Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
Para sugestões, críticas, releases e SPAM: capelli@blogdocapelli.com.brBusca no blog
Arquivos
Twitter
Facebook
Tags
Ayrton Senna BMW Brawn Bruno Senna F1 Felipe Massa Fernando Alonso Ferrari FIA Force India Fórmula 1 Globo GP da Austrália GP da China GP da Espanha GP da Europa GP da Inglaterra GP da Malásia GP de Mônaco GP do Bahrein GP do Brasil GP do Japão Heikki Kovalainen Honda Jenson Button Kimi Raikkonen Lewis Hamilton Mark Webber McLaren Mercedes Michael Schumacher Nelsinho Piquet Nelson Piquet Nico Rosberg Nigel Mansell Red Bull Renault Robert Kubica Rubens Barrichello Sebastian Vettel Super Aguri Toro Rosso Toyota Treinos WilliamsCategorias
- Análises
- Ao vivo
- Automobilismo
- Bastidores
- Baú
- Box
- Camisas de Times
- Charges
- Colunas
- Copa do Mundo
- Curiosidades
- Destaque
- Do Baú
- Entrevistas
- Especulações
- Estatísticas
- Fotos
- Futebol
- História
- Humor
- Infográficos
- Intervalo Comercial
- Jogos
- Na Mídia
- Notícias
- Novos capacetes
- Novos carros
- Novos circuitos
- Olimpíada do Capelli
- Pergunte ao Capelli
- Rádio GP
- Reportagens
- Sem categoria
- Tecnologia
- Todos Chora
- Todos ri
- TV
- Ultrapassando as palavras
- Vídeos
Sites parceiros
Blog Roll
- A Mil por Hora
- Alessandra Alves
- Almanaque Esportivo
- Área de Escape
- Automobilismo Paulista
- Autoracing
- Bluc – Luc Monteiro
- Bruno Mantovani
- Cadernos do Automobilismo
- Café com F1
- Continental Circus
- Esporte Fino
- F1 Girls
- F1 Nostalgia
- Fábio Seixas
- Flavio Gomes
- Fórmula Grün
- Oragoo.net
- Pandini GP
- Velocidade
- Victor Martins
- Voando Baixo
Arquivo da tag: Michael Schumacher
Agora sim, o novo carro
O lançamento da nova pintura, semana passada, foi com o carro da Brawn do ano passado. Mas agora é quente: foi hoje à pista, pela primeira vez, o W01, modelo da Mercedes para a temporada 2010 da Fórmula 1.
Na contramão das equipes rivais, a Mercedes tem um bico bastante curvo e baixo, quase que como um tucano. A altura chega a lembrar o BGP001 de 2009, mas a curva parece mais acentuada. A tomada de ar no santoantônio também é diferente, na forma de um triângulo achatado.Novidades também no capacete de Nico Rosberg. O piloto alemão substituiu o azul de sua pintura pelo prata da equipe. Perdeu um pouco de originalidade, mas a combinação ficou inegavelmente bonita.
Foi dada a largada
E foi a Mercedes, a mais nova-velha equipe da Fórmula 1, quem deu a largada para temporada de lançamentos do campeonato de 2010. O carro ainda é o BGP001 campeão de 2009 com Jenson Button, mas a pintura… quanta diferença.
A Brawn GP prateou, ganhou novo nome, novos patrocínios e novos pilotos. Além de Michael Schumacher e Nico Rosberg como titulares, Nick Heidfeld foi confirmado hoje como piloto-reserva. Um trio alemão na equipe da estrela de três pontas. Um começo para patriota nenhum botar defeito.
Pena que, dada a qualidade dos dois titulares, o anúncio praticamente joga uma pá de cal na carreira do “nem tão quick” Nick. Salvo algum acidente ou contratempo, não vai correr e pouco vai treinar. Daí para categorias menos importantes é um passo.
O carro, todo prata com detalhes em preto e verde-piscina, é bonito pra caramba. Quem não vai gostar é o telespectador – nem o Galvão Bueno -, já que certamente vai ser bem fácil confundir com a McLaren na pista. Chama a atenção o detalhe retrô da numeração: algarismos vermelhos sobre círculos brancos, exatamente como nas flechas de prata de Juan Manuel Fangio, Karl Kling e Stirling Moss nos anos 50. Nostalgia não ganha corridas, mas conforta um pouco. É sempre bom ver o respeito de uma marca por sua história.Agora, no decorrer da semana, mais uma série de lançamentos. A Ferrari é a próxima a apresentar suas armas para 2010, na quinta-feira. No dia seguinte, é a vez da McLaren. E, no domingo, Renault e Sauber fazem suas apresentações. Na segunda, 1º de fevereiro, é a Williams de Rubens Barrichello. O lado curioso e inútil de tudo isso você confere aqui no Blog do Capelli.
Par ou ímpar?
Na semana que passou, Michael Schumacher apareceu dando as cartas na Mercedes. Segundo versão oficial, “solicitou” que seu número fosse trocado de 4 para 3, já que gostava mais de números ímpares. Além disso, um tanto de superstição, já que o 4 nunca foi campeão. Embora os pilotos geralmente sejam um tanto supersticiosos, não creio muito na versão. Na verdade, como fazem os cães, Michael começou a fazer xixi para demarcar seu território.
Mas, partindo do pressuposto de que o motivo tenha sido realmente uma predileção numérica, Schumacher não está de todo errado. Desde que a Fórmula 1 adotou a numeração fixa, em 1974, 36 campeonatos foram disputados. E os carros de números ímpares levam uma larga vantagem: até hoje, dois terços dos títulos ficaram com eles. Apenas 12 foram campeões com números pares.
A explicação para o “fenômeno” é simples. Normalmente, os primeiros pilotos das equipes ganham os números mais baixos. E tais números geralmente são ímpares, sendo pares apenas em times que são ordenados acima do 14. Como geralmente as melhores equipes estão com os números mais baixos… os favoritos quase sempre são os ímpares.
Tanto que, desde que a numeração baseada na classificação do ano anterior foi adotada, em 1996, em apenas duas ocasiões o piloto campeão tinha numeração mais alta que seu colega de time. Mika Hakkinen em 1998 e Kimi Raikkonen em 2007.
Confira abaixo os números de todos os campeões, desde 1974.
| Ano | Campeão | Número do carro |
| 1974 | Emerson Fittipaldi | 5 |
| 1975 | Niki Lauda | 12 |
| 1976 | James Hunt | 11 |
| 1977 | Niki Lauda | 11 |
| 1978 | Mario Andretti | 5 |
| 1979 | Jody Scheckter | 11 |
| 1980 | Alan Jones | 27 |
| 1981 | Nelson Piquet | 5 |
| 1982 | Keke Rosberg | 6 |
| 1983 | Nelson Piquet | 5 |
| 1984 | Niki Lauda | 8 |
| 1985 | Alain Prost | 2 |
| 1986 | Alain Prost | 1 |
| 1987 | Nelson Piquet | 6 |
| 1988 | Ayrton Senna | 12 |
| 1989 | Alain Prost | 2 |
| 1990 | Ayrton Senna | 27 |
| 1991 | Ayrton Senna | 1 |
| 1992 | Nigel Mansell | 5 |
| 1993 | Alain Prost | 2 |
| 1994 | Michael Schumacher | 5 |
| 1995 | Michael Schumacher | 1 |
| 1996 | Damon Hill | 5 |
| 1997 | Jacques Villeneuve | 3 |
| 1998 | Mika Hakkinen | 8 |
| 1999 | Mika Hakkinen | 1 |
| 2000 | Michael Schumacher | 3 |
| 2001 | Michael Schumacher | 1 |
| 2002 | Michael Schumacher | 1 |
| 2003 | Michael Schumacher | 1 |
| 2004 | Michael Schumacher | 1 |
| 2005 | Fernando Alonso | 5 |
| 2006 | Fernando Alonso | 1 |
| 2007 | Kimi Raikkonen | 6 |
| 2008 | Lewis Hamilton | 22 |
| 2009 | Jenson Button | 22 |
Este post foi uma sugestão do leitor Francisco Meireles.
Dívida de gratidão
O bombástico retorno de Michael Schumacher à Fórmula 1 serve para reavivar algumas esperanças para o campeonato de 2010. Se a saída de Kimi Raikkonen e de montadoras como BMW e Toyota, mais o anúncio da reposição com equipes quase mambembes como USF1 e Lotus parecem abalar um pouco a credibilidade da categoria, a volta do heptacampeão é o refresco de que nem tudo será amadorismo na próxima temporada. Lógico, no sentido negativo da palavra. Porque, no fim das contas, a volta de Schumacher tem muito de amadorismo, em seu conceito original. Amadorismo porque Schumacher volta a competir por dois motivos básicos, muito mais emocionais do que racionais: vontade de correr e gratidão à Mercedes.
Mesmo no anúncio de sua aposentadoria, na coletiva do GP da Itália de 2006, ficou muito claro que pendurar o capacete não era uma iniciativa sua. Sua fala claudicante, seu olhar sentido, tudo mostrava um homem que estava sendo impelido a deixar de fazer o que mais gostava por questões políticas. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, percebeu já em fins de 2005 que não mandava em nada na equipe. Jean Todt, Ross Brawn e Michael Schumacher criaram um verdadeiro feudo, o que deixou o italiano desconfortável. Não há dúvidas de que tal feudo foi justamente o responsável pela maior sequência de títulos da história da equipe, mas daí a uma apropriação do poder vai uma grande diferença. E Di Montezemolo queria deter outra vez as rédeas do cavalinho rampante.
Como parte do jogo político, fechou um contrato de três anos com Kimi Raikkonen, então principal piloto da maior rival da Ferrari, a McLaren. Contra a vontade de Brawn e Todt, diga-se. Com a contratação da estrela finlandesa, o recado estava dado: se Schumacher quiser ficar, que fique, mas acabaram-se as regalias. Assim, Schumacher teria que disputar o campeonato com um companheiro de equipe visto como um potencial campeão, no auge da forma, algo que nunca havia acontecido em sua carreira. O resultado é que o alemão, que de bobo tem só a cara, entendeu que o risco não compensava. Melhor se aposentar. E Di Montezemolo, para ter certeza de que estava afastando Schumacher e desfazendo o feudo, disparou comunicados oficiais de imprensa confirmando a aposentadoria do piloto ainda durante a cerimônia do pódio do GP da Itália, evitando assim que Michael mudasse de ideia durante a coletiva.
Sabendo que nenhuma outra equipe ofereceria a ele em 2007 as mesmas condições que tinha na Ferrari, Schumacher parou. Mas seu gosto pela velocidade não arrefeceu, vide as estripulias que andou fazendo de moto por aí. No ano passado, chegou a anunciar um regresso para substituir Felipe Massa, mas desistiu em cima da hora. Talvez porque já estivesse negociando com Ross Brawn.
Sua chegada na Mercedes tem um gosto de déjà-vu, sob dois aspectos. Por voltar a competir chefiado por Ross Brawn, que esteve ao seu lado em seus sete títulos mundiais. E porque defenderá as cores prateadas da marca alemã, uma lacuna em sua carreira na Fórmula 1.
Schumacher teve sua carreira pré-F1 financiada pela Mercedes, num programa que incluía Heinz-Harald Frentzen e Karl Wendlinger. Sua chegada na categoria, substituindo Bertrand Gachot na Jordan em 1991, foi bancada pela fábrica alemã. Sua ida para a Benetton teve influência direta da estrela de três pontas. Porém, no meio do caminho, uma mudança de planos fez com que Schumacher jamais pudesse retribuir o investimento nele feito.Em seu planejamento, a Mercedes colocou Schumacher na Benetton por algumas temporadas, com a intenção de desenvolver seu talento para que viesse defender a fábrica quando ela reingressasse na categoria, junto com Peter Sauber. A Sauber-Mercedes apareceu na F1 em 1993, mas a parceria não ocorreu como o planejado. Depois de duas temporadas, a Mercedes migrou para a McLaren. E Schumacher foi para a Ferrari, justamente para, ironicamente, virar o maior algoz da fábrica alemã. Tirou da McLaren-Mercedes os títulos de 2000, 2001 e 2003. Parecia ingrato, o menino. Mas não é.
Heptacampeão mundial, maior detentor de recordes da categoria, Schumacher não precisava voltar. A rigor, sua carreira já tinha virado história, era um homem livre, milionário e que não devia mais nada a ninguém. Ledo engano. Devia sim: uma dívida de gratidão com quem lhe abriu as portas para o automobilismo de alto nível. E agora, vinte anos depois, Schumacher está disposto a pagá-la. E que não se duvide dele. Mesmo aos 41 anos, cercado do investimento pesado da Mercedes e do talento de Ross Brawn, o alemão tem tudo para buscar o octacampeonato.
Pilotoons: Schumacher na Mercedes
Bruno Mantovani apresenta a sua leitura sobre a contratação de Michael Schumacher pela Mercedes.
Refugou
E eis que Michael Schumacher, tal qual Baloubet du Rouet, refugou. Alegando dores no pescoço, desistiu de seu retorno à Fórmula 1 no GP da Europa, em substituição ao convalescente Felipe Massa.
Não que Schumacher tenha errado ao desistir do retorno. Ele, do alto de seus sete títulos mundiais e sólida carreira, tem todo o direito para tal. Se sentiu dores e não se sente apto, tudo bem. É compreensível que alguém com um currículo tão vasto só se proponha a voltar caso esteja em condições se ser grande como o nome sugere. Voltar para fazer número ou andar lá atrás, para ele, não vale a pena.
Mas acho que o grande erro foi o anúncio precipitado. Se ainda havia a necessidade de uma avaliação física, que não se fizesse o anúncio de seu retorno. Tudo bem que a Ferrari desejava algumas manchetes positivas num momento em que a preocupação maior era a saúde de Felipe Massa. Mas lançar uma notícia bombástica como essa para desistir de tudo dez dias depois pega mal.
Fico imaginando a revolta dos torcedores que correram para comprar ingressos para assistir ao retorno de Schumacher. Terão o dinheiro de volta ou serão obrigados a se contentar com Luca Badoer?
Culpa da Ferrari? Culpa de Schumacher? Culpa de Willi Weber, seu empresário? Não sei. Só acho que é necessário mais seriedade com o público. Algo que Luca di Montezemolo cobra intensamente de Max Mosley. Mas que não faz dentro de casa.
A imagem do dia

Foto: Reprodução/Grande Prêmio
Ele está de volta! Testando em Maranello com a Ferrari de 2007. O cara está levando o retorno a sério…
Sai BMW, entra Schumacher
Cheguei a fazer uma busca na Internet para confirmar se hoje não era o dia dos Santos Inocentes, o dia da mentira dos espanhóis que faz com que várias pegadinhas sejam espalhadas por agências de notícias do país. Afinal, é estranho que, num mesmo dia, duas notícias tão impactantes – e, até certo ponto, improváveis – tenham acontecido. Mas não se tratavam de “inocentadas”. Realmente aconteceram. A BMW anunciou que abandona a Fórmula 1. E a Ferrari anunciou que Michael Schumacher está de volta.
A primeira notícia não era de todo improvável. Todo mundo sabe – e Max Mosley alertou várias vezes sobre isso – que as montadoras não têm e nem nunca tiveram compromisso com o esporte. Basta meia dúzia de maus resultados para que executivos que pouco entendem de corridas (e até de carros) acabem com uma equipe numa canetada. E foi justamente o que aconteceu.
O que não se esperava é que tal atitude viesse da BMW, historicamente presente no automobilismo e que há menos de quatro anos comprou a escuderia de Peter Sauber com promessas de fincar o pé na Fórmula 1. O planejamento parecia correto, os resultados vinham acontecendo e a BMW parecia sólida na categoria. Estreou com time próprio em 2006, os resultados vinham melhorando ano a ano, culminando na temporada do ano passado, na qual foi a única equipe a eventualmente fazer frente ao poderio de McLaren e Ferrari, conquistando sua primeira vitória com Robert Kubica, no Canadá.
Mas em 2009, a fábrica cometeu um enorme gol contra. “Inventou” o tal do KERS e convenceu a FIA a fazer com que a Fórmula 1 seguisse neste caminho. Gastou os tubos de dinheiro numa engenhoca que até agora se mostrou um tiro n’água. Levou Ferrari e McLaren (leia-se Mercedes) para o mesmo caminho, abrindo espaço para que emergentes como Brawn e Red Bull começassem a dominar a categoria. Faz uma temporada ridícula, sempre brigando pelas últimas posições com Force India e Toro Rosso. E, de forma covarde, resolve pular fora.
Covarde porque exemplifica o descompromisso de uma montadora com o esporte. Covarde porque demonstra a hipocrisia de unir-se a outras montadoras na briga contra o teto orçamentário na F1 e, semanas depois, sair justamente para cortar custos. E covarde pelo que faz com Peter Sauber, um sujeito realmente comprometido com as corridas, um verdadeiro esportista, que vende sua equipe para vê-la destruída em menos de quatro anos. Bem fez Frank Williams, quando mandou a BMW seguir seu rumo quando Mario Theissen tentava mandar no time. Bem ou mal, em 2010 a Williams estará no grid. A Sauber, não. A Toyota e a Renault, não se sabe.
Em contrapartida, a notícia boa do dia: Michael Schumacher de volta, em substituição temporária a Felipe Massa. A decisão da Ferrari é absolutamente inteligente. A equipe vai mal no campeonato – apesar da melhora nas últimas provas -, virou uma coadjuvante de luxo e perdeu seu piloto mais eficaz. Nada melhor do que resgatar a auto-estima do time com um piloto tão querido pelo grupo, como Schumacher. Ao mesmo tempo, chama para si todos os holofotes dos GP de Valência.
O retorno de um campeão sempre chama a atenção, principalmente no caso de Schumacher, que se aposentou jovem e com praticamente todos os recordes possíveis. A volta do alemão será um grande evento e, ainda que não ande bem e não marque pontos, o gol já está feito.
E aí a pergunta: será que com 40 anos, aposentado há mais de dois e com alguns quilos a mais, o heptacampeão conseguirá ser competitivo? A resposta ainda não se sabe. Mas, no fim das contas, é o que menos importa. Schumacher não tem obrigação nenhuma e não deve mais nada a ninguém. Se andar na frente e der show, será novamente ovacionado como um fenômeno. E se não fizer nada de muito bom – como Nigel Mansell em seu retorno em 1994 -, terá todos os “poréns” utilizados a seu favor: aposentado, fora de forma, sem compromisso, não conhece o carro…
Mas o mais emblemático desta quarta-feira movimentada na Fórmula 1 é o contraste entre a BMW e Schumacher. Enquanto um sai de cena demonstrando um total desrespeito com a Fórmula 1, seus funcionários e com os fãs do esporte, o outro volta de uma aposentadoria pelo puro prazer de competir e por lealdade a quem ajudou a fazer dele uma lenda. Vai dar gosto vê-lo em ação em Valência.
Tags: BMW, Ferrari, Michael Schumacher
89 comentários
É fogo!
Durante muito tempo, o fogo foi um dos maiores medos dos pilotos de Fórmula 1. Pelo menos cinco pilotos perderam a vida na categoria em acidentes seguidos de incêndio. Em 1967, Lorenzo Bandini foi a vítima no GP de Mônaco. No ano seguinte, Jo Schlesser foi vítima do fogo em sua Honda no GP da França. Em 1970, Piers Courage morreu a bordo de um De Tomaso da equipe de Frank Williams em Zandvoort, mesmo circuito em que Roger Williamson teve uma das mortes mais cruéis da categoria, em 1973. E em 1986, Elio de Angelis foi vítima de um incêndio em sua Brabham durante testes em Paul Ricard. Os austríacos Niki Lauda e Gerhard Berger, ambos com Ferrari, sobreviveram a graves acidentes seguidos de incêndio, em Nürburgring e Imola, respectivamente. O de Lauda, mais sério, deixou seu rosto marcado pelo resto da vida. Berger teve bem menos sequelas.
Mas não é de tragédias que quero falar. Mas sim de momentos de pirotecnia. Na Fórmula 1, o maior risco de incêndio está nos pit stops. Um pequeno vazamento de combustível, em contato com as partes quentes do carro, pode gerar assustadoras e espetaculares imagens. Mas, felizmente, não há registros de acidentes graves em pit stops da categoria.
No melhor estilo CQC, resolvi fazer um Top 5 dos incêndios em pit stop. Vamos lá?
————-
5. Felipe Massa – GP da Espanha de 2007
O mais recente de todos. Em um de seus dois pit stops na corrida, um pouco de gasolina vazou na Ferrari de Felipe Massa. A imagem até assusta incialmente, mas absolutamente nada aconteceu. Havia pouco combustível, que logo evaporou. Com o movimento do carro, o incêndio se extinguiu e o brasileiro pode prosseguir na corrida. E venceu.
————-
4. Keke Rosberg – GP do Brasil de 1983
Muito provavelmente, o primeiro acidente flamejante em um pit stop na Fórmula 1. A Williams de Keke Rosberg pega fogo e o piloto desce do carro. Porém, volta assim que o incêndio é extinto. O finlandês ainda chegou em segundo na corrida, mas foi desclassificado por ter o carro empurrado pelos mecânicos para voltar para a pista. Numa decisão bizarra da então FISA, ninguém foi alçado à segunda posição. Foi a única corrida da história da F1 que não teve um segundo colocado.
————-
3. Michael Schumacher – GP da Áustria de 2003
Nem um incêndio parava Michael Schumacher. Seu carro pegou fogo nos pits, mas o alemão permaneceu impávido, aguardando que seus mecânicos dessem fim às chamas. Acompanhou tudo pelo retrovisor e voltou à pista para ganhar a corrida, mesmo tendo perdido mais de dez segundos com o incidente.
————-
2. Eddie Irvine – GP da Bélgica de 1995
A Jordan de Eddie Irvine virou uma bola de fogo em Spa, 1995. Os mecânicos foram bastante rápidos, mas o carro apagou e o irlandês não pode mais retornar à prova, na qual ocupava a sexta posição.
————-
1. Jos Verstappen – GP da Alemanha de 1994
Era o ano do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, depois de dez anos de proibição. Ainda pouco preparados para emergências como essa, os mecânicos da Benetton deram um show de patetice. Muito combustível vazou, alguns saíram correndo, outros ficaram olhando para ver o que aconteceria. O carro explodiu em chamas e ao incêndio seguiu-se um corre-corre danado, até o piloto saiu correndo em chamas para dentro dos boxes. Felizmente, Verstappen teve apenas algumas queimaduras no rosto e nenhum mecânico ficou seriamente ferido.
Button iguala Clark e Schumacher

Foto: Divulgação/Brawn GP
Jenson Button ainda não é campeão, mas já vem colecionando feitos dignos dos maiores deles. Hoje, em Istambul, igualou recordes históricos do bicampeão Jim Clark e do hepta Michael Schumacher. Com seis vitórias nas sete primeiras corridas, o piloto da Brawn repetiu Clark em 1965 e Schumacher em 1994 e 2004. Vale lembrar que, em todas estas situações, os pilotos levaram o título ao final das temporadas.
Porém, os outros campeões tiveram feitos ainda maiores. Clark só não pôde vencer sete das sete em 1965 porque abdicou de disputar o GP de Mônaco daquela temporada para cruzar o Atlântico e vencer as 500 Milhas de Indianápolis. Assim, ele disputou só seis das primeiras etapas. E venceu todas. Já Michael Schumacher foi ainda além em 2004: venceu 12 das 13 primeiras. Será que Button chega lá? A julgar pela grande fase, eu não duvidaria.
Pergunte ao Capelli: Vitórias em todos os continentes

Arte: Reprodução/vmapas.com
Capelli, minha pergunta é a seguinte: existe algum piloto na Fórmula 1 que venceu em todos os continentes (América, Europa, Ásia, África e Oceania)? Não precisa ser necessariamente na mesma temporada. – Márcio Luís Duarte
Márcio, a pergunta é muito interessante. Considerando apenas as provas válidas pelo Mundial de Fórmula 1, não existe nenhum piloto que tenha vencido nos cinco continentes.
Como provas nas Américas e na Europa são mais comuns, todos os grandes vencedores possuem conquistas nestes dois continentes. Porém, os outros três é que acabam fazendo a diferença. Alain Prost e Nigel Mansell, por exemplo, nunca conseguiram vencer um GP na Ásia. Em seus respectivos períodos de atividade, apenas o Japão fazia parte do calendário, etapa na qual nunca conseguiram lograr sucesso. Niki Lauda, por sua vez, ficou devendo a Oceania, nunca tendo conquistado um GP da Austrália. Vale considerar que ele pôde disputar apenas um, justamente sua corrida de despedida da Fórmula 1, em 1985.
Jim Clark, que venceu na América, Europa e África, ficou devendo no continente asiático, onde não aconteciam corridas na época. Ele até venceu várias na Oceania pela Tasman Series, um espetacular campeonato de pré-temporada que ocorreu na Austrália e na Nova Zelândia entre 1964 e 1967.
Três dos maiores nomes da história da Fórmula 1 possuem a mesma brecha no currículo. Ayrton Senna, Michael Schumacher e Nelson Piquet nunca conseguiram vencer no continente africano, embora tenham reinado em todos os demais. Piquet disputou seis GPs na África do Sul, Senna quatro e Schumacher apenas dois. Sem vitórias para nenhum deles.
Para os pilotos atuais, atingir tal meta é impossível. Embora hoje o calendário esteja repleto de corridas na Ásia (Japão, China, Bahrein, Cingapura, Turquia e Abu Dhabi), já há 16 anos a África não é mais visitada pela Fórmula 1.
Pintou o favorito?

Foto: Divulgação/Brawn
Com duas vitórias nas duas primeiras corridas da temporada, Jenson Button lidera o campeonato mundial de pilotos, a bordo da surpreendente Brawn Mercedes. E se uma escrita histórica for levada em consideração, ignorando as circunstâncias, o britânico desponta como favorito ao título de 2009.
Em todos os campeonatos realizados de 1950 a 2008, em 16 ocasiões um mesmo piloto ganhou as duas primeiras etapas da temporada. E em apenas quatro delas este mesmo piloto não terminou o ano como campeão. A última vez em que o vencedor inicial não levou o caneco foi há 27 anos, em 1982, quando Alain Prost despontou com a Renault, mas não conseguiu pontuar nas sete corridas seguintes e terminou o ano apenas em quarto lugar.
Confira abaixo quem venceu as duas primeiras provas até hoje. Entre parêntesis, sua classificação final no campeonato.
1953 - Alberto Ascari (1º) *
1954 - Juan Manuel Fangio (1º) *
1957 - Juan Manuel Fangio (1º)
1969 - Jackie Stewart (1º)
1973 - Emerson Fittipaldi (2º)
1976 - Niki Lauda (2º)
1979 - Jacques Laffite (4º)
1982 - Alain Prost (4º)
1991 - Ayrton Senna (1º)
1992 - Nigel Mansell (1º)
1994 - Michael Schumacher (1º)
1996 - Damon Hill (1º)
1998 - Mika Hakkinen (1º)
2000 - Michael Schumacher (1º)
2001 - Michael Schumacher (1º)
2004 - Michael Schumacher (1º)
2009 - Jenson Button (?)
* Em 1953 e 1954, o GP de Indianápolis foi a segunda etapa da temporada, mas nenhum dos pilotos que disputavam regularmente o campeonato participavam da corrida. Assim, foram consideradas a primeira e terceira provas.













