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Pilotoons animado: GP da Bélgica

Mais uma obra do Mantovani!

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Distribuição de vitórias é a maior em 27 anos

Foto: Divulgação/Ferrari

Foto: Divulgação/Ferrari

Com o primeiro lugar de Kimi Raikkonen no GP da Bélgica, a temporada 2009 da Fórmula 1 atingiu uma histórica marca de distribuição de vitórias. Pela primeira vez em 27 anos, houve seis diferentes vencedores em seis provas consecutivas: Jenson Button (Turquia), Sebastian Vettel (Inglaterra), Mark Webber (Alemanha), Lewis Hamilton (Hungria), Rubens Barrichello (Europa) e Kimi Raikkonen (Bélgica).

Em 1999 e 2003, passou perto: cinco diferentes pilotos ganharam cinco corridas consecutivas. Antes disso, só o recorde absoluto de 1982. Naquela temporada, nove diferentes ganhadores na sequência: Riccardo Patrese (Mônaco), John Watson (EUA), Nelson Piquet (Canadá), Didier Pironi (Holanda), Niki Lauda (Inglaterra), René Arnoux (França), Patrick Tambay (Alemanha), Elio de Angelis (Áustria) e Keke Rosberg (Suíça). Foi, inclusive, a temporada com mais diferentes vencedores da história, com onze.

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Pilotoons: GP da Bélgica

Arte: Bruno Mantovani

Arte: Bruno Mantovani

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Positivo e negativo: Bélgica

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Positivo: Giancarlo Fisichella. Por mais que Kimi Raikkonen tenha sido sensacional, está a bordo de uma Ferrari. Fisichella, com a Force India, fez o improvável e merece todo o destaque.

Negativo: Luca Badoer. Por mais que seja lugar-comum, não há como não destacar alguém que chega em último lugar pilotando o mesmo carro do vencedor. Isso sem acidentes e sem problemas mecânicos. Badoer despede-se da F1 de forma patética. Não deveria ter voltado.

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Rapidinhas: GP da Bélgica

Foto: Divulgação/Ferrari

Foto: Divulgação/Ferrari

- Numa corrida de certa forma frustrante, mais uma vitória merecida de Kimi Raikkonen em Spa-Francorchamps. A ligação dele com o circuito é bastante especial e quatro vitórias nas últimas cinco edições do GP da Bélgica falam por si. Não é qualquer um que vence tantas vezes em Spa, o traçado mais desafiador do calendário da Fórmula 1. Kimi comprova, cada vez mais, que é um baita piloto. Pena que volta e meia fica desligado.

- Hoje, “ligado”, Kimi fez grande corrida. Largou bem, pulou de sexto para segundo na primeira volta e soube usar bem o KERS para ultrapassar o líder Fisichella na relargada, depois da paralisação da corrida com Safety Car em função dos salseiros da largada.

- Dali para frente, administrou a corrida de tal forma que fez parecer fácil. Embora Giancarlo Fisichella tenha sido um adversário bastante difícil.

- O italiano foi mesmo um osso duro de roer hoje. Mesmo com a fraca Force India – que estava forte em Spa -, Fisico foi o maior nome da prova. Andou na frente com consistência, acompanhou Kimi Raikkonen, pressionou, e talvez só não tenha vencido por ter relargado mal. Tivesse arrancado um pouquinho melhor, talvez o KERS não fosse suficiente para Raikkonen consumar a ultrapassagem e a Force India poderia ter vencido sua primeira corrida na Fórmula 1. Fisichella tinha carro para manter-se à frente.

- Com o resultado, vai ter indiano dançando até o final da novela das oito. Mas foi um resultado merecido para uma equipe pequena, mas séria. Por mais que Vijay Mallya possa ter sido visto num primeiro momento como um aventureiro, suas decisões na gestão da equipe são acertadas. Não é um time novo que caiu no lugar-comum de aceitar pilotos pagantes de qualidade duvidosa para pagar as contas. A Force India tem um planejamento e uma gestão séria e que, por mais que tenha tido problemas de caixa com a crise e deva a alguns fornecedores, não é um time picareta. O pódio de hoje é resultado de trabalho, como diria Muricy Ramalho.

- Foi, numa avaliação geral, uma corrida bastante atípica. Spa costuma protagonizar corridas diferentes, mas as maluquices dessa vez tiveram início na classificação, que gerou um grid embaralhado, com diversos pilotos de ponta saindo no “pelotão da merda”, como se diz informalmente.

- E “merda” foi o que não faltou na primeira volta. Na frente, Rubens Barrichello não conseguiu arrancar direito, pela terceira vez na temporada. Ficou parado no grid, obrigou os outros pilotos a rápidas manobras de evasão e gerou um pequeno salseiro na primeira curva. Mais adiante, Kimi deu uma escapada na Les Combes e foi tocado na traseira por Jarno Trulli, que precisou parar para trocar o bico. Mas isso foi só o começo.

- Logo atrás, estranharam-se Lewis Hamilton, Jaime Alguersuari, Romain Grosjean e Jenson Button. Culpa de alguém? Não me pareceu, inicialmente. Incidente de corrida, acontece, um toque gera outro toque, que gera outro e vai todo mundo para a parede. Todos os quatro abandonaram e a corrida perdeu dois possíveis protagonistas – Hamilton e Button – logo na primeira volta.

- Isso acabou tirando um pouco o brilho da corrida. Menos carros na pista, menos disputas, a partir daí o que se viu foi uma prova bem mais morna do que o costume no GP da Bélgica.

- Mesmo assim, não faltaram bons lances, como a série de ultrapassagens de Rubens Barrichello na sua tentativa de recuperação. Passou Badoer (tudo bem, minha mãe também passaria), mas fez bonitas manobras sobre Jarno Trulli e Kazuki Nakajima. Chegou a dar pinta de que brigaria por uma posição mais à frente no fim da prova, mas depois sua recuperação começou a perder fôlego.

- De toda forma, o sétimo lugar ficou de bom tamanho. Principalmente considerando o fumegante motor Mercedes de sua Brawn nas últimas voltas. E que, ao chegar ao pit lane, pegou fogo. Foram dois pontos que reduziram um pouco mais a diferença para o líder do campeonato, Jenson Button.

- Na semana passada, avaliei que, para Rubens Barrichello ter chances reais de brigar pelo título. Precisava de pelo menos mais duas corridas atípicas até o fim da temporada, marcando vários pontos e com Button mal posicionado. Hoje, a corrida atípica aconteceu, com o abandono do inglês na primeira volta. Mas Barrichello perdeu uma grande chance. Os dois pontos não são de todo um mau resultado, porém têm todas as características de oportunidade desperdiçada.

- Agora faltam apenas cinco corridas para o fim e Barrichello ainda depende de mais duas provas atípicas. O funil aperta e as chances ficam menores. A seu favor, o seu bom momento na equipe e a tendência de um certo embaralhamento dos carros de acordo com o circuito nesta temporada. Contra, o pouco tempo para fazer muita coisa.

- De forma absoluta, a diferença caiu para 16 pontos. Mas, de forma relativa, ela aumentou. Explico: antes, Barrichello precisava descontar 18 pontos em 60 possíveis. Ou seja, precisava descontar 30% dos pontos possíveis. Agora, precisa tirar 16 em 50, o equivalente a 32%. E com menos corridas pela frente.

- A situação de Button, mesmo com o mau momento que atravessa, é confortável, de certa forma. À exceção da corrida como hoje, com um acidente, o inglês consegue garantir pelo menos dois pontos por prova. Para descontar os 16, Barrichello precisaria tirar mais de três por corrida. Assim, precisa marcar, em média, seis pontos por prova. O que em resumo significa estar no pódio em todas as últimas cinco provas da temporada.

- É difícil, mas logicamente, não impossível. Até porque há menos de dois anos, Kimi Raikkonen tirou 17 pontos de Lewis Hamilton em apenas duas corridas.

- Sebastian Vettel, que completou o pódio hoje, é outro que ainda sonha com o título. Ultrapassou Webber e agora é o terceiro na classificação, a 19 pontos de Button. Tem chances, mas tem poucos motores restando para sair ganhando tudo até o fim.

- Daqui a duas semanas, Monza, encerrando a temporada europeia e dando início à reta final do campeonato. Se Button aumentar a distância, garante uma vantagem confortável para o fim da temporada. Mas uma outra corrida ruim somada a bons resultados de Barrichello, Vettel e Webber, pode dar início a um desfecho histórico para a temporada 2009.

Dados: F1 Official Live Timing

Dados: F1 Official Live Timing

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De cabeça para baixo

Todos os prognósticos para o GP da Bélgica viram de cabeça para baixo. Saíram agora os pesos dos carros para a corrida. Confira o peso dos top 10 do grid, do mais pesado para o mais leve. Entre parêntesis, a posição de largada.

Nico Rosberg 670.0 kg (10º)
Sebastian Vettel 662.5 kg (8º)
Mark Webber 658.0 (9º)
Jarno Trulli 656.5 (2º)
Nick Heidfeld 655.0 (3º)
Kimi Räikkönen 655.0 (6º)
Robert Kubica 649.0 (5º)
Timo Glock 648.5 (7º)
Giancarlo Fisichella 648.0 (1º)
Rubens Barrichello 644.5 (4º)

- A Brawn realmente não está bem. Chances de vitória para Barrichello? Ao que parece, só se chover.

- A Force India deu mesmo o golpe do combustível. Mas parece ter chances de pódio, sim.

- Jarno Trulli é o favorito à vitória. Resta ver como os pneus da Toyota vão se comportar.

- Kimi Raikkonen é a minha segunda aposta para vitória. E Nick Heidfeld deve fazer boa prova.

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Primeira fila italiana é a sétima da história

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

De forma absolutamente inesperada, dois italianos ocupam a primeira fila no grid para o GP da Bélgica: Giancarlo Fisichella na pole, acompanhado por Jarno Trulli. E é apenas a sétima vez na história que isso acontece, sendo a primeira em quatro anos.

No GP da Austrália de 2005, Fisichella e Trulli já tinham dividido uma primeira fila, nas mesmas posições. Fisico, que estreava na Renault, venceu a corrida. Antes disso, no entanto, é preciso voltar bastante no tempo.

A primeira vez em que só italianos compuseram a primeira fila aconteceu, curiosamente, também em Spa-Francorchamps. Foi em 1952, quando Alberto Ascari, Giuseppe Farina e Piero Taruffi saíram na frente, todos com Ferrari. É bom lembrar que, nesta prova, a primeira fila era composta por três carros. Todos eles repetiram a dose no mesmo ano, no GP da França, largando nas mesmas posições. No ano seguinte, a italianada voltou a dominar o grid na França, mas agora com Ascari, Felice Bonetto e Luigi Villoresi.

Somente trinta anos depois a Fórmula 1 voltou a ver uma primeira fila da Itália, já na configuração de filas de dois carros. Foi com Elio de Angelis e Riccardo Patrese no GP da Europa de 1983, em Brands Hatch. E em 1984 aconteceu novamente, dessa vez com o mesmo De Angelis na pole, acompanhado de Michele Alboreto, no GP do Brasil.

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Uma ligação cármica

Foto: Arquivo

Foto: Arquivo

A Force India conquistou agora há pouco a primeira pole position de sua história, no místico circuito de Spa-Francorchamps. E a ligação dos indianos com o GP da Bélgica tem algo de cármico, já que evoca antigas encarnações do time.

Há 15 anos, em 1994, a equipe Jordan marcou em Spa sua primeira pole position na Fórmula 1, com Rubens Barrichello. Quatro anos depois, em 1998, obteve sua primeira vitória, com Damon Hill. E em 2005, já moribunda, marcou os últimos pontos de sua trajetória, com um oitavo lugar de Tiago Monteiro. Tudo na Bélgica.

De lá para cá, o time morreu e renasceu algumas vezes. Virou Midland, depois virou Spyker, e desde o final de 2007 reencarnou como Force India. E agora, com o primeiro dono responsável em muito tempo, volta a figurar entre os protagonistas da Fórmula 1. E seus primeiros pontos têm pinta de que vão surgir também em Spa, terreno sagrado dessa trajetória esotérica.

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Rapidinhas da classificação: Bélgica

Foto: Divulgação/Force India

Foto: Divulgação/Force India

- Spa é o bicho. Além de ser uma região sujeita a chuvas e trovoadas e de possuir um traçado fantástico, ainda nos brinda com corridas e treinos emocionantes e imprevisíveis.

- Não que a classificação de hoje tenha sido a mais emocionante, mas é inegável que foi muito disputada. E “imprevisível” resume bem o resultado final. Ou alguém são neste planeta apostou um dólar que fosse numa pole position de Giancarlo Fisichella com a Force India?

- É claro que todo mundo recebe uma pole position como essa com uma risadinha irônica e debochada pensando: “é o golpe do combustível”. E deve ser mesmo. Mas é fato que a Force India encontrou um belo acerto para Spa e está com um ritmo fabuloso com tanque vazio. Com tanque cheio, deve ser presa fácil.

- Mas mesmo assim, é de se louvar uma pole position de um veterano como Fisichella. Alguém que, assim como Rubens Barrichello, já foi dado como aposentado diversas vezes.

- Outro da fila do INSS, Jarno Trulli, completa a primeira fila. Os velhinhos estão dando um belo caldo. Importante ressaltar também o bom trabalho da Toyota, que pulou da penúltima fila no sábado passado para a primeira hoje.

- Em terceiro lugar, outra zebra: Nick Heidfeld. E Robert Kubica vai sair em quinto, dando mostras que a BMW também se encontrou em Spa-Francorchamps.

- Rubens Barrichello sai na quarta posição. Os pesos dos carros ainda não saíram, mas o resultado me cheira a “pole position”. Não creio que Force India, Toyota ou BMW possam brigar pela vitória. Se Barrichello fizer tudo certinho como em Valência, tem grandes chances de vitória.

- Principalmente porque seus principais adversários sucumbiram. Lewis Hamilton e Jenson Button caíram no Q2 e saem em ridículas 12ª e 14ª posições, respectivamente. A dupla da Red Bull, Sebastian Vettel e Mark Webber, ficaram em oitavo e nono lugares, às voltas com problemas de motor.

- Quem pode, sim, brigar forte pela vitória é Kimi Raikkonen. O finlandês sempre anda bem em Spa e o sexto lugar não foi de todo um mau resultado, olhando quem está na frente. Meu palpite é que ele e Barrichello brigam pelo primeiro lugar.

- Mas como Spa é Spa, é bom não descartar Lewis Hamilton, por exemplo. Basta lembrar de Michael Schumacher, vencedor na Bélgica em 1995 saindo da 16ª posição.

- De resto, a destacar o mau resultado também de Fernando Alonso, 13º, e mais uma ridícula participação de Luca Badoer. Último colocado, precisava de 1.2s no final do treino para passar ao Q2. Não conseguiu e ainda rodou e bateu. Vai dividir a última fila com Romain Grosjean, cuja performance na Renault não se mostra nada diferente do que já fazia Nelsinho Piquet.

- Acredito que a Force India marca seus primeiros pontos amanhã, mas o pódio deve ser um sonho distante. No entanto, se chover ou garoar… a corrida vira uma loteria. E que promete ser uma das melhores da temporada. Amanhã, vale a pena acordar cedo.

Grid de largada: GP da Bélgica 2009

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Um momento angustiante

Há duas semanas, quando preparei aquele Quiz do Capelli, lembrei de um fato envolvendo o atropelamento de um mecânico da equipe Arrows por um carro da própria equipe. Dentre todas as respostas do quiz, foi uma das menos acertadas e que gerou alguns e-mails de leitores questionando sobre o acidente. Assim, tive a ideia para este post.

Foi um momento absolutamente angustiante. Não só pelo fato em si, mas também por todo o contexto no qual esteve envolvido. Assim como no GP de San Marino de 1994, quando uma sucessão de fatos trágicos aparentemente não relacionados aconteceu de forma inacreditável, uma aura negativa cobria aquele final de semana em Zolder, no GP da Bélgica de 1981.

Durante o treino de classificação de sexta-feira, Carlos Reutemann, da Williams, havia atropelado um mecânico da eqiupe Osella, Giovanni Amadeo. O pit lane de Zolder era demasiado apertado e mais hora menos hora, algo assim viria a acontecer. No final da sessão, Amadeo atravessou o pit lane sem perceber a presença de Reutemann, que entrava rápido, mas dentro dos limites de velocidade regulamentares. O mecânico foi atingido por um dos pneus traseiros da Williams, sendo que Reutemann nem percebeu o que havia acontecido. Há inclusive relatos de que o mecânico teria escorregado e caído por sobre o carro que passava, o que explicaria o estranho acidente. Com traumatismo craniano severo, Amadeo foi levado ao hospital em estado grave.

Todo o sábado transcorreu com uma aura ruim e com a informação de que o mecânico estava em coma profundo. Na madrugada de domingo, chega a notícia do diagnóstico de morte cerebral. A Fórmula 1 ficou de luto.

Minutos antes do começo da corrida, mecânicos de diversas equipes resolvem fazer um protesto em frente ao grid de largada, exigindo mais segurança nos pit lanes. Alguns pilotos juntam-se ao movimento, entre eles Gilles Villeneuve, Didier Pironi e Jacques Laffite. Outros ficam batendo boca com os mecânicos, exigindo liberação da pista para que a prova possa iniciar.

Nisso, a direção de prova autoriza o início da volta de apresentação, mesmo com vários pilotos fora de seus carros. O cenário é de caos, mas os carros partem sem maiores incidentes. O problema é que, ao alinhar seu carro para a largada, Nelson Piquet erra a sua posição. A direção de prova permite que ele parta para uma segunda volta de apresentação, enquanto todos os outros carros ficam esperando no grid.

Quando Piquet finalmente alinha, a largada é autorizada. Mas o motor da Arrows de Riccardo Patrese não aguenta um minuto e meio em ponto morto e apaga. Parado no grid, o italiano começa a agitar os braços, e eis que um mecânico seu, Dave Luckett, invade a pista para acionar seu motor novamente.

E aí começam momentos de agonia. Imagine um carro parado no grid, correndo o risco de ser atingido por alguém que vem mais veloz atrás. Agora imagine este carro parado com um mecânico atrás. O provável acontece: outro carro vem e atinge a Arrows de Patrese em cheio, com Luckett no meio. Ironicamente, a outra Arrows inscrita para a prova, do italiano (sim, italiano!) Siegfried Stohr.

A cena é chocante: o mecânico está estirado no chão, desmaiado e com as pernas fora de esquadro. Todos temem pelo pior. E Stohr é o próprio retrato do desespero. Tenta sair do carro, tropeça, quase cai, leva as mãos à cabeça e gesticula sem parar, como que dizendo: “o que eu fiz? o que eu fiz?”.

Passado o susto, Luckett é atendido e seu estado, felizmente, não é grave. Ele tem fraturas nas pernas, mas não corre risco de vida. Assim, a corrida reinicia normalmente, mas sem as duas Arrows. Foi apenas um grande susto, causado por absoluta incompetência da organização da prova, que conseguiu fazer uma besteira atrás da outra.

As marcas do acidente, no entanto, não se apagaram para Siegfried Stohr. Mesmo sendo um psicólogo formado, o italiano não reagiu bem ao fato de quase ter matado um mecânico da própria equipe. Perdeu a velocidade que tinha e nunca mais competiu em bom nível. Nos treinos para o GP da Itália, sofreu um acidente e optou por abandonar as pistas definitivamente. E Luckett, felizmente, vive sem sequelas daquele dramático acidente.

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Alonso espetacular

O Renato Rolim encontrou no Youtube este vídeo da TeleCinco, televisão espanhola, mostrando a íntegra da última volta do GP da Bélgica, de carona com Fernando Alonso.

O piloto saiu dos boxes com pneus intermediários e saiu à caça de seus adversários com pneus de pista seca. Alonso ultrapassou quatro carros na pista e ganhou cinco posições.


Além de talentoso, inteligente por não se afobar e tentar uma ultrapassagem sob bandeira amarela. O ganho de duas posições na bus stop é daquelas manobras para entrarem para a história.
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Ultrapassando as palavras: "O Caso Hamilton"

Há alguns anos troco opiniões e acompanho com atenção os comentários do Mário, um amigo do Fórum Downforce que é dos sujeitos que conheço que mais entende dos regulamentos, tanto esportivos quanto técnicos, da Fórmula 1.

Há algumas semanas, fiz a ele um convite para que dividisse um pouco de seus conhecimentos e opiniões neste blog, principalmente para ajudar a esclarecer situações envolvendo novidades técnicas e polêmicas desportivas. E eis que, no primeiro final de semana de corrida depois do convite, surge a controversa punição a Lewis Hamilton. Era o que precisava para que o Mário estreasse sua coluna, a “Ultrapassando as palavras”. O bacana é que ele tem uma opinião contrária a minha, o que abre o espaço a um bem embasado contraponto.

Com vocês… a estréia do Mário, o Arnaldo Cezar Coelho do Blog do Capelli!


O CASO HAMILTON

Dos protocolos sociais
Meu nome é Mário, aquele que te faz lembrar que a piada não tem mais graça nenhuma (teve alguma vez?), tenho 24 anos (assim fica difícil me defender), trabalho na área administrativa, sou músico amador e agora sou colunista amador também, graças ao convite do Capelli, a quem agradeço. Sou só mais um cara comum que vai trazer algumas idéias pra discussão neste espaço. Se você conhece o Fórum Downforce, possivelmente já viu algum post do forista Sonic por lá. Sou eu mesmo. Nickname irônico, mas nem foi intencional.

Das motivações e propósitos
Não raramente alguns acontecimentos mais complexos das corridas são debatidos superficialmente e a informação chega de forma parcial ou então sem abordar o ponto central. Há alguns anos tenho o hábito de consultar as regras das categorias para entendê-las melhor e agora vou trazer meus pontos de vista para serem debatidos aqui também, sempre que possível usando uma base documentada de informação como argumentação.

Do fato
Hamilton foi punido com +25s por cortar chicane pra cima do Raikkonen e ficou com o terceiro lugar, depois de cruzar a linha em primeiro, erguer troféu e dar entrevista coletiva com palavras de vencedor. Antes que minha conclusão seja rotulada como coisa de torcedor do Raikkonen, vou facilitar as coisas pra vocês: eu sou torcedor do Raikkonen. Entretanto, o que interessa aqui é entender o que aconteceu. Vamos lá?

Do enquadramento
O diretor de prova informou os comissários sobre o incidente Hamilton x Raikkonen. Depois de conversarem com os envolvidos, chegaram a esta conclusão:

http://www.fia.com/belgiumgp/documents/BEL_08_Document_49.pdf

Fato: Hamilton cortou a chicane e obteve vantagem.
Regras quebradas: artigo 30.3 (a) do Regulamento Esportivo e Artigo 2 (g) do Capítulo 4 do Código Esportivo Internacional.
Penalidade: Drive-through (16.3.a do Reg. Esp.) convertido para +25s no tempo da prova por ter acontecido nas 5 voltas finais.

Das análises e decisões
Diz o Regulamento Esportivo da F1:

30) GENERAL SAFETY
(…)
30.3 a) During practice and the race, drivers may use only the track and must at all times observe the provisions of the Code relating to driving behaviour on circuits.

O único caminho permitido é pela pista e a conduta dos pilotos deve ser de acordo com o Código Esportivo, que não é um regulamento específico da F1. Este documento diz:

CHAPTER IV – CODE OF DRIVING CONDUCT ON CIRCUITS
(…)
2. Overtaking
(…)
c) Curves, as well as the approach and exit zones thereof, may be negotiated by the drivers in any way they wish, within the limits of the track. (…) However, manoeuvres liable to hinder other drivers such as (…)deliberate crowding of cars towards the inside or the outside of the curve or any other abnormal change of direction, are strictly prohibited and shall be penalised,(…)
g) The race track alone shall be used by the drivers during the race.

O código de conduta diz que, em situações de ultrapassagem, os limites da pista devem ser respeitados e que manobras anormais contra outros pilotos devem ser punidas. O relatório cita apenas o item G, mas na minha pesquisa eu considerei também o item C pela “mudança anormal de direção” que Hamilton executou deliberadamente ao virar para a esquerda e cruzar a área de escape, ao invés de continuar ao lado de Raikkonen, mesmo que por sobre a zebra.

Agora você provavelmente está se perguntando: e a história de ceder a posição e todas as outras coisas que aprendemos durante anos na TV? Eu lhes digo que nas regras não há nenhuma menção quanto a este procedimento e como ele deve ser executado, portanto deve ser uma “boa prática” informal para descaracterizar a vantagem obtida, o que já pudemos observar em diversas ocasiões.

Então como dizer se Hamilton é culpado ou não?

A definição de “incidente” do Regulamento Esportivo é a seguinte:

16) INCIDENTS
16.1 “Incident” means any occurrence or series of occurrences involving one or more drivers, or any action by any driver, which is reported to the stewards by the race director (or noted by the stewards and referred to the race director for investigation)(…)

Um incidente não é necessariamente um fato isolado, mas também uma série de ocorrências. Assim sendo, o incidente não se resume ao corte da chicane, mas se estende com os fatos seguintes: Hamilton cede a posição e, ainda com a vantagem obtida por ter feito um traçado mais curto por fora da pista (não precisa ser mestre em geometria pra entender isso), ataca Raikkonen novamente. Portanto, a “boa prática” que mencionei não foi observada e Hamilton não teve como escapar da punição…

16.2 a) It shall be at the discretion of the stewards to decide, upon a report or a request by the race director, if a driver or drivers involved in an incident shall be penalised.

…que é da alçada dos comissários somente.

16.3 The stewards may impose any one of three penalties on any driver involved in an Incident :
a) A drive-through penalty. The driver must enter the pit lane and re-join the race without stopping ;
(…)
However, should either of the penalties under a) (…) above be imposed during the last five laps, or after the end of a race, (…) 25 seconds will be added to the elapsed race time of the driver concerned.

A punição foi a mais branda das previstas no regulamento e, por ter ocorrido após a corrida, foi convertida numa punição de 25 segundos.

Da liberdade de choro
Nem é livre:

17) PROTESTS
17.1 Protests shall be made in accordance with the Code and accompanied by a fee of €2000.

Dois mil euros. Aí a gente começa a conversar. É claro que isto não foi empecilho:

http://www.fia.com/belgiumgp/documents/BEL_08_Document_52.pdf

A McLaren já recorreu e haverá julgamento.

Entendeu ou quer que eu desenhe?
Provavelmente você já ouviu ou leu essa frase em algum lugar – espero que numa situação descontraída. A cada coluna vou trazer nessa seção final um resumo com um desenho ou frases curtas. Primeiro, porque eu tendo a ser prolixo. Segundo, porque provavelmente a sua namorada, esposa ou chefe não devem ficar muito felizes de vê-lo concentrado num texto e, quando indagado, você diz que está lendo uma coluna sobre o artigo 30.3 do regulamento esportivo da Fórmula 1… Bom, sem mais delongas:

- Hamilton se envolveu num incidente que se estendeu da Bus Stop até a La Source, obtendo vantagem ao não respeitar de forma deliberada os limites da pista.
- Isto é contra as regras.
- A punição observou todas as regras relacionadas.
- A McLaren protestou e ainda haverá julgamento.

É isso. Espero ter esclarecido pra vocês aquilo que a-manchete-nossa-de-cada-dia não vai esclarecer.

Um abraço!

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Charge do Mantovani: GP da Bélgica

Como sempre, Bruno Mantovani matou a pau, com sua visão irônica sobre os acontecimentos em Spa-Francorchamps.

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Duelo Raikkonen x Hamilton

Na íntegra, as últimas três voltas da corrida, com o fantástico duelo entre Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton. Logo no começo, o polêmico corte de chicane que tirou a vitória do inglês no tapetão.

Se ainda não viu, aproveite. Fim de corrida histórico.

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14 anos depois, a história se repete


Spa-Francorchamps, 28 de agosto de 1994. Michael Schumacher chega em primeiro no GP da Bélgica, conquistando sua oitava vitória em 11 corridas e encaminhando seu primeiro título mundial. Mesmo sabendo que precisaria cumprir duas provas de suspensão por ter ignorado uma bandeira preta em Silverstone, a vantagem de 35 pontos que tinha sobre Damon Hill, segundo colocado na prova, era segura o suficiente para que ele voltasse para as últimas três corridas do ano com 15 pontos à frente, ainda que seu adversário vencesse na Itália e em Portugal. E poderia até viver o inusitado de ser campeão sem estar na pista, caso o inglês não conseguisse marcar mais que cinco pontos nas duas etapas.

Schumacher salta no pódio, sorri e comemora. Sai dele, vai para a coletiva, volta para o motorhome relaxado. Até que, minutos depois, um baque. Os comissários identificam que a prancha de madeira sob sua Benetton – novidade do regulamento introduzida 30 dias antes, em Hockenheim – estava com um desgaste de 1mm acima do permitido. Um milímetro. Resultado: desclassificação.

Nos boxes da Williams, comemoração. Damon Hill foi declarado vencedor da prova e viu, numa canetada, a diferença de Schumacher despencar de 35 para 21 pontos. O alemão não mais poderia ser campeão durante suas férias forçadas e mais: poderia voltar com apenas um ponto de vantagem em caso de dupla vitória do inglês. O que, de fato, terminou ocorrendo e culminou na infame decisão num acidente em Adelaide.

A decisão foi controversa, já que a Benetton tinha uma justificativa bastante plausível. Na volta 19, o alemão perdera o controle do carro e o deixara rodar, raspando a prancha de madeira por sobre a zebra. O incidente explicaria o desgaste, causado pelo imprevisto e não por uma regulagem que tivesse deixado o carro propositalmente mais baixo.

Os comissários foram rígidos e confirmaram a polêmica desclassificação de Schumacher, tal qual no caso da punição a Lewis Hamilton hoje, no mesmo GP da Bélgica. Quando Marx disse que “a história se repete como farsa”, não imaginava que o dito, um dia, poderia se espelhar numa corrida de automóveis.

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Reviravolta em Spa: Massa vence


Contrariando minhas previsões, os comissários do GP da Bélgica puniram Lewis Hamilton por ter cortado a chicane Bus Stop na tentativa de ultrapassagem sobre Kimi Raikkonen. Assim, o inglês perdeu 25s no resultado final, caindo do primeiro para o terceiro lugar. A vitória cai no colo de Felipe Massa, com Nick Heidfeld em segundo.

O caso é polêmico. Lewis cortou a chicane, é verdade. Mas reduziu, deixou Kimi Raikkonen voltar à frente e só então tentou nova ultrapassagem. Também é verdade que o inglês obteve certa vantagem, pois estava com bem mais tração na tomada para a La Source e, assim, consolidou a ultrapassagem sobre o finlandês.

Me parece que a decisão é um tanto subjetiva. Objetivamente falando, um piloto que corta uma chicane e ganha tempo com isso deve receber um drive-through ou, caso dois terços da corrida já tenham sido percorridos, um acréscimo de 25s no tempo final. Porém, costuma-se relevar quando o piloto devolve a posição numa situação de ultrapassagem. No caso de hoje em Spa, Lewis devolveu a posição. Porém, na visão dos comissários – e aí é que entra a subjetividade – mesmo com a devolução, o inglês ganhou tempo. Então, punição.

Eu não puniria, mas acho os argumentos dos comissários consistentes. Não misturaria aí ilações de favorecimentos à Ferrari ou de prejuízo deliberado à McLaren. Com o novo resultado da corrida, Felipe Massa fica a apenas dois pontos de Lewis Hamilton e tem grandes possibilidades de liderar o campeonato em Monza, domingo que vem.

Mas, convenhamos, uma vitória assim não tem graça nenhuma.

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Ferrari errou na estratégia?

Me perguntam se a Ferrari não errou na estratégia mais uma vez. O argumento é que, caso Felipe Massa tivesse trocado de pneus na última volta, poderia ter ultrapassado Lewis Hamilton e vencido a corrida.

De fato, pela recuperação de Nick Heidfeld e Fernando Alonso, que colocaram pneus de chuva, a impressão que passa é a de que Felipe realmente poderia ter vencido. Porém, não dá para creditar a permanência do brasileiro na pista como um erro da equipe.

Foi uma situação na qual só poderia arriscar quem não tinha nada a perder. No caso, Heidfeld e Alonso. Na abertura da última volta, não havia como saber se a troca daria vantagem suficiente para arriscar o segundo lugar para tentar a vitória. Assim, a Ferrari optou por, conservadoramente, manter Felipe na pista. Acho que a equipe fez o certo.

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Vitória 200 da Grã-Bretanha


O triunfo de Lewis Hamilton hoje, além de emocionante, foi histórico para o automobilismo britânico. Foi a vitória de número 200 do país na Fórmula 1, a primeira vez que uma nação atinge tal número na categoria.

Para se ter uma idéia da expressão da marca da Grã-Bretanha, o segundo país com mais conquistas na Fórmula 1 é a Alemanha, com 103. O Brasil é o terceiro, com 97.

Confira abaixo os 19 britânicos que, juntos, compuseram a marca de 200 vitórias.

Vencedores britânicos na F1
Nigel Mansell – 31 vitórias
Jackie Stewart – 27
Jim Clark – 25
Damon Hill – 22
Stirling Moss – 16
Graham Hill – 14
David Coulthard – 13
James Hunt – 10
Lewis Hamilton – 9
10º Tony Brooks – 6
        John Surtees – 6
12º John Watson – 5
13º Eddie Irvine – 4
14º Mike Hawthorn – 3
        Peter Collins – 3
        Johnny Herbert – 3
17º Innes Ireland – 1
        Peter Gethin – 1
        Jenson Button – 1

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Positivo e Negativo – Bélgica

Positivo: Kimi Raikkonen. Saiu da pista sem pontos e foi o maior derrotado do GP da Bélgica, mas deu um show e voltou a exibir a velha forma. Lutou até o último minuto e só parou no muro. Valeu pela garra.

Negativo: Heikki Kovalainen. Pelo carro que tem, pódio hoje seria obrigação. Errou na largada, perdeu diversas posições, até iniciou uma reação fazendo belas ultrapassagens, mas afobou-se ao colidir imprudentemente com Mark Webber. Levou um drive-through e desapareceu. Apareceu lento na última volta, não sei se por acidente ou quebra mecânica. De toda forma, decepcionante.

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Rapidinhas – GP da Bélgica


- Corrida sensacional, característica de Spa-Francorchamps. Pista úmida no começo, pista molhada no final, últimas voltas imprevisíveis e reviravoltas em uma das chegadas mais emocionantes da história da Fórmula 1.

- Vitória de Lewis Hamilton, com Felipe Massa em segundo e Nick Heidfeld em terceiro. O resultado parece natural, não retrata a forma como se consolidou.

- Lewis, apesar de vencedor, não foi o grande nome da corrida. Kimi Raikkonen foi brilhante, saltando de quarto para primeiro em uma volta e meia, aproveitando-se da rodada do inglês na abertura da segunda volta. Dominou toda a prova mesmo sem o melhor carro e venceria com autoridade e brilhantismo, não fossem algumas gotas de chuva nas voltas finais.

- Chuva que mudou completamente o panorama da corrida. Lewis aproximou-se, tentou a ultrapassagem, ambos tocaram rodas e depois saíram dançando nas curvas escorregadias. Os dois erraram e trocaram de posições ainda mais uma vez, até que Kimi cometeu o erro capital de buscar novamente a liderança a qualquer custo. Rodou novamente e foi parar na parede, dando adeus ao campeonato.

- Não faltou coragem a Kimi, é impressionante como o finlandês parece ter um interruptor na cabeça. Passa boa parte do campeonato sonolento e discreto, mas quando acorda, sai de baixo. Fez uma corridaça, quiçá a melhor de sua carreira. Partiu para o tudo ou nada no final, já que o segundo lugar de pouco lhe valia. Ficou sem nada, paciência. Agora, 23 pontos atrás de Lewis no campeonato, pode voltar a dormir sem culpa e preocupar-se apenas com 2009.

- É lógico que Hamilton tem méritos pela vitória, até porque também teve coragem de atacar nas voltas finais no piso ensaboado. Mas errou ao rodar logo no começo, o que teria custado bastante caro não fosse a chuva no final. O inglês tem talento, sorte e juízo. Com cinco vitórias, arranca para a fase decisiva do campeonato com oito pontos de vantagem.

- A Ferrari protestou contra a atitude de Hamilton, que cortou uma chicane, “meio que devolveu” a posição a Kimi e atacou novamente para ultrapassar na curva seguinte. Creio que dará em nada, já que a manobra não mudou o resultado da corrida. Caso Kimi tivesse sido segundo, aí sim. Como o finlandês errou e bateu, Lewis teria vencido de toda forma. Logo… não acredito em punição à McLaren.

- Felipe Massa foi discreto o tempo todo, marcou oito pontos importantes e sai de Spa com uma “estranha sensação” de vitória, apesar de ter ficado atrás de Lewis. A primeira batalha, a da primazia na Ferrari, está vencida. De forma injusta até, já que Kimi foi o grande nome da prova, mas nem sempre a vida é justa e a frieza dos números, com diferença de 15 pontos a favor do brasileiro, é suficiente para que a equipe coloque, a partir de Monza, todas as fichas em Felipe Massa.

- Lamentei muito por Sebastien Bourdais, que fez grande corrida e encaminhava um merecido pódio, mas que perdeu posições na última volta para quem arriscou colocar pneus de chuva. Méritos para Nick Heidfeld, com três ultrapassagens nas últimas curvas e um ótimo terceiro lugar. O francês, pelo menos, garantiu dois pontos com a sétima posição.

- Fernando Alonso também arriscou ao trocar pneus e terminou em quarto. Pelos meus cálculos, teria terminado em quarto de todo o jeito. Mas pelo menos tentou.

- Sebastian Vettel, em quinto, marcou mais quatro pontos para a Toro Rosso, que já ultrapassou a Honda nos construtores e empatou com a Williams. A continuar assim, deve chegar na frente da Red Bull no fim do ano.

- Robert Kubica, que fez corrida apagada e terminou em sexto, assumiu a terceira posição do campeonato “sem querer”, com o acidente de Kimi. O polonês agora tem 58 pontos, contra 57 do piloto da Ferrari.

- Os demais brasileiros não fizeram nada muito digno de nota. Nelsinho Piquet bateu e abandonou logo no começo, Rubens Barrichello teve problemas de câmbio e abandonou com 20 voltas.

- Mundial de pilotos: Lewis 80, Felipe 72, Kubica 58, Kimi 57. A diferença de oito pontos é considerável e, caso não sofra nenhuma quebra ou acidente, o piloto da McLaren poderá administrá-la até o fim. Felipe precisaria vencer tudo até o fim do ano para ser campeão, caso o inglês chegue sempre em segundo. Improvável.

- Nos construtores, a McLaren desconta mais dois pontinhos: 129 a 123 para a Ferrari. Briga imprevisível.

- Domingo que vem, duelo em Monza. No ano passado, a McLaren deu um chocolate nos italianos. Repetirá a dose? A julgar pelos testes realizados no circuito italiano semana passada, não. A briga será dura e uma vitória de Felipe diante dos tifosi, conjugada por um mau resultado do inglês, pode dar novo ânimo ao campeonato. Caso Hamilton abra vantagem por lá… aí o título estará encaminhado.

- Conclusão do final de semana: com Kimi fora, teremos um novo campeão em 2008.

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