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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: GP do Japão
Positivo e negativo: Japão
Positivo: Sebastian Vettel, que fez o que se pode chamar de corrida perfeita. Pole, vitória e domínio absoluto. Conseguiu o resultado que precisava para manter-se vivo na briga pelo título, ainda que com chances remotas.
Negativo: Brawn. A equipe oscila demais, vai da vitória esmagadora a desempenhos medíocres num intervalo de poucas corridas. Chegar em sétimo e oitavo é muito pouco quando se é líder entre os construtores e se faz dobradinha no Mundial de Pilotos.
Rapidinhas: GP do Japão

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull
- Vitória tranquila de Sebastian Vettel numa corrida bem menos movimentada do que o habitual em Suzuka. O alemão não foi ameaçado em momento algum, dominou a prova do começo ao fim e não correu riscos nem na relargada a quatro voltas do fim, depois que Jaime Alguersuari desmanchou sua Toro Rosso e forçou uma entrada do Safety Car.
- Jarno Trulli chegou em segundo, superando nas paradas de box Lewis Hamilton, que havia largado melhor e saltado para segundo. A classificação do pódio mostra o quão pouco emocionante foi a corrida: os três primeiros do grid chegaram nas mesmas posições ao final de 53 voltas. Foi a primeira vez na temporada em que isso aconteceu.
- Lá atrás, brincando de gato e rato, Rubens Barrichello e Jenson Button levaram uma instável Brawn à sétima e oitava posições, respectivamente. Para o inglês, grande negócio: perdeu apenas um ponto no campeonato e agora lidera com 14 pontos de folga, restando apenas 20 em disputa.
- A vantagem relativa, cuja tecla venho batendo já há algumas provas, agora cresceu para 70%. Proporcionalmente, a diferença de Button na liderança do campeonato só faz aumentar há cinco corridas. E agora falta muito pouco para confirmar o título.
- Com a vitória, Vettel manteve-se vivo na disputa, a 16 pontos de Button. Mas basta ao inglês somar apenas quatro pontos nas próximas duas corridas para tirar as chances do alemão da Red Bull. Ou seja: dois sétimos lugares, resultados bastante prováveis.
- Barrichello ainda tem mais chances que Vettel, mas praticamente só matemáticas. Mesmo que vença as duas provas seguintes, em Interlagos e Abu Dhabi, precisa torcer para que Button não some seis pontos nas duas etapas. Em resumo: Button não pode chegar duas vezes em sexto e nem pode subir ao pódio nenhuma vez.
- Para levar o caneco para casa, Button precisa de apenas um pódio em duas provas. A Brawn anda oscilando muito e talvez o pódio não seja mesmo possível. Mas acho muito pouco provável que, munido do mesmo carro, Barrichello consiga duas vitórias sem que o companheiro passe perto da sexta posição. Seriam necessárias duas zebras em duas corridas para a sorte virar a seu favor. Complicado.
- Com a Red Bull sobrando como sobrou hoje em Suzuka, soa mais provável até que Vettel consiga vencer as duas, com Button obtendo resultados ruins. Mas duvido que o inglês perca o título mundial.
- Há dois anos, Kimi Raikkonen descontou uma diferença maior, 17 pontos, para Lewis Hamilton, em apenas duas provas. Mas é sempre bom lembrar que foi um campeonato de exceção, uma das maiores viradas da história. As chances de acontecer de novo são pra lá de remotas.
- A temporada de 2009 vem sendo mesmo muito esquisita. Ver os dois principais postulantes ao título brigando apenas por posições intermediárias como nas últimas duas provas torna-se um tremendo anticlímax. Alguns chamam de equilíbrio. Eu prefiro chamar de bagunça. Um campeonato mal gerido desde o começo, com uma mudança abrupta de regulamento, interpretações não muito transparentes das regras e proibição de testes.
- Como cereja do bolo, só falta Button e Barrichello não conseguirem pontuar nas últimas duas provas e, mesmo assim, Button e Brawn serem campeões. Seria o desfecho perfeito para uma temporada farsesca.
- Daqui a duas semanas, GP do Brasil em Interlagos. Aposto um café como Button viaja para Abu Dhabi campeão.

Reprodução/Formula1.com
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Rapidinhas da classificação: Japão

Foto: Clive Mason/Getty Images/Divulgação Red Bull
Depois de problemas técnicos e com um belo atraso, eis as rapidinhas. Até que valeu a pena demorar para falar, já que o grid virou de cabeça pra baixo.
- De longe, o treino de classificação mais zoneado dos últimos tempos. Se bobear, de toda a história da Fórmula 1. Pelo menos nos últimos 20 anos, não me recordo de nenhuma classificação que tenha sido interrompida com três bandeiras vermelhas. Recorde absoluto.
- E o grande volume de acidentes e interrupções (a saber: acidentes de Jaime Alguersuari, Timo Glock e Heikki Kovalainen) acabou não só por atrasar o treino como por bagunçar o grid como um todo. No final do Q2, após a interrupção do acidente de Glock, Sebastien Buemi também escapou da pista, perdeu a asa dianteira no meio do circuito e provocou bandeiras amarelas locais. E uma turma não respeitou o aviso e não reduziu a velocidade, entre eles os postulantes ao título: Jenson Button e Rubens Barrichello. Resultado? Gancho! Cinco posições perdidas para cada.
- Fernando Alonso foi outro punido, como praticamente todo mundo no treino. No grid mais cheio de asteriscos da história, bizarrices como a décima posição de largada de Jaime Alguersuari, que havia ficado com o último tempo do Q2. Vai chegar o dia em que o pole position será o único que não saiu dos boxes. Podem acreditar nisso.
- Mas a pole, pelo menos isso, foi preservada. Sebastian Vettel foi o mais rápido do sábado e sairá no primeiro lugar, ao lado da Toyota de Jarno Trulli. Lewis Hamilton sai em terceiro. A briga pela vitória deve ficar entre Vettel e Hamilton, já que as duas Brawn vão sair lá de trás: Rubens Barrichello em nono e Jenson Button em 11º.
- A má posição de largada das Brawn pelo menos garante uma corrida movimentada. Pontos de ultrapassagem não faltam em Suzuka e os dois devem fazer boas provas de recuperação.
- E o título parece que não será decidido no Japão. Com base no grid, dificilmente Button conseguirá abrir cinco pontos para Barrichello, a menos que chegue em quarto e o brasileiro abandone. O campeonato deve se encerrar em Interlagos, a nao ser que Barrichello consiga reduzir bem a diferença na corrida dessa madrugada.
- Vale a pena ficar acordado, Suzuka sempre rende grandes corridas. E, se acontecer nela metade do que houve no treino, pelo menos uma entrada do Safety Car é provável.
- Abaixo, o grid corrigido, que roubei do Grande Prêmio.

Reprodução/Grande Prêmio
Tags: GP do Japão
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Reinauguração de Suzuka
O correspondente do Blog do Capelli no Japão, Jonas Tahara, enviou fotos e um texto relatando o que viu na reinauguração do autódromo de Suzuka, ocorrida ontem. O circuito japonês ficou fechado por mais de seis meses para grandes reformas nas arquibancadas, estacionamentos, boxes e pit lane, de forma a atender melhor o público e as exigências de Bernie Ecclestone. Assim, Suzuka voltará em 2009 ao calendário da Fórmula 1 e sediará todos os GPs do Japão de ano ímpar, revezando com Monte Fuji.
Abaixo, confira o depoimento e as imagens do Mestre Jonas – que não é aquele que diz que mora dentro da baleia por vontade própria.
“Fui hoje na reinauguração do circuito pra enviar as fotos da reforma. Ficou grandioso e bonito.

Fotos: Jonas Tahara
As cabines das TVs agora ficam na parte superior da nova arquibancada principal.

Pudemos entrar nos boxes e vimos que ficou bem prático para as equipes se instalarem, pois terão mais salas a disposição e mais espaço também.

O novo túnel de acesso aos boxes conta com escada rolante e elevador para os portadores de deficiência.

Entramos também na torre de controle e pudemos ver que os diretores de prova estão bem equipados, com monitores que acompanham todos os detalhes de pista, além de uma ótima visão da reta principal.

Para o público que não tem o privilégio de acompanhar dos boxes, foram construídos além da arquibancada principal, novas arquibancadas permanentes por toda a extensão do circuito. Significa que a partir desse ano todos os ingressos terão lugares numerados, um avanço pois antigamente, nos tínhamos que arranjar um lugar para assistir o GP. Antes para assistir com lugar numerado gastava-se pelo menos uns 300 dólares e agora com o ingresso mais barato que está em torno de 100 dólares teremos lugar definido para ver a corrida.

A Honda colocou para andar na pista o Honda RA272 de 1965 e a Williams FW11B de 1987 com os pilotos Satoru Nakajima e Aguri Suzuki respectivamente. Infelizmente por ter uma câmera simples, só a foto da Williams com Aguri Suzuki pilotando saiu boa. Mas tudo bem! Haverá outras oportunidades…”

20 anos da “Batalha de Suzuka”

Foto: Reprodução Grande Prêmio
Vejo agora, no Grande Prêmio, que lá se vão 20 anos da conquista do primeiro mundial de Ayrton Senna, no GP do Japão de 1988. É impressionante como o tempo passa rápido e também como a lembrança daquela corrida permanece viva.
Tinha 11 anos na época e lembro nitidamente de ter pela primeira vez na vida a sensação de estar presenciando algo histórico. Muitos fatos acontecem, acompanhamos, mas só nos damos conta da dimensão deles dias, meses, às vezes anos após. Neste caso, não. O mundo inteiro, em 30 de outubro de 1988, teve a certeza de estar vendo uma das maiores páginas da história do automobilismo ser escrita na pista de Suzuka.
Como já disse no GP Total no começo deste ano, aquela conquista teve um ar heróico, improvável, uma sensação que pode ser equivalente a uma virada aos 48 do segundo tempo de um time estava perdendo de goleada há poucos minutos. Comparável, quem sabe, à Batalha dos Aflitos, quando não há quem não tenha ficado impressionado com aquele time que na casa do adversário, com quatro jogadores a menos e um pênalti contra, conseguiu defender o pênalti, fazer um gol e voltar para a casa com o título na mão.
A “Batalha de Suzuka” foi assim. Ayrton Senna era pole, deixou o carro morrer na largada, caiu para 14º e viu suas chances no campeonato minguarem. E, de forma inesperada, tirou todos de sua frente em menos de 20 voltas para voltar a brigar, no mano a mano, com Alain Prost. É lógico que a McLaren era o melhor carro daquele ano, mas isso não diminui o feito. Ultrapassar seis carros em uma volta, como fez na primeira, não é para qualquer um. Mais dois na segunda volta, mais um na terceira, outro na quarta… Uma escalada para a história, rumo à vitória, rumo a uma conquista épica.
A Folha de São Paulo foi muito feliz quando avaliou hoje que o GP do Japão de 1988 iniciou a mitificação de Ayrton Senna. É certo que o brasileiro teve um acompanhamento midiático até então inédito, é sabido também que frente às câmeras se tratava de um sujeito bem mais polido, bom moço e simpático do que na vida real, narrações gritadas e ofegantes sobre trilhas emocionantes ajudaram a construir o ídolo, a morte à-la James Dean gerou uma comoção mundial. Mas não é só isso que explica a adoração ao gênio. Não adianta bela embalagem sem um bom produto, e Senna foi um produto único oferecido pela Fórmula 1.
Somos apaixonados pelo automobilismo e não devemos entrar na conta, mas coloque-se no lugar de um leigo, alguém que apenas vê carrinhos dando voltas e nada mais. Para quem não tem velocidade nas veias, corridas são chatas. E são chatas mesmo… um sai na frente, troca de pneus, reabastece e ganha. De vez em quando uma ultrapassagem, uma quebra, mas superficialmente tudo não passa de carrinhos dando voltas sem sair do lugar. O vencedor é um cara chato que, como dizia Juan Manuel Fangio, anda na frente “o mais devagar possível”. O segredo da vitória é esse, ser rápido o suficiente para vencer a concorrência e lento o suficiente para não danificar o equipamento. E Ayrton Senna fugiu deste clichê. O modo como se deram algumas de suas conquistas, a começar por Suzuka em 1988, trouxeram aquela analogia da virada futebolística para o automobilismo. E todo mundo passou a acompanhar a Fórmula 1, esperando a cada domingo uma vitória improvável.
Ou há outra forma de classificar o que fez em Mônaco/1984, um novato ultrapassando todo mundo com um carro visivelmente inferior debaixo de um temporal? Ou sua primeira vitória em Interlagos, percorrendo todo o traçado nas últimas voltas com seu câmbio preso à sexta marcha? Ou o duelo com Nigel Mansell em Jerez de la Frontera, cruzando a linha de chegada separados por apenas 14 milésimos de segundo? E o outro duelo com o Leão em Mônaco/1992, segurando a Williams de outro planeta por cinco voltas no final da corrida? E a vitória no dilúvio de 1993 em Interlagos, uma corrida que Alain Prost tinha na mão? A primeira volta em Donington Park e a vitória com duzentas trocas de pneus?
Ayrton Senna pode não ter sido o melhor piloto da história. Quem briga defendendo ou rejeitando tal idéia não sabe o que está fazendo, até porque essa questão de “melhor” é por demais subjetiva. Mas não há dúvidas que foi ele o piloto que mais protagonizou aquilo que se pode chamar de “vitórias impossíveis”. E o impossível começou a ser possível em Suzuka, em 30 de outubro de 1988.
Quem te viu, quem te vê
Mark Webber é um cara engraçado. Aliás, é o tipo de engraçado mais esquisito que existe: o involuntário. Quando tenta falar sério, acaba fazendo humor.
O australiano atirou feito metralhadora giratória sobre Lewis Hamilton em Xangai. Como dirigente da GPDA (associação dos pilotos), prometeu uma bronca ao inglês no briefing de sexta-feira por seu comportamento perigoso nos GPs da Itália e do Japão. Nas palavras de Webber:
“Você não pode se mover nas áreas de frenagem daquela maneira. Um comissário morreu em Monza porque havia gente fazendo esse tipo de coisa.”
O piloto da Red Bull referia-se à morte de Paolo Ghislimberti no GP da Itália de 2000, atingido por um pneu de uma Jordan depois de uma carambola na entrada de uma chicane. E acho até que ele tem um tanto de razão, Hamilton foi realmente agressivo demais, principalmente em Monza, e por pouco não causou acidentes graves com Alonso e Trulli.
Porém, aí é que vem a parte “engraçada”. Quem é Mark Webber para cobrar mais prudência do piloto da McLaren? Ainda mais depois da perigosa prensada que deu em Felipe Massa em Fuji?
Ouça o que eu digo, não faça o que eu faço.
Novas dos lances polêmicos
O site oficial da Fórmula 1 divulgou um vídeo de alta qualidade, mostrando todos os lances polêmicos do GP do Japão por diversos ângulos, incluindo câmeras inéditas.
Para assistir e fazer seu julgamento, clique na imagem, ou aqui.
Charge do Mantovani: GP do Japão
Bruno Mantovani percebeu que no GP do Japão o circo da F1 distribuiu papéis específicos para os principais pilotos da temporada…

A matemática do título

Passado o GP do Japão, repleto de polêmicas, incidentes e discussões, é hora de projetar a corrida que pode decidir o campeonato, na China, já no próximo domingo. Lewis Hamilton lidera o mundial de pilotos, com 84 pontos. Felipe Massa está em segundo com 79 e Robert Kubica, da BMW, tem 72. O único que pode levar o caneco por antecipação é o inglês da McLaren que, para isso, precisa de uma combinação de resultados.
Caso vença na China, Hamilton será campeão no domingo caso Felipe Massa chegue em quinto lugar, ou abaixo. Se for segundo colocado, Hamilton precisará torcer para que Felipe seja, no máximo, sétimo. Lewis também pode sair campeão de Xangai com um terceiro lugar mas, para isso, precisa que o brasileiro da Ferrari não marque pontos e que Robert Kubica não seja o vencedor.
Para Felipe Massa, o título passa por duas vitórias, na China e no Brasil. Mas Lewis Hamilton não pode ser o segundo nas duas etapas. Uma dobradinha da Ferrari com Kimi em segundo, em qualquer das duas corridas, dará o título ao brasileiro, independente da posição de Hamilton. Por isso a Ferrari faz questão da ajuda do finlandês, que não parece muito preocupado com o assunto. Aliás, Kimi não se preocupa com nada.
Robert Kubica é quem tem a missão mais difícil. Com 12 pontos de desvantagem, precisa vencer as duas etapas e torcer para que Hamilton não faça oito pontos, o que equivale a um segundo lugar, ou dois quintos. Além disso, também depende de Felipe Massa, que o eliminaria da disputa com 13 pontos (uma vitória e um sexto ou um segundo e um quarto).
Na prática, a briga é entre Lewis e Felipe. Porém, dada a irregularidade característica dos dois aspirantes a este campeonato, não é de se duvidar que Kubica ainda mantenha as chances até o final. A tendência é que a disputa se alongue até Interlagos.
Se Massa vencer na China com Hamilton em terceiro, entendo que montaria-se o melhor dos cenários. Separados por apenas um ponto (vantagem para o inglês), quem chegasse à frente do outro no GP do Brasil levaria o caneco, independente da posição. Seria um final de campeonato épico.
A patuscada de Hamilton
Que Lewis Hamilton forçou a barra para cima de Kimi Raikkonen na largada, todo mundo viu. Com a manobra, o inglês caiu para a terceira posição. No entanto, logo depois, o inglês apareceu em sétimo, sem que ninguém entendesse exatamente por quê.
As câmeras da transmissão oficial não mostraram, mas já apareceu no Youtube uma imagem do helicóptero que explica o acontecido. Algumas curvas depois, Hamilton saiu feito uma vaca louca para cima de Fernando Alonso na disputa pelo segundo lugar, perdeu a frente do carro e passeou fora da pista. Confira no vídeo abaixo. Sua escapada se deu aos 41s.
Ou seja, o inglês foi ainda mais imprudente do que tínhamos visto. Muito parecido com o ocorrido em 2007, no GP do Brasil.
Positivo e Negativo: Japão

Positivo: Fernando Alonso. Mais uma vez, uma brilhante corrida com um carro que, mesmo que tenha apresentado uma bela evolução, não parece capaz de vencer corridas. Vence porque quem está no cockpit é Alonso. Vendo o espanhol fazer o que faz com a Renault nas últimas provas e lembrando a irregularidade dos atuais aspirantes ao título, concluo que o campeonato seria uma covardia caso o espanhol estivesse em um cockpit melhor.
Negativo: Lewis Hamilton. É rápido, é empolgante, é um baita piloto. Mas é um porra-louca e vai acabar mandando mais um título para o espaço. Como bem definiu Flavio Gomes: “parecia um etíope famélico diante de um frango assado com farofa”. Doido de pedra.
Rapidinhas – GP do Japão

- Segunda vitória consecutiva de Fernando Alonso, que mais uma vez demonstrou imensa competência ao levar um carro não tão confiável ao primeiro lugar, à frente de adversários muito mais bem equipados, como Robert Kubica e Kimi Raikkonen. A conquista do espanhol, contudo, fica diminuta perto da importância das patuscadas protagonizadas pelos líderes do campeonato, que também tiveram influência no resultado final da prova.
- O campeonato de 2008 ficará marcado como um dos poucos em que os candidatos ao título abusaram dos erros. Lewis Hamilton já tinha feito das suas, Felipe Massa também, e no Japão ambos confirmaram a impressão de que são por demais instáveis, apesar de talentosos.
- A maluquice de Hamilton na primeira curva, brigando pela liderança como se precisasse urgentemente do resultado, comprometeu toda a sua corrida. Não havia a mínima necessidade de uma disputa de posição com Kimi Raikkonen do modo como ocorreu, fritando pneus, perdendo o ponto de freada, escapando da pista e levando consigo o adversário.
- O inglês precisa esfriar a cabeça e parar de assumir riscos desnecessários. Liderando o campeonato, continua cometendo erros capitais, como no ano passado. Largando em primeiro, com Felipe Massa em quinto, perdeu uma grande chance de encaminhar o título mundial. A lição, ao que parece, não foi aprendida.
- Ainda que tivesse perdido uma ou duas posições na largada, teria toda uma corrida pela frente. A velha máxima continua valendo: “Não se ganha uma corrida na largada, mas é muito fácil perdê-la.”
- Felipe Massa, porém, colaborou com Hamilton no momento em que também exagerou quando não aceitou ser ultrapassado pelo inglês, também nas primeiras voltas. É lógico que Felipe, em desvantagem na tabela, precisa assumir mais riscos, mas a manobra feita por sobre o adversário, empurrando-o com as quatro rodas fora da pista, foi por demais exagerada. O brasileiro teve muita, mas muita sorte em não danificar o carro e poder permanecer na corrida.
- Depois do erro e da justa punição por provocar o acidente, fez uma prova brilhante. Com a faca entres os dentes, foi o piloto mais rápido da pista – muito mais rápido, aliás – e foi subindo posições até atingir uma merecida oitava posição, garantindo um ponto.
- É verdade que, no meio do caminho, o brasileiro envolveu-se em outro toque, agora com Sebastien Bourdais. Neste caso, porém, não acho que tenha cometido um erro grave. Não tinha muito a perder, precisava ganhar a posição do francês, sob pena de comprometer sua recuperação. Terminou por comprometer do mesmo jeito, mas não me pareceu um acidente acintoso – como o com Hamilton – e, mesmo com a direção de prova informando que comissários avaliarão o acidente depois da prova, não creio em punição. Pareceu uma disputa normal de corrida.
- Aliás, disputa normal de corrida me pareceu também a largada de Lewis Hamilton. Ele e Kimi Raikkonen se estranharam, acabaram fora da pista, mas não me pareceu algo digno de punição. Os comissários foram rigorosos demais, mais uma vez com a McLaren.
- O ponto conquistado por Felipe Massa foi de suma importância. Agora seis pontos atrás de Hamilton – que terminou a prova apenas em 12º -, ainda precisa tirar uma diferença considerável em apenas 20 pontos a disputar. A manutenção dos sete pontos, entretanto, faria com que a McLaren dependesse apenas de si mesma para ser campeã por antecipação na China.
- Vamos à matemática: em caso de vitória de Hamilton em Xangai, com Kovalainen em segundo, Felipe Massa ficaria 11 pontos atrás mesmo que chegasse em terceiro. Com dez a disputar, seria fim de campeonato. Agora, mesmo que este cenário aconteça, Felipe ficaria 10 pontos atrás. A vantagem ainda seria grande o suficiente, mas não garantiria metematicamente o título na China. Se Felipe vencer em Interlagos e Hamilton não pontuar, os dois empatam em pontos e o brasileiro é campeão por ter uma vitória a mais.
- A recuperação impressionante de Felipe, forçando tudo em busca de um ponto, pode trazer problemas a ele no GP da China, na próxima semana. Era a primeira corrida do motor do brasileiro, que tinha usado um coringa na Itália. Assim, ele fica obrigado a repetir motor em Xangai para não perder posições no grid de largada. E, sem ter poupado o propulsor por um minuto sequer, rodando muito provavelmente no giro máximo o tempo todo, a confiabilidade – que na Ferrari já não é lá essas coisas – fica muito comprometida.
- Hamilton terminou o dia como o grande derrotado. Saía da pole, tinha o adversário quatro posições atrás e poderia ter aberto uma vantagem bem mais confortável no campeonato. Fez lambanças, foi abalroado por Felipe e viu o adversário marcar um ponto. Ainda tem uma boa vantagem, mas perdeu uma grande chance de incrementá-la.
- A corrida, cheia de alternativas, teve outros personagens além dos dois lambões candidatos ao título. Vamos a eles.
- Robert Kubica, segundo colocado, ainda tem chances matemáticas de ser campeão. A 12 pontos de Hamilton, precisa vencer as duas corridas finais e torcer para que o inglês marque, no máximo, sete pontos. E Felipe Massa não pode marcar mais que 13. Improvável.
- Kimi Raikkonen, terceiro, fez mais uma prova mediana. Foi protagonista por poucos metros, quando avançou bem na largada e tentou assumir a ponta, antes de ser atacado por Hamilton e sair da pista. Dali para frente, foi apagado.
- Nelsinho Piquet, que chegou num excelente quarto lugar. Contudo, comparado com a vitória da Fernando Alonso, o feito tem pouco significado. Não acho que seja suficiente para manter seu emprego para o ano que vem. Pelo menos, voltou a andar bem.
- Rubens Barrichello não fez grande coisa na corrida – com a Honda, também fica difícil -, mas mostrou disposição ao lutar com unhas e dentes com Nico Rosberg. Não aceitou fácil uma tentativa de ultrapassagem do alemão e fechou a porta corajosamente. Mas resultado que é bom, nada. 13º, ao menos à frente de Jenson Button.
- Mundial de pilotos: Hamilton 84, Massa 78, Kubica 72, Raikkonen 63. Matematicamente, o atual campeão do mundo está fora da briga pelo título. A F1, em 2008, terá um terceiro campeão diferente em três anos consecutivos. Fato que não acontece há mais de dez anos, quando houve quatro seguidos: Michael Schumacher (1995), Damon Hill (1996), Jacques Villeneuve (1997) e Mika Hakkinen (1998).
- Entre os construtores, a Ferrari reassumiu a ponta: 141, contra 135 da McLaren. A BMW tem 128.
- Como no ano passado, Lewis Hamilton pode ser campeão antecipado em Xangai. Para isso, precisa vencer e torcer para que Felipe Massa chegue, no máximo, em quarto lugar. Se for segundo, Felipe pode, no máximo, ser oitavo. Se for terceiro, Felipe não pode pontuar. E se for quarto, o campeonato continuará aberto. Para ser campeão, Massa precisará levar a disputa para o GP do Brasil.
- Campeonato excelente, recheado de boas corridas. O GP do Japão não foi exceção.

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Rapidinhas da classificação – Japão

- Pole position decisiva para Lewis Hamilton que, combinada com uma quinta posição de Felipe Massa no grid, coloca o inglês numa situação confortável para a largada amanhã.
- O brasileiro, mais rápido na segunda qualificação, não fez boas voltas na fase final e acabou numa posição ruim. A hipótese mais óbvia seria imaginar que Felipe tem mais combustível que os rivais. Porém, a nítida decepção da equipe ao conferir seu tempo no monitor indica que alguma coisa não saiu bem em sua última volta rápida.
- Kimi Raikkonen, segundo no grid, acordou e fez a sua parte. Felipe é que, aparentemente, ficou devendo. Amanhã é que teremos certeza do que aconteceu.
- A pole de Hamilton é merecida, mas podemos ter mais uma influência dos comissários na disputa do título. Nelsinho Piquet, eliminado no Q2 e 12º no grid, se disse atrapalhado pelo piloto da McLaren em sua volta rápida. A Renault entrou com um protesto que pode fazer o inglês perder posições no grid de largada. A conferir nas próximas horas.
- Heikki Kovalainen, quem diria, ajudou seu companheiro Hamilton e vai largar na terceira posição. Fernando Alonso, surpreendente, foi o quarto.
- Robert Kubica foi sexto com a BMW, quase roubando mais uma posição de Felipe Massa no final. Seu companheiro Nick Heidfeld, estranhamente lento, caiu na primeira degola e sai em apenas em 16º.
- Bom treino da Toyota, com Jarno Trulli em sétimo e Timo Glock em oitavo. Por um instante, pensei que repetiria a pole position de Ralf Schumacher em 2005. Mas não aconteceu.
- Na quinta fila, duas Toro Rosso, que já têm cadeira cativa entre os dez mais rápidos.
- Nem correndo em casa a Honda se ajeita. Rubens Barrichello e Jenson Button foram facilmente eliminados na primeira fase do treino e largam na rabeira: 17º e 18º lugar, respectivamente. Pior que eles, só as duas Force India.
- McLaren favorita para amanhã. Nos treinos livres, a equipe inglesa pareceu ter os carros mais adaptados para o circuito de Fuji em ritmo de corrida. Se quiser reduzir a diferença no campeonato, a Ferrari vai ter que rebolar, com uma boa estratégia e com uma pilotagem magistral de Felipe Massa e com Kimi Raikkonen devidamente acordado.
- A reta final do campeonato começou prateada. Mas, no chavão talhado por Fangio, “carreras son carreras”.

Tags: GP do Japão
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Reformas em Suzuka – parte 2
O Jonas Tahara, que mora no Japão, esteve em Suzuka em março passado e enviou imagens das obras que estão sendo feitas no autódromo, que a partir do ano que vem volta a sediar a prova japonesa na F1, em revezamento com Monte Fuji.
Seis meses depois, o Jonas regressou ao circuito para ver o andamento das obras. E ficou impressionado com o que viu. Abaixo, imagens e impressões do correspondente nipônico-capellesco.

Como sempre, os japoneses não brincam em serviço, e pelas placas publicitárias até abril eles reinauguram tudo!

Toda parte do circuito está fechada ao público e já demoliram a arquibancada e o prédio reservado as cabines de transmissões de tv.

Já os boxes estão sendo derrubados e o aterramento do lago já esta concluído. Acredito que o lago de baixo será aterrado também.

No caminhão de entulho, está o resto das escadaria que levava pro piso superior dos boxes.

Para treinos está liberado a pista norte, pois lá tem um pequeno boxes logo depois da curva Spoon.

Em abril volto novamente lá para ver o resultado final.
Tags: GP do Japão, Suzuka
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GP do Japão na Rádio GP

O GP do Japão está em pauta na Rádio GP desta semana, edição nº 23. Victor Martins, Luis Fernando Ramos, Bruno Vicaria, Ivan Capelli e o convidado especial Luiz Alberto Pandini debatem a corrida no Monte Fuji. Falamos, também, do título de Timo Glock na GP2 e da etapa de Curitiba da GT3.
Para ouvir, basta acessar o blog da Rádio.
Massa vs Kubica – versão completa
Os leitores João Honorato e Lvcivs enviam o link para o vídeo onboard da briga de Massa com Kubica. É ainda mais impressionante, pois agora pudemos perceber que eles já disputavam curvas desde antes das câmeras da transmissão terem começado a exibir.
Momento antológico.
Para ver e rever
Para quem não viu, é obrigatório assistir. Para quem já viu, duvido que não queira ver novamente. Trata-se da briga de Massa e Kubica no Japão, o grande momento da corrida.
Dica do leitor Tiago.
Hamilton quebra recorde de Villeneuve

Lewis Hamilton ainda precisa de formalidades matemáticas para ser aclamado campeão mundial de 2007, o primeiro de um estreante, mas um outro título de precocidade ele já tem. A vitória de hoje no Monte Fuji deu a Lewis o recorde de pódios num ano de estréia.
A marca anterior pertencia a Jacques Villeneuve, que chegou 11 vezes entre os três primeiros em sua temporada inicial na Fórmula 1, em 1996. No Japão, debaixo de um temporal, Hamilton subiu ao pódio pela 12ª vez no ano de estréia.
A matemática para o título
Falta muito pouco para Lewis Hamilton garantir seu primeiro título mundial, logo em seu ano de estréia. Com 12 pontos de vantagem para Fernando Alonso, o inglês precisa apenas evitar que o espanhol desconte mais de dois na próximo domingo, em Xangai, para chegar ao Brasil com o título garantido.
Para tal, basta a Lewis terminar à frente do companheiro de equipe, em qualquer posição. O inglês poderá ainda chegar atrás de Alonso, mas desde que fora do pódio. Se o bicampeão for terceiro, Hamilton pode chegar em quarto. Se for quarto, Hamilton pode ser quinto, e assim por diante.
Em caso de vitória de Alonso, o título não fica definido, mas bastará a Hamilton marcar um ponto na corrida final, em Interlagos, para sagrar-se campeão sem depender dos resultados do espanhol. Para tanto, precisará apenas de um oitavo lugar. Se Hamilton não pontuar na China, o título só se define se Alonso terminar abaixo do sétimo lugar.
Kimi Raikkonen também ainda está na briga, mas em situação muito difícil. Para ter chances, precisa vencer as duas corridas e torcer para que Hamilton não some quatro pontos. Assim, um quinto lugar do piloto da McLaren em qualquer das últimas duas etapas, ou dois sétimos, eliminam o finlandês. Felipe Massa já não possui mais chances matemáticas de brigar pelo campeonato.



