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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Arquivo da tag: Helmut Marko
Objetos voadores

Foto: Reprodução/TV
O insólito acidente de Felipe Massa hoje na Hungria, atingido por uma peça voadora que soltou-se da Brawn de Rubens Barrichello, já teve precedentes na história da Fórmula 1.
No GP da França de 1972, o austríaco Helmut Marko teve sua carreira encerrada por causa de uma pedra, que foi jogada para trás por carros à frente e perfurou sua viseira. Marko perdeu a visão do olho esquerdo e nunca mais voltou a competir.
No Brasil, em 1989, um acidente entre Riccardo Patrese, Ayrton Senna e Gerhard Berger na largada lançou pedaços de carro para todo lado. Uma lasca de carenagem atingiu o espelho retrovisor direito da Williams de Thierry Boutsen, guilhotinando a peça. Ninguém foi atingido.
Em 1995, um incidente no GP da Itália poderia ter sido muito grave. Uma microcâmera que estava instalada no aerofólio traseiro da Ferrari de Jean Alesi soltou-se, voando na direção de Gerhard Berger, que vinha logo atrás. A câmera atingiu a roda da outra Ferrari e provocou o abandono do piloto austríaco, que depois da prova declarou:
“Foi assustador. Eu ia a uns 300km/h e vi aquela coisa vir contra mim. Àquela velocidade eu nem podia desviar. Fechei os olhos e esperei que não batesse no meu capacete, porque senão eu estaria morto”.
Depois da casa arrombada, a tranca: nunca mais uma câmera onboard foi instalada em aerofólios.
Agora, em 2009, acidente semelhante se repete com Felipe Massa, o que poderia ter a mais grave das consequências. A lamentar a infeliz coincidência com o acidente que vitimou Henry Surtees na Fórmula 2, há menos de uma semana. O filho do campeão John Surtees foi atingido na cabeça por um pneu que saltava na pista de Brands Hatch e perdeu a vida. Repito incessantemente: Felipe teve muita sorte.
Pergunte ao Capelli: Brabham-Ventilador

Fotos: Arquivo
Fala Capelli! Meu nome é Júlio, vi essa Brabham (que não sei o ano), a frente normal… Mas na traseira…. Que diabos é isso? Um exaustor? – Júlio Tiyoda
Quase isso, Júlio. Este modelo é o Brabham BT46B, versão do BT46 utilizado pela equipe na temporada de 1978. Chamado de carro-ventilador, certamente foi uma das mais exitosas e fugazes inovações da história da Fórmula 1.
Do início. Gordon Murray, genial projetista da equipe de Bernie Ecclestone, desenhou um carro absolutamente inovador para a temporada de 1978. Além do computador de bordo e dos freios de fibra de carbono, inéditos até então, o BT46 tinha um design arrojado, com uma aerodinâmica limpa e formato piramidal. Mas a inovação mais radical veio da parte mecânica. O modelo originalmente não possuía radiadores, mas sim um sistema de painéis de refrigeração na superfície, o que deixou suas saias laterais de perfil bastante baixo. Na imagem abaixo, é possível visualizar tais painéis de troca de calor, são as placas brancas posicionadas na lateral do bólido.

Foto: Arquivo
Porém, antes mesmo da temporada começar, a equipe percebeu que tal solução não funcionaria. Os pesados motores 12 cilindros da Alfa Romeo ferviam e Murray entendeu que precisava de radiadores convencionais. Para não prejudicar o projeto como um todo, posicionou os radiadores abaixo do aerofólio dianteiro. Mas tal solução provocou desequilíbrio de peso no carro e prejudicou bastante a aerodinâmica limpa do bólido. Além disso, o grande e pesado motor da Alfa não permitia que o solo do carro ganhasse o desenho característico de asa invertida, solução inventada pela Lotus para que seus carros “grudassem” no chão e que deu início à era dos carros-asa.
Murray continuou trabalhando em busca de uma solução para o projeto, até que teve uma ideia que resovia os dois problemas: um ventilador. Posicionado na traseira do carro e ativado mecanicamente pela rotação do motor, as hélices começavam a girar a partir de 7.000 RPM, dissipando o calor e gerando como efeito colateral um grip mecânico fantástico, fazendo o carro colar no asfalto. O ventilador gerava, mesmo sem ser um carro-asa, um desejável efeito-solo.
O carro foi levado para o GP da Suécia e gerou polêmica assim que foi para a pista. Já nas primeiras voltas de treino o BT46B se mostrava capaz de bater as até então soberanas Lotus 78 de Mario Andretti e Ronnie Peterson, gerando protestos das demais equipes. Todas entenderam que o ventilador atuava como uma peça aerodinâmica móvel, mas a argumentação da Brabham de que o dispositivo servia para refrigeração do motor acabou aceita e o carro pôde disputar a corrida. Mesmo assim, como toda cautela é pouca, Bernie Ecclestone pediu que John Watson e Niki Lauda disputassem a classificação com tanque cheio. E as duas Brabham ficaram com o segundo e o terceiro lugares do grid, uma demonstração da incrível superioridade do carro-ventilador.
Na largada, Niki Lauda pulou para segundo e ficou escoltando a Lotus de Mario Andretti durante quase 40 voltas, até dar o bote e assumir a liderança. Voltas depois, o norte-americano abandonou com problemas de motor e Lauda disparou na frente, conquistando uma esmagadora vitória. Para se ter uma ideia, sua melhor volta foi quase um segundo mais rápida que as voltas dos demais, sem contar a Lotus de Andretti.
Tamanha superioridade fez com que a inovação continuasse a ser contestada, até que Bernie Ecclestone, sabendo que perderia a queda-de-braço, acordou com as equipes rivais em usar o carro-ventilador em apenas mais três corridas para depois abandoná-lo. Todos assinaram o acordo, mas assim mesmo o BT46B acabou definitivamente banido da F1. Uma comissão instituída para avaliar o caso concluiu que o dispositivo colocava em risco a segurança dos adversários, pois o ventilador poderia lançar pedras contra os carros que viessem atrás. O argumento parece absurdo, mas se levarmos em conta que seis anos antes Helmut Marko havia perdido a visão do olho esquerdo ao ter uma pedra lançada contra sua viseira no GP da França, ele passa a fazer algum sentido.
E foi assim, sem nenhuma despedida formal, que o bem-sucedido BT46B deu um súbito adeus à Fórmula 1. Um verdadeiro “one hit wonder”.

