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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Arquivo da tag: GP de Mônaco
No limite da legalidade

GP de Mônaco de 2010, última volta. O Safety Car está na pista e ninguém pode ultrapassar ninguém. Na entrada dos boxes, o carro se retira para que todos possam cruzar a linha de chegada sem nada na frente, ajudando fotógrafos e cinegrafistas e permitindo que as equipes tenham mais retorno com a imagem de seus carros na televisão e nas fotos que ilustram sites, jornais e revistas. Afinal, com aquele belo carro esporte à frente, as verdadeiras estrelas do espetáculo apareceriam menos na cobertura jornalística, que sempre investe numa foto ou imagem da chegada da prova.
O grande xis da questão envolvendo a corrida de ontem é este. O Safety Car saiu da frente não para liberar uma nova competição que duraria poucos metros. Ele saiu apenas para que a chegada ficasse “bonitinha”. Todo mundo, pilotos e e equipes, sabem disso. Até Michael Schumacher sabe disso. Mas, mesmo assim, o alemão preferiu arriscar uma ultrapassagem sobre Fernando Alonso à moda “se colar, colou”. Era fato que seria desclassificado, mas Schumacher é assim, costuma andar no limite da legalidade. Às vezes se dá bem, em outras nem tanto. Mas é assim que ele é.
Não que isso o transforme num sujeito inescrupuloso, encarnação do monstro de fumaça de Lost. Mas é fato que, em situações nas quais a maioria dos pilotos prefere não arriscar por saber que sua conduta pode ser interpretada como má-fé ou que pode infringir o regulamento, Schumacher arrisca. Esta não é a primeira e provavelmente não sera a última polêmica na qual se envolve. O heptacampeão é assim, quer ganhar a todo custo. Ainda que muitas de suas atitudes provoquem discussões a respeito de ética e de moral.
Em 1994, Schumacher e a Benetton se aproveitaram de equívocos da direção de prova durante a comunicação de uma punição de stop & go no GP da Inglaterra para não cumprir a pena. Foi declassificado com bandeira preta e só assim parou para cumprir os dez segundos de punição. Voltou à pista e completou a corrida em segundo lugar, ainda que tendo recebido bandeira preta antes da metade da prova. Até subiu ao pódio, mas sua desclassificação foi confirmada no comitê de apelações e Schumacher pegou duas corridas de gancho por causa da insubordinação às regras.
Já correndo pela Ferrari, protagonizou um evento semelhante em 1998, também em Silverstone. A direção de prova sinalizou que o alemão deveria cumprir um stop & go nas voltas finais da corrida. Um erro, já que penas nesta fase da prova devem ser acrescidas ao tempo final. Na dúvida, a equipe mandou o alemão para os boxes na última volta, parando por dez segundo e recebendo a bandeirada por dentro do pit lane. Schumacher ganhou a corrida já que, dada a manobra inteligente dele e da Ferrari, os comissários acabaram assumindo o erro e não aplicaram a soma de segundos ao seu tempo final. Nessa, ele se deu bem.
Como se deu bem também na Áustria, em 2002. A famosa corrida da infâmia, na qual o alemão herdou a vitória de Rubens Barrichello na reta de chegada, num momento imortalizado por Cléber Machaado com a famosa narração “Hoje não, hoje não… hoje sim… hoje sim??”. Como nos casos anteriores, não que Schumi tenha feito algo de errado. Mas esperava-se de um tetracampeão que liderava o campeonato com folga que não aceitasse a patuscada ensaiada pela Ferrari. Ele poderia ter sido nobre, mas não foi.
E também não foi nobre em 2006, quando parou o carro propositadamente na curva La Rascasse, em Mônaco, para interromper o treino de classificação e impedir Fernando Alonso de roubar-lhe a pole position. Schumacher simulou um erro na freada, que de tão falso não enganou ninguém e acabou punido pela FIA, obrigado a largar do fundo do grid.
Como se vê, em nenhuma dessas ações Michael Schumacher e sua equipe (seja Ferrari, Benetton ou Mercedes) foram deliberadamente maldosos. Apenas agiram no limite do regulamento. Em alguns casos, foram pegos. Em outros, não.
Concordo que não são atitudes nobres, mas no fim das contas, não são de todo ilegais. São manobras comuns no direito, quando bons advogados aproveitam brechas nas leis para absolverem seus clientes. Schumacher tentou explorar a brecha da nova regra da “linha do Safety Car” para ganhar uma posição. Mas se deu mal, já que o artigo 40.13 do código desportivo deixa bem claro que, quando é a última volta, não vale ultrapassar.
E assim é Schumacher, alguém que, até o final da carreira, fará com que jornalistas, donos de equipe e fãs fiquem pesquisando regulamentos para saber se o que ele fez é passível de punição ou não. Controverso, mas um piloto muito talentoso e inteligente.
Rapidinhas: GP de Mônaco

- Como esperado, o GP de Mônaco se decidiu na primeira curva. Salvo raras exceções, há alguns anos já é assim. Mark Webber saltou na frente, Sebastian Vettel ultrapassou Robert Kubica, Felipe Massa se manteve em quarto e assim foi até o final da corrida.
- Procissão sonolenta que teve alguns momentos de (falsa) emoção com as várias entradas do Safety Car. A cada acidente, todo o pelotão se juntava outra vez para recomeçar o desfile mais de pertinho. No total, foram quatro intervenções.
- Na primeira volta, Nico Hulkenberg errou ao tentar contornar o túnel por fora. Pegou sujeira, perdeu o controle do carro e foi parar nos guard-rails. A segunda entrada foi causada pela outra Williams, de Rubens Barrichello, que teve a suspensão traseira quebrada e também bateu. Mais adiante, fiscais identificaram uma tampa de bueiro aberta e a corrida precisou ser interrompida novamente. E a última entrada, nas voltas finais, foi causada por um patético acidente entre Jarno Trulli e Karun Chandhok na La Rascasse.
- Na prática, apenas a primeira e a última entrada definiram alguma coisa na corrida. A da primeira volta serviu para que Fernando Alonso parasse nos boxes e trocasse de pneus logo no começo, cumprindo cedo a norma de pit stop obrigatório (ridícula, por sinal) e tendo oportunidade de ganhar posições quando os demais tivessem que parar. Para quem saía da última posição, foi um grande negócio.
- E, no último Safety Car, Michael Schumacher aproveitou para mais uma tradicional Schumacada, ultrapassando Fernando Alonso assim que o carro-madrinha voltou para os boxes, no final da última volta. Nessa circunstância não é permitido ultrapassar, e o alemão perdeu os pontos que conquistaria ao ser punido por comissários. Bem feito.
- Alonso se deu bem, os oito pontos conquistados saíram melhor que a encomenda. O espanhol manteve-se a três pontos dos líderes do campeonato, Webber e Vettel. Antes o líder era Button, mas o importante para ele é que a diferença permaneceu a mesma.
- O grande problema para o espanhol e os demais adversários, porém, é o fato da Red Bull finalmente ter assumido a ponta do campeonato, e com seus dois pilotos. É o melhor carro da temporada e a tendência agora é que disparem na frente.
- Pior para Jenson Button, que certamente continuaria na liderança do campeonato não fosse o abandono logo no começo da corrida. Pior, por um motivo prosaico. Um mecânico esqueceu de tirar a cobertura do seu duto de ar e seu motor superaqueceu. #MegaFail para a McLaren.
- Em apenas oito dias, Mark Webber saltou de oitavo para a liderança do campeonato. Marcou duas pole positions e ganhou duas corridas de ponta a ponta. Soube, como ninguém, aproveitar o sonolento início de temporada europeia, marcada por GPs nos quais é muito difícil ultrapassar. A fase é ótima e o australiano desponta como favorito ao título.
- Daqui a duas semanas, corrida na Turquia. É o melhor dos “Tilkódromos”, mas a Red Bull tem tudo para seguir dominando. E uma terceira vitória seguida poder ser o golpe fatal no ânimo de Sebastian Vettel. Ao que tudo indica, é o único piloto capaz de parar Webber. Mas, dada sua juventude, parece não estar assimilando bem o rápido crescimento do companheiro de equipe. É a hora de Vettel reagir.
- Dificilmente outra equipe terá, em pouco tempo, oportunidade de fazer frente à Red Bull. A esperança de Alonso, Massa, Button e Hamilton reside nos infortúnios do time austríaco. Mas eles estão cada vez mais escassos.
- Ainda é cedo, mas já dá para arriscar. Se nenhuma reviravolta acontecer, Adrian Newey voltará, depois de dez anos, a ser o projetista de um carro campeão.
- Já ia encerrar o post, mas lembrei que estava cometendo uma imensa injustiça ao não citar Robert Kubica. Que corridaça do polonês, terceiro colocado, cada vez melhor com a Renault. Já é o meu favorito para ganhar no Canadá.
RESULTADO GP DE MÔNACO 2010*

* Michael Schumacher foi punido em 20s e caiu para a 12ª posição
Charge animada: GP de Mônaco
Bruno Mantovani mandando cada vez melhor, essa já virou minha favorita. Um belo jogo de cartas na cidade do famoso cassino.
Tags: GP de Mônaco
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Até a pé nós iremos… ao pódio

Foto: Reprodução/TV
Willian Freitas enviou esta ótima. A transmissão da Globo não exibiu, mas Jenson Button parou o carro no lugar errado ao final do GP de Mônaco. Em vez de deixar seu Brawn na reta dos boxes, de onde deveria ir até o pódio, o inglês estacionou no pit lane.
Quando deu-se conta do erro, teve de ir correndo à pé até a tribuna de honra para a cerimônia do pódio. No caminho, foi ovacionado pela torcida.
Tags: Brawn, GP de Mônaco, Jenson Button
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A melhor estreante da história

Foto: Divulgação/Bridgestone
Que a Brawn faz um começo de temporada estonteante e quebrou vários recordes de precocidade, todo mundo já sabe. Mas hoje, em Mônaco, ela atingiu um bastante significativo. Ela já é a equipe com o maior número de vitórias na temporada de estreia, em toda a história.
A marca durava 55 anos e pertencia à gigante Mercedes. Quando estrearam, em 1954, as flechas de prata conquistaram quatro vitórias. Com a conquista em Mônaco, Jenson Button garantiu a quinta vitória da Brawn na temporada, em apenas seis corridas. Um feito absolutamente inédito.
Em 1954, a Mercedes venceu também o mundial de pilotos, com Juan Manuel Fangio. Porém, o argentino foi campeão guiando por duas diferentes equipes. No começo da temporada, ele conquistou duas vitórias pela italiana Maserati, até transferir-se para o time alemão. Assim, se for campeã – o que parece ser o caso – a Brawn será também o primeiro time a conquistar o título mundial na temporada de estreia, com todos os pontos do campeão somados por seus carros.
Sem sombra de dúvidas, a Brawn é a melhor e maior estreante da história.
Positivo e negativo: Mônaco
Positivo: Ferrari. Nem vou citar Jenson Button, é hors-concours. A equipe italiana surpreendeu, mostrando capacidade de brigar pela vitória e não cometendo erros crassos. Pode ser pouco para uma equipe do tamanho que é, mas do jeito que a coisa ia, foi praticamente uma vitória.
Negativo: Sebastian Vettel. É craque, vai dar trabalho no futuro. Mas ainda é jovem e comete erros bobos, como hoje. Fez sua pior corrida na temporada. Enxergo Vettel na mesma fase de Schumacher em 1992 e 1993. Rápido, jovem, vitorioso, promissor, mas inconstante. Quando aprender o que precisa e amadurecer, será um dos grandes.
Rapidinhas da classificação: Mônaco

Foto: Divulgação/Brawn
- Sexta classificação, quarta pole de Jenson Button. A fase do inglês é fenomenal, imbatível. Não foi o mais rápido nem no Q1, nem no Q2. Mas na hora em que precisou acelerar, foi lá e cravou a pole position. Sério candidato à vitória amanhã, que seria a quinta em seis corridas.
- Destaque para o renascimento da Ferrari, que está muito viva para a corida. Kimi Raikkonen, com o interruptor ligado, fez um treino que finalmente lembrou o antigo homem de gelo, aquele que ganhava admiradores pela velocidade irresistível. Perdeu a pole para Button apenas na última volta, mesmo assim por uma diferença mínima, 25 milésimos. Saindo da primeira fila, pode encerrar o incômodo jejum de um ano sem vitórias.
- Rubens Barrichello não foi mal, pelo contrário. Manteve bom ritmo, esteve sempre entre os primeiros. Mas, no finalzinho, foi superado por Kimi e Button. Sai em terceiro e tem boas chances na corrida, embora não seja tão favorito quanto Button, mesmo com o melhor carro.
- Quarto lugar para Sebastian Vettel, que passou a impressão de que poderia mais no treino. Imaginei até uma pole sua, mas, mesmo assim, um bom resultado.
- Felipe Massa sai em quinto, o que não é uma posição ruim. Porém, levou um capote de Kimi Raikkonen, mais de meio segundo atrás. Se larga bem mais pesado – o que vamos descobrir daqui a pouco -, tudo bem. Se estão em condições parecidas, realmente fez um mau treino. O que pode ser explicado pelo erro logo no Q1, quando escapou nos Esses da Piscina e quebrou o bico do carro.
- Falando em erro, Lewis Hamilton larga lá no fim do pelotão, 16º. Saiu de traseira na Mirabeau, quebrou a suspensão traseira esquerda e interrompeu o treino por alguns minutos. Não pôde mais voltar e vai sofrer na corrida. Seu companheiro Kovalainen sai em sétimo, o que mostra o potencial da McLaren. O inglês poderia, muito provavelmente, brigar pelas duas primeiras filas, mas jogou fora. Mônaco é assim.
- Nelsinho Piquet foi outro que errou, rodando logo após a La Rascasse. Não comprometeu o treino por causa disso, embora tenha caído no Q2, como de costume. Sai em 12º, contra 9º de Fernando Alonso. Não foi de todo ruim.
- Williams bem, com Rosberg em 6º e Nakajima em 10º. Gostaria muito de ver um carro de Frank & Head no pódio monegasco.
- Destaque para os fiascos de BMW e Toyota, ocupantes das últimas duas filas da corrida. Simplesmente irreconhecíveis, andaram o tempo todo atrás, perdendo até para as Force India. Da BMW, que vem mal há tempos, até se esperava isso. Os japoneses é que surpreenderam negativamente, não se encontraram em Mônaco.
- Se tudo ocorrer conforme o script, a corrida deve definir-se entre Button e Raikkonen, com larga vantagem pra o inglês. Mas como a margem de erro em Monte Carlo é mínima – para não dizer inexistente – tudo pode acontecer. Basta uma trapalhada de alguém na primeira curva para virar a corrida de cabeça pra baixo.
- Bastante provável também é uma entrada do Safety Car, que pode mudar todo o cenário. É para isso que Hamilton torce apaixonadamente.
- Perspectiva de uma boa prova amanhã. Mas, se ninguém cometer erros, será um carrossel sonolento.

Tags: GP de Mônaco
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BMW lembra aniversário do Mini

Foto: Divulgação/BMW Sauber
Em ação promocional, a BMW Sauber pintou na cobertura do cofre de seu motor para o GP de Mônaco um “feliz aniversário” de 50 anos para o Mini, tradicional e simpático carro de rua que no Brasil ficou conhecido como “Carro do Mr. Bean“. Criado em 1959 na Inglaterra, o Mini é bastante popular até hoje na Europa, principalmente em sua versão atualizada, fabricada desde 2001 pela própria BMW. Na Itália, vi dezenas deles.
Na pintura aplicada na carenagem da BMW Sauber, um detalhe interessante. No carro de Robert Kubica, aparece um desenho do próprio piloto segurando um bolo com a inscrição “50″. No de Nick Heidfeld, o desenho muda para o seu rosto.
Curiosidades do GP de Mônaco

Foto: Reprodução/Google Maps
Tão tradicional quanto cheio de frescura, o GP de Mônaco é mais antigo do que a própria Fórmula 1. A primeira edição da prova aconteceu em 1929, 21 anos antes da criação da categoria. No próximo domingo, acontecerá o 67º GP no apertado circuito monegasco.
Algumas curiosidades acerca da corrida:
* O maior vencedor é Ayrton Senna, com seis conquistas no principado. Michael Schumacher e Graham Hilll venceram cinco vezes cada.
* Senna é, também, o único brasileiro a ter vencido em Monte Carlo. Até sua primeira vitória, em 1987, o GP de Mônaco era um tabu para o Brasil.
* Durante dez anos, apenas Alain Prost e Ayrton Senna venceram o GP. Entre 1984 e 1993, foram quatro vitórias do francês, contra seis do brasileiro.
* Senna ainda detém o recorde de poles em Monte Carlo: cinco. Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jackie Stewart e Alain Prost marcaram quatro.
* Em quatro das últimas cinco corridas em Mônaco, o pole position venceu a corrida. A exceção foi Felipe Massa, no ano passado, batido por Lewis Hamilton, que havia largado em terceiro.
* Volta e meia, a zebra passeia pelo GP de Mônaco. Na última delas, em 2004, Jarno Trulli largou na pole e venceu de maneira surpreendente. Em 1972, debaixo de um temporal, Jean-Pierre Beltoise conquistou sua única vitória na categoria. Mas a maior de todas as zebras foi Olivier Panis, vencedor da prova em 1996, numa corrida maluca em que apenas quatro carros cruzaram a linha de chegada. Foi a última vitória da equipe Ligier, que não ganhava uma corrida há quase 15 anos.
* Falando em equipes, a vencedora absoluta em Mônaco é a McLaren, com 15 conquistas. A Ferrari venceu 8, seguida pela Lotus, com 7. Foi também em Monte Carlo que a McLaren fez sua estreia na Fórmula 1, em 1966.
* Por 17 GPs consecutivos, apenas equipes inglesas venceram no principado. De 1959 a 1974, Cooper, Lotus, BRM, Brabham e Tyrrell alternaram-se no alto do pódio. A marca só foi quebrada por Niki Lauda em 1975, com a Ferrari. Depois de 20 anos, a equipe italiana voltava a vencer em Mônaco.
* O GP de Mônaco proporcionou alguns finais de corrida históricos. Em 1970, Jack Brabham liderava a corrida, mas escapou da pista na última curva da última volta, entregando a vitória para Jochen Rindt. O diretor de prova ficou tão surpreso que não deu a bandeirada para o vencedor.
* Mas nada supera a maluquice que foi o final da corrida de 1982. A liderança trocou de mãos diversas vezes nas últimas três voltas, até que Riccardo Patrese vencesse. Detalhe: ele só ficou sabendo que tinha vencido algum tempo depois. Essa história está detalhada aqui.
GP da Malásia é o 5º da história com pontos pela metade

Foto: Reprodução/Grande Prêmio
Interrompido depois de 31 voltas em função das fortes chuvas em Sepang, o GP da Malásia contou apenas metade da pontuação para os pilotos, por não terem sido completados 75% das voltas previstas. Em toda a história foi apenas a quinta vez, em 805 corridas válidas pelo Mundial de Pilotos, que uma prova terminou assim, apenas a segunda em um circuito permanente. Todas as outras três ocorreram em pistas de rua.
A primeira vez em que metade dos pontos foram contados aconteceu no GP da Espanha de 1975, quando o Embassy-Hill de Rolf Stommelen voou em direção ao público no Montjuich Park, matando três fiscais, um fotógrafo e um espectador. A corrida foi interrompida com apenas 29 das 84 voltas previstas e a vitória ficou com Jochen Mass, da McLaren. Seria sua primeira e única conquista na Fórmula 1. E também foi a única vez em que o motivo da interrupção não foi a chuva.
No mesmo ano, outra prova contou apenas metade dos pontos. Foi o GP da Áustria, em Zeltweg, disputado sob muita chuva. Eram previstas 54 voltas, mas a corrida foi encerrada com 29, pouco mais da metade. A pista estava encharcada e a vitória ficou com a zebra Vittorio Brambilla, que cruzou a linha de chegada rodando e batendo seu March laranja na mureta dos boxes. Ainda deu a volta da vitória com o bico quebrado, numa cena hilária.
Nove anos depois, em 1984, uma nova interrupção obrigou uma prova a contar apenas metade dos pontos. Foi no famoso GP de Mônaco de 1984, quando Ayrton Senna deu show com a Toleman e chegou em segundo lugar depois da bandeira vermelha ser acionada, na 31ª das 76 voltas previstas. A vitória ficou com Alain Prost.
Há 18 anos, a corrida mais curta da história da Fórmula 1. Com diversos pilotos rodando e batendo nos muros e protestos veementes de Ayrton Senna por causa da falta de aderência com a chuvarada que caiu no circuito de rua de Adelaide, o GP da Austrália de 1991 foi encerrado com apenas 14 voltas, com vitória de Senna.
Nos últimos anos, outras corridas foram terminadas com bandeira vermelha, mas tiveram os pontos contados integralmente por já terem sido cumpridos mais de 75% das voltas previstas. Em 2003, Fernando Alonso e Mark Webber bateram na curva do Café, encerrando prematuramente o GP do Brasil. Em 1997, bandeira vermelha após um acidente com Olivier Panis no Canadá, quando o francês fraturou uma perna. E em 1990, Alex Caffi bateu no Estoril e se machucou, dando fim precoce ao GP de Portugal.
Charge do Mantovani: GP de Mônaco
Já que o Capelli aqui anda preguiçoso e mal-humorado, incapaz de produzir charges decentes, Bruno Mantovani faz as honras da casa, com sua particular visão sobre o desempenho de Kimi Raikkonen no GP de Mônaco.

Genial!
A prova do crime

Adrian Sutil perdeu um quarto lugar praticamente garantido em Mônaco graças a uma enorme bobagem de Kimi Raikkonen. Porém, logo após a prova, a direção de prova procurou a Force India para repreender o piloto por ter efetuado ultrapassagens sob bandeira amarela. Ainda que tivesse chegado ao final, provavelmente seria desclassificado.
A imagem do lance é esta acima, quando Fernando Alonso e Nick Heidfeld se enroscaram na Loews. Formado um congestionamento no grampo, Sutil foi espertinho e, assim que surgiu uma brecha no traçado, superou Nelsinho Piquet, Rubens Barrichello e Kazuki Nakajima de uma vez. Mas tudo isso enquanto uma bandeira amarela era agitada, o que proíbe ultrapassagens no local. Na manobra, o alemão saltou da 11ª para a sétima posição, já que também ganhou o posto de Alonso, que foi aos boxes trocar o bico de sua Renault.
A foto é clara e não deixa dúvidas de que Sutil agiu ilegalmente e merecia punição. Mas uma pergunta fica no ar. Se tudo aconteceu na 14ª volta, por que o piloto não recebeu um drive-trough até abandonar, na 67ª volta? Os comissários tiveram mais de 50 voltas, quase uma hora e meia, para resolver o caso e nada fizeram. Apesar de estarem cobertos de razão, uma desclassificação apenas ao término da corrida seria cruel demais. Mais até do que o acidente provocado por Raikkonen, que causou uma crise de choro no jovem piloto da Force India.
Depois de quase 40 anos, um inglês vence em Mônaco

A vitória de Lewis Hamilton hoje trouxe um gostinho especial aos torcedores ingleses. Desde Graham Hill, em 1969, um piloto do país não vencia o mais tradicional GP da Fórmula 1.
Durante muitos anos, a Inglaterra foi dominante no GP de Mônaco, com vitórias consecutivas de Stirling Moss e Graham Hill nos anos 50 e 60. O pai de Damon Hill, por sinal, ficou conhecido como Mr. Mônaco depois de cinco vitórias no principado em sete anos. Porém, desde que Graham subiu ao posto mais alto do pódio em 1969, nenhum piloto inglês havia conseguido repetir o feito.
Nestes quase 40 anos, no entanto, a Grã-Bretanha chegou a comemorar vitórias de Jackie Stewart e David Coulthard em Monte Carlo. Porém, ambos são pilotos de origem escocesa.
Sem pontos, Raikkonen dá fim a seqüência

O GP de Mônaco de 2008 foi, para Kimi Raikkonen, uma das piores corridas de sua carreira. Levou um drive-trough nas primeiras voltas, escapou e bateu na Saint Devote e, nas voltas finais, perdeu o controle da Ferrari e acertou Adrian Sutil.
O finlandês ainda terminou a prova em nono, mas sem marcar pontos, o que encerrou uma seqüência histórica em sua carreira. Há 12 corridas Kimi Raikkonen não chegava fora da zona de pontuação, uma das sete maiores seqüências da história da Fórmula 1. Confira abaixo o ranking de pontuações consecutivas:
1º Michael Schumacher – 24 (2001-2003)
2º Michael Schumacher – 18 (2003-2005)
Fernando Alonso – 18 (2005-2006)
4º Fernando Alonso – 17 (2006-2007)
5º Carlos Reutemann – 15 (1980-1981)
6º Michael Schumacher – 13 (2006)
7º Kimi Raikkonen – 12 (2007-2008)
Jim Clark – 12 (1963-1964)
Mika Hakkinen – 12 (2000)
Rubens Barrichello – 12 (2003-2004)
Jenson Button – 12 (2005-2006)
Positivo e Negativo – Mônaco

Positivo – Lewis Hamilton foi o grande vencedor, mas o destaque positivo da prova não poderia ser outro que não Adrian Sutil. O jovem alemão não faz um bom campeonato, mas conseguiu andar a corrida toda entre os ponteiros, no seco e na chuva, com uma frágil Force India. Chegaria num impressionante quarto lugar e não merecia abandonar nas voltas finais, atingido por um Raikkonen desgovernado. Mas a F1 nem sempre é justa.
Negativo – Ferrari. Conseguiu, surpreendentemente, preparar um carro que podia bater a McLaren em Mônaco. Mas, mesmo largando com dobradinha na primeira fila, levou um banho histórico da equipe rival. Erros operacionais acabaram com a corrida de Raikkonen e erros de estratégia relegaram Felipe Massa ao terceiro lugar. Ross Brawn faz muita falta.






