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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Arquivo da tag: Jean-Marie Balestre
Pensamento do dia
Na Fórmula 1 de Max Mosley, o pole position não é o mais rápido e quem tem mais pontos não é o campeão mundial.
Saudades do Balestre, viu…
Medalha de Ouro
Recebi e-mail de Mateus Fortunato, que indicou um vídeo no qual nunca tinha prestado muita atenção, com o pódio do GP dos Estados Unidos de Fórmula 1 de 1991. Fora o fato de Ayrton Senna ter simulado um tapinha no rosto de Jean-Marie Balestre, que também foi vítima de brincadeiras de Nelson Piquet, chama a atenção a premiação da prova.
Tal qual Bernie Ecclestone pretende implantar na F1 em 2009 (mas não deve conseguir), Senna recebeu como prêmio pela vitória uma medalha de ouro, em vez dos tradicionais troféus.
Morreu Balestre

Morreu anteontem na França, aos 86 anos, Jean-Marie Balestre. Presidente da FISA entre 1979 e 1991 e da FIA entre 1986 e 1993, foi o homem que conduziu o automobilismo mundial com mãos de ferro durante os anos 80.
Vaidoso, histriônico, arrogante, egocêntrico e centralizador, encarnava como poucos a caricatura de um grande ditador. Realmente mandava, mas adorava fazer parecer que tinha ainda mais poder. Uma figura controversa, mas acima de tudo, competente.
Foi durante a gestão de Balestre que a Fórmula 1 viveu alguns de seus melhores anos. Evolução na segurança dos carros e dos circuitos e, principalmente, um período de rápida evolução tecnológica, mas sem prejuízo do esporte.
Ao contrário de Max Mosley, que lhe sucedeu, Balestre abominava regras artificiais visando o “show”. Uma de suas maiores preocupações sempre foi com a legitimidade da competição, garantindo que o melhor sempre vencesse. Caso este, obviamente, não fosse Ayrton Senna.
A grande mancha da trajetória de Balestre foi sua queda de braço sem sentido com o piloto brasileiro, maior ainda que os boatos que o ligavam ao movimento nazista durante a Segunda Guerra Mundial. Por convicções pessoais, no desejo vaidoso de se mostrar acima de tudo e de todos, desclassificou Senna arbitrariamente do GP do Japão de 1989, entregando o título por antecipação a Alain Prost e impedindo uma briga pelo campeoanto na etapa final, na Austrália. Comissários da prova garantiram que receberam ordens diretas de Balestre para que Senna fosse impedido de subir ao pódio no final da corrida. E obedeceram.
Cego pela necessidade de demonstração de poder, Balestre começou ali a criar o mito Senna. A desclassificação da corrida, a posterior punição de seis meses ao piloto e a exigência de desculpas formais para que o brasileiro pudesse voltar a disputar um Grande Prêmio foram o necessário para que Senna ganhasse ainda mais destaque mundial. Antes visto como um piloto corajoso e genial, Ayrton passou a assumir além disso o papel de oprimido pelo sistema, herói silenciado pelo poder constituído e símbolo na luta pelas causas dos menos favorecidos. Um Davi de capacete contra o Golias de cartola da Place de la Concorde.
Senna e Balestre mudaram para sempre a vida um do outro. As ações do dirigente deram margem para que o brasileiro batesse de propósito em Prost na decisão do título de 1990 e ainda fosse visto como vingador. A ação inescrupulosa de Senna foi entendida como legítima, dada a briga desigual com o presidente da FIA. E Balestre perdeu toda e qualquer respeitabilidade política com isso, quando até seus apoiadores perceberam que a briga com Senna não passava de uma guerra de vaidades. Suas atitudes eram impróprias para o presidente de uma federação que regula um esporte.
Na eleição seguinte para a presidência da FISA, em fins de 1991, foi derrotado por Max Mosley e nunca mais recuperou seu prestígio político, embora ainda aparecesse todos os anos no GP da França com ares de dono do mundo. Perdia o poder, mas não a pose.

