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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: Bruce McLaren
Sebring: um circuito histórico
O circuito de Sebring, localizado na Flórida, Estados Unidos, voltou a ser manchete no Brasil nesta semana, em razão dos primeiros testes de Rubens Barrichello na Fórmula Indy. O que passou despercebido foi que este autódromo, embora com aparência bem precária nos dias atuais, é de relativa importância na história do automobilismo.
Até o começo dos anos 50, Sebring era apenas uma pista de treinamento da Força Aérea Americana, com uma pista de pousos de decolagens. Em 1950, foi construído o circuito em anexo à pista, que ainda existe. Trata-se de um dos mais antigos autódromos do país, sendo desde então um dos principais palcos de corridas de carros esportivos, fazendo até hoje parte do calendário da American Le Mans Series com suas tradicionais 12 Horas de Sebring. E quem joga Forza Motorsport e Gran Turismo no videogame conhece Sebring muito bem, embora o traçado de hoje seja um tanto diferente daquele de 60 anos atrás.
Mas talvez o momento de maior notoriedade de Sebring no automobilismo internacional tenha sido o Grande Prêmio dos Estados Unidos de Fórmula 1 de 1959, lá disputado. Foi uma corrida histórica por diversos aspectos: foi o primeiro GP dos EUA disputado pela F1, já que, até então, as 500 Milhas de Indianápolis faziam parte do calendário, mas não tinham suas equipes e pilotos. Depois, foi histórica por ter sido palco de uma disputa de título, que acabou nas mãos de Jack Brabham. E ainda coroou um jovem vencedor.
Naquele GP, disputavam o título três pilotos: com Cooper, Brabham e Stirling Moss. Com Ferrari, Tony Brooks. Brabham liderava o campeonato e precisava vencer para confirmar o título. Poderia até ser segundo, desde que o vencedor não fosse Moss. Já as chances de Brooks eram menores: tinha que vencer e torcer para que Brabham não fosse segundo. Para Moss, uma simples vitória resolveria tudo.
E o inglês da Cooper marcou a pole position e partiu na frente, seguido do australiano Brabham. Porém, o “campeão sem título” teve um problema de transmissão e foi obrigado a abandonar logo na sexta volta, deixando o caminho aberto para o “Black Jack”. A partir daí, Brabham disparou na frente e dominou toda a corrida. Mas quando parecia que o título estava confirmado, o australiano ficou sem combustível a cerca de 500 metros da linha de chegada.
Jack não se intimidou, desceu do carro e começou a empurrar seu Cooper (na época, isso valia). Sem saber a posição de Brooks, imaginou que o adversário pudesse vencer e roubar-lhe a coroa. Com muita garra, empurrou seu pesado carro por toda a extensão da reta, até cruzar a linha de chegada em quarto lugar, exausto.
O esforço foi admirável, mas de nada teria servido se Brooks tivesse vencido. Mas para sua sorte, o inglês da Ferrari foi apenas terceiro, o que lhe garantiu o primeiro de seus três títulos mundiais. A vitória ficou com o jovem neo-zelandês Bruce McLaren. À época com 22 anos, 3 meses e doze dias de idade, tornou-se o mais precoce piloto a subir ao alto do pódio na categoria. Seu recorde durou 44 anos, tendo sido superado apenas em 2003, quando Fernando Alonso venceu na Hungria com 22 anos e 26 dias de idade. Hoje, este recorde é de Sebastian Vettel.
Foi a primeira e única corrida de Fórmula 1 em Sebring. Apesar da prova movimentada, o interesse do público foi pequeno – resistência local que dura até hoje. Assim, a organização não se interessou em um novo contrato e, em 1960, o GP dos EUA foi disputado em Riverside, na Califórnia. O que também não deu certo, tendo o GP encontrado uma casa mais definitiva apenas em 1961, quando foi disputada a primeira das 20 provas consecutivas em Watkins Glen.
Barrichello interrompe jejum de quase 5 anos

Foto: Reprodução/Grande Prêmio
Com a vitória em Valência, Rubens Barrichello interrompeu um jejum de quase cinco anos sem vencer na Fórmula 1. Precisos quatro anos, dez meses e 28 dias separaram sua última conquista, na China em 2004, desta de hoje no GP da Europa.
O longo jejum, no entanto, não é o maior da história da Fórmula 1. Outros cinco pilotos enfrentaram períodos ainda mais longos de vacas magras. O recordista é o italiano Riccardo Patrese, que ficou mais de seis anos sem subir ao alto do pódio.
Confira abaixo os mais longos períodos entre-vitórias da F1:
1º Riccardo Patrese – 6 anos, 6 meses e 28 dias (África do Sul/1983 – San Marino/1990)
2º Bruce McLaren – 6 anos e 6 dias (Mônaco/1962 – Bélgica/1968)
3º Jack Brabham – 5 anos, 10 meses e 19 dias (Portugal/1960 – França/1966)
4º Mario Andretti – 5 anos, 7 meses e 18 dias (África do Sul/1971 – Japão/1976)
5º John Watson – 4 anos, 11 meses e 3 dias (Áustria/1976 – Inglaterra/1981)
6º Rubens Barrichello – 4 anos, 10 meses e 28 dias (China/2004 – Europa/2009)
7º Johnny Herbert – 4 anos e 16 dias (Itália/1995 – Europa/1999)
O festival dos festivais

Foto: Reprodução/Grande Prêmio
No último final de semana, Bruno Senna apareceu em tudo quanto é canto nesta foto fantástica, guiando a McLaren que foi de seu tio. Mas você sabe por que isso aconteceu? E que evento era este? Pois eis a resposta. Foi no “Festival dos Festivais”, alcunha sacana que acabei de chupinhar daquele programa brega da Globo para descrever o Festival da Velocidade de Goodwood, certamente o maior encontro automobilístico mundial.
O circuito de Goodwood faz parte da história do automobilismo inglês. Palco da primeira corrida britânica acontecida no pós-guerra, em 1948, firmou-se como um dos principais centros de corridas do país, com as tradicionais “9 horas de Goodwood”. Em 1962, no entanto, começou a cair em desgraça quando Stirling Moss sofreu um grave acidente que abreviou sua carreira. Em 1966, com a recusa de seus donos em encher o traçado de chicanes em função da crescente velocidade dos carros, o circuito foi fechado e passou a ser apenas uma pista de testes. Mas ainda entraria para a história em 1970, quando Bruce McLaren lá perdeu a vida enquanto testava um de seus carros.
Goodwood ficou esquecido por mais de duas décadas, até que a nobreza da região, na figura do Conde de March e Kinrara (que também responde pelos títulos de Duque de Richmond, Duque de Lennox e Duque de Gordon), decidiu trazer de volta o charme do automobilismo para Goodwood. Não foi possível resgatar o antigo circuito para voltar a organizar corridas, mas foi aí que surgiu a ideia de montar um festival que reunisse exposição de carros antigos, desfiles e corridas de demonstração num traçado de pouco mais de dois quilômetros cercado por feno, ladeira acima e abaixo.
O primeiro Festival da Velocidade de Goodwood aconteceu em 1993, pequeno, mas cresceu rapidamente e hoje é, sem dúvida, uma das principais datas do calendário automobilístico mundial. Em todo o final de semana, cerca de 200 mil pessoas comparecem para ver carros de todas as épocas, desde os quase artesanais do fim do século XIX até os Fórmula 1 atuais. No evento da semana passada, Lewis Hamilton andou com a McLaren campeã de 2008, enquanto Stirling Moss desfilou com a histórica Mercedes W196.
E em Goodwood é possível ver improváveis relações carro/piloto. Em outras edições, Eddie Jordan já guiou o 191, o primeiro F1 que construiu e que foi o primeiro cockpit de Michael Schumacher na categoria. Nelsinho Piquet já guiou a Williams do pai e até Emerson Fittipaldi deu uma aceleradinha na Ferrari de Michael Schumacher.
E, em 1999, Rubens Barrichello teve a oportunidade de guiar dois F1 históricos: a McLaren MP4/6 de 1991, do tricampeonato de Ayrton Senna, e a Lotus 79 de Mario Andretti, o revolucionário bólido que deu ao ítalo-americano o título mundial de 1978. E o piloto brasileiro deu um depoimento exclusivo ao Blog do Capelli, relatando o que sentiu ao guiar tais máquinas. Com a palavra, Rubens!

Foto: Anthony Fosh/Flickr
“Eu estava tão empolgado em guiar o carro do “chefe” que a situação passou tão rápido, nem vi… O pedal era muito arisco e com as ondulações ele saltava demais. Era 8 ou 80! Dava pra sentir a potência do motor e a diferença do assento. Eu ficava para fora do carro, totalmente! Foi demais a experiência.”

Foto: Anthony Fosh/Flickr
“Quanto à Lotus, eu não tinha nem banco e estava mais desconfortável. Mas o carro era muito mais alto em relação ao chão e o motor mais fraco (400 cavalos). Naquelas ruas foi muito mais fácil de guiar do que a McLaren. E também foi o primeiro carro que lembro ter visto e torcido na TV.”
Isso é Goodwood!


