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A conta que não fecha

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Quando a gente acha que já viu de tudo na Fórmula 1, sempre aparece algo surpreendente. E quando a gente acha que o fundo do poço chegou, ele apresenta-se como apenas um fundo falso, pronto para levar todo mundo mais para baixo ainda.

A Fórmula 1 não é um ambiente insípido, inodoro e incolor. Ninguém por lá é santo e todo mundo sabe disso. Sejam jogos políticos, jogos de equipe, espionagem, conspirações ou trapaças visando burlar o regulamento, nada disso é novidade. O caráter de Flavio Briatore também já é bastante conhecido. E mesmo para alguém como Briatore, a ação de orientar Nelsinho Piquet que batesse de propósito no GP de Cingapura já parecia surreal. E, de fato, aconteceu.

Mas mais surpreendente que isso foi o fato de Nelsinho ter aceitado fazer sua parte no complô. E, ainda mais impressionante, o fato de ter revelado tudo isso, sem pudor, em uma declaração por escrito feita à Federação Internacional de Automobilismo, divulgada hoje. O entendimento geral é que a delação foi feita por um sentimento de vingança, por ter sido demitido da Renault por Briatore. Mas será que foi só isso mesmo?

Demissão é algo comum na Fórmula 1. Felipe Massa, hoje um dos expoentes da categoria, foi expurgado da Sauber e soube dar a volta por cima, retornando à mesma equipe um ano depois. Ser demitido é motivo para sair contando às autoridades todos os podres do mundo da Fórmula 1? Com certeza não é. Por isso ainda acho que há uma parte não revelada em toda essa história. Quais são os reais motivos que fizeram o piloto brasileiro abrir a boca?

Nelsinho sofreu na Renault? Sofreu. Tinha o mesmo carro que Alonso? Na maioria das vezes, não. Foi maltratado e se sentiu inferiorizado no seio da equipe? Sim. Mas até aí, não é nada diferente do que outros vários pilotos passaram na categoria. Para ficar nos brasileiros: Luciano Burti na Jaguar, Antonio Pizzonia na mesma Jaguar, Rubens Barrichello na Ferrari.

Rubens, principalmente, passou por maus bocados nas mãos de Jean Todt e Ross Brawn na Ferrari. E, por mais que durante todo aquele tempo tenha intercalado o jogo do contente com o papel de vítima diante das câmeras, até hoje preserva um envergonhado silêncio com relação a tudo que viveu. Ainda que de vez em quando ameace contar tudo em um suposto livro, recua e não o faz porque sabe que, de forma consciente, fez parte daquilo. Foi orientado, aceitou, fez e calou-se. Homem feito, formado e livre, nunca foi obrigado a nada e fez porque quis. Como fez Nelsinho Piquet.

O filho do tricampeão cometeu suicídio moral. E como todo mundo aprende no convívio social desde o primário, ninguém gosta de dedo-duro. Isso vale para crianças de sete anos e para adultos de 60. Nelsinho nunca mais será visto com os mesmos olhos no paddock. Será apontado como alcaguete, mau perdedor, influenciável. O mundo da Fórmula 1 tratará de expurgá-lo.

Nelsinho ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso, mas não acredito que apareça com a justificativa da consciência pesada. Não acho que seja um canastrão que vá encarnar um Roberto Jefferson, demonstrando-se enojado com a podridão da Fórmula 1 e tendo decidido tornar-se um paladino a serviço da verdade. Até porque, para isso, deveria sentir a consciência pesar também em função dos motores mais potentes que teria recebido da Renault na temporada 2006 da GP2, uma história de falcatrua tão corrente no paddock quanto era o acidente de Cingapura e que é encarada como folclore de bastidor. Como era encarada a armação de Briatore, até há quinze dias.

Nelsinho agiu como um homem-bomba. Detonou a Renault, Briatore, mas também se autodestruiu. O preço a ser pago por esta atitude é muito alto e por isso fica a sensação de conta que não fecha. Ter sido demitido, ameaçado ou xingado por Briatore ainda parece muito pouco para alguém colocar a própria cabeça a prêmio desta forma, apenas para levar seu ex-empresário junto para o buraco. Alguma coisa muito séria aconteceu, existem motivos graves para que os Piquet desejem tanto ver Flavio Briatore destruído, a ponto de, para isso, se autodestruírem.

Quais são os verdadeiros motivos? Nem desconfio. Mas vingança por uma demissão não cola. Mais elementos devem aparecer nessa história que, se não for abafada rapidamente, ainda pode destruir muita gente. Pode ser só a ponta de iceberg.

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Pilotoons animado: GP da Bélgica

Mais uma obra do Mantovani!

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Pilotoons animado: GP da Europa

Barrichello monster ataca Valência!

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Sai da frente!

Fernando Alonso e Nick Heidfeld se estranharam nos treinos livres de hoje em Valência.

Uma colisão boba, mas que poderia ter consequências sérias caso a BMW de Nick chegasse a capotar. Dá pra eleger um culpado pelo acidente?

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Pilotoons animado: GP da Hungria

Meio atrasado, mas sem perder a qualidade.

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Nasceu de novo

As primeiras notícias que chegam da Hungria sobre o estado de saúde de Felipe Massa são reconfortantes. O piloto está falando, sinais vitais normais, movimentos idem. Aparentemente com apenas um corte na cabeça, o brasileiro literalmente nasceu de novo. As imagens de seu acidente foram assustadoras.

Thiago Raposo, do ótimo Café com F1, foi rápido no gatilho e descolou um vídeo do acidente. Nele, é possível notar uma peça metálica voando pela pista e atingindo o capacete de Felipe Massa, na altura da viseira. O piloto, desacordado, acelera e freia simultaneamente até atingir a barreira de pneus. E Felipe permaneceu ali, inerte, até a chegada do atendimento médico.

As consequências de um acidente como este poderiam ter sido devastadoras. Pela primeira vez nos últimos 15 anos toda a Fórmula 1 prendeu a respiração, aguardando ansiosamente por notícias que não confirmassem o pior. Felizmente, elas vieram. E, se Massa realmente só teve um corte na testa, nasceu de novo. A partir de agora, faz aniversário duas vezes no ano. Justamente no mesmo 25 de julho em que nasceu Nelsinho Piquet.

Atualização: Racelike enviou esta foto impressionante (um pouco forte). A peça não entrou na viseira por milímetros. Felipe teve muita, mas muita sorte.

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Pilotoons animado: GP da Alemanha

Mantovani, como sempre, retrata o que só ele viu nas artimanhas de Mark Webber para vencer o GP da Alemanha.

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Bla-bla-bla-rrichello

Pegou muito mal para Rubens Barrichello suas impensadas declarações sobre a Brawn logo após o GP da Alemanha. Assim que a entrevista aconteceu, o piloto brasileiro foi imediatamente criticado por David Coulthard e Eddie Jordan, que fazem comentários para a rede britânica BBC. Coulthard se disse “chocado ao ver Barrichello falando daquele jeito” e Jordan entendeu tudo como “um grande erro”, pois ele não poderia “falar assim das pessoas que pagam o seu salário e dão a ele uma estrutura para correr”.

E, com base no áudio da desastrosa entrevista, internautas ingleses fizeram uma paródia da música “Ruby”, do grupo Kaiser Chiefs. A nova letra ironiza o piloto brasileiro por pensar que existe um plano da Brawn que não o deixa vencer. Ele é chamado de lento através de uma comparação de seus tempos médios de volta com os de Jenson Button. A letra insinua até que seu contrato com a Brawn deve ser cancelado e que Nick Heidfeld é mais rápido que ele.

Mas o foco principal da paródia são as constantes reclamações do piloto, um trecho chega a dizer:

“Pode ser que você esteja apenas brincando comigo e suas reclamações não sejam tão chatas quanto pareçam.”

E até uma charge do Mantovani aparece no vídeo. Confira.

Vi primeiro no Continental Circus.

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É fogo!

Durante muito tempo, o fogo foi um dos maiores medos dos pilotos de Fórmula 1. Pelo menos cinco pilotos perderam a vida na categoria em acidentes seguidos de incêndio. Em 1967, Lorenzo Bandini foi a vítima no GP de Mônaco. No ano seguinte, Jo Schlesser foi vítima do fogo em sua Honda no GP da França. Em 1970, Piers Courage morreu a bordo de um De Tomaso da equipe de Frank Williams em Zandvoort, mesmo circuito em que Roger Williamson teve uma das mortes mais cruéis da categoria, em 1973. E em 1986, Elio de Angelis foi vítima de um incêndio em sua Brabham durante testes em Paul Ricard. Os austríacos Niki Lauda e Gerhard Berger, ambos com Ferrari, sobreviveram a graves acidentes seguidos de incêndio, em Nürburgring e Imola, respectivamente. O de Lauda, mais sério, deixou seu rosto marcado pelo resto da vida. Berger teve bem menos sequelas.

Mas não é de tragédias que quero falar. Mas sim de momentos de pirotecnia. Na Fórmula 1, o maior risco de incêndio está nos pit stops. Um pequeno vazamento de combustível, em contato com as partes quentes do carro, pode gerar assustadoras e espetaculares imagens. Mas, felizmente, não há registros de acidentes graves em pit stops da categoria.

No melhor estilo CQC, resolvi fazer um Top 5 dos incêndios em pit stop. Vamos lá?

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5. Felipe Massa – GP da Espanha de 2007

O mais recente de todos. Em um de seus dois pit stops na corrida, um pouco de gasolina vazou na Ferrari de Felipe Massa. A imagem até assusta incialmente, mas absolutamente nada aconteceu. Havia pouco combustível, que logo evaporou. Com o movimento do carro, o incêndio se extinguiu e o brasileiro pode prosseguir na corrida. E venceu.

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4. Keke Rosberg – GP do Brasil de 1983

Muito provavelmente, o primeiro acidente flamejante em um pit stop na Fórmula 1. A Williams de Keke Rosberg pega fogo e o piloto desce do carro. Porém, volta assim que o incêndio é extinto. O finlandês ainda chegou em segundo na corrida, mas foi desclassificado por ter o carro empurrado pelos mecânicos para voltar para a pista. Numa decisão bizarra da então FISA, ninguém foi alçado à segunda posição. Foi a única corrida da história da F1 que não teve um segundo colocado.

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3. Michael Schumacher – GP da Áustria de 2003

Nem um incêndio parava Michael Schumacher. Seu carro pegou fogo nos pits, mas o alemão permaneceu impávido, aguardando que seus mecânicos dessem fim às chamas. Acompanhou tudo pelo retrovisor e voltou à pista para ganhar a corrida, mesmo tendo perdido mais de dez segundos com o incidente.

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2. Eddie Irvine – GP da Bélgica de 1995

A Jordan de Eddie Irvine virou uma bola de fogo em Spa, 1995. Os mecânicos foram bastante rápidos, mas o carro apagou e o irlandês não pode mais retornar à prova, na qual ocupava a sexta posição.

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1. Jos Verstappen – GP da Alemanha de 1994

Era o ano do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, depois de dez anos de proibição. Ainda pouco preparados para emergências como essa, os mecânicos da Benetton deram um show de patetice. Muito combustível vazou, alguns saíram correndo, outros ficaram olhando para ver o que aconteceria. O carro explodiu em chamas e ao incêndio seguiu-se um corre-corre danado, até o piloto saiu correndo em chamas para dentro dos boxes. Felizmente, Verstappen teve apenas algumas queimaduras no rosto e nenhum mecânico ficou seriamente ferido.

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O pior pit stop da história

Alguém mais lembra disso?

Para registro: Esteban Tuero, Minardi, GP da Argentina de 1998.

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Charge animada: GP de Mônaco

Bruno Mantovani mandando cada vez melhor, essa já virou minha favorita. Um belo jogo de cartas na cidade do famoso cassino.


 

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Charge animada: GP da Espanha

Mantova, como sempre, mandando muito bem.

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Charge animada: GP do Bahrein

And Bruno Mantovani strikes again…

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Abertura da BBC para F1

Acabei de pesquisar no Youtube e encontrei a abertura que a BBC, rede britânica que voltou a transmitir a Fórmula 1 depois de um hiato de 12 anos, preparou para a temporada 2009. É uma coisa de louco… nem de longe temos algo assim no Brasil.

Não bastasse o excelente trabalho em computação gráfica, a trilha é extraordinária: “The Chain”, com Fleetwood Mac.

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Charge animada: GP da Malásia

Mantova mandando muito bem de novo… Agora com música!

 

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Charge animada: GP da Austrália

Bruno Mantovani resolveu inovar, fazendo sua primeira charge animada. O assunto é a largada de Rubens Barrichello no GP da Austrália. Por ser um experimento, ainda não tem som. Mas já é 10.

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Trulli merecia a punição?

A geração da televisão não mostrou o incidente que levou Jarno Trulli a perder o pódio no GP da Austrália. Mas como na era da colaboração todo mundo pode informar todo mundo, um cidadão australiano fez a sua parte. Publicou no Youtube um vídeo que fez das arquibancadas mostrando o que realmente aconteceu. Assista e julgue: Trulli merecia ser punido?

O ocorrido foi: Trulli escapou da pista sob bandeira amarela e Lewis Hamilton o ultrapassou. Logo depois, segundo o próprio Hamilton (isso o vídeo não mostra), devolveu a posição, já que é proibido ultrapassar sob tais condições. E quem levou o gancho foi o italiano da Toyota. Curioso observar que Timo Glock, com a outra Toyota, também escorregou na mesma curva, logo depois. Mas não perdeu posições.

Por mais que a regra diga que ultrapassagens são proibidas sob bandeira amarela, deve-se usar o bom senso. Hamilton não deveria ser punido por ultrapassar Trulli (como não foi), mas o italiano também não merecia perder 25s, já que a posição lhe foi devolvida por Lewis, que agiu com muito fair play.

O que você acha?

Ah, a dica foi do Hugo Becker.

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Coleção do Schubert

O João Schubert, leitor assíduo do blog e dono de uma famosa fábrica de capacetes, possui uma admirável coleção de miniaturas e objetos relacionados a Ayrton Senna.

E não é que o João fez um videozinho bacana apresentando itens de sua coleção e, no final, fazendo uma homenagem ao Blog do Capelli? Não tive como não publicar.

Confira aí. A trilha também é legal, Dire Straits.

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Clipe: resumo F1 2008

Sensacional este vídeo feito pela FIA e exibido na cerimônia de premiação aos campeões de 2008, ocorrida sexta-feira passada em Mônaco. É longo, mas vale a pena.

Tá certo que a edição ajuda, mas é inegável: foi uma grande temporada.

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Tributo a Nigel Mansell

Já que o blog tá meio parado, vamos movimentar um pouco. Acabei de ver no Youtube um tributo feito por um fã a Nigel Mansell, uma compilação dos melhores momentos da carreira do Leão.

Tinha colhões, esse inglês.

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