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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: Carlos Reutemann
Um momento angustiante
Há duas semanas, quando preparei aquele Quiz do Capelli, lembrei de um fato envolvendo o atropelamento de um mecânico da equipe Arrows por um carro da própria equipe. Dentre todas as respostas do quiz, foi uma das menos acertadas e que gerou alguns e-mails de leitores questionando sobre o acidente. Assim, tive a ideia para este post.
Foi um momento absolutamente angustiante. Não só pelo fato em si, mas também por todo o contexto no qual esteve envolvido. Assim como no GP de San Marino de 1994, quando uma sucessão de fatos trágicos aparentemente não relacionados aconteceu de forma inacreditável, uma aura negativa cobria aquele final de semana em Zolder, no GP da Bélgica de 1981.
Durante o treino de classificação de sexta-feira, Carlos Reutemann, da Williams, havia atropelado um mecânico da eqiupe Osella, Giovanni Amadeo. O pit lane de Zolder era demasiado apertado e mais hora menos hora, algo assim viria a acontecer. No final da sessão, Amadeo atravessou o pit lane sem perceber a presença de Reutemann, que entrava rápido, mas dentro dos limites de velocidade regulamentares. O mecânico foi atingido por um dos pneus traseiros da Williams, sendo que Reutemann nem percebeu o que havia acontecido. Há inclusive relatos de que o mecânico teria escorregado e caído por sobre o carro que passava, o que explicaria o estranho acidente. Com traumatismo craniano severo, Amadeo foi levado ao hospital em estado grave.
Todo o sábado transcorreu com uma aura ruim e com a informação de que o mecânico estava em coma profundo. Na madrugada de domingo, chega a notícia do diagnóstico de morte cerebral. A Fórmula 1 ficou de luto.
Minutos antes do começo da corrida, mecânicos de diversas equipes resolvem fazer um protesto em frente ao grid de largada, exigindo mais segurança nos pit lanes. Alguns pilotos juntam-se ao movimento, entre eles Gilles Villeneuve, Didier Pironi e Jacques Laffite. Outros ficam batendo boca com os mecânicos, exigindo liberação da pista para que a prova possa iniciar.
Nisso, a direção de prova autoriza o início da volta de apresentação, mesmo com vários pilotos fora de seus carros. O cenário é de caos, mas os carros partem sem maiores incidentes. O problema é que, ao alinhar seu carro para a largada, Nelson Piquet erra a sua posição. A direção de prova permite que ele parta para uma segunda volta de apresentação, enquanto todos os outros carros ficam esperando no grid.
Quando Piquet finalmente alinha, a largada é autorizada. Mas o motor da Arrows de Riccardo Patrese não aguenta um minuto e meio em ponto morto e apaga. Parado no grid, o italiano começa a agitar os braços, e eis que um mecânico seu, Dave Luckett, invade a pista para acionar seu motor novamente.
E aí começam momentos de agonia. Imagine um carro parado no grid, correndo o risco de ser atingido por alguém que vem mais veloz atrás. Agora imagine este carro parado com um mecânico atrás. O provável acontece: outro carro vem e atinge a Arrows de Patrese em cheio, com Luckett no meio. Ironicamente, a outra Arrows inscrita para a prova, do italiano (sim, italiano!) Siegfried Stohr.
A cena é chocante: o mecânico está estirado no chão, desmaiado e com as pernas fora de esquadro. Todos temem pelo pior. E Stohr é o próprio retrato do desespero. Tenta sair do carro, tropeça, quase cai, leva as mãos à cabeça e gesticula sem parar, como que dizendo: “o que eu fiz? o que eu fiz?”.
Passado o susto, Luckett é atendido e seu estado, felizmente, não é grave. Ele tem fraturas nas pernas, mas não corre risco de vida. Assim, a corrida reinicia normalmente, mas sem as duas Arrows. Foi apenas um grande susto, causado por absoluta incompetência da organização da prova, que conseguiu fazer uma besteira atrás da outra.
As marcas do acidente, no entanto, não se apagaram para Siegfried Stohr. Mesmo sendo um psicólogo formado, o italiano não reagiu bem ao fato de quase ter matado um mecânico da própria equipe. Perdeu a velocidade que tinha e nunca mais competiu em bom nível. Nos treinos para o GP da Itália, sofreu um acidente e optou por abandonar as pistas definitivamente. E Luckett, felizmente, vive sem sequelas daquele dramático acidente.

