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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: GP da Hungria
Positivo e negativo: Hungria
Positivo: Lewis Hamilton. O campeão do mundo está de volta, com uma vitória segura, madura e indiscutível. Ainda que os rivais não tivessem enfrentado problemas, teria vencido.
Negativo: Sebastien Buemi. Conseguiu chegar em último, atrás do pouco cotado companheiro de equipe Jaime Alguersuari. O novato espanhol, aliás, fez uma corrida honesta. Não foi rápido, como se esperava, mas não fez besteira, andou direitinho e chegou ao fim da corrida.
Rapidinhas – GP da Hungria

Foto: Reprodução/Adrivo.com
- Como de hábito, mais uma procissão sonorífera em Hungaroring. Numa das corridas mais monótonas da temporada, vitória surpreendente de Lewis Hamilton.
- A McLaren confirmou que o desempenho dos treinos livres não era blefe. Hamilton largou bem, manteve um ritmo consistente em toda a prova e certamente teria vencido, mesmo que seus adversários mais diretos não tivessem enfrentado problemas.
- E, se a vitória já era possível, tais problemas a deixaram ainda mais fácil, ajudando a dar o tom aborrecido do GP da Hungria. Mark Webber foi vítima de uma trapalhada da equipe no primeiro pit stop, com um mecânico liberando seu carro antes da hora. Ficou preso, precisou arrancar de novo e ali perdeu a posição para Kimi Raikkonen. Ainda com pneus frios, foi superado por Timo Glock e perdeu totalmente o bonde da corrida. Chegou em terceiro, mas saiu no lucro graças ao péssimo desempenho das Brawn.
- Fernando Alonso não brigaria pela vitória, mas sua presença na frente poderia embaralhar um pouco a luta pela ponta. Mas não durou muito. Largou bem, saltou na frente, mas logo no primeiro pit stop teve um pneu mal fixado. Perdeu calota, perdeu roda e teve de abandonar a corrida.
- E Sebastian Vettel, com quem Alonso dividia a primeira fila, tocou-se com Kimi Raikkonen na largada, perdeu várias posições e ainda ficou com problemas mecânicos. Trocou o bico, o carro continuou instável e precisou abandonar.
- Depois de tudo isso, Hamilton pode andar até com certa tranquilidade, garantindo uma merecida vitória.
- Kimi Raikkonen, segundo, está sendo investigado pelos toques na largada. Pela atitude da direção de prova em investigar o caso depois do fim da corrida, entende-se que dificilmente perderá a posição. Se a infração é entendida pelos comissários como algo que mereça punição no resultado final, o caso é avaliado na hora e punido com stop & go ou drive through. Se não foi nem uma coisa nem outra, Kimi deve tomar no máximo uma multa e uma bronca.
- O segundo lugar de Raikkonen, melhor resultado da Ferrari no ano, é recebido num momento em que a equipe tem pouco a comemorar. Os mecânicos, por sinal, fizeram uma bela homenagem a Felipe Massa antes da largada, posando com uma placa com a inscrição: “Felipe, siamo con te”. Em português, “Felipe, estamos contigo”. Felizmente, o brasileiro passa bem.
- Para os outros brasileiros, provas ruins também. As más posições de largada já não permitiriam sonhar com grandes resultados, principalmente pelas características do traçado de Hungaroring. Nelsinho Piquet saiu em 14º e chegou em 12º. Rubens Barrichello saiu em 12º e chegou em 10º. Em resumo: só ganharam as posições dos abandonos de Alonso e Vettel. Fim de semana para esquecer.
- Mas quem quer esquecer mesmo é a Brawn. A cada corrida, um salto para trás. A equipe contou com a sorte de não ter visto sua diferença para a Red Bull cair ainda mais, graças aos problemas de Vettel e Webber. Mesmo assim, o título está seriamente ameaçado.
- Jenson Button precisou lutar muito para chegar nos pontos. Sétimo colocado, marcou dois. É muito pouco para quem briga pelo título, já que as Red Bull não precisam de esforço para chegar ao pódio. Hoje Webber teve um péssimo dia e foi terceiro. Se não reagir rápido, o canguru passa a ser forte candidato ao título.
- A diferença no Mundial de Pilotos já foi novamente reduzida. Button tem 18,5 pontos de vantagem para Webber. Há três provas, a distância para o segundo, Vettel, era de 32. Caiu praticamente pela metade em pouco tempo, sendo que ainda restam sete provas para o término da temporada.
- Mas as boas corridas de McLaren e Ferrari, hoje, ajudam a Brawn. Se tornam a tarefa de marcar pontos mais difícil para Button e Barrichello, por outro lado também roubam pontos da Red Bull. O fim desta temporada será absolutamente imprevisível.
- Nos construtores, Brawn segue líder, mas com apenas 15,5 pontos de vantagem para a Red Bull. A McLaren, mesmo com a vitória e o quinto de Kovalainen, ganhou apenas uma posição e é a quinta na classificação.
- Curiosidade: a McLaren fez hoje na Hungria 14 pontos, o mesmo número de pontos que tinha feito em toda a temporada até aqui.
- Torcendo, agora, pela recuperação de Felipe Massa. O quadro evolui positivamente, o que são ótimos sinais.

Tags: GP da Hungria
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Objetos voadores

Foto: Reprodução/TV
O insólito acidente de Felipe Massa hoje na Hungria, atingido por uma peça voadora que soltou-se da Brawn de Rubens Barrichello, já teve precedentes na história da Fórmula 1.
No GP da França de 1972, o austríaco Helmut Marko teve sua carreira encerrada por causa de uma pedra, que foi jogada para trás por carros à frente e perfurou sua viseira. Marko perdeu a visão do olho esquerdo e nunca mais voltou a competir.
No Brasil, em 1989, um acidente entre Riccardo Patrese, Ayrton Senna e Gerhard Berger na largada lançou pedaços de carro para todo lado. Uma lasca de carenagem atingiu o espelho retrovisor direito da Williams de Thierry Boutsen, guilhotinando a peça. Ninguém foi atingido.
Em 1995, um incidente no GP da Itália poderia ter sido muito grave. Uma microcâmera que estava instalada no aerofólio traseiro da Ferrari de Jean Alesi soltou-se, voando na direção de Gerhard Berger, que vinha logo atrás. A câmera atingiu a roda da outra Ferrari e provocou o abandono do piloto austríaco, que depois da prova declarou:
“Foi assustador. Eu ia a uns 300km/h e vi aquela coisa vir contra mim. Àquela velocidade eu nem podia desviar. Fechei os olhos e esperei que não batesse no meu capacete, porque senão eu estaria morto”.
Depois da casa arrombada, a tranca: nunca mais uma câmera onboard foi instalada em aerofólios.
Agora, em 2009, acidente semelhante se repete com Felipe Massa, o que poderia ter a mais grave das consequências. A lamentar a infeliz coincidência com o acidente que vitimou Henry Surtees na Fórmula 2, há menos de uma semana. O filho do campeão John Surtees foi atingido na cabeça por um pneu que saltava na pista de Brands Hatch e perdeu a vida. Repito incessantemente: Felipe teve muita sorte.
Rapidinhas da classificação: Hungria

Foto: Reprodução/Adrivo.com
Depois do susto com Felipe Massa, o treino de classificação ficou absolutamente em segundo plano. Mesmo assim, breves pitacos:
- Fernando Alonso foi pole, muito provavelmente com o cheiro da gasolina. Mesmo assim, um feito do espanhol.
- Mais notável do que a pole da Renault, no entanto, foi a pane geral no sistema de cronometragem no final do treino. Foi muito engraçado ver os pilotos descendo o carro e perguntando uns aos outros os tempos de cada um para tentarem descobrir quem era o pole position. Sebastian Vettel, gente boa que só, dava risada sem parar do acontecimento inusitado.
- Depois, Vettel teve mais motivos ainda para sorrir: vai sair em segundo, à frente do companheiro Mark Webber, terceiro.
- Lewis Hamilton provou que a McLaren está muito bem em Hungaroring, confirmando os bons treinos com a quarta posição. Kovalainen sai em sexto.
- Nico Rosberg, piloto que é Dolce e também Gabbana na bem humorada definição de Barbara Gancia, também foi muito bem e sai na quinta posição. Não acho improvável um pódio dele com a Williams. Até porque, se Kazuki Nakajima conseguiu chegar na superpole e vai largar em nono, é porque o carro está bom mesmo.
- Kimi Raikkonen, em mais um treino mezzo mezzo, sai em sétimo com a Ferrari. Felipe Massa ficou com o décimo tempo, mas não corre amanhã.
- Agora com carro igual ao da Red Bull, a Toro Rosso deu um grande salto de qualidade. Sebastien Buemi fez o 11º tempo. Jaime Alguersuari será o último, mas a gente sabe que o problema não é do carro.
- Nelsinho Piquet fez uma volta voadora no final do Q1, conseguindo o quinto tempo. Mas deu tudo errado no Q2, ficou na última posição e vai largar em 15º. Com Alonso na pole e com a relação com Flavio Briatore totalmente azedada, não é de se prever um bom futuro.
- E a Brawn, caros leitores? Impressionante a maré de azar. Sempre faz calor na Hungria. Até ontem, mais de 35 graus. Hoje, na classificação, fez 24. No frio, novamente problemas de aquecimento nos pneus e as piores posições de largada da equipe até aqui. Jenson Button sai apenas em oitavo, contra 13º de Rubens Barrichello.
- Para a corrida, a Red Bull deve levar de barbada, ainda aguardando a divulgação dos pesos de cada carro para confirmar. Um campeonato que parecia 99% nas mãos de Button começa a ficar seriamente ameaçado. Teremos um final de temporada emocionante, ao que parece.
- Mas não adianta, a melhor notícia do dia é o estado de saúde de Felipe Massa. Uma mola de metal, àquela velocidade e tão perto da viseira, poderia ter causado um estrago inominável. Quando percebi o impacto, torci muito para que a peça não tivesse entrado na viseira, apenas batido e saído. Felizmente, foi o que aconteceu. A Fórmula 1 viveu um atmosfera de tragédia, a primeira em muito tempo. Ainda bem que foi apenas um grande susto.

Tags: GP da Hungria
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Nasceu de novo
As primeiras notícias que chegam da Hungria sobre o estado de saúde de Felipe Massa são reconfortantes. O piloto está falando, sinais vitais normais, movimentos idem. Aparentemente com apenas um corte na cabeça, o brasileiro literalmente nasceu de novo. As imagens de seu acidente foram assustadoras.
Thiago Raposo, do ótimo Café com F1, foi rápido no gatilho e descolou um vídeo do acidente. Nele, é possível notar uma peça metálica voando pela pista e atingindo o capacete de Felipe Massa, na altura da viseira. O piloto, desacordado, acelera e freia simultaneamente até atingir a barreira de pneus. E Felipe permaneceu ali, inerte, até a chegada do atendimento médico.
As consequências de um acidente como este poderiam ter sido devastadoras. Pela primeira vez nos últimos 15 anos toda a Fórmula 1 prendeu a respiração, aguardando ansiosamente por notícias que não confirmassem o pior. Felizmente, elas vieram. E, se Massa realmente só teve um corte na testa, nasceu de novo. A partir de agora, faz aniversário duas vezes no ano. Justamente no mesmo 25 de julho em que nasceu Nelsinho Piquet.
Atualização: Racelike enviou esta foto impressionante (um pouco forte). A peça não entrou na viseira por milímetros. Felipe teve muita, mas muita sorte.
Buemi vermelho

Fotos: Divulgação/Red Bull
Enquanto todas as câmeras e jornalistas em Hungaroring voltam-se ao novato Jaime Alguersuari, Sebastien Buemi arrumou um jeito de chamar a atenção para o seu lado na garagem da Toro Rosso. Trocou o amarelo de seu capacete antigo (à esquerda) pelo vermelho, aplicando no topo a cruz branca presente na bandeira de seu país, a Suíça.
Curioso é a alteração acontecer só depois de Sebastien Bourdais ter ido embora. Também com casco amarelo e azul, confundir os dois Sebastiões na pista era fácil. Agora que não era mais necessário, Buemi vermelhou.
Nelsinho dentro
E Nelsinho Piquet acaba de desmentir Galvão Bueno no Twitter.
“Aí Galvão, vc está errado, meu bom! Te vejo na Hungria! E vamo torcer para q o carro esteja melhor lá! Valeu pelo apoio de todo mundo! Abcs!”
Com o comunicado do piloto, encerra-se a boataria. Pelo menos até o GP da Hungria.
Mas é fato: alguma coisa aconteceu. Nelsinho demorou para aparecer e demorou mais ainda para fazer o desmentido público. Até então, muita coisa rolou nos bastidores. E deve continuar rolando.
Motor Ferrari estourado
Muito interessante o vídeo enviado pelo Rodrigo Scomparin. Ele encontrou no Youtube as imagens onboard do carro de Felipe Massa enquanto o motor da Ferrari ia para o espaço no GP da Hungria.
Chama muito a atenção o barulho do motor. Parece um liquidificador.
O choro é livre

O destino foi cruel com Felipe Massa ao final do GP da Hungria, tirando de suas mãos uma vitória certa a apenas três voltas do fim. A reação do piloto, de profunda decepção e incredulidade, foi captada pelas câmeras do autódromo. A transmissão, contudo, não exibiu a cena mais tocante, testemunhada apenas por quem estava no pit lane de Hungaroring: as lágrimas do piloto, chorando copiosamente dentro do capacete.
Mas o choro de Felipe não é inédito, nem desabonante. Nos últimos anos, em pelo menos três ocasiões pilotos transformaram sua decepções em lágrimas, diante dos olhos do mundo todo.
Em 1999, Mika Hakkinen liderava o GP da Itália e caminhava firme rumo ao bicampeonato mundial. Até que errou na Variante del Rettifilo ao colocar o motor em ponto morto sem querer, saiu rodando e deu adeus à corrida. O finlandês saiu do carro furioso, jogou o volante longe, mas depois escondeu-se atrás de arbustos para chorar. A câmera do helicóptero flagrou a cena, assim como fotógrafos que estavam próximos. Hakkinen buscou certa privacidade, sem sucesso. No entanto, reuniu forças para recuperar-se e terminou o ano como bicampeão.
Na mesma temporada, logo na corrida seguinte, Luca Badoer protagonizou outra imagem tocante. O italiano vinha num honroso quarto lugar com uma Minardi, pior carro daquela temporada, no GP da Europa. A 13 voltas do fim, seu motor quebrou. Badoer desceu do carro e pôs-se a chorar, sabendo que tinha acabado de perder o melhor resultado de sua carreira. O italiano encerrou sua participação como piloto titular na F1 ao final daquele ano e levou consigo uma marca bastante negativa. É, até hoje, quem mais GPs disputou – 48 – sem obter sequer um ponto.
No ano passado, Sebastian Vettel foi o chorão da vez. Era terceiro colocado com a Toro Rosso no dilúvio do Monte Fuji, até que distraiu-se após uma travada do líder Lewis Hamilton durante um período de Safety Car. Acertou a traseira de Mark Webber, segundo colocado, eliminando ambos da corrida. Recolheu seu carro aos boxes e desabou em lágrimas. Mas a reação veio rápido. Na prova seguinte, na China, chegou num brilhante quarto lugar.
Resta saber como Felipe Massa lidará com tal frustração. Se tiver o mesmo espírito de Hakkinen e Vettel, dará a volta por cima e rumará ao título mundial. Se deixar-se abater, corre o risco de ter visto passivamente o bonde do sucesso passar, tal qual ocorreu com Badoer.
Vitória de estréia é a quarta na Hungria

Heikki Kovalainen conquistou hoje, na Hungria, sua primeira vitória na Fórmula 1. Antes dele, Hungaroring também serviu como palco para o triunfo de estréia de outros três pilotos.
Damon Hill, com Williams, foi o primeiro a estrear como vencedor na Hungria, chegando em primeiro na edição de 1993, de ponta a ponta. Dez anos depois foi a vez do espanhol Fernando Alonso, que venceu com a Renault. Em 2006, outro debut: Jenson Button subiu pela primeira vez ao degrau mais alto do pódio, com uma Honda.
Melhores Voltas – GP da Hungria

Significante observar que, numa corrida na qual esperava-se um domínio absoluto da McLaren, as duas melhores voltas ficaram com a Ferrari.
Está difícil brincar de adivinhão em 2008.
PS: Reparem na posição do Nelsinho. O garoto está andando muito.
Tags: GP da Hungria
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GP da Hungria costuma ser cruel

A desolação de Felipe Massa, saindo de sua Ferrari com motor quebrado a três voltas do fim e deixando para trás uma vitória certa, não chega a ser algo anormal em Hungaroring. Pelo menos em outras três circunstâncias, pilotos deixaram o GP da Hungria com o sabor amargo da decepção.
Em 1987, segunda corrida disputada no país, o inglês Nigel Mansell foi absolutamente dominante com sua Williams. Liderava desde a largada e tinha mais de 15s de vantagem sobre seu companheiro Nelson Piquet. Até que, faltando seis voltas para o fim, uma porca que prendia a roda traseira esquerda de seu carro se soltou. O carro ficou completamente desequilibrado e o Leão nem conseguiu voltar aos boxes. Desolado, parou sentado à beira do caminho. Piquet venceu e terminou o ano como campeão.
Dez anos depois, Damon Hill, então campeão do mundo e bastante contestado como piloto, corria em Hungaroring com uma Arrows. Surpreendentemente, obteve um terceiro posto no grid. Na largada, ultrapassou Jacques Villeneuve e ficou acompanhando de perto a Ferrari de Michael Schumacher. Na décima volta, deu o bote e ultrapassou o alemão, assumindo a ponta. Ninguém conseguia acreditar: uma Arrows – com Hill ao volante! – estava na liderança, superando as favoritas Ferrari e Williams. E assim se seguiu até o final da corrida, com Hill chegando a ter mais de 30 segundos de vantagem na ponta. Porém, a três voltas da bandeira quadriculada, uma pane hidráulica comprometeu seu acelerador. Hill mal conseguia trocar marchas e, em certos momentos, o carro quase parava. Villeneuve começou a descontar a diferença e, na última volta, ultrapassou o piloto inglês. Damon, pelo menos, chegou em segundo – melhor resultado dos 24 anos de história da Arrows -, mas perdeu uma vitória histórica.
O circuito de Hungaroring também foi particularmente cruel com outro brasileiro: Rubens Barrichello. Em 1995, com uma Jordan, Rubens fazia uma corrida sensacional, saído de 14º, e tinha um terceiro lugar garantido até a última curva. Porém, seu motor parou de funcionar na entrada da reta de chegada. Sorte de Gerhard Berger, que herdou um inesperado pódio, seu último na Ferrari.
Anos depois, Barrichello contaria que seu motor Peugeot, que quebrava muito, possuía um dispositivo para evitar aquela fumaceira tradicional de quando um propulsor quebra. A fábrica francesa fazia com que seu motor desligasse quando estivesse à beira da “explosão”, para evitar danos à sua imagem. Assim, se o motor do brasileiro tivesse explodido, com direito a fumaça e pedaços voando, provavelmente a Jordan teria embalo suficiente para cruzar a linha de chegada em terceiro.
Positivo e Negativo – Hungria
Positivo: Felipe Massa, o grande nome do dia. Sai da Hungria sem pontos, mas com a certeza de que fez sua melhor corrida no ano. Quiçá, da carreira.
Negativo: Mangueiras de reabastecimento. Alguma coisa, certamente, houve nos equipamentos da Intertechnique, fornecedora única do material de reabastecimento da Fórmula 1. Pelo menos quatro pit stops, de três diferentes equipes, terminaram com vazamentos e labaredas. Situação totalmente anormal, nunca antes vista nos últimos 14 anos, desde que o reabastecimento voltou a ser permitido.
Rapidinhas – GP da Hungria

- Vitória de Heikki Kovalainen na Hungria – quem diria! –, beneficiado pela sorte. O que, inegavelmente, faz parte do esporte. Os méritos pela vitória são dele, mas é preciso sublinhar que a primeira vitória do finlandês foi absolutamente circunstancial.
- Numa corrida que se projetava totalmente desfavorável à Ferrari, Felipe Massa foi o grande nome do dia. Saiu em terceiro, pulou para a ponta numa manobra ousada na primeira curva e não deu qualquer chance às McLaren. Dominou Lewis Hamilton e Kovalainen com autoridade e encaminhava uma vitória edificante. Até que o motor estourou, a três voltas do fim.
- Felipe foi perfeito, mas nem sempre a sorte ajuda. E isso serve para todos. Hamilton teve hoje um pneu furado, Kimi Raikkonen teve um escapamento quebrado na França. É um elemento presente em corridas de automóvel, que nem sempre são justas. Hoje, em particular, lembrei de Damon Hill, de Arrows, nesta mesma Hungaroring, há 11 anos.
- No lucro, além de Kovalainen – é claro -, saíram Hamilton e Raikkonen.
- O inglês porque era favorito, foi dominado por Massa, teve um pneu furado e, mesmo assim, chegou em quinto e sai de Hungaroring liderando o campeonato com uma vantagem maior do que a que tinha quando chegou.
- Raikkonen porque teve uma corrida difícil, ficou boa parte dela preso atrás de Fernando Alonso, não parecia poder ir além do quarto lugar e ficaria a oito pontos de Massa no campeonato. Terminou no pódio, em segundo no campeonato e três pontos à frente do companheiro.
- Felipe, contudo, sai de Hungaroring fortalecido. Seria uma vitória decisiva, não ocorreu, mas a forma como ele vinha batendo a McLaren “em casa” e a dominação absoluta que estabeleceu sobre Raikkonen falam a seu favor. Ainda restam sete corridas e a má sorte também pode atingir os adversários.
- Timo Glock foi outro grande destaque da corrida. Foi, o tempo todo, o melhor do segundo pelotão, atrás de Felipe e das duas McLaren. Contou com as quebras e incidentes dos líderes para chegar na segunda posição, mas o resultado foi merecido. Glock não vinha bem no campeonato, facilmente batido por Trulli e a prova da Hungria pode representar uma virada em sua carreira.
- Ótimo final de semana para a Renault, com Alonso repetindo sua melhor posição no ano – quarto – e Nelsinho Piquet chegando em sexto. Oito pontos importantes que consolidam a equipe na quinta posição entre os construtores.
- BMW, completamente perdida na Hungria, começa a ficar para trás. Apenas oitavo lugar para Robert Kubica e décimo para Nick Heidfeld. Muito pouco para quem, há menos de dois meses, brigava pela liderança.
- Rubens Barrichello fazia boa corrida, ganhou várias posições na largada e chegou a andar em 13º, mas teve problemas no reabastecimento e despencou para 16º.
- Problemas no reabastecimento, por sinal, foram a tônica da corrida. O que não faltou foram labaredas saindo de bocais de combustível. Bourdais, Barrichello e Nakajima foram algumas das vítimas. Coincidência demais… provavelmente, algum problema técnico nos equipamentos.
- No campeonato, Hamilton amplia vantagem: 62 pontos, contra 57 de Kimi e 54 de Massa. Como a temporada é atípica, nada está definido.
- Nos construtores, a McLaren finalmente ultrapassa a BMW. Classificação: Ferrari 111, McLaren 100, BMW 90.
- Próxima corrida, em três semanas, nas ruas de Valência. Circuito novo, ninguém sabe o que pode acontecer. Campeonato emocionante.

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Rapidinhas da classificação – Hungria
- Mais uma pole para Lewis Hamilton, a quarta do ano. Como se esperava, a McLaren sobrou, com Heikki Kovalainen, de contrato renovado, completando a primeira fila.
- Mas a pole não foi tão fácil como previsto. Na segunda parte da classificação, principalmente, quando Felipe Massa foi o mais rápido. Na superpole, no entanto, sobrou e marcou a pole com alguma facilidade.
- Felipe Massa conseguiu um bom resultado. O terceiro lugar era o máximo que se podia fazer frente à McLaren, mas a diferença foi bem menor do que se imaginava. Por pouco (0.051), não intrometeu-se entre Hamilton e Kovalainen.
- A maior dificuldade da Ferrari em Hungaroring é com o aquecimento de pneus nas primeiras voltas. Espera-se que amanhã ande mais próxima da McLaren, em ritmo de corrida, com pneus já aquecidos. Isso pode igualar um pouco as coisas. Mas a pergunta que fica é: será mais rápida o suficiente?
- Kimi Raikkonen, em mais um dia de apagão, sai somente em sexto. Começo a achar que, se alguém ainda conseguirá superar Hamilton este ano, este alguém será Felipe Massa.
- Robert Kubica, sempre comendo pelas beiradas, é quarto. Surpresa mesmo foi o quinto lugar de Timo Glock com a Toyota. Os japoneses, por sinal, andaram muito bem em Hungaroring. Trulli foi nono.
- As Renault, apesar dos bons treinos de ontem, tiveram o desempenho de sempre hoje. Fernando Alonso é sétimo e Nelsinho Piquet, décimo. Chegaram ambos na superpole, o que não é mau resultado. Dá para brigar pelos pontos na corrida.
- Nick Heidfeld reclamou de Sebastien Bourdais, que o teria atrapalhado. Pela TV, não deu para perceber nada. Algum prejuízo houve, já que o alemão caiu no Q1 e sai apenas em 16º, o que não é normal para uma BMW. Pode vir punição por aí.
- Barrichello fez um treino ruim e sai em 18º, à frente apenas das frágeis Force India. Seu companheiro Button passou para o Q2 e fez boa participação, considerando as limitações da Honda. Sai em 12º.
- Lewis deve levar a corrida fácil amanhã. Felipe Massa, com alguma sorte, pode superar Kovalainen e brigar pelo segundo lugar.
- Campeonato vai ficando com cara de McLaren. Mas, dada a irregularidade característica dos líderes nesta temporada, nunca se sabe.

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