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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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A história da atual equipe Mercedes na Fórmula 1 chega a ser curiosa. Originou-se da Tyrrell, que virou BAR e depois tornou-se Honda. Quando os japoneses debandaram e deixaram a escuderia nas mãos de Ross Brawn, nasceu a Brawn GP. Imaginava-se um arremedo de time: além do carro branco e sem patrocínios, as temporadas anteriores da Honda foram um verdadeiro desastre. Mas, contrariando a lógica, a Brawn nasceu vencedora. Ganhou a corrida de estreia e ainda terminou o ano de 2009 campeã de pilotos e construtores. Nascia ali uma lenda.
Nascia, mas morria rapidamente, com apenas uma temporada. Num lance surpreendente, a Mercedes deu de ombros para a McLaren e comprou a maior parte da equipe campeã. Surgiu ali a Mercedes GP. Em outro lance não menos surpreendente, os alemães tiraram Michael Schumacher da aposentadoria, montando ali o que parecia ser um supertime, talvez a favorita de 2010. Não colou. Os resultados foram escassos, apenas o quarto lugar entre os construtores. O heptacampeão Schumacher decepcionou e a grata surpresa foi Nico Rosberg, que conseguiu subir três vezes ao pódio. Ainda assim, pouco para quem vinha de um título mundial.
Um paradoxo curioso se formou. Quando ninguém esperava nada, o time foi lá e ganhou tudo. Quando se imaginava uma potência, sucumbiu. Assim, talvez a receita da Mercedes em 2011 seja a de não gerar expectativa alguma. Quem sabe assim os resultados surjam ao natural.
A dupla de pilotos foi mantida, mas agora uma enorme interrogação paira sobre Michael Schumacher. Aos 42 anos, já andou até cancelando testes no simulador, por causar-lhe enjoos. Não parece mais ser capaz de causar medo aos adversários como um dia já foi. Nico Rosberg é a esperança de vitórias, mas para isso precisa de um carro de primeira.
O W02, modelo para esta temporada, foi lançado na terça-feira passada, durante os testes em Valência. No design, é arrojado. Possui uma frente proeminente parecendo um bico de pato e uma pintura prateada com belos detalhes verdes (ou azuis, depende do gosto do freguês). Pelo dinheiro investido e pelos nomes envolvidos, é um time que não deve ser menosprezado. A concorrência com McLaren, Ferrari e Red Bull será dura, mas a Mercedes espera, ao menos, deixar a desconfortável quarta posição entre as grandes da F1. O grande desafio é voltar à ponta.
No limite da legalidade

GP de Mônaco de 2010, última volta. O Safety Car está na pista e ninguém pode ultrapassar ninguém. Na entrada dos boxes, o carro se retira para que todos possam cruzar a linha de chegada sem nada na frente, ajudando fotógrafos e cinegrafistas e permitindo que as equipes tenham mais retorno com a imagem de seus carros na televisão e nas fotos que ilustram sites, jornais e revistas. Afinal, com aquele belo carro esporte à frente, as verdadeiras estrelas do espetáculo apareceriam menos na cobertura jornalística, que sempre investe numa foto ou imagem da chegada da prova.
O grande xis da questão envolvendo a corrida de ontem é este. O Safety Car saiu da frente não para liberar uma nova competição que duraria poucos metros. Ele saiu apenas para que a chegada ficasse “bonitinha”. Todo mundo, pilotos e e equipes, sabem disso. Até Michael Schumacher sabe disso. Mas, mesmo assim, o alemão preferiu arriscar uma ultrapassagem sobre Fernando Alonso à moda “se colar, colou”. Era fato que seria desclassificado, mas Schumacher é assim, costuma andar no limite da legalidade. Às vezes se dá bem, em outras nem tanto. Mas é assim que ele é.
Não que isso o transforme num sujeito inescrupuloso, encarnação do monstro de fumaça de Lost. Mas é fato que, em situações nas quais a maioria dos pilotos prefere não arriscar por saber que sua conduta pode ser interpretada como má-fé ou que pode infringir o regulamento, Schumacher arrisca. Esta não é a primeira e provavelmente não sera a última polêmica na qual se envolve. O heptacampeão é assim, quer ganhar a todo custo. Ainda que muitas de suas atitudes provoquem discussões a respeito de ética e de moral.
Em 1994, Schumacher e a Benetton se aproveitaram de equívocos da direção de prova durante a comunicação de uma punição de stop & go no GP da Inglaterra para não cumprir a pena. Foi declassificado com bandeira preta e só assim parou para cumprir os dez segundos de punição. Voltou à pista e completou a corrida em segundo lugar, ainda que tendo recebido bandeira preta antes da metade da prova. Até subiu ao pódio, mas sua desclassificação foi confirmada no comitê de apelações e Schumacher pegou duas corridas de gancho por causa da insubordinação às regras.
Já correndo pela Ferrari, protagonizou um evento semelhante em 1998, também em Silverstone. A direção de prova sinalizou que o alemão deveria cumprir um stop & go nas voltas finais da corrida. Um erro, já que penas nesta fase da prova devem ser acrescidas ao tempo final. Na dúvida, a equipe mandou o alemão para os boxes na última volta, parando por dez segundo e recebendo a bandeirada por dentro do pit lane. Schumacher ganhou a corrida já que, dada a manobra inteligente dele e da Ferrari, os comissários acabaram assumindo o erro e não aplicaram a soma de segundos ao seu tempo final. Nessa, ele se deu bem.
Como se deu bem também na Áustria, em 2002. A famosa corrida da infâmia, na qual o alemão herdou a vitória de Rubens Barrichello na reta de chegada, num momento imortalizado por Cléber Machaado com a famosa narração “Hoje não, hoje não… hoje sim… hoje sim??”. Como nos casos anteriores, não que Schumi tenha feito algo de errado. Mas esperava-se de um tetracampeão que liderava o campeonato com folga que não aceitasse a patuscada ensaiada pela Ferrari. Ele poderia ter sido nobre, mas não foi.
E também não foi nobre em 2006, quando parou o carro propositadamente na curva La Rascasse, em Mônaco, para interromper o treino de classificação e impedir Fernando Alonso de roubar-lhe a pole position. Schumacher simulou um erro na freada, que de tão falso não enganou ninguém e acabou punido pela FIA, obrigado a largar do fundo do grid.
Como se vê, em nenhuma dessas ações Michael Schumacher e sua equipe (seja Ferrari, Benetton ou Mercedes) foram deliberadamente maldosos. Apenas agiram no limite do regulamento. Em alguns casos, foram pegos. Em outros, não.
Concordo que não são atitudes nobres, mas no fim das contas, não são de todo ilegais. São manobras comuns no direito, quando bons advogados aproveitam brechas nas leis para absolverem seus clientes. Schumacher tentou explorar a brecha da nova regra da “linha do Safety Car” para ganhar uma posição. Mas se deu mal, já que o artigo 40.13 do código desportivo deixa bem claro que, quando é a última volta, não vale ultrapassar.
E assim é Schumacher, alguém que, até o final da carreira, fará com que jornalistas, donos de equipe e fãs fiquem pesquisando regulamentos para saber se o que ele fez é passível de punição ou não. Controverso, mas um piloto muito talentoso e inteligente.
Rapidinhas: GP da Espanha

- Deu a lógica em Barcelona. Corrida chata, decidida na primeira curva. Mark Webber, pole, arrancou melhor que seu companheiro Sebastian Vettel e disparou na frente. Ganhou com folga e tranquilidade.
- Dotado do mesmo carro, Vettel não conseguiu formar a dobradinha. Ficou em segundo após a largada, mas perdeu a posição para Lewis Hamilton na troca de pneus e, mesmo com um carro melhor, não conseguiu retomar a posição, dadas as dificuldades de ultrapassagem do circuito. No final da prova, enfrentou problemas de freios e precisou fazer uma troca extra de pneus, perdendo mais uma posição. Conseguiu o pódio na última volta, depois que Hamilton teve um pneu furado.
- Lewis vinha bem com a McLaren e chegaria numa excelente segunda posição, até que viu sua corrida ruir na penúltima volta. Seu pneu dianteiro esquerdo estourou na entrada de uma curva e o inglês acabou batendo na barreira de pneus. Azar de um, sorte de outros. Fernando Alonso comemorou.
- A Ferrari não é páreo para McLaren e Red Bull e Alonso conseguiria, se muito, uma quinta posição hoje. Mas, além de ter sido competente, se viu favorecido por infortúnios dos adversários. Ganhou dois lugares com os problemas de Hamilton e Vettel. E Jenson Button, que poderia incomodá-lo, perdeu a posição para Michael Schumacher na troca de pneus e ficou encaixotado atrás da Mercedes do alemão.
- A diferença de velocidade no final da reta entre a McLaren e a Mercedes era gigantesca, graças ao duto de ar do carro da equipe inglesa. Durante cinco ou seis voltas, Button deu pinta que ultrapassaria, mas Schumacher defendeu-se de forma magistral. Quando viu que o alemão seria mesmo um osso duro de roer, o atual campeão do mundo desistiu e resignou-se com a situação. Bom para Alonso, segundo colocado.
- Se Michael Schumacher renasceu nessa corrida, Nico Rosberg enfrentou os maiores problemas da temporada até aqui. Foi atrapalhado por um mecânico afobado, que o liberou do pit antes da hora, e acabou perdendo muito tempo. Chegou apenas em 13º, depois de fazer um pit stop extra. Como resultado, perdeu a segunda posição no campeonato, despencando para quinto na classificação.
- Outro que vem em queda livre depois de um bom início de temporada é Felipe Massa. Foi facilmente batido por Fernando Alonso outra vez, tanto na classificação quanto na corrida. Foi sexto na prova e agora é sétimo no Mundial de Pilotos, bem longe da liderança que chegou a ocupar.
- Quem tem mais motivos para comemorar, mesmo é Alonso. Dificilmente esperava uma segunda posição que, somada ao mau resultado de Button, o deixou em segundo no campeonato, a apenas três pontos do inglês. Saiu muito melhor do que a encomenda.- A Red Bull, ainda que dominante, tem Vettel e Webber em apenas terceiro e quarto no campeonato, enquanto que ocupa o terceiro entre os construtores. Mas, dada a enorme diferença apresentada hoje em Barcelona, é apenas questão de tempo para que pulem na ponta dos campeonatos. Semana que vem, em Mônaco, já pode ser a hora.
- Destaque para Rubens Barrichello, que saltou de 18º para 12º na largada e terminou a corrida numa bela nona posição. Lucas di Grassi foi último com a Virgin, mas pelo menos chegou. Aliás, pela primeira vez os dois carros da equipe concluem uma corrida. Está melhorando.
- Quem não dá sinais de melhora é a lanterninha Hispania. O carro é muito lento e Karun Chandhok acabou, involuntariamente, atrapalhando as corridas de Felipe Massa e Sebastien Buemi. É uma pena que a equipe espanhola tenha virado uma piada de mau gosto. Bruno Senna saiu logo na quarta curva da corrida, não sei se por problema mecânico ou por erro de pilotagem mesmo.
- Há pouco mais a acrescentar. Foi, como se imaginava, uma corrida insuportável. Foi a 20ª no circuito de Montmeló e conto nos dedos as boas disputas acontecidas lá esses anos todos. Chega a dar saudades de Jerez, que era outra pista chata pra diabo.
- Semana que vem já tem Mônaco que, se também não proporciona corridas assim tão emocionantes, pelo menos tem um certo charme e uma paisagem que nos mantém acordados. Porque as corridas na Espanha são um quase irrecusável convite a um cochilo.
RESULTADO GP DA ESPANHA 2010

Rapidinhas: GP da China

- O melhor antídoto aos Tilkódromos é a chuva. Santa chuva. O GP da China foi uma excelente corrida, contra todos os prognósticos. São Pedro tem ajudado pacas a F1 em 2010.
- Vitória de Jenson Button, que mais uma vez mostrou ter uma espécie de sexto sentido com relação às condições de pista. Se na Austrália venceu por ter sido o primeiro a arriscar um pit stop para colocar pneus de pista seca, sua vitória na China deve-se principalmente à opção de não trocar pneus na primeira entrada do Safety Car, quando todo mundo resolveu arriscar.
- O inglês permaneceu na pista e ficou em segundo lugar, atrás da Mercedes de Nico Rosberg. A pista manteve-se em boas condições para pneus slick e os dois conseguiram abrir uma ótima vantagem contra os principais adversários, que se precipitaram ao colocar pneus intermediários e perderam muito tempo.
- Confesso que torci pela vitória de Rosberg, para que houvesse quatro diferentes vencedores de quatro diferentes equipes nas quatro primeiras provas do ano. Seria um barato, mas não aconteceu. Button, no entanto, mereceu a conquista. Ultrapassou Rosberg quando os pneus se desgastavam e dali arrancou para a vitória.
- Uma segunda entrada do Safety Car ameaçou a vantagem daqueles que não pararam no começo, mas não foi suficiente para comprometer a liderança de Button. Mais uma vez, o inglês foi seguro e preciso. Conquistou a segunda vitória em quatro provas e assumiu a liderança do mundial.
- Admito que tendo a subvalorizar Jenson Button. O estilo de pilotagem de Lewis Hamilton, por exemplo, é muito mais exuberante e empolgante. Aliás, o que Lewis fez hoje foi genial. Dezenas de ultrapassagens, para todos os gostos. Uma para cima de Michael Schumacher no grampo, então, que foi antológica. Uma dupla pra cima de Adrian Sutil e Sebastian Vettel foi uma aula. O inglês é o piloto mais espetacular do campeonato, sem dúvida. Mas nem sempre isso resulta em vitórias, o que também é fato. Button foi mais eficiente. Mas o segundo lugar, no entanto, ficou de bom tamanho.- Nico Rosberg acabou em terceiro, com seu segundo pódio na temporada, que o elevou ao segundo lugar no Mundial de Pilotos. Já Michael Schumacher, seu companheiro de luxo, é apenas décimo no campeonato.
- A corrida do heptacampeão na China foi algo próximo do lamentável. Não manteve um bom ritmo e foi presa fácil para todo mundo que vinha atrás. Sofreu uma ultrapassagem humilhante de Lewis Hamilton e depois não ofereceu resistência a quem se aproximava, como um retardatário conformado. Levou até de Vitaly Petrov. Se decidisse abandonar o capacete hoje, eu entenderia. Schumacher não merecia passar por isso. Respondendo à pergunta de capa da Revista Warm Up de abril: não, ele não é mais o mesmo.
- Fernando Alonso foi outro irreconhecível hoje. Não tanto pela corrida como um todo, mas sim pelo erro de principiante ao queimar a largada. Assumiu a liderança na primeira curva de forma espetacular, pena que tenha sido por ter arrancado antes das luzes se apagarem. Tomou um drive-trough mas recuperou-se bem, cruzando a linha de chegada na quarta posição. Mas não sem antes dar um passeio na caixa de brita da entrada do box chinês, aquela mesma que sente muita falta de Hamilton.
- Mas a manobra mais controversa de espanhol, no entanto, nem foi a largada queimada. Gerou reações inflamadas sua ultrapassagem sobre Felipe Massa no acesso aos boxes. Na prática, Alonso não fez nada de errado. Pelo contrário: ali é pista, pode ultrapassar, bobo foi Felipe que saiu mal da curva e deu espaço.
- Diria que não é algo muito esperado em se tratando de companheiros de equipe, dificilmente se assume riscos assim, mas o ocorrido foi bom pra Felipe Massa ter melhor a noção de que não tem um cordeirinho ao seu lado. Achei a manobra parecida com aquela de Michael Schumacher sobre Rubens Barrichello no GP de Mônaco de 2005. Que também não teve nada de errado, mas que gerou um chororô que foi definitivo para que o brasileiro saísse da Ferrari um ano antes do término de seu contrato.
- E, apesar de ter feito uma corrida ruim hoje, terminando em nono, Felipe Massa sobe cada vez mais no meu conceito. Ao término da prova, foi abordado por Carlos Gil, que lhe ofereceu um púlpito para que começasse um show de reclamações. O repórter da Globo pontuou que “A manobra de Alonso não foi ilegal, mas não foi muito legal do ponto-de-vista do companheirismo” e perguntou o que Felipe achava disso. A resposta foi seca, sem chorumelas: “Eu saí mal do cotovelo, ele pôs do lado de dentro e teve mais vantagem na entrada da curva”. Gil ainda insistiu perguntando se nenhum regulamento interno da Ferrari tinha sido ferido e Massa foi político mais uma vez: “Não, está tudo bem”.- Pode até ser que as coisas não estejam bem, mas Felipe Massa é maduro o suficiente para entender que esse tipo de roupa suja se lava em casa. Soltar os cachorros no microfone não resolveria absolutamente nada, além de criar uma polêmica vazia. Se não gostou da ultrapassagem ou se ela feriu algum acordo interno, que se resolva internamente. É assim que se mantém um bom clima na equipe e se trabalha de forma leal, sem jogar para a torcida.
- E as Red Bull, pergunto? Foram mal. Erraram na tática de pneus e fizeram mais uma vez uma corrida abaixo do esperado, mesmo tendo um baita carro. Sebastian Vetel foi sexto e Mark Webber abusou de cometer erros, terminando em oitavo. Muito pouco para quem fez a primeira fila e tem um carro muito bom.
- Especula-se que a vantagem da McLaren se deu graças ao setup, mais apropriado para uma corrida chuvosa. As Red Bull teriam apostado no seco e se deram mal. É possível.
- Medalhinhas para a Renault, que ficou boa parte da corrida em terceiro com Robert Kubica e em quarto com Vitaly Petrov. O polonês chegou em quinto e o russo, em sétimo. Apesar de uma rodada espetacular, a corrida de Petrov foi muito boa. Está fazendo bela figura em sua temporada de estreia. A Renault é uma grata surpresa neste campeonato, mostrando que existe vida pós-Briatore.
- No campeonato de pilotos, embolou geral. Button 60, Rosberg 50, Alonso e Hamilton 49, Vettel 45, Massa 41 e Kubica 40. A briga é boa e quem saiu pior de Xangai foi Felipe Massa, que despencou da liderança para o sexto lugar. Mas o campeonato é longo e a diferença ainda é pequena.
- Depois de um intervalo de três semanas, começa a temporada europeia, com o GP de Barcelona. Apesar de ser tradicionalmente uma corrida chata, é bastante aguardada porque normalmente revela a verdadeira relação de forças do campeonato. O que ocorrer em Montmeló é tendência para o restante da temporada.
RESULTADO GP DA CHINA 2010

Pergunte ao Capelli: 5ª Edição
P: Qual a verdadeira cor da McLaren? by trinityalfa
R: A cor original era laranja.
P: Caro Capelli, já que a Bridgestone está abandonando o barco (mais por fora que cebola em salada de fruta), qual marca você “chutaria” para ocupar o posto de fornecedora de pneus? Abraços! KBESSA R: Por uma questão de memória afetiva, gostaria da volta da Goodyear.
P: E as charges, voltam? O blog pode continuar sério, mesmo com as charges, é a alma do Blog do Capelli.
R: O blog não é sério não… acho que nunca foi.
P: Foi você quem escreveu na página do ex-piloto Ivan Capelli na Wikipedia, que ele não deve ser confundido com o jornalista brasileiro homônimo dono do ‘Blog do Capelli’? Abraço!
R: Claro que não.
P: Capelli, vc coleciona miniaturas? Sim, não, por que?
R: Tenho algumas, mas sempre ganhei de presente. Nunca comprei uma.
P: Seria o Barrichello uma reedição do Reutemann, ou seja, bom piloto, com vice e vitórias no curriculo mas sem títulos ou a história dos dois são completamente diferentes?
R: O Barrichello me parece mais talentoso, Reutemann era um cara de personalidade forte. Se essas duas qualidades tivessem se unido em um só piloto, teria saído um grande campeão.
P: Caro Ivan Capelli, gostaria de saber se os eventuais resultados obtidos pela Lotus anglo-malaia (pole, vitória, pontos, melhor volta, etc.) serão acrescidos às estatísticas da antiga Lotus ou serão computados como se fosse de uma nova equipe? by gustavolucenaRN
R: Não deveriam. Agora como os estatísticos vão fazer, não sei.
P: Capelli, qual foi a maior zebra da Fórmula 1: Vittorio Brambilla ganhando uma corrida, o Fisichella vencendo em Interlagos ou o motor do carro do Schumacher quebrar em 2006?
R: O Fisichella foi uma zebra monumental. E o Panis em Mônaco/1996 também. Assim como Herbert em Nürburgring, com a Stewart.
P: Capelli, na sua opinião, quais pilotos atuais da Indy têm braço pra F1?
R: Gostaria de ver o Marco Andretti lá. O Tony poderia ter ido, mas agora o tempo dele já passou.
P: Li em algum lugar que o Senna queria correr em Indianápolis em 93. Tinha o apoio do Emmo e da Marlboro, mas Roger Penske alegou não ter “estrutura” para mais um piloto. Porém Senna fechou um acordo para a corrida de 1994. Existe algo de verdade nisso?
R: Não. Ele apenas fez um teste lá em 1992 como forma de pressionar Ron Dennis a renovar seu contrato do jeito que ele queria para o ano seguinte. Só isso.
P: Caso o atual campeão de F1 mude de equipe no meio da temporada, o que acontece com o número 1? Vai junto com ele e muda toda a numeração?
R: Acho que nem o Bernie sabe responder essa. A rigor, deveria ir com ele.
P: Vc sabe quantos buraquinhos pra vazar o xixi tem naqueles mictórios público ou vc fica olhando pros lados na hora?
R: Não vejo, porque perco muito tempo procurando meu pinto.
P: Ivan, eu vejo nas fotos dos carros da temporada de 1984 da F1 dois mini-aerofólios de cada lado da asa traseira em absolutamente todos os modelos daquele ano. O que eram aquilo e porque só existiram naquele ano? (não existiam em 1983 e sumiram em 1985)
R: O efeito-solo tinha sido proibido e foi uma solução das equipes para aumentar a pressão aerodinâmica na traseira. Mas eles também foram proibidos no ano seguinte.
P: Ivan, se não existia Safety Car antes de 1993 como funcionava a bandeira vermelha antes disso?
R: A corrida era dividida em duas baterias e o resultado era baseado na soma dos tempos. Isso aconteceu em provas como GP do México de 1987, GP da França de 1982, GP da França de 1992, GP de San Marino de 1989…
P: Você tem alguma noção dos piores carros que já apareceram na história da F1 em desempenho e durabilidade ?
R: Teve um carro da Brabham, acho que em 1987, que quebrou em quase todas as corridas. Chegou ao fim só 2 ou 3 vezes, em 32 tentativas. Foi um horror.
P: Por que você não volta a fazer charges? Eu era fã delas nos primórdios do blog. by estadodecirco
R: Porque eu acho que estava repetitivo demais. Melhor terminar num momento que deixe boas lembranças do que virar um Zorra Total, que ninguém aguenta mais.
R: Quase. Foi por causa do 11 de setembro, mas foi no GP da Itália. O carro correu sem patrocínios e com o bico pintado de preto. Quando o Papa João Paulo II morreu, eles também pintaram o bico de preto.
P: Qual é, na sua opinião, o circuito mais chato da F1 atual? E o mais chato de todos os tempos?
R: Hungaroring é uma desgraça. Las Vegas era uma piada de mau gosto. E Abu Dhabi é um lixo.
P: Indy na Marginal Tietê. Por favor, defina isso em uma palavra.
R: Torço para que dê certo, mas acho que vai ser uma bosta.
P: Capelli, Por que hoje em dia na F1, com o aumento de custo as equipes não aproveitam o chassi do ano anterior? Exemplos: Williams FW11, FW11B, Mclaren MP4/2 que correu várias temporadas. (Pablo Neves -RJ)
R: Se alguém ficar com carro velho, vai ficar para trás. O desenvolvimento dos carros é muito grande durante uma temporada, quem dirá em duas.
P: Capelli, será a primeira vez em 2010 que a Ferrari correrá com os números 7 e 8? E houve anteriormente algum patrocínio de grupos financeiros estampados em seus carros? PS: A Benetton de 94 era bonita sim, mas cada um tem sua opinião neh… Abraço
R: Sim, primeira vez. Grupos financeiros? Sim… Moneytron na Onyx, USF&G na Arrows, Citybank na Penske. Até o Itaú deu as caras na Fittipaldi.
P: Viu q tem mensagem subliminar no carro do Rubinho em 2010? RBS = Rubens Barrichello Segundo.
O q achou dessa, eu q inventei! by digao12
R: Maldade.
P: Qual o caminho pra F1 sair da chatice, e voltar a ser empolgante como nos anos 80 e 90? R: Talvez o problema não seja com a Fórmula 1, mas sim com a gente.
P: Você já comeu frutos de hortaliças árabes adubadas com estrume de papagaios asiáticos amarelo-acinzentado?
R: Não, prefiro comer ceras Parquetina. As de lata são as melhores.
R: Gold Leaf, por ter sido o primeiro. Tá, eu sei que houve os cigarros Gunston, mas a Gold Leaf na Lotus abriu uma nova era na categoria.
P: Capelli, por que você deixou acumular tantas perguntas?
R: Porque eu sou desorganizado pra cacete.
P: Capelli, o que é esse novo capacete do Massa? Só brincadeira ou coisa séria? R: Era só um teste de modelo de capacete, por isso não tinha pintura.
P: Capelli, algum piloto conseguiu vencer seu último GP na F-1? Teria sido Jim Clark?
R: Acho que sim. Não lembro de outro. Mike Hawthorn foi campeão em sua última corrida, mas não venceu.
P: Olá! onde se encontra, na internet, informações ou blogs a respeito das características técnicas dos carros de F1?
R: Tem um site muito bom: www.f1technical.net . Eu adoraria entender mais da parte técnica e mecânica, mas não nasci para isso.
P: Capelli em qual ano e qual foi a 1° equipe a utilizar o câmbio de 7 marchas? Se possível o motor q a equipe utilizava.
R: Devo estar errado como sempre, mas lembro que isso foi uma grande novidade dos motores Peugeot, na Jordan em 1995.
P: Capelli, em qual ano a Ferrari usou um carro azul e amarelo, sem vermelho?
R: Foi azul e branco. Em 1964, nas corridas da América do Norte. Birra do Enzo Ferrari com os organizadores.
P: Uma coisa eu nunca consegui entender: a FIA não é uma entidade exclusiva da F1, certo?! Então porque o pessoal fica perguntando “Cadê o Todt?” etc? O correto não seria nem ouvirmos falar dele, diferente de seu antecessor aparecidinho?
R: Não é exclusiva, mas dentro do braço esportivo da FIA, a F1 é a categoria mais importante. Mas concordo com você, prefiro um dirigente mais low profile.
P: Capelli, você assistiu o GP de Fuji 2007 ao vivo? Qual foi sua reação ao ver a disputa entre Massa e Kubica?
R: Achei que eles iam se matar.
P: Você já respondeu qual o mais bem-sucedido, mas qual o apêndice aerodinâmico dos carros de F1 preferido por vossa senhoria?
R: O dia em que eu tiver um apêndice aerodinâmico favorito, me internem.
P: Piloto bonzinho só se f…? Para ser campeão é preciso ter uma certa dose de mau-caratismo e inimizades dos demais pilotos?
R: Inimizade, acho que não. Mas uma personalidade forte que beire o mau-caratismo é bem importante.
P: Olá Capelli, gostaria de saber se o KERS será implantado 100% no grid 2010?, como li em algum, site, disseram até q por causa disso que o peso iria aumentar, mas na verdade é por causa do tanque maior. by digao12
R: Ninguém vai usar o KERS em 2010.
P: Capelli, tirando os nossos campeões mundiais, qual você acha que fez (ou está fazendo) mais bonito na F1?
R: Nossos? Eu não tenho nenhum. Como faz pra comprar?
P: Acredito e muito que o retorno de Schumy teve um dedão enorme do Sr. Bernie (Berne mesmo, de doença). Basta ver a reação das vendas dos ingressos para o GP da Spa, quando Shumy foi anunciado no lugar do Massa. O q vc acha?
R: Com toda certeza. Não sei se Bernie foi o mentor, mas certamente ele deu todo o apoio para que acontecesse. E ele está certo, é o negócio dele.
P: Capelli, qual temporada da F1 que você considerou memorável? E por que?
R: 1986, pela luta titânica entre Prost, Senna, Piquet e Mansell. 1990 também foi muito boa, apesar do fechamento infame em Suzuka. E 2008, apesar das corridas ruins, teve um desfecho hollywoodiano. Nunca vou esquecer daquele GP do Brasil.
P: Se fosse para escolher uma temporada da F1, qual você gostaria de ter participado e em qual equipe?
R: Nunca tive vontade de correr. Mas se eu pudesse escolher “uma temporada para cobrir”, escolheria 1986.
P: Por que o Senna em 1990 correu com o n° 27, sendo que ele tinha sido o 2° no campeonato anterior e o Prost no ano de 1991 também correu com o n° 27, seguindo o mesmo caso do senna?
R: Naquela época os números não eram definidos pelo mundial de construtores como hoje, mas sim pelo título de pilotos. E só mudava o nº 1, que passava para a equipe onde corria o piloto campeão. A equipe que perdia o 1 trocava de números com quem recebia. A McLaren em 1990 foi 27 e 28 porque estes eram os números da Ferrari em 1989. Prost foi para lá e levou o 1 e o 2 com ele. Quando Senna foi campeão, pegou o 1 de volta e devolveu o 27 para a Ferrari.
P: Qual carcterística em um modelo de F1, muda o nome do carro; ou isso é de livre espontânea vontade? by trinityalfa
R: As equipes é que definem. Geralmente o nome muda quando o projeto sofre alguma alteração substancial, transformando o projeto “1″ em “1B”, por exemplo. Mas não há uma “regra de versionamento” como em softwares.
P: Capelli, no embalo de uma temporada com Kubica e Buemi eu pergunto: de cabeça, qual o piloto mais Feio que você já viu correr? (O Niki Lauda pós-incêndio-no-carro não conta) by Reitano
R: O Prost era um diabo também. Um amigo meu, aliás, chama o Kubica de “o Prost de Cracóvia”.
P: Capelli, algum piloto já foi pego num escândalo por causa de drogas? tipo doping? by Reitano
R: Na F1, não. Mas na F3000, Thomas Enge perdeu o título de 2002 por causa de um teste positivo para maconha. Houve um caso de doping na Stock brasileira ano retrasado, mas o caso foi abafado por Vicar e CBA.
P: Qual seria a melhor mudança para a f1: tirar a obrigação das equipes de usar pneus duros e moles, tirar os KERS dos carros da equipe, ou tirar o Galvão do cargo e narrador da globo na F1?
R: O Galvão já é folclore, deixa ele lá. O KERS já era. A melhor mudança seria a dos pneus, mesmo.
P: Li dia desses em um site sobre o fato do Viola ter marcado gols em quatro décadas diferentes (80, 90, 00 e 10) e fiquei me questionando: Já teve algum piloto que conseguiu pontuar em três décadas distintitas?
R: Sim. Graham Hill (50-60-70), Jack Brabham (50-60-70), Riccardo Patrese (70-80-90), Jean Alesi (80-90-00).
P: O “S” no bico da williams é uma homenagem ao Ayrton Senna,ou ao Schumacher que deixou o Hill e Villenueve serem campeões?
R: É homenagem ao Fábio Seixas, que tem um nariz tão comprido quanto o dos carros.
P: O que você tá achando da Indy em São Paulo? @Aluado83
R: Quando ela chegar, eu digo. Eu duvidei até que a corrida fosse sair. Hoje, eu não acho nada.
P: Se o carro da Indy cair no Rio Tiete, afunda, bóia ou continua correndo?
R: Bóia, porque a Indy anda uma merda.
P: Capelli, você sabe o que significa o W do nome do carro da Mercedes?
R: Wagen. Carro, em alemão.
P: Se o objetivo do dim do reabastecimento foi a redução de custos, qual foi o motivo de terem colocado ele em 1994? aumentar os custos?
R: O objetivo, na época, era adicionar mais uma variável às corridas. Hoje o custo é uma preocupação maior do que na época, embora ela também já existisse.
P: Já que se fala tanto em redução de custos, porque banir os carros clientes? A Toro Rosso teve que aumentar o orçamento e contratar mais gente…
R: Boa pergunta. Deveriam liberar a compra e venda de chassis. Seria a solução para Campos e USF1 saírem do papel, por exemplo.
P: O design do capacete do Hamilton é baseado no do Senna ?
R: Ele já disse que não. Disse que só se deu conta depois que lhe disseram que era parecido e ele não quis mudar porque também gostava do Senna. Mas foi coincidência.
P: Sou meio novo e não peguei a época dos motores turbo. Como eles funcionavam? Começaram quando e com quem ? Ganharam corridas ou titulos ? Eram eficientes e quando deixaram de ser usados e pq ?
R: Rapidamente: a pioneira foi a Renault, em 1977. Ganharam todos os títulos de 1984 a 1988. Eram muito eficientes e foram banidos por razões de segurança e corte de custos.
P: Qual a pior corrida que vc ja viu ?
R: Ultimamente tem havido corridas tenebrosas. Abu Dhabi, por exemplo, foi um lixo. Mas uma corrida ruim que me marcou foi o GP da África do Sul de 1992. Absolutamente nada aconteceu.
P: Vettel ou Hamilton ? Prefiro o Vettel.
R: O Hamilton é, atualmente, um piloto mais completo. Mas acho Vettel um cara legal às pampas. Hamilton tem um falso bom-mocismo que me incomoda.
P: O que voce acha da ESPN?
R: O único canal de esportes que faz jornalismo no Brasil.
P: Sr. “Capelli”, não lhe parece temerária a contratação de um piloto como o de la Rosa em detrimento de outro que esteve correndo até recentemente, como o Fisichella? Não se estaria correndo o risco de um novo Badoer?
R: O De la Rosa vinha testando com alguma frequência pela McLaren, diferentemente do Badoer. E ele disputou corridas em 2006… Badoer não corria há 10 anos.
P: Tu é feio?
R: Pra caralho.
P: Fuçando por aí vi que a Renault usou três carros em 1985. Qta equipe tiveram três ou mais carros num mesmo grid e qual a última? by MarcusLins
R: A última foi a Renault, que fez esse experimento em 1984 e 1985, com fins promocionais. Mas várias equipes no passado inscreveram 3 carros: Lotus, McLaren, Ferrari…
P: Capelli, Com esta nova regra de usar os pneus do Q3 na largada, tenho a seguinte pergunta: Geralmente os pilotos usavam dois jogos no Q3! Vão poder continuar usando e depois larga com o último ou terão que usar apenas um jogo no Q3? Thiago Raposo
R: Eu acho que só vão poder usar um jogo só. Senão o cara faz uma volta rápida e depois volta aos boxes só para colocar pneus fresquinhos.
P: No ano passado foi postado um artigo em homenagem ao glorioso Red 5 do Mansell. Alguém comentou que ele sempre tinha um vermelho no carro quando venceu. A pergunta é: Por que o Mansell usava macacão vermelho quando o padrão da equipe era azul? Hercule
R: Na verdade, Piquet usava branco. Mas creio que o vermelho foi uma escolha pessoal, não havia padronização nos macacões até então.
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Para enviar a sua pergunta, preencha o formulário em www.formspring.me/ivancapelli e aguarde a resposta. Lá eu respondo quase tudo, no blog só entram algumas selecionadas.
Agora sim, o novo carro
O lançamento da nova pintura, semana passada, foi com o carro da Brawn do ano passado. Mas agora é quente: foi hoje à pista, pela primeira vez, o W01, modelo da Mercedes para a temporada 2010 da Fórmula 1.
Na contramão das equipes rivais, a Mercedes tem um bico bastante curvo e baixo, quase que como um tucano. A altura chega a lembrar o BGP001 de 2009, mas a curva parece mais acentuada. A tomada de ar no santoantônio também é diferente, na forma de um triângulo achatado.Novidades também no capacete de Nico Rosberg. O piloto alemão substituiu o azul de sua pintura pelo prata da equipe. Perdeu um pouco de originalidade, mas a combinação ficou inegavelmente bonita.
Foi dada a largada
E foi a Mercedes, a mais nova-velha equipe da Fórmula 1, quem deu a largada para temporada de lançamentos do campeonato de 2010. O carro ainda é o BGP001 campeão de 2009 com Jenson Button, mas a pintura… quanta diferença.
A Brawn GP prateou, ganhou novo nome, novos patrocínios e novos pilotos. Além de Michael Schumacher e Nico Rosberg como titulares, Nick Heidfeld foi confirmado hoje como piloto-reserva. Um trio alemão na equipe da estrela de três pontas. Um começo para patriota nenhum botar defeito.
Pena que, dada a qualidade dos dois titulares, o anúncio praticamente joga uma pá de cal na carreira do “nem tão quick” Nick. Salvo algum acidente ou contratempo, não vai correr e pouco vai treinar. Daí para categorias menos importantes é um passo.
O carro, todo prata com detalhes em preto e verde-piscina, é bonito pra caramba. Quem não vai gostar é o telespectador – nem o Galvão Bueno -, já que certamente vai ser bem fácil confundir com a McLaren na pista. Chama a atenção o detalhe retrô da numeração: algarismos vermelhos sobre círculos brancos, exatamente como nas flechas de prata de Juan Manuel Fangio, Karl Kling e Stirling Moss nos anos 50. Nostalgia não ganha corridas, mas conforta um pouco. É sempre bom ver o respeito de uma marca por sua história.Agora, no decorrer da semana, mais uma série de lançamentos. A Ferrari é a próxima a apresentar suas armas para 2010, na quinta-feira. No dia seguinte, é a vez da McLaren. E, no domingo, Renault e Sauber fazem suas apresentações. Na segunda, 1º de fevereiro, é a Williams de Rubens Barrichello. O lado curioso e inútil de tudo isso você confere aqui no Blog do Capelli.
Par ou ímpar?
Na semana que passou, Michael Schumacher apareceu dando as cartas na Mercedes. Segundo versão oficial, “solicitou” que seu número fosse trocado de 4 para 3, já que gostava mais de números ímpares. Além disso, um tanto de superstição, já que o 4 nunca foi campeão. Embora os pilotos geralmente sejam um tanto supersticiosos, não creio muito na versão. Na verdade, como fazem os cães, Michael começou a fazer xixi para demarcar seu território.
Mas, partindo do pressuposto de que o motivo tenha sido realmente uma predileção numérica, Schumacher não está de todo errado. Desde que a Fórmula 1 adotou a numeração fixa, em 1974, 36 campeonatos foram disputados. E os carros de números ímpares levam uma larga vantagem: até hoje, dois terços dos títulos ficaram com eles. Apenas 12 foram campeões com números pares.
A explicação para o “fenômeno” é simples. Normalmente, os primeiros pilotos das equipes ganham os números mais baixos. E tais números geralmente são ímpares, sendo pares apenas em times que são ordenados acima do 14. Como geralmente as melhores equipes estão com os números mais baixos… os favoritos quase sempre são os ímpares.
Tanto que, desde que a numeração baseada na classificação do ano anterior foi adotada, em 1996, em apenas duas ocasiões o piloto campeão tinha numeração mais alta que seu colega de time. Mika Hakkinen em 1998 e Kimi Raikkonen em 2007.
Confira abaixo os números de todos os campeões, desde 1974.
| Ano | Campeão | Número do carro |
| 1974 | Emerson Fittipaldi | 5 |
| 1975 | Niki Lauda | 12 |
| 1976 | James Hunt | 11 |
| 1977 | Niki Lauda | 11 |
| 1978 | Mario Andretti | 5 |
| 1979 | Jody Scheckter | 11 |
| 1980 | Alan Jones | 27 |
| 1981 | Nelson Piquet | 5 |
| 1982 | Keke Rosberg | 6 |
| 1983 | Nelson Piquet | 5 |
| 1984 | Niki Lauda | 8 |
| 1985 | Alain Prost | 2 |
| 1986 | Alain Prost | 1 |
| 1987 | Nelson Piquet | 6 |
| 1988 | Ayrton Senna | 12 |
| 1989 | Alain Prost | 2 |
| 1990 | Ayrton Senna | 27 |
| 1991 | Ayrton Senna | 1 |
| 1992 | Nigel Mansell | 5 |
| 1993 | Alain Prost | 2 |
| 1994 | Michael Schumacher | 5 |
| 1995 | Michael Schumacher | 1 |
| 1996 | Damon Hill | 5 |
| 1997 | Jacques Villeneuve | 3 |
| 1998 | Mika Hakkinen | 8 |
| 1999 | Mika Hakkinen | 1 |
| 2000 | Michael Schumacher | 3 |
| 2001 | Michael Schumacher | 1 |
| 2002 | Michael Schumacher | 1 |
| 2003 | Michael Schumacher | 1 |
| 2004 | Michael Schumacher | 1 |
| 2005 | Fernando Alonso | 5 |
| 2006 | Fernando Alonso | 1 |
| 2007 | Kimi Raikkonen | 6 |
| 2008 | Lewis Hamilton | 22 |
| 2009 | Jenson Button | 22 |
Este post foi uma sugestão do leitor Francisco Meireles.
Dívida de gratidão
O bombástico retorno de Michael Schumacher à Fórmula 1 serve para reavivar algumas esperanças para o campeonato de 2010. Se a saída de Kimi Raikkonen e de montadoras como BMW e Toyota, mais o anúncio da reposição com equipes quase mambembes como USF1 e Lotus parecem abalar um pouco a credibilidade da categoria, a volta do heptacampeão é o refresco de que nem tudo será amadorismo na próxima temporada. Lógico, no sentido negativo da palavra. Porque, no fim das contas, a volta de Schumacher tem muito de amadorismo, em seu conceito original. Amadorismo porque Schumacher volta a competir por dois motivos básicos, muito mais emocionais do que racionais: vontade de correr e gratidão à Mercedes.
Mesmo no anúncio de sua aposentadoria, na coletiva do GP da Itália de 2006, ficou muito claro que pendurar o capacete não era uma iniciativa sua. Sua fala claudicante, seu olhar sentido, tudo mostrava um homem que estava sendo impelido a deixar de fazer o que mais gostava por questões políticas. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, percebeu já em fins de 2005 que não mandava em nada na equipe. Jean Todt, Ross Brawn e Michael Schumacher criaram um verdadeiro feudo, o que deixou o italiano desconfortável. Não há dúvidas de que tal feudo foi justamente o responsável pela maior sequência de títulos da história da equipe, mas daí a uma apropriação do poder vai uma grande diferença. E Di Montezemolo queria deter outra vez as rédeas do cavalinho rampante.
Como parte do jogo político, fechou um contrato de três anos com Kimi Raikkonen, então principal piloto da maior rival da Ferrari, a McLaren. Contra a vontade de Brawn e Todt, diga-se. Com a contratação da estrela finlandesa, o recado estava dado: se Schumacher quiser ficar, que fique, mas acabaram-se as regalias. Assim, Schumacher teria que disputar o campeonato com um companheiro de equipe visto como um potencial campeão, no auge da forma, algo que nunca havia acontecido em sua carreira. O resultado é que o alemão, que de bobo tem só a cara, entendeu que o risco não compensava. Melhor se aposentar. E Di Montezemolo, para ter certeza de que estava afastando Schumacher e desfazendo o feudo, disparou comunicados oficiais de imprensa confirmando a aposentadoria do piloto ainda durante a cerimônia do pódio do GP da Itália, evitando assim que Michael mudasse de ideia durante a coletiva.
Sabendo que nenhuma outra equipe ofereceria a ele em 2007 as mesmas condições que tinha na Ferrari, Schumacher parou. Mas seu gosto pela velocidade não arrefeceu, vide as estripulias que andou fazendo de moto por aí. No ano passado, chegou a anunciar um regresso para substituir Felipe Massa, mas desistiu em cima da hora. Talvez porque já estivesse negociando com Ross Brawn.
Sua chegada na Mercedes tem um gosto de déjà-vu, sob dois aspectos. Por voltar a competir chefiado por Ross Brawn, que esteve ao seu lado em seus sete títulos mundiais. E porque defenderá as cores prateadas da marca alemã, uma lacuna em sua carreira na Fórmula 1.
Schumacher teve sua carreira pré-F1 financiada pela Mercedes, num programa que incluía Heinz-Harald Frentzen e Karl Wendlinger. Sua chegada na categoria, substituindo Bertrand Gachot na Jordan em 1991, foi bancada pela fábrica alemã. Sua ida para a Benetton teve influência direta da estrela de três pontas. Porém, no meio do caminho, uma mudança de planos fez com que Schumacher jamais pudesse retribuir o investimento nele feito.Em seu planejamento, a Mercedes colocou Schumacher na Benetton por algumas temporadas, com a intenção de desenvolver seu talento para que viesse defender a fábrica quando ela reingressasse na categoria, junto com Peter Sauber. A Sauber-Mercedes apareceu na F1 em 1993, mas a parceria não ocorreu como o planejado. Depois de duas temporadas, a Mercedes migrou para a McLaren. E Schumacher foi para a Ferrari, justamente para, ironicamente, virar o maior algoz da fábrica alemã. Tirou da McLaren-Mercedes os títulos de 2000, 2001 e 2003. Parecia ingrato, o menino. Mas não é.
Heptacampeão mundial, maior detentor de recordes da categoria, Schumacher não precisava voltar. A rigor, sua carreira já tinha virado história, era um homem livre, milionário e que não devia mais nada a ninguém. Ledo engano. Devia sim: uma dívida de gratidão com quem lhe abriu as portas para o automobilismo de alto nível. E agora, vinte anos depois, Schumacher está disposto a pagá-la. E que não se duvide dele. Mesmo aos 41 anos, cercado do investimento pesado da Mercedes e do talento de Ross Brawn, o alemão tem tudo para buscar o octacampeonato.
Pilotoons: Schumacher na Mercedes
Bruno Mantovani apresenta a sua leitura sobre a contratação de Michael Schumacher pela Mercedes.
A melhor estreante da história

Foto: Divulgação/Bridgestone
Que a Brawn faz um começo de temporada estonteante e quebrou vários recordes de precocidade, todo mundo já sabe. Mas hoje, em Mônaco, ela atingiu um bastante significativo. Ela já é a equipe com o maior número de vitórias na temporada de estreia, em toda a história.
A marca durava 55 anos e pertencia à gigante Mercedes. Quando estrearam, em 1954, as flechas de prata conquistaram quatro vitórias. Com a conquista em Mônaco, Jenson Button garantiu a quinta vitória da Brawn na temporada, em apenas seis corridas. Um feito absolutamente inédito.
Em 1954, a Mercedes venceu também o mundial de pilotos, com Juan Manuel Fangio. Porém, o argentino foi campeão guiando por duas diferentes equipes. No começo da temporada, ele conquistou duas vitórias pela italiana Maserati, até transferir-se para o time alemão. Assim, se for campeã – o que parece ser o caso – a Brawn será também o primeiro time a conquistar o título mundial na temporada de estreia, com todos os pontos do campeão somados por seus carros.
Sem sombra de dúvidas, a Brawn é a melhor e maior estreante da história.
Brawn faz história, de novo

Foto: Divulgação/Bridgestone
Com duas vitórias em duas corridas disputadas, a Brawn fez história outra vez hoje, em Sepang. Nunca, na história da Fórmula 1, um time havia vencido as suas duas primeiras provas na categoria.
A Mercedes, que estreara arrasadora com dobradinha no GP da França de 1954, não conseguiu repetir o feito na Inglaterra, etapa seguinte do campeonato. Ainda que tenha feito a pole position com Juan Manuel Fangio, a equipe falhou em conseguir o pódio. Outro argentino, José Froilan Gonzalez, venceu a corrida com a Ferrari, seguido por Mike Hawthorn e Onofre Marimon. A primeira Mercedes ficou em quarto, com Fangio.
Em 1977, Jody Scheckter venceu a prova de estreia da Wolf na Argentina, mas era apenas 11º em Interlagos quando abandonou o GP do Brasil, com problemas de motor.
Feito parecido encontra apenas paralelo na Alfa Romeo em 1950, que venceu todas as seis primeiras corridas que disputou. Mas como naquela temporada todo mundo era estreante, não é um desempenho tão impressionante quanto o da Brawn.
Trunfo das Equipes (final): Mercedes e Ligier
Encerrando o Trunfo das Equipes, dois times vencedores. O penúltimo é a Mercedes, que entrou arrasadora em 1954, abandonou a categoria menos de dois anos depois em função da tragédia de Le Mans e acabou com uma imbatível média de três vitórias a cada quatro corridas. E a última é a tradicional Ligier, mais francesa do que um vinho de Bordeaux, que viveu duas décadas na Fórmula 1 entre altos e baixos.
Depois do GP da Malásia, um pacote com todas as cartas. Espero que todos tenham gostado da brincadeira. E ainda vem uma surpresa por aí. Aguardemmmmm…
Brawn e suas coincidências

Foto: Divulgação/Brawn
A histórica vitória da equipe Brawn em sua estreia na Fórmula 1 veio cercada de algumas coincidências. A começar pelos motores fornecidos pela Mercedes que empurram os carros de cor branca/preta/marca-texto, mesma fábrica que estreou com vitória na categoria em 1954. Além disso, soube agora, via Ico, que Jody Scheckter, até então o último piloto a vencer a corrida de estreia de um time, é parceiro da Brawn através de sua bio-fazenda Laverstoke Park. Não bastasse isso, o carro do vencedor Jenson Button estava inicialmente inscrito para o GP da Austrália com o número 20, o mesmo estampado na carenagem do Wolf de Scheckter no GP da Argentina de 1977.
Mas a coincidência mais impressionante é outra: James Allen revela, em seu blog, que um jovem engenheiro trabalhava na estreante Wolf naquele histórico GP da Argentina. O nome dele? Ross Brawn.
Colaborou Julian Tavora.












