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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Arquivo da tag: Jos Verstappen
Todos chora – Verstappen x Montoya

Em 2001, o GP do Brasil era a terceira etapa do Mundial de Fórmula 1. Uma época chata, na qual Ferrari e McLaren dominavam a categoria sem serem ameaçadas. No ano anterior, as duas equipes dividiram todas as vitórias do campeonato. E na temporada que mal começava, Michael Schumacher já mostrava suas garras tendo vencido as duas primeiras corridas. No Brasil, seguindo a tendência, Schumacher fez a pole. A F1 precisava de uma lufada de ar fresco.
Uma das promessas da época era Juan-Pablo Montoya, colombiano campeão da Indy que chegava à categoria com fama de “win or wall”: ou ganha, ou bate. E foi ele a grande surpresa daquele dia em Interlagos. Saído da quarta posição do grid com a Williams, pulou para segundo logo na largada, beneficiado pela pane na McLaren de Mika Hakkinen, que ficou estancada no grid e causou uma confusão geral.
Os comissários não conseguiram retirar o carro do finlandês do meio da reta a tempo e, por isso, o Safety Car foi acionado. Quando saiu, o grande lance da corrida: sem pedir passagem, Montoya colocou por dentro no “S” do Senna, deu um chega pra lá em Schumacher e assumiu a ponta da corrida. A torcida foi ao delírio vendo o bicho-papão alemão ser humilhado por um novato sul-americano. Galvão Bueno, pela TV, gritava alucinado: “Esse novato é maluco!”.
No entanto, imaginava-se que a liderança de Montoya não duraria muito tempo, dada a superioridade de Ferrari e McLaren. Mas não foi assim que aconteceu. A Williams continuou rendendo muito bem e o colombiano conduziu a corrida com a maestria de um veterano. Com metade das voltas previstas completadas, ainda mantinha a liderança, controlando Schumacher e David Coulthard com uma certa vantagem. À 38ª volta, a diferença era de quase seis segundos. A Williams não vencia há quase quatro anos, a Colômbia nunca havia vencido na Fórmula 1, Montoya era um novato abusado. Uma vitória épica se aproximava, até que…
Pois é. Ultrapassar retardatários faz parte do trabalho de quem lidera uma corrida. Mas ultrapassar retardados não deveria ser. Pena que havia um deles no caminho: Jos Verstappen. Décimo colocado, o holandês vaca-brava abriu passagem na reta oposta, na 39ª volta, para Montoya passar. O líder manteve o seu traçado e o ultrapassou. Porém, ao voltar para o traçado, Verstappen perdeu completamente o ponto de freada e voou com sua Arrows por cima da Williams de Montoya. Um acidente absurdo.
Silêncio no autódromo, anticlímax total. Verstappen, a besta, destruiu o que tinha tudo para ser um momento histórico. Montoya ficou de fora da corrida e o caminho ficou aberto para a vitória de David Coulthard. Que até nem foi tão fácil assim, já que a chuva atrapalhou um pouco a vida dos pilotos, mas nada que mudasse o resultado entre os primeiros.
Apesar da fama de “win or wall”, não se pode culpar Montoya pelo acidente. Quem fez jus à própria fama foi o holandês. Num 1º de abril, Jos Verstappen personificou o bobo da corte.
Detalhe que faz a diferença

Não é muito fácil reconhecer um piloto de Fórmula 1 à distância, dentro do carro, durante a corrida. O carro é perfeitamente distinguível, dadas as cores e as formas, mas saber qual dos pilotos está lá dentro não vem sendo uma tarefa muito simples.
Antigamente era muito mais fácil. Os carros tinham números enormes na frente e nas laterais que facilitavam a identificação, já que a cronometragem era manual e a distinção visual entre os carros se fazia fundamental para que uma corrida pudesse ser acompanhada. Ao final dos anos 70, com o surgimento da cronometragem eletrônica, os números passaram a ficar menos importantes e foram sofrendo um gradual processo de redução. Ao final dos anos 90, praticamente desapareceram.
Nesse ínterim, os espectadores das corridas passaram a utilizar as cores dos capacetes para saber quem era quem dentro de um carro da mesma equipe. Dava certo, embora em alguns casos cascos semelhantes pudessem causar confusão, como Jos Verstappen e Michael Schumacher, na Benetton em 1994. A partir de 1996, no entanto, as proteções laterais dos cockpits passaram a ser mais altas, por questão de segurança. Assim, os capacetes ficaram mais escondidos, dificultando novamente a distinção entre pilotos com carros iguais.
Foi então que, a partir de 2005, a FIA instituiu uma nova forma de identificação dos carros de cada equipe, utilizando as câmeras on-board localizadas acima do santo-antônio de cada carro, conhecidas como “T-Cams”. As regras e as cores variam desde então, mas a norma é: cada piloto de cada equipe tem uma câmera pintada de uma cor diferente.

As duas Force India, lado a lado. Liuzzi, com câmera amarela. Sutil, com a vermelha.
(Foto: Paul Gilham/Getty Images)
No GP da Austrália, muita discussão aconteceu em função de uma disputa entre Michael Schumacher e um carro da Virgin. O alemão ultrapassou por dentro e levou um belo “x” na retomada, numa manobra que foi creditada ao brasileiro Lucas di Grassi. O problema é que os narradores se enganaram. Basta ver qualquer foto ou frame para identificar que a microcâmera do carro envolvido tinha detalhes em vermelho, o que representa o alemão Timo Glock. A de Lucas Di Grassi é amarela. Logo, a disputa não foi com ele.
É um detalhe bastante simples, mas que faz toda a diferença. Abaixo, uma colinha com as cores das câmeras de todos os carros da F1 em 2010. Assim, se você quiser dar uma de bom para cima do Galvão Bueno na próxima corrida, estará bem escorado.
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É fogo!
Durante muito tempo, o fogo foi um dos maiores medos dos pilotos de Fórmula 1. Pelo menos cinco pilotos perderam a vida na categoria em acidentes seguidos de incêndio. Em 1967, Lorenzo Bandini foi a vítima no GP de Mônaco. No ano seguinte, Jo Schlesser foi vítima do fogo em sua Honda no GP da França. Em 1970, Piers Courage morreu a bordo de um De Tomaso da equipe de Frank Williams em Zandvoort, mesmo circuito em que Roger Williamson teve uma das mortes mais cruéis da categoria, em 1973. E em 1986, Elio de Angelis foi vítima de um incêndio em sua Brabham durante testes em Paul Ricard. Os austríacos Niki Lauda e Gerhard Berger, ambos com Ferrari, sobreviveram a graves acidentes seguidos de incêndio, em Nürburgring e Imola, respectivamente. O de Lauda, mais sério, deixou seu rosto marcado pelo resto da vida. Berger teve bem menos sequelas.
Mas não é de tragédias que quero falar. Mas sim de momentos de pirotecnia. Na Fórmula 1, o maior risco de incêndio está nos pit stops. Um pequeno vazamento de combustível, em contato com as partes quentes do carro, pode gerar assustadoras e espetaculares imagens. Mas, felizmente, não há registros de acidentes graves em pit stops da categoria.
No melhor estilo CQC, resolvi fazer um Top 5 dos incêndios em pit stop. Vamos lá?
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5. Felipe Massa – GP da Espanha de 2007
O mais recente de todos. Em um de seus dois pit stops na corrida, um pouco de gasolina vazou na Ferrari de Felipe Massa. A imagem até assusta incialmente, mas absolutamente nada aconteceu. Havia pouco combustível, que logo evaporou. Com o movimento do carro, o incêndio se extinguiu e o brasileiro pode prosseguir na corrida. E venceu.
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4. Keke Rosberg – GP do Brasil de 1983
Muito provavelmente, o primeiro acidente flamejante em um pit stop na Fórmula 1. A Williams de Keke Rosberg pega fogo e o piloto desce do carro. Porém, volta assim que o incêndio é extinto. O finlandês ainda chegou em segundo na corrida, mas foi desclassificado por ter o carro empurrado pelos mecânicos para voltar para a pista. Numa decisão bizarra da então FISA, ninguém foi alçado à segunda posição. Foi a única corrida da história da F1 que não teve um segundo colocado.
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3. Michael Schumacher – GP da Áustria de 2003
Nem um incêndio parava Michael Schumacher. Seu carro pegou fogo nos pits, mas o alemão permaneceu impávido, aguardando que seus mecânicos dessem fim às chamas. Acompanhou tudo pelo retrovisor e voltou à pista para ganhar a corrida, mesmo tendo perdido mais de dez segundos com o incidente.
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2. Eddie Irvine – GP da Bélgica de 1995
A Jordan de Eddie Irvine virou uma bola de fogo em Spa, 1995. Os mecânicos foram bastante rápidos, mas o carro apagou e o irlandês não pode mais retornar à prova, na qual ocupava a sexta posição.
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1. Jos Verstappen – GP da Alemanha de 1994
Era o ano do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, depois de dez anos de proibição. Ainda pouco preparados para emergências como essa, os mecânicos da Benetton deram um show de patetice. Muito combustível vazou, alguns saíram correndo, outros ficaram olhando para ver o que aconteceria. O carro explodiu em chamas e ao incêndio seguiu-se um corre-corre danado, até o piloto saiu correndo em chamas para dentro dos boxes. Felizmente, Verstappen teve apenas algumas queimaduras no rosto e nenhum mecânico ficou seriamente ferido.

