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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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25 anos de GP da Austrália – parte 2
Se na maioria das vezes as corridas em Adelaide foram de certa forma uma celebração de fim de temporada, em duas ocasiões a situação foi um tanto diferente. O GP da Austrália decidiu dois títulos mundiais, em 1986 e 1994. Ambas decisões foram históricas, cada uma à sua maneira. Se em 1986 Alain Prost foi o campeão-azarão numa prova marcada por muitas alternativas e suspense até as voltas finais, em 1994 a corrida australiana foi marcada pela infâmia, com Michael Schumacher forçando um acidente com Damon Hill.
Três no páreo e decisão surpreendente
Nigel Mansell, Nelson Piquet e Alain Prost desembarcaram na Austrália com ambições de fechar o ano com um título mundial. O inglês era o franco favorito. Bastava um terceiro lugar, independentemente de qualquer outro resultado, para ser campeão. E, ainda que não fosse ao pódio, levaria o título da mesma forma, caso o vencedor não fosse nem Prost nem Piquet. O brasileiro, companheiro de Mansell na Williams, precisava da vitória a todo custo. E Prost, ainda que em segundo lugar no campeonato, era o menos cotado, já que sua McLaren-TAG Porsche não era páreo para as duas Williams-Honda.
Na classificação, já se pôde ter uma noção da vantagem da Williams. Mansell e Piquet formaram a primeira fila, virando tempos na casa de 1min18s. Prost foi quarto, mais de um segundo atrás. Seu companheiro, Keke Rosberg, foi apenas sétimo, a dois segundos das Williams. A situação não era nada favorável à McLaren. E justamente por isso, a equipe decidiu por uma estratégia ousada.
Rosberg foi escolhido como “coelho”. Não venceria, mas largaria mais leve e dispararia na frente de forma a forçar Piquet e Mansell a desgastarem seus equipamentos. Tudo começou conforme o script, com o finlandês ultrapassando todo mundo – é bom lembrar que era uma época em que ultrapassagens eram eventos normais – e assumindo a ponta. Piquet e Mansell começaram a forçar e o brasileiro foi o primeiro a se complicar, travando os freios e rodando. Caiu do segundo para o quarto lugar.
Mas, por um instante, pareceu que a estratégia do time de Ron Dennis fracassara. Alain Prost teve um pneu furado e foi obrigado a parar nos boxes. Despencou para a quarta posição e suas chances de título pareciam terminadas. Mas justamente o pneu furado foi seu grande aliado.
Aqui cabe um parêntese. Duas semanas antes, no México, a Goodyear protagonizou um fiasco ao ver suas equipes obrigadas a duas paradas para trocas de pneus por seus compostos não aguentarem as ondulações do circuito Hermanos Rodriguez. Gerhard Berger, com uma Benetton – equipe estreante – calçada com pneus mais resistentes da concorrente Pirelli, conseguiu uma vitória surpreendente. Fecha parêntese.
Preocupada com o fracasso no México, a Goodyear prometeu novos compostos para o GP da Austrália que, em sua avaliação, seriam resistentes o suficiente para garantir uma corrida inteira sem trocas. Como ninguém iria parar, Prost estava, de fato, ferrado. Mas não foi bem assim.
Cerca de trinta voltas depois, já no terço final de corrida, o coelho Rosberg encostou e abandonou. Em um primeiro momento, imaginava-se pane seca, já que o finlandês vinha num ritmo alucinante a corrida toda. Mas não: o motivo fora um pneu furado. Dados os problemas de pneus nas duas McLaren, era de se esperar que os compostos da Goodyear não fossem assim tão resistantes. Mas, mesmo assim, a Williams confiou na palavra do fornecedor e não mandou nem Piquet nem Mansell pararem. Erro fatal.
O inglês, que vinha em segundo lugar e tinha o título nas mãos, viu seu pneu traseiro esquerdo explodir em plena reta, a 300km/h. Felizmente, conseguiu controlar o carro e evitou um grave acidente, mas o título já estava perdido. Com o abandono de Mansell, Piquet passou a liderar a prova, com Prost em segundo. Porém, preocupada com o estado dos pneus do brasileiro, considerando que ele já havia travado rodas e rodado, a equipe o orientou a parar nos boxes para uma troca. Assim, a menos de 20 voltas para o fim, Prost assumiu a liderança rumo a seu segundo título mundial.Piquet ainda reduziu a diferença, mas já era tarde. Nem mesmo um problema no medidor de combustível, que a duas voltas do fim passou a sinalizar que não havia mais gasolina no tanque, tirou o título de Prost. O francês não reduziu o ritmo e preferiu correr o risco de uma pane seca. Saiu de Adelaide campeão. Desceu do carro logo depois de cruzar a linha de chegada, saltando de alegria. Um grande momento.
Triste fim de uma temporada infame
Já em 1994, a situação foi completamente diferente. A temporada foi marcada por uma série trágica de acidentes, sendo que dois produziram vítimas fatais: Ayrton Senna e Roland Ratzenberger. O campeonato apresentou uma liderança folgada de Michael Schummacher, que ganhou seis das sete primeiras corridas. Porém, uma série de desavenças entre a FIA e a equipe Benetton, acusada de utilizar dispositivos ilegais em seus carros. As acusações nunca ficaram provadas, mas mesmo assim a FIA fez “justiça com as próprias mãos” ao desclassificar Schumacher de duas corridas e proibi-lo de disputar outras duas. O alemão até mereceu a desclassificação no GP da Inglaterra, mas o restante das punições pareceram um tanto exageradas. Era uma tentativa atrapalhada de salvar um campeonato manchado por mortes, trapaças e controvérsias.
Com tapetão, a decisão do título acabou ficando para a última corrida. Michael Schumacher chegou à Austrália líder, mas apenas um ponto à frente de Damon Hill, da Williams. Assim, quem chegasse à frente nas primeiras posições seria o campeão, num briga direta, homem a homem.
A pole position ficou com Nigel Mansell, que substituía Senna na Williams, com Schumacher em segundo e Hill em terceiro. Depois de dois anos na Indy, o Leão havia se acostumado com largadas lançadas e não partiu bem quando surgiu o sinal verde. Caiu para quinto, deixando a briga na ponta para os dois postulantes ao título. Schumacher saltou na frente, com Hill em segundo.
Embora não tenha havido uma tentativa de ultrapassagem, Hill vinha marcando Schumacher de perto. Até o pit stop fizeram juntos, era mesmo uma marcação homem a homem. Quando começaram a negociar ultrapassagens com retardatários, o alemão conseguiu abrir alguma vantagem. Porém, errou na 35ª de 81 voltas. Deixou sua Benetton escapar, bateu com a roda dianteira numa mureta de proteção e voltou à pista atordoado. Damon Hill, que viu Schumacher voltando à pista depois de uma escapada, achou que aquela era a sua grande chance e colocou por dentro para ultrapassar. Ao ver que não teria como segurar o inglês, Schumacher apelou. Jogou sua Benetton sobre o carro de Hill, forçando o abandono de ambos.Foi um título constrangido, o primeiro da carreira vitoriosa de Schumacher, e talvez o que mais prejudicou sua imagem. A canalhice que fez foi aprendida na cartilha de seus professores, Alain Prost e Ayrton Senna. Mas o problema é que na época Michael era apenas um talentoso piloto buscando provar que poderia ser campeão. Senna e Prost foram sujos quando já gozavam da fama de super-heróis, um momento no qual barbaridades são vistas com certa condescendência. Schumacher não tinha um passado que o absolvesse, mas o futuro se encarregou de lhe fazer justiça.
Amanhã, a parte final do especial, com os GPs disputados no Albert Park.
25 anos de GP da Austrália – parte 1
A história dos Grandes Prêmios da Austrália válidos pelo Mundial de Fórmula 1 começa há exatos 25 anos. Não que antes nunca tenha havido corridas na terra dos aborígenes, mas o fato é que as provas de F1 lá realizadas anteriormente aconteceram como corridas extra-oficiais, sendo algumas delas válidas pela Tasman Series. Mas isso já dá outro post.
A Austrália entrou pra valer no mapa da categoria a partir de 1985, quando o circuito urbano de Adelaide passou a sediar a corrida, sempre a última da temporada. Lá aconteceram 11 Grandes Prêmios até 1995, quando as características da prova australiana mudaram por completo. Passou do final para o começo do calendário e trocou as ruas de Adelaide pelo traçado dentro de um parque em Melbourne.
A série de três posts que se inicia hoje conta diferentes momentos do GP oceânico. O primeiro, fala de algumas divertidas corridas – quase que recreativas -, que marcaram o encerramento de várias temporadas. Amanhã, o post será sobre as duas decisões de título que lá aconteceram, em 1986 e 1994. E na quarta-feira, um pouco da história mais recente, com algumas corridas já disputadas no Albert Park.
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Tempo de confraternização
Cidade litorânea ao sul da Austrália, Adelaide quase sempre sediou corridas mais relaxadas, uma espécie de confraternização de fim de ano. Não por acaso: todos os GPs lá disputados encerraram as temporadas, sendo que nove dos onze aconteceram já com o título do campeonato definido. Assim, as equipes e pilotos dirigiam-se à Oceania para quase que celebrar o ano que passou e engatar um início de férias num lugar agradável à beira-mar.
O clima festivo proporcionou corridas bastante diferentes. Para se ter uma ideia, Ayrton Senna correu no sacrifício em 1988, logo após ser campeão no Japão, por ter machucado o pulso jogando futebol na véspera do GP. Algo impensável durante a tensão normal de uma temporada.
São situações como essas que ajudam a explicar como, em nove corridas que ocorreram nessas condições, apenas uma vez o campeão da temporada venceu. Foi em 1991, quando Senna ganhou a mais curta corrida da história da Fórmula 1, que durou apenas 14 voltas. O temporal foi tamanho que a prova foi interrompida logo cedo e os pontos, contados pela metade.
Na prova de estreia, em 1985, Keke Rosberg deu show e conquistou sua última vitória na F1. Mas o show mesmo foi de Ayrton Senna, que fez uma espécie de corrida circense. Saltou por sobre zebras, perdeu o aerofólio dianteiro de sua Lotus e deu até um passeio por baixo das arquibancadas temporárias. Depois de castigar tanto seu carro, abandonou com problemas mecânicos, como era de se esperar.
Três anos depois, um outro abandono, mas premeditado. Gerhard Berger sabia que sua Ferrari não tinha a menor chance na corrida. O motor consumia muito combustível e, à época, o reabastecimento era proibido. Para chegar ao final, precisaria andar lentamente. Como a corrida já não valia mais nada mesmo, resolveu dar show. Saiu com pouca gasolina e foi para o ataque. Ultrapassou as imbatíveis McLaren de Senna e Prost e disparou na ponta. Até que encontrou o retardatário René Arnoux. Viu ali a chance de um grand-finale: jogou seu carro por dentro e forçou uma batida com o francês. Como o piloto da Ligier era maluco e fechava todo mundo mesmo, ninguém desconfiou que tivesse sido um acidente premeditado. E Berger saiu de Adelaide como o herói do dia. E Arnoux, coitado, foi o retardatário vilão da vez.Climão nos bastidores e corrida espetacular
Mas poucos GPs da Austrália foram mais empolgantes do que a edição de 1990, que entrou para a história como a 500ª corrida da história da F1. Senna e Prost brigaram pelo título até o GP do Japão, que encerrou a disputa com o infame acidente entre ambos na largada. Na Austrália, duas semanas depois, o clima ainda era péssimo. O brasileiro discutiu rispidamente com o tricampeão Jackie Stewart durante uma entrevista, com o escocês batendo firme na questão da falta de desportividade demonstrada em Suzuka. Prost, furioso, negou-se a posar para uma foto comemorativa ao lado dos campeões mundiais vivos lá reunidos, só para não ficar perto de Senna.
Na pista, no entanto, não houve faíscas entre eles. Ayrton largou na pole, disparou na frente e não tomou conhecimento de Prost na prova. Rumava para uma vitória até tranqüila, até que sofreu um problema de freios, bateu na barreira de pneus e abandonou. Nigel Mansell, com a Ferrari, assumiu a liderança e parecia vencer com tranqüilidade, até ser surpreendido pela zebra Nelson Piquet. Sua Benetton, ainda que tivesse vencido no Japão, não era o carro mais competitivo e dificilmente ganharia uma corrida com McLarens e Ferraris na pista. Mas Piquet elaborou uma estratégia de não trocar pneus e surpreendeu o piloto inglês. Manteve-se à frente com dificuldade, enquanto Mansell vinha rápido com pneus novos. Na última volta, o Leão tentou o bote por dentro na curva mais fechada do circuito, a poucos metros do final. Sem medo, Piquet fechou a porta e, por milímetros, os dois não se chocaram. Vitória do brasileiro, na chegada mais emocionante de todos os GPs da Austrália.
A reconciliação de dois grandes nomesSe por um lado a corrida de 1990 viu o auge da inimizade entre Senna e Prost, três anos depois Adelaide foi palco da reconciliação dos dois campeões. O francês se despedia da Fórmula 1, enquanto que o brasileiro dava adeus à McLaren. Numa prova histórica, a vitória foi de Senna, com Prost em segundo. Na garagem, depois de anos de frieza e inimizade, Ayrton estendeu a mão a Alain e ambos trocaram um cordial cumprimento. No pódio, Senna ergueu algumas vezes o braço de Prost, campeão daquela temporada, como que num reconhecimento público da importância que o francês teve em sua carreira e na história da categoria. Foi a última vitória de Senna e o capítulo final de um dos maiores – e mais controversos – duelos da história da F1.
Mas em 1989, por exemplo, a corrida foi tensa. Logo após o polêmico GP do Japão, o qual Senna venceu mas foi desclassificado depois de um acidente com Prost, o título já estava decidido em favor do francês. Porém, Senna e a McLaren aguardavam julgamento de um recurso e esperavam vencer em Adelaide para que o título trocasse de mãos no tapetão. No dia da corrida, um temporal desabou sobre o circuito, deixando a pista absolutamente sem condições. Enquanto a maioria dos pilotos se organizava para evitar a largada, Ayrton Senna era um dos poucos que permanecia no cockpit aguardando a volta de apresentação. A direção de prova autorizou o início das atividades assim mesmo, com vários pilotos percorrendo o grid a pé. A largada, com nem todo mundo alinhado ainda – vários carros ainda estavam em volta de apresentação -, foi uma zona. Tanto que, logo depois, foi anulada. Alain Prost, que havia largado da primeira vez, recolheu-se aos boxes na primeira passagem e não voltou para a segunda partida. Senna largou de novo, manteve-se na ponta mas acabou abandonando depois de um acidente com Martin Brundle. O brasileiro não viu a Brabham do inglês por causa da forte chuva e acertou-lhe em plena reta. Foi o fim do sonho do título, ainda que pelas vias judiciais. A vitória foi do correto Thierry Boutsen, com a Williams. Sua segunda vitória na carreira, a segunda sob forte chuva.
Adelaide se despede com corrida maluca
A despedida de Adelaide aconteceu em 1995. Melbourne passaria a sediar o GP da Austrália a partir do ano seguinte e a corrida aconteceu sob um clima esquisito. Mika Hakkinen sofrera um acidente nos treinos de sexta-feira e estava em coma no hospital. Michael Schumacher, já bicampeão, despedia-se da Benetton e sofreu um acidente com Jean Alesi, que o substituiria na equipe italiana. David Coulthard, que liderava a prova, bateu na mureta dos boxes quando faria seu primeiro pit stop. Praticamente todo mundo foi abandonando e o caminho ficou livre para Damon Hill, que ganhou com duas voltas de vantagem para o segundo colocado, o francês Olivier Panis, que disputou as últimas voltas com o motor Mugen-Honda de sua Ligier soltando fumaça para todo lado. O pódio foi completado por Gianni Morbidelli com a Arrows, ele que só voltou a correr porque o dinheiro de seu substituto, Max Papis, tinha terminado. Foi uma despedida bastante inusitada para um dos circuitos mais divertidos da Fórmula 1.
Alonso é o 6º a vencer na estreia pela Ferrari
O espanhol Fernando Alonso tornou-se hoje o sexto piloto da história a vencer em sua primeira corrida pela equipe Ferrari. Antes dele, obtiveram tal marca os italianos Luigi Musso e Giancarlo Baghetti, o norte-americano Mario Andretti, o inglês Nigel Mansell e o finlandês Kimi Raikkonen.
Musso foi o primeiro a realizar tal feito, vencendo o GP da Argentina de 1956. Cinco anos depois, o mais incrível deles: Baghetti venceu não só sua primeira corrida pela Ferrari, mas sim sua primeira corrida na Fórmula 1. Desde então, ninguém mais conseguiu repetir a façanha.
Em 1971, Mario Andretti ganhou na África do Sul, em seu primeiro GP pela equipe italiana. Depois de um hiato de 18 anos, foi a vez de Nigel Mansell ganhar o GP do Brasil. E, novamente 18 anos depois, Kimi Raikkonen foi o vencedor do GP da Austrália de 2007, temporada na qual terminou campeão do mundo.
Fernando Alonso, em apenas uma corrida, já inscreve seu nome na história da Ferrari. Resta saber se conseguirá ser campeão, como Kimi.
Par ou ímpar?
Na semana que passou, Michael Schumacher apareceu dando as cartas na Mercedes. Segundo versão oficial, “solicitou” que seu número fosse trocado de 4 para 3, já que gostava mais de números ímpares. Além disso, um tanto de superstição, já que o 4 nunca foi campeão. Embora os pilotos geralmente sejam um tanto supersticiosos, não creio muito na versão. Na verdade, como fazem os cães, Michael começou a fazer xixi para demarcar seu território.
Mas, partindo do pressuposto de que o motivo tenha sido realmente uma predileção numérica, Schumacher não está de todo errado. Desde que a Fórmula 1 adotou a numeração fixa, em 1974, 36 campeonatos foram disputados. E os carros de números ímpares levam uma larga vantagem: até hoje, dois terços dos títulos ficaram com eles. Apenas 12 foram campeões com números pares.
A explicação para o “fenômeno” é simples. Normalmente, os primeiros pilotos das equipes ganham os números mais baixos. E tais números geralmente são ímpares, sendo pares apenas em times que são ordenados acima do 14. Como geralmente as melhores equipes estão com os números mais baixos… os favoritos quase sempre são os ímpares.
Tanto que, desde que a numeração baseada na classificação do ano anterior foi adotada, em 1996, em apenas duas ocasiões o piloto campeão tinha numeração mais alta que seu colega de time. Mika Hakkinen em 1998 e Kimi Raikkonen em 2007.
Confira abaixo os números de todos os campeões, desde 1974.
| Ano | Campeão | Número do carro |
| 1974 | Emerson Fittipaldi | 5 |
| 1975 | Niki Lauda | 12 |
| 1976 | James Hunt | 11 |
| 1977 | Niki Lauda | 11 |
| 1978 | Mario Andretti | 5 |
| 1979 | Jody Scheckter | 11 |
| 1980 | Alan Jones | 27 |
| 1981 | Nelson Piquet | 5 |
| 1982 | Keke Rosberg | 6 |
| 1983 | Nelson Piquet | 5 |
| 1984 | Niki Lauda | 8 |
| 1985 | Alain Prost | 2 |
| 1986 | Alain Prost | 1 |
| 1987 | Nelson Piquet | 6 |
| 1988 | Ayrton Senna | 12 |
| 1989 | Alain Prost | 2 |
| 1990 | Ayrton Senna | 27 |
| 1991 | Ayrton Senna | 1 |
| 1992 | Nigel Mansell | 5 |
| 1993 | Alain Prost | 2 |
| 1994 | Michael Schumacher | 5 |
| 1995 | Michael Schumacher | 1 |
| 1996 | Damon Hill | 5 |
| 1997 | Jacques Villeneuve | 3 |
| 1998 | Mika Hakkinen | 8 |
| 1999 | Mika Hakkinen | 1 |
| 2000 | Michael Schumacher | 3 |
| 2001 | Michael Schumacher | 1 |
| 2002 | Michael Schumacher | 1 |
| 2003 | Michael Schumacher | 1 |
| 2004 | Michael Schumacher | 1 |
| 2005 | Fernando Alonso | 5 |
| 2006 | Fernando Alonso | 1 |
| 2007 | Kimi Raikkonen | 6 |
| 2008 | Lewis Hamilton | 22 |
| 2009 | Jenson Button | 22 |
Este post foi uma sugestão do leitor Francisco Meireles.
Nano Rosso
Fernando Alonso foi apresentado oficialmente ontem como piloto da Ferrari. Já vestiu o boné e as cores da equipe e foi saudado pelos tifosi. Talentoso todo mundo sabe que ele é, o problema é saber se isso será suficiente para sua estada na Ferrari dar certo. No temperamento e nas artimanhas políticas, Nano lembra muito outro campeão que desembarcou em Maranello: Alain Prost. E cujo casamento acabou em briga.
Prost chegou à Ferrari em 1990, desgastado pela briga com Ayrton Senna na McLaren no ano anterior. Teve um certo êxito na primeira temporada, chegando a disputar o título até a penúltima etapa da temporada, quando foi alvejado por Senna e perdeu o título mundial. Mas como diz o ditado, por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.
Mal chegou na equipe e Prost usou suas habilidades políticas para minar Nigel Mansell, companheiro que tinha chegado à Ferrari um ano antes. A pressão exercida pelo francês foi tão forte que o emocional Leão não aguentou. Ainda no meio da temporada, anunciou que abandonaria a Fórmula 1 ao final do ano, uma decisão “irrevogável”, no melhor estilo Aloísio Mercadante. Logo depois, assinou com a Williams e o resto é história.
Mas o momento mais emblemático do desgaste interno provocado na Ferrari aconteceu na largada do GP de Portugal de 1990. A escuderia vermelha conseguiu dobradinha na primeira fila, com Mansell na pole. Senna, rival direto de Prost na briga pelo título, vinha em terceiro. Sendo a reta final do campeonato, tudo indicava que um jogo de equipe favoreceria o francês, mas não foi bem isso o que aconteceu. Revoltado contra seu companheiro, Mansell jogou Prost contra a mureta quando a luz verde apareceu, numa largada absurda. Senna, com pista livre, assumiu a ponta. O inglês terminou vencendo a corrida com Prost em terceiro, furioso. No pódio, um debochado Mansell erguia o braço de Senna para comemorar a vitória, ignorando a presença do desafeto.
O inglês foi embora da equipe, mas o clima ruim permaneceu. O desgaste interno e a bagunça começaram a imperar, com uma disputa de poder que parecia não ter fim. Nem a chegada de Jean Alesi, também francês, ajudou para que o ambiente melhorasse. O projeto de 1991 foi um fracasso, o comando do time foi trocado e as brigas tornaram-se cada vez maiores. E foi aí que Prost cometeu o maior de seus erros. Acostumado a manipular a imprensa de forma a utilizá-la em seu favor nos tempos de Renault e McLaren, o tiro saiu pela culatra. Sendo a Ferrari sagrada para os italianos, jornalistas e torcedores revoltaram-se contra as tentativas do francês de jogar a opinião pública contra a equipe. O método Wanderley Luxemburgo que prega o “eu ganho, vocês perdem” não deu certo. E bastou Prost criticar publicamente seu carro após o GP do Japão, chamando a Ferrari de “caminhão”, para perder o emprego. Ficou a pé ainda com um ano de contrato em vigor. Saiu por baixo da equipe.
Fernando Alonso também fez coisas parecidas em seus tempos de Renault e McLaren, curiosamente, mesmas equipes pelas quais Prost também havia passado. Na Renault, quando não gostava do desempenho do carro, fazia críticas públicas. Uma vez, chegou a cobrar abertamente dedicação dos mecânicos e engenheiros. Internamente, escudado pelo diretor da equipe que era seu manager – o execrado Flavio Briatore -, sempre fez todas as manobras necessárias nos bastidores para se firmar como primeiro e quase exclusivo piloto. Quando foi para a McLaren, tentou o mesmo com Lewis Hamilton, mas se deu mal. Queimou-se internamente e também com a apaixonada imprensa inglesa, rompendo seu contrato logo após o término da única temporada em que correu com os carros prata.
Temperamento forte e comportamento destrutivo Alonso tem. E a Ferrari hoje tem problemas internos de poder semelhantes com os do começo dos anos 90, em uma escala um pouco menor. Mas duas diferenças de cenário podem fazer com que o espanhol se dê bem em Maranello. Felipe Massa está mais para Lewis Hamilton do que para Nigel Mansell. Felipe é cria da casa e goza de muito prestígio dentro da Ferrari, tal qual Hamilton. E Alonso já entendeu que nem sempre tal estratégia dá certo. Sua malfadada passagem pela McLaren pode ter-lhe ensinado tal lição.
Se aprendeu direitinho com o fracasso de 2007, Alonso pode conquistar o time, procurar ganhar apenas na pista e não se meter em políticas internas. Caso não tenha aprendido nada, pode repetir o erro de Prost, o que pode marcar definitivamente sua carreira. O coração dos tifosi não perdoa.
Hamilton: primeira quebra na F1

Foto: Reprodução/Adrivo.com
Vice-campeão e melhor estreante da história da Fórmula 1 em 2007. Campeão do mundo logo na segunda temporada, em 2008. Apesar da temporada não tão boa em 2009, quando terminou em quinto, Lewis Hamilton não pode reclamar muito da sorte que tem na categoria. Afinal, pela primeira vez em três anos, o inglês experimentou ontem a sensação de abandonar uma corrida por falha mecânica.
Parece surreal, mas é verdade: até o GP de Abu Dhabi, em 51 corridas, o inglês jamais havia sofrido uma única quebra durante uma prova. Hamilton já tinha abandonado quatro corridas, mas todas por acidentes ou erros. Na China, em 2007, errou e ficou preso na caixa de brita na entrada dos boxes. No Canadá, em 2008, bateu na traseira de Kimi Raikkonen no pit lane. Na Bélgica, este ano, acidentou-se na largada. E na Itália, rodou e bateu sua McLaren na última volta.
Agora, em Yas Marina, o inglês teve sua primeira quebra mecânica. Seus freios traseiros apresentaram problemas e a equipe o orientou a abandonar. Sempre existe uma primeira vez, mas ela demorou bastante para Lewis Hamilton.
Distribuição de vitórias é a maior em 27 anos

Foto: Divulgação/Ferrari
Com o primeiro lugar de Kimi Raikkonen no GP da Bélgica, a temporada 2009 da Fórmula 1 atingiu uma histórica marca de distribuição de vitórias. Pela primeira vez em 27 anos, houve seis diferentes vencedores em seis provas consecutivas: Jenson Button (Turquia), Sebastian Vettel (Inglaterra), Mark Webber (Alemanha), Lewis Hamilton (Hungria), Rubens Barrichello (Europa) e Kimi Raikkonen (Bélgica).
Em 1999 e 2003, passou perto: cinco diferentes pilotos ganharam cinco corridas consecutivas. Antes disso, só o recorde absoluto de 1982. Naquela temporada, nove diferentes ganhadores na sequência: Riccardo Patrese (Mônaco), John Watson (EUA), Nelson Piquet (Canadá), Didier Pironi (Holanda), Niki Lauda (Inglaterra), René Arnoux (França), Patrick Tambay (Alemanha), Elio de Angelis (Áustria) e Keke Rosberg (Suíça). Foi, inclusive, a temporada com mais diferentes vencedores da história, com onze.
Tags: GP da Bélgica
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Primeira fila italiana é a sétima da história

Foto: Reprodução/Adrivo.com
De forma absolutamente inesperada, dois italianos ocupam a primeira fila no grid para o GP da Bélgica: Giancarlo Fisichella na pole, acompanhado por Jarno Trulli. E é apenas a sétima vez na história que isso acontece, sendo a primeira em quatro anos.
No GP da Austrália de 2005, Fisichella e Trulli já tinham dividido uma primeira fila, nas mesmas posições. Fisico, que estreava na Renault, venceu a corrida. Antes disso, no entanto, é preciso voltar bastante no tempo.
A primeira vez em que só italianos compuseram a primeira fila aconteceu, curiosamente, também em Spa-Francorchamps. Foi em 1952, quando Alberto Ascari, Giuseppe Farina e Piero Taruffi saíram na frente, todos com Ferrari. É bom lembrar que, nesta prova, a primeira fila era composta por três carros. Todos eles repetiram a dose no mesmo ano, no GP da França, largando nas mesmas posições. No ano seguinte, a italianada voltou a dominar o grid na França, mas agora com Ascari, Felice Bonetto e Luigi Villoresi.
Somente trinta anos depois a Fórmula 1 voltou a ver uma primeira fila da Itália, já na configuração de filas de dois carros. Foi com Elio de Angelis e Riccardo Patrese no GP da Europa de 1983, em Brands Hatch. E em 1984 aconteceu novamente, dessa vez com o mesmo De Angelis na pole, acompanhado de Michele Alboreto, no GP do Brasil.
Uma ligação cármica

Foto: Arquivo
A Force India conquistou agora há pouco a primeira pole position de sua história, no místico circuito de Spa-Francorchamps. E a ligação dos indianos com o GP da Bélgica tem algo de cármico, já que evoca antigas encarnações do time.
Há 15 anos, em 1994, a equipe Jordan marcou em Spa sua primeira pole position na Fórmula 1, com Rubens Barrichello. Quatro anos depois, em 1998, obteve sua primeira vitória, com Damon Hill. E em 2005, já moribunda, marcou os últimos pontos de sua trajetória, com um oitavo lugar de Tiago Monteiro. Tudo na Bélgica.
De lá para cá, o time morreu e renasceu algumas vezes. Virou Midland, depois virou Spyker, e desde o final de 2007 reencarnou como Force India. E agora, com o primeiro dono responsável em muito tempo, volta a figurar entre os protagonistas da Fórmula 1. E seus primeiros pontos têm pinta de que vão surgir também em Spa, terreno sagrado dessa trajetória esotérica.
Tags: Force India, GP da Bélgica, Jordan, Midland, Spyker
14 comentários
Momentos importantes que você não viu… porque ninguém mostrou!
Transmitir uma prova automobilística pela televisão é uma tarefa complicada. São necessárias dezenas de câmeras, centenas de profissionais e, principalmente, um operador de switcher muito atento, para garantir que o telespectador não vá perder momentos importantes de uma corrida ou treino de classificação.
O trabalho é duro e nem sempre houve as facilidades de hoje, com muitas câmeras espalhadas por todo o circuito, onboards em todos os carros e mesas digitais de última geração. Quando as transmissões ao vivo começaram, no começo dos anos 70, a infraestrutura era ainda muito precária e muitos momentos da corrida precisavam ser interpretados pelo narrador ou por quem assistia, dada a impossibilidade de exibir tudo o que estava acontecendo.
No entanto, mesmo com a melhora consistente das transmissões a partir dos anos 80, muitos momentos importantes, alguns históricos, simplesmente não foram registrados. Seja por uma distração do câmera ou por um erro de leitura do diretor de transmissão, o fato é que há momentos da Fórmula 1 dos últimos anos que ninguém nunca viu. E o Blog do Capelli relembra quatro importantes cenas inéditas da categoria. E que assim permanecerão.
4. Acidente de Gilles Villeneuve – 1982

Foto: Reprodução/TV
Ídolo ferrarista, Gilles Villeneuve perdeu a vida a bordo de um dos carros vermelhos, num acidente com Jochen Mass durante os treinos para o GP da Bélgica de 1982. O canadense tentou ultrapassar a March do piloto alemão, que vinha em volta de desaceleração, mas acabou batendo sua roda dianteira esquerda na traseira direita do adversário. Com isso, o carro decolou e deu diversas piruetas no ar. Quando caiu no chão, já bastante destruído, o piloto foi ejetado do cockpit, sendo lançado contra o guard-rail.
O final do acidente, com o corpo inerte de Villeneuve voando, foi registrado e mundialmente difundido. Mas o choque entre os carros e o vôo fatal da Ferrari nunca foram vistos, pois o câmera não percebeu o que ocorria, mantendo no quadro o lento carro de Mass. Apenas no canto esquerdo do quadro percebe-se, sutilmente, o carro de Villeneuve subindo. E, depois, a imagem segue acompanhando a March.
Importante lembrar que não foi o impacto com o guard rail que tirou a vida de Villeneuve. Tal pancada apenas provocou-lhe uma fratura na clavícula. A causa mortis foi o estrangulamento por um cinto de segurança mal posicionado durante as piruetas que dava no ar. Justamente as cenas que não foram registradas.
3. Acidente de Roland Ratzenberger – 1994

Foto: Reprodução/TV
Outro acontecimento importante mal registrado pelas câmeras que acompanhavam um treino de classificação. Em 1982, com poucos recursos, a falha poderia até ser justificada. Mas, 12 anos depois, ninguém conseguiu ver exatamente o que aconteceu com a Simtek de Roland Ratzenberger.
O piloto austríaco perdeu o controle de seu carro na curva Villeneuve, no circuito de Imola, durante o treino classificatório para o fatídico GP de San Marino de 1994. Passou reto, de forma inexplicável, até chocar-se contra o muro de contenção. Ratzenberger morreu com lesões neurológicas, mas ninguém conseguiu entender bem como o acidente aconteceu.
Mais tarde, viria a explicação: a Simtek teria perdido uma asa dianteira, deixando o carro absolutamente fora de controle. O problema é que nenhuma imagem retrata em detalhes o momento em que a asa se desprendeu. A hipótese da perda do aerofólio surgiu através de uma cena parcial, registrada por acaso. Uma câmera, apontada para a curva Tamburello, registrou a passagem da Simtek, mas ficou parada, aguardando o próximo carro. Até que, no canto superior direito do quadro, surge um pedaço de carenagem voando.
Supõe-se que é o registro da perda da asa dianteira, algo que nunca foi confirmado. Aquela carenagem pode ter se soltado quando o carro saiu da pista e entrou pela grama. Dados de telemetria confirmaram que Ratzenberger realmente perdeu pressão aerodinâmica na frente, deixando o carro sem controle. Mas a asa que aparece na imagem é motivo ou consequência do acidente? Nunca se saberá.
2. Batida de Senna em Mônaco – 1988

Foto: Reprodução/TV
O acidente de Ayrton Senna no GP de Mônaco foi decisivo para que o brasileiro conquistasse o título de 1988, por mais paradoxal que possa parecer.
Senna liderava a corrida com folga, com quase um minuto de vantagem sobre Alain Prost, seu companheiro na McLaren e então líder do campeonato mundial. A vitória parecia simples e era só questão de tempo. Até que, a 12 voltas do fim, o brasileiro distraiu-se, perdeu o controle do carro e bateu no guard-rail externo da curva Portier, que leva ao famoso túnel do circuito de Monte Carlo.
O abandono foi decisivo na briga pelo título porque foi, a partir dali, que Senna tornou-se um piloto mais cerebral. Percebeu que velocidade pura apenas não bastava – coisa que Nigel Mansell, por exemplo, não aprendeu nunca – e passou a administrar suas corridas com mais inteligência e foco no resultado. Fez daquele insucesso um aprendizado que lhe garantiu uma carreira de tricampeão do mundo.
O grande problema é que, um momento tão importante da história da Fórmula 1, nunca foi registrado. As únicas cenas existentes são do carro de Senna parado já com o brasileiro fora do carro, retirando o capacete e deixando a pista muito irritado com a besteira que fez. Para sua sorte, ninguém testemunhou a burrada.
1. Problema de Mansell em Mônaco – 1992

Foto: Reprodução/TV
Essa fica em primeiro lugar porque foi, certamente, uma das maiores trapalhadas em uma transmissão de Fórmula 1 em todos os tempos. Nigel Mansell dominava tranquilamente o GP de Mônaco de 1992, até que cometeu um erro e tocou um de seus pneus em um guard-rail, dentro do túnel.
O pneu furou, Mansell ficou lento, chamou sua equipe pelo rádio e avisou que precisaria de uma troca. A Williams se preparou, o inglês entrou nos boxes, trocou pneus e voltou em segundo lugar, dando a liderança a Ayrton Senna.
Até aí, um acontecimento absolutamente normal em corrida. O problema: a transmissão não exibiu absolutamente nada! Distraídos com a briga pelo terceiro lugar entre Riccardo Patrese e Michael Schumacher, os responsáveis pelo corte de imagem não viram nada do que aconteceu. Mansell era o líder e, de repente, apareceu em segundo. Do nada, os créditos da televisão passaram a mostrar Senna em primeiro lugar, o que inicialmente parecia um erro. Não era. O Leão tinha ficado para trás e começou ali uma das mais emocionantes disputas pela vitória em Mônaco, um final de corrida épico com Mansell tentando passar e Senna segurando, nas últimas voltas. Mas os responsáveis por mostrar o GP de Mônaco para o mundo não devem ter descoberto até hoje como a briga se originou.
Objetos voadores

Foto: Reprodução/TV
O insólito acidente de Felipe Massa hoje na Hungria, atingido por uma peça voadora que soltou-se da Brawn de Rubens Barrichello, já teve precedentes na história da Fórmula 1.
No GP da França de 1972, o austríaco Helmut Marko teve sua carreira encerrada por causa de uma pedra, que foi jogada para trás por carros à frente e perfurou sua viseira. Marko perdeu a visão do olho esquerdo e nunca mais voltou a competir.
No Brasil, em 1989, um acidente entre Riccardo Patrese, Ayrton Senna e Gerhard Berger na largada lançou pedaços de carro para todo lado. Uma lasca de carenagem atingiu o espelho retrovisor direito da Williams de Thierry Boutsen, guilhotinando a peça. Ninguém foi atingido.
Em 1995, um incidente no GP da Itália poderia ter sido muito grave. Uma microcâmera que estava instalada no aerofólio traseiro da Ferrari de Jean Alesi soltou-se, voando na direção de Gerhard Berger, que vinha logo atrás. A câmera atingiu a roda da outra Ferrari e provocou o abandono do piloto austríaco, que depois da prova declarou:
“Foi assustador. Eu ia a uns 300km/h e vi aquela coisa vir contra mim. Àquela velocidade eu nem podia desviar. Fechei os olhos e esperei que não batesse no meu capacete, porque senão eu estaria morto”.
Depois da casa arrombada, a tranca: nunca mais uma câmera onboard foi instalada em aerofólios.
Agora, em 2009, acidente semelhante se repete com Felipe Massa, o que poderia ter a mais grave das consequências. A lamentar a infeliz coincidência com o acidente que vitimou Henry Surtees na Fórmula 2, há menos de uma semana. O filho do campeão John Surtees foi atingido na cabeça por um pneu que saltava na pista de Brands Hatch e perdeu a vida. Repito incessantemente: Felipe teve muita sorte.
É fogo!
Durante muito tempo, o fogo foi um dos maiores medos dos pilotos de Fórmula 1. Pelo menos cinco pilotos perderam a vida na categoria em acidentes seguidos de incêndio. Em 1967, Lorenzo Bandini foi a vítima no GP de Mônaco. No ano seguinte, Jo Schlesser foi vítima do fogo em sua Honda no GP da França. Em 1970, Piers Courage morreu a bordo de um De Tomaso da equipe de Frank Williams em Zandvoort, mesmo circuito em que Roger Williamson teve uma das mortes mais cruéis da categoria, em 1973. E em 1986, Elio de Angelis foi vítima de um incêndio em sua Brabham durante testes em Paul Ricard. Os austríacos Niki Lauda e Gerhard Berger, ambos com Ferrari, sobreviveram a graves acidentes seguidos de incêndio, em Nürburgring e Imola, respectivamente. O de Lauda, mais sério, deixou seu rosto marcado pelo resto da vida. Berger teve bem menos sequelas.
Mas não é de tragédias que quero falar. Mas sim de momentos de pirotecnia. Na Fórmula 1, o maior risco de incêndio está nos pit stops. Um pequeno vazamento de combustível, em contato com as partes quentes do carro, pode gerar assustadoras e espetaculares imagens. Mas, felizmente, não há registros de acidentes graves em pit stops da categoria.
No melhor estilo CQC, resolvi fazer um Top 5 dos incêndios em pit stop. Vamos lá?
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5. Felipe Massa – GP da Espanha de 2007
O mais recente de todos. Em um de seus dois pit stops na corrida, um pouco de gasolina vazou na Ferrari de Felipe Massa. A imagem até assusta incialmente, mas absolutamente nada aconteceu. Havia pouco combustível, que logo evaporou. Com o movimento do carro, o incêndio se extinguiu e o brasileiro pode prosseguir na corrida. E venceu.
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4. Keke Rosberg – GP do Brasil de 1983
Muito provavelmente, o primeiro acidente flamejante em um pit stop na Fórmula 1. A Williams de Keke Rosberg pega fogo e o piloto desce do carro. Porém, volta assim que o incêndio é extinto. O finlandês ainda chegou em segundo na corrida, mas foi desclassificado por ter o carro empurrado pelos mecânicos para voltar para a pista. Numa decisão bizarra da então FISA, ninguém foi alçado à segunda posição. Foi a única corrida da história da F1 que não teve um segundo colocado.
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3. Michael Schumacher – GP da Áustria de 2003
Nem um incêndio parava Michael Schumacher. Seu carro pegou fogo nos pits, mas o alemão permaneceu impávido, aguardando que seus mecânicos dessem fim às chamas. Acompanhou tudo pelo retrovisor e voltou à pista para ganhar a corrida, mesmo tendo perdido mais de dez segundos com o incidente.
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2. Eddie Irvine – GP da Bélgica de 1995
A Jordan de Eddie Irvine virou uma bola de fogo em Spa, 1995. Os mecânicos foram bastante rápidos, mas o carro apagou e o irlandês não pode mais retornar à prova, na qual ocupava a sexta posição.
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1. Jos Verstappen – GP da Alemanha de 1994
Era o ano do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, depois de dez anos de proibição. Ainda pouco preparados para emergências como essa, os mecânicos da Benetton deram um show de patetice. Muito combustível vazou, alguns saíram correndo, outros ficaram olhando para ver o que aconteceria. O carro explodiu em chamas e ao incêndio seguiu-se um corre-corre danado, até o piloto saiu correndo em chamas para dentro dos boxes. Felizmente, Verstappen teve apenas algumas queimaduras no rosto e nenhum mecânico ficou seriamente ferido.
Alguersuari, a bola da vez

Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images/Divulgação Red Bull
Desde outubro de 2007, quando Alexander Wurz deixou a Williams para permitir que Kazuki Nakajima assumisse seu lugar para estrear no GP do Brasil, um piloto não era substituído por outro no decorrer de uma temporada da Fórmula 1. Mas o período recorde sem demissões, substituições ou lesões tende a terminar daqui a quinze dias, em Hungaroring. Segundo os mais fortes boatos no paddock no último final de semana, puxados pela apressada imprensa espanhola, a Toro Rosso deve anunciar até quarta-feira a dispensa de Sebastien Bourdais. Em seu lugar, surgiria um novato espanhol de nome difícil: Jaime Alguersuari.
A pose de galã da foto que ilustra este post não é mero acaso. Atualmente fazendo campanha mediana – 8º lugar – na World Series by Renault e com uma carreira de resultados bastante duvidosos, Alguersuari deverá ser o escolhido muito mais por questões de marketing e mercado do que necessariamente por talento nas pistas.
A Red Bull, como bem se sabe, faz um trabalho competente na Fórmula 1. Mas o sucesso nas pistas com suas equipes surge como um objetivo secundário. O objetivo principal é divulgar a marca de energéticos, associá-la a juventude, esportes radicais e tudo que seja “cool” para vender latinhas. E Alguersuari pode até não ser grande coisa, mas é jovem – 19 anos – e serve como um ótimo garoto-propaganda. Além de tudo, vem da Espanha, mercado promissor na Europa, inflamado pela Alonsomania e único país a sediar atualmente duas corridas da categoria na mesma temporada. Preencheu requisitos suficientes? Então está dentro.
O histórico de Alguersuari no automobilismo é modesto. Começou sua carreira em 2005, com 15 anos, na Fórmula Júnior 1600 Itália, categoria escola pra recém-saídos do kart. Terminou a temporada em 3º. No seu segundo ano de automobilismo, entrou para o Red Bull Junior Team, programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull. Disputou a Fórmula Renault Italiana e a Fórmula Renault Eurocup. Terminou em modestos 10º e 12º lugares, respectivamente.
Em 2007, prosseguiu nas mesmas categorias, agora pela melhor equipe, a Epsilon Euskadi. Na Italiana, lutou pelo título até o fim, mas perdeu para o finlandês Mika Maki. E na Eurocup ficou em 5º, quando o campeão foi o neo-zelandês Brendon Hartley. O detalhe é que os dois campeões eram seus colegas no programa da Red Bull. Ou seja, teve os resultados mais modestos dos três.
No ano passado, deu uma virada, fazendo uma boa temporada. Disputou a Fórmula 3 Britânica e brigou pelo título intensamente com Hartley, Sergio Perez e Oliver Turvey. Acabou campeão, mas muito mais por demérito dos demais do que por demontrar algum talento inato. Hartley errava demais e Turvey teve muitos problemas mecânicos. A falta de ímpeto do espanhol chamou um tanto a atenção, com ele próprio admitindo que preferia ser regular e chegar em 4º ou 5º do que lutar demais pela vitória. Ganhou fama, pelo menos, de ser um piloto cerebral.
O curioso é que, mesmo sendo campeão, o escolhido da Red Bull para assumir o posto de piloto reserva da Toro Rosso foi Brendon Hartley. Mas circunstâncias ainda não muito esclarecidas fizeram com que o neo-zelandês abdicasse do posto, abrindo caminho para Alguersuari. E de lá pra cá, a Espanha toda faz campanha para que seu pop star assuma um cockpit na Fórmula 1. O que há de fato e o que há de desejo neste movimento ainda não se sabe. Até o final da semana, deveremos ter a resposta.
Outro fator que conta a favor de Jaime é a sua juventude. Não que ter um garoto imberbe no volante vá ser alguma garantia de bom resultado, mas certamente é certeza de manchetes nos jornais. Caso ele dispute o GP da Hungria, quebrará o recorde de Mike Thackwell e passará a ser o mais jovem piloto a já ter largado para uma corrida de Fórmula 1, com 19 anos, cinco meses e três dias. Vinte e seis dias a menos que Thackwell.
Colaborou com este post: Renata, do Fórum Downforce.
Pole de Webber é a 1ª de um australiano em 29 anos

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull
A primeira pole da carreira de Mark Webber, conquistada hoje em Nürburgring, foi também a primeira da Austrália em muitos anos. Desde Alan Jones, que saiu na frente com a Williams também em um GP da Alemanha, em 1980, um australiano não largava na frente na Fórmula 1. Foi também a 20ª pole position do país, que contabiliza 13 de Jack Brabham, 6 de Alan Jones e uma de Mark Webber.
Caso vença amanhã, Webber encerrará um jejum de 28 anos. Desde que Jones venceu o GP de Las Vegas de 1981, aquele que marcou o primeiro título mundial de Nelson Piquet, um australiano não sobe ao alto do pódio.
Atualização: Felipe Paranhos me lembra que a pole de Webber foi, também, a mais tardia da história da Fórmula 1. Antes dele, o piloto que mais havia demorado para marcar uma pole position tinha sido Jarno Trulli, que levou 119 GPs até largar na frente no GP de Mônaco de 2004. Mark Webber precisou aguardar 130 corridas.
Curiosidades do GP da Alemanha
* A edição de 2009 será a 56ª do GP da Alemanha. É uma das mais tradicionais etapas do campeonato, tendo ficado de fora do calendário apenas em quatro ocasiões desde a criação do Mundial de Fórmula 1: 1950, 1955, 1960 e 2007.
* Três diferentes circuitos já sediaram a corrida: Nürburgring, Avus e Hockenheim.
* Pela primeira vez, desde 1985, a corrida acontece em Nürburgring. Nos anos anteriores, aconteceu sempre em Hockenheim.
* Mas o circuito não está há tanto tempo longe da Fórmula 1. De lá para cá, já sediou 13 Grandes Prêmios, mas com nome de GP da Europa e GP de Luxemburgo.
* Por sinal, Nürburgring é o único autódromo do mundo a sediar GPs de Fórmula 1 com três nomes diferentes.
* O histórico de vitórias no GP da Alemanha é bem distribuído. Michael Schumacher é o piloto que mais venceu: quatro vezes. Mas, logo atrás, aparecem Juan Manuel Fangio, Jackie Stewart, Nelson Piquet e Ayrton Senna, com três vitórias. No total, 37 diferentes pilotos ganharam na Alemanha.
* O GP da Alemanha marcou a primeira vitória de quatro pilotos na Fórmula 1: Alberto Ascari (1951), John Surtees (1963), Patrick Tambay (1982) e Rubens Barrichello (2000). Curiosamente, todos com Ferrari.
* Em compensação, foi palco do último triunfo de outros dez: Giuseppe Farina (1953), Juan Manuel Fangio (1957), Tony Brooks (1959), Stirling Moss (1961), Jochen Rindt (1970), Jacky Ickx (1972), Jackie Stewart (1973), Michele Alboreto (1985), Alain Prost (1993) e Gerhard Berger (1997).
* Entre as equipes, vantagem absoluta da Ferrari, com 19 vitórias no GP germânico. A segunda maior vencedora é a Williams, com 9, seguida pela McLaren, com 7.
* Nas poles, a Ferrari também reina, com 18. A McLaren tem 12.
* O Brasil tem sete vitórias na Alemanha, três com Nelson Piquet, três com Ayrton Senna e uma com Rubens Barrichello. Impressionante que cinco delas foram consecutivas, entre 1986 e 1990. Piquet em 86 e 87, Senna em 88, 89 e 90.
* Apenas dois pilotos tedescos venceram em casa: os irmãos Ralf e Michael Schumacher.
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