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Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
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Arquivo da tag: Juan Manuel Fangio
A melhor estreante da história

Foto: Divulgação/Bridgestone
Que a Brawn faz um começo de temporada estonteante e quebrou vários recordes de precocidade, todo mundo já sabe. Mas hoje, em Mônaco, ela atingiu um bastante significativo. Ela já é a equipe com o maior número de vitórias na temporada de estreia, em toda a história.
A marca durava 55 anos e pertencia à gigante Mercedes. Quando estrearam, em 1954, as flechas de prata conquistaram quatro vitórias. Com a conquista em Mônaco, Jenson Button garantiu a quinta vitória da Brawn na temporada, em apenas seis corridas. Um feito absolutamente inédito.
Em 1954, a Mercedes venceu também o mundial de pilotos, com Juan Manuel Fangio. Porém, o argentino foi campeão guiando por duas diferentes equipes. No começo da temporada, ele conquistou duas vitórias pela italiana Maserati, até transferir-se para o time alemão. Assim, se for campeã – o que parece ser o caso – a Brawn será também o primeiro time a conquistar o título mundial na temporada de estreia, com todos os pontos do campeão somados por seus carros.
Sem sombra de dúvidas, a Brawn é a melhor e maior estreante da história.
Primeiras vitórias

Foto: Vladimir Rys/Bongarts/Getty Images/Divulgação Red Bull
Sebastian Vettel conquistou ontem, na China, a primeira vitória da equipe Red Bull. Curioso é o fato de que o próprio Vettel já havia dado à Toro Rosso, há pouco mais de seis meses, também sua primeira vitória.
Assim, o jovem alemão ingressou no seleto clube dos pilotos que conseguiram a primeira conquista para mais de um construtor. Como ele, Juan Manuel Fangio também conquistou as vitórias de estreia de dois times: Maserati e Mercedes. E existem outros três pilotos que venceram pela primeira vez para três diferentes construtores: Dan Gurney (Porsche, Eagle e Brabham), Jackie Stewart (Matra, March e Tyrrell) e Stirling Moss (Cooper, Lotus e Vanwall).
Confira abaixo a primeira vitória de cada construtor na Fórmula 1:
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Pintou o favorito?

Foto: Divulgação/Brawn
Com duas vitórias nas duas primeiras corridas da temporada, Jenson Button lidera o campeonato mundial de pilotos, a bordo da surpreendente Brawn Mercedes. E se uma escrita histórica for levada em consideração, ignorando as circunstâncias, o britânico desponta como favorito ao título de 2009.
Em todos os campeonatos realizados de 1950 a 2008, em 16 ocasiões um mesmo piloto ganhou as duas primeiras etapas da temporada. E em apenas quatro delas este mesmo piloto não terminou o ano como campeão. A última vez em que o vencedor inicial não levou o caneco foi há 27 anos, em 1982, quando Alain Prost despontou com a Renault, mas não conseguiu pontuar nas sete corridas seguintes e terminou o ano apenas em quarto lugar.
Confira abaixo quem venceu as duas primeiras provas até hoje. Entre parêntesis, sua classificação final no campeonato.
1953 - Alberto Ascari (1º) *
1954 - Juan Manuel Fangio (1º) *
1957 - Juan Manuel Fangio (1º)
1969 - Jackie Stewart (1º)
1973 - Emerson Fittipaldi (2º)
1976 - Niki Lauda (2º)
1979 - Jacques Laffite (4º)
1982 - Alain Prost (4º)
1991 - Ayrton Senna (1º)
1992 - Nigel Mansell (1º)
1994 - Michael Schumacher (1º)
1996 - Damon Hill (1º)
1998 - Mika Hakkinen (1º)
2000 - Michael Schumacher (1º)
2001 - Michael Schumacher (1º)
2004 - Michael Schumacher (1º)
2009 - Jenson Button (?)
* Em 1953 e 1954, o GP de Indianápolis foi a segunda etapa da temporada, mas nenhum dos pilotos que disputavam regularmente o campeonato participavam da corrida. Assim, foram consideradas a primeira e terceira provas.
Brawn faz história, de novo

Foto: Divulgação/Bridgestone
Com duas vitórias em duas corridas disputadas, a Brawn fez história outra vez hoje, em Sepang. Nunca, na história da Fórmula 1, um time havia vencido as suas duas primeiras provas na categoria.
A Mercedes, que estreara arrasadora com dobradinha no GP da França de 1954, não conseguiu repetir o feito na Inglaterra, etapa seguinte do campeonato. Ainda que tenha feito a pole position com Juan Manuel Fangio, a equipe falhou em conseguir o pódio. Outro argentino, José Froilan Gonzalez, venceu a corrida com a Ferrari, seguido por Mike Hawthorn e Onofre Marimon. A primeira Mercedes ficou em quarto, com Fangio.
Em 1977, Jody Scheckter venceu a prova de estreia da Wolf na Argentina, mas era apenas 11º em Interlagos quando abandonou o GP do Brasil, com problemas de motor.
Feito parecido encontra apenas paralelo na Alfa Romeo em 1950, que venceu todas as seis primeiras corridas que disputou. Mas como naquela temporada todo mundo era estreante, não é um desempenho tão impressionante quanto o da Brawn.
Trunfo das Equipes (11/16): Maserati e Benetton
Hamilton iguala-se a Fangio e Villeneuve*

Foto: Divulgação McLaren
* Texto de Rodrigo Borges, publicado no blog Esporte Fino
Lewis Hamilton já escreveu várias páginas dos livros de história. E, numa delas, tem a companhia de apenas dois pilotos. O inglês da McLaren é apenas o terceiro piloto, em toda a história, a conquistar o título em sua segunda temporada.
Hamilton se junta a Jacques Villeneuve, campeão mundial em 1997, e Juan Manuel Fangio, que conquistou o primeiro de seus cinco títulos em 1951. É preciso, porém, fazer uma ponderação. Como a F-1 começou em 1950, qualquer piloto que fosse campeão no ano seguinte faturaria o título na primeira ou segunda temporada.
Mais precoce que Fangio, Villeneuve e Hamilton, apenas o italiano Giuseppe Farina, que foi campeão em seu ano de estréia, em 1950. Mas, naquele ano, todos eram estreantes. Inclusive a recém-nascida Fórmula 1.
Acrescento aqui uma curiosidade Capellesca. Jacques Villeneuve conquistou seu título em sua 33ª corrida. Lewis, na 35ª. So close!
Operação Fangio

Em 2 de outubro passado, completaram-se 50 anos de um dos mais inusitados acontecimentos da história do automobilismo: o seqüestro de Juan Manuel Fangio, organizado por guerrilheiros cubanos.
O misterioso Monocromático, do excelente blog Histórias da Fórmula 1, relembrou esta história semana passada, com um ótimo texto que reproduzo aqui. Vale cada linha.
“Esses são meus amigos, os seqüestradores.”Há 50 anos ocorreu um dos fatos mais insólitos na história dos Grandes Prêmios. Em fevereiro de 1958 seria disputado o segundo Grande Prêmio de Cuba, na capital Havana, prova extra-campeonato que contava com pilotos e carros do Campeonato Mundial de Fórmula 1. A presença mais ilustre era a do já pentacampeão mundial Juan Manuel Fangio, convidado pela organização da prova.
O Grande Prêmio de Cuba havia sido planejado pelo ditador Fulgêncio Batista, à época enfrentando problemas com a guerrilha baseada em Sierra Maestra, o Movimento 26 de Julho, liderado por Fidel Castro, para tentar aumentar o prestígio do seu regime, e, com alguma sorte, atrair as atenções de possíveis aliados para os problemas internos da ilha. Juan Manuel Fangio se tornou, involuntariamente, uma peça chave nos esquemas do ditador… e dos guerrilheiros.
Na noite anterior ao Grande Prêmio, Fangio se reunia com seus mecânicos no saguão do Hotel Lincoln, e estava confiante na vitória no dia seguinte. De repente, um homem armado com uma pistola 45 mm irrompeu, apontando a arma para Fangio e dizendo: “Desculpe Juan, mas terá que me acompanhar.” Era um membro do Movimento 26 de Julho. Todos permaneceram imóveis. O piloto Alejandro D’Tomaso, que estava presente, fez um breve movimento com as mãos, ao que o seqüestrador respondeu aos berros: “Cuidado, se mexer eu atiro! Outro movimento e os mato!” Fangio, no entanto, parecia tranquilo, e não resistiu (de princípio, pensava ser um trote do seu empresário, que estava presente). O homem armado, com a arma apontada para suas costas, o levou para fora do hotel até a esquina, onde um carro os esperava.
Após uma hora escondido no chão do carro, Fangio chegou ao lugar que supunha ser o cativeiro. Entrou em uma casa por uma escada de incêndio. Em um quarto, uma mulher com um filho, em outro, um homem ferido. Os homens saíram, deixando dois companheiros de guarda do argentino. Momentos depois, o levaram novamente a um novo veículo, que o conduziu, de olhos vendados, até uma casa num bairro nobre de Havana. Ali havia muita gente festejando o sucesso da operação. Alguns pediam autógrafos. E El Chueco, amigável, chegou a reclamar que não havia jantado ainda.
Aliás, um ato de terrorismo logo se transformou numa das lembranças mais agradáveis da carreira de Fangio. Embora El Chueco nunca se definisse politicamente, na ocasião simpatizava com movimentos de esquerda e sabia da situação ruim que a ilha vivia desde o golpe de Batista em 1952. Naquela noite, a dona da casa lhe serviu batatas fritas com ovos, que ele comeu com gosto. Na manhã seguinte, o revolucionário Faustino Perez, um dos mentores de toda a operação, lhe trouxe os jornais, e atendeu imediatamente o pedido do argentino de que avisasse a sua família sobre o ocorrido. Ele apenas se recusou a assistir a corrida pela TV. O circuito, montado na parte costeira da capital, possuía um salto numa reta que fazia seu Maserati 450S quase se desmanchar ao tocar o solo. A corrida foi interrompida por causa de um acidente com dois carros (6 pessoas morreram, 40 feridas), e Fangio, depois, pensou que o destino lhe enviara os seqüestradores para poupá-lo dos perigos do percurso. “Senhores, vocês me fizeram um favor”, disse aos raptores.
O objetivo do grupo era manter Juan Manuel Fangio em cativeiro até o término da corrida. Terminado o prazo, pensaram em como fazer isso sem correr riscos, pois uma morte acidental de Fangio num tiroteio (ou até se fosse assassinado por homens do ditador) faria muito mal à imagem do Movimento. Então Fangio sugeriu que o levassem até a embaixada argentina (cujo embaixador era primo de Che Guevara). Ao ser deixado lá por uma mulher e dois jovens, Fangio, sorridente, os anunciou: “esses são meus amigos, os seqüestradores”, e obteve garantias de que nenhum mal seria feito a eles naquele local. Foram 26 horas de cativeiro.
Do dia para a noite, Fangio se tornou muito popular nos Estados Unidos, que acompanhavam com apreensão os acontecimentos em Cuba (estranhamente, Fidel Castro era uma figura bastante popular entre os jovens americanos, antes de firmar acordos bélicos com a União Soviética). O argentino notou, posteriormente, que “depois de 5 vezes campeão mundial, de ter vencido em Sebring, foi o seqüestro em Cuba que me fez popular nos Estados Unidos”.
Os revolucionários venceram esse jogo, pois Fangio se tornou uma espécie de embaixador do movimento ao mostrar para a imprensa de todo o mundo que o seu seqüestro não foi algo tão hediondo, e que as intenções dos revoltosos eram boas. A repercussão foi positiva para o Movimento 26 de Julho.
Seu envolvimento com a Revolução não acabou ali. Ainda naquele ano, intercedeu ao general Miranda para que o rapaz que o raptara no hotel, então preso, não fosse maltratado. Quando Fidel Castro assumiu o poder, enviou um convite a Fangio para uma visita a Havana, que ele não pôde atender. No aniversário de 25 anos da Revolução, o argentino recebeu um telegrama de Fidel com saudações de “seus amigos, os seqüestradores”, recordando que “mais do que um seqüestro e detenção patriótica, serviu, junto com sua novre atitude e justa compreensão, à causa de nosso povo, que sente por você grande simpatia, e em nome da qual o saudamos por um quarto de século.” Recebeu uma carta semelhante do governo cubano na ocasião do seu 80º aniversário, novamente remetida pelos “seus amigos, os seqüestradores”.
Hoje, na entrada do Hotel Lincoln, há uma placa de bronze, onde se lê: “Na noite de 24-2-58, neste mesmo lugar, foi seqüestrado pelo comando do Movimento 26 de Julho, dirigido por Oscar Lucero, o cinco vezes campeão mundial de automobilismo Juan Manuel Fangio. Ele significou um duro golpe propagandístico contra a tirania batistiana e um importante estímulo para as forças revolucionárias.
Do Baú: Encontro de Gênios

Em novembro de 1990, por ocasião da comemoração do GP de nº 500 da história da Fórmula 1, a organização do GP da Austrália reuniu vários campeões do mundo para uma foto histórica.
Em pé: James Hunt, Jackie Stewart e Dennis Hulme. Sentados: Nelson Piquet, Juan Manuel Fangio, Ayrton Senna e Jack Brabham. Nada menos que 19 títulos mundiais reunidos, todas as gerações da história da categoria representadas. Uma imagem que nunca mais se repetirá, visto que num período de menos de cinco anos, quatro destes campeões perderam a vida.
Alain Prost estava presente em Adelaide, mas negou-se a participar da foto, ainda irritado com o acidente provocado por Senna na largada do GP do Japão, duas semanas antes. Neste mesmo final de semana, Senna e Stewart também se desentenderam, com o tricampeão escocês acusando o brasileiro de agir de forma antidesportiva.
Kimi iguala feito de Fangio e Scheckter

O título mundial de Kimi Raikkonen em 2007 não foi histórico apenas pela virada sensacional que representou. O finlandês fez história também na Ferrari, igualando um feito até então exclusivo a Juan Manuel Fangio e Jody Scheckter. Somente eles tinham, até hoje, sido campeões em seu ano de estréia pela equipe italiana.
Fangio disputou apenas uma temporada pela Ferrari, em 1956, depois de sagrar-se tricampeão pela Mercedes no ano anterior. Com o trágico acidente de Le Mans, em 1955, os alemães se retiraram do automobilismo de competição e o argentino mudou-se para a equipe italiana. A passagem foi curta, mas Fangio venceu três corridas em dez e sagrou-se tetracampeão. No ano seguinte, retornou à Maserati para conquistar seu quinto título mundial.
Jody Scheckter ingressou na Ferrari em 1979, para fazer companhia à promessa Gilles Villeneuve. O sul-africano vinha de boas temporadas na Tyrrell e na Wolf e já tinha deixado de lado a fama de batedor inconseqüente. Começou a temporada obscurecido por Villeneuve mas, tal qual ocorreu com Kimi e Massa este ano, reagiu a partir da sexta corrida e arrancou para o título mundial. Jody permaneceu por mais uma temporada na Ferrari, mas o carro era tão ruim que fez com que passasse a questionar a necessidade de continuar correndo. Para se ter uma idéia, 1980 foi a única temporada da história em que nenhuma Ferrari subiu ao pódio em nenhuma corrida. Ao final do ano, decidiu se aposentar.
Kimi junta-se a Schumacher

A vitória de Kimi Raikkonen hoje em Spa o colocou ao lado de gênios do automobilismo. Ele e Michael Schumacher conseguiram vencer por três vezes consecutivas no charmoso circuito belga. E está agora a apenas uma vitória de igualar o recorde de vitórias seguidas em Spa, que pertence a Ayrton Senna e Jim Clark.
O brasileiro e o escocês venceram quatro consecutivas, em 1962-1965 e 1988-1991, respectivamente. Schumacher ganhou três, como Kimi, entre 1995 e 1997. Na pista, porém, o alemão havia vencido também a edição de 1994, mas foi desclassificado por causa do desgaste excessivo da prancha de madeira sob seu carro.
No geral, Schumacher é o maior vencedor em Spa, com seis primeiros lugares. Senna venceu cinco e Clark, quatro. Kimi juntou-se hoje a Damon Hill e Juan Manuel Fangio, com três vitórias no traçado mais desafiador da Fórmula 1.
Só ele e Fangio
Último espasmo antes de dormir. Só mais uma daquelas curiosidades inúteis que adoramos saber.
Além de Kimi Raikkonen, só Juan Manuel Fangio estreou na Ferrari com pole e vitória. Mas com um detalhe: o carro de Fangio quebrou no GP da Argentina de 1956 e ele embarcou no do companheiro Luigi Musso para continuar na prova, dividindo a vitória com o italiano.
Aliás, foi a única vitória de Musso na F1. Única, não. Meia. Que chato.
Galeria: 22 de janeiro no automobilismo

1956 – Juan Manuel Fangio e Luigi Musso vencem o GP da Argentina

1959 – Morre Mike Hawthorn

1972 – Carlos Reutemann faz a pole para o GP da Argentina, sua estréia na F1.
“Fangio e Musso? Como assim? Empataram?”. Não, não houve empate. Até 1958, era permitido que pilotos dividissem um carro numa prova de Fórmula 1. Musso correu uma parte do GP, Fangio correu outra. Para o campeonato, os pontos eram divididos entre os dois. Como o vencedor, em 1956, recebia oito pontos, ficaram quatro para cada um.



