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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Positivo e Negativo – Espanha
Positivo: Lewis Hamilton. Depois de duas corridas muito ruins, andou muito bem na Espanha e voltou a ser o piloto de ponta da temporada passada.
Negativo: Nelsinho Piquet. Embora tenha feito bons treinos na sexta e tenha conseguido sua melhor posição no grid, jogou tudo por terra com uma corrida desastrosa.
Tags: GP da Espanha
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Acidente de Kovalainen
Impressionantes as imagens do vídeo da pancada de Heikki Kovalainen hoje, em Montmeló.
O modo como o carro saiu reto e ficou soterrado sob os pneus, me lembrou outros dois acidentes em particular. Luciano Burti em Spa 2001 e Lewis Hamilton em Nürburgring, no ano passado.
Rapidinhas – GP da Espanha

- Em corrida monótona, como de hábito na Espanha, Raikkonen venceu com tranqüilidade. Largou na frente, era o mais rápido da pista e não sofreu qualquer ameaça o tempo inteiro. A Ferrari sobra em 2008.
- Felipe também não teve muitas dificuldades pra chegar em segundo, muito por sua ótima largada, ultrapassando Alonso. Tivesse contornado a primeira curva em terceiro, teria a vida complicada.
- Lewis Hamilton, o terceiro, também fez uma ótima largada, saltando à frente de Kubica. Com isso, praticamente garantiu o terceiro posto desde o começo, já que todos sabiam que Alonso não tardaria a parar nos boxes.
- A McLaren mostrou hoje que, em ritmo de corrida, está junto da BMW como segunda melhor equipe. Mas a Ferrari não sofre ameaça nenhuma.
- Assustador o acidente de Heikki Kovalainen, passando reto em alta velocidade depois de ter um pneu furado e ficando soterrado na barreira de pneus. Preocupante também a demora no resgate, que levou quatro minutos para conseguir içar o carro do local. Tivesse Kovalainen sofrido uma parada respiratória ou o carro sido incendiado, tal demora poderia ter sido fatal. Felizmente, nada de grave aconteceu. apesar da desaceleração foi violenta.
- Fernando Alonso fez o que pôde para agradar a torcida. Certamente, chegaria em quinto lugar, mas teve seu motor quebrado.
- Nelsinho Piquet foi uma decepção. Manteve a décima posição na largada, mas saiu da pista sozinho na quinta volta, caindo para 18º. Duas voltas depois, tocou rodas com Sebastien Bourdais, saiu da pista e abandonou. Já são quatro corridas e o brasileiro continua devendo.
- Rubens Barrichello, discreto, chegaria nos pontos não tivesse se tocado com Giancarlo Fisichella dentro do pit lane após seu primeiro pit stop. Uma manobra totalmente desnecessária, mas as imagens da TV não foram claras e não foi possível concluir quem forçou para cima de quem. De qualquer forma, bater no pit lane não é digno de dois dos mais experientes pilotos do grid. Jenson Button, companheiro de Barrichello na Honda, garantiu os primeiros três pontos da equipe com um ótimo sexto lugar. O brasileiro segue zerado, num jejum que já dura um ano e meio.
- Mas não são só os experientes que fazem bobagem. Sebastian Vettel anda abusando da sorte, tendo abandonado três das quatro corridas da temporada até aqui em acidentes na primeira volta. Adrian Sutil, que provocou toda a confusão, também é outro que está devendo.
- Kazuki Nakajima colocou a cabeça no lugar e fez uma corrida focada, marcando mais dois pontos para a Williams.
- Montmeló expõe, como nenhum outro traçado, a fragilidade do regulamento técnico atual da Fórmula 1. Uma corrida praticamente sem ultrapassagens e com duas imagens emblemáticas. Nick Heidfeld, de BMW, sofrendo para ultrapassar Fisichella, de Force India. Só conseguiu quando o italiano errou na entrada da reta. E David Coulthard, que era de dois a três segundos mais rápido que a Super Aguri de Takuma Sato por volta, tendo imensas dificuldades para superar o adversário. Que venham os slicks!
- Nos campeonatos, corrida para a Ferrari disparar. Entre os pilotos, Kimi abriu confortável vantagem de nove pontos para Hamilton. Felipe é o quarto, 11 pontos atrás. Entre os construtores, a Ferrari ultrapassou a BMW e já colocou logo 12 pontos de frente. Salvo alguma surpresa, será a tônica até o final da temporada.

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Rapidinhas da classificação – Espanha
- Num treino mais disputado do que se imaginava para Montmeló, Kimi Raikkonen saiu com a pole position. Surpresa, mesmo, foi o segundo lugar de Fernando Alonso.
- É muito provável que o espanhol tenha jogado para a torcida e esteja com um carro muito leve, preparado para um primeiro pit stop logo a 10 ou 12 voltas. Mesmo assim, foi um feito. É muito bom voltar a ver Alonso andando na ponta.
- Felipe Massa sai em terceiro, com grandes chances de ver sua corrida complicada por seu desafeto da Renault. Provavelmente o brasileiro tem um pouco mais de combustível, beneficiado que deve ser na estratégia por ter sido mais rápido que Raikkonen na Q2. A perda da pole até já devia ser esperada, mas Felipe certamente contava em seguir o companheiro de perto até o momento do primeiro pit stop, para então dar uma ou duas voltas rápidas e ganhar a posição nos boxes. Com Alonso entre eles, a tarefa fica bem mais difícil. Ou Massa se livra dele logo nas duas primeiras voltas, ou perde qualquer chance de vitória.
- McLaren irreconhecível. Hamilton em quinto, Kovalainen em sexto. Ao que parece, a BMW já virou segunda força. Na corrida, teremos certeza.
- Bom treino de Nelsinho Piquet, pela primeira vez classificado entre os dez primeiros. Se bobear, tem uma estratégia de combustível melhor que a de Alonso e, se andar num ritmo tão próximo do espanhol como fez nos treinos, pode até chegar na frente do companheiro bicampeão.
- Rubens Barrichello também foi uma boa surpresa na classificação, marcando um 11º posto que, como ele próprio admitiu, é melhor do que qualquer previsão mais otimista da Honda. Pode voltar a marcar pontos, quem sabe? Seria um belo prêmio na corrida escolhida para comemorar o recorde de GPs disputados, numa conta “Romariana”, como bem definiu Flavio Gomes.
- A surpresa negativa foi a Williams, que fez o 12º tempo com Nakajima e o 15º para Rosberg. O japonês conseguiu sua melhor posição no grid até hoje, mas o filho do Keke andou muito mal. Freqüentador habitual da superpole, dessa vez passou longe.
- David Coulthard precisa se aposentar. Mais uma vez, caiu na primeira degola. Mais uma vez, viu seu companheiro Webber na superpole, com um ótimo sétimo lugar. Vettel na Red Bull, já.
- Davidson e Sato dividem a última fila naquela que deve ser a última corrida da Super Aguri. Uma pena.
- Palpite para amanhã: Dá Raikkonen, com Massa em segundo e Kubica em terceiro.

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Causos da Espanha: a estréia de Montmeló

Raramente, desde os anos 90, a Espanha é palco de uma grande corrida de Fórmula 1. Além de ser utilizado para testes das equipes durante toda a pré-temporada, o circuito de Montmeló praticamente não possui pontos de ultrapassagem. O resultado? Provas monótonas e previsíveis, com raros lances de emoção.
Mas nem sempre foi assim. Na estréia do circuito catalão, em 1991, a exibição foi de gala. Uma corrida que podia decidir o título, movimentada e cheia de alternativas. E, de quebra, com lances antológicos.
O GP da Espanha daquele ano era a antepenúltima prova do campeonato, disputada em setembro. Nigel Mansell e Ayrton Senna brigavam pelo título, com grande vantagem para o brasileiro. Com 24 pontos atrás na tabela, um simples abandono de Mansell definiria o campeonato a favor do piloto da McLaren. O inglês não poderia, também, chegar abaixo do terceiro lugar. E, se fosse segundo, Senna teria de chegar abaixo do quarto posto para que o título continuasse em aberto. Em resumo: para o Leão, era vencer ou vencer.
Nos treinos, Gerhard Berger marcou a pole position. Mansell foi o segundo e Senna, o terceiro. A estratégia da McLaren para a corrida era deixar Berger fazer as vezes de coelho, disparando na ponta, enquanto Senna, largando do lado limpo da pista, tentaria pular na frente de Mansell e segurar o ritmo. O inglês sempre foi instável psicologicamente e o time de Ron Dennis jogava com isso. A intenção era deixar o adversário nervoso ao perceber Berger desgarrando na frente e forçá-lo a um erro. Conhecendo Mansell, era um cenário bem provável.

Chega o dia da corrida e uma fina garoa cobre o Circuito da Catalunha desde cedo. Na hora da largada, a pista permanece úmida, fazendo com que todos saiam com pneus de chuva. Ao acender das luzes verdes, tudo ocorre tal qual o script da McLaren. Berger pula na ponta e Senna arranca muito bem, tomando o segundo lugar de Mansell. Melhor ainda: algumas curvas depois, o atrevido Michael Schumacher, em apenas sua quarta corrida de Fórmula 1, não toma conhecimento da Williams do Leão e o ultrapassa também, assumindo o terceiro posto.
Mas Nigel Mansell estava inspirado, mesmo com um tornozelo machucado depois de uma partida de futebol na sexta-feira. Manteve a calma, ficou mais uma volta atrás de Schumacher e recuperou a posição logo depois. Enquanto Senna segurava o ritmo e permitia que Berger abrisse oito segundos na frente, o inglês foi à caça. Na abertura da quinta volta, uma cena que se tornou antológica. Mansell entra na reta embutido na McLaren de Senna e tira para o lado interno para tentar a ultrapassagem. Os dois descem a reta de quase 1km do circuito lado a lado, praticamente tocando rodas, até que, na freada, o inglês leva vantagem e assume a segunda posição.

Porém, o belo lance não foi decisivo para história da corrida. Cinco voltas depois, Senna e Mansell param juntos para colocar pneus slick. A McLaren trabalhou melhor, devolvendo o brasileiro à pista na frente do inglês. As posições estavam novamente invertidas.
Berger também já havia parado e caiu para segundo, entre Senna e Mansell. Mas a McLaren preferiu não modificar sua estratégia e, na passagem seguinte, o brasileiro fez sinal no meio da reta e permitiu a ultrapassagem do companheiro, como que dizendo: “vai, coelho!”.
Ayrton voltou a segurar Mansell, mas sua autosuficiência nem sempre era suficiente. Na última curva do traçado, escapou na pista molhada e ficou atravessado na área de escape. Conseguiu retornar à prova, mas encheu a pista de brita e já havia caído para a sétima posição, perdendo qualquer chance de voltar a brigar pela ponta. Seu objetivo, a partir de então, era chegar em quarto lugar, contando com uma vitória de Berger para garantir o tricampeonato mundial.

Mas Mansell não estava deixando barato e partiu para um novo ataque sobre uma McLaren, agora para assumir a liderança. A diferença, que era de apenas quatro segundos, foi caindo rapidamente. Na volta 17, o inglês coloca por dentro na curva 4, escorrega de lado, faz Berger escorregar também e consuma uma linda ultrapassagem, com os dois carros derrapando na pista ainda úmida. Schumacher tentou tirar proveito para roubar o segundo lugar do austríaco, mas perdeu o controle de sua Benetton e acabou atolado na lama.
Restavam 48 voltas para o fim e a McLaren ainda contava com uma reação de Berger, mas seu carro foi perdendo rendimento até o austríaco encostar nos boxes, com pane elétrica. O sonho do tri de Senna ficava adiado.
Dali para a frente, Nigel Mansell passou a controlar a diferença para a Ferrari de Alain Prost, que herdara o segundo posto depois do abandono de Berger e dos erros de Senna e Schumacher. Lá atrás, Senna era o terceiro e se degladiava com Riccardo Patrese e Jean Alesi, mas cedeu as duas ultrapassagens, cautela um tanto incomum em sua carreira. O brasileiro preferiu não arriscar e garantir alguns pontos, pois sabia que, qualquer que fossem, tornariam sua situação muito cômoda para ser campeão no Japão.

Depois de 65 voltas, Mansell recebe a bandeira quadriculada em primeiro lugar, numa das mais difíceis vitórias de sua carreira. Com o resultado, adia a decisão do campeonato e mantém-se vivo por pelo menos mais uma corrida. Senna cruza em quinto e passa a depender de apenas mais cinco pontos em duas provas para confirmar o título, sem depender de resultados paralelos.
Em Montmeló, Mansell foi um verdadeiro anti-Mansell, com uma rara exibição de inteligência, sangue frio e autocontrole. Escapou das armadilhas de seus adversários, mas não por muito tempo. Em Suzuka, três semanas depois, a McLaren se utilizou da mesma estratégia do GP da Espanha para bater o inglês. Berger disparou na ponta e Senna ficou em segundo, controlando o ritmo. No desespero em tentar tomar a posição, Mansell afobou-se, rodou sozinho no final da reta e entregou o campeonato para Senna. O Leão voltava a ser o Leão.
Atualização: Há ótimo um resumo da corrida, em português, no Youtube.
Prima rica e prima pobre
O amigo Sonic posta no Fórum Downforce fotos do site Motorsport com todos os motorhomes das equipes para 2008, que estréiam em Montmeló.
Chama a atenção ver o da McLaren, o mais exuberante de todos…

E depois comparar com o da Super Aguri.

Bom, pelo menos a equipe está por lá. Se vai correr, são outros quinhentos.
Mas também chama a atenção a instalação da Force India.

Esse Mallya tem dinheiro pra gastar… Se gastar certo, pode fazer coisa boa.
Para conferir as fotos de todos os motorhomes, clique aqui.
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O Encontro
Muito boa a bola levantada pelo amigo Alex Grunwald. Já consigo até imaginar. Jornal Nacional, véspera do GP da Espanha. Carlos Gil apresenta uma matéria sobre um emocionado encontro nos boxes de Montmeló: Robinho e seu “sósia” na F1, Lewis Hamilton. Um dirá que é fã do outro, trocarão presentes, o repórter gravará um texto cheio de trocadilhos e frases de duplo sentido, perguntará obviedades e reforçará a juventude e o futuro promissor dos dois “craques”.
O pior de tudo é que não é brincadeira. Certamente darão um jeito de levar o Robinho de verdade até Barcelona e promover tal encontro. Alguém duvida?
Gostaria apenas que o Merchan Neves do Pânico estivesse presente, pois assim daria um tapa na cabeça do Hamilton, bradando o bordão “Pedala, Robinho!”. Seria o final que melhor traduziria a natureza da matéria. Uma grande bobagem.
Mais sobre Montjuich 75
O blogueiro Ciro Franklin repassa a dica: um vídeo do Youtube com um resumo do GP da Espanha de 1975.
Uma corrida que tinha tudo para dar errado. E deu.
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GP da Espanha x Bento XVI
Ricardo Perrone publicou hoje em sua coluna “Painel FC”, na Folha de São Paulo (exclusiva para assinantes do UOL):
“O primeiro GP após a vitória de Felipe Massa no Bahrein deverá ficar em segundo plano na Globo. A prova em Barcelona, dia 13, acontece durante a visita ao Brasil do Papa Bento 16. Boa parte da corrida deverá ser exibida numa janela no canto da tela.”
Má notícia, mas faz sentido. Por ser uma concessionária pública, a Globo deve atender aos anseios de sua audiência. Em um país majoritariamente católico, é perfeitamente natural que a maior parte da audiência esteja mais interessada na missa do Papa do que no GP da Espanha. Podiam, pelo menos, negociar com Bernie Ecclestone a exibição ao vivo no Sportv. Mas duvido.
Tags: Globo, GP da Espanha
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