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Pra incomodar

A Lotus malaia surgiu na Fórmula 1 no ano passado cercada de desconfianças. Embora trouxesse com ela o nome de uma das lendárias equipes da categoria, não dava pinta de ser um projeto sério. A escolha dos pilotos, por exemplo, suscitou muitas interrogações: um quase-aposentado Jarno Trulli acompaanhado do descartado Heikki Kovalainen, que passou por duas grandes equipes (Renault e McLaren) e não foi aprovado.

Mas, contra todos os prognósticos, o time de Tony Fernandes fez uma temporada honesta. Demonstrou ter um carro confiável e, mesmo tendo passado longe dos pontos, ganhou – e bem – da badalada Virgin. Ganhar da Hispania já era esperado, dada a precariedade do time espanhol. Assim, foi a melhor estreante de 2010 e garantiu um certo fôlego para 2011.

E o relativo sucesso da primeira temporada serve de combustível para a segunda. O time trocou os claudicantes motores Cosworth pelos Renault, campeões do mundo com a Red Bull. O objetivo da equipe é claro: marcar pontos e incomodar os times médios. Um pódio ocasional, quem sabe? A fraca dupla de pilotos persiste, mas se com um carro bom até Andrea de Cesaris e Bertrand Gachot fizeram bonito com a Jordan há 20 anos, por que para a Lotus não é possível?

O carro novo está ali, escondido no meio de toda a equipe. É tímido, o coitado.
Foto: Divulgação/Lotus

Sim, é possível. Mas, antes de qualquer coisa, é preciso entrar na pista. O lançamento do novo carro, o T128, agendado para hoje, não passou da divulgação de simulações em computação gráfica. Até pintou uma foto da equipe inteira cercando o bólido, o deixando praticamente escondido. Esquisito pacas.

Como esquisita é a briga com a Renault, que quer tirar do time o direito de usar o nome Lotus. Mas, ao que parece, não vão levar. A própria FIA já vem tratando a “Lotus Renault” como Renault, num indicativo do que deve ser decidido nos tribunais nas próximas semanas. A Renault deve ficar apenas com o patrocínio da Lotus. Enquanto que a Lotus, que compra motores da Renault, vai estampar o logo da marca francesa no bico do carro. Teremos duas Lotus-Renault, mas na verdade não teremos nenhuma. No fim das contas, são duas empresas brigando na justiça para terem o direito de ser o que não são.

Esse é o mundo moderno, imagem é o que importa.

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Positivo e negativo: GP do Brasil

Positivo: Kamui Kobayashi. Estreou na Fórmula 1 fazendo uma corrida digna de nota, aplicando um “x” no campeão Jenson Button, brigando lindamente com Kazuki Nakajima e fazendo tempos de volta constantes e convincentes. A melhor estreia na categoria desde Lewis Hamilton e Robert Kubica.

Negativo: Jarno Trulli, pelo ataque histérico após bater em Adrian Sutil. Foi com sede demais ao pote, provocou um acidente e ainda saiu colocando a culpa no adversário.

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Primeira fila italiana é a sétima da história

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

De forma absolutamente inesperada, dois italianos ocupam a primeira fila no grid para o GP da Bélgica: Giancarlo Fisichella na pole, acompanhado por Jarno Trulli. E é apenas a sétima vez na história que isso acontece, sendo a primeira em quatro anos.

No GP da Austrália de 2005, Fisichella e Trulli já tinham dividido uma primeira fila, nas mesmas posições. Fisico, que estreava na Renault, venceu a corrida. Antes disso, no entanto, é preciso voltar bastante no tempo.

A primeira vez em que só italianos compuseram a primeira fila aconteceu, curiosamente, também em Spa-Francorchamps. Foi em 1952, quando Alberto Ascari, Giuseppe Farina e Piero Taruffi saíram na frente, todos com Ferrari. É bom lembrar que, nesta prova, a primeira fila era composta por três carros. Todos eles repetiram a dose no mesmo ano, no GP da França, largando nas mesmas posições. No ano seguinte, a italianada voltou a dominar o grid na França, mas agora com Ascari, Felice Bonetto e Luigi Villoresi.

Somente trinta anos depois a Fórmula 1 voltou a ver uma primeira fila da Itália, já na configuração de filas de dois carros. Foi com Elio de Angelis e Riccardo Patrese no GP da Europa de 1983, em Brands Hatch. E em 1984 aconteceu novamente, dessa vez com o mesmo De Angelis na pole, acompanhado de Michele Alboreto, no GP do Brasil.

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Trulli marca sua primeira volta mais rápida

Foto: Divulgação/Toyota

Foto: Divulgação/Toyota

Terceiro colocado apesar da pole position, Jarno Trulli tem pelo menos um motivo para comemorar sua participação no GP do Bahrein: marcou, pela primeira vez na carreira, a melhor volta de uma corrida.

Com isso e com 203 GPs nas costas, Trulli quebrou o recorde obtido por Jenson Button no GP da Malásia, tornando-se o piloto que mais provas demorou para marcar uma volta mais rápida. Parece um recorde que dificilmente será quebrado, pois o antigo detentor, Button, havia demorado 155 corridas para tal. Confira abaixo os recordistas em “voltas rápidas tardias”.

Piloto Corrida GPs disputados
Jarno Trulli GP do Bahrein/2009 203
Jenson Button GP da Malásia/2009 155
Nick Heidfeld GP da Malásia/2008 134
Thierry Boutsen GP da Alemanha/1990 114
Rubens Barrichello GP da Austrália/2000 113

 

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O verdadeiro pole position

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull

Avaliando os pesos dos carros na classificação, em release divulgado pela FIA hoje pela manhã, fica claro que, se alguém fez um grande treino hoje, este alguém é Sebastian Vettel. O alemãozinho da Red Bull esmerilhou, é um dos carros mais pesados entre os que largam na frente e, mesmo assim, conseguiu a terceira posição no grid. Se conseguir um bom ritmo de corrida nas primeiras voltas e não deixar as Toyotas escaparem, tende a vencer a prova.

Jenson Button é outro que está muito bem na foto. Tem três voltas a menos de combustível que Vettel, mas tem certa vantagem para as Toyotas de Trulli e Glock, os dois mais leves do grid. Olho nele e em Lewis Hamilton, que larga com o mesmo peso do compatriota. A McLaren não é tão confiável quanto a Brawn, mas parece em boa forma para a corrida.

Confira abaixo a relação de pilotos / peso do carro / posição de largada para amanhã.

Piloto Peso (kg) Posição de largada
Robert Kubica 698,6 13º
Nick Heidfeld 696,3 14º
Kazuki Nakajima 680,9 12º
Adrian Sutil 679,0 19º
Heikki Kovalainen 678,5 11º
Sebastien Buemi 678,5 16º
Nelsinho Piquet 677,6 15º
Kimi Raikkonen 671,5 10º
Nico Rosberg 670,5
Sebastien Bourdais 667,5 20º
Felipe Massa 664,5
Sebastian Vettel 659,0
Mark Webber 656,0 18º
Jenson Button 652,5
Lewis Hamilton 652,5
Giancarlo Fisichella 652,0 17º
Fernando Alonso 650,5
Rubens Barrichello 649,0
Jarno Trulli 648,5
Timo Glock 643,0
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Agora é a vez da Toyota

Foto: Divulgação/Toyota

Foto: Divulgação/Toyota

Na temporada da Fórmula 1 de cabeça para baixo, toda equipe tem direito a seu fim de semana de fama. Começou com a Brawn, dominando Austrália e Malásia. A tendência prosseguiu com a Red Bull, que mandou e desmandou na China. Agora, no Bahrein, é a vez da Toyota.

Os japoneses fizeram valer a vantagem de terem treinado milhares de quilômetros no circuito barenita durante a pré-temporada. Mas, logicamente, nem só isso explica o domínio. Afinal, Ferrari e BMW fizeram o mesmo e deram com os burros n’água.

Jarno Trulli e Timo Glock foram perfeitos e conseguiram uma primeira fila bastante importante. Ainda não se tem os pesos de cada carro para a largada, mas, pelo que se viu na pista, não parece ter sido apenas um showzinho para agradar patrocinador. A Toyota vem forte e tende a vencer a corrida amanhã. Se ocorrer, será a terceira diferente equipe a conquistar sua primeira vitória em 2009. Feito igual só aconteceu até hoje em 1977, quando Wolf, Shadow e Ligier subiram ao alto do pódio pela primeira vez.

Às rapidinhas:

- Atrás das Toyotas, segunda fila dos dois pilotos que despontam como protagonistas da temporada: Sebastian Vettel e Jenson Button. Nenhum dos dois pode ser descartado como possível vencedor, mas ainda levo mais fé em Trulli e Glock.

- Na terceira fila, Lewis Hamilton e Rubens Barrichello. A McLaren vem dando visíveis sinais de melhora – Kovalainen sai em 11º -, enquanto o brasileiro da Brawn não vive um bom final de semana. Pela terceira vez em quatro corridas na temporada, larga atrás do companheiro. Porém, provavelmente está mais pesado, o que pode explicar os dois décimos de diferença no tempo da classificação. Algo bastante aceitável.

- Fernando Alonso e Felipe Massa dividem a quarta fila. O espanhol nitidamente vem tirando leite de pedra com o carro da Renault, enquanto Felipe mostra alguma (pequena) evolução na Ferrari. Talvez a oitava posição no grid seja explicada pelo conhecimento prévio do comportamento deste carro no circuito de Sakhir, o que pode significar finalmente uma corrida nos pontos.

- Entre os companheiros, Kimi Raikkonen sai em décimo com a Ferrari, enquanto o cada vez mais avulso Nelsinho Piquet errou ao sair da pista em sua última volta, ficou em último no Q2 e sai em 15º. Pelo menos passou do Q1, vá lá. Mas não deve mais salvar o emprego.

- Williams com Rosberg em nono e Nakajima em 12º. Sem dúvida é o conjunto mais frágil da turma dos difusores de fundo duplo.

- BMW mal, muito mal. Robert Kubica em 13º, Nick Heidfeld em 14º, fogo no carro durante um reabastecimento do polonês… Se a Ferrari deu cinco passos para trás em 2009, a BMW deu uns quatro.

- Adrian Sutil foi uma grata surpresa do treino, marcando o 16º tempo com a Force India. Porém, atrapalhou Mark Webber em sua última volta rápida no Q1 e provavelmente deve levar um gancho. O piloto da Red Bull ficou apenas em 19º, revoltado.

- Último lugar para Sebastian Bourdais, outro que tem seu emprego ameaçado. Seu companheiro, o novato Buemi, foi 17º.

- Palpite para amanhã: dá Trulli, com Button em segundo e Vettel em terceiro. Se o italiano confirmar a vitória, será a sexta corrida consecutiva com vitória do pole position. Desde o GP da China do ano passado, quem larga na frente vence.

- Domingo, a partir das 8h30, comentários infames ao vivo no blog. “Não perquem….”

GP do Bahrein 2009 - Grid de largada

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Button mantém domínio

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- Duas corridas, duas pole positions. Jenson Button e a Brawn continuam dominando amplamente este começo de temporada na Fórmula 1. Dessa vez, no entanto, a vantagem da equipe-sensação de 2009 não foi tão avassaladora quanto na Austrália. A Brawn está bem e é favorita na corrida, mas Toyota e Red Bull estão muito próximas. Jarno Trulli, segundo no treino, ficou menos de um décimo atrás. A briga promete ser boa.

- Rubens Barrichello não fez um bom treino, marcando apenas o quarto tempo. Como o próprio piloto admitiu para Carlos Gil na transmissão da Rede Globo, ainda que esteja mais pesado que Button, a diferença de seis décimos foi muito grande. Deveria ter ficado mais perto. “O carro saía muito de frente”, justificou. Eu só acho que ele se justifica demais.

- Por ter trocado de câmbio, perde cinco posições no grid e deveria largar em nono. Mas como Sebastian Vettel, terceiro, perdeu dez posições, Barrichello acabou ganhando uma. Sairá em oitavo.

- Timo Glock confirmou o bom desempenho da Toyota e sairá em terceiro. Quinto mais rápido, herdou as posições dos punidos Barrichello e Vettel. A primeira vitória da equipe japonesa nunca esteve tão perto.

- Nico Rosberg, estrela dos treinos livres, sai em quarto, fechando a segunda fila. Muito bom para a Williams, que tem grandes chances de voltar ao pódio.

- A terceira fila será aberta por Mark Webber, com Robert Kubica a seu lado. Enquanto Nick Heidfeld segue decepcionando com a BMW – larga em 11º -, o polonês vai muito bem, obrigado. Será só culpa do KERS?

- Não há dúvidas que, no momento atual, três equipes dominam a Fórmula 1: Brawn, Toyota e Red Bull. Williams, BMW e Ferrari parecem vir logo atrás, num segundo pelotão. Agora as coisas começam a ficar um pouco mais claras, mas fica a questão: terão elas fôlego para continuar andando na frente?

- A julgar pelo poderio da Ferrari, os italianos têm toda a capacidade de reação. O problema é que o time não se ajuda. A besteira na classificação de hoje foi imensurável. Satisfeita com as primeiras voltas de Felipe Massa e Kimi Raikkonen na primeira parte da classificação, recolheu os carros para a garagem e não voltou mais para a pista. Resultado: no finalzinho, Sebastian Bourdais roubou o 15º posto e tirou Massa do Q2. E Kimi escapou por pouco…

- Resultado: a estúpida soberba Ferrarista jogou o brasileiro a um ridículo 16º do grid, quando tinha chances claras de largar entres os 10 primeiros, quiçá entre os cinco, a julgar pelos treinos livres. Kimi conseguiu seguir adiante e sairá em nono. Impressionante como a Ferrari abusa de erros idiotas há pelo menos três temporadas.

- A McLaren pode ter feito um projeto ruim e pode ter feito a lambança que fez no episódio Hamilton-Pinóquio. Mas vão fazendo o que podem, sem cometer erros de estratégia. Lewis Hamilton sai em 12º e tem condições de pontuar na corrida. Seu companheiro Kovalainen foi o 14º.

- Já a Renault melhorou um pouco em Sepang, provavelmente graças ao KERS. Fernando Alonso, mesmo com uma incômoda otite, sai num bom décimo lugar. Já Nelsinho Piquet decepcionou outra vez, ficando à frente somente de três carros: das duas Force India e do novato Sebastien Buemi. 17º colocado, sua vida está complicada. A fase de adaptação já passou há tempos e Nelsinho segue lento.

- Palpite para amanhã: dá Button novamente. Porém, há grandes chances de chuva e aí embaralha tudo, sendo possível até que uma equipe grande vença. No molhado, aposto em Barrichello e Hamilton.

- Para encerrar: a pista larga de Sepang dá um sono…

Resultado da classificação - GP da Malásia

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Dando migué

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Lewis Hamilton admitiu hoje, em coletiva, que mentiu aos comissários. Tentou dar neles um verdadeiro “migué”, omitindo a informação de que teria deixado Jarno Trulli passar e deixando o italiano pronto para ser punido, como foi. Porém, o inglês tenta se defender alegando que fez isso orientado por Dave Ryan, diretor esportivo da McLaren, já devidamente afastado do cargo. Mas o fato é que, nessa história, ficou feio para todo mundo.

Ficou feio para Hamilton que, além de ter ficado com imagem de vilão-mentiroso-safado para alguns, ficou com a de mané para outros. Afinal de contas, foi muita estupidez descer do carro, contar a versão correta dos fatos para os jornalistas e depois mentir de forma deslavada aos comissários da corrida. Seria no mínimo inteligente avisar a McLaren: “olha, eu já falei a verdade, não vai colar”. Se não agiu de má-fé, foi burro. Tentou ser esperto e acabou como malandro-otário. O garoto é jovem, é perdoável. Mas não dá para negar que Hamilton já se envolveu em confusões proporcionais a seu talento, em muito pouco tempo de Fórmula 1. Sua imagem está ficando desgastada cedo demais.

Ficou péssimo para a McLaren. Com a reputação manchada desde o episódio da espionagem em 2007, mais uma vez passou a impressão de equipe desonesta. Feriu um dos princípios mais nobres do esporte, que é o fair play. É claro que não há santinhos na Fórmula 1, mas a mentira da forma como aconteceu foi um jogo sujo, baixo. E a equipe pode levar um gancho mais sério da FIA, embora não acredite que vá acontecer.

E, por fim, ficou ainda mais feio para a trapalhona FIA. Como os comissários julgam a desclassificação de um piloto baseado apenas no testemunho de Hamilton? O que Trulli disse não foi considerado por quê? Por que não avaliaram a telemetria da McLaren e da Toyota? Por que não ouviram a fita antes? Como, com duzentas câmeras espalhadas num perímetro de menos de cinco quilômetros e mais de uma câmera onboard em cada carro, não conseguiram captar o incidente e julgar de forma adequada? Tomaram uma decisão apressada, errada e sem subsídios adequados para tal.

É preciso mais seriedade, de todas as partes. No fim das contas, todos agiram como moleques. E fizeram de manés aqueles que ficam nas arquibancadas, nas poltronas e nos sofás. E, que no fim das contas, são a razão desses moleques existirem.

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Conversa entre Lewis e McLaren

Tradução capellesca do diálogo entre Lewis e McLaren após o incidente com Jarno Trulli no GP da Austrália. Alguns trechos técnicos do diálogo foram suprimidos, por não serem relevantes (coisas como “freios frios, aqueça”).

Lewis Hamilton: A Toyota saiu da pista na segunda curva… isso está certo?
McLaren: Entendido, Lewis. Vamos confirmar e damos retorno a você.
Lewis: Ele estava fora da pista. Ele saiu.
McLaren: Lewis, você deve deixar a Toyota passar. Deixe passar agora.
Lewis: OK.
Lewis: Ele ficou lento, bem na minha frente.
McLaren: OK, Lewis. Fique atento, fique atento. Ele vai ultrapassá-lo. Estamos falando com Charlie [Whiting, diretor de prova].
Lewis: Eu já o deixei passar.
McLaren: OK, Lewis. Está certo. Está certo. Mantenha a posição, mantenha a posição.
Lewis: Diga a Charlie que eu o ultrapassei, mas já o deixei passar.
McLaren: Entendido. Estamos checando. (…)
Lewis: Eu não tenho que deixá-lo passar, eu deveria assumir essa posição novamente, se ele cometeu um erro.
McLaren: Sim, a gente entendeu, Lewis. Apenas faça de acordo com a regra. Estamos perguntando a Charlie agora. Você está em quarto lugar. Mantenha esta posição, apenas fique próximo.
(…)
Lewis: Alguma notícia de Charlie, posso pegar a posição de volta ou não?
McLaren: Ainda aguardando resposta, Lewis. Ainda aguardando.
(…)
McLaren: OK, Lewis, esta é a última volta da corrida. Ao final da volta o Safety Car vai entrar nos boxes, apenas cruze a linha sem ultrapassar, sem ultrapassar. Nós estamos vendo este caso do Trulli, mas apenas mantenha sua posição.

O que se pode entender: Lewis estava querendo o terceiro lugar, pois achava que tinha direito à posição. Mas deixou Trulli passar por recomendação da equipe. O problema é que a desclassificação não veio baseada neste diálogo, mas sim na mentira que Lewis teria contado aos comissários ao final da corrida, que entraria em contradição com o que realmente ocorreu.

O que eu acho muito estranho é o fato de Hamilton mentir para os comissários, como eles alegam, sabendo que existem gravações do rádio disponíveis. E outra: por que, depois da corrida, Lewis falou abertamente a jornalistas que deixou Trulli passar por um pedido da equipe? Se ele mentiu aos comissários, seria lógico que mantivesse a mentira em público.

Muito, muito estranha esta história toda.

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Dois erros não fazem um acerto

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

A máxima é antiga e inspira-se no contrário das propriedades da multiplicação na matemática, que diz que “menos com menos, dá mais”. Mas é fato que na vida real dois erros não fazem um acerto e a FIA parece não prestar muita atenção nisso.

Hoje, a entidade mais atrapalhada do automobilismo mundial anunciou uma inversão nas punições no GP da Austrália. Jarno Trulli teve sua pena de 25 segundos cancelada e voltou ao pódio, recuperando seus seis pontos. Até aí, tudo bem, nada mais justo dados os novos indícios que surgiram durante a semana e que ajudaram a compreender melhor o acontecido. O problema é que, não satisfeitos, resolveram eleger um culpado. Um não, dois: Lewis Hamilton e McLaren foram “banidos” da prova e tiveram suas posições retiradas.

Por mais que a FIA diga que analisou as conversas de rádio, não acredito que nelas pudesse haver algum indício que a McLaren agiu de má-fé quando recomendou que Hamilton devolvesse a posição a Trulli. Teria o engenheiro dito pelo rádio: “deixa e trouxa passar e vamos forçar uma desqualificação”? Lógico que não. E duvido que haja alguma conversa que aponte, ainda que indiretamente, num direção assim. Seria uma estratégia tão absurda que não merece sequer ser comentada.

A McLaren errou, e feio, ao ter silenciado quando a Toyota foi punida. Se realmente Lewis e McLaren cederam a posição numa atitude de fair play, jogaram todo o jogo limpo para o espaço quando viram a adversária ser desclassificada e nada fizeram para esclarecer o caso. E talvez esta atitude contraditória, quase um fair-play-pero-no-mucho, é que tenha gerado a punição. Mas fica esquisito pra caramba desclassificar alguém por isso. Uma multa, uma advertência, ainda vá. Até porque todo o imbróglio só aconteceu porque nenhum fiscal ou comissário – contratados pela própria FIA – conseguiu entender o que tinha acontecido. E nem as câmeras de televisão – controladas pela FOM, parceira carnal da FIA – conseguiram flagar o incidente.

Em última instância, a McLaren paga pela incompetência da entidade em administrar suas próprias competições. Culpam a equipe por “conduta enganosa”, quando tudo o que aconteceu foi bastante evidente, com todas as dúvidas geradas apenas pelo problema de cobertura de televisão e de cegueira de comissários. Em 2009, de erros em erros, de menos em menos, a FIA vem se esforçando cada vez mais para multiplicar a confusão.

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Atualização: A FIA acaba de divulgar em seu site o áudio e a transcrição da conversa de rádio entre Lewis e a McLaren durante o GP da Austrália. Com ela, fica evidente que Lewis realmente devolveu a posição.

Louvável a transparência da FIA em divulgar esta evidência, mas ela não é muito diferente do que já se sabia. O que justificaria a punição seria o fato de Lewis ter negado aos comissários, em conversa posterior à corrida, que tenha deixado Trulli ultrapassar. O problema é que isso não está gravado e não foi divulgado. Transparência pela metade não resolve a questão como um todo.

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Trulli merecia a punição?

A geração da televisão não mostrou o incidente que levou Jarno Trulli a perder o pódio no GP da Austrália. Mas como na era da colaboração todo mundo pode informar todo mundo, um cidadão australiano fez a sua parte. Publicou no Youtube um vídeo que fez das arquibancadas mostrando o que realmente aconteceu. Assista e julgue: Trulli merecia ser punido?

O ocorrido foi: Trulli escapou da pista sob bandeira amarela e Lewis Hamilton o ultrapassou. Logo depois, segundo o próprio Hamilton (isso o vídeo não mostra), devolveu a posição, já que é proibido ultrapassar sob tais condições. E quem levou o gancho foi o italiano da Toyota. Curioso observar que Timo Glock, com a outra Toyota, também escorregou na mesma curva, logo depois. Mas não perdeu posições.

Por mais que a regra diga que ultrapassagens são proibidas sob bandeira amarela, deve-se usar o bom senso. Hamilton não deveria ser punido por ultrapassar Trulli (como não foi), mas o italiano também não merecia perder 25s, já que a posição lhe foi devolvida por Lewis, que agiu com muito fair play.

O que você acha?

Ah, a dica foi do Hugo Becker.

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Depois de três anos, Toyota volta à 1ª fila

Foto: Divulgação Toyota

Foto: Divulgação Toyota

O segundo lugar no grid obtido por Jarno Trulli para o GP do Brasil foi muito comemorado pela equipe Toyota. Também, não é para menos. Desde o GP do Japão de 2005, com Ralf Schumacher, o time japonês não conseguia colocar um de seus carros entre os dois primeiros num grid de largada.

O resultado é a comprovação do renascimento da Toyota. Na Fórmula 1 desde 2002, gastando os tubos, a equipe não vem bem desde 2005, sua melhor temporada até aqui. Naquele ano, o time conquistou duas pole positions, subiu cinco vezes ao pódio e terminou o Mundial de Construtores em quarto lugar. De lá para cá, só decepções, brigas e cobranças, até a redenção em 2008.

Timo Glock foi segundo colocado na Hungria, Jarno Trulli foi terceiro na França e o time está em quinto na classificação geral. Não tem mais chances matemáticas de ultrapassar a Renault e terminará a temporada nesta posição, mas o segundo posto no grid da corrida em Interlagos é um encerramento perfeito para um ano de recuperação. Com a mudança de regulamento, pode ser uma equipe difícil de ser batida na próxima temporada. Apesar das seguidas mostras de ineficiência técnica e problemas políticos, a Toyota parece estar entrando no rumo certo. Bem diferente de sua rival Honda.

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Trulli de novo capacete (de novo??)


Bruno Vicaria me chama no msn, manda foto e informa que Trulli mudou de capacete. Eu me pergunto “e qual a novidade?”. Ao ver a foto eu me respondo: a novidade é que o casco ficou bonito pacas.

Das milhares de combinações bregas já usadas pelo italiano, essa parece a mais bonita de todos. “Ficou animal!”, nas palavras do nobre colega de Grande Prêmio e Rádio GP.

Te devo essa, Bruno!

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O Samurai Trulli

Essa é do blogueiro Peter Landsberg. O desenho do Trulli samurai, que o italiano utilizou no topo de seu casco nas primeiras provas de 2006, também estava presente na parte de trás do bizarro capacete comemorativo do GP do Japão de 2005.

Ei-lo.

Credo!

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Capacetes: Evolução (?) Trulli

Atendendo a numerosos pedidos e cumprindo promessa já aqui feita, publico abaixo a evolução da pintura do capacete de Jarno Trulli, com comentários.

De longe, é o piloto de Fórmula 1 que mais modelos diferentes já utilizou, sejam eles comemorativos ou não.

1) 1997-1999: Capacete original do piloto italiano, com o qual estreou na Fórmula 1 pela Minardi em 1997 e disputou as duas temporadas seguintes pela Prost.

2) 2000-2001: Pintura utilizada durante as duas temporadas dele na Jordan. Repare que foi adicionada a ela apenas a coroa amarela dos cigarros Benson & Hedges.

3) 2001 (1): Durante o GP dos EUA de 2001, Trulli utiliza este desenho “comemorativo”, homenageando o público norte-americano, dias após os atentados de 11 de setembro.

4) 2002-2003: De mudança para a Renault, o italiano muda os tons da pintura. O vermelho e o verde ficam mais cítricos. A coroa azul celeste da Mild Seven é incorporada à pintura.

5) 2003 (1): No GP da França, acontece a estréia dos modelos prateados. Este primeiro não era cromado, sendo uma pintura prata lisa, apenas com a coroa azul aplicada.

6) 2003 (2): Na corrida seguinte, na Inglaterra, Trulli muda para o modelo cromado. Inicialmente, sem pintura alguma. Apenas um casco cromado de coroa azul.

7) 2004 (1): O italiano começa a temporada de 2004 com o mesmo casco cromado, mas agora com os contornos da pintura original marcados em preto.

8) 2004 (2): Demitido por Briatore e contratado pela Toyota, Trulli muda o topo para vermelho e a coroa para branco. Este casco estreou no GP do Japão e foi utilizado em duas provas.

9) 2005-2006: No GP da Austrália, estréia o modelo sem coroa e com as pinceladas vermelhas características da Toyota no topo. Este foi, durante os anos de 2005 e 2006, o desenho-padrão.

10)2005 (1): Pintura comemorativa utilizada no GP de San Marino, com as cores da bandeira italiana.

11)2005 (2): Bizarro desenho exibido no GP do Japão. Cheio de flores e com um sol nascente ao fundo, foi a coisa mais grotesca já vista nos últimos tempos.

12)2006 (1): Muito parecido com o modelo-padrão, este casco se diferencia pelo topo, que pouco aparece na fotografia. Trata-se de um desenho ao estilo mangá de Jarno Trulli, de chuquinha, posando de samurai. Apareceu nas primeiras provas de 2006. Pensando bem, é bom que não dê para ver.

13)2006 (2): Desenho alusivo ao GP de San Marino, com as cores da Itália. Nesta, o “J” e o “T” estilizados se destacam, em branco.

14)2006 (3): Pintura em comemoração ao tetracampeonato mundial de futebol conquistado pela Itália. Com as cores da azzurra, da bandeira, e com a Copa do Mundo no topo.

15)2007: Capacete que estreou esta semana, no GP da Austrália. Possui a base crua de fibra de carbono, apenas com o desenho tradicional cromado. Um pouco melhor, mas também de gosto discutível. Como todos os demais.

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O "novo" Trulli

E Jarno Trulli estreou ontem, em Melbourne, a 1.675ª versão do seu capacete.

Agora com cor e textura de fibra de carbono, o casco é cromado apenas no desenho do “J” e do “T” estilizados, que sempre o acompanharam.

Achei bem melhor que os anteriores, medonhos. Este da foto à esquerda é o mais recente, que ele usou até janeiro deste ano. Aliás, estou devendo há tempos uma evolução da pintura do Trulli. Semana que vem sai.

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Toyota surpreende na Austrália

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Toyota decepciona no Bahrein

Ralf em 22º, Trulli em 24º

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Toyota estréia novo pacote aerodinâmico

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O arrependimento de Trulli

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