Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Pergunte ao Capelli: 7ª edição
P: A Hispania corre risco de ser a “Andrea Moda” do século 21? C/ o Bruno “Moreno” Senna e o Karun “McCarthy” Chandhok?
R: Já é, eu acho. Só espero que o dono também não seja preso.
P: E quanto a ideia de K ovaleinen querendo acabar com as bandeiras azuis?
R: Foi uma brincadeira dele.
P: Rosberguinho(a) continua andando na frente do Schumacher ou isso não dura até a metade do campeonato?
R: Acho que o duelo vai ser parelho, com vantagem para Schumacher.
P: Afinal, Glock é ruim demais ou amarelou e entregou a posição pro Hamilton em interlagos em 2008?
R: Nem uma coisa, nem outra. Vai andar de pneu para seco desgastado na chuva, para ver.
P: Galvão Bueno, Cleber Machado, Luciano do Valle, ou Teo José?
R: Por increça que parível, eu gosto mais do Cleber Machado.
P: Bia Figueiredo tem futuro na Indy?
R: Tomara que tenha.
P: O problema da Fórmula 1 é aerodinâmica ou excesso de confiabilidade mecânica?
R: Acho que as duas coisas.
P: Capelli, Faltou cameras ou foi posicionamento errado delas na Indy… Pois os caras cortam e depois de LONGOS 5s apareciam os carros no outro trecho…
R: Eu acho que foi problema de posicionamento, mesmo.
P: Jardel com Paulo Nunes, ou só Ronaldinho Gaúcho?
R: Jardel e Paulo Nunes. Eles fizeram história.
P: Ivan, parece idiota, mas descobri que não apenas eu não sei o que ao certo, mas muita gente não sabe. O que é, em termos mais técnicos, um treino de shakedown? É de acerto aerodinâmico!?
R: Shakedown é um treino de poucas voltas, apenas para checar se todos os componentes do carro funcionam.
P: Seu maior sonho?
R: Trabalhar na Malhação.
P: Capelli você já viu o filme: Bobby Deerfield? Aquele que o Al Pacino faz um piloto de Formula 1.
R: Já ouvi falar, mas não vi não.
P: O que o verdadeiro Ivan Capelli anda fazendo na vida?
R: Ele é o Luciano Burti da RAI. Mas sem “em termos de performance” e “ou seja”.
P: Algum palpite pra copa do mundo?
R: Brasil ou Argentina.
P: Capelli, quem foi o culpado pela morte do Henry Surtees na F2? A empresa que construiu os carros sem segurança, o Mosley que criou uma categoria barata ou o próprio Surtees?
R: Foi uma terrível fatalidade. Não acho que tenha havido culpados.
P: Capelli, qual foi a maior numeração usada para um carro da F1?
R: Houve um GP da Alemanha nos anos 50 no qual todos os carros inscritos correram com números acima de 100.
P: Tens escutado o quê de bom essa semana? ;D (spring2me.com) by alviis
R: Ademir do Arari, com Forrozinho. “eu vou aqui, vou acolá…”
P: Li não me lembro onde que a pole que o Vittorio Brambilla obteve no GP da Suécia de 75 foi conseguida por trapaça da equipe dele — balançaram um objeto na frente do olho eletrônico e foi registrado um tempo menor que o real. Isso é verdade ou lenda? by JCCyC
R: Não conheço essa história, mas é boa.
P: Olá, Capelli, já que você se referiu ao acidente da largada do GP da Bélgica/98 como sendo o mais espantoso, pergunto: o que aconteceu depois do acidente? Relargada com os carros reservas, ou a corrida foi para o vinagre? Grande abraço.
R: Relargada com carros reservas, mas sem vários pilotos. As equipes tinham só 1 carro reserva e muitas perderam os dois carros no acidente.
R: Eu acho que vai.
P: Vc acha q o Jonas deveria parar com aquelas requebradas após os gols?
R: Todo juiz tem o dever moral de anular o gol depois que ele faz essa dança ridícula.
P: Capelli, ja houve uma temporada inteira sem corrida com chuva? Hoje em dia é obrigatorio que as equipes tenham 2 carros? Não podem existir equipes com 1 carro só?
R: Sim e sim. Em 1987, por exemplo, não choveu.
P: O sr. acha que realmente vai acontecer a apresentação do trio Vanessa Camargo, Ivete Sangalo e Mara Maravilha no SuperBowl 2.011 e o mundo vai se render novamente ao telecoteco e balacobaco desse povo tão inzoneiro?
R: Se isso acontecer, jogam uma bomba atômica no Brasil. E a gente nem vai poder reclamar, porque vai ser merecido.
P: Caro Capelli… era a mulher de o Nigel Mansell a mulher mais feia do mundo mesma?… Raimundo desde Chile.
R: Na época, era. Hoje, o título é da mulher do Webber.
P: Voltando aos números. Pq Senna usou o 8 em 1993, já q, além de ser o primeiro piloto, estava na McLaren antes do Andretti?
R: Porque até o primeiro treino para o GP da África do Sul a presença de Senna ainda não estava garantida.
P: Capelli, quando foi que se iniciou a numeração fixa de carros por temporada? Foi em 1974? Por quê? E qual era o critério para numerar os carros antes disso?
R: Foi em 1974. Antes disso, a numeração era distribuída pela organização de cada GP, cada uma com seus critérios, que podiam ser os mais absurdos possíveis.
P: Capelli, estava conversando com uns amigos numa roda de canastra e surgiu uma curiosidade: Jacques Villeneuve foi o único campeão mundial de F1 “quatro-olhos” ou houve outro coelho caolho bom de braço? (fora o Paul Tracy).
R: Realmente não lembro de outro campeão de óculos.
P: Das equipes que permanecem na Fórmula 1 (não vale a Lotus), qual é a que está há mais tempo sem vencer? by nildojr
R: A Williams, sem vitórias desde 2004.
P: Na F1 atual sabemos que somente pilotos de luxo tem chance de ingressarem em uma equipe (à-la Piquet Jr), não acha que se a FIA colocasse um programa para jovens pilotos (sem grana) não iriam aparecer grandes talentos? Nunca ouvi falar de piloto pobre na F1.
R: Automobilismo é um esporte de ricos. Ninguém começa a correr de kart se não tem grana.
P: Capelli, quando acabou a luz verde de Largada de começou o ciclo de 5 vermelhas?
R: Em 1996. A última corrida com luz verde foi o GP da Austrália de 1995. E a primeira com a sequência de luzes foi também o GP da Austrália, em 1996.
P: Capelli, qual das “famílias” teve melhor desempenho na F1: Villeneuve ou Hill? Por quê?
R: Hill. Os dois membros do clã foram campeões.
P: É realmente verdade essa história de que Ayrton Senna teria um contrato firmado com a Ferrari pra 1996?
R: Assinado, não. Mas um acordo verbal, sim.
P: É verdade que muitos acharam que, no tricampeonato do Piquet em 1987, muitos acharam que o campeão foi insatisfatório? O que vc acha disso?
R: Piquet mereceu, foi regular para caramba naquela temporada. No duelo mano-a-mano, Mansell foi muito melhor que ele. Mas não fez os pontos necessários, fez besteiras… dançou.
P: Por que estão chamando o pessoal da Stefan GP de “piratas”? É alguma piada interna do Grande Prêmio ou os sérvios não são gente séria mesmo?
R: Eles são sérios, sim. O termo “piratas” é pelo fato de eles quererem entrar na F1 mesmo sem autorização.
P: Qual das novatas fecha as portas primeiro? E qual das equipes preteridas pela FIA tinha melhor condições de fazer um bom trabalho?
R: Eu acho que a Hispania dança rapidinho. Das preteridas, creio que a Prodrive era a mais estruturada. Mas cometeu o pecado de não querer os motores Cosworth.
P: Qual foi o acidente mais chocante que você ja viu? by Renanvelocidade
R: Ao vivo pela TV, o de Jeff Krosnoff, na Indy.
P: Algum carro de F1 já utilizou câmbio automático? by jeff strife
R: Em 1992 e 1993, alguns câmbios tinham programação automática para determinados pontos da pista. Mas nunca um câmbio totalmente automático.
P: O que vc acha do Barrichello defender o sistema 18-25-15-12-10-8-6-4-2-1 de pontuação na F1?
R: Sacanagem…
R: Gosto muito da Lotus, pela pintura; e da McLaren, pelo design.
P: Capelli, vi em uma revista antiga uma foto do March do Gugelmin pintado de verde e com motor aparecendo, já o carro de seu xará Ivan Capelli, era azul claro e com carenagem sobre o motor, em que ano isso ocorreu? E esse carro competiu mesmo?
R: Foi em 1988, e a diferença de cor se dá por causa da luz, ou da impressão da revista. O carro era um verde-água. O fato de ir para a pisat sem a carenagem sobre o motor era para evitar superaquecimento em dias muito quentes.
P: Vc achou o título do Senna em 1988 injusto? Afinal, foi o Prost que fez mais pontos. by heitormontes
R: Mas Senna teve mais vitórias. De mais a mais, o regulamento previa descartes e Senna foi campeão com justiça.
P: O Flávio Gomes e o Tiago Leifert são parentes? by eduardogeorge
R: Não, mas desconfio que se alimentam da mesma coisa.
P: Capelli, esta pergunta é longa. Eu como português lhe pergunto? O que achou do Pedro Chaves, Pedro Lamy e Tiago Monteiro, e agora mais recentemente, que acha do Álvaro Parente e Félix da Costa?
R: O Chaves não pôde fazer nada na F1. O Lamy tinha talento, mas sofreu um acidente grave logo na primeira temporada completa e perdeu o bonde. Tiago Monteiro era um piloto correto, não “vagaroso” como o sacaneavam por causa do sobrenome. O Parente eu já achei melhor, acho que é outro que perdeu o rumo. O Félix da Costa eu não conheço.
P: Já houve algum piloto gaucho na F1 ? by jonnyd801
R: Não. O mais perto foi Mauricio Gugelmin, que nasceu em Santa Catarina. Mas parece que o Nico Rosberg quer se naturalizar.
P: Capelli, em 1993 a Williams livrou-se dos números 5 e 6 e passou a usar os números 0 e 2. A McLaren deveria ter herdado os números da Williams, mas quem os herdou foi a Benetton, tendo a McLaren corrido com os números 7 e 8. Por que isso aconteceu? by brunopacheco
R: Até hoje não sei.
P: Alguma mulher já participou da Fórmula 1 como pilota?
R: Sim, Lella Lombardi chegou até a marcar ponto. Meio ponto, coitada.
P: Capelli, vendo Virgin e Lotus eu pergunto: qual foi a equipe (e ano) que você viu andar o mais atrás do resto do pelotão na sua vida de F1? by Reitano
R: A Coloni de 1988 era uma desgraça. A Andrea Moda em 1992, também.
P: E dentre os seguintes pilotos? (Glock, Di Grassi, Trulli, Kovalainen, Chandhok, Senna e quiçá Nakajima e Villeneuve), qual deles vai ser o “Mais” mosca-morta da temporada? (juntando carro lento + má performance) by Reitano
R: O Chandhok, coitado.
P: Capelli, quando o chaveiro da McLaren que você ganhou poderá ser meu? :D
R: Quando você comprar um.
P: Schumacher cumprirá o contrato de 3 anos?
R: Eu acho que sim. A menos que seja pouco competitivo este ano.
P: Capelli, sempre gostei em especial do circuito de Estoril, e acredito que o mesmo faz falta na F1. Você tem o mesmo pensamento?
R: Tenho. Gostava das corridas que aconteciam lá. Não sei como seria agora, já que avacalharam com a pista desde que inventaram aquela chicane em 1994.
P: Quem vc acha q vai ser a pior equipe da temporada? HRT, Virgin ou Lotus?
R: Hispania, disparada.
P: Quem é mais piloto? Robert Kubica ou Nico Rosberg?
R: Gosto mais do estilo do Kubica.
P: Salve, Capelli. A partir de quando a técnica de ‘ziguezaguear’ pela pista para o aquecer os pneus foi ‘adotada’ ? Algum piloto pioneiro ? Vendo os vídeos da década de 80 e 90, das voltas de apresentação inclusive, não havia esse ritual. Abraços, Ra
R: Havia sim… desde o começo dos anos 80. De 2000 e poucos para cá é que começaram os zigue-zagues mais inusitados, com Alonso e Montoya. O colombiano chegou a rodar por isso na Austrália. Acho que Alonso também já perdeu o controle uma vez.
P: Capelli, qual foi a ultrapassagem na F1 que mais te marcou? Não precisa ser a mais bonita, mas foi aquela em que você mais comemorou, mais se empolgou.
R: A de Piquet sobre o Senna na Hungria eu não assisti ao vivo, então não vou considerar. Acho que foi quando o Senna passou o Prost no Japão em 1988. Assistia a corrida com a minha irmã, ela saiu do quarto bem na hora e eu fiquei berrando, narrando o que acontecia à distância para ela.
P: Capelli. Falando sério, pq Ivan Capelli (sem a viadagem de q era bonito e blá blá blá). De onde surgiu isso?
R: Quando me cadastrei no Fórum Downforce, resolvi inventar um nickname. Tinha um livro na minha mesa com uma foto do Capelli aberta. Achei o nome sonoro e bateu uma certa identificação pelo fato de eu ser descendente de italianos. O apelido acabou pegando e agora virei Capelli mesmo.
P: Se você tivesse a oportunidade de pilotar qualquer carro da história da F1, qual escolheria?
R: A Williams de 1992.
P: Capelli, tem alguma chance de circuíto francês de Paul Ricard voltar à F1?
R: Não. A administração de Paul Ricard transformou-o num circuito exclusivamente destinado a testes.
P: Você acha que vencer campeonato com menos vitória que o vice é competência ou “comodismo”? by Miagi
R: Competência.
P: Capelli, se um pato perde a pata ele fica manco ou viúvo?
R: Manco, porque patos não são monogâmicos.
P: Capelli,assiste algum seriado?
R: Sim. Gosto principalmente de House, Lost e Dexter.
P: Dourado ou Serginho?
R: Dougado.
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Para enviar a sua pergunta, preencha o formulário em www.formspring.me/ivancapelli e aguarde a resposta. Lá eu respondo quase tudo, no blog só entram algumas selecionadas.
Tags: Bruno Senna, Fernando Alonso, Hispania, Lotus, McLaren
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Pilotoons: GP do Bahrein 2010
Os mundialmente famosos Pilotoons de Bruno Mantovani estão de volta. Hoje, a briga de Massa e Alonso pela vitória no GP do Bahrein.

Alonso é o 6º a vencer na estreia pela Ferrari
O espanhol Fernando Alonso tornou-se hoje o sexto piloto da história a vencer em sua primeira corrida pela equipe Ferrari. Antes dele, obtiveram tal marca os italianos Luigi Musso e Giancarlo Baghetti, o norte-americano Mario Andretti, o inglês Nigel Mansell e o finlandês Kimi Raikkonen.
Musso foi o primeiro a realizar tal feito, vencendo o GP da Argentina de 1956. Cinco anos depois, o mais incrível deles: Baghetti venceu não só sua primeira corrida pela Ferrari, mas sim sua primeira corrida na Fórmula 1. Desde então, ninguém mais conseguiu repetir a façanha.
Em 1971, Mario Andretti ganhou na África do Sul, em seu primeiro GP pela equipe italiana. Depois de um hiato de 18 anos, foi a vez de Nigel Mansell ganhar o GP do Brasil. E, novamente 18 anos depois, Kimi Raikkonen foi o vencedor do GP da Austrália de 2007, temporada na qual terminou campeão do mundo.
Fernando Alonso, em apenas uma corrida, já inscreve seu nome na história da Ferrari. Resta saber se conseguirá ser campeão, como Kimi.
Rapidinhas da classificação: Bahrein
A Fórmula 1 está de volta e, com ela, as infames rapidinhas. Análises em tópicos sobre a classificação de hoje para o GP do Bahrein.
- Sebastian Vettel não só fez a pole, como também fez a volta mais rápida de todo o treino, no Q2. Era o favorito e confirmou que vai largar na frente, mas talvez tenha sido mais difícil que o esperado. A Red Bull vem muito bem, mas a Ferrari mostrou que está com um conjunto muito bom.
- Felipe Massa sai em segundo, pouco mais de um décimo de segundo mais lento que Vettel. Eu confesso que esperava uma Red Bull mais dominante. Mesmo assim, Felipe aparece muito bem para a corrida.
- Curioso, porém, foi o semblante de desapontamento do brasileiro ao descer do carro. Ficou perceptível que ele almejava a pole, o que é ótimo. Largar na frente de seu companheiro Fernando Alonso, que será terceiro, é bom para dar as cartas dentro da equipe logo no começo da temporada. Mas, pelo jeito, não foi o suficiente para deixá-lo feliz. O que demonstra que as ambições de Felipe vão muito além de apenas bater Alonso.
- Mas a melhor notícia de todas foi ver que, em sua primeira sessão de classificação depois do terrível acidente na Hungria, Felipe Massa não perdeu sua principal característica, que é a velocidade pura. O piloto da Ferrari andou rápido e mostrou que está competitivo como antes. Quiçá, até melhor. Resta ver seu desempenho em corrida, mas essa primeira fila já vale como uma grande vitória para quem corria risco de vida há pouco mais de seis meses.
- Fernando Alonso, competitivo e autocentrado, certamente não ficou feliz com o resultado. Foi apenas um treino de classificação, mas nunca é bom perder para o companheiro de equipe. Amanhã, na corrida, o espanhol vem com tudo. O duelo interno na Ferrari será bastente empolgante.
- Fechando a segunda fila, em quarto lugar, logo quem: Lewis Hamilton, o desafeto favorito de Alonso. Se dividirem a curva, um não alivia para o outro. Será uma largada interessante.
- Jenson Button, atual campeão, tomou um coco de Hamilton em sua estreia pela McLaren. Largará apenas em oitavo lugar, tendo sido quase meio segundo mais lento.
- Mas foi Mark Webber quem levou mais tempo do companheiro no Q3: 1,1s. Enquanto Vettel é pole, o australiano sai somente em sexto. Esperava mais dele, mas é possível que tenha sofrido algum problema nos treinos.
- Michael Schumacher não saiu ileso e, em seu aguardado retorno à Fórmula 1, ficou atrás de seu companheiro de equipe. Sairá em sétimo, contra o quinto lugar de Nico Rosberg. A diferença de tempo foi de três décimos. Mas, considerando que Schumacher ficou três anos parado e a pré-temporada não permite um grande volume de treinamentos, o alemão ainda briga para retomar sua forma ideal. Mas é inegável que a sétima posição foi um tanto decepcionante.- Estrelinhas para Robert Kubica, nono com a Renault, e Adrian Sutil. O alemão da Force India, especialmente, foi a grande zebra do Q3. Percebe-se que o motor Mercedes empurra bem, mas mesmo assim não se imaginava uma Force India tão bem posicionada.
- Rubens Barrichello sai num bom 11º lugar com a Williams. Por pouco não foi à fase final da qualificação. Com a experiência que tem, pode fazer uma ótima corrida poupando pneus com o tanque cheio.
- Dos estreantes: Nico Hulkenberg, companheiro de Barrichello, ficou em 13º. Vitaly Petrov, da Renault, foi 17º. Sobre o desempenho de Lucas di Grassi, Bruno Senna e Karun Chandhok não há o que comentar. Eles não estão de fato na Fórmula 1.
- O abismo entre as equipes antigas e as novas é enorme. Lotus e Virgin ficam andam dois segundos mais lentas que as mais lentas. E a Hispania (ou HRT, que seja) é 3 segundos pior que as outras novatas.
- Tenho medo dessa “Fórmula 1 B”. Os carros são lentos de mais. Chandhok foi quase 11s mais lento que o pole position. Bruno Senna, 9s. O melhor dessa categoria, Timo Glock, foi cinco segundos pior que o pole. É quase como se a GP2 dividisse a pista com a F1. Uma diferença tão grande entre os carros é muito perigoso. Agora é torcer para que nada aconteça, enquanto a regra dos 107% não volta.
- Falando nisso, cálculo de padeiro: aplicando-se os 7% sobre o tempo da melhor volta do Q1 (1’54.612), teríamos 2’02.635 como limite para largada. O que significa que a Hispania não largaria.
- A corrida promete. O desenvolvimento da prova será completamente diferente dos últimos anos, já que não há mais reabastecimento. Na pole, Vettel tem vantagem, mas vai vencer quem cuidar melhor de seu carro. Ser veloz o tempo inteiro já não basta mais, a nova Fórmula 1 passa a exigir outras habilidades além do pé no fundo. Inteligência, controle e suavidade serão fundamentais. Podemos ter surpresas amanhã.
Grid de largada para o GP do Bahrein:

Ferrari de cara nova
A Ferrari divulgou ontem as primeiras imagens de seus carros e seus pilotos para a temporada 2010. O carro, obviamente, ainda é o F60 da temporada passada, mas a pintura já é nova.
À primeira vista, os aerofólios brancos causam um certo choque, mas vão ficando mais bonitos à medida em que a visão se acostuma. Eu, pelo menos, gostei. O novo visual surpreende, pois sendo o vermelho a cor predominante da logomarca do Banco Santander, imaginava-se que a pintura seria toda vermelha. Mas a escolha faz sentido. Exibida em fundo branco, a marca acaba chamando mais a atenção, contrastando com o restante do carro. Inteligente sacada.
Vale lembrar que a presença de branco nos bólidos da Ferrari não chega a ser nenhuma heresia. O carro do título de Niki Lauda em 1975 tinha bastante branco nas laterais. Em 1993, a equipe também adotou uma larga faixa branca ao longo da carenagem. E nos anos 2000, os aerofólios também eram brancos por causa dos patrocínios da Marlboro e da Vodafone. Mas como a marca de cigarros aparecia em preto, não chamava tanto a atenção.Novidades também nos macacões dos pilotos. Felipe Massa e Fernando Alonso aparecem com um novo desenho, incluindo mais branco. Algo que, historicamente, não chega a ser estranho. Nos anos 70 e começo dos 80, as vestes dos pilotos nem sequer eram vermelhas. Gilles Villeneuve costumava correr de branco e Niki Lauda, de azul.
De volta às origens
Não foram muitas as fotos que surgiram, mas o atento Abrahão Campos achou uma e me enviou. Dentro do “Vrooom”, evento anual da Ferrari em Madonna di Campiglio, semana passada, Fernando Alonso apareceu de capacete novo.
Na imagem, como se pode ver acima, Alonso está abraçado em Fisichella com uma pintura de capacete que retoma as suas origens. As cores são as mesmas de seu primeiro capacete e os traços remontam ao desenho do bicampeonato mundial, em 2006. O mesmo da foto abaixo.
De lá para cá, Alonso mudou de casco todo ano, sem mais conseguir voltar a conquistar um título. Agora, por superstição ou não, retoma um desenho vitorioso. Justamente o casco com o qual bateu Schumacher, que por coincidência, retorna à F1 em 2010.
Tags: Fernando Alonso, Ferrari
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Nano Rosso
Fernando Alonso foi apresentado oficialmente ontem como piloto da Ferrari. Já vestiu o boné e as cores da equipe e foi saudado pelos tifosi. Talentoso todo mundo sabe que ele é, o problema é saber se isso será suficiente para sua estada na Ferrari dar certo. No temperamento e nas artimanhas políticas, Nano lembra muito outro campeão que desembarcou em Maranello: Alain Prost. E cujo casamento acabou em briga.
Prost chegou à Ferrari em 1990, desgastado pela briga com Ayrton Senna na McLaren no ano anterior. Teve um certo êxito na primeira temporada, chegando a disputar o título até a penúltima etapa da temporada, quando foi alvejado por Senna e perdeu o título mundial. Mas como diz o ditado, por fora, bela viola. Por dentro, pão bolorento.
Mal chegou na equipe e Prost usou suas habilidades políticas para minar Nigel Mansell, companheiro que tinha chegado à Ferrari um ano antes. A pressão exercida pelo francês foi tão forte que o emocional Leão não aguentou. Ainda no meio da temporada, anunciou que abandonaria a Fórmula 1 ao final do ano, uma decisão “irrevogável”, no melhor estilo Aloísio Mercadante. Logo depois, assinou com a Williams e o resto é história.
Mas o momento mais emblemático do desgaste interno provocado na Ferrari aconteceu na largada do GP de Portugal de 1990. A escuderia vermelha conseguiu dobradinha na primeira fila, com Mansell na pole. Senna, rival direto de Prost na briga pelo título, vinha em terceiro. Sendo a reta final do campeonato, tudo indicava que um jogo de equipe favoreceria o francês, mas não foi bem isso o que aconteceu. Revoltado contra seu companheiro, Mansell jogou Prost contra a mureta quando a luz verde apareceu, numa largada absurda. Senna, com pista livre, assumiu a ponta. O inglês terminou vencendo a corrida com Prost em terceiro, furioso. No pódio, um debochado Mansell erguia o braço de Senna para comemorar a vitória, ignorando a presença do desafeto.
O inglês foi embora da equipe, mas o clima ruim permaneceu. O desgaste interno e a bagunça começaram a imperar, com uma disputa de poder que parecia não ter fim. Nem a chegada de Jean Alesi, também francês, ajudou para que o ambiente melhorasse. O projeto de 1991 foi um fracasso, o comando do time foi trocado e as brigas tornaram-se cada vez maiores. E foi aí que Prost cometeu o maior de seus erros. Acostumado a manipular a imprensa de forma a utilizá-la em seu favor nos tempos de Renault e McLaren, o tiro saiu pela culatra. Sendo a Ferrari sagrada para os italianos, jornalistas e torcedores revoltaram-se contra as tentativas do francês de jogar a opinião pública contra a equipe. O método Wanderley Luxemburgo que prega o “eu ganho, vocês perdem” não deu certo. E bastou Prost criticar publicamente seu carro após o GP do Japão, chamando a Ferrari de “caminhão”, para perder o emprego. Ficou a pé ainda com um ano de contrato em vigor. Saiu por baixo da equipe.
Fernando Alonso também fez coisas parecidas em seus tempos de Renault e McLaren, curiosamente, mesmas equipes pelas quais Prost também havia passado. Na Renault, quando não gostava do desempenho do carro, fazia críticas públicas. Uma vez, chegou a cobrar abertamente dedicação dos mecânicos e engenheiros. Internamente, escudado pelo diretor da equipe que era seu manager – o execrado Flavio Briatore -, sempre fez todas as manobras necessárias nos bastidores para se firmar como primeiro e quase exclusivo piloto. Quando foi para a McLaren, tentou o mesmo com Lewis Hamilton, mas se deu mal. Queimou-se internamente e também com a apaixonada imprensa inglesa, rompendo seu contrato logo após o término da única temporada em que correu com os carros prata.
Temperamento forte e comportamento destrutivo Alonso tem. E a Ferrari hoje tem problemas internos de poder semelhantes com os do começo dos anos 90, em uma escala um pouco menor. Mas duas diferenças de cenário podem fazer com que o espanhol se dê bem em Maranello. Felipe Massa está mais para Lewis Hamilton do que para Nigel Mansell. Felipe é cria da casa e goza de muito prestígio dentro da Ferrari, tal qual Hamilton. E Alonso já entendeu que nem sempre tal estratégia dá certo. Sua malfadada passagem pela McLaren pode ter-lhe ensinado tal lição.
Se aprendeu direitinho com o fracasso de 2007, Alonso pode conquistar o time, procurar ganhar apenas na pista e não se meter em políticas internas. Caso não tenha aprendido nada, pode repetir o erro de Prost, o que pode marcar definitivamente sua carreira. O coração dos tifosi não perdoa.
Fiasco

Foto: Divulgação/Ferrari
Luca Badoer sairá na última posição do GP da Europa, guiando uma Ferrari. Não bastasse a posição em si ser constrangedora o suficiente, tudo o que a cercou conseguiu ser ainda mais vergonhoso. Badoer foi um arremedo de piloto no final de semana até aqui. Errava em todas as voltas, não andava rápido, perdia o traçado. Levou incríveis quatro multas por excesso de velocidade nos boxes. Em resumo, fez fiasco. Ficou claro para todos, que não está preparado para andar na Fórmula 1. A pergunta que fica no ar é: precisava desse constrangimento todo?
Desde a saída de Ross Brawn, seguida pelo afastamento de Jean Todt, a Ferrari vem acumulando patuscadas de toda ordem. São erros grotescos de estratégia, erros em pit stop, alguns absurdamente infantis, como aquela troca de pneus de Kimi Raikkonen no grid depois do prazo limite. E agora, uma nova faceta de bobagens se revela: o erro administrativo.
A começar pela apressada divulgação de que Michael Schumacher estaria de volta. Foi criado todo um frisson que culminou na ducha de água fria: “brincadeirinha… ele não volta não”. Se o problema foi dor no pescoço, desmaio ou desavença contratual, pouco importa. O que importa é que ficou claro que a equipe fez uma divulgação apressada e inconsequente. E que, mesmo tendo praticamente um mês inteiro para planejar a substituição de Felipe Massa, não soube fazê-lo.
A decisão de colocar Luca Badoer para correr, por mais nobre que possa ter sido graças à extensa ficha de bons serviços prestados ao time, foi ridícula. Há dez anos afastado das corridas e com mais de 38 anos de idade, Luca não tinha a mínima condição de guiar competitivamente num final de semana de Grande Prêmio. E a Ferrari não conseguiu detectar isso, não soube fazer uma avaliação e acabou expondo um importante membro de sua “família” a um ridículo público. Isso não se faz.
É bom que se diga que Badoer não é um incapaz. Ainda que não tenha uma trajetória brilhante na Fórmula 1, foi campeão de Fórmula 3000, andou muito bem ao lado de veteranos como Michele Alboreto e Pierluigi Martini na Minardi e na Scuderia Italia. Nunca foi um prodígio, é fato, mas não merecia essa humilhante exposição pública.
A Ferrari se humilha, saindo em último lugar. A Ferrari humilha Luca Badoer, que paga mico em público. E demonstra uma gigantesca incompetência gerencial. A continuar assim, vislumbro uma temporada caótica em 2010, caso realmente Fernando Alonso corra ao lado de Felipe Massa. Para ter sob o mesmo teto dois pilotos geniosos, competitivos e que já andaram se estranhando no passado (lembrou do “va cagare?”), é preciso uma estrutura preparada para controlar a situação. E se nem a organizada McLaren conseguiu segurar a rivalidade entre Alonso e Hamilton, imagine o que não pode acontecer na bagunçada Ferrari. Será o caos absoluto. E a concorrência, além de dar risadas, agradece.
Sai da frente!
Fernando Alonso e Nick Heidfeld se estranharam nos treinos livres de hoje em Valência.
Uma colisão boba, mas que poderia ter consequências sérias caso a BMW de Nick chegasse a capotar. Dá pra eleger um culpado pelo acidente?
Renault corre em Valência

Glenn Dunbar/LAT Photographic/Divulgação Renault
A notícia saiu hoje, mas só confirmou o que parecia óbvio. A FIA transformou a suspensão da Renault por uma corrida em uma multa de 50 mil dólares, uma advertência e quinze minutos ajoelhada no milho (tá bom, o milho é por minha conta).
É fato que a equipe francesa foi negligente em Hungaroring, permitindo que Fernando Alonso completasse uma volta no circuito com um pneu prestes a se soltar – e que acabou se soltando. Um pneu voador pode ser assustadoramente periogoso, como provou o acidente de Henry Surtees na Fórmula 2, e a atitude da Renault foi mesmo controversa.
Mas a inédita suspensão por uma corrida por “negligência” também é um insulto à inteligência de quem acompanha o esporte. Simplesmente porque é óbvio que a pena seria retirada, ninguém cometeria o suicídio econômico de deixar Fernando Alonso de fora da segunda corrida em solo espanhol na temporada. Ou alguém vai comprar ingressos para ver Jaime Alguersuari? Seria como suspender a McLaren e deixar Ayrton Senna de fora às vésperas de um GP do Brasil. Ou proibir a Ferrari de correr em Monza.
O que precisa ser lembrado, também, é o delicado relacionamento entre a FIA e as montadoras. Por mais que o novo Pacto de Concórdia esteja próximo da assinatura – se é que já não foi assinado -, nada impede que outras montadoras pulem fora do barco, como já fizeram Honda e BMW. E a ridícula punição imposta poderia ser a gota d’água que provocaria a saída da Renault da categoria. O que ainda não está de todo fora de cogitação. Vale lembrar que a seguradora ING sai de cena no fim da temporada, deixando o time sem sua cor laranja e seu sólido aporte financeiro. E não se fala em novo patrocinador.
Aliás, cabe aqui outra lembrança interessante. Nelsinho Piquet revelou dia desses, via Twitter, já saber qual a cor do carro que Alonso pilotará em 2010. Como não se sabe nem a cor do carro da Renault, se é que vai haver carro… começo a crer que o espanhol estará mesmo na vermelha Ferrari ano que vem.
Momentos importantes que você não viu… porque ninguém mostrou!
Transmitir uma prova automobilística pela televisão é uma tarefa complicada. São necessárias dezenas de câmeras, centenas de profissionais e, principalmente, um operador de switcher muito atento, para garantir que o telespectador não vá perder momentos importantes de uma corrida ou treino de classificação.
O trabalho é duro e nem sempre houve as facilidades de hoje, com muitas câmeras espalhadas por todo o circuito, onboards em todos os carros e mesas digitais de última geração. Quando as transmissões ao vivo começaram, no começo dos anos 70, a infraestrutura era ainda muito precária e muitos momentos da corrida precisavam ser interpretados pelo narrador ou por quem assistia, dada a impossibilidade de exibir tudo o que estava acontecendo.
No entanto, mesmo com a melhora consistente das transmissões a partir dos anos 80, muitos momentos importantes, alguns históricos, simplesmente não foram registrados. Seja por uma distração do câmera ou por um erro de leitura do diretor de transmissão, o fato é que há momentos da Fórmula 1 dos últimos anos que ninguém nunca viu. E o Blog do Capelli relembra quatro importantes cenas inéditas da categoria. E que assim permanecerão.
4. Acidente de Gilles Villeneuve – 1982

Foto: Reprodução/TV
Ídolo ferrarista, Gilles Villeneuve perdeu a vida a bordo de um dos carros vermelhos, num acidente com Jochen Mass durante os treinos para o GP da Bélgica de 1982. O canadense tentou ultrapassar a March do piloto alemão, que vinha em volta de desaceleração, mas acabou batendo sua roda dianteira esquerda na traseira direita do adversário. Com isso, o carro decolou e deu diversas piruetas no ar. Quando caiu no chão, já bastante destruído, o piloto foi ejetado do cockpit, sendo lançado contra o guard-rail.
O final do acidente, com o corpo inerte de Villeneuve voando, foi registrado e mundialmente difundido. Mas o choque entre os carros e o vôo fatal da Ferrari nunca foram vistos, pois o câmera não percebeu o que ocorria, mantendo no quadro o lento carro de Mass. Apenas no canto esquerdo do quadro percebe-se, sutilmente, o carro de Villeneuve subindo. E, depois, a imagem segue acompanhando a March.
Importante lembrar que não foi o impacto com o guard rail que tirou a vida de Villeneuve. Tal pancada apenas provocou-lhe uma fratura na clavícula. A causa mortis foi o estrangulamento por um cinto de segurança mal posicionado durante as piruetas que dava no ar. Justamente as cenas que não foram registradas.
3. Acidente de Roland Ratzenberger – 1994

Foto: Reprodução/TV
Outro acontecimento importante mal registrado pelas câmeras que acompanhavam um treino de classificação. Em 1982, com poucos recursos, a falha poderia até ser justificada. Mas, 12 anos depois, ninguém conseguiu ver exatamente o que aconteceu com a Simtek de Roland Ratzenberger.
O piloto austríaco perdeu o controle de seu carro na curva Villeneuve, no circuito de Imola, durante o treino classificatório para o fatídico GP de San Marino de 1994. Passou reto, de forma inexplicável, até chocar-se contra o muro de contenção. Ratzenberger morreu com lesões neurológicas, mas ninguém conseguiu entender bem como o acidente aconteceu.
Mais tarde, viria a explicação: a Simtek teria perdido uma asa dianteira, deixando o carro absolutamente fora de controle. O problema é que nenhuma imagem retrata em detalhes o momento em que a asa se desprendeu. A hipótese da perda do aerofólio surgiu através de uma cena parcial, registrada por acaso. Uma câmera, apontada para a curva Tamburello, registrou a passagem da Simtek, mas ficou parada, aguardando o próximo carro. Até que, no canto superior direito do quadro, surge um pedaço de carenagem voando.
Supõe-se que é o registro da perda da asa dianteira, algo que nunca foi confirmado. Aquela carenagem pode ter se soltado quando o carro saiu da pista e entrou pela grama. Dados de telemetria confirmaram que Ratzenberger realmente perdeu pressão aerodinâmica na frente, deixando o carro sem controle. Mas a asa que aparece na imagem é motivo ou consequência do acidente? Nunca se saberá.
2. Batida de Senna em Mônaco – 1988

Foto: Reprodução/TV
O acidente de Ayrton Senna no GP de Mônaco foi decisivo para que o brasileiro conquistasse o título de 1988, por mais paradoxal que possa parecer.
Senna liderava a corrida com folga, com quase um minuto de vantagem sobre Alain Prost, seu companheiro na McLaren e então líder do campeonato mundial. A vitória parecia simples e era só questão de tempo. Até que, a 12 voltas do fim, o brasileiro distraiu-se, perdeu o controle do carro e bateu no guard-rail externo da curva Portier, que leva ao famoso túnel do circuito de Monte Carlo.
O abandono foi decisivo na briga pelo título porque foi, a partir dali, que Senna tornou-se um piloto mais cerebral. Percebeu que velocidade pura apenas não bastava – coisa que Nigel Mansell, por exemplo, não aprendeu nunca – e passou a administrar suas corridas com mais inteligência e foco no resultado. Fez daquele insucesso um aprendizado que lhe garantiu uma carreira de tricampeão do mundo.
O grande problema é que, um momento tão importante da história da Fórmula 1, nunca foi registrado. As únicas cenas existentes são do carro de Senna parado já com o brasileiro fora do carro, retirando o capacete e deixando a pista muito irritado com a besteira que fez. Para sua sorte, ninguém testemunhou a burrada.
1. Problema de Mansell em Mônaco – 1992

Foto: Reprodução/TV
Essa fica em primeiro lugar porque foi, certamente, uma das maiores trapalhadas em uma transmissão de Fórmula 1 em todos os tempos. Nigel Mansell dominava tranquilamente o GP de Mônaco de 1992, até que cometeu um erro e tocou um de seus pneus em um guard-rail, dentro do túnel.
O pneu furou, Mansell ficou lento, chamou sua equipe pelo rádio e avisou que precisaria de uma troca. A Williams se preparou, o inglês entrou nos boxes, trocou pneus e voltou em segundo lugar, dando a liderança a Ayrton Senna.
Até aí, um acontecimento absolutamente normal em corrida. O problema: a transmissão não exibiu absolutamente nada! Distraídos com a briga pelo terceiro lugar entre Riccardo Patrese e Michael Schumacher, os responsáveis pelo corte de imagem não viram nada do que aconteceu. Mansell era o líder e, de repente, apareceu em segundo. Do nada, os créditos da televisão passaram a mostrar Senna em primeiro lugar, o que inicialmente parecia um erro. Não era. O Leão tinha ficado para trás e começou ali uma das mais emocionantes disputas pela vitória em Mônaco, um final de corrida épico com Mansell tentando passar e Senna segurando, nas últimas voltas. Mas os responsáveis por mostrar o GP de Mônaco para o mundo não devem ter descoberto até hoje como a briga se originou.
Nelsinho fora

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault
Galvão Bueno anunciou agora há pouco, ao vivo no SporTv, a demissão de Nelsinho Piquet da Renault. Quando se imaginava que Sebastien Bourdais seria o primeiro defenestrado da Fórmula 1 em dois anos, os boatos menos prováveis envolvendo o piloto brasileiro parecem se confirmar.
A equipe não comunicou oficialmente, mas a dispensa de Nelsinho parece certa e não é algo que tenha sido de todo inesperado. Pelo contrário. É preciso admitir que o filho do tricampeão, no ano e meio em que esteve na equipe francesa, ficou muito aquém daquilo que se espera de um vice-campeão da GP2 que chegou à categoria cheio de badalação.
É lógico que Fernando Alonso é a prima-dona da Renault, que recebe todas as atenções e tem direito a atualizações no carro em primeira mão. Disso todo mundo sabe. Mas, mesmo assim, classificar-se à frente do companheiro apenas uma vez em 27 tentativas é muito pouco. Mais do que isso: em quase metade das classificações, Nelsinho não conseguiu passar nem da primeira fase do treino. Largava quase sempre na rabeira, envolvia-se em acidentes, rodava. Abandonou metade das corridas de 2008, praticamente todas em acidentes.
Em 27 participações, um único lampejo de brilho: no GP da Alemanha do ano passado, quando aproveitou-se de uma entrada do Safety Car para saltar para o pelotão da frente e liderar a corrida por algumas voltas, conseguindo chegar numa excelente segunda posição. Convenhamos, é pouco.
E, agora, resta a fina ironia. No mais recente comercial da Renault no Brasil, um rapaz de aparência semelhante à de Romain Grosjean se aproxima e pede a ele: “Posso dirigir?”. E Nelson responde: “Lógico, manda ver!”.
E Grosjean, infelizmente para o automobilismo brasileiro, deve mandar ver.


















