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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: Jaime Alguersuari
Falta ambição

Equipe número 2 da Red Bull, nascida do espólio da simpática Minardi, a Toro Rosso surgiu para fazer apenas figuração na Fórmula 1. E assim foi nos seus primeiros anos, até que, dentro da estratégia de servir de plataforma de lançamento de jovens pilotos da Red Bull, teve a bênção de contar com Sebastian Vettel em um de seus cockpits por uma temporada e meia.
O salto técnico da Toro Rosso em 2008 foi impressionante. De time da rabeira conquistou status de equipe média e provou até o gostinho da vitória, num inesquecível GP chuvoso em Monza. Terminou aquela temporada à frente da própria Red Bull, criando um certo constrangimento nos austríacos.
Sabe-se lá se por causa disso ou não, o fato é que a partir daí a relação do time italiano com a fábrica de energéticos azedou. Vettel foi para a Red Bull e Didi Mateschitz chegou a ensaiar a venda da equipe, que acabou não acontecendo. A parceria técnica com o time principal acabou e agora são praticamente dois times independentes, ainda que Didi continue aportando dinheiro e escolhendo seus pilotos.
O lançamento do STR6 ontem deixou bem claro esse distanciamento técnico. O carro é bem diferente do RB7 da Red Bull, com um bico mais baixo, linhas menos agressivas e uma tampa de motor mais convencional. O propulsor que empurrará o bólido continua sendo Ferrari e a dupla de pilotos segue a mesma do ano passado: Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi, talvez a mais fraca de toda a Fórmula 1.
A perspectiva da Toro Rosso é de mais uma temporada fazendo figuração, numa versão meio torta do lema do Barão de Coubertin, que dizia que “o importante é competir”. No caso deles, talvez o importante seja apenas estar presente, desenvolver pilotos e exibir a marca. Tarefa que, um dia, já foi das cada vez mais indigentes categorias de base.
Touro Vermelho
Dando sequência à série de lançamentos de carros para a temporada 2010, a Toro Rosso também apareceu de cara nova em Valência. Sebastien Buemi e Jaime Alguersuari ergueram o pano e revelaram aos jornalistas presentes o STR5, alegadamente o primeiro carro produzido pela própria equipe, sem participação da equipe-matriz Red Bull.
Alegadamente porque, na prática, o carro segue a linha do vencedor RB5 do ano passado. Os engenheiros da Toro podem até ter feito um trabalho independente (do que ainda duvido), mas sem dúvida partiram de um projeto inicial da matriz. As mudanças com relação ao ano passado são sutis, pelo ângulo das fotos divulgadas ainda não é possível fazer um comparativo mais definitivo. Mas fica claro de que pouca coisa mudou.Mas, para ser diferente e reforçar a sua “independência” da Red Bull, a pintura mudou um pouco. A frente, agora, traz bastante vermelho, o que vai ajudar bastante a diferenciar os carros na pista. Até 2009, diferenciar à distância um Red Bull de uma Toro era uma tarefa difícil. Agora, as arquibancadas e os telespectadores agradecem.
Positivo e negativo: Adbu Dhabi
Positivo: Kamui Kobayashi. Marcou seus primeiros pontos apenas em sua segunda corrida de F1, derrotando o experiente companheiro Jarno Trulli e ganhando seis posições em relação à largada. Ousou na estratégia, fazendo apenas uma parada, e foi o único que obteve sucesso com isso. Kimi Raikkonen, por exemplo, tentou o mesmo, em sucesso. Palmas para o Koba.
Negativo: Jaime Alguersuari. Outro estreante na temporada, cometeu o erro patético de confundir a equipe na hora de parar nos boxes. Tentou parar nos boxes da Red Bull, que aguardava o líder Sebastian Vettel. Quase comprometeu a corrida da equipe principal.
Positivo e negativo: Hungria
Positivo: Lewis Hamilton. O campeão do mundo está de volta, com uma vitória segura, madura e indiscutível. Ainda que os rivais não tivessem enfrentado problemas, teria vencido.
Negativo: Sebastien Buemi. Conseguiu chegar em último, atrás do pouco cotado companheiro de equipe Jaime Alguersuari. O novato espanhol, aliás, fez uma corrida honesta. Não foi rápido, como se esperava, mas não fez besteira, andou direitinho e chegou ao fim da corrida.
Buemi vermelho

Fotos: Divulgação/Red Bull
Enquanto todas as câmeras e jornalistas em Hungaroring voltam-se ao novato Jaime Alguersuari, Sebastien Buemi arrumou um jeito de chamar a atenção para o seu lado na garagem da Toro Rosso. Trocou o amarelo de seu capacete antigo (à esquerda) pelo vermelho, aplicando no topo a cruz branca presente na bandeira de seu país, a Suíça.
Curioso é a alteração acontecer só depois de Sebastien Bourdais ter ido embora. Também com casco amarelo e azul, confundir os dois Sebastiões na pista era fácil. Agora que não era mais necessário, Buemi vermelhou.
Os cascos de Alguersuari
Já que a Toro Rosso confirmou a presença de Jaime Alguersuari como piloto titular no GP da Hungria, em substituição a Sebastien Bourdais, resolvi levantar os capacetes já utilizados pelo piloto espanhol.
Ainda que tenha uma curta história no automobilismo – estreou nos monopostos há pouco mais de quatro anos -, Alguersuari já utilizou pelo menos três pinturas diferentes em seu capacete. É o retrato de uma geração que troca de casco como quem troca de cueca.

Foto: Divulgação/JAlguersuari.com
No kart, o desenho tinha personalidade. Com cores da Espanha e com desenhos lembrando labaredas, possuía um visual agressivo. Mesmo sem nenhuma cor fria para contrastar, funcionava bem.

Foto: Paul Gibson/Flickr
Quando ingressou para o programa de jovens pilotos da Red Bull, precisou adotar a infame lata de energético em seu desenho. No entanto, manteve bastante da personalidade, com linhas originais de seu desenho anterior.

Foto: Divulgação/Carlin Motorsport
A partir desta temporada, na World Series by Renault, adotou uma terceira pintura. Abandonou os traços anteriores e partiu para quase que uma adequação completa ao formato “latinha de Red Bull”. Na minha opinião, o mais sem graça de todos.
Provavelmente, usará este na estreia, no próximo domingo. Ou será que ousará um novo desenho?
Alguersuari, a bola da vez

Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images/Divulgação Red Bull
Desde outubro de 2007, quando Alexander Wurz deixou a Williams para permitir que Kazuki Nakajima assumisse seu lugar para estrear no GP do Brasil, um piloto não era substituído por outro no decorrer de uma temporada da Fórmula 1. Mas o período recorde sem demissões, substituições ou lesões tende a terminar daqui a quinze dias, em Hungaroring. Segundo os mais fortes boatos no paddock no último final de semana, puxados pela apressada imprensa espanhola, a Toro Rosso deve anunciar até quarta-feira a dispensa de Sebastien Bourdais. Em seu lugar, surgiria um novato espanhol de nome difícil: Jaime Alguersuari.
A pose de galã da foto que ilustra este post não é mero acaso. Atualmente fazendo campanha mediana – 8º lugar – na World Series by Renault e com uma carreira de resultados bastante duvidosos, Alguersuari deverá ser o escolhido muito mais por questões de marketing e mercado do que necessariamente por talento nas pistas.
A Red Bull, como bem se sabe, faz um trabalho competente na Fórmula 1. Mas o sucesso nas pistas com suas equipes surge como um objetivo secundário. O objetivo principal é divulgar a marca de energéticos, associá-la a juventude, esportes radicais e tudo que seja “cool” para vender latinhas. E Alguersuari pode até não ser grande coisa, mas é jovem – 19 anos – e serve como um ótimo garoto-propaganda. Além de tudo, vem da Espanha, mercado promissor na Europa, inflamado pela Alonsomania e único país a sediar atualmente duas corridas da categoria na mesma temporada. Preencheu requisitos suficientes? Então está dentro.
O histórico de Alguersuari no automobilismo é modesto. Começou sua carreira em 2005, com 15 anos, na Fórmula Júnior 1600 Itália, categoria escola pra recém-saídos do kart. Terminou a temporada em 3º. No seu segundo ano de automobilismo, entrou para o Red Bull Junior Team, programa de desenvolvimento de pilotos da Red Bull. Disputou a Fórmula Renault Italiana e a Fórmula Renault Eurocup. Terminou em modestos 10º e 12º lugares, respectivamente.
Em 2007, prosseguiu nas mesmas categorias, agora pela melhor equipe, a Epsilon Euskadi. Na Italiana, lutou pelo título até o fim, mas perdeu para o finlandês Mika Maki. E na Eurocup ficou em 5º, quando o campeão foi o neo-zelandês Brendon Hartley. O detalhe é que os dois campeões eram seus colegas no programa da Red Bull. Ou seja, teve os resultados mais modestos dos três.
No ano passado, deu uma virada, fazendo uma boa temporada. Disputou a Fórmula 3 Britânica e brigou pelo título intensamente com Hartley, Sergio Perez e Oliver Turvey. Acabou campeão, mas muito mais por demérito dos demais do que por demontrar algum talento inato. Hartley errava demais e Turvey teve muitos problemas mecânicos. A falta de ímpeto do espanhol chamou um tanto a atenção, com ele próprio admitindo que preferia ser regular e chegar em 4º ou 5º do que lutar demais pela vitória. Ganhou fama, pelo menos, de ser um piloto cerebral.
O curioso é que, mesmo sendo campeão, o escolhido da Red Bull para assumir o posto de piloto reserva da Toro Rosso foi Brendon Hartley. Mas circunstâncias ainda não muito esclarecidas fizeram com que o neo-zelandês abdicasse do posto, abrindo caminho para Alguersuari. E de lá pra cá, a Espanha toda faz campanha para que seu pop star assuma um cockpit na Fórmula 1. O que há de fato e o que há de desejo neste movimento ainda não se sabe. Até o final da semana, deveremos ter a resposta.
Outro fator que conta a favor de Jaime é a sua juventude. Não que ter um garoto imberbe no volante vá ser alguma garantia de bom resultado, mas certamente é certeza de manchetes nos jornais. Caso ele dispute o GP da Hungria, quebrará o recorde de Mike Thackwell e passará a ser o mais jovem piloto a já ter largado para uma corrida de Fórmula 1, com 19 anos, cinco meses e três dias. Vinte e seis dias a menos que Thackwell.
Colaborou com este post: Renata, do Fórum Downforce.



