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Luizinho foi-se

Luiz Pereira Bueno, ou Peroba para os mais chegados, foi-se na manhã desta terça-feira. Aos 74 anos, morreu depois de mais de um ano lutando contra um câncer. É mais uma notícia ruim numa semana que já começou mal para o automobilismo, com o grave acidente de Robert Kubica.

Desconhecido das gerações atuais, Luizinho foi um dos grandes do automobilismo nacional. Pioneiro, foi ídolo e inspiração de gente como Emerson Fittipaldi, José Carlos Pace e Nelson Piquet. Dizer isso, a princípio bastaria. Mas não basta. Luiz foi mais que isso.

Teve a coragem de sair do Brasil e montar uma equipe de Fórmula Ford na Europa, em plenos anos 60. Disputou e ganhou corridas. Disputou dois GPs do Brasil de Fórmula 1, em 1972 e 1973. O primeiro com March, o outro com Surtees. Mesmo com carros limitados, fez participações dignas. Mas fez fama mesmo correndo com as Berlinetas verde-amarelas da equipe Willys, com o Maverick da Divisão 3 e com Porsche nos 500km de Interlagos, no anel externo.

Anel externo este, hoje irrecuperável dadas as reformas no circuito, que ficou com a marca indelével de Luizinho. É dele o recorde do traçado. Embora este recorde geralmente seja atribuído ao evento que ele fez para promover o GP do Brasil de 1972, quebrando do recorde com um March 711 de Fórmula 1, o próprio Peroba relatava que o verdadeiro recorde fora atingido com um Porsche 908/02, fazendo as curvas 1 e 2 em inimagináveis 242km/h. Independente de com que carro, o importante é que a marca, hoje inalcançável, é dele para todo sempre.

Infelizmente, não vi Luizinho correr e não tive a oportunidade de conhecê-lo pessoalmente. Uma pena. Nessas horas, dá vontade de ter nascido 20 anos antes e ter mais histórias para contar. Mas tenho certeza que o historiador Pandini irá fazê-lo. Aliás, foi do blog dele que roubei a foto que ilustra este post.

Obrigado, Luizinho.

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Todos chora – Verstappen x Montoya

Em 2001, o GP do Brasil era a terceira etapa do Mundial de Fórmula 1. Uma época chata, na qual Ferrari e McLaren dominavam a categoria sem serem ameaçadas. No ano anterior, as duas equipes dividiram todas as vitórias do campeonato. E na temporada que mal começava, Michael Schumacher já mostrava suas garras tendo vencido as duas primeiras corridas. No Brasil, seguindo a tendência, Schumacher fez a pole. A F1 precisava de uma lufada de ar fresco.

Uma das promessas da época era Juan-Pablo Montoya, colombiano campeão da Indy que chegava à categoria com fama de “win or wall”: ou ganha, ou bate. E foi ele a grande surpresa daquele dia em Interlagos. Saído da quarta posição do grid com a Williams, pulou para segundo logo na largada, beneficiado pela pane na McLaren de Mika Hakkinen, que ficou estancada no grid e causou uma confusão geral.

Os comissários não conseguiram retirar o carro do finlandês do meio da reta a tempo e, por isso, o Safety Car foi acionado. Quando saiu, o grande lance da corrida: sem pedir passagem, Montoya colocou por dentro no “S” do Senna, deu um chega pra lá em Schumacher e assumiu a ponta da corrida. A torcida foi ao delírio vendo o bicho-papão alemão ser humilhado por um novato sul-americano. Galvão Bueno, pela TV, gritava alucinado: “Esse novato é maluco!”.

No entanto, imaginava-se que a liderança de Montoya não duraria muito tempo, dada a superioridade de Ferrari e McLaren. Mas não foi assim que aconteceu. A Williams continuou rendendo muito bem e o colombiano conduziu a corrida com a maestria de um veterano. Com metade das voltas previstas completadas, ainda mantinha a liderança, controlando Schumacher e David Coulthard com uma certa vantagem. À 38ª volta, a diferença era de quase seis segundos. A Williams não vencia há quase quatro anos, a Colômbia nunca havia vencido na Fórmula 1, Montoya era um novato abusado. Uma vitória épica se aproximava, até que…

Pois é. Ultrapassar retardatários faz parte do trabalho de quem lidera uma corrida. Mas ultrapassar retardados não deveria ser. Pena que havia um deles no caminho: Jos Verstappen. Décimo colocado, o holandês vaca-brava abriu passagem na reta oposta, na 39ª volta, para Montoya passar. O líder manteve o seu traçado e o ultrapassou. Porém, ao voltar para o traçado, Verstappen perdeu completamente o ponto de freada e voou com sua Arrows por cima da Williams de Montoya. Um acidente absurdo.

Silêncio no autódromo, anticlímax total. Verstappen, a besta, destruiu o que tinha tudo para ser um momento histórico. Montoya ficou de fora da corrida e o caminho ficou aberto para a vitória de David Coulthard. Que até nem foi tão fácil assim, já que a chuva atrapalhou um pouco a vida dos pilotos, mas nada que mudasse o resultado entre os primeiros.

Apesar da fama de “win or wall”, não se pode culpar Montoya pelo acidente. Quem fez jus à própria fama foi o holandês. Num 1º de abril, Jos Verstappen personificou o bobo da corte.

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A Fórmula dos iniciados

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Flavio Gomes fez anteontem, em seu blog, um post que considero definitivo sobre a influência da transmissão da Fórmula 1 para o Brasil no modo como a população julga Rubens Barrichello e se relaciona com ele.

Mas acredito que, além dos argumentos muito bem pontuados pelo Flavio, ainda existe um viés por trás disso. Por mais que as transmissões da TV Globo deixem muito a desejar, que existam omissões graves do que acontece na pista em prol da “torcida pelo Brasil-sil-sil”, as próprias características das corridas da era do reabastecimento na Fórmula 1 é que acabam tornando as coisas mais complicadas para o telespectador. A F1 dos pit stops virou uma categoria para “iniciados”.

Diferentemente de esportes mais populares, como o futebol, uma transmissão de corrida de Fórmula 1 não é autoexplicativa. Tudo o que acontece na tela precisa ser interpretado, sob pena do telespectador não compreender o que se passa. Você só consegue entender bem o que está acontecendo na corrida e seus prováveis desdobramentos se entende a diferença entre os pneus, se compreende o comportamento de um carro conforme a estratégia de combustível, se possui os pesos dos carros quando da largada, se tem o live timing da FIA à mão para acompanhar os tempos de volta. Se ninguém lhe passa essas informações, ou se passa incorretamente, você fica vendido.

Fora os acontecimentos do GP do Brasil citado pelo Flavio, o GP de Cingapura é outro exemplo notável do problema de compreensão. Na narração global, tudo o que acontecia era “bom para Barrichello”, quando nem sempre o era. E, no decorrer da prova, ninguém na transmissão deu-se conta que o brasileiro voltaria dos boxes atrás de Jenson Button, mesmo que não tivesse perdido os tais cinco segundos no pit stop. Estava na cara que ia acontecer, quem tinha o live timing oficial já sabia, mas ninguém da Globo viu.

Se isso é feito de propósito para segurar a audiência, é outra discussão. Mas o fato é que tal comportamento acaba gerando na população que não consegue entender detalhadamente a dinâmica de uma corrida a impressão de que o Barrichello “de repente” fica lento, ou que “dá azar”. Até pessoas geralmente bem informadas, como Marcelo Tas, começam a formular conceitos em cima de informações que não são reais. Atualmente, a leitura de uma corrida é muito complicada. E se você não for um “iniciado”, dança.

Felizmente, no ano que vem o reabastecimento acaba. E acredito que isso tornará a compreensão da corrida muito mais fácil. Quem está na frente estará realmente na frente, no máximo poderá perder ou ganhar alguns segundos de acordo com o comportamento do carro com o tipo de pneus, mas dificilmente voltará a acontecer aquela situação do piloto estar em primeiro, acabar em quinto e ninguém entender bem o motivo.

Todo mundo vai classificar com o carro leve, então o pole será realmente o piloto mais rápido e não mais aquele com a estratégia mais ousada. Todo mundo vai largar com o mesmo peso de combustível, então não haverá mais uma diferença brutal de performance entre carros em momentos da prova. E nesse novo mundo, quem sabe, o sonho de muito telespectador de assistir uma corrida inteira no “mute” poderá se realizar.

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Pilotoons: GP do Brasil

Mantovani retrata que Button precisou ter sorte e ainda passar por cima do mau agouro para levar o título em Interlagos.

Arte: Bruno Mantovani

Arte: Bruno Mantovani

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Positivo e negativo: GP do Brasil

Positivo: Kamui Kobayashi. Estreou na Fórmula 1 fazendo uma corrida digna de nota, aplicando um “x” no campeão Jenson Button, brigando lindamente com Kazuki Nakajima e fazendo tempos de volta constantes e convincentes. A melhor estreia na categoria desde Lewis Hamilton e Robert Kubica.

Negativo: Jarno Trulli, pelo ataque histérico após bater em Adrian Sutil. Foi com sede demais ao pote, provocou um acidente e ainda saiu colocando a culpa no adversário.

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Rapidinhas: GP do Brasil

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- Vitória de Mark Webber e título de Jenson Button em uma corrida quente no começo, mas que foi ficando morna até terminar fria e sonolenta.

- Foi uma prova bastante movimentada, se considerarmos a média da temporada, mas foi um espetáculo bem menos eletrizante do que Interlagos costuma proporcionar.

- Rubens Barrichello, que prometia ser o protagonista da corrida por correr em casa, brigar pelo título e largar da pole position, acabou apenas em oitavo lugar e deu adeus a qualquer chance de título. Mas não que o brasileiro tenha feito uma corrida necessariamente ruim. Largou bem na frente, escapou das confusões atrás de si, mas teve sua estratégia de largar leve prejudicada pela entrada do Safety Car. Não pode abrir nenhuma diferença nas primeiras cinco voltas, o que lhe foi fatal.

- Quando parou para seu primeiro pit stop, havia aberto apenas três segundos de vantagem para Mark Webber, tempo insuficiente para conseguir manter a liderança depois da parada do australiano. Para piorar, perdeu também a segunda posição para a BMW de Robert Kubica. As coisas ficaram ainda mais ruins para Barrichello quando seu carro voltou muito mal para o segundo stint, perdendo terreno volta a volta. E, como cereja do bolo, um dos pneus de seu terceiro jogo furou, o obrigando a uma parada extra nos boxes.

- Para tristeza da torcida brasileira, a má sorte que costuma acompanhar Barrichello em Interlagos apareceu novamente.

- Já Jenson Button, quinto colocado e campeão do mundo, era só sorrisos. Teve muita sorte na primeira volta, quando ganhou cinco posições graças aos enroscos de Kimi Raikkonen, Adrian Sutil, Jarno Trulli e Fernando Alonso. Também ganhou posições quando Nico Rosberg quebrou e Rubens Barrichello teve problemas. Mas no entanto, fez uma corrida empolgante nas primeiras voltas, com ultrapassagens arriscadas e arrojadas sobre Sebastien Buemi, Kazuki Nakajima e Kamui Kobayashi.

- Sua disputa com Kobayashi, por cerca de 20 voltas, foi um dos melhores momentos do GP do Brasil. O japonês mostrou-se o melhor estreante da temporada, fazendo uma corrida segura e disputando posições com raça. Depois de ser ultrapassado por Button, protagonizou uma disputa histórica com Kazuki Nakajima no “S do Senna” e na Curva do Sol. Conseguiu ficar à frente, depois de dividir três curvas de forma impressionante.

- Algumas voltas depois, os dois bateram quando Kobayashi deixava os boxes. Num misto de imprudência de ambos, quem se deu mal foi Nakajima, que foi parar na grama e bateu forte no muro. Kobayashi fechou a porta um pouco além do necessário, mas Kazuki também foi imprudente. Acidente de corrida.

- Mas voltando a Button, se o inglês fez uma segunda metade de temporada pra lá de apagada, hoje em Interlagos viveu uma de suas melhores atuações. Arriscou até mais do que o necessário e mereceu levar o caneco.

- Ainda que suas últimas corridas não tenham sido grande coisa, Button leva o título pelo conjunto da obra. Ganhou seis das primeiras sete provas da temporada e só perderia o campeonato se fizesse uma grande besteira. Pode não ter mais brilhado tanto, mas besteira também não fez. As circunstâncias da conquista, com apenas um pódio nas últimas nove corridas, podem até deixar seu título menos brilhante, mas não apagam seus méritos. Ganhar seis em sete não é para qualquer um, e foi com essa arrancada que Button garantiu um inicialmente improvável título mundial.

- Quem também garantiu o título hoje foi a Brawn, que sagrou-se campeã de construtores. Foi a primeira vez na história que um time estreante conseguiu tal distinção.

- Voltando à prova, Mark Webber sobrou com a Red Bull. Era o melhor carro do final de semana e conquistou uma daquelas vitórias que, para quem olha de fora, parece que nem precisou de muito esforço. Não teve adversários e disparou na frente depois que Barrichello parou nos boxes. Sebastian Vettel, vindo lá do fundão, conseguiu ainda chegar em quarto, provando a superioridade dos carros de Adrian Newey em Interlagos.

- Ótimas apresentações também de Robert Kubica e Lewis Hamilton, que completaram o pódio. A McLaren aproveitou bem seu acerto para tempo seco e ainda acertou na mosca ao mudar a sua estratégia logo no começo da prova, com a entrada do Safety Car. A ousadia foi paga com um merecido pódio para Lewis.

- Quem poderia ter feito mais na prova, mas abandonaram logo no começo, foram Jarno Trulli e Adrian Sutil. Os dois saíam da segunda fila e poderiam brigar pelo pódio, mas se enroscaram na primeira volta. Na minha avaliação, Trulli foi otimista demais ao tentar passar por fora na descida do lago. Não tinha como, foi parar na grama e causou um acidente bastante sério, no qual acabou sobrando até para Fernando Alonso. Desceu do carro furioso, gesticulou loucamente xingando Sutil, mas sem muita razão. A postura que ele reclamava do alemão foi exatamente a mesma adotada por ele próprio quando fez Kubica sair voando com sua BMW no Canadá, há dois anos. Trulli também não é dos pilotos mais prudentes e não pode reclamar de nada.

- Daqui a quinze dias, em Abu Dhabi, confraternização de final de temporada. Em jogo, apenas o vice-campeonato, que agora está nas mãos de Sebastian Vettel. O alemão tem dois pontos de vantagem para Barrichello, que não sei se se esforçará por uma classificação simbólica como essa. Deverá correr em busca da vitória e, se ela não for possível, duvido que corra apenas com o objetivo de vencer Vettel.

- Foi uma temporada esquisita, mas deixo o balanço do título de Button para amanhã. Parabéns ao novo campeão.

Resultado GP do Brasil 2009

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Rapidinhas da classificação: Brasil

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- E eis que, depois de cinco anos sem sentir o gostinho de uma pole position, Rubens Barrichello encerra o jejum. E logo em Interlagos, praticamente o quintal de sua casa, num treino caótico num dos finais de semana mais importantes de toda a sua carreira.

- O treino foi de uma loucura ímpar. Se há quinze dias, em Suzuka, tínhamos visto um treino bastante peculiar, com três bandeiras vermelhas, o de hoje foi um dos mais longos da história. Quase três horas separaram a abertura da sessão da bandeira quadriculada, com diversas interrupções em razão da forte chuva em Interlagos.

- O circuito, no entanto, não deve ser criticado. A chuva era forte demais. Em Nürburgring, há dois anos, uma tromba d’água fez a curva do final da reta virar um verdadeiro rio. Interlagos não chegou a tanto, o sistema de drenagem parece ter funcionado muito bem.

- E quem tirou melhor proveito das circunstâncias chuvosas foi Rubens Barrichello. A tocada do brasileiro debaixo d’água é impressionante. Segura, rápida, eficiente. Dentro das condições de pista instável e carro ameaçando escapar o tempo todo, Barrichello é um dos melhores, senão o melhor. Protagonizou uma disputa eletrizante com Mark Webber nas voltas finais e saiu, merecidamente, vencedor.

- A pole position, somada ao mau desempenho de Jenson Button e Sebastian Vettel (14º e 15º, respectivamente), traz um certo alento ao brasileiro quanto à disputa do título. Ele precisa de uma corrida de exceção – vitória combinada à uma péssima pontuação dos adversários – para ir a Abu Dhabi com chances reais de título. E ela pode acontecer em Interlagos, os prenúncios são os melhores.

- Digo isso até porque a sorte que historicamente deixou Barrichello na mão nos GPs do Brasil sorriu para ele hoje. A Brawn errou na escolha dos pneus no Q2, mandando seus pilotos para pista com compostos para chuva forte. Nos minutos finais de treino, quem estava de intermediários começou a virar os melhores tempos e o brasileiro correu sério risco de não passar à fase final da classificação. Um a um, os adversários vinham derrubando seu tempo. Quando já era décimo, perderia a última vaga na superpole para o estreante Kamui Kobayashi, da Toyota. Mas o japonês perdeu a traseira no “S do Senna”, fazendo a equipe Brawn suspirar aliviada.

- A partir daí, Barrichello não precisou mais de sorte, apenas a competência que tem de sobra. E vai largar na pole.

- A estratégia era essa mesmo. Rubens é o mais leve de todos os carros do grid e preparou-se para largar na frente. Conseguiu, agora precisamos ver como seu carro vai se comportar na corrida.

- Particularmente, tenho minhas dúvidas com relação a uma estratégia de largada leve em uma corrida com previsão de chuva. Entradas do Safety Car são bastante previsíveis e elas geralmente arruínam quem larga leve. Na brincadeira de chove-para que deve acontecer amanhã em Interlagos, Barrichello precisará torcer muito para que a sorte lhe sorria novamente.

- Quem aposta no contrário, no seco, é a McLaren. Seus carros treinaram com acerto para tempo bom e fizeram um dos piores treinos da história da equipe: Kovalainen larga em 16º e Hamilton, em 17º. Se secar, podem se dar bem. Se chover, farão fiasco.

- Adrian Sutil, de Force India, apareceu muito bem hoje de novo. Apesar de um enrosco evitável com Nick Heidfeld no Q1, foi brilhante na fase final do treino e larga em terceiro lugar. Ao seu lado, Jarno Trulli, com a Toyota.

- Na terceira fila, Kimi Raikkonen e o surpreendente Sebastien Buemi, com a Toro Rosso. O suíço, bem mais pesado que os carros à sua frente, poderá fazer alguma graça na primeira fase da prova. Como fez Vettel, com um carro da mesma equipe, no ano passado.

- Nico Rosberg, minha aposta para pole position, fraquejou no treino final. Mesmo com o carro bem leve, não conseguiu ir além da sétima posição. Se beliscar um pódio, será muito. Ao seu lado, o narigudo Kubica.

- Não arrisco apostas para amanhã, com chuva tudo pode acontecer. Inclusive nada. Mas acho que as circunstâncias apontam para grande possibilidade da corrida de exceção que Barrichello tanto espera.

- Porém, um alerta: ainda que Barrichello precise vencer a todo custo, não seria boa para ele uma corrida confusa demais, como aconteceu na Malásia este ano. Caso a prova seja interrompida antes de completadas 75% das voltas, valerá apenas metade da pontuação. E vencer levando somente cinco pontos seria desastroso para o brasileiro. Seria bom apenas pelo gosto de ganhar em casa, porque suas chances no campeonato estariam praticamente arruinadas.

Classificação Treino GP do Brasil

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Atraso no treino do GP do Brasil

Aos que perguntaram: não, o blog não terminou. Foram 10 dias corridos e o blog ficou absolutamente abandonado, pelo que peço desculpas.

O planejamento era voltar logo após o treino de agora, com as “Rapidinhas da Classificação”. Mas o atraso de mais de uma hora e meia bateu com compromissos particulares e não poderei atualizar quando a classificação terminar.

À noite, pitacos capellescos. Enquanto isso, debatam aqui o que acharam do treino. Vocês sabem quem é o pole, eu só vou descobrir mais tarde.

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Jacarepaguá, 20 anos

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Alex Grün, hoje, matou a pau. Lembrou dos 20 anos do último GP de Fórmula 1 no falecido autódromo de Jacarepaguá, com um relato bastante pessoal sobre o que viu e viveu nas arquibancadas naquele quente 26 de março de 1989.

Era domingo de Páscoa e eu lembro de assistir à corrida deitado no tapete, lambuzado de chocolate e com aquele olhar vidrado de garoto que está vendo algo absolutamente espetacular. E foi uma corrida sensacional mesmo.

Para ver o brilhante relato, visite o Grün Blig. Altamente recomendado.

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Numeração da Fórmula 1 em 2009

Encerrado o campeonato mundial de 2008, já fica possível identificar as numerações das equipes para a temporada de 2009. A McLaren, campeã de pilotos com Lewis Hamilton, passará a ostentar em seus carros os números 1 e 2. As demais equipes receberão numerações de acordo com a classificação no Mundial de Construtores.

Confira abaixo como ficam os números da F1 em 2009:

1 e 2 – McLaren Mercedes
3 e 4 – Ferrari
5 e 6 – BMW Sauber
7 e 8 – Renault
9 e 10 – Toyota
11 e 12 - Toro Rosso Ferrari
14 e 15 – Red Bull Renault
16 e 17 – Williams Toyota
18 e 19 – Honda
20 e 21 – Force India

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Charge do Mantovani: GP do Brasil

Bruno Mantovani mais uma vez pega na veia ao traçar um paralelo entre a decisão do título em Interlagos e outro esporte bem popular…

Arte: Bruno Mantovani

Arte: Bruno Mantovani

Foi mesmo uma cesta de três pontos no último segundo.

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Aproveitamento do campeão é o mais baixo em 10 anos

Foto: Divulgação DaimlerChrysler

Foto: Divulgação DaimlerChrysler

A disputa acirrada pelo título mundial em 2008 gerou um campeonato raro na história da Fórmula 1. A irregularidade dos ponteiros, sejam eles Lewis Hamilton, Felipe Massa, Kimi Raikkonen ou Robert Kubica, provocaram uma distribuição maior de pontos entre todos os pilotos. O resultado disso foi uma tabela de classificação “achatada”, com pequenas distâncias entre os participantes.

Lewis Hamilton conseguiu ser campeão do mundo com 98 pontos num universo de 180 possíveis, um aproveitamento baixo, de 54,44%. Para se ter uma idéia, um piloto com esta pontuação terminaria o mundial apenas em quarto lugar no ano passado.

A última ocasião em que um piloto conquistou o título com um aproveitamento tão baixo havia sido em 1999, quando Mika Hakkinen terminou a temporada com 47,5%, uma das piores médias da história. Não por acaso, também foi um campeonato marcado por erros dos principais postulantes ao título.

Confira abaixo os campeões com melhores e piores aproveitamento da história.

Piores aproveitamentos
Keke Rosberg (1982) – 44,44% (44/99)
 Jochen Rindt (1970) – 45,45% (45/99)
Emerson Fittipaldi (1974) – 47,01%  (55/117)
Mika Hakkinen (1999) – 47,5% (76/160)
 Jacques Villeneuve (1997) – 47,65 % (81/170)
Mario Andretti (1978) – 50,79% (48/90)
Graham Hill (1968) – 53,33% (48/90)
Lewis Hamilton (2008) – 54,44% (98/180)
James Hunt (1976) – 54,76% (69/126)
10º Nelson Piquet (1981) – 55,56% (50/90)

Melhores aproveitamentos (com a regra dos descartes)
Alberto Ascari (1952) – 100% (36/36)
     Jim Clark (1963) – 100% (54/54)
     Jim Clark (1965) – 100% (54/54)
Alberto Ascari (1953) – 95,83% (34,5/36)
Juan Manuel Fangio (1954) – 93,33% (42/45)
     Graham Hill (1962) – 93,33% (42/45)
     Jack Brabham (1966) – 93,33% (42/45)
Ayrton Senna (1988) – 90,91% (90/99)
Jack Brabham (1960) – 89,58% (43/48)
10º Juan Manuel Fangio (1955) – 88,89% (40/45)
       Juan Manuel Fangio (1957) – 88,89% (40/45)

Melhores aproveitamentos (sem a regra dos descartes)
Michael Schumacher (2002) – 84,71% (144/170)
Michael Schumacher (2004) – 82,22% (148/180)
Fernando Alonso (2006) – 74,44% (134/180)
Michael Schumacher (2001) – 72,35% (123/170)
Fernando Alonso (2005) – 70% (133/190)
Nigel Mansell (1992) – 67,5% (108/160)
Kimi Raikkonen (2007) – 64,71% (110/170)
Michael Schumacher (2000) – 63,53% (108/170)
Mika Hakkinen (1998) – 62,5% (100/160)
10º Alain Prost (1993) – 61,88% (99/160)

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Ferrari é campeã pela 16ª vez

Foto: Divulgação Ferrari

Foto: Divulgação Ferrari

Apesar da perda do título de pilotos hoje, num final emocionante, a Ferrari sai de Interlagos com pelo menos um motivo para comemorar. A escuderia confirmou hoje seu 16º campeonato de construtores, fazendo a equipe disparar ainda mais nas estatísticas como a maior vencedora da história.

Campeã de pilotos com Lewis Hamilton, a McLaren não consegue um título de construtores há dez anos, desde 1998.

Títulos de Construtores
Ferrari – 16 (1961/1964/1975/1976/1977/1979/1982/1983/1999/2000/2001/2002/2003/2004/2007/2008)
Williams – 9 (1980/1981/1986/1987/1992/1993/1994/1996/1997)
McLaren – 8 (1974/1984/1985/1988/1989/1990/1991/1998)
Lotus – 7 (1963/1965/1968/1970/1972/1973/1978)
Cooper – 2 (1959/1960)
Brabham – 2 (1966/1967)
Renault – 2 (2005/2006)
Vanwall – 1 (1958)
BRM – 1 (1962)
Matra – 1 (1969)
Tyrrell – 1 (1971)
Benetton – 1 (1995)

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Depois de 19 anos, um campeão com menos vitórias

Felipe Massa foi o piloto que mais venceu em 2008, apesar do vice-campeonato. Com 6 vitórias na temporada, ele teve uma a mais que Lewis Hamilton, o campeão. Desde 1989, quando Alain Prost foi tricampeão com duas conquistas a menos que Ayrton Senna, o vice, um fato como este não ocorria.

Nem sempre o campeão é quem mais venceu, o ocorrido com Hamilton não chega a ser raro na Fórmula 1. Até hoje, isso já aconteceu em outras 11 oportunidades. Confira abaixo os campeões que deixaram os adversários para trás, mesmo sem terem sido os maiores vencedores da temporada.

1958 – Mike Hawthorn, 1 vitória (Stirling Moss, vice, 4 vitórias)
1964 – John Surtees, 2 vitórias (Jim Clark, 3º, 3 vitórias)
1967 – Dennis Hulme, 2 vitórias (Jim Clark, 3º, 4 vitórias)
1977 – Niki Lauda, 3 vitórias (Mario Andretti, 3º, 4 vitórias)
1979 – Jody Scheckter, 3 vitórias (Alan Jones, 3º, 4 vitórias)
1982 – Keke Rosberg, 1 vitória (Prost, Watson, Pironi, Lauda e Arnoux, 2 vitórias)
1983 – Nelson Piquet, 3 vitórias (Alain Prost, vice, 4 vitórias)
1984 – Niki Lauda, 5 vitórias (Alain Prost, vice, 7 vitórias)
1986 – Alain Prost, 4 vitórias (Nigel Mansell, vice, 5 vitórias)
1987 – Nelson Piquet, 3 vitórias (Nigel Mansell, vice, 6 vitórias)
1989 – Alain Prost, 4 vitórias (Ayrton Senna, vice, 6 vitórias)
2008 – Lewis Hamilton, 5 vitórias (Felipe Massa, vice, 6 vitórias)

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Hamilton é 1º favorecido por nova pontuação

Lewis Hamilton conquistou o título mundial de 2008 com todos os méritos, mas tornou-se o primeiro piloto a ser beneficiado pela regra de pontuação instituída pela FIA em 2003. De 1960 a 2002, a Fórmula 1 habituou-se a premiar com pontos os seis primeiros colocados das corridas, com ligeira variação nos pontos do vencedor (em 1961 passou para 9 e em 1991, para 10).

Em 2003, contudo, a FIA decidiu privilegiar os oito primeiros colocados, provocando a mudança mais radical nas regras de pontuação da história da categoria. De lá para cá, a pontuação não tinha influenciado na definição de um título, até hoje. Se o campeonato atual fosse regido pelos tradicionais 10-6-4-3-2-1, Felipe Massa teria sido o campeão, com 83 pontos. Lewis Hamilton teria ficado em segundo lugar, com 80.

Como as regras atuais privilegiam a regularidade em detrimento da vitória, palmas para Hamilton e para a McLaren, que fizeram uma temporada exatamente como precisavam, conquistando o título mesmo sem terem vencido o maior número de corridas.

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Mundial 2008 teve recordes de precocidade

Não há nenhum exagero quando se diz que atualmente vivemos a “Fórmula 1 da nova geração”. Em 2008, diversos recordes de juventude foram quebrados. A começar pelo novo campeão do mundo, Lewis Hamilton, que confirmou seu primeiro título aos 23 anos, 9 meses e 26 dias. O detentor da marca anterior era Fernando Alonso, campeão no GP do Brasil de 2005 aos 24 anos, 1 mês e 27 dias.

No GP da Itália, Sebastian Vettel tornou-se o mais jovem piloto a fazer uma pole position e também a vencer uma corrida. Além disso, a mesma prova em Monza ficou marcada por ter o pódio com a menor média de idade da história.

Apenas um recorde restou. O do próprio Sebastian Vettel, que foi o mais jovem piloto a pontuar em toda a história, no GP dos Estados Unidos de 2007.

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Título encerra hiato da McLaren

Foto: Reprodução GPupdate.net

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Confirmado o título de pilotos de 2008 com Lewis Hamilton, a McLaren volta a ser campeã depois de um hiato de nove anos. Mesmo tendo brigado por títulos com freqüência nas últimas temporadas, desde Mika Hakkinen, em 1999, a equipe de Ron Dennis não fazia um piloto campeão.

Foi o maior jejum de títulos da história da equipe inglesa. Campeã pela primeira vez em 1974 com Emerson Fittipaldi, oito anos após sua fundação, a McLaren nunca havia ficado mais do que oito anos sem ser campeã. Foi este o hiato entre o título de James Hunt (1976) e o de Niki Lauda (1984).

Depois de dominar a Fórmula 1 de forma arrasadora entre o final dos anos 80 e o começo dos 90, com sete campeonatos em oito anos, a equipe voltou a ficar sem títulos por sete anos, entre 1991 (Ayrton Senna) e 1998 (Mika Hakkinen).

Confira os 12 títulos de pilotos da McLaren:

1974 – Emerson Fittipaldi
1976 – James Hunt
1984 – Niki Lauda
1985 – Alain Prost
1986 – Alain Prost
1988 – Ayrton Senna
1989 – Alain Prost
1990 – Ayrton Senna
1991 – Ayrton Senna
1998 – Mika Hakkinen
1999 – Mika Hakkinen
2008 – Lewis Hamilton

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Campeão, Hamilton quebra maldição

Foto: Reprodução GPupdate.net

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Com o título mundial conquistado hoje em Interlagos, Lewis Hamilton atingiu uma marca inédita, quebrando um tabu de mais de 40 anos. Nunca, até então, um piloto campeão da categoria de base imediatamente anterior à F1 havia conseguido confirmar um título na categoria máxima.

Fosse o título da Fórmula 2, Fórmula 3000 ou GP2, até hoje a maldição persistia. Campeão da GP2 em 2006, Lewis Hamilton, com apenas dois anos de F1, conseguiu atingir um feito que nem nomes importantes como Ronnie Peterson e Clay Regazzoni foram capazes.

Confira abaixo a lista de campeões “amaldiçoados”. Entre parênteses, as respectivas melhores classificações de cada num campeonato de F1.

Fórmula 2
1967 – Jacky Ickx (2º)
1968 – Jean-Pierre Beltoise (5º)
1969 – Johnny Servoz-Gavin (13º)
1970 – Clay Regazzoni (2º)
1971 – Ronnie Peterson (2º)
1972 – Mike Hailwood (8º)
1973 – Jean-Pierre Jarier (11º)
1974 – Patrick Depailler (4º)
1975 – Jacques Laffite (4º)
1976 – Jean-Pierre Jabouille (8º)
1977 – René Arnoux (3º)
1978 – Bruno Giacomelli (15º)
1979 – Marc Surer (13º)
1980 – Brian Henton (não pontuou)
1981 – Geoff Lees (não pontuou)
1982 – Corrado Fabi (não pontuou)
1983 – Jonathan Palmer (11º)
1984 – Mike Thackwell (não pontuou)

Fórmula 3000
1985 – Christian Danner (18º)
1986 – Ivan Capelli (7º)
1987 – Stefano Modena (8º)
1988 – Roberto Moreno (10º)
1989 – Jean Alesi (4º)
1990 – Erik Comas (11º)
1991 – Christian Fittipaldi (13º)
1992 – Luca Badoer (não pontuou)
1993 – Olivier Panis (8º)
1994 – Jean-Christophe Boullion (16º)
1995 – Vincenzo Sospiri (não pontuou)
1996 – Jorg Muller (não chegou à F1)
1997 – Ricardo Zonta (14º)
1998 – Juan Pablo Montoya (3º)
1999 – Nick Heidfeld (5º)
2000 – Bruno Junqueira (não chegou à F1)
2001 – Justin Wilson (20º)
2002 – Sebastien Bourdais (17º)
2003 – Bjorn Wirdheim (não chegou à F1)
2004 – Vitantonio Liuzzi (18º)

GP2
2005 – Nico Rosberg (9º)
2006 – Lewis Hamilton (campeão)
2007 – Timo Glock (10º)
2008 – Giorgio Pantano (não pontuou)

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Rapidinhas – GP do Brasil

Foto: Reprodução Adrivo.com

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- Faltam palavras para descrever a loucura que foi este final de campeonato. Uma corrida maluca, com chuva e sol, com variáveis para lá e para cá e com uma última volta de tirar o fôlego. Se até ontem utilizava-se a expressão “campeonato disputado até a última curva” apenas como figura de linguagem, neste 2 de novembro de 2008 ela pode ser compreendida em seu sentido literal. Me arrisco a dizer que nunca mais haverá uma decisão como esta.

- Que corrida fez Felipe Massa! Confirmou o favoritismo, andou bem no seco e no molhado, foi soberano durante todo o tempo. Foi competente e venceu, mas infelizmente apenas a competência não mais lhe bastava. Era necessário um tanto de sorte e ela quase sorriu a ele. Faltou pouco.

- O resultado da corrida, apesar da vitória de Felipe, foi muito dolorido para a torcida brasileira e para a equipe Ferrari. A menos de 10 voltas do fim já se tinha consciência de que o título estava nas mãos de Lewis Hamilton, apenas algum acontecimento fantástico poderia reverter o resultado. E eis que ele aconteceu, com uma pancada de chuva que embaralhou as coisas.

- E tal pancada, que tornou a final do campeonato a mais emocionante da história, foi o que trouxe à vitória de Felipe Massa um travo amargo. Por minutos, passou a sensação de que o impossível tornava-se novamente possível. E a última curva da última volta devolveu Felipe e seus pares à dura realidade. É um tipo de coisa que não se faz.

- O clima no pódio era o mais estranho possível. Um misto de alegria e decepção, uma felicidade não-completa, um choro contido nos olhos de Felipe Massa.

- A decepção dói, mas tenho certeza de que o brasileiro vai mais forte do que nunca para o campeonato do ano que vem. Aprende-se nas vitórias e também nas derrotas e uma derrota bonita como a de hoje só servirá de estímulo para que Felipe torne-se um piloto ainda mais completo do que já é.

- Lewis Hamilton, coroado o novo campeão por apenas um ponto de vantagem, tem todos os méritos pela conquista. Se chegou a Interlagos na liderança com alguma folga é porque o fez por merecer. Ganhou corridas importantes – como a de Mônaco – e cometeu, junto com a McLaren, menos erros do que Felipe e a Ferrari. Foi excessivamente cauteloso em Interlagos e por muito pouco não perdeu o campeonato, mas fez o certo. Não havia motivos para correr riscos e o inglês fez uma corrida fria, como devem fazer os grandes campeões.

- Timo Glock, o fiel da balança do campeonato de 2008, não tem culpas pelo acontecido. E nem a Toyota, antes que surja uma nova teoria da conspiração. Com pneus para seco na chuva que aumentava, ficava muito difícil tracionar, principalmente na curva da Junção. Somente ele e seu companheiro Jarno Trulli não trocaram pneus e ambos fizeram uma volta no ritmo de 1’44 no final da corrida. Não há combinação que permita tão perfeita sincronia. Ambos perderam posições na última volta. Glock caiu de 4º para 6º, Trulli de 7º para 8º.

- Fernando Alonso, segundo, comprovou mais uma vez o crescimento da Renault e mostra que será um duro adversário para o próximo campeonato. Com Alonso na briga, a disputa fica mais difícil para todos. A temporada 2009 se abre com pelo menos quatro fortes candidatos ao título.

- Kimi Raikkonen, terceiro colocado sonolento durante a temporada 2008, deve voltar à briga no ano que vem. Felipe não terá vida fácil dentro da Ferrari.

- Sebastian Vettel, que chegou em quarto e que por muito pouco não foi alçado ao posto de herói da torcida brasileira por ultrapassar Hamilton no final, encerrou o campeonato em grande estilo com um belíssimo quarto lugar. E torna-se uma incógnita para a próxima temporada: terá na Red Bull as mesmas condições de brigar pela liderança como tem na surpreendente Toro Rosso?

- Jarno Truli, oitavo, foi o cavalo paraguaio da corrida. Fez uma grande classificação, manteve-se em segundo depois da largada e se perdeu depois do primeiro pit stop. Rodou na curva do Sol e desapareceu.

- BMW termina pela primeira vez no ano uma corrida fora da zona dos pontos, quebrando uma seqüência recorde de 34 corridas pontuando. Somente a Ferrari conseguiu mais pontos consecutivos em toda a história. Os bávaros perderam muito rendimento no final da temporada, estranhamente.

- Nelsinho Piquet rodou logo na largada e deu adeus à corrida. Rubens Barrichello pode ter dado adeus à F1 com uma corrida pra lá de discreta. Não andou bem e chegou em 15º, inclusive atrás de seu companheiro Jenson Button.

- Palmas para Lewis Hamilton, o mais jovem campeão da história da Fórmula 1. E palmas também para Felipe Massa, que fez um grande campeonato e tirou de si quaisquer dúvidas que pudessem haver sobre suas capacidades. Se não foi campeão, foi por detalhe.

- Porém, não se pode colocar toda a culpa da derrota na Ferrari. Sim, a equipe errou com a mangueira em Cingapura, errou também com o motor estourado a poucas voltas do fim na Hungria. Mas Felipe também errou na Malásia ao rodar sozinho e abandonar, assim como também deixou de marcar pontos em Silverstone em uma corrida bizarra, na qual rodou feito pião.

- A Fórmula 1, apesar do grande enfoque no Mundial de Pilotos, é um campeonato de equipe. Ou pelo menos até hoje não tive notícia de um piloto que fabricasse, preparasse e colocasse sozinho um carro na pista. Ganha-se junto e perde-se junto. “Eu acertei, eles erraram” é um pensamento que não se aplica a qualquer esporte coletivo. Felipe e Ferrari formaram um conjunto vencedor em 2008, mas não o suficiente para o campeonato.

- Lewis Hamilton e McLaren, se não foram um conjunto perfeito, pelo menos foram suficientemente melhores do que a Ferrari. A equipe e o piloto inglês também cometeram erros, mas em menor grau do que os italianos. No final das contas, foi o título de quem cometeu menos erros capitais. Quebras, por exemplo, Hamilton não enfrentou nenhuma. Isso, no final, fez diferença.

- No final das contas, ganharam todos os fãs do esporte. Final emocionante para o mundial mais disputado da história.

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Despedida da ITV

A ITV, emissora britânica que transmite a Fórmula 1 para seu país desde 1997, perdeu os direitos para a BBC para os próximos anos. E para despedir-se do público, ela preparou um videoclipe especial, fazendo um belo resumo do que foi a categoria nos anos em que comandou a cobertura e mostrando pilotos e equipes de forma descontraída, cantando junto com os jornalistas e comentaristas o tema “Welcome to the Black Parade”, do My Chemical Romance.

Emocionante e divertido, ao mesmo tempo. E não sei qual a performance mais engraçada: Rubens Barrichello e Jenson Button cantando ou a expressão de espanto de Lewis Hamilton quando Steve Rider começa a cantar intempestivamente no meio de uma entrevista.

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