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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Arquivo da tag: Ayrton Senna
Fragilizando a liderança

Foto: Arquivo
Quanto mais penso no novo regulamento da Fórmula 1, mais enxergo um tiro que sai pela culatra. Vislumbrando um cenário em que apenas a vitória importa e que o segundo lugar de nada vale, fica cada vez mais clara para mim a ideia de que a FIA, indiretamente, passará a fragilizar aquele que está na liderança de uma corrida.
Pensemos. É preciso vencer para ser campeão. Ser segundo colocado, de nada vale. Assim, monta-se uma situação na qual alguém que está andando em segundo em uma corrida não tem nada a perder. E o líder, aquele que deveria ter total controle da situação, passa a ser um alvo. “É melhor eliminar o primeiro do que ser segundo”, li em algum lugar. E é uma triste verdade.
Não imagino um mau-caratismo latente nos pilotos, não creio que tentarão eliminar os adversários propositalmente. Porém, quem estiver em segundo terá todas as condições do mundo para tentar uma ultrapassagem impossível, poderá forçar, deixar o líder em uma situação desconfortável. Fechar a porta numa briga pela liderança poderá ser uma atitude suicida, já que um toque que elimine ambos da prova trará prejuízos apenas àquele que estava em primeiro. Talvez seja até melhor estar em segundo na fase final da corrida, desde que o líder esteja próximo, do que andar em primeiro lugar e não ter o controle da situação.
Isso aumenta a emoção? Sem dúvida. Mas gera uma desigualdade perigosa, estimulará uma concorrência negativa, senão até desleal. Se Fernando Alonso e Felipe Massa andaram se estranhando em 2007 nos GPs da Espanha e da Europa por disputas um tanto duras por posição, ainda que leais, imagine o que pode vir a acontecer numa situação em que um piloto jogue o outro para fora. Num extremo, o panorama poderá ser caótico. Poderemos viver a era do mata-mata na Fórmula 1.
Estimular a agressividade é um erro. Talvez os maus exemplos do passado, protagonizados por Alain Prost, Ayrton Senna e Michael Schumacher não tenham servido de lição. A FIA está brincando com coisa muito séria.
Na decisão por vitórias, 12 títulos trocariam de mãos

Foto: Divulgação/Honda
Nos 59 campeonatos já disputados até hoje na Fórmula 1, 12 deles teriam campeões mundiais diferentes caso o critério de vitórias tivesse sido sempre utilizado para definir o dono da coroa.
Algumas reparações históricas teriam acontecido, como um merecido título mundial para Stirling Moss. Em compensação, Nelson Piquet teria apenas um campeonato em toda a carreira, enquanto Jody Scheckter e Keke Rosberg seriam excluídos do hall de campeões do mundo. Ayrton Senna teria sido tetracampeão, assim como Jim Clark. Nigel Mansell, quem diria, seria tricampeão, e Felipe Massa teria conquistado o título em Interlagos no ano passado.
Curioso observar que a grande maioria das trocas de campeões aconteceria no período entre 1977 e 1989, auge da regra dos descartes na Fórmula 1.
Confira abaixo como ficaria cada campeonato, desde 1950.
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Freud Explica

Será mera coincidência o fato do capacete que vem sendo usado desde 2008 por Nicolas Prost, filho do tetracampeão Alain Prost, guardar incrível semelhança com a pintura usada pelo maior rival do pai, Ayrton Senna?
Curioso, muito curioso.
Coleção do Schubert
O João Schubert, leitor assíduo do blog e dono de uma famosa fábrica de capacetes, possui uma admirável coleção de miniaturas e objetos relacionados a Ayrton Senna.
E não é que o João fez um videozinho bacana apresentando itens de sua coleção e, no final, fazendo uma homenagem ao Blog do Capelli? Não tive como não publicar.
Confira aí. A trilha também é legal, Dire Straits.
Tags: Ayrton Senna
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Coincidência macabra

Foto: Reprodução/NP
Alexandre Carvalho voltou à ativa com novo blog, o Almanaque da Fórmula 1, no qual planeja lembrar fatos curiosos e histórias da categoria. E começou em grande estilo, relatando um causo que eu, pelo menos, desconhecia por completo.
Em 1994, o jornal Notícias Populares enviou um repórter um tanto quanto inusitado para cobrir o GP do Brasil: Zé do Caixão. Ele aprontou todas em uma cobertura bizarra, bem ao estilo do popularesco jornal. Mas a coincidência mais nefasta está no carro pelo qual o cineasta brasileiro se encantou: a Simtek.
Zé do Caixão posou pra fotos “exorcizando” e “tirando as energias negativas” do carro de Roland Ratzenberger. Sim, ele mesmo. Aquele que morreu nos treinos para o GP de San Marino, um dia antes de Ayrton Senna. Não bastasse a infeliz coincidência, o carro 32 da equipe foi assumido por Andrea Montermini no GP da Espanha. E, logo nos primeiros treinos, o italiano saiu da pista e bateu violentamente, fraturando o tornozelo e ficando quase um ano sem competir. O futuro da equipe também foi sinistro: um ano depois, o time fechou as portas, sem completar duas temporadas completas na Fórmula 1.
Várias lendas circundam o Zé do Caixão, entre elas uma que diz que sempre algum membro da equipe morre logo depois do lançamento de cada um de seus filmes. Entrariam Ratzenberger, Montermini e a Simtek para o rol de lendas do Zé Mojica Marins?
Medalha de Ouro
Recebi e-mail de Mateus Fortunato, que indicou um vídeo no qual nunca tinha prestado muita atenção, com o pódio do GP dos Estados Unidos de Fórmula 1 de 1991. Fora o fato de Ayrton Senna ter simulado um tapinha no rosto de Jean-Marie Balestre, que também foi vítima de brincadeiras de Nelson Piquet, chama a atenção a premiação da prova.
Tal qual Bernie Ecclestone pretende implantar na F1 em 2009 (mas não deve conseguir), Senna recebeu como prêmio pela vitória uma medalha de ouro, em vez dos tradicionais troféus.
Intervalo Comercial: Banco Nacional
O Thiago Alves envia este comercial do Banco Nacional, estrelado por Ayrton Senna. Está com cara de ser de 1989.
Desse eu não lembrava, mas me recordo de outro, também do Nacional, que não encontrei no Youtube. Ele era exibido sempre antes das transmissões da Globo nos anos 80, aparecia um volante animado na tela e o Galvão Bueno narrava: “Daqui a pouco, vamos torcer por Ayrton Senna, nosso campeão Nacional”. Alguém mais lembra disso?
Massa iguala feito de Mika Hakkinen

Foto: Divulgação McLaren
Com a pole position conquistada hoje para o GP do Brasil, Felipe Massa tornou-se o primeiro piloto, desde Mika Hakkinen, a largar em primeiro em Interlagos por três anos consecutivos. O finlandês da McLaren fez a pole nos GPs do Brasil de 1998, 1999 e 2000. Felipe, em 2006, 2007 e 2008.
O recorde de poles consecutivas no Brasil, porém, pertence a Ayrton Senna. O brasileiro largou na frente por quatro edições seguidas, de 1988 a 1991. Neste período, entretanto, duas corridas aconteceram em Jacarepaguá e duas em Interlagos.
20 anos da “Batalha de Suzuka”

Foto: Reprodução Grande Prêmio
Vejo agora, no Grande Prêmio, que lá se vão 20 anos da conquista do primeiro mundial de Ayrton Senna, no GP do Japão de 1988. É impressionante como o tempo passa rápido e também como a lembrança daquela corrida permanece viva.
Tinha 11 anos na época e lembro nitidamente de ter pela primeira vez na vida a sensação de estar presenciando algo histórico. Muitos fatos acontecem, acompanhamos, mas só nos damos conta da dimensão deles dias, meses, às vezes anos após. Neste caso, não. O mundo inteiro, em 30 de outubro de 1988, teve a certeza de estar vendo uma das maiores páginas da história do automobilismo ser escrita na pista de Suzuka.
Como já disse no GP Total no começo deste ano, aquela conquista teve um ar heróico, improvável, uma sensação que pode ser equivalente a uma virada aos 48 do segundo tempo de um time estava perdendo de goleada há poucos minutos. Comparável, quem sabe, à Batalha dos Aflitos, quando não há quem não tenha ficado impressionado com aquele time que na casa do adversário, com quatro jogadores a menos e um pênalti contra, conseguiu defender o pênalti, fazer um gol e voltar para a casa com o título na mão.
A “Batalha de Suzuka” foi assim. Ayrton Senna era pole, deixou o carro morrer na largada, caiu para 14º e viu suas chances no campeonato minguarem. E, de forma inesperada, tirou todos de sua frente em menos de 20 voltas para voltar a brigar, no mano a mano, com Alain Prost. É lógico que a McLaren era o melhor carro daquele ano, mas isso não diminui o feito. Ultrapassar seis carros em uma volta, como fez na primeira, não é para qualquer um. Mais dois na segunda volta, mais um na terceira, outro na quarta… Uma escalada para a história, rumo à vitória, rumo a uma conquista épica.
A Folha de São Paulo foi muito feliz quando avaliou hoje que o GP do Japão de 1988 iniciou a mitificação de Ayrton Senna. É certo que o brasileiro teve um acompanhamento midiático até então inédito, é sabido também que frente às câmeras se tratava de um sujeito bem mais polido, bom moço e simpático do que na vida real, narrações gritadas e ofegantes sobre trilhas emocionantes ajudaram a construir o ídolo, a morte à-la James Dean gerou uma comoção mundial. Mas não é só isso que explica a adoração ao gênio. Não adianta bela embalagem sem um bom produto, e Senna foi um produto único oferecido pela Fórmula 1.
Somos apaixonados pelo automobilismo e não devemos entrar na conta, mas coloque-se no lugar de um leigo, alguém que apenas vê carrinhos dando voltas e nada mais. Para quem não tem velocidade nas veias, corridas são chatas. E são chatas mesmo… um sai na frente, troca de pneus, reabastece e ganha. De vez em quando uma ultrapassagem, uma quebra, mas superficialmente tudo não passa de carrinhos dando voltas sem sair do lugar. O vencedor é um cara chato que, como dizia Juan Manuel Fangio, anda na frente “o mais devagar possível”. O segredo da vitória é esse, ser rápido o suficiente para vencer a concorrência e lento o suficiente para não danificar o equipamento. E Ayrton Senna fugiu deste clichê. O modo como se deram algumas de suas conquistas, a começar por Suzuka em 1988, trouxeram aquela analogia da virada futebolística para o automobilismo. E todo mundo passou a acompanhar a Fórmula 1, esperando a cada domingo uma vitória improvável.
Ou há outra forma de classificar o que fez em Mônaco/1984, um novato ultrapassando todo mundo com um carro visivelmente inferior debaixo de um temporal? Ou sua primeira vitória em Interlagos, percorrendo todo o traçado nas últimas voltas com seu câmbio preso à sexta marcha? Ou o duelo com Nigel Mansell em Jerez de la Frontera, cruzando a linha de chegada separados por apenas 14 milésimos de segundo? E o outro duelo com o Leão em Mônaco/1992, segurando a Williams de outro planeta por cinco voltas no final da corrida? E a vitória no dilúvio de 1993 em Interlagos, uma corrida que Alain Prost tinha na mão? A primeira volta em Donington Park e a vitória com duzentas trocas de pneus?
Ayrton Senna pode não ter sido o melhor piloto da história. Quem briga defendendo ou rejeitando tal idéia não sabe o que está fazendo, até porque essa questão de “melhor” é por demais subjetiva. Mas não há dúvidas que foi ele o piloto que mais protagonizou aquilo que se pode chamar de “vitórias impossíveis”. E o impossível começou a ser possível em Suzuka, em 30 de outubro de 1988.
Intervalo Comercial: Shell
Vagner Giacomazzi envia e-mail com Ayrton Senna estrelando um comercial da Shell no Japão, época em que a petrolífera holandesa era parceira da McLaren. Pelos meus cálculos, deve ser um anúncio de 1990.
Mas que trilha sonora esquisita para um comercial envolvendo velocidade e competição… Cheguei a pensar que meu computador estava captando a Antena 1.
Tags: Ayrton Senna, McLaren
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Intervalo Comercial: Mini Buggy
O Germano Caldeira conseguiu mais este anúncio: Ayrton Senna vendendo mini buggies.

Fico imaginando hoje, 20 anos depois, a histeria coletiva que um produto como este geraria. Um carro de brinquedo repleto de propaganda de cigarros.
Tags: Ayrton Senna
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Intervalo Comercial: Corcel II
O Thiago Gomes envia um anúncio de 1983, com Ayrton Senna, ainda na Fórmula 3, vendendo Corcel II.

Além de histórica, a propaganda evidencia como o fenômeno midiático “Senna” começou cedo. Ele ainda nem havia chegado na F1 e já tinha reputação para fazer anúncios testemunhais sobre veículos.
Tags: Ayrton Senna
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Causos da Espanha: a estréia de Montmeló

Raramente, desde os anos 90, a Espanha é palco de uma grande corrida de Fórmula 1. Além de ser utilizado para testes das equipes durante toda a pré-temporada, o circuito de Montmeló praticamente não possui pontos de ultrapassagem. O resultado? Provas monótonas e previsíveis, com raros lances de emoção.
Mas nem sempre foi assim. Na estréia do circuito catalão, em 1991, a exibição foi de gala. Uma corrida que podia decidir o título, movimentada e cheia de alternativas. E, de quebra, com lances antológicos.
O GP da Espanha daquele ano era a antepenúltima prova do campeonato, disputada em setembro. Nigel Mansell e Ayrton Senna brigavam pelo título, com grande vantagem para o brasileiro. Com 24 pontos atrás na tabela, um simples abandono de Mansell definiria o campeonato a favor do piloto da McLaren. O inglês não poderia, também, chegar abaixo do terceiro lugar. E, se fosse segundo, Senna teria de chegar abaixo do quarto posto para que o título continuasse em aberto. Em resumo: para o Leão, era vencer ou vencer.
Nos treinos, Gerhard Berger marcou a pole position. Mansell foi o segundo e Senna, o terceiro. A estratégia da McLaren para a corrida era deixar Berger fazer as vezes de coelho, disparando na ponta, enquanto Senna, largando do lado limpo da pista, tentaria pular na frente de Mansell e segurar o ritmo. O inglês sempre foi instável psicologicamente e o time de Ron Dennis jogava com isso. A intenção era deixar o adversário nervoso ao perceber Berger desgarrando na frente e forçá-lo a um erro. Conhecendo Mansell, era um cenário bem provável.

Chega o dia da corrida e uma fina garoa cobre o Circuito da Catalunha desde cedo. Na hora da largada, a pista permanece úmida, fazendo com que todos saiam com pneus de chuva. Ao acender das luzes verdes, tudo ocorre tal qual o script da McLaren. Berger pula na ponta e Senna arranca muito bem, tomando o segundo lugar de Mansell. Melhor ainda: algumas curvas depois, o atrevido Michael Schumacher, em apenas sua quarta corrida de Fórmula 1, não toma conhecimento da Williams do Leão e o ultrapassa também, assumindo o terceiro posto.
Mas Nigel Mansell estava inspirado, mesmo com um tornozelo machucado depois de uma partida de futebol na sexta-feira. Manteve a calma, ficou mais uma volta atrás de Schumacher e recuperou a posição logo depois. Enquanto Senna segurava o ritmo e permitia que Berger abrisse oito segundos na frente, o inglês foi à caça. Na abertura da quinta volta, uma cena que se tornou antológica. Mansell entra na reta embutido na McLaren de Senna e tira para o lado interno para tentar a ultrapassagem. Os dois descem a reta de quase 1km do circuito lado a lado, praticamente tocando rodas, até que, na freada, o inglês leva vantagem e assume a segunda posição.

Porém, o belo lance não foi decisivo para história da corrida. Cinco voltas depois, Senna e Mansell param juntos para colocar pneus slick. A McLaren trabalhou melhor, devolvendo o brasileiro à pista na frente do inglês. As posições estavam novamente invertidas.
Berger também já havia parado e caiu para segundo, entre Senna e Mansell. Mas a McLaren preferiu não modificar sua estratégia e, na passagem seguinte, o brasileiro fez sinal no meio da reta e permitiu a ultrapassagem do companheiro, como que dizendo: “vai, coelho!”.
Ayrton voltou a segurar Mansell, mas sua autosuficiência nem sempre era suficiente. Na última curva do traçado, escapou na pista molhada e ficou atravessado na área de escape. Conseguiu retornar à prova, mas encheu a pista de brita e já havia caído para a sétima posição, perdendo qualquer chance de voltar a brigar pela ponta. Seu objetivo, a partir de então, era chegar em quarto lugar, contando com uma vitória de Berger para garantir o tricampeonato mundial.

Mas Mansell não estava deixando barato e partiu para um novo ataque sobre uma McLaren, agora para assumir a liderança. A diferença, que era de apenas quatro segundos, foi caindo rapidamente. Na volta 17, o inglês coloca por dentro na curva 4, escorrega de lado, faz Berger escorregar também e consuma uma linda ultrapassagem, com os dois carros derrapando na pista ainda úmida. Schumacher tentou tirar proveito para roubar o segundo lugar do austríaco, mas perdeu o controle de sua Benetton e acabou atolado na lama.
Restavam 48 voltas para o fim e a McLaren ainda contava com uma reação de Berger, mas seu carro foi perdendo rendimento até o austríaco encostar nos boxes, com pane elétrica. O sonho do tri de Senna ficava adiado.
Dali para a frente, Nigel Mansell passou a controlar a diferença para a Ferrari de Alain Prost, que herdara o segundo posto depois do abandono de Berger e dos erros de Senna e Schumacher. Lá atrás, Senna era o terceiro e se degladiava com Riccardo Patrese e Jean Alesi, mas cedeu as duas ultrapassagens, cautela um tanto incomum em sua carreira. O brasileiro preferiu não arriscar e garantir alguns pontos, pois sabia que, qualquer que fossem, tornariam sua situação muito cômoda para ser campeão no Japão.

Depois de 65 voltas, Mansell recebe a bandeira quadriculada em primeiro lugar, numa das mais difíceis vitórias de sua carreira. Com o resultado, adia a decisão do campeonato e mantém-se vivo por pelo menos mais uma corrida. Senna cruza em quinto e passa a depender de apenas mais cinco pontos em duas provas para confirmar o título, sem depender de resultados paralelos.
Em Montmeló, Mansell foi um verdadeiro anti-Mansell, com uma rara exibição de inteligência, sangue frio e autocontrole. Escapou das armadilhas de seus adversários, mas não por muito tempo. Em Suzuka, três semanas depois, a McLaren se utilizou da mesma estratégia do GP da Espanha para bater o inglês. Berger disparou na ponta e Senna ficou em segundo, controlando o ritmo. No desespero em tentar tomar a posição, Mansell afobou-se, rodou sozinho no final da reta e entregou o campeonato para Senna. O Leão voltava a ser o Leão.
Atualização: Há ótimo um resumo da corrida, em português, no Youtube.
Do Baú: Senna na Indy

O Baú de hoje é manjado, mas vale pelo significado do fim de semana. Amanhã, em Long Beach, a ChampCar, outrora Cart e reconhecida pelos mais apaixonados como a “verdadeira Indy”, disputa a última corrida de sua história.
Uma categoria que viveu seu auge no final dos anos 80, começo dos 90 e que por um breve momento ameaçou o reinado da Fórmula 1, atraindo para suas pistas estrelas como Nigel Mansell e Emerson Fittipaldi. Ayrton Senna, maior expoente do automobilismo mundial na época, ameaçou uma mudança para os Estados Unidos no final de 1992, insatisfeito com a saída da Honda da F1 e sem uma perspectiva real de mudar-se para a Williams, que no ano seguinte seria um feudo Prostiano.
Na prática, o brasileiro não pretendia deixar a F1, mas fez uma série de ameaças como tirar um ano sabático ou competir nos EUA apenas para exercer pressão política sobre Bernie Ecclestone, Ron Dennis e Frank Williams. No final das contas, deu certo. Conseguiu vaga na Williams para 1994 e correu pela McLaren em 1993 recebendo bem mais do que Ron pretendia pagar.
A foto de hoje ilustra o teste de Senna com a Penske, que ocorreu em dezembro de 1992, no circuito misto de Firebird em Phoneix, Estados Unidos. Ao contrário do que muitos acreditam, Ayrton não chegou a testar no traçado oval.
Este baú foi indicado por diversos leitores: Pedro Ivo, Bruno Maia, Rafael Dellevedove, Lucas Lima e Afrânio Pedrosa.
Morreu Balestre

Morreu anteontem na França, aos 86 anos, Jean-Marie Balestre. Presidente da FISA entre 1979 e 1991 e da FIA entre 1986 e 1993, foi o homem que conduziu o automobilismo mundial com mãos de ferro durante os anos 80.
Vaidoso, histriônico, arrogante, egocêntrico e centralizador, encarnava como poucos a caricatura de um grande ditador. Realmente mandava, mas adorava fazer parecer que tinha ainda mais poder. Uma figura controversa, mas acima de tudo, competente.
Foi durante a gestão de Balestre que a Fórmula 1 viveu alguns de seus melhores anos. Evolução na segurança dos carros e dos circuitos e, principalmente, um período de rápida evolução tecnológica, mas sem prejuízo do esporte.
Ao contrário de Max Mosley, que lhe sucedeu, Balestre abominava regras artificiais visando o “show”. Uma de suas maiores preocupações sempre foi com a legitimidade da competição, garantindo que o melhor sempre vencesse. Caso este, obviamente, não fosse Ayrton Senna.
A grande mancha da trajetória de Balestre foi sua queda de braço sem sentido com o piloto brasileiro, maior ainda que os boatos que o ligavam ao movimento nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Por convicções pessoais, no desejo vaidoso de se mostrar acima de tudo e de todos, desclassificou Senna arbitrariamente do GP do Japão de 1989, entregando o título por antecipação a Alain Prost e impedindo uma briga pelo campeoanto na etapa final, na Austrália. Comissários da prova garantiram que receberam ordens diretas de Balestre para que Senna fosse impedido de subir ao pódio no final da corrida. E obedeceram.
Cego pela necessidade de demonstração de poder, Balestre começou ali a criar o mito Senna. A desclassificação da corrida, a posterior punição de seis meses ao piloto e a exigência de desculpas formais para que o brasileiro pudesse voltar a disputar um Grande Prêmio foram o necessário para que Senna ganhasse ainda mais destaque mundial. Antes visto como um piloto corajoso e genial, Ayrton passou a assumir além disso o papel de oprimido pelo sistema, herói silenciado pelo poder constituído e símbolo na luta pelas causas dos menos favorecidos. Um Davi de capacete contra o Golias de cartola da Place de la Concorde.
Senna e Balestre mudaram para sempre a vida um do outro. As ações do dirigente deram margem para que o brasileiro batesse de propósito em Prost na decisão do título de 1990 e ainda fosse visto como vingador. A ação inescrupulosa de Senna foi entendida como legítima, dada a briga desigual com o presidente da FIA. E Balestre perdeu toda e qualquer respeitabilidade política com isso, quando até seus apoiadores perceberam que a briga com Senna não passava de uma guerra de vaidades. Suas atitudes eram impróprias para o presidente de uma federação que regula um esporte.
Na eleição seguinte para a presidência da FISA, em fins de 1991, foi derrotado por Max Mosley e nunca mais recuperou seu prestígio político, embora ainda aparecesse todos os anos no GP da França com ares de dono do mundo. Perdia o poder, mas não a pose.
Eterna homenagem

João Eduardo escreve questionando se a Williams continua homenageando Ayrton Senna em seus carros. A resposta é sim, como se pode ver na imagem acima, detalhe do FW30, lançado no começo desta semana.
Desde 1995, Frank Williams coloca no bico de seus carros o logo da marca Senna, como forma de lembrar o piloto brasileiro, morto em um de seus carros no GP de San Marino de 1994.
Atualização: a pedidos, coloquei uma seta indicando a posição do logo.
Tags: Ayrton Senna, F1, Fórmula 1, Frank Williams, Williams
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Do Baú: Encontro de Gênios

Em novembro de 1990, por ocasião da comemoração do GP de nº 500 da história da Fórmula 1, a organização do GP da Austrália reuniu vários campeões do mundo para uma foto histórica.
Em pé: James Hunt, Jackie Stewart e Dennis Hulme. Sentados: Nelson Piquet, Juan Manuel Fangio, Ayrton Senna e Jack Brabham. Nada menos que 19 títulos mundiais reunidos, todas as gerações da história da categoria representadas. Uma imagem que nunca mais se repetirá, visto que num período de menos de cinco anos, quatro destes campeões perderam a vida.
Alain Prost estava presente em Adelaide, mas negou-se a participar da foto, ainda irritado com o acidente provocado por Senna na largada do GP do Japão, duas semanas antes. Neste mesmo final de semana, Senna e Stewart também se desentenderam, com o tricampeão escocês acusando o brasileiro de agir de forma antidesportiva.
Do Baú: Piquet na Lotus de Senna

Que Nelson Piquet disputou duas temporadas pela Lotus todo mundo sabe, e fotos dele num carro amarelinho não são grande novidade. Porém, a diferença deste “do Baú” está no modelo do carro. Piquet está a bordo do Lotus 99T, com o qual Ayrton Senna foi terceiro colocado no campeonato de 1987.
O teste aconteceu em dezembro daquele mesmo ano, no circuito do Estoril, e foi o primeiro contato de Piquet com sua nova equipe. Antes mesmo desta estréia, porém, já houve polêmica. Em entrevista a Lemyr Martins, o recém-tricampeão projetou o treino da seguinte forma:
“Vou andar com o carro velho do Ayrton. Desinfetamos e fazemos o primeiro contato.”
A brincadeira de Piquet nesta entrevista foi uma das que ajudaram a desencadear a grande briga entre os dois campeões no começo de 1988.
Tags: Ayrton Senna, Lotus, Nelson Piquet
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Kimi junta-se a Schumacher

A vitória de Kimi Raikkonen hoje em Spa o colocou ao lado de gênios do automobilismo. Ele e Michael Schumacher conseguiram vencer por três vezes consecutivas no charmoso circuito belga. E está agora a apenas uma vitória de igualar o recorde de vitórias seguidas em Spa, que pertence a Ayrton Senna e Jim Clark.
O brasileiro e o escocês venceram quatro consecutivas, em 1962-1965 e 1988-1991, respectivamente. Schumacher ganhou três, como Kimi, entre 1995 e 1997. Na pista, porém, o alemão havia vencido também a edição de 1994, mas foi desclassificado por causa do desgaste excessivo da prancha de madeira sob seu carro.
No geral, Schumacher é o maior vencedor em Spa, com seis primeiros lugares. Senna venceu cinco e Clark, quatro. Kimi juntou-se hoje a Damon Hill e Juan Manuel Fangio, com três vitórias no traçado mais desafiador da Fórmula 1.
Hamilton e Senna

O blogueiro Lucas Felipe, quase homônimo do atual líder da GP2, me pergunta se o capacete de Lewis Hamilton é, de alguma forma, uma homenagem a Ayrton Senna.
Até então, não tinha reparado na semelhança, à exceção do tom de amarelo. Mas analisando bem, percebi também duas faixas verde e azul, mais ou menos na mesma altura em que Senna utilizava. Resolvi pesquisar e encontrei este depoimento de Hamilton:
“O amarelo é remanescente do capacete de Ayrton Senna. Não foi intencional, mas como ele sempre foi um herói para mim, então está tudo bem.”
Ou seja, não foi proposital, o que não chega a caracterizar uma homenagem. Mas Hamilton gosta da semelhança e se diz um fã de Senna.
O depoimento original, completo, está aqui.

