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Rapidinhas – GP da China

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- Espetacular vitória de Sebastian Vettel, a primeira da Red Bull, com Mark Webber fazendo dobradinha. O alemão provou, mais uma vez, ser genial na chuva. Em condições parecidas com as da sua primeira vitória, em Monza no ano passado, Vettel foi absolutamente dominante outra vez. Não por acaso, ele já tinha feito grande figura no GP do Japão de 2007, debaixo de semelhante dilúvio.

- Vettel largou na ponta, soube abrir e manter distância sobre Jenson Button, que sofria pressão de Webber e terminou mesmo em terceiro lugar. Em uma prova em que quase todo mundo rodava, passeava pela grama ou batia, o jovem piloto da Red Bull foi absolutamente perfeito. Veloz, constante, consistente, não se embananou nem quando precisou disputar a liderança com Button na pista, depois do segundo pit stop. Uma conquista absolutamente perfeita.

- Mark Webber, seu companheiro, também fez uma corrida correta, apesar de não ter sido tão brilhante. Cometeu alguns erros, mas soube aproveitar-se da superioridade da Red Bull na chuva para tirar o segundo lugar do líder do campeonato, Button. Melhor resultado de sua carreira, também merecido.

- Durante toda a corrida ficou claro que a Brawn não tinha equipamento para brigar com a Red Bull. Provavelmente os carros de Button e Barrichello estavam mais preparados para tempo seco, tanto que, nos momentos em que a chuva deu uma leve trégua, os dois andaram melhor, tendo o brasileiro inclusive marcado a melhor volta.

- Jenson Button foi correto e não arriscou posições, preferindo manter o terceiro lugar. Já Rubens Barrichello fez uma corrida irreconhecível. Escapou da pista, perdeu posições e constantemente era de um a um segundo e meio mais lento que seu companheiro de equipe por volta. O quarto lugar até que foi lucro, durante a prova deu sinais de que poderia até sair sem pontos da China.

- Normalmente competente na chuva, há de se aguardar os motivos de um desempenho tão pífio de Barrichello. Esperava-se que, nessas condições, fosse dar um banho em Button. Acabou levando. Considerando as diferenças que foram reduzidas pelo Safety Car, o brasileiro levou mais de 50s do companheiro durante a corrida. Mesmo em situações com pista livre era muito mais lento. Acerto, problema mecânico ou forma?

- Ferrari protagoniza mais um fiasco, ficando mais uma vez sem marcar pontos. Felipe Massa saiu da corrida com moral. Era o grande destaque, ganhando posições mesmo com tanque cheio, fazendo várias ultrapassagens e sendo um dos mais rápidos da pista. Já era terceiro colocado, até que uma pane elétrica o deixou parado no meio da pista. Saiu do carro com as mãos na cabeça, num dèjá vu do GP da Hungria do ano passado.

- Kimi Raikkonen, apagado, foi lamentável. Seja por culpa dele ou do carro, foi ultrapassado três vezes por Lewis Hamilton durante a prova. Parecia que ia marcar pontos, mas ficou preso no meio do pelotão depois de encher o tanque e deu adeus à qualquer chance. Chegou em décimo e o clima segue pesadíssimo em Maranello.

- McLaren fez uma corrida decente. Hamilton protagonizou ultrapassagens espetaculares, mas rodou inúmeras vezes e terminou atrás de seu companheiro Kovalainen, quinto. Por sinal, primeira corrida decente do finlandês na temporada.

- Já Nelsinho Piquet continua devendo uma corrida decente. Rodou, bateu, trocou o bico, rodou, rodou, bateu… e as câmeras da FOM procuravam por Flavio Briatore, que balançava a cabeça negativamente no pit wall. Sinto cheiro de demissão iminente.

- Fernando Alonso se deu mal com a estratégia de largar leve. Precisou reabastecer antes mesmo do Safety Car autorizar a primeira largada, caiu para o fim do pelotão e conseguiu chegar em nono. Também rodou, mas nada que se compare com o fiasco do companheiro Nelsinho. Alonso tem muito crédito.

- Sebastien Buemi, aquele que parece o ET do Rodolfo e por quem não dava um tostão furado, continua surpreendendo. Fez ótima corrida, brigou de igual para igual com Hamilton e Massa e poderia ter ido além do oitavo lugar na corrida. Pena que cometeu um erro, perdeu seu aerofólio dianteiro na traseira de Sebastian Vettel – quase acaba com a corrida do vencedor! – e perdeu bastante tempo. Mas um erro perfeitamente desculpável. Os acertos foram muito maiores.

- Adrian Sutil era outro que merecia melhor sorte. Fazia grande corrida, estava num brilhante sexto lugar a seis voltas do fim, até que bateu e abandonou. Mesmo assim, sai com crédito.

- BMW não foi bem na corrida, figurando poucas voltas entre os oito primeiros. Kubica ainda dependurou-se na traseira de Jarno Trulli e tirou o italiano da corrida. Tanto ele quanto Heidfeld chegaram ao fim, mas longe de qualquer chance.

- Williams, que tinha tudo para andar na frente, ficou para trás. Kazuki Nakajima conseguiu ser até pior que Nelsinho Piquet, andando mais fora da pista do que dentro. Nico Rosberg fazia uma corrida de recuperação e parecia que chegaria nos pontos, até que arriscou intermediários acreditando que a pista ia secar e jogou a corrida fora. Mas precisava arriscar, não tinha muito a perder.

- Interessante notar que, até agora, todas as vitórias da temporada ficaram com equipes-cliente. Brawn, que compra motores da Mercedes, e Red Bull, que compra da Renault. As montadoras estão perdidinhas, do jeitinho que Max Mosley gosta.

- No campeonato mundial, Button conseguiu abrir mais um pouco para Rubens Barrichello. Ele lidera o campeonato com 21, contra 15 do brasileiro. Vettel e Glock têm 10, Webber 9,5 e Trulli, 8,5. Hamilton, atual campeão, é 10º, com apenas 4.

- Entre os construtores, banho da Brawn. 36 pontos, contra 19,5 da Red Bull e 18,5 da Toyota. McLaren já é quarta, com 8. E o 10º lugar de Raikkonen serviu para tirar a Ferrari da lanterna, que agora pertence à Force India. As duas, no entanto, zeradas. Que fase…

- Semana que vem, corrida de novo no Bahrein. Que Button não chegue à frente de Barrichello de novo, senão o brasileiro será “promovido” precocemente a escudeiro. Mas, a julgar pelo que tem feito até aqui no campeonato, não merece nada a mais do que isso, também.

Resultado - GP da China 2009

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Red Bull quebra hegemonia da Brawn

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull

* Post publicado com atraso por problemas internéticos.

Sebastian Vettel conseguiu hoje na China a primeira pole position da história da equipe Red Bull, quebrando, com isso, a hegemonia que a Brawn vinha impondo no campeonato. Os carros branco/preto/marca-texto ficaram apenas em quarto lugar, com Rubens Barrichello, e em quinto, com Jenson Button.

Mais notável que a pole de Vettel é a segunda posição de Fernando Alonso, a bordo do caixote que é a Renault. No entanto, ao que tudo indica, tanto as Red Bull de Vettel e Webber quanto a Renault de Alonso possuem bem menos combustível do que as Brawn de Barrichello e Button. Para a corrida a Brawn segue como franca favorita.

Ainda assim, não se deve diminuir o feito de Vettel. Mesmo com o carro leve, a pole é um grande resultado que comprova não só a velocidade inata do alemãozinho, mas também a qualidade do carro construído por Adrian Newey. É sempre bom lembrar: a Red Bull é, disparado, o melhor carro desprovido do polêmico difusor de dois andares. Imaginem o que este modelo andará quando dispuser de tal recurso…

Às rapidinhas:

- Rubens Barrichello está muito bem na foto. É o mais pesado entre os primeiros colocados e sai numa ótima quarta posição. Mesmo com uma volta a mais de combustível do que Jenson Button, conseguiu ficar à frente. Foi a primeira derrota que impôs ao companheiro e isso é muito importante na dinâmica interna da equipe. Se se mantiver à frente até o primeiro pit stop, tem tudo para vencer a corrida.

- Com Vettel em primeiro e Webber em terceiro, a Red Bull deve fazer ótima figura no GP da China. Um pódio é bem provável, embora acredite que, em condições normais, a vitória será da Brawn.

- Fernando Alonso deve ter combustível para menos de 15 voltas. Sai em segundo e pode embaralhar um pouco o começo da corrida, mas tende a ser coadjuvante. Para o carro que tem, essa posição no grid já foi bom demais.

- Toyota perdeu fôlego. Jarno Trulli foi sexto e Timo Glock foi 14º, mas o alemão trocou o câmbio e foi punido em cinco posições, vai sair em 19º. Com os motores japoneses, a Williams também não foi tão bem, com Nico Rosberg em sétimo e Kazuki Nakajima em 14º.

- Mais um fiasco para a Ferrari. Kimi Raikkonen sai apenas em oitavo. Felipe Massa errou na última volta e ficou apenas em 13º, sem sequer passar para a superpole. A McLaren, por sua vez, demonstrou uma certa recuperação utilizando um novo difusor, com Lewis Hamilton em nono. Ainda assim, é pouco para as duas grandes da Fórmula 1.

- Enquanto três motores Renault ocupam as três primeiras posições do grid, o quarto motor está longe, em 16º, com Nelsinho Piquet. Infelizmente, não há mais o que comentar sobre o brasileiro. Já já, a seleção natural da Fórmula 1 cuidará dele. Uma pena.

- Robert Kubica fez um treino irreconhecível com a BMW e vai sair em 17º. Nick Heidfeld foi um pouquinho melhor, larga em 11º.

- Brawn tem tudo para conquistar sua terceira vitória em três corridas. Uma temporada que parecia embolada começa a ganhar contornos de domínio absoluto. Mas duvido que o ano termine sem graça. Quando Ferrari, McLaren, Renault e Red Bull aprontarem seus carros revisados, a reta final promete ser imprevisível. Para o bem do esporte, que não seja tarde demais.

- Corrida amanhã às 4h da madrugada. Com comentários ao vivo aqui no blog, se a conexão à Internet deixar.

Grid GP da China 2009

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A farra dos difusores

Agora que a FIA liberou geral, começou a farra dos difusores de fundo duplo na Fórmula 1. Pelo que me enviaram por e-mail o João Rodrigues e o Gabriel Nova, a Ferrari andou testando uma versão própria numa pista de aviação na Itália.

Ferrari testando novo difusor na Itália

Admito que estou bem por fora do noticiário dos últimos dois dias (o motivo vocês saberão perto do GP da Espanha), então se alguém souber a fonte da imagem e quiser avisar, agradecerei. Mas a foto me parece absolutamente verdadeira, sem sinais de manipulação digital.

Sobre o veredito da FIA, não vou entrar no mérito se os difusores duplos ferem o espírito do novo regulamento ou não. Mas o que me pareceu de todo o caso foi que a entidade, mais uma vez, foi contraditória. Se for verdadeira a alegação da Renault de que apresentou esta solução à FIA no final do ano passado e recebeu um “é proibido” como resposta, os comissários não poderiam tê-la considerado legal na Austrália. Mas, em compensação, também não poderia ter proibido ontem depois de ter dado um OK para Brawn, Williams e Toyota.

Exposta a contradição, o veredito seria de toda forma incoerente e prejudicaria alguém. Em vez de prejudicar times com menor orçamento (Williams e Brawn), que provavelmente não poderiam nem competir na China caso tivessem seu carro proibido, abriram uma frente para que as grandes (McLaren, Ferrari) começassem a correr atrás do prejuízo. O problema é que, com as duas dispostas a praticamente refazer seus carros para vencer, a FIA se contradiz novamente: estimula a gastança em tempos de crise.

Não vejo mocinhos nem vilões no caso. Vejo, sim, uma entidade incoerente e atrapalhada.

Atualização: A Ferrari não testou difusor novo nenhum, a foto em questão é uma montagem. O Nickcs acabou de descobrir a foto original aqui.

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Pintou o favorito?

Foto: Divulgação/Brawn

Foto: Divulgação/Brawn

Com duas vitórias nas duas primeiras corridas da temporada, Jenson Button lidera o campeonato mundial de pilotos, a bordo da surpreendente Brawn Mercedes. E se uma escrita histórica for levada em consideração, ignorando as circunstâncias, o britânico desponta como favorito ao título de 2009.

Em todos os campeonatos realizados de 1950 a 2008, em 16 ocasiões um mesmo piloto ganhou as duas primeiras etapas da temporada. E em apenas quatro delas este mesmo piloto não terminou o ano como campeão. A última vez em que o vencedor inicial não levou o caneco foi há 27 anos, em 1982, quando Alain Prost despontou com a Renault, mas não conseguiu pontuar nas sete corridas seguintes e terminou o ano apenas em quarto lugar.

Confira abaixo quem venceu as duas primeiras provas até hoje. Entre parêntesis, sua classificação final no campeonato.

1953 - Alberto Ascari (1º) *
1954 - Juan Manuel Fangio (1º) *
1957 - Juan Manuel Fangio (1º)
1969 - Jackie Stewart (1º)
1973 - Emerson Fittipaldi (2º)
1976 - Niki Lauda (2º)
1979 - Jacques Laffite (4º)
1982 - Alain Prost (4º)
1991 - Ayrton Senna (1º)
1992 - Nigel Mansell (1º)
1994 - Michael Schumacher (1º)
1996 - Damon Hill (1º)
1998 - Mika Hakkinen (1º)
2000 - Michael Schumacher (1º)
2001 - Michael Schumacher (1º)
2004 - Michael Schumacher (1º)
2009 - Jenson Button (?)

* Em 1953 e 1954, o GP de Indianápolis foi a segunda etapa da temporada, mas nenhum dos pilotos que disputavam regularmente o campeonato participavam da corrida. Assim, foram consideradas a primeira e terceira provas.

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Charge animada: GP da Malásia

Mantova mandando muito bem de novo… Agora com música!

 

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Charge do Tuta: Lição de casa

Tuta revela hoje quem fez e quem não fez o dever de casa na Fórmula 1 em 2009.

Arte: Tuta

Arte: Tuta


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Charge do Mantovani: GP da Malásia

Rápido no gatilho, Bruno Mantovani retrata o desempenho das Brawn no dilúvio que foi o GP da Malásia.

Arte: Bruno Mantovani

Arte: Bruno Mantovani

A propósito, desde a semana passada Mantova está publicando suas charges na revista Racing. Tá ficando grandão, o guri.

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Brawn faz história, de novo

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

Com duas vitórias em duas corridas disputadas, a Brawn fez história outra vez hoje, em Sepang. Nunca, na história da Fórmula 1, um time havia vencido as suas duas primeiras provas na categoria.

A Mercedes, que estreara arrasadora com dobradinha no GP da França de 1954, não conseguiu repetir o feito na Inglaterra, etapa seguinte do campeonato. Ainda que tenha feito a pole position com Juan Manuel Fangio, a equipe falhou em conseguir o pódio. Outro argentino, José Froilan Gonzalez, venceu a corrida com a Ferrari, seguido por Mike Hawthorn e Onofre Marimon. A primeira Mercedes ficou em quarto, com Fangio.

Em 1977, Jody Scheckter venceu a prova de estreia da Wolf na Argentina, mas era apenas 11º em Interlagos quando abandonou o GP do Brasil, com problemas de motor.

Feito parecido encontra apenas paralelo na Alfa Romeo em 1950, que venceu todas as seis primeiras corridas que disputou. Mas como naquela temporada todo mundo era estreante, não é um desempenho tão impressionante quanto o da Brawn.

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Positivo e negativo: Malásia

Positivo: Jenson Button e a Brawn, novamente. O piloto inglês e seu carro branco têm sido uma dupla afinada, imbatível. Em qualquer circunstância.

Negativo: FIA/FOM. Marcam uma corrida para um horário esdrúxulo, quando até as palmeiras de Sepang sabiam que havia grandes chances de chuva forte e fim de corrida por falta de luz natural. Mesmo assim arriscaram, e deu no que deu. Corrida pela metade cabe restituição de metade do ingresso para quem foi?

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Rapidinhas – GP da Malásia

Foto: Reprodução/F1-live.com

Foto: Reprodução/F1-live.com

- Duas corridas, duas vitórias da Brawn com Jenson Button. O britânico foi perfeito durante a prova, no seco e no molhado. Conquista mais do que merecida. No entanto, não foi um passeio como na Austrália. Toyota e Williams realmente incomodaram e Button arrancou muito mal, caindo para a quarta posição na largada. No entanto, teve sangue frio para recuperar as posições que precisava. Quando o líder Rosberg parou nos boxes, fez uma série de voltas rápidas e garantiu a vitória.

- Nem quando choveu o piloto inglês teve sua corrida ameaçada. Timo Glock vinha com pneus intermediários, andava mais rápido, incomodou, mas Button foi perfeito. Mais uma corrida nota 10 para o inglês.

- Impressionante o volume de água que caiu em Sepang e obrigou a interrupção da corrida. O que não chega a ser novidade para ninguém, já que por lá sempre cai uma chuvarada por volta daquele horário. Os organizadores da corrida não contaram com o óbvio e acabaram realizando uma corrida que terminou antes do fim, com apenas metade dos pontos contados para a classificação do mundial. Bem feito.

- A decisão de não reiniciar a prova foi acertada, dada a absoluta falta de visibilidade por causa da chuva e da pouca luz natural. Só não precisava ter demorado tanto.

- Voltando a falar de corrida, excelente participação de Timo Glock, que foi o único a apostar nos pneus intermediários na hora em que a chuva apareceu. Cautelosos, todos foram de pneus de chuva forte e passaram a andar quase 10s por volta mais lentos que o alemão da Toyota. Com essa jogada, pulou de oitavo pra segundo. Perdeu uma posição numa nova parada de box, mas era segundo novamente, até que a corrida terminou e passaram a ser contabilizadas as posições da volta anterior. Terminou em terceiro.

- Quem se deu bem com a interrupção foi Nick Heidfeld. Nas trocas de pneus, acabou pulando para segundo e assim terminou. Fez uma corrida discreta, mas conquistou um belo resultado. Melhor que o companheiro Kubica, que se classificou bem mas teve o carro quebrado na largada.

- Rubens Barrichello teve outra corrida de altos e baixos. Se fez belas ultrapassagens sobre Fernando Alonso, Jarno Trulli e Nico Rosberg, não conseguiu ser rápido o suficiente nas voltas que antecedem ao pit stop para bater seu companheiro Button. O inglês sempre conseguiu manter uma margem de segurança sobre o brasileiro e não foi ameaçado. Depois que começou a chuva, ainda perdeu tempo nas trocas de pneus, escapou da pista e acabou derrubado para o quinto lugar. Ainda é cedo, mas já começa a ficar para trás na hierarquia da equipe.

- Jarno Trulli fez uma prova discreta. Começou bem no seco, pulando e se mantendo em segundo lugar. Mas foi perdendo rendimento durante a prova e terminou em quarto.

- Nico Rosberg foi o nome do primeiro terço da corrida, com uma brilhante largada e comandando a prova com autoridade. Fez grandes voltas, parecia que brigaria pela vitória. Mas bastou o pimeiro pit stop para ficar no meio do pelotão e não conseguir mais nada. Não se deu bem com a chuva e sai de Sepang com apenas meio ponto, pelo oitavo lugar. Ele e a Williams mereciam mais.

- Lewis Pinóquio Hamilton foi o sétimo, mais uma vez se deu bem na prova mesmo com um carro ruim. Que não conte nenhuma mentira hoje, senão pode perder o ponto que ganhou.

- Patética, novamente, a corrida da Ferrari. Felipe Massa saiu lá de trás, ganhou quatro posições na largada, mas depois ficou preso no fundão e não conseguiu grande coisa. Kimi Raikkonen vinha “bem”, em quinto, até que a equipe resolveu acabar com sua corrida, colocando pneus de chuva forte quando ainda não chovia. A água demorou a cair, Kimi ficou três ou quatro voltas andando 20s mais lento que todo mundo e deu adeus a qualquer chance de marcar pontos. Simplesmente ridículo.

- O ocorrido só ilustra o desespero ferrarista. Em sã consciência, ninguém arrisca uma boa posição dessa forma. Se quisessem arriscar com Felipe, que vinha em 12º e não tinha nada a perder, seria compreensível. Fizeram o que fizeram e continuam com zero pontos no campeonato, igualzinho à péssima campanha de 1992.

- Com otite, Fernando Alonso fez o possível na corrida. Largou bem, segurou todo mundo atrás de si por várias voltas, mas não teve como manter a posição por muito tempo. Começou a perder desempenho, foi o primeiro a sair da pista com chuva e ficou em 11º. Nelsinho Piquet, em outra corrida sem comentários, foi 13º. Pelo menos não deu vexame na pista molhada.

- Heikki Kovalainen está conseguindo ser pior que Michael Andretti em 1993, não conseguindo completar nenhuma volta em corrida pela McLaren até agora. Errou logo no começo e abandonou de novo, de forma melancólica.

- Corrida morna no início, sensacional depois que a chuva começou. Mas ainda não afirmo com todas as letras que o novo regulamento “salvou” a Fórmula 1, pois foi mais uma corrida atípica. Só vamos ter certeza se o GP da Espanha for uma boa corrida, coisa rara na história.

- Campeonato: Button 15, Barrichello 10, Trulli 8,5, Glock 8. Brawn e Toyota dominando a temporada, quem diria. Ferrari na lanterna, zeradinha.

- Próxima corrida daqui a 15 dias, na China. Brawn deve levar novamente… que loucura.

Resultado do GP da Malásia

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Button mantém domínio

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- Duas corridas, duas pole positions. Jenson Button e a Brawn continuam dominando amplamente este começo de temporada na Fórmula 1. Dessa vez, no entanto, a vantagem da equipe-sensação de 2009 não foi tão avassaladora quanto na Austrália. A Brawn está bem e é favorita na corrida, mas Toyota e Red Bull estão muito próximas. Jarno Trulli, segundo no treino, ficou menos de um décimo atrás. A briga promete ser boa.

- Rubens Barrichello não fez um bom treino, marcando apenas o quarto tempo. Como o próprio piloto admitiu para Carlos Gil na transmissão da Rede Globo, ainda que esteja mais pesado que Button, a diferença de seis décimos foi muito grande. Deveria ter ficado mais perto. “O carro saía muito de frente”, justificou. Eu só acho que ele se justifica demais.

- Por ter trocado de câmbio, perde cinco posições no grid e deveria largar em nono. Mas como Sebastian Vettel, terceiro, perdeu dez posições, Barrichello acabou ganhando uma. Sairá em oitavo.

- Timo Glock confirmou o bom desempenho da Toyota e sairá em terceiro. Quinto mais rápido, herdou as posições dos punidos Barrichello e Vettel. A primeira vitória da equipe japonesa nunca esteve tão perto.

- Nico Rosberg, estrela dos treinos livres, sai em quarto, fechando a segunda fila. Muito bom para a Williams, que tem grandes chances de voltar ao pódio.

- A terceira fila será aberta por Mark Webber, com Robert Kubica a seu lado. Enquanto Nick Heidfeld segue decepcionando com a BMW – larga em 11º -, o polonês vai muito bem, obrigado. Será só culpa do KERS?

- Não há dúvidas que, no momento atual, três equipes dominam a Fórmula 1: Brawn, Toyota e Red Bull. Williams, BMW e Ferrari parecem vir logo atrás, num segundo pelotão. Agora as coisas começam a ficar um pouco mais claras, mas fica a questão: terão elas fôlego para continuar andando na frente?

- A julgar pelo poderio da Ferrari, os italianos têm toda a capacidade de reação. O problema é que o time não se ajuda. A besteira na classificação de hoje foi imensurável. Satisfeita com as primeiras voltas de Felipe Massa e Kimi Raikkonen na primeira parte da classificação, recolheu os carros para a garagem e não voltou mais para a pista. Resultado: no finalzinho, Sebastian Bourdais roubou o 15º posto e tirou Massa do Q2. E Kimi escapou por pouco…

- Resultado: a estúpida soberba Ferrarista jogou o brasileiro a um ridículo 16º do grid, quando tinha chances claras de largar entres os 10 primeiros, quiçá entre os cinco, a julgar pelos treinos livres. Kimi conseguiu seguir adiante e sairá em nono. Impressionante como a Ferrari abusa de erros idiotas há pelo menos três temporadas.

- A McLaren pode ter feito um projeto ruim e pode ter feito a lambança que fez no episódio Hamilton-Pinóquio. Mas vão fazendo o que podem, sem cometer erros de estratégia. Lewis Hamilton sai em 12º e tem condições de pontuar na corrida. Seu companheiro Kovalainen foi o 14º.

- Já a Renault melhorou um pouco em Sepang, provavelmente graças ao KERS. Fernando Alonso, mesmo com uma incômoda otite, sai num bom décimo lugar. Já Nelsinho Piquet decepcionou outra vez, ficando à frente somente de três carros: das duas Force India e do novato Sebastien Buemi. 17º colocado, sua vida está complicada. A fase de adaptação já passou há tempos e Nelsinho segue lento.

- Palpite para amanhã: dá Button novamente. Porém, há grandes chances de chuva e aí embaralha tudo, sendo possível até que uma equipe grande vença. No molhado, aposto em Barrichello e Hamilton.

- Para encerrar: a pista larga de Sepang dá um sono…

Resultado da classificação - GP da Malásia

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Charge animada: GP da Austrália

Bruno Mantovani resolveu inovar, fazendo sua primeira charge animada. O assunto é a largada de Rubens Barrichello no GP da Austrália. Por ser um experimento, ainda não tem som. Mas já é 10.

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Brawn e suas coincidências

Foto: Divulgação/Brawn

Foto: Divulgação/Brawn

A histórica vitória da equipe Brawn em sua estreia na Fórmula 1 veio cercada de algumas coincidências. A começar pelos motores fornecidos pela Mercedes que empurram os carros de cor branca/preta/marca-texto, mesma fábrica que estreou com vitória na categoria em 1954. Além disso, soube agora, via Ico, que Jody Scheckter, até então o último piloto a vencer a corrida de estreia de um time, é parceiro da Brawn através de sua bio-fazenda Laverstoke Park. Não bastasse isso, o carro do vencedor Jenson Button estava inicialmente inscrito para o GP da Austrália com o número 20, o mesmo estampado na carenagem do Wolf de Scheckter no GP da Argentina de 1977.

Mas a coincidência mais impressionante é outra: James Allen revela, em seu blog, que um jovem engenheiro trabalhava na estreante Wolf naquele histórico GP da Argentina. O nome dele? Ross Brawn.

Colaborou Julian Tavora.

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Charge do Mantovani: GP da Austrália

Bruno Mantovani começa a temporada destacando o peso morto do qual a Brawn se livrou…

Arte: Bruno Mantovani

Arte: Bruno Mantovani

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Barrichello já é o 5º maior pontuador da história

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

O aviso me foi dado pelo Bernardo Magalhães. Com os oito pontos do segundo lugar no GP da Austrália, Rubens Barrichello passou a ser o quinto maior pontuador da história da Fórmula 1. Com 538 pontos acumulados, o brasileiro ultrapassou David Coulthard (535) e Kimi Raikkonen (531). À frente dele, estão apenas Michael Schumacher (1.369), Alain Prost (798,5), Ayrton Senna (614) e Fernando Alonso (555).

Caso a Brawn se mantenha dominante na temporada e Barrichello seja capaz de somar mais de 80 pontos – um desempenho de terceiro ou quarto colocado no campeonato -, ele poderá assumir até o terceiro lugar. Isso, lógico, se mantiver uma certa distância com relação a Fernando Alonso e Kimi Raikkonen, que também estão em atividade.

Para quem esteve com a carreira praticamente encerrada, este “ano bônus” de Barrichello promete ser muito proveitoso. Isso se for realmente o último, porque se continuar assim, ele ainda vai longe.

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Positivo e Negativo – Austrália

Positivo: Equipe Brawn. Fizeram um carro rápido e, acima de tudo, resistente. Até para aguentar pancadas como a que aconteceu com Barrichello na largada. A melhor estreia de uma equipe na F1 moderna. Histórico.

Negativo: Bridgestone, que levou para a Austrália ridículos pneus macios, que se desmanchavam depois de seis ou sete voltas. Foram eles que acabaram com as ótimas corridas de Nico Rosberg e Sebastian Vettel. E, se Kubica não se enroscasse com o alemão da Red Bull, poderiam também ter acabado com o fim de semana perfeito da Brawn.

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Rapidinhas – GP da Austrália

Foto: Reprodução/GPUpdate.net

Foto: Reprodução/GPUpdate.net

- Absolutamente perfeita a corrida da Brawn e de Jenson Button. Domínio absoluto, Jenson Button fez na corrida o que quis. Sempre que precisou, acelerou e andou até mais de um segundo mais rápido que os rivais em uma volta. Vitória merecida, um início de campeonato histórico e uma sensação esquisita e ao mesmo tempo empolgante de não se ter a mínima ideia do que virá pela frente.

- Para Rubens Barrichello, no entanto, os mesmos elogios não podem ser feitos. O brasileiro abusou dos erros na corrida de hoje e acabou fechando a dobradinha com Button graças às burradas de Robert Kubica e Sebastian Vettel no finalzinho. Na largada, patinou, demorou para arrancar e perdeu diversas posições. Na primeira curva, foi tocado por Kovalainen e jogou Mark Webber para fora, danificando a asa dianteira. Na décima volta, foi tentar ultrapassar Kimi Raikkonen e quebrou mais um pedaço da asa, precisando trocá-la nos boxes mais tarde. Barrichello levou muito ao pé-da-letra a “faca nos dentes” que prometeu durante a pré-temporada.

- Mas Rubens ainda conseguiu recuperar-se e deixou bem claro que a fama de azarado foi embora junto com o número 21. Sim, ele esteve muito perto de deixar a corrida nas três ocasiões citadas e teve muita sorte em não danificar o carro seriamente. No final, ainda ganhou o pódio de presente. Nova fase na carreira de Barrichello, o sortudo. E é bom lembrar que sorte e competência andam lado a lado.

- Sebastian Vettel e Robert Kubica, protagonistas do salseiro a três voltas do fim que mudou a história da corrida, saem da Austrália com saldo positivo. Foram imprudentes e jogaram um segundo e um terceiro lugares pela janela, mas são jovens e este tipo de erro faz parte do aprendizado. Ambos fizeram uma excelente corrida, sendo os únicos a ameaçarem de alguma forma o domínio do duo Button/Brawn. Tivesse conseguido ultrapassar Vettel, Kubica provavelmente atacaria Button nas últimas voltas e teríamos um final imprevisível. Mas, feita a burrada, fica a lição. “Nunca mais vou dividir uma curva daquela forma a três voltas do fim”, “nunca mais farei uma curva pisando fundo sem a asa dianteira”, escreverão os dois duzentas vezes no quadro-negro.

- Quem ri por último, ri melhor. Alvo de desconfianças e piadinhas infames durante todo o final de semana, a McLaren termina o GP da Austrália embolsando cinco pontos pelo quarto lugar de Lewis Hamilton. Resultado comemorado como uma vitória, pois a tendência seria sair sem ponto nenhum no campeonato. Enquanto isso, a Ferrari está na lanterna no Mundial de Construtores.

- Vexame ferrarista. Felipe Massa até andou bem no começo da corrida, mas voltou do segundo pit stop no tráfego e perdeu qualquer chance de pódio, que chegou a parecer bem próximo. Amargava um incômodo 11º lugar quando o carro quebrou. Kimi Raikkonen, que correu com o interruptor desligado, ainda fez o favor de bater, abandonando também a corrida.

- A destacar o belo pódio de Jarno Trulli com a Toyota, saído dos boxes. O carro é bom e não vamos estranhar se os japoneses ganharem sua primeira corrida muito em breve.

- Fernando Alonso, devagar e sempre com o paralelepípedo projetado pela Renault, conseguiu ainda um sexto lugar, na base da persistência. Nelsinho Piquet errou e, de novo, terminou uma corrida na caixa de brita. Freios frios em relargada não é uma desculpa aceitável. Os freios estavam frios para todo mundo e só ele saiu rodando feito um pião.

- Nico Rosberg fez boa corrida, mas foi bastante prejudicado pelo erro da Williams em um de seus pneus no primeiro pit stop. A parada foi longa demais e o alemão caiu para a rabeira do grid. Recuperou-se, mas os terríveis pneus macios da Bridgestone acabaram com sua corrida no trecho final. Não marcaria pontos, mas Vettel e Kubica deram uma mãozinha. Saiu com dois pontos e a melhor volta.

- Sebastien Buemi, por quem não dava um centavo, fez ótima estreia com a Toro Rosso. Dividiu curvas com Felipe Massa, foi agressivo, andou rápido e ainda marcou um ponto. Seu superestimado companheiro Bourdais foi nono. Esse francês… sei não, hein? Não levo mais fé.

- Force India apareceu bem na prova, com Fisichella segurando Alonso por várias e várias voltas, passando boa parte da corrida na zona de pontos. Depois, tomou um passão do companheiro Sutil, que terminou em décimo. Fisico foi 12º. Como diria o sábio Wanderley Luxemburgo: “não tem mais bobo na Fórmula 1″.

- No que diz respeito ao campeonato, impossível fazer qualquer prognóstico. Brawn lidera e deve continuar assim por mais algumas provas, McLaren somou pontos importantes que podem fazer diferença no final, Ferrari vai mal. Mas só vamos conseguir entender a dinâmica do campeonato quando sair a decisão sobre os tais difusores. Mais do que nunca (© Fausto Silva), o campeonato só começará mesmo na fase europeia. Se enquanto isso a Brawn for acumulando gordura, pode até brigar pelo título. Mas eu continuo achando que os outros times vão encostar e que a Brawn não tem fôlego de maratonista para vencer um campeonato.

- Será que a nova aerodinâmica e os pneus slick resolveram o problema de ultrapassagens e competitividade na Fórmula 1? Aparentemente sim, mas o Albert Park normalmente proporciona corridas movimentadas como a de hoje. Semana que vem, no chatíssimo traçado de Sepang, na Malásia, é que vamos poder tirar a prova real.

- Se o objetivo da FIA era embaralhar tudo, conseguiu. A estrutura da F1 está chacoalhada, agora vamos acompanhar as próximas ondas de choque provocadas pelo sismo Brawn GP. Que grande início de campeonato!

Resultado do GP da Austrália

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Fazendo história (de madrugada)

Foto: Reprodução/GPUpdate.net

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Faltam adjetivos para descrever o quão fantástica foi esta estreia da equipe Brawn. Me arrisco a dizer que nunca na história se viu algo igual. Tudo bem que a Mercedes fez o mesmo em 1954, mas tratava-se de uma outra era, era uma grande fábrica ingressando na categoria e não era tão complicado fazer um carro vencedor. A Wolf surpreendeu com vitória na estréia em 1977, mas foi uma conquista um tanto circunstancial, baseada na quebra de adversários. Com a Brawn na Austrália, foi tudo absolutamente diferente.

Quem, há menos de um mês, poderia imaginar algo assim? Um time que nem sequer existia, pilotos que nem sequer tinham cockpit assegurado para correr nesta temporada subindo ao pódio em primeiro e segundo lugares, dominando toda a corrida, colocando de joelhos poderosas equipes como Ferrari, McLaren ou Renault. A história que escreveu a Brawn hoje no Albert Park tem um quê de fábula, uma conquista épica digna dos filmes de Rocky Balboa. Foi do fundo do poço que a Brawn surgiu para vencer esplendorosamente. Foi do iminente ostracismo que Rubens Barrichello renasceu para chegar num brilhante segundo lugar. Foi de uma temporada de esquecimento, ofuscado em seu país pela estrela Lewis Hamilton, que Jenson Button ressurgiu para entrar para a história. Foi da aposentadoria “forçada” pela Ferrari que Ross Brawn voltou para ser lembrado para sempre. Daqui a 30 anos, vamos contar a nossos filhos ou netos que vimos um time surgir do nada e ganhar sua corrida de estreia. E ninguém vai acreditar ou entender muito bem o que significou este 29 de março de 2009. Presenciamos um momento único, que provavelmente nunca mais será repetido, emocionante e cativante.

Em um dia, a Brawn conquistou mais admiradores no mundo do que Toyota ou Red Bull em dezenas de anos. Se existe uma bandeira que vai vender como água na Malásia, será a da nova sensação da Fórmula 1. Enquanto isso, dirigentes da Honda em Tóquio iniciam os procedimentos para um harakiri.

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Depois de 5 anos, Barrichello volta à primeira fila

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

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Mesmo tendo perdido a pole position para seu companheiro Jenson Button no último minuto do treino de classificação para o GP da Austrália, Rubens Barrichello tem muito o que comemorar. Depois de cinco anos, o brasileiro volta a largar na primeira fila de um GP da Fórmula 1.

A última vez havia sido no GP do Brasil de 2004, ainda na Ferrari, quando marcou a pole position e terminou a prova em terceiro lugar. Além disso, o segundo posto no grid é a melhor posição de largada de Barrichello em todas as suas estreias em novas equipes. Nem quando começou na Ferrari, também na Austrália, em 2000, ele conseguiu um segundo lugar.

Confira abaixo as posições de largada de Rubens Barrichello em suas estreias:

1993 – 14º, Jordan, GP da África do Sul
1997 – 11º, Stewart, GP da Austrália
2000 – , Ferrari, GP da Austrália
2006 – , Honda, GP do Bahrein
2009 – , Brawn, GP da Austrália

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Brawn iguala feito de Mercedes e March

Foto: Divulgação/Brawn

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Com a conquista do primeiro e segundo lugares no grid de largada em sua corrida de estreia com Button e Barrichello, a Brawn repetiu hoje um feito que não acontecia há 39 anos. A última vez em que um construtor obteve o mesmo resultado na Fórmula 1 fora em 1970, quando a March estreou na categoria e colocou dois carros em primeiro e segundo no GP da África do Sul, abertura da temporada: Jackie Stewart e Chris Amon.

No entanto, Stewart e Amon não eram companheiros de equipe. O escocês, então campeão mundial, corria pela Tyrrell, com chassis da March. Já Amon, o azarado neo-zelandês, estava inscrito pela própria equipe March.

Antes deles, a Mercedes havia conseguido a mesma proeza, em sua estreia no GP da França de 1954. O primeiro foi Juan Manuel Fangio, com o alemão Karl Kling na segunda posição. O feito da Mercedes, que por sinal hoje fornece motores para a Brawn, deve servir de inspiração para o mais novo time da Fórmula 1. Diferentemente da March, o time alemão venceu a corrida, fazendo dobradinha com seus pilotos nas mesmas posições de largada.

Além de Brawn, Mercedes e March, outros construtores também já haviam feito poles na estreia. Lancia no GP da Espanha de 1954, com Alberto Ascari; Lola com John Surtees no GP da Holanda de 1962 e Tyrrell no GP do Canadá de 1970, com Jackie Stewart. Embora não fosse a estreia da Tyrrell como equipe, era como construtora.

Vale lembrar que a Alfa Romeo estreou com quatro carros nas quatro primeiras posições no grid do GP da Inglaterra de 1950. Mas, neste caso, todo mundo estava estreando na Fórmula 1.

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