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Todos ri – A cabeçada de Mansell

Nigel Mansell sempre foi uma figuraça. Piloto vibrante e bravo – por vezes um tanto troglodita -, fora das pistas era um sujeito um tanto desengonçado e engraçado. Carismático, em muitos momentos acentuou o tom atrapalhado de sua personalidade. Embora sofresse mesmo de problemas de coluna – agravados depois da pancada que o tirou da briga pelo título em 1987 -, não raramente descia do carro mancando, ou quase desmaiando, ou só fazendo cara de coitado mesmo, ainda que não houvesse motivo algum para isso. Um pouco de teatro fazia parte da personalidade do Leão.

Mas o GP da Áustria de 1987 foi um tanto dolorido para Mansell. Bastante dolorido, eu diria. Na semana antes da prova, o inglês extraiu um de seus dentes do siso, o que o fez competir sob o efeito de fortes analgésicos. Mesmo assim, continuava reclamando de dores. A corrida, por si só, já começou com dores de cabeça. Mansell saía na primeira fila, ao lado do pole position, seu companheiro Nelson Piquet. Na largada, manteve a segunda posição, mas uma carambola no meio do grid interrompeu a prova e anulou a partida. Na segunda largada, teve problemas e seu carro mal arrancou. Teria abandonado a corrida ali, não fosse a sorte de um segundo acidente generalizado obrigar a interrupção da prova outra vez. O Leão, assim, pôde pegar o carro reserva e voltar para a pista, disputando assim a corrida que acabara de abandonar.

Na terceira e definitiva largada, arrancou mal e caiu para a quarta posição. Mas fez uma corrida memorável, recuperando posições, até ultrapassar Nelson Piquet na 20ª volta. O brasileiro tinha problema de pneus e hesitou ao encontrar retardatários. Mansell foi para cima e fez uma bela manobra, num curvão a quase 200km/h. Piquet precisou trocar de pneus e a corrida ficou livre para o Leão, uma bela vitória.

Mas grandes as dores de cabeça, literalmente, apareceriam no caminho para o pódio. Um carro aberto conduzia Mansell, Piquet e Teo Fabi. Os fãs gritavam seu nome e o atabalhoado inglês resolveu corresponder, levantando para acenar para o público. Não percebeu que o carro se aproximava de uma passarela de concreto e bateu forte com a cabeça, caindo dentro do carro. A cena, memorável, pode ser vista no vídeo abaixo.

No pódio, Mansell não parava de passar a mão na cabeça machucada. Na entrevista pós-corrida, uma cena histórica: com a habitual cara de coitado, aplica uma bolsa de gelo enquanto Reginaldo Leme se prepara para começar a gravar. Certamente, foi a vitória mais dolorida até hoje na Fórmula 1.

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GP da Malásia é o 5º da história com pontos pela metade

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Interrompido depois de 31 voltas em função das fortes chuvas em Sepang, o GP da Malásia contou apenas metade da pontuação para os pilotos, por não terem sido completados 75% das voltas previstas. Em toda a história foi apenas a quinta vez, em 805 corridas válidas pelo Mundial de Pilotos, que uma prova terminou assim, apenas a segunda em um circuito permanente. Todas as outras três ocorreram em pistas de rua.

A primeira vez em que metade dos pontos foram contados aconteceu no GP da Espanha de 1975, quando o Embassy-Hill de Rolf Stommelen voou em direção ao público no Montjuich Park, matando três fiscais, um fotógrafo e um espectador. A corrida foi interrompida com apenas 29 das 84 voltas previstas e a vitória ficou com Jochen Mass, da McLaren. Seria sua primeira e única conquista na Fórmula 1. E também foi a única vez em que o motivo da interrupção não foi a chuva.

No mesmo ano, outra prova contou apenas metade dos pontos. Foi o GP da Áustria, em Zeltweg, disputado sob muita chuva. Eram previstas 54 voltas, mas a corrida foi encerrada com 29, pouco mais da metade. A pista estava encharcada e a vitória ficou com a zebra Vittorio Brambilla, que cruzou a linha de chegada rodando e batendo seu March laranja na mureta dos boxes. Ainda deu a volta da vitória com o bico quebrado, numa cena hilária.

Nove anos depois, em 1984, uma nova interrupção obrigou uma prova a contar apenas metade dos pontos. Foi no famoso GP de Mônaco de 1984, quando Ayrton Senna deu show com a Toleman e chegou em segundo lugar depois da bandeira vermelha ser acionada, na 31ª das 76 voltas previstas. A vitória ficou com Alain Prost.

Há 18 anos, a corrida mais curta da história da Fórmula 1. Com diversos pilotos rodando e batendo nos muros e protestos veementes de Ayrton Senna por causa da falta de aderência com a chuvarada que caiu no circuito de rua de Adelaide, o GP da Austrália de 1991 foi encerrado com apenas 14 voltas, com vitória de Senna.

Nos últimos anos, outras corridas foram terminadas com bandeira vermelha, mas tiveram os pontos contados integralmente por já terem sido cumpridos mais de 75% das voltas previstas. Em 2003, Fernando Alonso e Mark Webber bateram na curva do Café, encerrando prematuramente o GP do Brasil. Em 1997, bandeira vermelha após um acidente com Olivier Panis no Canadá, quando o francês fraturou uma perna. E em 1990, Alex Caffi bateu no Estoril e se machucou, dando fim precoce ao GP de Portugal.

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Livro será retirado de circulação

Acabo de receber e-mail de Marcelo Duarte, dono e editor da Panda Books, informando a posição da empresa frente à polêmica do livro de Lemyr Martins. Abaixo, a íntegra do comunicado da editora.

“Graças à ajuda de zelosos leitores, a editora Panda Books constatou um sério erro de informação no livro Histórias, Lendas, Mistérios e Loucuras da Fórmula 1, de autoria do jornalista Lemyr Martins. O fato apurado pelo autor e divulgado na quarta capa e em todo o material de divulgação do livro é, na verdade, um equívoco. Ressaltamos que em hipótese alguma a editora Panda Books desejou se beneficiar ou denegrir a imagem dos envolvidos no fato. Por uma questão ética e em respeito aos leitores, o livro será retirado de circulação. Os consumidores que desejarem devolver a obra e obter reembolso do valor pago poderão entrar em contato diretamente com a editora pelo telefone (11) 2628-1323 ou pelo e.mail formula1@pandabooks.com.br. Lamentamos o ocorrido e agradecemos a todos que apontaram o erro.”

Todo o ocorrido é mesmo lamentável, mas julgo louvável a atitude da editora. Apesar do grande prejuízo, sem dúvidas, era o melhor a ser feito.

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A versão de Barrichello

Ainda sobre a brincadeira que virou coisa séria no livro de Lemyr Martins, Rafael Lopes conversou hoje com Rubens Barrichello sobre o assunto. E o brasileiro foi taxativo:

“Foi a coisa mais hilária que já li nos últimos tempos. Eu tenho aquela transcrição e estou guardando para colocá-la no meu livro. Deve ser cópia de uma brincadeira que fizeram na internet, porque não tem um pingo de verdade naquilo. Tenho dó da pessoa que teve coragem de publicar isso, principalmente vindo do Lemyr, que sempre me pareceu muito sério. Foi uma brincadeira de criança.”

Você pode ler a matéria completa aqui.

Importante frisar que, depois de conversar com Lemyr, tive certeza de que ele não agiu de má-fé. Recebeu a transcrição de um conhecido da Fórmula 1 e levou a sério. Me pareceu que faltou senso crítico ao avaliar, provavelmente se deixou levar pela credibilidade da fonte e não percebeu que era apenas uma brincadeira. Foi uma barrigada e tanto, assim como o “boimate” da Veja. Mas acontece.

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A versão de Lemyr Martins

No final da tarde de hoje, conversei por trinta minutos com Lemyr Martins, o autor do livro que gerou tanta polêmica em torno da veracidade do diálogo entre Rubens Barrichello e a Ferrari durante o GP da Áustria de 2002. Bastante simpático e solícito, o veterano jornalista me explicou a sua versão.

Durante o papo, Lemyr disse que recebeu a transcrição por escrito, em inglês, e que publicou mesmo achando o conteúdo estranho. Segundo sua avaliação, quem fez a transcrição “pode ter colocado uma pimenta”. E fez questão de afirmar que não recebeu nenhum contato do Diário Lance! ontem.


Ivan Capelli – Lemyr, como você recebeu essa transcrição da conversa?

Lemyr Martins - Quem me entregou a transcrição foi uma das pessoas que eu mais confio na Fórmula 1, um cara que eu conheço desde 1968. Você sabe que uma equipe sempre está espionando a telemetria da outra, eles têm a freqüência. A gravação foi feita, toda ela. O que aconteceu foi que depois dessa gravação, me disseram agora, realmente esse texto apareceu na Internet e levaram na gozação.

Disseram que a Ferrari não confirma, mas eu não esperava que a Ferrari confirmasse essa transcrição. Disseram que o cara lá (Karl Scheister) não existe. Mas é claro, quem paga o salário dos pilotos da Ferrari é a Marlboro e a Shell. Não é a Ferrari que paga. Então aquele cara que teria que falar era um cara da Marlboro e que não usou o nome dele, porque foi cifrado. Isso a pessoa me disse. É claro que o pessoal vai dizer que isso não existe, que aquela transcrição não é verdade. A transcrição tem algumas falhas, inclusive quando tem falhas os caras colocam “pouco audível”. Mas daí a negar que houve a coisa? Puxa vida.


IC – Quando você recebeu este relato, usando aquele juízo crítico de um jornalista, você não achou fantasioso demais? Por exemplo, o advogado ameaçando confiscar o cachorro do Barrichello, ou a mãe dele dizendo que estava com dores nos pulsos e num lugar escuro? Isso não é um pouco estranho?

LM - O que acontece é o seguinte. Me deram uma transcrição. Agora eu pego aquela transcrição e eu sei que pode ter alguma coisa que não é, aí eu vou começar a tirar e colocar aquilo? Aí o cara vai dizer: “Isso aqui não existe”. Eu achei fantasioso. Mas qual é o nome do livro? “Histórias, Lendas, Mistérios e Loucuras da Fórmula 1″. Então eu acho que você que é jornalista e editor de blog sabe, essa história não cabe aí? O que tu achas?


IC – Sim, cabe aí. Mas a partir deste momento, a gente passa a entender que nem tudo o que está no livro é verdade, pode ter muito boato…


LM -
Não digo que pode ter boato, mas durante a transcrição, o cara pode ter até colocado uma pimenta, sei lá… O que eu acho interessante é que as pessoas dizem que eu guardei [a história] para dar como factual. Durante muitos anos eu fui colecionando histórias [cita histórias de Fangio, Emerson, Graham Hill, Wilsinho], e tem essa do Rubinho. Eu não estou dando como factual. A maioria são histórias bem antigas, de memória. Essas histórias estavam comigo porque não agüentavam uma reportagem. Houve a conversa, mas a Ferrari nunca vai confirmar.


IC – Não há dúvida nenhuma de que uma conversa houve, o que se questiona é o conteúdo. Vou dar um exemplo: durante o diálogo, Jean Todt diz que a mãe de Barrichello, Dona Idely, está muito feliz por acompanhar a corrida com a equipe. Mas naquele domingo ela não estava na Áustria, ela estava no Brasil, em São Paulo.


LM -
Ela estava acompanhando a corrida online, mas ela não estava lá.


IC – Mas o Jean Todt diz: “Ela está adorando assistir a corrida conosco”…


LM -
Mas é isso que eu quero que me entendam. Eu não posso pegar a transcrição e mudar isso. Você pega lá o documento do Watergate, os caras não puderam mudar. Se pudessem mudar, o Nixon tinha caído antes. Eu perderia a credibilidade se eu tivesse mudado uma coisa, pois aí eu estaria em dívida com a pessoa que me deu a gravação. Essa pessoa eu conheço desde 1968, trabalha na Fórmula 1, hoje trabalha numa grande equipe, tá muito bem, ela recebeu a gravação de dentro de uma grande equipe, de um cara que todo mundo gosta, um cara acima de qualquer suspeita.


IC – O que casou grande surpresa foi o modo como o livro foi comercializado, na contracapa, diz: “Lemyr Martins revela pela primeira vez o diálogo entre Rubinho e o chefão da Ferrari, Jean Todt…”


LM -
Isso eu falei para ele… aí você sabe, editora é editora, a editora está promovendo o livro, eu não vi. Eles botam ali uma coisa: “a gente coloca aqui que você é o cara mais respeitado da Fórmula 1″, e eu disse “eu posso ser um jornalista com algum respeito, não pelo mérito, mas pelo tempo”. Eles colocaram isso ali, a editora. Agora, eu sou pago pela editora… mas não reclamo.


IC – Posso fazer um resumo, isso está correto? Na verdade a história pode ter alguns ingredientes que podem ser umas “pimentas”, não necessariamente a verdade. Mas pelo fato da história ser boa e pelo fato de confiar na fonte, o senhor acabou colocando no livro porque achou que se enquadrava com o tema. É isso?

LM – É isso. E agora também tem uma coisa… eu não escrevi “em primeira mão” na capa. Se você ler o livro você vê que eu estou dizendo que foi no GP da Áustria de 2002.

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A versão da Ferrari

Conversei agora com Luis Fernando Ramos, o famoso Ico. Ele tinha uma ligação a fazer para a Ferrari e se ofereceu para abordar com a assessoria o diálogo com Rubens Barrichello no GP da Áustria de 2002. Alguma informação nova poderia sair, afinal.

E eis o saldo da conversa dele com Luca Colajanni, assessor de imprensa da equipe:

- Não há e nem nunca houve um Karl Scheister como advogado, procurador ou qualquer coisa da Ferrari;

- Nenhuma passagem do diálogo é verdadeira;

- Ao saber dos detalhes da conversa, o sisudo Colajanni riu muito, às gargalhadas. Principalmente no trecho sobre a cachorrinha “Lulu”;

- Obviamente, tudo foi negado. Mas serviu como uma boa piada.

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Repercussão do diálogo

Capa do Lancenet neste momento:

Reprodução Lancenet

Reprodução Lancenet

O blog já entrou em contato com a editora e com Lemyr Martins, para ouvir também suas versões sobre o fato.

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A versão do Lance!

Conversei agora há pouco com um jornalista do Grupo Lance!. Ele me garantiu que, em momento algum, o livro trata o acontecimento como ficcional ou dá qualquer margem para isso. Pelo contrário, nele é dito que o diálogo da corrida está sendo revelado “pela primeira vez”, em tom de verdade. Inclusive, o grande chamariz para a publicação é tal diálogo, cujo conteúdo promete ser revelado na contracapa.

O que condiz com a descrição do livro, que aparece em sites de venda:

“Faltando cinco voltas para a bandeirada final do GP da Áustria de 2002, Rubens Barrichello estava na frente de Michael Schumacher. Ninguém tiraria dele aquela vitória. Mas a ordem de deixar o piloto alemão passar veio dos boxes. O jornalista Lemyr Martins revela pela primeira vez o diálogo entre Rubinho e o chefão da Ferrari, Jean Todt: – Nós queremos que Michael ganhe! – decretou Todt. – Não é justo – reclamou Rubinho. – Ele já ganhou um zilhão de vezes, eu só uma vez. Rubinho teve que ouvir uma série de ameaças. Até cláusulas do contrato foram lidas pelo comunicador. Revelações incríveis sobre os maiores pilotos de todos os tempos (e também sobre os coadjuvantes) estão em “Histórias, Lendas, Mistérios e Loucuras da Fórmula 1″, da Panda Books. Você vai descobrir por que Lemyr Martins é considerado a maior autoridade jornalística da Fórmula 1 no Brasil!”

Estranhando o conteúdo da suposta conversa entre Barrichello, Jean Todt, um procurador da Ferrari e sua mãe, o Lance! contatou a editora Panda Books, que garantiu ao repórter que o livro não possui ficção e que o diálogo é verdadeiro. Rubens Barrichello e Lemyr Martins também foram procurados pela publicação, mas não deram retorno.

Victor Martins, do Grande Prêmio, entrou em contato com Lemyr que, lacônico, o orientou a comprar o livro. Não confirmou nem desmentiu o diálogo.

O que se conclui:

1) Em momento algum o livro informa que o texto original foi retirado da Internet, em inglês;
2) Assim sendo, não é verdade que o diálogo seria revelado “pela primeira vez”. Afinal, já estava na Internet, e há muito tempo;
3) O livro é realmente vendido como se trouxesse um diálogo verdadeiro;
4) Como ter certeza de que não é verdadeiro? Em uma rápida pesquisa no Google (é só usar o nome Karl Scheister como palavra-chave), encontra-se diversas aparições deste diálogo, todas bem antigas, e fica bastante claro de que se trata de uma piada.
5) Lamentável, isso tudo.

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É apenas uma piada (velha)

Foto: Reprodução Motorsport.com

Foto: Reprodução Motorsport.com

Me causou surpresa uma matéria publicada hoje pelo site do Jornal Lance!, indicando que o novo livro de Lemyr Martins, “Histórias, Lendas, Mistérios e Loucuras da Fórmula 1″ revela um diálogo entre a Ferrari e Rubens Barrichello pelo rádio, na ocasião da marmelada do GP da Áustria de 2002.

O diálogo é absolutamente bizarro e tem todas as características de uma piada, inclusive com a Ferrari ameaçando retirar de Rubens sua cachorrinha “Lulu” e com a mãe do piloto, Dona Idely, suplicando que ele entregasse a vitória, pois estava com medo, num local escuro e com “os pulsos doloridos”. O diálogo completo está aqui.

Obviamente é uma brincadeira e me surpreende que o jornal tenha publicado como sendo verdade. Ainda não li o livro, não sei em que contexto o suposto diálogo aparece e se Lemyr Martins informa como sendo de sua autoria. Mas, jornalista responsável que é, acredito que Lemyr deve informar na publicação que o texto não é seu e que se trata de uma brincadeira.

Afinal, a transcrição é apócrifa, antiga e está publicada na Internet há mais de seis anos, em diversos fóruns e sites em inglês. Alguém errou feio, não sei se o Lance! escorregou sozinho ou se Lemyr fez essa brincadeira apenas para promover o livro.

E algumas informações adicionais:

- O texto foi copiado ipsis litteris da piada em inglês. Tem inclusive erros de tradução. “Terrific”, que significa “fantástico”, “extraordinário”, foi traduzido como “terrível”. “Mikey boy”, que seria uma alusão a Michael Schumacher, virou “Garoto Mickey”, totalmente sem sentido.

- Durante a narração do GP da Áustria, em 2002, Cleber Machado disse que “das 14 mães que foram pra corrida, a do Barrichello não foi, ela não tá aí perto pra comemorar a vitória”. O que contradiz o tal diálogo, que informa que Dona Idely foi assistir à prova com a equipe;

- Karl Scheister, suposto procurador-chefe da Ferrari, não existe.

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