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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: Alexander Wurz
Alguersuari, a bola da vez

Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images/Divulgação Red Bull
Desde outubro de 2007, quando Alexander Wurz deixou a Williams para permitir que Kazuki Nakajima assumisse seu lugar para estrear no GP do Brasil, um piloto não era substituído por outro no decorrer de uma temporada da Fórmula 1. Mas o período recorde sem demissões, substituições ou lesões tende a terminar daqui a quinze dias, em Hungaroring. Segundo os mais fortes boatos no paddock no último final de semana, puxados pela apressada imprensa espanhola, a Toro Rosso deve anunciar até quarta-feira a dispensa de Sebastien Bourdais. Em seu lugar, surgiria um novato espanhol de nome difícil: Jaime Alguersuari.
A pose de galã da foto que ilustra este post não é mero acaso. Atualmente fazendo campanha mediana – 8º lugar – na World Series by Renault e com uma carreira de resultados bastante duvidosos, Alguersuari deverá ser o escolhido muito mais por questões de marketing e mercado do que necessariamente por talento nas pistas.
A Red Bull, como bem se sabe, faz um trabalho competente na Fórmula 1. Mas o sucesso nas pistas com suas equipes surge como um objetivo secundário. O objetivo principal é divulgar a marca de energéticos, associá-la a juventude, esportes radicais e tudo que seja “cool” para vender latinhas. E Alguersuari pode até não ser grande coisa, mas é jovem – 19 anos – e serve como um ótimo garoto-propaganda. Além de tudo, vem da Espanha, mercado promissor na Europa, inflamado pela Alonsomania e único país a sediar atualmente duas corridas da categoria na mesma temporada. Preencheu requisitos suficientes? Então está dentro.
O histórico de Alguersuari no automobilismo é modesto. Começou sua carreira em 2005, com 15 anos, na Fórmula Júnior 1600 Itália, categoria escola pra recém-saídos do kart. Terminou a temporada em 3º. No seu segundo ano de automobilismo, entrou para o Red Bull Junior Team, programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull. Disputou a Fórmula Renault Italiana e a Fórmula Renault Eurocup. Terminou em modestos 10º e 12º lugares, respectivamente.
Em 2007, prosseguiu nas mesmas categorias, agora pela melhor equipe, a Epsilon Euskadi. Na Italiana, lutou pelo título até o fim, mas perdeu para o finlandês Mika Maki. E na Eurocup ficou em 5º, quando o campeão foi o neo-zelandês Brendon Hartley. O detalhe é que os dois campeões eram seus colegas no programa da Red Bull. Ou seja, teve os resultados mais modestos dos três.
No ano passado, deu uma virada, fazendo uma boa temporada. Disputou a Fórmula 3 Britânica e brigou pelo título intensamente com Hartley, Sergio Perez e Oliver Turvey. Acabou campeão, mas muito mais por demérito dos demais do que por demontrar algum talento inato. Hartley errava demais e Turvey teve muitos problemas mecânicos. A falta de ímpeto do espanhol chamou um tanto a atenção, com ele próprio admitindo que preferia ser regular e chegar em 4º ou 5º do que lutar demais pela vitória. Ganhou fama, pelo menos, de ser um piloto cerebral.
O curioso é que, mesmo sendo campeão, o escolhido da Red Bull para assumir o posto de piloto reserva da Toro Rosso foi Brendon Hartley. Mas circunstâncias ainda não muito esclarecidas fizeram com que o neo-zelandês abdicasse do posto, abrindo caminho para Alguersuari. E de lá pra cá, a Espanha toda faz campanha para que seu pop star assuma um cockpit na Fórmula 1. O que há de fato e o que há de desejo neste movimento ainda não se sabe. Até o final da semana, deveremos ter a resposta.
Outro fator que conta a favor de Jaime é a sua juventude. Não que ter um garoto imberbe no volante vá ser alguma garantia de bom resultado, mas certamente é certeza de manchetes nos jornais. Caso ele dispute o GP da Hungria, quebrará o recorde de Mike Thackwell e passará a ser o mais jovem piloto a já ter largado para uma corrida de Fórmula 1, com 19 anos, cinco meses e três dias. Vinte e seis dias a menos que Thackwell.
Colaborou com este post: Renata, do Fórum Downforce.
Wurz antecipa aposentadoria

Alex Wurz agora é um ex-piloto de F1. O austríaco anunciou hoje em comunicado oficial que o GP da China foi o último de sua carreira.
Nascido em 1974, em Waithofen-an-der Thaya, Áustria, Wurz permaneceu na Fórmula 1 por 11 temporadas, mas em apenas quatro delas como piloto titular. Ele estreou na categoria em 1997, substituindo Gerhard Berger na Benetton, afastado com uma infecção dentária. Fez boas corridas no Canadá, na França e na Inglaterra, culminando com um pódio logo em sua terceira participação. Tal desempenho garantiu-lhe um contrato de piloto titular nos anos seguintes. Porém, não mais voltou a repetir as boas atuações das primeiras corridas.
Depois de apenas 22 pontos marcados em três temporadas, contra 47 do companheiro Fisichella, Wurz ficou sem emprego e acabou assumindo uma vaga de piloto de testes da McLaren. Lá permaneceu de 2001 a 2005 desenvolvendo os carros prateados, tendo apenas uma oportunidade de correr, no GP de San Marino de 2005, substituindo o acidentado Montoya. Chegou em terceiro lugar e trocou a McLaren pela Williams no ano seguinte. Passou mais uma temporada como test driver até assumir a titularidade em 2007, ao lado de Nico Rosberg.
Apesar do pódio conquistado no GP do Canadá, a temporada não foi boa para Wurz. Nitidamente fora de ritmo, raramente passava da primeira fase dos treinos de classificação e largava sempre das últimas posições do grid. Foi batido com facilidade pelo companheiro de equipe e cometeu alguns erros primários, como a rodada na primeira volta sem Safety Car do GP do Japão. Tido como um piloto simpático e afável, a figura de Alex Wurz fará falta no paddock da Fórmula 1.
A Williams anuncia amanhã o substituto do austríaco para o GP do Brasil. O nome favorito é o do japonês Kazuki Nakajima, piloto de testes da equipe. Nelson Angelo Piquet corre por fora.
O grande lance do fim de semana
Alex Wurz, na mesma curva em que Massa passou reto, janta David Coulthard por fora, numa das raras ultrapassagens da corrida. Lance belíssimo.
A narração está em turco, mas tenho certeza de que o narrador gritou: “Vai pra casa, Banana!”.
Dio santo!
Como diz um amigo meu, essa foi “por uma teta”.

Por menos de um palmo, Wurz não levou uma Red Bull na cabeça. Não ia voltar para contar a história.



