Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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Rapidinhas da classificação: China

- Quarta corrida da temporada, quarta pole position da Red Bull. Será que alguém segura os “touros indomáveis”?
- O domínio parecia se encerrar nessa classificação. Lewis Hamilton dominou o Q1 e o Q2 e despontava como barbada para a pole, dada a superioridade da McLaren. Mas alguma coisa deu errado justamente no Q2. Dentre os pilotos que largam mais à frente, foi o único que fez um tempo pior do que nas outras fases do treino. O resultado foi um decepcionante sexto lugar, atrás inclusive de seu companheiro Jenson Button.
- De toda forma, a Red Bull provavelmente ficaria com a pole do mesmo jeito. O temporal de Sebastian Vettel no final foi incrível: 1’34.558, quase um segundo melhor que no Q2. Hamilton precisava ter melhorado muito seu tempo de 1’34.928 para ter alguma chance.
- Fechando a primeira fila, adivinhe. Mark Webber, com a segunda Red Bull. Se não chover, um dos dois leva a corrida de barbada.
- Quem se deu bem no treino foi Fernando Alonso, terceiro colocado. O espanhol bateu a mais bem cotada Mercedes de Nico Rosberg por apenas um centésimo de segundo.

Hamilton era o favorito para a pole, mas desceu do carro decepcionado. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)
- Infiltrado entre os grandes, mais uma vez, Robert Kubica e sua boa Renault. Vai sair em oitavo.
- Dos que não passaram para a fase final do treino, destaque para Rubens Barrichello, 11º com a Williams. Fez Nico Hulkenberg comer poeira, em 16º.
- Jaime Alguersuari confirmou a boa forma, ficando com o 12º tempo. Vai largar logo à frente do seu companheiro ejetor de rodas, Sebastien Buemi.
- Lá na briga das estreantes para ver quem é menos pior, quem se deu bem foi a Virgin, que com Timo Glock ficou à frente das demais novatas, em 19º. Lucas di Grassi fazia boa volta e deveria fechar o Q1 com um tempo ainda melhor, mas errou no trecho final da pista e vai largar apenas em 22º. Entre as duas Virgin, as duas Lotus.
- E a Hispania fecha o grid outra vez, com Bruno Senna em 23º e Karun Chandhok em último. E se a esperança do time em acelerar seu desenvolvimento estava em contratar um piloto de testes experiente, a contratação de Sakon Yamamoto comprova que vão ficar o ano todo na rabeira mesmo.
- A previsão do tempo para a corrida nesta madrugada é de chuva, o que dá alguma esperança de uma corrida movimentada. Caso a chuva teime em não cair, deveremos ter mais uma prova sonolenta no Tilkódromo de Xangai. A vitória deve ficar com Vettel ou Webber, que só perderiam a ponta em caso de quebra mecânica.
- Com chuva, tudo se embaralha. E aí acredito muito numa corridaça de Fenando Alonso e Lewis Hamilton. Mas Vettel também é muito bom de chuva e deve dar trabalho.
- Lembrando: o treino foi às 3h de Brasília, mas a corrida é às 4h. Não esqueça do despertador. Eu estarei no Twitter dando pitacos.
GRID DE LARGADA – GP DA CHINA 2010

Pergunte ao Capelli: 7ª edição
P: A Hispania corre risco de ser a “Andrea Moda” do século 21? C/ o Bruno “Moreno” Senna e o Karun “McCarthy” Chandhok?
R: Já é, eu acho. Só espero que o dono também não seja preso.
P: E quanto a ideia de K ovaleinen querendo acabar com as bandeiras azuis?
R: Foi uma brincadeira dele.
P: Rosberguinho(a) continua andando na frente do Schumacher ou isso não dura até a metade do campeonato?
R: Acho que o duelo vai ser parelho, com vantagem para Schumacher.
P: Afinal, Glock é ruim demais ou amarelou e entregou a posição pro Hamilton em interlagos em 2008?
R: Nem uma coisa, nem outra. Vai andar de pneu para seco desgastado na chuva, para ver.
P: Galvão Bueno, Cleber Machado, Luciano do Valle, ou Teo José?
R: Por increça que parível, eu gosto mais do Cleber Machado.
P: Bia Figueiredo tem futuro na Indy?
R: Tomara que tenha.
P: O problema da Fórmula 1 é aerodinâmica ou excesso de confiabilidade mecânica?
R: Acho que as duas coisas.
P: Capelli, Faltou cameras ou foi posicionamento errado delas na Indy… Pois os caras cortam e depois de LONGOS 5s apareciam os carros no outro trecho…
R: Eu acho que foi problema de posicionamento, mesmo.
P: Jardel com Paulo Nunes, ou só Ronaldinho Gaúcho?
R: Jardel e Paulo Nunes. Eles fizeram história.
P: Ivan, parece idiota, mas descobri que não apenas eu não sei o que ao certo, mas muita gente não sabe. O que é, em termos mais técnicos, um treino de shakedown? É de acerto aerodinâmico!?
R: Shakedown é um treino de poucas voltas, apenas para checar se todos os componentes do carro funcionam.
P: Seu maior sonho?
R: Trabalhar na Malhação.
P: Capelli você já viu o filme: Bobby Deerfield? Aquele que o Al Pacino faz um piloto de Formula 1.
R: Já ouvi falar, mas não vi não.
P: O que o verdadeiro Ivan Capelli anda fazendo na vida?
R: Ele é o Luciano Burti da RAI. Mas sem “em termos de performance” e “ou seja”.
P: Algum palpite pra copa do mundo?
R: Brasil ou Argentina.
P: Capelli, quem foi o culpado pela morte do Henry Surtees na F2? A empresa que construiu os carros sem segurança, o Mosley que criou uma categoria barata ou o próprio Surtees?
R: Foi uma terrível fatalidade. Não acho que tenha havido culpados.
P: Capelli, qual foi a maior numeração usada para um carro da F1?
R: Houve um GP da Alemanha nos anos 50 no qual todos os carros inscritos correram com números acima de 100.
P: Tens escutado o quê de bom essa semana? ;D (spring2me.com) by alviis
R: Ademir do Arari, com Forrozinho. “eu vou aqui, vou acolá…”
P: Li não me lembro onde que a pole que o Vittorio Brambilla obteve no GP da Suécia de 75 foi conseguida por trapaça da equipe dele — balançaram um objeto na frente do olho eletrônico e foi registrado um tempo menor que o real. Isso é verdade ou lenda? by JCCyC
R: Não conheço essa história, mas é boa.
P: Olá, Capelli, já que você se referiu ao acidente da largada do GP da Bélgica/98 como sendo o mais espantoso, pergunto: o que aconteceu depois do acidente? Relargada com os carros reservas, ou a corrida foi para o vinagre? Grande abraço.
R: Relargada com carros reservas, mas sem vários pilotos. As equipes tinham só 1 carro reserva e muitas perderam os dois carros no acidente.
R: Eu acho que vai.
P: Vc acha q o Jonas deveria parar com aquelas requebradas após os gols?
R: Todo juiz tem o dever moral de anular o gol depois que ele faz essa dança ridícula.
P: Capelli, ja houve uma temporada inteira sem corrida com chuva? Hoje em dia é obrigatorio que as equipes tenham 2 carros? Não podem existir equipes com 1 carro só?
R: Sim e sim. Em 1987, por exemplo, não choveu.
P: O sr. acha que realmente vai acontecer a apresentação do trio Vanessa Camargo, Ivete Sangalo e Mara Maravilha no SuperBowl 2.011 e o mundo vai se render novamente ao telecoteco e balacobaco desse povo tão inzoneiro?
R: Se isso acontecer, jogam uma bomba atômica no Brasil. E a gente nem vai poder reclamar, porque vai ser merecido.
P: Caro Capelli… era a mulher de o Nigel Mansell a mulher mais feia do mundo mesma?… Raimundo desde Chile.
R: Na época, era. Hoje, o título é da mulher do Webber.
P: Voltando aos números. Pq Senna usou o 8 em 1993, já q, além de ser o primeiro piloto, estava na McLaren antes do Andretti?
R: Porque até o primeiro treino para o GP da África do Sul a presença de Senna ainda não estava garantida.
P: Capelli, quando foi que se iniciou a numeração fixa de carros por temporada? Foi em 1974? Por quê? E qual era o critério para numerar os carros antes disso?
R: Foi em 1974. Antes disso, a numeração era distribuída pela organização de cada GP, cada uma com seus critérios, que podiam ser os mais absurdos possíveis.
P: Capelli, estava conversando com uns amigos numa roda de canastra e surgiu uma curiosidade: Jacques Villeneuve foi o único campeão mundial de F1 “quatro-olhos” ou houve outro coelho caolho bom de braço? (fora o Paul Tracy).
R: Realmente não lembro de outro campeão de óculos.
P: Das equipes que permanecem na Fórmula 1 (não vale a Lotus), qual é a que está há mais tempo sem vencer? by nildojr
R: A Williams, sem vitórias desde 2004.
P: Na F1 atual sabemos que somente pilotos de luxo tem chance de ingressarem em uma equipe (à-la Piquet Jr), não acha que se a FIA colocasse um programa para jovens pilotos (sem grana) não iriam aparecer grandes talentos? Nunca ouvi falar de piloto pobre na F1.
R: Automobilismo é um esporte de ricos. Ninguém começa a correr de kart se não tem grana.
P: Capelli, quando acabou a luz verde de Largada de começou o ciclo de 5 vermelhas?
R: Em 1996. A última corrida com luz verde foi o GP da Austrália de 1995. E a primeira com a sequência de luzes foi também o GP da Austrália, em 1996.
P: Capelli, qual das “famílias” teve melhor desempenho na F1: Villeneuve ou Hill? Por quê?
R: Hill. Os dois membros do clã foram campeões.
P: É realmente verdade essa história de que Ayrton Senna teria um contrato firmado com a Ferrari pra 1996?
R: Assinado, não. Mas um acordo verbal, sim.
P: É verdade que muitos acharam que, no tricampeonato do Piquet em 1987, muitos acharam que o campeão foi insatisfatório? O que vc acha disso?
R: Piquet mereceu, foi regular para caramba naquela temporada. No duelo mano-a-mano, Mansell foi muito melhor que ele. Mas não fez os pontos necessários, fez besteiras… dançou.
P: Por que estão chamando o pessoal da Stefan GP de “piratas”? É alguma piada interna do Grande Prêmio ou os sérvios não são gente séria mesmo?
R: Eles são sérios, sim. O termo “piratas” é pelo fato de eles quererem entrar na F1 mesmo sem autorização.
P: Qual das novatas fecha as portas primeiro? E qual das equipes preteridas pela FIA tinha melhor condições de fazer um bom trabalho?
R: Eu acho que a Hispania dança rapidinho. Das preteridas, creio que a Prodrive era a mais estruturada. Mas cometeu o pecado de não querer os motores Cosworth.
P: Qual foi o acidente mais chocante que você ja viu? by Renanvelocidade
R: Ao vivo pela TV, o de Jeff Krosnoff, na Indy.
P: Algum carro de F1 já utilizou câmbio automático? by jeff strife
R: Em 1992 e 1993, alguns câmbios tinham programação automática para determinados pontos da pista. Mas nunca um câmbio totalmente automático.
P: O que vc acha do Barrichello defender o sistema 18-25-15-12-10-8-6-4-2-1 de pontuação na F1?
R: Sacanagem…
R: Gosto muito da Lotus, pela pintura; e da McLaren, pelo design.
P: Capelli, vi em uma revista antiga uma foto do March do Gugelmin pintado de verde e com motor aparecendo, já o carro de seu xará Ivan Capelli, era azul claro e com carenagem sobre o motor, em que ano isso ocorreu? E esse carro competiu mesmo?
R: Foi em 1988, e a diferença de cor se dá por causa da luz, ou da impressão da revista. O carro era um verde-água. O fato de ir para a pisat sem a carenagem sobre o motor era para evitar superaquecimento em dias muito quentes.
P: Vc achou o título do Senna em 1988 injusto? Afinal, foi o Prost que fez mais pontos. by heitormontes
R: Mas Senna teve mais vitórias. De mais a mais, o regulamento previa descartes e Senna foi campeão com justiça.
P: O Flávio Gomes e o Tiago Leifert são parentes? by eduardogeorge
R: Não, mas desconfio que se alimentam da mesma coisa.
P: Capelli, esta pergunta é longa. Eu como português lhe pergunto? O que achou do Pedro Chaves, Pedro Lamy e Tiago Monteiro, e agora mais recentemente, que acha do Álvaro Parente e Félix da Costa?
R: O Chaves não pôde fazer nada na F1. O Lamy tinha talento, mas sofreu um acidente grave logo na primeira temporada completa e perdeu o bonde. Tiago Monteiro era um piloto correto, não “vagaroso” como o sacaneavam por causa do sobrenome. O Parente eu já achei melhor, acho que é outro que perdeu o rumo. O Félix da Costa eu não conheço.
P: Já houve algum piloto gaucho na F1 ? by jonnyd801
R: Não. O mais perto foi Mauricio Gugelmin, que nasceu em Santa Catarina. Mas parece que o Nico Rosberg quer se naturalizar.
P: Capelli, em 1993 a Williams livrou-se dos números 5 e 6 e passou a usar os números 0 e 2. A McLaren deveria ter herdado os números da Williams, mas quem os herdou foi a Benetton, tendo a McLaren corrido com os números 7 e 8. Por que isso aconteceu? by brunopacheco
R: Até hoje não sei.
P: Alguma mulher já participou da Fórmula 1 como pilota?
R: Sim, Lella Lombardi chegou até a marcar ponto. Meio ponto, coitada.
P: Capelli, vendo Virgin e Lotus eu pergunto: qual foi a equipe (e ano) que você viu andar o mais atrás do resto do pelotão na sua vida de F1? by Reitano
R: A Coloni de 1988 era uma desgraça. A Andrea Moda em 1992, também.
P: E dentre os seguintes pilotos? (Glock, Di Grassi, Trulli, Kovalainen, Chandhok, Senna e quiçá Nakajima e Villeneuve), qual deles vai ser o “Mais” mosca-morta da temporada? (juntando carro lento + má performance) by Reitano
R: O Chandhok, coitado.
P: Capelli, quando o chaveiro da McLaren que você ganhou poderá ser meu? :D
R: Quando você comprar um.
P: Schumacher cumprirá o contrato de 3 anos?
R: Eu acho que sim. A menos que seja pouco competitivo este ano.
P: Capelli, sempre gostei em especial do circuito de Estoril, e acredito que o mesmo faz falta na F1. Você tem o mesmo pensamento?
R: Tenho. Gostava das corridas que aconteciam lá. Não sei como seria agora, já que avacalharam com a pista desde que inventaram aquela chicane em 1994.
P: Quem vc acha q vai ser a pior equipe da temporada? HRT, Virgin ou Lotus?
R: Hispania, disparada.
P: Quem é mais piloto? Robert Kubica ou Nico Rosberg?
R: Gosto mais do estilo do Kubica.
P: Salve, Capelli. A partir de quando a técnica de ‘ziguezaguear’ pela pista para o aquecer os pneus foi ‘adotada’ ? Algum piloto pioneiro ? Vendo os vídeos da década de 80 e 90, das voltas de apresentação inclusive, não havia esse ritual. Abraços, Ra
R: Havia sim… desde o começo dos anos 80. De 2000 e poucos para cá é que começaram os zigue-zagues mais inusitados, com Alonso e Montoya. O colombiano chegou a rodar por isso na Austrália. Acho que Alonso também já perdeu o controle uma vez.
P: Capelli, qual foi a ultrapassagem na F1 que mais te marcou? Não precisa ser a mais bonita, mas foi aquela em que você mais comemorou, mais se empolgou.
R: A de Piquet sobre o Senna na Hungria eu não assisti ao vivo, então não vou considerar. Acho que foi quando o Senna passou o Prost no Japão em 1988. Assistia a corrida com a minha irmã, ela saiu do quarto bem na hora e eu fiquei berrando, narrando o que acontecia à distância para ela.
P: Capelli. Falando sério, pq Ivan Capelli (sem a viadagem de q era bonito e blá blá blá). De onde surgiu isso?
R: Quando me cadastrei no Fórum Downforce, resolvi inventar um nickname. Tinha um livro na minha mesa com uma foto do Capelli aberta. Achei o nome sonoro e bateu uma certa identificação pelo fato de eu ser descendente de italianos. O apelido acabou pegando e agora virei Capelli mesmo.
P: Se você tivesse a oportunidade de pilotar qualquer carro da história da F1, qual escolheria?
R: A Williams de 1992.
P: Capelli, tem alguma chance de circuíto francês de Paul Ricard voltar à F1?
R: Não. A administração de Paul Ricard transformou-o num circuito exclusivamente destinado a testes.
P: Você acha que vencer campeonato com menos vitória que o vice é competência ou “comodismo”? by Miagi
R: Competência.
P: Capelli, se um pato perde a pata ele fica manco ou viúvo?
R: Manco, porque patos não são monogâmicos.
P: Capelli,assiste algum seriado?
R: Sim. Gosto principalmente de House, Lost e Dexter.
P: Dourado ou Serginho?
R: Dougado.
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Para enviar a sua pergunta, preencha o formulário em www.formspring.me/ivancapelli e aguarde a resposta. Lá eu respondo quase tudo, no blog só entram algumas selecionadas.
Tags: Bruno Senna, Fernando Alonso, Hispania, Lotus, McLaren
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Nostalgia como tábua de salvação
Um grande nome retornou oficialmente à Fórmula 1. A Lotus, lendária equipe de Colin Chapman, reencarnou na Ásia 15 anos depois de fechar suas portas. O carro exibido semana passada por seu novo dono, o malaio Tony Fernandes, ostenta o belo verde clássico do automobilismo inglês – o British Green – com detalhes em amarelo que remetem às vitórias de Jim Clark nos anos 60. Uma lembrança que tocaria o coração dos fãs do automobilismo, não fosse o tom farsesco de uma nostalgia barata.
A máxima Marxista de que “a história se repete como farsa” se aplica diretamente à atual realidade de uma Fórmula 1 que acabou no ano passado. A temporada que se apresenta em 2010 possui três grandes características notáveis: o fim da segunda era das montadoras, a crise econômica que se reflete em carros com poucos patrocínios e um ar nostálgico no posicionamento dos times, seja na pintura, no discurso ou na escolha do nome ou dos pilotos.
Ao cabo de disputas políticas, a Fórmula 1 rachou entre 2008 e 2009. FIA e montadoras entraram em pé de guerra e o ex-presidente Max Mosley fez questão de mostrar quem mandava ao aprovar o polêmico difusor de fundo duplo de Brawn, Toyota e Williams no ano passado (quando já havia vetado tal solução a outras montadoras, pouco antes). A decisão, puramente política e de caráter nada técnico, derrubou os projetos das grandes montadoras, que gastaram boa parte de seu tempo e orçamento trabalhando no KERS, discutível e caríssimo recurso “inventado” justamente por Mosley. Enquanto Ferrari, McLaren e Renault se viam às voltas com o trambolho de recuperação de energia cinética, os “queridinhos da FIA” ganhavam corridas. A McLaren ainda conseguiu fazer o KERS funcionar de maneira eficiente do meio para o fim da temporada, mas aí a Inês já estava morta. Brawn e Red Bull foram as estrelas do campeonato e subverteram a ordem da Fórmula 1. Não por coincidência, o KERS foi abandonado para 2010. Um fiasco total.
Em meio a tudo isso, as equipes articulavam um racha e tentavam derrubar Mosley. Conseguiram, mas colocaram Jean Todt no poder, alguém com a bênção do ex-dirigente. A FIA mudou não mudando e a F1 se viu em uma das maiores crises de sua história. Num terreno instável, Toyota e BMW seguiram o rumo da Honda em 2009 e abandonaram a categoria. A Renault vendeu o controle de sua equipe para o grupo Genii e o fato é que 7 das 13 equipes inscritas para a temporada de 2010 – mais da metade, portanto – ou são novatas ou trocaram de donos nesta pré-temporada. Dos 10 times que correram em 2009, apenas seis continuam existindo como eram: McLaren, Red Bull, Ferrari, Williams, Force India e Toro Rosso. E se levarmos em conta que apenas três delas possuem uma história de mais de cinco anos, sendo que a McLaren passa por uma fase de transição depois que a Mercedes comprou a Brawn, o cenário fica ainda mais claro: a F1, como um dia conhecemos, acabou.
E é nessa fase de reconstrução geral que a categoria tenta se sustentar usando a nostalgia como carro-chefe. A Lotus volta com seu lindo carro verde, a Renault recorre ao preto e amarelo de suas origens, a tradicional Mercedes traz de volta um passado recente contratando Michael Schumacher, enquanto que a novata Campos se apega ao sobrenome Senna para ganhar algum tipo de identidade. A nostalgia nem sempre é ruim, principalmente se considerarmos as contratações de Schumacher e Bruno Senna. Mas chega a ser aviltante que a Renault se recubra novamente de suas cores originais justamente em um momento no qual menos tem participação na equipe. No caso da Lotus, nem se fala: a única coisa em comum com a histórica equipe é o nome e a escolha de cores. Nada mais resta com relação ao time original.Fases de transição são mesmo difíceis e não condeno as equipes por tal apelo farsesco. A história é uma das poucas coisas que restam quando não se tem nada melhor para oferecer. O único problema é que se trata de uma estratégia que não dura muito tempo. Caso a Fórmula 1 não se estabilize num futuro próximo, corre o risco de ter sua identidade definitivamente extinta, virando apenas um circo de aventureiros, milionários excêntricos e dirigentes arrogantes.
Parceira, sim. Satélite, não.
Desde que foi anunciada a parceria técnica entre Force India e McLaren, imaginava-se que a equipe indiana rumava para tornar-se uma equipe-satélite dos ingleses, tal qual Toro Rosso e Red Bull, ou como já foram um dia Sauber e Ferrari.
Mas o lançamento do VJM03, hoje, deixou claro que a Force India deseja andar com as próprias pernas. O carro foi construído pelo próprio time e guarda apenas uma semelhança com o carro da McLaren: a asa-bigorna que se junta ao aerofólio traseiro. De resto, quase nada que lembre os carros prateados, nem de 2009, nem de 2010. Talvez a asa dianteira, mas nada que possa ser considerado “construído pela McLaren”.
O que, no fim das contas, conta a favor do time de Vijay Mallya. Desde o começo, apesar de excêntrico, o megaempresário indiano mostrou-se bastante um sujeito sério e comprometido em fazer uma equipe de verdade. Será a terceira temporada do time, que no ano passado surpreendeu com uma pole position e um segundo lugar de Giancarlo Fisichella no GP da Bélgica.Os propulsores continuam sendo da Mercedes-Benz e Adrian Sutil segue como piloto titular, mas tem agora ao seu lado o italiano Vitantonio Liuzzi. Último campeão da F3000, Liuzzi terá em 2010 talvez sua última chance de provar a que veio na F1. Suas participações por Red Bull e Toro Rosso no passado não tiveram o mínimo brilho, assim como suas poucas corridas pela própria Force India no ano passado, em substituição a Fisichella, que substituiu Massa na Ferrari.
O VJM03 traz como grande surpresa o bico extremamente largo, semelhante ao da BMW Sauber do ano passado. O que, no fim das contas, vem se mostrando uma tendência nos modelos de 2010. Se vai conseguir os mesmos grandes desempenhos do ano passado ainda não se sabe, mas uma coisa é inegável: a Force India, herdeira da Jordan, vem se mostrando uma equipe cada vez mais simpática.
A número 1
Numa cerimônia chata e sóbria como de costume, a equipe McLaren lançou na manhã de hoje o MP4-25, modelo com o qual disputará a temporada 2010 da Fórmula 1. O bonito carro rompe totalmente com o bólido do ano passado, que apesar de ter ganho corridas no final da temporada, foi responsável pelo pior início de campeonato da equipe em 25 anos.
Na imagem ao lado (que você pode clicar para ampliar), nota-se facilmente a diferença entre os carros. O design do MP4-25 parece mais fluido, cheio de curvas e saliências. Uma nova solução para o escapamento chama a atenção, assim como a extensão da traseira e da distância entre-eixos – em razão do maior tanque de gasolina, assim como a Ferrari.Destaque também para a “bigorna” que se funde com o aerofólio traseiro. No ano passado, a Renault chegou a aparecer com uma solução parecida. Mas o interessante foi a pintura aplicada na tal barbatana, que dá uma impressão de relevo. Deixou o carro mais bonito.
Jenson Button foi apresentado com honras de campeão do mundo, aparecendo até mais que o queridinho Lewis Hamilton. Por sinal, a equipe fez questão de destacar o número 1 da carenagem, colocando-o mais abaixo na pintura do bico para que seja mais visível. O bico, por sinal, é mais alto e menos curvo que o do ano passado, chegando até a lembrar a segunda versão da Ferrari de 1996.
Se vencerá corridas, não se sabe. Mas que o carro é bonito pra diabo, é.
Hamilton: primeira quebra na F1

Foto: Reprodução/Adrivo.com
Vice-campeão e melhor estreante da história da Fórmula 1 em 2007. Campeão do mundo logo na segunda temporada, em 2008. Apesar da temporada não tão boa em 2009, quando terminou em quinto, Lewis Hamilton não pode reclamar muito da sorte que tem na categoria. Afinal, pela primeira vez em três anos, o inglês experimentou ontem a sensação de abandonar uma corrida por falha mecânica.
Parece surreal, mas é verdade: até o GP de Abu Dhabi, em 51 corridas, o inglês jamais havia sofrido uma única quebra durante uma prova. Hamilton já tinha abandonado quatro corridas, mas todas por acidentes ou erros. Na China, em 2007, errou e ficou preso na caixa de brita na entrada dos boxes. No Canadá, em 2008, bateu na traseira de Kimi Raikkonen no pit lane. Na Bélgica, este ano, acidentou-se na largada. E na Itália, rodou e bateu sua McLaren na última volta.
Agora, em Yas Marina, o inglês teve sua primeira quebra mecânica. Seus freios traseiros apresentaram problemas e a equipe o orientou a abandonar. Sempre existe uma primeira vez, mas ela demorou bastante para Lewis Hamilton.
McLaren: ponto mais baixo em 28 anos

Foto: Divulgação/Bridgestone
Heikki Kovalainen teve um pneu furado e bateu com Sebastien Bourdais. Lewis Hamilton saiu na última fila e chegou em antepenúltimo. Distante das primeiras posições, a McLaren não marca pontos há quatro corridas. O jejum é histórico.
A última vez em que a equipe prateada ficou quatro GPs consecutivos sem pontuar foi há 28 anos, entre as temporadas de 1980 e 1981, do final do campeonato nos Estados Unidos até o GP da Argentina do ano seguinte. É o ponto mais baixo da história da equipe desde que foi assumida por Ron Dennis, no final de 1980. E, a julgar pelo desempenho que os carros vêm apresentando, o jejum deve seguir por mais algumas etapas.
McLaren tem pior sequência em 5 anos

Foto: Divulgação/DaimlerChrysler
Com o péssimo desempenho no GP da Turquia, Lewis Hamilton em 13º e Heikki Kovalainen em 14º, a McLaren atingiu a marca de três corridas consecutivas fora da zona de pontuação. Tal sequência negativa não se repetia há cinco anos, quando o time prata também ficou três corridas sem pontuar, entre os GPs da Espanha e da Europa de 2004. Na época, os pilotos eram Kimi Raikkonen e David Coulthard.
Caso também não pontue em Silverstone, o jejum será histórico. A última vez em que a equipe ficou quatro corridas seguidas sem fazer pontos foi há quase 30 anos, entre o GP dos Estados Unidos de 1980 e o GP da Argentina de 1981. Justamente na transição da direção da equipe, passando das mãos de Teddy Mayer para as de Ron Dennis.
Tags: GP da Turquia, McLaren
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Curiosidades do GP da Turquia

Foto: Reprodução/Google
Disputado há apenas quatro temporadas, o GP da Turquia é um dos caçulinhas da Fórmula 1. Porém, nem por isso, deixa de ter algumas curiosidades. A elas!
* Palco da primeira vitória de Felipe Massa, em 2006, o circuito de Istambul é bastante generoso com o brasileiro. Ele venceu três das quatro edições do GP da Turquia, todas pela Ferrari.
* Além de Felipe Massa, o único outro piloto a vencer na Turquia foi seu companheiro de equipe, Kimi Raikkonen. O finlandês venceu a prova inaugural do GP turco, em 2005, pela McLaren.
* Até hoje, todos os pilotos que largaram na pole position venceram em Istambul. Quatro poles, quatro vitórias.
* Istambul, principal cidade turca e onde se realiza o GP da Turquia, não é a capital do país, como muitos pensam. A capital é Ancara.
* O país fica situado parte na Europa e parte na Ásia, com a cidade de Istambul exatamente entre os continentes, ligados pelo Estreito de Bósforo. O circuito de Istanbul Park, onde se realiza o GP da Turquia, fica na metade asiática da cidade.
Curiosidades do GP de Mônaco

Foto: Reprodução/Google Maps
Tão tradicional quanto cheio de frescura, o GP de Mônaco é mais antigo do que a própria Fórmula 1. A primeira edição da prova aconteceu em 1929, 21 anos antes da criação da categoria. No próximo domingo, acontecerá o 67º GP no apertado circuito monegasco.
Algumas curiosidades acerca da corrida:
* O maior vencedor é Ayrton Senna, com seis conquistas no principado. Michael Schumacher e Graham Hilll venceram cinco vezes cada.
* Senna é, também, o único brasileiro a ter vencido em Monte Carlo. Até sua primeira vitória, em 1987, o GP de Mônaco era um tabu para o Brasil.
* Durante dez anos, apenas Alain Prost e Ayrton Senna venceram o GP. Entre 1984 e 1993, foram quatro vitórias do francês, contra seis do brasileiro.
* Senna ainda detém o recorde de poles em Monte Carlo: cinco. Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jackie Stewart e Alain Prost marcaram quatro.
* Em quatro das últimas cinco corridas em Mônaco, o pole position venceu a corrida. A exceção foi Felipe Massa, no ano passado, batido por Lewis Hamilton, que havia largado em terceiro.
* Volta e meia, a zebra passeia pelo GP de Mônaco. Na última delas, em 2004, Jarno Trulli largou na pole e venceu de maneira surpreendente. Em 1972, debaixo de um temporal, Jean-Pierre Beltoise conquistou sua única vitória na categoria. Mas a maior de todas as zebras foi Olivier Panis, vencedor da prova em 1996, numa corrida maluca em que apenas quatro carros cruzaram a linha de chegada. Foi a última vitória da equipe Ligier, que não ganhava uma corrida há quase 15 anos.
* Falando em equipes, a vencedora absoluta em Mônaco é a McLaren, com 15 conquistas. A Ferrari venceu 8, seguida pela Lotus, com 7. Foi também em Monte Carlo que a McLaren fez sua estreia na Fórmula 1, em 1966.
* Por 17 GPs consecutivos, apenas equipes inglesas venceram no principado. De 1959 a 1974, Cooper, Lotus, BRM, Brabham e Tyrrell alternaram-se no alto do pódio. A marca só foi quebrada por Niki Lauda em 1975, com a Ferrari. Depois de 20 anos, a equipe italiana voltava a vencer em Mônaco.
* O GP de Mônaco proporcionou alguns finais de corrida históricos. Em 1970, Jack Brabham liderava a corrida, mas escapou da pista na última curva da última volta, entregando a vitória para Jochen Rindt. O diretor de prova ficou tão surpreso que não deu a bandeirada para o vencedor.
* Mas nada supera a maluquice que foi o final da corrida de 1982. A liderança trocou de mãos diversas vezes nas últimas três voltas, até que Riccardo Patrese vencesse. Detalhe: ele só ficou sabendo que tinha vencido algum tempo depois. Essa história está detalhada aqui.
O verdadeiro pole position

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull
Avaliando os pesos dos carros na classificação, em release divulgado pela FIA hoje pela manhã, fica claro que, se alguém fez um grande treino hoje, este alguém é Sebastian Vettel. O alemãozinho da Red Bull esmerilhou, é um dos carros mais pesados entre os que largam na frente e, mesmo assim, conseguiu a terceira posição no grid. Se conseguir um bom ritmo de corrida nas primeiras voltas e não deixar as Toyotas escaparem, tende a vencer a prova.
Jenson Button é outro que está muito bem na foto. Tem três voltas a menos de combustível que Vettel, mas tem certa vantagem para as Toyotas de Trulli e Glock, os dois mais leves do grid. Olho nele e em Lewis Hamilton, que larga com o mesmo peso do compatriota. A McLaren não é tão confiável quanto a Brawn, mas parece em boa forma para a corrida.
Confira abaixo a relação de pilotos / peso do carro / posição de largada para amanhã.
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GP da Malásia é o 5º da história com pontos pela metade

Foto: Reprodução/Grande Prêmio
Interrompido depois de 31 voltas em função das fortes chuvas em Sepang, o GP da Malásia contou apenas metade da pontuação para os pilotos, por não terem sido completados 75% das voltas previstas. Em toda a história foi apenas a quinta vez, em 805 corridas válidas pelo Mundial de Pilotos, que uma prova terminou assim, apenas a segunda em um circuito permanente. Todas as outras três ocorreram em pistas de rua.
A primeira vez em que metade dos pontos foram contados aconteceu no GP da Espanha de 1975, quando o Embassy-Hill de Rolf Stommelen voou em direção ao público no Montjuich Park, matando três fiscais, um fotógrafo e um espectador. A corrida foi interrompida com apenas 29 das 84 voltas previstas e a vitória ficou com Jochen Mass, da McLaren. Seria sua primeira e única conquista na Fórmula 1. E também foi a única vez em que o motivo da interrupção não foi a chuva.
No mesmo ano, outra prova contou apenas metade dos pontos. Foi o GP da Áustria, em Zeltweg, disputado sob muita chuva. Eram previstas 54 voltas, mas a corrida foi encerrada com 29, pouco mais da metade. A pista estava encharcada e a vitória ficou com a zebra Vittorio Brambilla, que cruzou a linha de chegada rodando e batendo seu March laranja na mureta dos boxes. Ainda deu a volta da vitória com o bico quebrado, numa cena hilária.
Nove anos depois, em 1984, uma nova interrupção obrigou uma prova a contar apenas metade dos pontos. Foi no famoso GP de Mônaco de 1984, quando Ayrton Senna deu show com a Toleman e chegou em segundo lugar depois da bandeira vermelha ser acionada, na 31ª das 76 voltas previstas. A vitória ficou com Alain Prost.
Há 18 anos, a corrida mais curta da história da Fórmula 1. Com diversos pilotos rodando e batendo nos muros e protestos veementes de Ayrton Senna por causa da falta de aderência com a chuvarada que caiu no circuito de rua de Adelaide, o GP da Austrália de 1991 foi encerrado com apenas 14 voltas, com vitória de Senna.
Nos últimos anos, outras corridas foram terminadas com bandeira vermelha, mas tiveram os pontos contados integralmente por já terem sido cumpridos mais de 75% das voltas previstas. Em 2003, Fernando Alonso e Mark Webber bateram na curva do Café, encerrando prematuramente o GP do Brasil. Em 1997, bandeira vermelha após um acidente com Olivier Panis no Canadá, quando o francês fraturou uma perna. E em 1990, Alex Caffi bateu no Estoril e se machucou, dando fim precoce ao GP de Portugal.






















