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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Arquivo da tag: Eddie Irvine
É fogo!
Durante muito tempo, o fogo foi um dos maiores medos dos pilotos de Fórmula 1. Pelo menos cinco pilotos perderam a vida na categoria em acidentes seguidos de incêndio. Em 1967, Lorenzo Bandini foi a vítima no GP de Mônaco. No ano seguinte, Jo Schlesser foi vítima do fogo em sua Honda no GP da França. Em 1970, Piers Courage morreu a bordo de um De Tomaso da equipe de Frank Williams em Zandvoort, mesmo circuito em que Roger Williamson teve uma das mortes mais cruéis da categoria, em 1973. E em 1986, Elio de Angelis foi vítima de um incêndio em sua Brabham durante testes em Paul Ricard. Os austríacos Niki Lauda e Gerhard Berger, ambos com Ferrari, sobreviveram a graves acidentes seguidos de incêndio, em Nürburgring e Imola, respectivamente. O de Lauda, mais sério, deixou seu rosto marcado pelo resto da vida. Berger teve bem menos sequelas.
Mas não é de tragédias que quero falar. Mas sim de momentos de pirotecnia. Na Fórmula 1, o maior risco de incêndio está nos pit stops. Um pequeno vazamento de combustível, em contato com as partes quentes do carro, pode gerar assustadoras e espetaculares imagens. Mas, felizmente, não há registros de acidentes graves em pit stops da categoria.
No melhor estilo CQC, resolvi fazer um Top 5 dos incêndios em pit stop. Vamos lá?
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5. Felipe Massa – GP da Espanha de 2007
O mais recente de todos. Em um de seus dois pit stops na corrida, um pouco de gasolina vazou na Ferrari de Felipe Massa. A imagem até assusta incialmente, mas absolutamente nada aconteceu. Havia pouco combustível, que logo evaporou. Com o movimento do carro, o incêndio se extinguiu e o brasileiro pode prosseguir na corrida. E venceu.
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4. Keke Rosberg – GP do Brasil de 1983
Muito provavelmente, o primeiro acidente flamejante em um pit stop na Fórmula 1. A Williams de Keke Rosberg pega fogo e o piloto desce do carro. Porém, volta assim que o incêndio é extinto. O finlandês ainda chegou em segundo na corrida, mas foi desclassificado por ter o carro empurrado pelos mecânicos para voltar para a pista. Numa decisão bizarra da então FISA, ninguém foi alçado à segunda posição. Foi a única corrida da história da F1 que não teve um segundo colocado.
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3. Michael Schumacher – GP da Áustria de 2003
Nem um incêndio parava Michael Schumacher. Seu carro pegou fogo nos pits, mas o alemão permaneceu impávido, aguardando que seus mecânicos dessem fim às chamas. Acompanhou tudo pelo retrovisor e voltou à pista para ganhar a corrida, mesmo tendo perdido mais de dez segundos com o incidente.
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2. Eddie Irvine – GP da Bélgica de 1995
A Jordan de Eddie Irvine virou uma bola de fogo em Spa, 1995. Os mecânicos foram bastante rápidos, mas o carro apagou e o irlandês não pode mais retornar à prova, na qual ocupava a sexta posição.
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1. Jos Verstappen – GP da Alemanha de 1994
Era o ano do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, depois de dez anos de proibição. Ainda pouco preparados para emergências como essa, os mecânicos da Benetton deram um show de patetice. Muito combustível vazou, alguns saíram correndo, outros ficaram olhando para ver o que aconteceria. O carro explodiu em chamas e ao incêndio seguiu-se um corre-corre danado, até o piloto saiu correndo em chamas para dentro dos boxes. Felizmente, Verstappen teve apenas algumas queimaduras no rosto e nenhum mecânico ficou seriamente ferido.
Curiosidades do GP da Austrália

Foto: Divulgação/BMW
Abrindo a semana do primeiro ronco dos motores para a temporada 2009 da Fórmula 1, chegou a hora do aquecimento para o GP da Austrália. Para isso, nada melhor do que um apanhado de curiosidades acerca da prova de abertura do campeonato.
* O GP da Austrália será disputado pela 25ª vez, a 14ª no circuito do Albert Park. As primeiras 11 edições aconteceram em Adelaide, que encerrou os mundiais de Fórmula 1 de 1985 a 1995.
* Michael Schumacher é o maior vencedor, com 4 vitórias, todas em Melbourne.
* Entre as equipes, vantagem da McLaren: 9 vitórias em solo australiano, contra 7 da Ferrari.
* Desde que a corrida é disputada em Melbourne, em nove ocasiões o vencedor da corrida terminou a temporada campeão mundial. Em apenas quatro provas (1997, 1999, 2003 e 2005), o primeiro colocado não foi campeão.
* Há 16 anos um brasileiro não vence na Austrália. O último foi Ayrton Senna, em 1993.
* Felipe Massa estreou na Fórmula 1 no Albert Park em 2002, pela Sauber. Mas nunca conseguiu sequer um pódio no GP da Austrália.
* Outras curiosidades, edição por edição:
1985 – Última vitória de Keke Rosberg na Fórmula 1
1986 – Segundo título mundial para Alain Prost
1990 – GP de nº 500 da história, vitória de Nelson Piquet
1991 – Corrida mais curta da história da F1, interrompida depois de 14 voltas por causa da chuva
1993 – Última vitória de Ayrton Senna
1994 – Última vitória de Nigel Mansell, título mundial para Michael Schumacher
1995/1996 – Pela primeira vez, dois GPs de um país aconteceram de forma consecutiva. O GP da Austrália encerrou a temporada 1995 e abriu a de 1996.
1999 – Primeira vitória de Eddie Irvine
2003 – Última vitória de David Coulthard
2005 – Vitória de Giancarlo Fisichella, em sua estreia na Renault
2007 – Vitória de Kimi Raikkonen, em sua estreia na Ferrari
Causos da Malásia: Schumacher volta em grande estilo

Em 1999, a Malásia estreava como sede de uma corrida de Fórmula 1. O palco era o novíssimo e requintado autódromo de Sepang, construído por Herman Tilke, que viraria um referencial para a construção de novos autódromos a partir de então.
Era a penúltima corrida da temporada e Mika Hakkinen, Eddie Irvine, Heinz-Harald Frentzen e David Coulthard ainda brigavam pelo título mundial, beneficiados pela ausência de Michael Schumacher, que fraturara uma perna num acidente no GP da Inglaterra. Na prática, só Hakkinen e Irvine brigavam pelo caneco, os demais tinham apenas chances matemáticas.
Apesar da disputa intensa pelo título, as principais manchetes da semana que antecedeu o GP faziam referência à volta de Schumacher. Depois de três meses parado e de ter anunciado que só retornaria no ano seguinte, o alemão quebrou recordes da pista de Fiorano, mudou de idéia e resolveu tomar parte na briga pelo campeonato. Declaradamente, o alemão anunciava que estava voltando para ser segundo piloto de Eddie Irvine e para ajudar a Ferrari a sair da fila. Ninguém acreditou que ele fosse capaz. Mas ele foi.
O retorno do então bicampeão foi assombroso. Marcou a pole position com um segundo de vantagem sobre seu companheiro, com quem dividiu a primeira fila. Na corrida, largou na frente e logo abriu boa distância, deixando claro que tinha carro suficiente para disparar na ponta e vencer com facilidade. Irvine era o segundo, e então, na quarta volta, o jogo de equipe começou. Schumacher abriu e deixou o irlandês passar. A intenção era começar a segurar as McLaren para que o companheiro pudesse abrir vantagem, mas a estratégia não deu muito certo inicialmente. David Coulthard colocou seu carro por fora na curva um e ficou com a preferência para contornar o grampo seguinte. Deu um “chega pra lá” em Schumacher e saiu na frente, merecendo gritos de “olé”.
Mas a alegria do escocês não durou muito. Algumas voltas depois, antes mesmo que conseguisse ir à caça de Irvine, seu carro parou com problemas na bomba de combustível. A partir daí, Schumacher passou a fazer o que queria. Começou a rodar num ritmo bem mais lento, segurando Mika Hakkinen de forma acintosa. O alemão contornava as curvas de forma tranqüila, no traçado, impedindo uma ultrapassagem do finlandês. Em algumas voltas, o alemão chegou a rodar quatro segundos mais lento que Eddie Irvine, mantendo Hakkinen atrás de si. Quando precisava, acelerava e se mostrava o mais rápido da pista. Mas quando necessário, voltava a bloquear o adversário, deixando o finlandês visivelmente irritado.
A McLaren errou ao não ter modificado a estratégia de pit stop e o Hakkinen não teve alternativas. Passou quase a corrida inteira preso atrás de Schumacher, enquanto Irvine disparava na frente para poder fazer seus pit stops e voltar ainda em primeiro.
Ao final, vitória do irlandês, que assumia a liderança do campeonato. Feliz da vida, Irvine chegou a declarar que Schumacher não era apenas o melhor piloto do mundo, mas também o melhor número 2.

Mas a história toda não termina por aí. Mais tarde, a prova foi cercada por controvérsias. Três horas depois da cerimônia do pódio, as duas Ferrari foram desclassificadas da corrida por irregularidades na altura dos defletores laterais. Assim, a FIA declarou Mika Hakkinen bicampeão mundial.
A Ferrari recorreu e, seis dias depois, o tribunal de apelações devolveu a dobradinha à equipe. O argumento dos italianos era que a diferença na altura dos defletores estava dentro da margem de erro permitida, além do fato dos equipamentos utilizados pelos comissários na medição não serem precisos o suficiente. Ganharam.
A devolução da vitória reabriu a briga pelo campeonato e a polêmica cercou aquele final de temporada. Para o bem do esporte, Mika Hakkinen venceu o GP do Japão e faturou o bi. Assim, qualquer suspeita de influência do tapetão na decisão do título foi evitada.
Não é de hoje
Muito boa a imagem enviada pelo Ney Alencar. Ela deve ser usada pela Ferrari junto à FIA para provar que é espionada pela McLaren há quase 10 anos e, assim, excluir a equipe prateada da Fórmula 1 por um século.

Trata-se de uma brincadeira, obviamente. Mas a foto é real. Trata-se de um piloto da McLaren (pela base branca do capacete, suponho que seja Mika Hakkinen) dando uma nada discreta espiadinha na Ferrari de Eddie Irvine no final de um GP em 1999.

