganda de desodorante na altura das axilas. Se a moda pega, fico imaginando como seria um anúncio de absorvente no calção da Marta.

Tudo bem que financeiramente é bom. As regras do futebol brasileiro permitem. Mas e onde fica o torcedor e os símbolos dos clubes nessa história? E o bom gosto? Será que vale a pena uma exposição junto a outras diversas marcas? A gente sabe, quando se tenta mostrar tudo, a poluição visual é tanta que não se vê mais nada.

A camisa oficial (à esq.) e a sugestão com logo negativado (à dir.). Características do clube preservadas.

A camisa oficial (à esq.) e a sugestão com logo negativado (à dir.). Características do clube preservadas.

Com o avanço da tecnologia de transfers, a inserção das marcas nas camisas ficou mais simples. E o pior: com quantas cores se desejar. O resultado que se vê é o que aconteceu recentemente com outros grandes clubes, como Flamengo, Cruzeiro e Atlético Mineiro. No time carioca, a Batavo maculou terrivelmente o manto rubro-negro com uma gigantesca marca azul, com direito a holandesinha e tudo. Nos times mineiros, o banco BMG inseriu um enorme logotipo laranja, cor que nada tem a ver e que distorce o fardamento das equipes.

Entendo perfeitamente a necessidade da exposição correta de uma marca e o valor que isso tem, principalmente num evento de massa como o futebol, com divulgação mundial. Mas será que seria tão prejudicial assim exibir a marca apenas na versão branca, o que todas elas possuem justamente para serem exibidas em meios nos quais não é possível usar as cores preferenciais? A título de exemplo, ilustram este post duas simulações que fiz com Flamengo e Cruzeiro, apenas alterando as cores e a proporção das marcas. Não facilitou a leitura, a compreensão e tornou as camisas mais autênticas?

Tomemos o futebol europeu – sim, sempre ele – como exemplo. Nos principais torneios, como Itália e Espanha, somente um patrocinador é permitido, fora o fornecedor de material esportivo. E apenas na frente. Nas costas, apenas nome e número. Na Champions League e no Mundial de Clubes, até a centimetragem das marcas é controlada. Tudo em nome da estética? Não. O objetivo principal é evitar a poluição visual e dar o devido destaque aos patrocinadores-master, que desembolsam a maior verba para associar sua marca ao clube. Excesso de patrocínios cria distorção e prejudica quem paga a maior parte da conta, atrapalha até as placas de patrocínio que ficam ao fundo, nas transmissões pela TV. E aí eu pergunto: não estaria essa profusão de elementos desvalorizando as cotas maiores? Não seria o momento de se rever isso?

A mesma ideia do Cruzeiro aplicada ao Flamengo. Não ficaria melhor?

A mesma ideia do Cruzeiro aplicada ao Flamengo. Não ficaria melhor?

Os torcedores em geral já questionam o novo fenômeno. E tal “mancha” nos mantos de seus clubes do coração acaba gerando uma reação de antipatia aos investidores. Algumas ações inovadoras já começam a aparecer fora do Brasil, o que chega a ser um alento. Na Argentina, o Banco Hipotecario Nacional decidiu investir no Racing Club. Porém, ao invés de inserir uma gigantesca marca brilhante, optou pelo contrário. A marca do banco não está sendo exibida no uniforme. E tal “limpeza” está sendo capitalizada numa ação de marketing intitulada: “estamos devolvendo a camisa à torcida”. O banco ganha simpatia dos torcedores e aparece de forma indireta, nos uniformes de treino, com placas de publicidade no estádio e nos banners de fundo das entrevistas coletivas.

Se a novidade do Racing vai dar certo, ainda não se sabe. Mas se funcionar, seria uma grande inovação a ser copiada por aqui. Afinal, por mais que o futebol seja profissional, no imaginário da torcida ainda existem ideais de paixão, desapego e amor ao clube. E quem colaborar para preservar a história e a imagem de um clube será sempre saudado.

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Criatividade ou cara-de-pau?

Para quem é um colecionador de camisas de futebol, como eu, os sites de leilões pelo mundo são um verdadeiro paraíso. Normalmente se acha camisas antigas ou raras, difíceis de ser encontradas. No entanto, uma grande complicação é a pirataria. Fica difícil comprar uma camisa sem ver antes, correndo o sério risco de receber em casa um material de baixa qualidade. Por isso, dificilmente arrisco uma compra num site desses.

Mas ontem, dando uma fuçada na Internet, me diverti ao descobrir os feitos de uma fábrica chamada “Agmar”. Desconheço sua origem, imagino que seja chinesa ou algo do tipo. Porém, o curioso de tudo é que eles fazem, na maior cara-de-pau, camisas de diversos clubes do mundo, inlcusive do Brasil. E diferentemente da maioria dos piratas, eles não se preocupam em copiar os modelos oficiais. Eles criam suas próprias versões dos uniformes e, orgulhosamente, colocam seu logo na camiseta. Pena que, na sua maioria, o resultado são verdeiras bizarrices.

Abusando das texturas no melhor estilo “manhê, olha o que eu aprendi no Photoshop”, atentados são cometidos contra várias camisetas. A do Flamengo, por exemplo, até ficou parecida com a original, mas ganhou listras finas ao redor das grossas, com o preto meio desbotado, quase marrom. A do São Paulo praticamente perdeu a listra branca entre a preta e a vermelha e ainda ganhou texturas nas laterais. E nas do Grêmio e do Milan, os maiores crimes: um esfumaçado enorme por trás do patrocinador.

No entanto, nem tudo ficou tão ruim assim. A camisa 2 inventada para a Juventus ficou bacaninha. E a do Werden Bremen é até muito bonita, apesar do corte e do tecido ruins.

Confira abaixo a galeria de camisas “criativas”. E escolha a melhor e a pior de todas.

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