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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: Giancarlo Fisichella
Crescimento constante

A Force India apareceu na Fórmula 1 sem grandes expectativas. Nascida da compra da Spyker, que havia comprado a Midland, que havia comprado a Jordan, imaginava-se que a investida do indiano Vijay Mallya seria apenas de manter a equipe por um tempo para vendê-la logo depois, como fizeram seus atrapalhados antecessores. Mas não foi bem assim.
Um time que parecia uma piada no começo, dada a esquisitice que a cultura Indiana tem aos olhos ocidentais, se mostrou bastante sério. Em pouco tempo, a equipe cresceu e, logo em seu segundo ano de vida, conseguiu resultados espetaculares, como a pole de Giancarlo Fisichella no GP da Bélgica de 2009. O italiano quase venceu a corrida, terminando em segundo lugar. Fora isso, Adrian Sutil também teve grande atuação em Mônaco, no ano de estreia, mostrando que os indianos não estavam brincando em serviço.
De ano em ano, a Force India vem crescendo. Ainda que em 2010 não tenha conseguido nenhuma pole ou pódio, na média os resultados foram melhores. Ficou em sétimo entre os construtores, a apenas um ponto da Williams. O ponto fraco do time claramente foi o italiano Vitantonio Liuzzi, com atuações abaixo da média. Sutil manteve os bons resultados, ainda que sem nenhuma corrida de grande destaque.
A meta para 2011 é seguir a tendência de evolução, quem sabe atingindo o posto de quinta força da Fórmula 1. O desafio é enorme, mas a equipe conta com um belo trunfo para esta temporada: o estretante escocês Paul di Resta, primo de Dario Franchitti, destaque da Mercedes no DTM e que promete ser uma das sensações da Fórmula 1. Sua velocidade pode ser um estímulo para Adrian Sutil, rivalidade sadia dentro de casa é sempre bom.
O novo carro, VJM-04, não tem grandes novidades. Cofre de motor e tomadas de ar copiadas da Mercedes do ano passado, restante do carro bastante similar ao modelo anterior. A pintura, com mais laranja, deixou o modelo parecido com uma garrafa de Sukita. Para quem estreou parecendo uma lata de cerveja, é uma mudança e tanto. Questões estéticas à parte, o fato é que a Force India até hoje não virou chacota. E não deve virar agora.
Fisichella reedita pintura

Giancarlo Fisichella preparou uma pintura especial para sua estreia na Ferrari, neste final de semana, em Monza. Correndo em casa, adaptou seu desenho às cores da bandeira italiana (à direita). A ideia, no entanto, não chega a ser nova. Trata-se de uma releitura de um modelo comemorativo que ele já tinha usado no GP de San Marino de 2006 (à esquerda).
Naquela ocasião, pela Renault, Fisico chegou numa frustrante oitava posição. Que tenha mais sorte neste domingo.
Colaboraram Alex Grün, Daniel Antunes e Maurício do Nascimento Pinto.
Fisichella em dois momentos

Muito interessante esta comparação publicada pelo Willian Freitas no Fórum Downforce. À esquerda, o semblante amargo de Giancarlo Fisichella em seu primeiro teste com a Force India, no final de 2007. À direita, a pura felicidade da primeira vez em que sentou em uma Ferrari, semana passada.
A oportunidade é merecida. Fisichella pode não ser um extra-classe, mas é um sujeito bacana, bom piloto e que teve vários altos e baixos na carreira. Em alguns momentos, chegou a deslumbrar, como em sua primeira passagem pela Jordan, em 1997. Em outros, deixou muito a desejar, como em sua última temporada com a Renault. Mas, bem como diz o ditado, um piloto é tão bom quanto sua última corrida. E, por essa lógica, a escolha da Ferrari para a substituição de Luca Badoer é mais do que acertada.
É o segundo renascimento de Giancarlo. Em 2003, mesmo com a surpreendente vitória no GP do Brasil, a decadência da Jordan indicava que sua carreira afundava. Conseguiu um contrato de um ano com a Sauber, fez uma temporada fabulosa em 2004 e renasceu, ganhando uma oportunidade de três anos na Renault. Acabou obscurecido por Fernando Alonso nas duas primeiras temporadas e quando teve a chance de liderar o time em 2007, naufragou. Foi dado como acabado e foi parar na Force India, pior time do grid em 2008. E agora, nasce outra vez com o brilhante desempenho no GP da Bélgica, com pole e pódio.
A temporada de 2009 ficará marcada como um ano imprevisível, que marcou o ressurgimento de dois pilotos de sobrenomes parecido, até então condenados à aposentadoria: Rubens Barrichello e Giancarlo Fisichella. O brasileiro já beliscou uma vitória consagradora, terá o italiano a mesma sorte?
Positivo e negativo: Bélgica

Foto: Reprodução/Grande Prêmio
Positivo: Giancarlo Fisichella. Por mais que Kimi Raikkonen tenha sido sensacional, está a bordo de uma Ferrari. Fisichella, com a Force India, fez o improvável e merece todo o destaque.
Negativo: Luca Badoer. Por mais que seja lugar-comum, não há como não destacar alguém que chega em último lugar pilotando o mesmo carro do vencedor. Isso sem acidentes e sem problemas mecânicos. Badoer despede-se da F1 de forma patética. Não deveria ter voltado.
Primeira fila italiana é a sétima da história

Foto: Reprodução/Adrivo.com
De forma absolutamente inesperada, dois italianos ocupam a primeira fila no grid para o GP da Bélgica: Giancarlo Fisichella na pole, acompanhado por Jarno Trulli. E é apenas a sétima vez na história que isso acontece, sendo a primeira em quatro anos.
No GP da Austrália de 2005, Fisichella e Trulli já tinham dividido uma primeira fila, nas mesmas posições. Fisico, que estreava na Renault, venceu a corrida. Antes disso, no entanto, é preciso voltar bastante no tempo.
A primeira vez em que só italianos compuseram a primeira fila aconteceu, curiosamente, também em Spa-Francorchamps. Foi em 1952, quando Alberto Ascari, Giuseppe Farina e Piero Taruffi saíram na frente, todos com Ferrari. É bom lembrar que, nesta prova, a primeira fila era composta por três carros. Todos eles repetiram a dose no mesmo ano, no GP da França, largando nas mesmas posições. No ano seguinte, a italianada voltou a dominar o grid na França, mas agora com Ascari, Felice Bonetto e Luigi Villoresi.
Somente trinta anos depois a Fórmula 1 voltou a ver uma primeira fila da Itália, já na configuração de filas de dois carros. Foi com Elio de Angelis e Riccardo Patrese no GP da Europa de 1983, em Brands Hatch. E em 1984 aconteceu novamente, dessa vez com o mesmo De Angelis na pole, acompanhado de Michele Alboreto, no GP do Brasil.
Rapidinhas da classificação: Bélgica

Foto: Divulgação/Force India
- Spa é o bicho. Além de ser uma região sujeita a chuvas e trovoadas e de possuir um traçado fantástico, ainda nos brinda com corridas e treinos emocionantes e imprevisíveis.
- Não que a classificação de hoje tenha sido a mais emocionante, mas é inegável que foi muito disputada. E “imprevisível” resume bem o resultado final. Ou alguém são neste planeta apostou um dólar que fosse numa pole position de Giancarlo Fisichella com a Force India?
- É claro que todo mundo recebe uma pole position como essa com uma risadinha irônica e debochada pensando: “é o golpe do combustível”. E deve ser mesmo. Mas é fato que a Force India encontrou um belo acerto para Spa e está com um ritmo fabuloso com tanque vazio. Com tanque cheio, deve ser presa fácil.
- Mas mesmo assim, é de se louvar uma pole position de um veterano como Fisichella. Alguém que, assim como Rubens Barrichello, já foi dado como aposentado diversas vezes.
- Outro da fila do INSS, Jarno Trulli, completa a primeira fila. Os velhinhos estão dando um belo caldo. Importante ressaltar também o bom trabalho da Toyota, que pulou da penúltima fila no sábado passado para a primeira hoje.
- Em terceiro lugar, outra zebra: Nick Heidfeld. E Robert Kubica vai sair em quinto, dando mostras que a BMW também se encontrou em Spa-Francorchamps.
- Rubens Barrichello sai na quarta posição. Os pesos dos carros ainda não saíram, mas o resultado me cheira a “pole position”. Não creio que Force India, Toyota ou BMW possam brigar pela vitória. Se Barrichello fizer tudo certinho como em Valência, tem grandes chances de vitória.
- Principalmente porque seus principais adversários sucumbiram. Lewis Hamilton e Jenson Button caíram no Q2 e saem em ridículas 12ª e 14ª posições, respectivamente. A dupla da Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, ficaram em oitavo e nono lugares, às voltas com problemas de motor.
- Quem pode, sim, brigar forte pela vitória é Kimi Raikkonen. O finlandês sempre anda bem em Spa e o sexto lugar não foi de todo um mau resultado, olhando quem está na frente. Meu palpite é que ele e Barrichello brigam pelo primeiro lugar.
- Mas como Spa é Spa, é bom não descartar Lewis Hamilton, por exemplo. Basta lembrar de Michael Schumacher, vencedor na Bélgica em 1995 saindo da 16ª posição.
- De resto, a destacar o mau resultado também de Fernando Alonso, 13º, e mais uma ridícula participação de Luca Badoer. Último colocado, precisava de 1.2s no final do treino para passar ao Q2. Não conseguiu e ainda rodou e bateu. Vai dividir a última fila com Romain Grosjean, cuja performance na Renault não se mostra nada diferente do que já fazia Nelsinho Piquet.
- Acredito que a Force India marca seus primeiros pontos amanhã, mas o pódio deve ser um sonho distante. No entanto, se chover ou garoar… a corrida vira uma loteria. E que promete ser uma das melhores da temporada. Amanhã, vale a pena acordar cedo.

Curiosidades do GP da Malásia

Foto: Google Earth
Iniciando a cobertura do GP malaio, nada como inúteis curiosidades sobre a prova. Vamos lá?
* Será o 11º GP da Malásia, todos eles disputados no circuito de Sepang.
* O primeiro vencedor foi Eddie Irvine, com a Ferrari, em 1999.
* A Ferrari é a equipe que mais venceu na Malásia: cinco vitórias em dez corridas. McLaren e Renault venceram duas cada, contra uma da Williams.
* Nos treinos de classificação, domínio absoluto de Ferrari e Renault. Somente elas marcaram poles, com incríveis sete para a equipe italiana, contra três dos franceses.
* Largar na primeira fila é meio caminho andado para vencer em Sepang. Em apenas duas ocasiões o piloto vitorioso não estava entre os dois primeiros do grid: Ralf Schumacher em 2002, que largou em quarto, e Kimi Raikkonen em 2003, que havia saído em sétimo.
* Michael Schumacher é quem mais ganhou o GP da Malásia: três vezes. Kimi Raikkonen e Fernando Alonso venceram duas cada um.
* Por sinal, foi em Sepang a primeira vitória de Raikkonen, em 2003. Na mesma corrida, Alonso marcara sua primeira pole position.
* Nunca um brasileiro venceu na Malásia. Felipe Massa marcou duas poles.
* Vencedores do GP da Malásia:
1999 - Eddie Irvine, Ferrari
2000 - Michael Schumacher, Ferrari
2001 - Michael Schumacher, Ferrari
2002 - Ralf Schumacher, Williams BMW
2003 - Kimi Raikkonen, McLaren Mercedes
2004 - Michael Schumacher, Ferrari
2005 - Fernando Alonso, Renault
2006 - Giancarlo Fisichella, Renault
2007 - Fernando Alonso, McLaren Mercedes
2008 - Kimi Raikkonen, Ferrari
Vale relembrar dois “causos” da Malásia, publicados no ano passado, sobre as provas de 1999 e 2003.
Curiosidades do GP da Austrália

Foto: Divulgação/BMW
Abrindo a semana do primeiro ronco dos motores para a temporada 2009 da Fórmula 1, chegou a hora do aquecimento para o GP da Austrália. Para isso, nada melhor do que um apanhado de curiosidades acerca da prova de abertura do campeonato.
* O GP da Austrália será disputado pela 25ª vez, a 14ª no circuito do Albert Park. As primeiras 11 edições aconteceram em Adelaide, que encerrou os mundiais de Fórmula 1 de 1985 a 1995.
* Michael Schumacher é o maior vencedor, com 4 vitórias, todas em Melbourne.
* Entre as equipes, vantagem da McLaren: 9 vitórias em solo australiano, contra 7 da Ferrari.
* Desde que a corrida é disputada em Melbourne, em nove ocasiões o vencedor da corrida terminou a temporada campeão mundial. Em apenas quatro provas (1997, 1999, 2003 e 2005), o primeiro colocado não foi campeão.
* Há 16 anos um brasileiro não vence na Austrália. O último foi Ayrton Senna, em 1993.
* Felipe Massa estreou na Fórmula 1 no Albert Park em 2002, pela Sauber. Mas nunca conseguiu sequer um pódio no GP da Austrália.
* Outras curiosidades, edição por edição:
1985 – Última vitória de Keke Rosberg na Fórmula 1
1986 – Segundo título mundial para Alain Prost
1990 – GP de nº 500 da história, vitória de Nelson Piquet
1991 – Corrida mais curta da história da F1, interrompida depois de 14 voltas por causa da chuva
1993 – Última vitória de Ayrton Senna
1994 – Última vitória de Nigel Mansell, título mundial para Michael Schumacher
1995/1996 – Pela primeira vez, dois GPs de um país aconteceram de forma consecutiva. O GP da Austrália encerrou a temporada 1995 e abriu a de 1996.
1999 – Primeira vitória de Eddie Irvine
2003 – Última vitória de David Coulthard
2005 – Vitória de Giancarlo Fisichella, em sua estreia na Renault
2007 – Vitória de Kimi Raikkonen, em sua estreia na Ferrari
Force India revela VJM02

Foto: Divulgação/Force India
Fevereiro termina com a antepenúltima equipe apresentando seu carro para 2009. A Force India divulgou hoje fotos do VJM02, modelo com o qual Giancarlo Fisichella e Adrian Sutil disputarão a temporada que começa em março.
Com bico alto e de largura intermediária (não chega ao bico fino da Red Bull, nem ao exagerado caixote da Renault), sua frente lembra um tanto a Toyota. A parte traseira tem semelhanças com a McLaren, que talvez não sejam mero acaso. Afinal, a equipe indiana utilizará motores Mercedes, câmbio e KERS cedidos pelo time de Ron Dennis.
A pintura muda bastante com relação à do ano passado, utilizando agora as cores bandeira da Índia. Por sinal, uma novidade que o time já tinha antecipado, voluntariamente ou não.
Agora, faltam apenas Toro Rosso e ex-Honda (Brawn Racing?) apresentarem seus carros para a temporada que vem aí.
Fisichella 200

Fabricio Passos envia e-mail para avisar que Giancarlo Fisichella está comemorando em Mônaco seu 200º Grande Prêmio disputado. E, para isso, preparou um capacete e um macacão especial, em tons de negro e dourado.
Um tanto estranho para nós, da cultura ocidental, alguém utilizar a cor negra para comemorações, já que é algo que normalmente sugere luto ou tristeza. Mas o italiano deve ter seus motivos. E ficou bonito.
Turbulência
O leitor Leonardo Vasconcellos envia e-mail com este vídeo, chamando a atenção para o tanto que a asa dianteira de Lewis Hamilton balança com a turbulência gerada pela Force India de Giancarlo Fisichella.
Repare no replay onboard, aos 29 segundos do vídeo.
Assim que Hamilton tira sua McLaren de trás do carro de Fisichella, a asa dianteira volta ao normal. Até então, chacoalhava para todo lado.
Um exemplo bastante ilustrativo para entender as dificuldades de ultrapassagem na F1 atual.
E deu Fisico

O comentário chega um pouco atrasado, mas ainda em tempo. Giancarlo Fisichella venceu o “vestibular” para piloto da Force India e foi anunciado ontem como titular da equipe para 2008.
Numa primeira análise, parece má notícia. Mas não é. Embora concorde que Fisichella já não tenha mais muito futuro na Fórmula 1, sua contratação acena para uma visão mais profissional que Vijay Mallya traz à gerência da equipe. Nos tempos de Spyker, Midland ou nos últimos suspiros sob o nome Jordan, a contratação de pilotos fracos com o bolso recheado sempre foi a ordem do dia. O instinto de sobrevivência prevalecia sobre qualquer planejamento e, não por acaso, o time foi trocando de donos por três anos consecutivos. Com a contratação do italiano, Mallya afirma, nas entrelinhas, que a equipe trabalhará almejando algo além da simples subsistência.
Fisico, que não deve custar barato, garante experiência à Force India e pode ser o parceiro ideal para Adrian Sutil. O italiano não costuma ser constantemente rápido em corridas, mas sua bagagem de 13 anos pode ajudar no desenvolvimento do carro e na orientação ao companheiro novato. Sutil demonstrou muito talento em 2007, mas também errou além da conta. A presença de um piloto mais experiente no cockpit ao lado pode fazer do alemão um dos principais destaques da próxima temporada.
Se, por um lado, acreditava que Fisichella não tinha mais nada a acrescentar à F1, por outro entendo que é mais positiva a presença dele na categoria do que de pilotos pagantes da estirpe de Christijan Albers, Sakon Yamamoto, Yuji Ide ou Narain Karthikeyan. Dos males, o menor. Fisico pagará o mico de andar na rabeira do grid em 2008, mas pelo menos garante o bom nível de pilotos no campeonato que se inicia em março.
Mais do mesmo

Não posso negar que a confirmação de Alonso e Nelsinho Piquet na Renault teve ares de anti-clímax. Depois que a equipe anunciou ontem que lançaria seu novo carro na Espanha, ficou nítido que a confirmação de Alonso era apenas uma questão de tempo. E demorou até menos do que o imaginado.
Embora com todos os caminhos apontando para a Renault, confesso que esperava mais do bicampeão mundial. Acreditei que ele tivesse o anseio de fazer algo diferente, de conseguir o impossível, de construir um time, liderá-lo rumo à sua maior conquista. Mas Fernando não quis. Optou pelo óbvio, retornou à sua zona de conforto e agora vai tentar fazer mais do mesmo. Ganhar com a Renault e com Briatore novamente. Puxa, que emocionante!
Não que a tarefa não vá ser árdua. O time francês perdeu muito terreno em 2007, fazendo a pior temporada de um time recém-campeão desde 1979. Mas o retorno para casa depois dos problemas na McLaren só deixaram claro que Alonso está acomodado e quer garantir a vitória sem muito esforço.
Justamente por isso, Nelsinho Piquet precisa abrir o olho. A sua estréia na Fórmula 1 é uma ótima notícia, mas as circunstâncias em que ela acontece, não. Depois de sofrer poucas e boas com Lewis Hamilton na McLaren, o espanhol certamente cercou-se de todas as garantias possíveis de que o brasileiro não irá lhe causar problemas.
Segundão assumido? No ano de estréia, tudo bem. Mas e em 2009, como será? Mudará de equipe? Peitará Alonso? Sairá da F1? A situação é delicada e a contratação de Alonso foi uma má notícia para Nelsinho. Heikki Kovalainen seria um companheiro muito melhor.
O finlandês, por sinal, deve ser confirmado pela McLaren em breve. Ou alguém acredita que Briatore deixaria seu pupilo sem emprego? Vale lembrar que Romain Grosjean foi confirmado como piloto de testes da Renault, o que significa que no banco Heikki não fica e que já tem alguma vaga assegurada. Meio sem querer, vai pegar o melhor cockpit vago para 2008.
Novas combinações em Jerez
Além da novidade da volta do uso dos pneus slick, os testes que começaram ontem em Jerez trouxeram algumas combinações novas à F1. Vamos a elas!

Mano Brawn conhecendo a Honda

Javier Villa tentando uma vaga na BMW

Giancarlo Fisichella pagando mico no vestibular da Force India

Franck Montagny, outro candidato do time do Apu

Timo Glock estreando na Toyota, disfarçado de corredor misterioso

Nico Hülkenberg testa um F1 pela primeira vez, na Williams. E lá vem mais um alemão…
Ontem, quem andou com slicks terminou na frente, caso de Jenson Button, que foi o segundo mais rápido mesmo com uma Honda. O que isso quer dizer? Nada. Aconteceu exatamente o que se esperava: com uma superfície maior de contato com o solo, os carros deveriam ser cerca de 3s mais rápido, como previu a Bridgestone e noticiou Victor Martins.
Precisa-se de piloto

Uma das grandes surpresas negativas da temporada atual tem sido a falta de resultados da Renault. Uma queda vertiginosa, de bicampeã mundial de pilotos e construtores em 2005/2006 para um desempenho pífio nas primeiras provas de 2007, sem conquistar um pódio sequer.
É sabido que a equipe francesa foi a que mais perdeu com a saída da Michelin, mas a queda de rendimento pode ter sido menor do que os resultados aparentam. Existe um fator predominante para a atual situação da equipe de Briatore: seus pilotos.
Fiz um breve levantamento para confirmar uma impressão que tinha e ela se confirmou: Fisichella está obtendo resultados parecidos com o que sempre obteve na Renault. O problema todo está na falta que Fernando Alonso faz.
Aos números, pois!
Em dois anos de Renault, o italiano subiu ao pódio em apenas 20% das ocasiões. Suas posições mais freqüentes ficaram entre o quarto e o sexto lugar, em 49% das vezes. Fernando Alonso, por sua vez, subiu ao pódio em 76% das corridas destas mesmas temporadas e foi responsável por 68% dos pontos conquistados pela equipe.
Agora tracemos um paralelo com a temporada atual. Fisichella terminou as três corridas em quinto, sexto e oitavo, marcando 8 pontos. Nada muito diferente de temporadas anteriores, se não considerarmos as duas vitórias esporádicas que ele conquistou. Para efeito de cálculo, elas não passaram mesmo de um ponto fora do desvio padrão, pois os primeiros lugares nunca representaram a posição natural de Fisichella.
Aplicando a mesma proporção de pontos do ano passado entre Fisichella e Alonso, os oito pontos do italiano corresponderiam a 32% da pontuação da Renault neste campeonato. Assim, podemos presumir que caso ainda estivesse no time, o bicampeão já teria marcado 17 pontos com este mesmo carro. Estaria empatado com Felipe Massa e brigando pelo título. Com 25 pontos, a equipe francesa estaria em terceiro no mundial de construtores.
Claro que trata-se apenas de uma simulação estatística, mas não deixa de ser interessante. A Renault perdeu fôlego, é inegável. Porém, caso tivesse um piloto de ponta, poderia estar incomodando as grandes. Fisichella continua sendo o mesmo piloto de sempre e Kovalainen está decepcionando. O problema dos franceses, como já diz aquela máxima, está naquela pecinha entre o banco e o volante.
O lugar de cada um
Grande Prêmio da Espanha, 2001. Fernando Alonso, um estreante guiando uma Minardi, dá um calor danado em Giancarlo Fisichella, a bordo de uma Benetton-Renault.
É apenas um fragmento, mas é simbólico. Ilustra muito bem o porquê de um estar em situação completamente diferente do outro seis anos depois. Um tornou-se um prestigiado bicampeão mundial, contratado a peso de ouro pela McLaren. O outro guia o carro campeão do ano passado, mas apesar disso não é nem de longe um favorito e deve estar iniciando seu último campeonato na categoria.
E a ING mudou tudo mesmo…
…até os capacetes dos pilotos da Renault. Tirando Fisichella, todo mundo está de casco novo. Acompanhe.
GIANCARLO FISICHELLA

O Fisico manteve-se fiel às tradições e não mudou o desenho. Resistiu à tentação, como praticamente ninguém tem feito em 2007.
HEIKKI KOVALAINEN

O rapaz é estreante na Fórmula 1, ainda não criou sua identidade nela, vá lá. Mas acho negativo começar a carreira mudando as cores e o desenho por causa do patrocinador. Desenho que, por sinal, ficou muito parecido com o de Kimi Raikkonen. Dados alguns vícios no traço, me arrisco a dizer que ambos trabalham com o mesmo designer.
NELSON ANGELO PIQUET

O capacete do Nelsinho, que eu achava belíssimo, foi destruído nesta versão ING. Tudo bem, laranja era a cor original do capacete do pai, até aceito esta desculpa. Mas o motivo da mudança a gente sabe que não é este. O gradiente do topo para a base é o que ficou pior. E o topo azul… já que não há mais o patrocinador iMode… precisava?
RICARDO ZONTA

Esse já tinha mudado no ano passado, como a evolução acima apresenta. O original tinha durado mais de seis anos. E agora, nova alteração, a mais radical.



