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Todos chora – Verstappen x Montoya

Em 2001, o GP do Brasil era a terceira etapa do Mundial de Fórmula 1. Uma época chata, na qual Ferrari e McLaren dominavam a categoria sem serem ameaçadas. No ano anterior, as duas equipes dividiram todas as vitórias do campeonato. E na temporada que mal começava, Michael Schumacher já mostrava suas garras tendo vencido as duas primeiras corridas. No Brasil, seguindo a tendência, Schumacher fez a pole. A F1 precisava de uma lufada de ar fresco.

Uma das promessas da época era Juan-Pablo Montoya, colombiano campeão da Indy que chegava à categoria com fama de “win or wall”: ou ganha, ou bate. E foi ele a grande surpresa daquele dia em Interlagos. Saído da quarta posição do grid com a Williams, pulou para segundo logo na largada, beneficiado pela pane na McLaren de Mika Hakkinen, que ficou estancada no grid e causou uma confusão geral.

Os comissários não conseguiram retirar o carro do finlandês do meio da reta a tempo e, por isso, o Safety Car foi acionado. Quando saiu, o grande lance da corrida: sem pedir passagem, Montoya colocou por dentro no “S” do Senna, deu um chega pra lá em Schumacher e assumiu a ponta da corrida. A torcida foi ao delírio vendo o bicho-papão alemão ser humilhado por um novato sul-americano. Galvão Bueno, pela TV, gritava alucinado: “Esse novato é maluco!”.

No entanto, imaginava-se que a liderança de Montoya não duraria muito tempo, dada a superioridade de Ferrari e McLaren. Mas não foi assim que aconteceu. A Williams continuou rendendo muito bem e o colombiano conduziu a corrida com a maestria de um veterano. Com metade das voltas previstas completadas, ainda mantinha a liderança, controlando Schumacher e David Coulthard com uma certa vantagem. À 38ª volta, a diferença era de quase seis segundos. A Williams não vencia há quase quatro anos, a Colômbia nunca havia vencido na Fórmula 1, Montoya era um novato abusado. Uma vitória épica se aproximava, até que…

Pois é. Ultrapassar retardatários faz parte do trabalho de quem lidera uma corrida. Mas ultrapassar retardados não deveria ser. Pena que havia um deles no caminho: Jos Verstappen. Décimo colocado, o holandês vaca-brava abriu passagem na reta oposta, na 39ª volta, para Montoya passar. O líder manteve o seu traçado e o ultrapassou. Porém, ao voltar para o traçado, Verstappen perdeu completamente o ponto de freada e voou com sua Arrows por cima da Williams de Montoya. Um acidente absurdo.

Silêncio no autódromo, anticlímax total. Verstappen, a besta, destruiu o que tinha tudo para ser um momento histórico. Montoya ficou de fora da corrida e o caminho ficou aberto para a vitória de David Coulthard. Que até nem foi tão fácil assim, já que a chuva atrapalhou um pouco a vida dos pilotos, mas nada que mudasse o resultado entre os primeiros.

Apesar da fama de “win or wall”, não se pode culpar Montoya pelo acidente. Quem fez jus à própria fama foi o holandês. Num 1º de abril, Jos Verstappen personificou o bobo da corte.

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Bem-vinda, Pirelli!

Na semana que passou, as equipes de Fórmula 1 ficaram em Abu Dhabi para iniciar os testes de pneus visando a temporada 2010. A grande novidade é a troca do fornecedor de pneus: depois de 13 anos, sai de cena a Bridgestone para dar lugar à italiana Pirelli.

Não há como negar que ver um carro de F1 com pneus Pirelli traz à tona um certo saudosismo. O retorno da marca deve ser saudado, ainda que não aconteça da forma como se gostaria. Competição entre diferentes marcas é sempre mais divertido e traz uma variável a mais às corridas. Mas dessa vez não será assim: a Pirelli fornecerá pneus para todos os times, o que de certa forma impedirá que brote uma simpatia parecida com a dos anos 80.

Simpatia porque, durante sua participação entre 1984 e 1991, os pneus Pirelli eram adotados pelas equipes menores e, por causa de algumas zebras, ficaram conhecidos como “os que duravam mais”. Não que tal durabilidade fosse uma verdade absoluta, mas a fama se fez coerente durante o GP do México de 1986, quando a surpreendente Benetton de Gerhard Berger ganhou a corrida, dando um banho nos pneus Goodyear, que calçavam as principais equipes. O susto causado pela vitória de Berger foi tamanho que, para a decisão do título na Austrália, a concorrente resolveu ceder às equipes compostos ainda não suficientemente testados. O fiasco foi grande, Keke Rosberg e Nigel Mansell tiveram pneus estourados em plena corrida e o título caiu no colo de Alain Prost. Que, por sinal, já tinha sofrido um furo num pneu logo no começo da prova. Indiretamente, a Pirelli decidiu aquele campeonato.

Outro grande momento da Pirelli aconteceu no GP dos Estados Unidos de 1990, quando seus compostos se acertaram melhor ao circuito de rua de Phoenix, na abertura da temporada. O saldo disso foi um grid de largada completamente maluco, com uma Minardi na primeira fila, uma Dallara na segunda e – pasme – uma Osella na oitava colocação. Na corrida, o show ficou por conta de outra equipe calçada com Pirellis: a Tyrrell. Jean Alesi, que fazia apenas sua nona corrida de Fórmula 1, assumiu a ponta na largada e travou um duelo espetacular com Ayrton Senna no decorrer da prova. A bordo da poderosa McLaren, Senna acabou levando a vitória, mas Alesi chegou num brilhante e comemorado segundo lugar.

As poucas glórias da Pirelli neste seu segundo período na Fórmula 1 – o primeiro, nos anos 50, foi mais relevante, recheado de vitórias e títulos – estão, também, diretamente associadas ao Brasil. Das três vitórias conquistadas, duas foram de Nelson Piquet. A primeira, no GP da França de 1985. Por sinal, a última vez que uma Brabham chegou em primeiro. E, no GP do Canadá de 1991, a derradeira conquista de Piquet na F1. Nessa temporada, inclusive, a equipe Benetton tinha uma dupla de pilotos brasileira: Piquet e Moreno. Tal fato levou a Pirelli a fazer um belo comercial, comemorando o momento histórico.

Ao final daquela temporada, no entanto, os italianos deixaram a Fórmula 1. Mas, com os giros desse mundo no espaço sem fim – como diz a canção de Jimmy Fontana que ilustra a propaganda -, estão de volta 20 anos depois. O que, vindo de quem tem a sensibilidade de fazer um anúncio desses, é uma boa notícia.

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Baú: Senna de carona em Interlagos

O “Baú do Capelli” de hoje veio, como prometido, de uma fita VHS poeirenta do fundo de um armário capellesco. Trata-se de uma reportagem do Jornal Nacional do dia 25 de março de 1994, às vésperas do GP do Brasil daquele ano. Nela, o repórter Ernesto Paglia dá uma volta em Interlagos com o Safety Car da corrida, na época um Ford Verona, levando Ayrton Senna na carona.

A matéria mostra um Senna descontraído e brincalhão, bem diferente daquele que nos acostumamos a ver nos finais de semana de Grande Prêmio. Alguns momentos são bem engraçados.

Pouco mais de um mês depois, o tricampeão sofreria o acidente fatal em Imola.

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Intervalo Comercial: Pole Position

Quem viveu a infância nos anos 80, como eu, certamente lembra do jogo “Pole Position”, para Atari. Não era lá nenhuma maravilha em termos de gráficos, mas na época era um dos poucos videogames que simulavam “bem” uma corrida de monopostos.

E eis que hoje eu acho no Youtube o comercial norte-americano para o cartucho. Totalmente oitentista e incrivelmente tosco. Na época deveria ser um arraso, mas hoje é risível.

Assista e sinta aquela indescritível vergonha alheia.

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Preview do GP da Coreia do Sul

Via Twitter, o Edison Luiz enviou este vídeo bem interessante. Trata-se de um preview de como ficará o circuito que abrigará o GP da Coreia Sul, que estreia no calendário da Fórmula 1 em 17 de outubro de 2010.

O ambiente me lembrou muito o Albert Park, que sedia o GP da Austrália desde 1996 e proporciona corridas emocionantes. Teremos também uma pista tão boa por lá?

A propósito: ando enfrentando dificuldades sérias com meu servidor de e-mails. Quem quiser mandar dicas, pode mandar via twitter no @ivancapelli. Fica bem mais fácil de manter o contato.

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Rapidinhas: GP do Brasil

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- Vitória de Mark Webber e título de Jenson Button em uma corrida quente no começo, mas que foi ficando morna até terminar fria e sonolenta.

- Foi uma prova bastante movimentada, se considerarmos a média da temporada, mas foi um espetáculo bem menos eletrizante do que Interlagos costuma proporcionar.

- Rubens Barrichello, que prometia ser o protagonista da corrida por correr em casa, brigar pelo título e largar da pole position, acabou apenas em oitavo lugar e deu adeus a qualquer chance de título. Mas não que o brasileiro tenha feito uma corrida necessariamente ruim. Largou bem na frente, escapou das confusões atrás de si, mas teve sua estratégia de largar leve prejudicada pela entrada do Safety Car. Não pode abrir nenhuma diferença nas primeiras cinco voltas, o que lhe foi fatal.

- Quando parou para seu primeiro pit stop, havia aberto apenas três segundos de vantagem para Mark Webber, tempo insuficiente para conseguir manter a liderança depois da parada do australiano. Para piorar, perdeu também a segunda posição para a BMW de Robert Kubica. As coisas ficaram ainda mais ruins para Barrichello quando seu carro voltou muito mal para o segundo stint, perdendo terreno volta a volta. E, como cereja do bolo, um dos pneus de seu terceiro jogo furou, o obrigando a uma parada extra nos boxes.

- Para tristeza da torcida brasileira, a má sorte que costuma acompanhar Barrichello em Interlagos apareceu novamente.

- Já Jenson Button, quinto colocado e campeão do mundo, era só sorrisos. Teve muita sorte na primeira volta, quando ganhou cinco posições graças aos enroscos de Kimi Raikkonen, Adrian Sutil, Jarno Trulli e Fernando Alonso. Também ganhou posições quando Nico Rosberg quebrou e Rubens Barrichello teve problemas. Mas no entanto, fez uma corrida empolgante nas primeiras voltas, com ultrapassagens arriscadas e arrojadas sobre Sebastien Buemi, Kazuki Nakajima e Kamui Kobayashi.

- Sua disputa com Kobayashi, por cerca de 20 voltas, foi um dos melhores momentos do GP do Brasil. O japonês mostrou-se o melhor estreante da temporada, fazendo uma corrida segura e disputando posições com raça. Depois de ser ultrapassado por Button, protagonizou uma disputa histórica com Kazuki Nakajima no “S do Senna” e na Curva do Sol. Conseguiu ficar à frente, depois de dividir três curvas de forma impressionante.

- Algumas voltas depois, os dois bateram quando Kobayashi deixava os boxes. Num misto de imprudência de ambos, quem se deu mal foi Nakajima, que foi parar na grama e bateu forte no muro. Kobayashi fechou a porta um pouco além do necessário, mas Kazuki também foi imprudente. Acidente de corrida.

- Mas voltando a Button, se o inglês fez uma segunda metade de temporada pra lá de apagada, hoje em Interlagos viveu uma de suas melhores atuações. Arriscou até mais do que o necessário e mereceu levar o caneco.

- Ainda que suas últimas corridas não tenham sido grande coisa, Button leva o título pelo conjunto da obra. Ganhou seis das primeiras sete provas da temporada e só perderia o campeonato se fizesse uma grande besteira. Pode não ter mais brilhado tanto, mas besteira também não fez. As circunstâncias da conquista, com apenas um pódio nas últimas nove corridas, podem até deixar seu título menos brilhante, mas não apagam seus méritos. Ganhar seis em sete não é para qualquer um, e foi com essa arrancada que Button garantiu um inicialmente improvável título mundial.

- Quem também garantiu o título hoje foi a Brawn, que sagrou-se campeã de construtores. Foi a primeira vez na história que um time estreante conseguiu tal distinção.

- Voltando à prova, Mark Webber sobrou com a Red Bull. Era o melhor carro do final de semana e conquistou uma daquelas vitórias que, para quem olha de fora, parece que nem precisou de muito esforço. Não teve adversários e disparou na frente depois que Barrichello parou nos boxes. Sebastian Vettel, vindo lá do fundão, conseguiu ainda chegar em quarto, provando a superioridade dos carros de Adrian Newey em Interlagos.

- Ótimas apresentações também de Robert Kubica e Lewis Hamilton, que completaram o pódio. A McLaren aproveitou bem seu acerto para tempo seco e ainda acertou na mosca ao mudar a sua estratégia logo no começo da prova, com a entrada do Safety Car. A ousadia foi paga com um merecido pódio para Lewis.

- Quem poderia ter feito mais na prova, mas abandonaram logo no começo, foram Jarno Trulli e Adrian Sutil. Os dois saíam da segunda fila e poderiam brigar pelo pódio, mas se enroscaram na primeira volta. Na minha avaliação, Trulli foi otimista demais ao tentar passar por fora na descida do lago. Não tinha como, foi parar na grama e causou um acidente bastante sério, no qual acabou sobrando até para Fernando Alonso. Desceu do carro furioso, gesticulou loucamente xingando Sutil, mas sem muita razão. A postura que ele reclamava do alemão foi exatamente a mesma adotada por ele próprio quando fez Kubica sair voando com sua BMW no Canadá, há dois anos. Trulli também não é dos pilotos mais prudentes e não pode reclamar de nada.

- Daqui a quinze dias, em Abu Dhabi, confraternização de final de temporada. Em jogo, apenas o vice-campeonato, que agora está nas mãos de Sebastian Vettel. O alemão tem dois pontos de vantagem para Barrichello, que não sei se se esforçará por uma classificação simbólica como essa. Deverá correr em busca da vitória e, se ela não for possível, duvido que corra apenas com o objetivo de vencer Vettel.

- Foi uma temporada esquisita, mas deixo o balanço do título de Button para amanhã. Parabéns ao novo campeão.

Resultado GP do Brasil 2009

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Pilotoons animado: GP de Cingapura

Mantovani tá meio enigmático hoje…


 

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Ironias da vida

Enlameada até o pescoço e abandonada por seu principal patrocinador graças ao escândalo Briatore-Piquet, a Renault ainda viveu uma constrangedora ironia agora há pouco no primeiro treino livre para o GP de Cingapura. Romain Grosjean, substituto do brasileiro na equipe, rodou na pista de forma semelhante ao escandaloso acidente do ano passado.

Segundo o amigo Ico, que está lá em Marina Bay, a sala de imprensa explodiu em gargalhadas e aplausos no momento do acidente. Deve ter sido hilário.

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Pilotoons animado: GP da Itália

Mais uma sensacional do Mantovani!

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A conta que não fecha

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Quando a gente acha que já viu de tudo na Fórmula 1, sempre aparece algo surpreendente. E quando a gente acha que o fundo do poço chegou, ele apresenta-se como apenas um fundo falso, pronto para levar todo mundo mais para baixo ainda.

A Fórmula 1 não é um ambiente insípido, inodoro e incolor. Ninguém por lá é santo e todo mundo sabe disso. Sejam jogos políticos, jogos de equipe, espionagem, conspirações ou trapaças visando burlar o regulamento, nada disso é novidade. O caráter de Flavio Briatore também já é bastante conhecido. E mesmo para alguém como Briatore, a ação de orientar Nelsinho Piquet que batesse de propósito no GP de Cingapura já parecia surreal. E, de fato, aconteceu.

Mas mais surpreendente que isso foi o fato de Nelsinho ter aceitado fazer sua parte no complô. E, ainda mais impressionante, o fato de ter revelado tudo isso, sem pudor, em uma declaração por escrito feita à Federação Internacional de Automobilismo, divulgada hoje. O entendimento geral é que a delação foi feita por um sentimento de vingança, por ter sido demitido da Renault por Briatore. Mas será que foi só isso mesmo?

Demissão é algo comum na Fórmula 1. Felipe Massa, hoje um dos expoentes da categoria, foi expurgado da Sauber e soube dar a volta por cima, retornando à mesma equipe um ano depois. Ser demitido é motivo para sair contando às autoridades todos os podres do mundo da Fórmula 1? Com certeza não é. Por isso ainda acho que há uma parte não revelada em toda essa história. Quais são os reais motivos que fizeram o piloto brasileiro abrir a boca?

Nelsinho sofreu na Renault? Sofreu. Tinha o mesmo carro que Alonso? Na maioria das vezes, não. Foi maltratado e se sentiu inferiorizado no seio da equipe? Sim. Mas até aí, não é nada diferente do que outros vários pilotos passaram na categoria. Para ficar nos brasileiros: Luciano Burti na Jaguar, Antonio Pizzonia na mesma Jaguar, Rubens Barrichello na Ferrari.

Rubens, principalmente, passou por maus bocados nas mãos de Jean Todt e Ross Brawn na Ferrari. E, por mais que durante todo aquele tempo tenha intercalado o jogo do contente com o papel de vítima diante das câmeras, até hoje preserva um envergonhado silêncio com relação a tudo que viveu. Ainda que de vez em quando ameace contar tudo em um suposto livro, recua e não o faz porque sabe que, de forma consciente, fez parte daquilo. Foi orientado, aceitou, fez e calou-se. Homem feito, formado e livre, nunca foi obrigado a nada e fez porque quis. Como fez Nelsinho Piquet.

O filho do tricampeão cometeu suicídio moral. E como todo mundo aprende no convívio social desde o primário, ninguém gosta de dedo-duro. Isso vale para crianças de sete anos e para adultos de 60. Nelsinho nunca mais será visto com os mesmos olhos no paddock. Será apontado como alcaguete, mau perdedor, influenciável. O mundo da Fórmula 1 tratará de expurgá-lo.

Nelsinho ainda não se pronunciou publicamente sobre o caso, mas não acredito que apareça com a justificativa da consciência pesada. Não acho que seja um canastrão que vá encarnar um Roberto Jefferson, demonstrando-se enojado com a podridão da Fórmula 1 e tendo decidido tornar-se um paladino a serviço da verdade. Até porque, para isso, deveria sentir a consciência pesar também em função dos motores mais potentes que teria recebido da Renault na temporada 2006 da GP2, uma história de falcatrua tão corrente no paddock quanto era o acidente de Cingapura e que é encarada como folclore de bastidor. Como era encarada a armação de Briatore, até há quinze dias.

Nelsinho agiu como um homem-bomba. Detonou a Renault, Briatore, mas também se autodestruiu. O preço a ser pago por esta atitude é muito alto e por isso fica a sensação de conta que não fecha. Ter sido demitido, ameaçado ou xingado por Briatore ainda parece muito pouco para alguém colocar a própria cabeça a prêmio desta forma, apenas para levar seu ex-empresário junto para o buraco. Alguma coisa muito séria aconteceu, existem motivos graves para que os Piquet desejem tanto ver Flavio Briatore destruído, a ponto de, para isso, se autodestruírem.

Quais são os verdadeiros motivos? Nem desconfio. Mas vingança por uma demissão não cola. Mais elementos devem aparecer nessa história que, se não for abafada rapidamente, ainda pode destruir muita gente. Pode ser só a ponta de iceberg.

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Pilotoons animado: GP da Bélgica

Mais uma obra do Mantovani!

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Pilotoons animado: GP da Europa

Barrichello monster ataca Valência!

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Sai da frente!

Fernando Alonso e Nick Heidfeld se estranharam nos treinos livres de hoje em Valência.

Uma colisão boba, mas que poderia ter consequências sérias caso a BMW de Nick chegasse a capotar. Dá pra eleger um culpado pelo acidente?

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Pilotoons animado: GP da Hungria

Meio atrasado, mas sem perder a qualidade.

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Nasceu de novo

As primeiras notícias que chegam da Hungria sobre o estado de saúde de Felipe Massa são reconfortantes. O piloto está falando, sinais vitais normais, movimentos idem. Aparentemente com apenas um corte na cabeça, o brasileiro literalmente nasceu de novo. As imagens de seu acidente foram assustadoras.

Thiago Raposo, do ótimo Café com F1, foi rápido no gatilho e descolou um vídeo do acidente. Nele, é possível notar uma peça metálica voando pela pista e atingindo o capacete de Felipe Massa, na altura da viseira. O piloto, desacordado, acelera e freia simultaneamente até atingir a barreira de pneus. E Felipe permaneceu ali, inerte, até a chegada do atendimento médico.

As consequências de um acidente como este poderiam ter sido devastadoras. Pela primeira vez nos últimos 15 anos toda a Fórmula 1 prendeu a respiração, aguardando ansiosamente por notícias que não confirmassem o pior. Felizmente, elas vieram. E, se Massa realmente só teve um corte na testa, nasceu de novo. A partir de agora, faz aniversário duas vezes no ano. Justamente no mesmo 25 de julho em que nasceu Nelsinho Piquet.

Atualização: Racelike enviou esta foto impressionante (um pouco forte). A peça não entrou na viseira por milímetros. Felipe teve muita, mas muita sorte.

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Pilotoons animado: GP da Alemanha

Mantovani, como sempre, retrata o que só ele viu nas artimanhas de Mark Webber para vencer o GP da Alemanha.

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Bla-bla-bla-rrichello

Pegou muito mal para Rubens Barrichello suas impensadas declarações sobre a Brawn logo após o GP da Alemanha. Assim que a entrevista aconteceu, o piloto brasileiro foi imediatamente criticado por David Coulthard e Eddie Jordan, que fazem comentários para a rede britânica BBC. Coulthard se disse “chocado ao ver Barrichello falando daquele jeito” e Jordan entendeu tudo como “um grande erro”, pois ele não poderia “falar assim das pessoas que pagam o seu salário e dão a ele uma estrutura para correr”.

E, com base no áudio da desastrosa entrevista, internautas ingleses fizeram uma paródia da música “Ruby”, do grupo Kaiser Chiefs. A nova letra ironiza o piloto brasileiro por pensar que existe um plano da Brawn que não o deixa vencer. Ele é chamado de lento através de uma comparação de seus tempos médios de volta com os de Jenson Button. A letra insinua até que seu contrato com a Brawn deve ser cancelado e que Nick Heidfeld é mais rápido que ele.

Mas o foco principal da paródia são as constantes reclamações do piloto, um trecho chega a dizer:

“Pode ser que você esteja apenas brincando comigo e suas reclamações não sejam tão chatas quanto pareçam.”

E até uma charge do Mantovani aparece no vídeo. Confira.

Vi primeiro no Continental Circus.

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É fogo!

Durante muito tempo, o fogo foi um dos maiores medos dos pilotos de Fórmula 1. Pelo menos cinco pilotos perderam a vida na categoria em acidentes seguidos de incêndio. Em 1967, Lorenzo Bandini foi a vítima no GP de Mônaco. No ano seguinte, Jo Schlesser foi vítima do fogo em sua Honda no GP da França. Em 1970, Piers Courage morreu a bordo de um De Tomaso da equipe de Frank Williams em Zandvoort, mesmo circuito em que Roger Williamson teve uma das mortes mais cruéis da categoria, em 1973. E em 1986, Elio de Angelis foi vítima de um incêndio em sua Brabham durante testes em Paul Ricard. Os austríacos Niki Lauda e Gerhard Berger, ambos com Ferrari, sobreviveram a graves acidentes seguidos de incêndio, em Nürburgring e Imola, respectivamente. O de Lauda, mais sério, deixou seu rosto marcado pelo resto da vida. Berger teve bem menos sequelas.

Mas não é de tragédias que quero falar. Mas sim de momentos de pirotecnia. Na Fórmula 1, o maior risco de incêndio está nos pit stops. Um pequeno vazamento de combustível, em contato com as partes quentes do carro, pode gerar assustadoras e espetaculares imagens. Mas, felizmente, não há registros de acidentes graves em pit stops da categoria.

No melhor estilo CQC, resolvi fazer um Top 5 dos incêndios em pit stop. Vamos lá?

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5. Felipe Massa – GP da Espanha de 2007

O mais recente de todos. Em um de seus dois pit stops na corrida, um pouco de gasolina vazou na Ferrari de Felipe Massa. A imagem até assusta incialmente, mas absolutamente nada aconteceu. Havia pouco combustível, que logo evaporou. Com o movimento do carro, o incêndio se extinguiu e o brasileiro pode prosseguir na corrida. E venceu.

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4. Keke Rosberg – GP do Brasil de 1983

Muito provavelmente, o primeiro acidente flamejante em um pit stop na Fórmula 1. A Williams de Keke Rosberg pega fogo e o piloto desce do carro. Porém, volta assim que o incêndio é extinto. O finlandês ainda chegou em segundo na corrida, mas foi desclassificado por ter o carro empurrado pelos mecânicos para voltar para a pista. Numa decisão bizarra da então FISA, ninguém foi alçado à segunda posição. Foi a única corrida da história da F1 que não teve um segundo colocado.

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3. Michael Schumacher – GP da Áustria de 2003

Nem um incêndio parava Michael Schumacher. Seu carro pegou fogo nos pits, mas o alemão permaneceu impávido, aguardando que seus mecânicos dessem fim às chamas. Acompanhou tudo pelo retrovisor e voltou à pista para ganhar a corrida, mesmo tendo perdido mais de dez segundos com o incidente.

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2. Eddie Irvine – GP da Bélgica de 1995

A Jordan de Eddie Irvine virou uma bola de fogo em Spa, 1995. Os mecânicos foram bastante rápidos, mas o carro apagou e o irlandês não pode mais retornar à prova, na qual ocupava a sexta posição.

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1. Jos Verstappen – GP da Alemanha de 1994

Era o ano do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, depois de dez anos de proibição. Ainda pouco preparados para emergências como essa, os mecânicos da Benetton deram um show de patetice. Muito combustível vazou, alguns saíram correndo, outros ficaram olhando para ver o que aconteceria. O carro explodiu em chamas e ao incêndio seguiu-se um corre-corre danado, até o piloto saiu correndo em chamas para dentro dos boxes. Felizmente, Verstappen teve apenas algumas queimaduras no rosto e nenhum mecânico ficou seriamente ferido.

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O pior pit stop da história

Alguém mais lembra disso?

Para registro: Esteban Tuero, Minardi, GP da Argentina de 1998.

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Charge animada: GP de Mônaco

Bruno Mantovani mandando cada vez melhor, essa já virou minha favorita. Um belo jogo de cartas na cidade do famoso cassino.


 

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