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Detalhe que faz a diferença

Não é muito fácil reconhecer um piloto de Fórmula 1 à distância, dentro do carro, durante a corrida. O carro é perfeitamente distinguível, dadas as cores e as formas, mas saber qual dos pilotos está lá dentro não vem sendo uma tarefa muito simples.

Antigamente era muito mais fácil. Os carros tinham números enormes na frente e nas laterais que facilitavam a identificação, já que a cronometragem era manual e a distinção visual entre os carros se fazia fundamental para que uma corrida pudesse ser acompanhada. Ao final dos anos 70, com o surgimento da cronometragem eletrônica, os números passaram a ficar menos importantes e foram sofrendo um gradual processo de redução. Ao final dos anos 90, praticamente desapareceram.

Nesse ínterim, os espectadores das corridas passaram a utilizar as cores dos capacetes para saber quem era quem dentro de um carro da mesma equipe. Dava certo, embora em alguns casos cascos semelhantes pudessem causar confusão, como Jos Verstappen e Michael Schumacher, na Benetton em 1994. A partir de 1996, no entanto, as proteções laterais dos cockpits passaram a ser mais altas, por questão de segurança. Assim, os capacetes ficaram mais escondidos, dificultando novamente a distinção entre pilotos com carros iguais.

Foi então que, a partir de 2005, a FIA instituiu uma nova forma de identificação dos carros de cada equipe, utilizando as câmeras on-board localizadas acima do santo-antônio de cada carro, conhecidas como “T-Cams”. As regras e as cores variam desde então, mas a norma é: cada piloto de cada equipe tem uma câmera pintada de uma cor diferente.

As duas Force India, lado a lado. Liuzzi, com câmera amarela. Sutil, com a vermelha. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

As duas Force India, lado a lado. Liuzzi, com câmera amarela. Sutil, com a vermelha.
(Foto: Paul Gilham/Getty Images)

A regra vigente em 2010 é bem simples. Existem duas cores de câmeras: vermelhas e amarelas. As vermelhas são colocadas nos carros com a numeração mais baixa de cada equipe. Os companheiros com número mais alto, ganham câmeras amarelas. Na Ferrari, por exemplo, Felipe Massa (7) tem uma T-Cam vermelha. A de Fernando Alonso é amarela.

No GP da Austrália, muita discussão aconteceu em função de uma disputa entre Michael Schumacher e um carro da Virgin. O alemão ultrapassou por dentro e levou um belo “x” na retomada, numa manobra que foi creditada ao brasileiro Lucas di Grassi. O problema é que os narradores se enganaram. Basta ver qualquer foto ou frame para identificar que a microcâmera do carro envolvido tinha detalhes em vermelho, o que representa o alemão Timo Glock. A de Lucas Di Grassi é amarela. Logo, a disputa não foi com ele.

É um detalhe bastante simples, mas que faz toda a diferença. Abaixo, uma colinha com as cores das câmeras de todos os carros da F1 em 2010. Assim, se você quiser dar uma de bom para cima do Galvão Bueno na próxima corrida, estará bem escorado.

Equipe Câmera vermelha Câmera amarela
McLaren 1 – Jenson Button 2 – Lewis Hamilton
Mercedes 3 – Michael Schumacher 4 – Nico Rosberg
Red Bull 5 – Sebastian Vettel 6 – Mark Webber
Ferrari 7 – Felipe Massa 8 – Fernando Alonso
Williams 9 – Rubens Barrichello 10 – Nico Hulkenberg
Renault 11 – Robert Kubica 12 – Vitaly Petrov
Force India 14 – Adrian Sutil 15 – Vitantonio Liuzzi
Toro Rosso 16 – Sebastien Buemi 17 – Jaime Alguersuari
Lotus 18 – Jarno Trulli 19 – Heikki Kovalainen
Hispania 20 – Karun Chandhok 21 – Bruno Senna
Sauber 22 – Pedro de la Rosa 23 – Kamui Kobayashi
Virgin 24 – Timo Glock 25 – Lucas Di Grassi
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Corridaça!

A Fórmula 1 renasceu. Tudo aquilo que se esperava que o novo regulamento fosse proporcionar e não aconteceu no Bahrein apareceu em dose tripla na Austrália. Uma corrida antológica, com brigas do começo ao fim, com diferentes estratégias, recheada de ultrapassagens, disputas e acidentes.

É inegável que a chuva que caiu a poucos minutos da largada foi decisiva para trazer à corrida tantos ingredientes de emoção. Mas, de toda forma, a pista secou logo no começo e as brigas e ultrapassagens prosseguiram por todas as 58 voltas.

O GP da Austrália serviu para mostrar a FIA o total equívoco que é a obrigação do uso de dois compostos de pneus e de um pit stop por corrida. Se a chuva teve contribuição decisiva em todas as brigas foi principalmente por ter zerado essa regra absurda e permitido que diferentes estratégias fossem estabelecidas. Jenson Button, Robert Kubica e as Ferrari apostaram em apenas uma parada. Lewis Hamilton, Mark Webber e Nico Rosberg decidiram trocar de pneus duas vezes. Para eles não foi a melhor decisão, mas trouxe um molho todo especial à prova.

Button e Alonso se enroscam na largada. E sobrou para Schumacher. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Button e Alonso se enroscam na largada. E sobrou para Schumacher.
(Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Tudo já ficou embaralhado na largada, quando Felipe Massa saltou de maneira esplêndida da quinta para a segunda posição na primeira curva. Sua arrancada foi impressionante, deixando todos na poeira (ou na água, se preferir). A encrenca ficou toda atrás de si, com Button e Alonso dividindo a curva com o espanhol levando a pior, rodando e carregando consigo Michael Schumacher, que entrou de gaiato na história e danificou seu aerofólio dianteiro.

Tanto Schumacher quanto Alonso caíram para o final do pelotão, enquanto Button não teve um prejuízo tão grande, caindo de quarto para sexto. Mas essa situação desconfortável foi decisiva para sua vitória. Como já não tinha mais tanto a perder, resolveu arriscar e foi o primeiro piloto a colocar pneus slick na pista úmida, na sexta volta. Apesar de ter saído da pista logo na primeira volta com pneus para seco, virou uma série de voltas mais rápidas na sequência. Ganhou a corrida ali.

Mas, àquela altura, o franco favorito era Sebastian Vettel, que largara na pole e vinha convincentemente na frente. Enquanto algumas posições se misturaram nas trocas de pneus – Massa caiu de segundo para quarto, Button foi para segundo e Kubica pulou de quarto para terceiro -, o alemão da Red Bull manteve-se em primeiro lugar, até com alguma folga para o surpreendente Button. Até que sofreu sua segunda falha mecânica consecutiva quando liderava, tendo um problema de freios que travou sua roda dianteira direita. Vettel perdeu o controle do carro e ficou atolado na caixa de brita.

Webber e Hamilton protagonizaram os melhores momentos da corrida. (Foto:Ryan Pierse/Getty Images)

Webber e Hamilton protagonizaram os melhores momentos da corrida.
(Foto:Ryan Pierse/Getty Images)

A sorte sorriu para Button, que passou a líder. Lewis Hamilton vinha numa corrida impressionante, assim como Mark Webber. Os dois realizaram diversas ultrapassagens, algumas antológicas, como a de Hamilton sobre o próprio Webber e Felipe Massa na briga pela quinta posição. Os dois se enroscaram logo depois e acabaram ficando para trás, fortalecendo a posição do brasileiro.

Felipe, por sinal, fez uma corrida inteligente. Cometeu poucos erros, não ultrapassou ninguém, era perseguido por todos. Em dados momentos, pareceu fazer uma corrida abaixo da média, mas foi só mais adiante que a explicação apareceu. O brasileiro poupava pneus para não precisar parar novamente, enquanto que os alucinados Hamilton e Webber davam show, despreocupados com seus compostos, já que parariam novamente.

Mesmo com os pneus desgastados, Massa segurou Alonso atrás de si a partir da metade da corrida, calando os conspiradores que já apontavam um favorecimento ao espanhol no GP do Bahrein. Lá atrás, depois da segunda troca de pneus, Hamilton e Webber vinham alucinados, seguidos por Nico Rosberg. Seus tempos de volta eram, em dados momentos, até dois segundos melhores que dos líderes. Inevitavelmente, colariam no pelotão principal. E colaram.

Mas, quando Hamilton apareceu na briga pela quarta posição, seu adversário era Fernando Alonso, osso duro de roer. O espanhol vendeu caro a ultrapassagem, mantendo o inglês atrás de si, sem chances de ultrapassar, por pelo menos dez voltas. E quando Lewis tentou dar o bote, a três voltas do fim, Alonso foi magistral. Defendeu-se limpamente, obrigou o inglês a uma freada forte e Webber, distraído, acertou a traseira do inglês da McLaren. Era o fim da briga. Hamilton conseguiu ainda voltar em sexto, enquanto que o australiano precisou de um pit stop extra para trocar a asa dianteira.

Kubica, 2º com a Renault, foi impecável. (Foto: Lorenzo Bellanca/LAT Photographic/Divulgação Renault)

Kubica, 2º com a Renault, foi impecável.
(Foto: Lorenzo Bellanca/LAT Photographic/Divulgação Renault)

Button, já disparado na frente, venceu com méritos. Robert Kubica, mesmo com um carro de potencial duvidoso como o da Renault, foi segundo colocado sem dar chances a ninguém. Andou no mesmo ritmo dos ponteiros e foi o grande destaque da prova. Felipe, com o terceiro lugar, tornou-se o único piloto a subir ao pódio nas duas corridas da temporada até aqui. Garante a segunda posição no mundial de pilotos e mostra que, se não foi brilhante, foi eficiente. E, ao final de 19 corridas, é isso o que vai importar.

Ficou claro que a Red Bull tem um grande carro, mas que ainda tem sérios problemas de confiabilidade. A Ferrari parece estar no meio-termo: tem um carro capaz de brigar pela ponta mais por sua resistência do que por sua velocidade. O que, no fim das contas, acaba sendo até mais importante.

Se, por terem um equipamento tão superior, Vettel e Webber deveriam ser favoritos, já estão um tanto para trás no campeonato e precisarão de recuperação. Tanta superioridade ainda não foi comprovada em resultados. Vettel soma apenas um quarto lugar e um abandono. O australiano foi ainda pior: um oitavo e um nono lugares. Muito pouco para quem tem carro sobrando.

A Ferrari aproveita e dispara na ponta. Alonso lidera o campeonato com 37 pontos, contra 33 de Felipe Massa. Graças à nova regra que valoriza as vitórias, Button já é o terceiro, com 31.

Mas alguém já deve estar se perguntando: e o Schumacher? Pois é. Por mais que deva ser dado a ele o desconto de quem regressa de uma aposentadoria, seu desempenho no Albert Park foi medíocre. Enquanto Alonso se recuperava dos problemas na largada com diversas ultrapassagens, o alemão ficou preso atrás do pouco cotado Jaime Alguersuari quase a corrida inteira. Foi ganhar a posição apenas nas voltas finais, e na sequência aproveitou para ultrapassar Pedro de la Rosa e garantir o décimo lugar. Muito pouco para Schumacher, é preciso admitir. Num domingo em que Button, Kubica, Hamilton, Vettel, Webber, Alonso e até Massa brilharam, ele ficou estranhamente apagado. A diferença de idade já estaria pesando?

Falando em idade, Rubens Barrichello foi outro que ficou um pouco aquém do esperado. Mestre na chuva, não largou bem, caiu do nono para o 11º lugar e fez uma corrida tão discreta quanto Schumacher. Foi oitavo. Seu companheiro Nico Hulkenberg, coitado, foi vítima de uma enorme panca de Kamui Kobayashi. Assim como já tinha ocorrido nos treinos livres, a asa dianteira da Sauber se soltou e o japonês virou passageiro. Na curva, pegou Hulk em cheio, no acidente mais espantoso da corrida. Felizmente, ninguém se machucou.

Entre os outros brasileiros, o mesmo de sempre. Lucas di Grassi teve problemas mecânicos com a Virgin, assim como Bruno Senna com a Hispania. Registro positivo para Karun Chandhok, companheiro de Bruno, que conseguiu arrastar-se com o carro da equipe espanhola até o final, chegando em 14º e último, cinco voltas atrás.

O legado do GP da Austrália de 2010 é extremamente positivo. Por mais que as circunstâncias da corrida não tenham sido normais, fica claro que, em traçados desafiadores e com pontos de ultrapassagem, poderemos ter belas corridas. Pena que semana que vem, na Malásia, deveremos ter outra corridinha sem-vergonha ao estilo Bahrein. A menos que lá caia o mesmo temporal que interrompeu a prova pela metade no ano passado. E, se é isso que garantirá outra corrida histórica, é pela chuva que torço.

RESULTADO DO GP DA AUSTRÁLIA

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Rapidinhas da Classificação: Austrália

- O treino de classificação para o GP da Austrália confirmou aquilo que já se imaginava no Bahrein: a Red Bull é o melhor carro nas condições de tanque vazio. Em Sakhir, a Ferrari pareceu melhor em ritmo de corrida, mas teve dificuldades de ultrapassagem em razão das características do traçado.

- A corrida de amanhã vai tornar mais clara essa avaliação. Mas, pelo que se viu nos treinos, a Red Bull é disparada a favorita.

- Mas Capelli, quem fez a pole afinal? (linha em homenagem ao mala do Ciro Bottini)

- Sebastian Vettel, de novo, ficou com a pole position. E, dessa vez, ainda tem o companheiro de equipe ao seu lado. O herói local, Mark Webber, completa a primeira fila.

- O alemão dominou todas as etapas no treino. Em sua melhor volta, foi um décimo mais rápido do que Webber. Porém, vale ressaltar que Vettel cometeu um erro e escapou numa curva, indo além da zebra. Ali, deve ter perdido de dois a três décimos. O que significa que sua Red Bull estava sobrando.

- O melhor não-Red Bull foi Fernando Alonso, que sai em terceiro. O espanhol andou sempre perto de Webber e pareceu até que poderia arrumar um lugar na primeira fila. Caso os carros da equipe austríaca não confirmem o domínio que podem impôr na corrida, parece o único capaz de encará-los, em condições normais.

Felipe Massa teve problemas com os pneus. (Foto: AP Photo/Rob Griffith)

Felipe Massa teve problemas com os pneus.
(Foto: AP Photo/Rob Griffith)

- Felipe Massa não foi bem, ficando apenas com a quinta posição. Mais preocupante ainda para ele foi a distância com relação a seu companheiro Alonso, sete décimos. Porém, realista e honesto, admitiu que tem problemas de aquecimento nos pneus e que seu modo de guiar exige uma temperatura mais alta. Assumiu que Alonso está mais adaptado às condições que a pista ofereceu hoje e é isso, sem dramas, choradeiras ou bravatas.

- Outro que não foi nada bem foi Lewis Hamilton. Não conseguiu passar do Q2, ficando na 11ª posição no grid. Nesta fase do treino, levou um toco de 0.6s de Jenson Button, algo surpreendente. O atual campeão do mundo vai largar na quarta posição. Inegavelmente, Button se dá muito bem no traçado do Albert Park.

- Em sexto e sétimo, a dupla da Mercedes, com Nico Rosberg novamente à frente de Michael Schumacher. A diferença entre eles, entretanto, já diminuiu, ficando abaixo de um décimo de segundo. A briga entre os dois alemães vai ser bem interessante.

- Fora as dominantes Red Bull, o grande destaque da classificação foi Rubens Barrichello. Foi até o Q3 e ainda conseguiu uma oitava posição. Foi muito além do que a Williams é capaz. Seu companheiro Nico Hulkenberg não passou do 15º lugar.

- Outro que vem extraindo mais do que o carro é capaz é Robert Kubica. Larga em nono e deve marcar seus primeiros pontos pela Renault amanhã.

- Adrian Sutil colocou, mais uma vez, a Force India entre os top 10. Tonio Liuzzi também foi bem e sai em 13º. Estão muito bem os carros indianos, é uma grata surpresa.

- Não há muito mais o que destacar no pelotão do meio, aqueles que ficaram à frente das equipes novatas com muita facilidade. A sensação de uma F1-B é cada vez maior.

- Vamos aos tempos. Vitaly Petrov, 18º e último da “F1-A”, ficou a 1.7s do melhor tempo no Q1. O 19º, Heikki Kovalainen, ficou a 2.3s do russo. Numa grosseira metáfora, caberiam mais uns 20 carros entre os dois. A diferença é muito grande.

- E a ordem das coisas nessa segunda divisão da F1 continua a mesma. Lotus na frente, Virgin no meio e Hispania no fim da fila. Dessa vez, pelo menos, os carros da equipe espanhola passariam na linha de corte dos 107%. Aplicando 7% sobre a melhor volta do Q1, o corte seria em 1’30.708. O tempo do último colocado, Karun Chandhok, foi 1’30.613. Passaria raspando.

- Proporcionalmente, portanto, a Hispania melhorou. O que é uma boa notícia para Bruno Senna, que abre a última fila na 23ª posição. Porém, ainda falta muito para seu time subir de divisão. Uma pena.

- Corridas na Austrália são sempre imprevisíveis, então fica difícil cravar que vá realmente dar Vettel. Intervenções do Safety Car são comuns e pode até chover amanhã. Se nada de anormal acontecer, a Red Bull deve levar. Mas Alonso e até Button podem brigar pela ponta. A largada será muito interessante.

GRID DO GP DA AUSTRÁLIA

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Meu nome é Virgin!

* Coluna publicada originalmente na edição zero da Revista Warm Up.

Um dos pressupostos básicos do bom jornalismo é dar nomes aos bois. Por isso, não caio no joguete fácil de, como forma de protesto, chamar a Rede Globo de RG. Se a critico, não posso cair na mesma armadilha. E a maior e melhor emissora de TV do Brasil, ao não fazer uso dessa mesma premissa, joga contra o telespectador. E cria confusão na cabeça de todo mundo.

Num passado já um pouco distante, a Fórmula 1 tinha uma equipe da grife Benetton. E que assim sempre foi chamada no país, em respeito ao empresário que desembolsa uns tantos dinheiros e que apoia o esporte para, em retorno, obter visibilidade à sua marca.

Ações semelhantes de marketing são difundidas mundialmente e respeitadas em países mais sérios. Nos EUA, a Nascar é denominada Sprint Cup. Por anos, foi conhecida como Winston Cup. Na Alemanha, ninguém rebatiza a Allianz Arena, estádio do Bayern de Munique. Assim como ninguém na Inglaterra resolve mudar o nome da O2 Arena ou do Emirates Stadium para não fazer propaganda. É este o nome dos locais, então é assim que devem ser chamados. É uma questão de respeito, bom jornalismo e até uma certa dose de boas relações comerciais.

Mas, no Brasil, a coisa é diferente. De alguns anos para cá, alguém na Rede Globo teve a brilhante ideia de mudar os rumos da cobertura jornalística. Aos olhos dos executivos comerciais, ações de marketing no esporte passaram a ser vistas como “propaganda gratuita”. Algo como: “Estamos divulgando demais algumas marcas sem receber nada em troca”. E as trevas começaram a surgir. No futebol no vôlei, no basquete. E mais evidentemente, na Fórmula 1.

No começo da década de 2000, quando a guerra entre as fabricantes de pneus Michelin e Bridgestone ganhou manchetes e passou a ser centro de discussões, eufemismos esquisitos apareceram. Nas transmissões globais, começaram referências a “pneu francês” e “pneu japonês”. A palhaçada terminou rápido, mas não ficou só nisso. Quando a fabricante de energéticos Red Bull comprou a Jaguar e a transformou em Red Bull Racing, em 2005, surgiu no Brasil a “RBR”. No ano seguinte, a mesma empresa comprou a Minardi e rebatizou-a de Scuderia Toro Rosso. Mas, no dicionário Global, apareceu a “STR”.

Tal política, de tão grosseira, esbarra no que se pode até supor que seja uma afronta jornalística proposital para gerar novos negócios. Pergunto: e se a Red Bull patrocinasse as transmissões, como seriam chamadas suas equipes? Estaríamos, aí sim, vivendo uma realidade inaceitável: a equipe precisaria pagar para que o jornalista fale seu nome.

Escudos da Ulbra e do Canoas: dois times totalmente diferentes

Escudos da Ulbra e do Canoas: dois times totalmente diferentes

Mais do que o desrespeito, ainda reside nessa política a contribuição para a má informação. O time de futebol da Ulbra foi tratado até 2009 pela Globo como “Canoas”. Sendo que Canoas, embora seja o nome da cidade, é outro clube. E a TV chegava a exibir o escudo deste outro time. Isso é mais do que omitir: é confundir.

A última da Globo foi determinar que a equipe Virgin não pode ser assim chamada. Alguém achou que o conglomerado britânico Virgin não merecia citação e veio então uma ordem: “Chamem de Manor!”. Para quem não sabe, Manor é o nome da equipe de Fórmula 3 que deu origem à Virgin Racing. É como se, em 1986, a Benetton continuasse sendo chamada de Toleman.

Com todo o respeito, Manor não existe. O nome da equipe é Virgin. E o brasileiro Lucas di Grassi, piloto do time, não deveria ser complacente com tal iniciativa. Na primeira entrevista ao vivo, que avisasse: “Nosso nome é Virgin!”. Quem sabe um adesivo no capacete. E quem sabe assim o público em geral perceba o descalabro informativo ao qual é submetido.

ATUALIZAÇÃO: Somente hoje, 12 de março, a Globo encontrou duas novas formas de se referir à Virgin. Durante o dia, foi “VR”. Talvez dando-se conta do mico que protagonizava fazendo propaganda para vale-refeição ou para uma grife, resolveu mudar de novo. A partir do Jornal Nacional, surgiu uma outra nova denominação: “VRT”.

O mais absurdo: o nome da equipe, registrado junto à FIA, é “Virgin Racing”. Não existe o T, completamente inventado pelo jornalismo da casa. A situação ganha contornos cada vez mais patéticos.

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Virtual Racing

Imagino o tamanho da confusão ocorrida hoje pela manhã na Inglaterra. Estava tudo pronto para a cerimônia de lançamento da Virgin Racing, que seria totalmente online. O problema é que uma série de falhas técnicas não permitiu que a cerimônia fosse transmitida, se é que ela realmente ocorreu. Jornalistas, fãs e curiosos ficaram de plantão esperando o evento, e nada aconteceu. Horas depois do horário previsto, tímidas fotos foram divulgadas na Internet. Em resumo: um fiasco total. Ou um #epicfail, na linguagem do Twitter.

Mas a ironia toda reside no fato da Virgin Racing ser de propriedade de Richard Branson, papa da inovação e dono de um conglomerado de empresas que trabalham justamente com comunicação. Talvez para diminuir o fiasco, o sempre aparecido Branson não deu as caras hoje. Sua imagem não foi associada ao time, pelo menos agora.

O fiasco do lançamento da Virgin pode ter sido apenas uma falha técnica, mas de certa forma, expõe a fragilidade das novas equipes da F1. Se a mais adiantada de todas tem problemas no lançamento de seu carro – fora a falha de transmissão, a maior parte das “fotos” do novo carro são simulações em 3D -, o que dizer das demais. USF1, ao que tudo indica, não sairá do papel. Lotus tem o dinheiro da Malasia, mas tudo anda muito silencioso por aquelas bandas. E a Campos tem sérios problemas financeiros e, se não for vendida logo, corre o risco de nem mesmo estrear.

A Virgin pelo menos tem dinheiro, bons pilotos (Lucas di Grassi e Timo Glock) e, ao que dá a entender, um carro. O modelo, desenvolvido mesmo sem túnel de vento, é bonito, na forma e nas cores. Se vai conseguir não andar na rabeira, eu não sei. A única certeza é a de que pelo menos a equipe existe. Mesmo com o malfadado lançamento virtual.

Confira abaixo a galeria de fotos e desenhos divulgados pela Virgin:

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Nova Williams também na pista

Estou devendo este post desde hoje pela manhã, mas antes tarde do que nunca. Juntamente com Toro Rosso e Mercedes, quem também botou o nariz de seu novo carro para fora dos boxes hoje em Valência foi a Williams. Rubens Barrichello teve a honra de estrear o FW32, completando 75 voltas no circuito Ricardo Tormo, até parar com uma pane eletrônica no acelerador.

O carro não teve um lançamento oficial, nem cerimônia para fotografias. Na melhor filosofia Muricy Ramalho – “aqui é trabalho!” -, os testes pista começaram direto, sem frescuras. Amanhã, Barrichello volta a guiar para depois dar lugar a seu companheiro Nico Hulkenberg, na quarta-feira.

O modelo parece uma evolução do FW31 da temporada passada, com bico ligeiramente mais alto e mais largo. Sem fotos de estúdio, ainda não pude fazer comparativos precisos (o mesmo acontece com Mercedes e Toro Rosso), mas prometo fazê-los ainda na pré-temporada.

A sequência alucinante de lançamentos de carros para 2010 dá uma parada amanhã, mas retorna na quarta-feira. E o lançamento será de uma novata, a Virgin, do brasileiro Lucas di Grassi.

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Pilotos brasileiros aderem ao Twitter

Nelsinho no Twitter

De forma rápida e inesperada, que não sei onde começou e nem onde vai terminar, diversos pilotos brasileiros resolveram entrar no Twitter para estreitar seus relacionamentos com fãs, jornalistas e curiosos. Dentre os que estão nas principais categorias do automobilismo mundial, destacam-se Helio Castroneves, Tony Kanaan, Mario Moraes, Lucas di Grassi, Bruno Senna e Nelsinho Piquet.

O filho de Nelson Piquet, principalmente, surpreende pela forma hábil com que usa a ferramenta. Enquanto a maioria prefere um certo distanciamento, publicando apenas algumas fotos e breves comentários sobre seu dia-a-dia, geralmente em inglês, Nelsinho fala de forma aberta, responde a todos em inglês e português e cria uma interessante rede de contatos com o público. Uma postura bastante contrastante com o distanciamento característico da F1. Não por menos, ele é o primeiro piloto da categoria a entrar no Twitter.

Bruno Senna é outro que inovou enviando twits direto dos boxes durante sua participação nas 24 Horas de Le Mans, no último final de semana.

Vale a pena conferir. Você pode acompanhar o Twitter de cada um deles clicando nos links abaixo.

- Nelson Angelo Piquet
- Bruno Senna
- Lucas di Grassi
- Helio Castroneves
- Tony Kanaan
- Mario Moraes

E para ver o que o desorientado do Capelli anda fazendo por lá, é só clicar aqui.

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Charge do Mantovani: Vestibular

Bruno Mantovani, hilário como sempre, retrata o “vestibular” da Honda nos testes que vão de hoje até quarta-feira em Montmeló.

Arte: Bruno Mantovani

Arte: Bruno Mantovani

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Di Grassi – Honda

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

No “vestibular” da Honda, Lucas di Grassi foi o primeiro a ir para a pista em Montmeló, agora pela manhã. Bruno Senna deve encarar a carroça japonesa somente à tarde.

A vaga, como se sabe, deve ser do sobrinho de Ayrton Senna. Só não o será se o brasileiro for muito mal em seus primeiros contatos com a Fórmula 1.

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A novidade do dia


Esperava-se que hoje, na cerimônia de lançamento oficial do R28, a Renault anunciasse um novo e grande patrocinador. Falava-se, inclusive, em um acordo multimilionário com a Telmex. Não aconteceu. Esperava-se, também, que a equipe mudasse um pouco a horrenda pintura de seu carro. Não mudou.

A novidade do dia foi o surpreendente anúncio do brasileiro Lucas Di Grassi, vice-campeão da GP2 em 2007, como piloto reserva para esta temporada. Aquele ali em cima, fora do foco principal de luz, escondido atrás de Alonso, com cara de desconfiado.

Pode não ser nada – afinal, Ricardo Zonta também surgiu repentinamente no lançamento do R27 no ano passado e desapareceu da mesma maneira -, mas mesmo assim é uma ótima notícia. É uma espécie de resgate da carreira deste piloto que, se não chegou a ser brilhante ano passado, pelo menos demonstrou que merece uma chance na F1. Com as portas da GP2 fechadas e com o anúncio de Romain Grosjean como piloto de testes da Renault, previa-se que o brasileiro ficaria à pé nesta temporada. Felizmente, não ficou. Que Di Grassi aproveite a oportunidade e consiga uma vaga no futuro. O que, numa categoria que hoje tem apenas 22 (ou 20) carros, está cada vez mais difícil.

Sobre o lançamento do carro em si, nada de novo. Mesma pintura, mesmo desenho já visto em Jerez, apenas alguns logos a mais. Em resumo: sem graça.

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