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Agora sim, o novo carro

O lançamento da nova pintura, semana passada, foi com o carro da Brawn do ano passado. Mas agora é quente: foi hoje à pista, pela primeira vez, o W01, modelo da Mercedes para a temporada 2010 da Fórmula 1.

Nico dá a volta inaugural do W01

Fotos: Divulgação/Mercedes

Na contramão das equipes rivais, a Mercedes tem um bico bastante curvo e baixo, quase que como um tucano. A altura chega a lembrar o BGP001 de 2009, mas a curva parece mais acentuada. A tomada de ar no santoantônio também é diferente, na forma de um triângulo achatado.

Novidades também no capacete de Nico Rosberg. O piloto alemão substituiu o azul de sua pintura pelo prata da equipe. Perdeu um pouco de originalidade, mas a combinação ficou inegavelmente bonita.

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Foi dada a largada

E foi a Mercedes, a mais nova-velha equipe da Fórmula 1, quem deu a largada para temporada de lançamentos do campeonato de 2010. O carro ainda é o BGP001 campeão de 2009 com Jenson Button, mas a pintura… quanta diferença.

A Brawn GP prateou, ganhou novo nome, novos patrocínios e novos pilotos. Além de Michael Schumacher e Nico Rosberg como titulares, Nick Heidfeld foi confirmado hoje como piloto-reserva. Um trio alemão na equipe da estrela de três pontas. Um começo para patriota nenhum botar defeito.

Pena que, dada a qualidade dos dois titulares, o anúncio praticamente joga uma pá de cal na carreira do “nem tão quick” Nick. Salvo algum acidente ou contratempo, não vai correr e pouco vai treinar. Daí para categorias menos importantes é um passo.

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

O carro, todo prata com detalhes em preto e verde-piscina, é bonito pra caramba. Quem não vai gostar é o telespectador – nem o Galvão Bueno -, já que certamente vai ser bem fácil confundir com a McLaren na pista. Chama a atenção o detalhe retrô da numeração: algarismos vermelhos sobre círculos brancos, exatamente como nas flechas de prata de Juan Manuel Fangio, Karl Kling e Stirling Moss nos anos 50. Nostalgia não ganha corridas, mas conforta um pouco. É sempre bom ver o respeito de uma marca por sua história.

Agora, no decorrer da semana, mais uma série de lançamentos. A Ferrari é a próxima a apresentar suas armas para 2010, na quinta-feira. No dia seguinte, é a vez da McLaren. E, no domingo, Renault e Sauber fazem suas apresentações. Na segunda, 1º de fevereiro, é a Williams de Rubens Barrichello. O lado curioso e inútil de tudo isso você confere aqui no Blog do Capelli.

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Par ou ímpar?

Na semana que passou, Michael Schumacher apareceu dando as cartas na Mercedes. Segundo versão oficial, “solicitou” que seu número fosse trocado de 4 para 3, já que gostava mais de números ímpares. Além disso, um tanto de superstição, já que o 4 nunca foi campeão. Embora os pilotos geralmente sejam um tanto supersticiosos, não creio muito na versão. Na verdade, como fazem os cães, Michael começou a fazer xixi para demarcar seu território.

Mas, partindo do pressuposto de que o motivo tenha sido realmente uma predileção numérica, Schumacher não está de todo errado. Desde que a Fórmula 1 adotou a numeração fixa, em 1974, 36 campeonatos foram disputados. E os carros de números ímpares levam uma larga vantagem: até hoje, dois terços dos títulos ficaram com eles. Apenas 12 foram campeões com números pares.

A explicação para o “fenômeno” é simples. Normalmente, os primeiros pilotos das equipes ganham os números mais baixos. E tais números geralmente são ímpares, sendo pares apenas em times que são ordenados acima do 14. Como geralmente as melhores equipes estão com os números mais baixos… os favoritos quase sempre são os ímpares.

Tanto que, desde que a numeração baseada na classificação do ano anterior foi adotada, em 1996, em apenas duas ocasiões o piloto campeão tinha numeração mais alta que seu colega de time. Mika Hakkinen em 1998 e Kimi Raikkonen em 2007.

Confira abaixo os números de todos os campeões, desde 1974.

Ano Campeão Número do carro
1974 Emerson Fittipaldi 5
1975 Niki Lauda 12
1976 James Hunt 11
1977 Niki Lauda 11
1978 Mario Andretti 5
1979 Jody Scheckter 11
1980 Alan Jones 27
1981 Nelson Piquet 5
1982 Keke Rosberg 6
1983 Nelson Piquet 5
1984 Niki Lauda 8
1985 Alain Prost 2
1986 Alain Prost 1
1987 Nelson Piquet 6
1988 Ayrton Senna 12
1989 Alain Prost 2
1990 Ayrton Senna 27
1991 Ayrton Senna 1
1992 Nigel Mansell 5
1993 Alain Prost 2
1994 Michael Schumacher 5
1995 Michael Schumacher 1
1996 Damon Hill 5
1997 Jacques Villeneuve 3
1998 Mika Hakkinen 8
1999 Mika Hakkinen 1
2000 Michael Schumacher 3
2001 Michael Schumacher 1
2002 Michael Schumacher 1
2003 Michael Schumacher 1
2004 Michael Schumacher 1
2005 Fernando Alonso 5
2006 Fernando Alonso 1
2007 Kimi Raikkonen 6
2008 Lewis Hamilton 22
2009 Jenson Button 22

Este post foi uma sugestão do leitor Francisco Meireles.

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Pergunte ao Capelli: 1ª edição

P: Se o Schumacher cumprir o contrato até o final, ele pode ser o mais velho campeão da F1? – (giancardosods)
R: Não, Fangio foi campeão com 46 anos.

P: Qual você acha que é o maior desafio para os engenheiros em adaptar e evoluir os carros do ano passado de acordo com as novas regras? Você acha que podemos ter muitas quebras devido a projetos pouco maduros?
R: Acho que o volume de quebras deve aumentar entre as equipes estreantes, pela inexperiência. Para o resto, fica a mesma coisa.

P: Te lembras de algum aposentado da F1 que retornou pra categoria?
R: Lauda. E foi campeão.

P: Gostaria de saber a partir de quando o grid de largada passou a ser organizado da forma como é hoje. Pergunto pois vi alguns vídeos, da década de 70, se não me engano, em que os carros ficavam espalhados na largada. (robsonmoraes)
R: A última corrida com grid “espalhado”, no formato “3-2-3-2″, que tenho informação foi o GP dos EUA de 1972. Depois disso, passaram a ficar em “2-2-2-2″. Mas o Panda deve responder isso melhor que eu.

P: Sei que foi em 2000, mas precisamente quando Schumacher adotou o capacete predominantemente vermelho? Foi por causa do Rubens?
R: No GP de Mônaco. E foi mesmo por causa do Rubens, o topo azul de ambos os capacetes estava criando muita confusão na identificação dos carros.

P: Toro Rosso vem de Ralf Schumacher?
R: Sim e vão mudar o nome para Toro Rosa.

P: Qual o maior duelo de pilotos na sua opinião?
R: Da história? Entre companheiros de equipe, Senna x Prost.

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Para enviar a sua pergunta, preencha o formulário em www.formspring.me/ivancapelli e aguarde a resposta. Lá eu respondo quase tudo, no blog só entram algumas selecionadas.

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Dívida de gratidão

O bombástico retorno de Michael Schumacher à Fórmula 1 serve para reavivar algumas esperanças para o campeonato de 2010. Se a saída de Kimi Raikkonen e de montadoras como BMW e Toyota, mais o anúncio da reposição com equipes quase mambembes como USF1 e Lotus parecem abalar um pouco a credibilidade da categoria, a volta do heptacampeão é o refresco de que nem tudo será amadorismo na próxima temporada. Lógico, no sentido negativo da palavra. Porque, no fim das contas, a volta de Schumacher tem muito de amadorismo, em seu conceito original. Amadorismo porque Schumacher volta a competir por dois motivos básicos, muito mais emocionais do que racionais: vontade de correr e gratidão à Mercedes.

Mesmo no anúncio de sua aposentadoria, na coletiva do GP da Itália de 2006, ficou muito claro que pendurar o capacete não era uma iniciativa sua. Sua fala claudicante, seu olhar sentido, tudo mostrava um homem que estava sendo impelido a deixar de fazer o que mais gostava por questões políticas. Luca di Montezemolo, presidente da Ferrari, percebeu já em fins de 2005 que não mandava em nada na equipe. Jean Todt, Ross Brawn e Michael Schumacher criaram um verdadeiro feudo, o que deixou o italiano desconfortável. Não há dúvidas de que tal feudo foi justamente o responsável pela maior sequência de títulos da história da equipe, mas daí a uma apropriação do poder vai uma grande diferença. E Di Montezemolo queria deter outra vez as rédeas do cavalinho rampante.

Como parte do jogo político, fechou um contrato de três anos com Kimi Raikkonen, então principal piloto da maior rival da Ferrari, a McLaren. Contra a vontade de Brawn e Todt, diga-se. Com a contratação da estrela finlandesa, o recado estava dado: se Schumacher quiser ficar, que fique, mas acabaram-se as regalias. Assim, Schumacher teria que disputar o campeonato com um companheiro de equipe visto como um potencial campeão, no auge da forma, algo que nunca havia acontecido em sua carreira. O resultado é que o alemão, que de bobo tem só a cara, entendeu que o risco não compensava. Melhor se aposentar. E Di Montezemolo, para ter certeza de que estava afastando Schumacher e desfazendo o feudo, disparou comunicados oficiais de imprensa confirmando a aposentadoria do piloto ainda durante a cerimônia do pódio do GP da Itália, evitando assim que Michael mudasse de ideia durante a coletiva.

Sabendo que nenhuma outra equipe ofereceria a ele em 2007 as mesmas condições que tinha na Ferrari, Schumacher parou. Mas seu gosto pela velocidade não arrefeceu, vide as estripulias que andou fazendo de moto por aí. No ano passado, chegou a anunciar um regresso para substituir Felipe Massa, mas desistiu em cima da hora. Talvez porque já estivesse negociando com Ross Brawn.

Sua chegada na Mercedes tem um gosto de déjà-vu, sob dois aspectos. Por voltar a competir chefiado por Ross Brawn, que esteve ao seu lado em seus sete títulos mundiais. E porque defenderá as cores prateadas da marca alemã, uma lacuna em sua carreira na Fórmula 1.

Schumacher em 1991, como piloto Mercedes

Schumacher teve sua carreira pré-F1 financiada pela Mercedes, num programa que incluía Heinz-Harald Frentzen e Karl Wendlinger. Sua chegada na categoria, substituindo Bertrand Gachot na Jordan em 1991, foi bancada pela fábrica alemã. Sua ida para a Benetton teve influência direta da estrela de três pontas. Porém, no meio do caminho, uma mudança de planos fez com que Schumacher jamais pudesse retribuir o investimento nele feito.

Em seu planejamento, a Mercedes colocou Schumacher na Benetton por algumas temporadas, com a intenção de desenvolver seu talento para que viesse defender a fábrica quando ela reingressasse na categoria, junto com Peter Sauber. A Sauber-Mercedes apareceu na F1 em 1993, mas a parceria não ocorreu como o planejado. Depois de duas temporadas, a Mercedes migrou para a McLaren. E Schumacher foi para a Ferrari, justamente para, ironicamente, virar o maior algoz da fábrica alemã. Tirou da McLaren-Mercedes os títulos de 2000, 2001 e 2003. Parecia ingrato, o menino. Mas não é.

Heptacampeão mundial, maior detentor de recordes da categoria, Schumacher não precisava voltar. A rigor, sua carreira já tinha virado história, era um homem livre, milionário e que não devia mais nada a ninguém. Ledo engano. Devia sim: uma dívida de gratidão com quem lhe abriu as portas para o automobilismo de alto nível. E agora, vinte anos depois, Schumacher está disposto a pagá-la. E que não se duvide dele. Mesmo aos 41 anos, cercado do investimento pesado da Mercedes e do talento de Ross Brawn, o alemão tem tudo para buscar o octacampeonato.

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Pilotoons: Schumacher na Mercedes

Bruno Mantovani apresenta a sua leitura sobre a contratação de Michael Schumacher pela Mercedes.

Arte: Bruno Mantovani

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Para ser campeão, Rubens terá de evitar a "Maldição de Monza"

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

A vitória de Rubens Barrichello hoje no GP da Itália foi decisiva nas suas aspirações ao título mundial, mas ao mesmo tempo pode ter sido um mau sinal para quem acredita em coincidência ou superstição. Afinal, já há seis anos o vencedor da corrida em Monza não termina o ano como campeão. E pior que isso: desde 1990, apenas três vezes quem chegou em primeiro na Itália sagrou-se campeão mundial.

A “maldição de Monza”, que acabei de inventar, durou dez anos ininterruptos, de 1990 (quando Ayrton Senna venceu e foi bicampeão) a 2000 (quando Michael Schumacher quebrou a escrita). Depois disso, somente Michael Schumacher conseguiu ganhar e Monza e ser campeão novamente, em 2003. Em todos os outros anos, a vitória não coincidiu com o título.

Confira abaixo a lista dos últimos 20 vencedores em Monza, comparando com o campeão da temporada.

Ano Vencedor do GP da Itália Campeão Mundial
1990 Ayrton Senna (McLaren-Honda) Ayrton Senna (McLaren-Honda)
1991 Nigel Mansell (Williams-Renault) Ayrton Senna (McLaren-Honda)
1992 Ayrton Senna (McLaren-Honda) Nigel Mansell (Williams-Renault)
1993 Damon Hill (Williams-Renault) Alain Prost (Williams-Renault)
1994 Damon Hill (Williams-Renault) Michael Schumacher (Benetton-Ford)
1995 Johnny Herbert (Benetton-Renault) Michael Schumacher (Benetton-Renault)
1996 Michael Schumacher (Ferrari) Damon Hill (Williams-Renault)
1997 David Coulthard (McLaren-Mercedes) Jacques Villeneuve (Williams-Renault)
1998 Michael Schumacher (Ferrari) Mika Hakkinen (McLaren-Mercedes)
1999 Heinz-Harald Frentzen (Jordan-Mugen) Mika Hakkinen (McLaren-Mercedes)
2000 Michael Schumacher (Ferrari) Michael Schumacher (Ferrari)
2001 Juan Pablo Montoya (Williams-BMW) Michael Schumacher (Ferrari)
2002 Rubens Barrichello (Ferrari) Michael Schumacher (Ferrari)
2003 Michael Schumacher (Ferrari) Michael Schumacher (Ferrari)
2004 Rubens Barrichello (Ferrari) Michael Schumacher (Ferrari)
2005 Juan Pablo Montoya (McLaren-Mercedes) Fernando Alonso (Renault)
2006 Michael Schumacher (Ferrari) Fernando Alonso (Renault)
2007 Fernando Alonso (McLaren-Mercedes) Kimi Raikkonen (Ferrari)
2008 Sebastian Vettel (Toro Rosso-Ferrari) Lewis Hamilton (McLaren-Mercedes)
2009 Rubens Barrichello (Brawn-Mercedes) ?

 

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Brasil é o terceiro país a atingir 100 vitórias

Rubens Barrichello cravou no GP da Europa a centésima vitória brasileira na Fórmula 1. O feito coloca o Brasil no seleto clube de nações com mais de cem conquistas na categoria. Antes, apenas outros dois países haviam obtido tal distinção: Grã-Bretanha e Alemanha.

A centésima vitória britânica aconteceu há 36 anos, quando Jackie Stewart chegou em primeiro no GP da Holanda de 1973. No entanto, não houve festa. Na mesma corrida, outro piloto do país, Roger Williamson, morreu num grave acidente.

Já a Alemanha comemorou cem vitórias há pouco tempo, no GP da França de 2006. O autor da façanha? Um doce para quem adivinhar… Michael Schumacher.

Atualmente, a Grã-Bretanha já acumula 206 vitórias no currículo, contra 106 da Alemanha. O Brasil, obviamente, tem 100.

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Refugou

E eis que Michael Schumacher, tal qual Baloubet du Rouet, refugou. Alegando dores no pescoço, desistiu de seu retorno à Fórmula 1 no GP da Europa, em substituição ao convalescente Felipe Massa.

Não que Schumacher tenha errado ao desistir do retorno. Ele, do alto de seus sete títulos mundiais e sólida carreira, tem todo o direito para tal. Se sentiu dores e não se sente apto, tudo bem. É compreensível que alguém com um currículo tão vasto só se proponha a voltar caso esteja em condições se ser grande como o nome sugere. Voltar para fazer número ou andar lá atrás, para ele, não vale a pena.

Mas acho que o grande erro foi o anúncio precipitado. Se ainda havia a necessidade de uma avaliação física, que não se fizesse o anúncio de seu retorno. Tudo bem que a Ferrari desejava algumas manchetes positivas num momento em que a preocupação maior era a saúde de Felipe Massa. Mas lançar uma notícia bombástica como essa para desistir de tudo dez dias depois pega mal.

Fico imaginando a revolta dos torcedores que correram para comprar ingressos para assistir ao retorno de Schumacher. Terão o dinheiro de volta ou serão obrigados a se contentar com Luca Badoer?

Culpa da Ferrari? Culpa de Schumacher? Culpa de Willi Weber, seu empresário? Não sei. Só acho que é necessário mais seriedade com o público. Algo que Luca di Montezemolo cobra intensamente de Max Mosley. Mas que não faz dentro de casa.

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A imagem do dia

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Ele está de volta! Testando em Maranello com a Ferrari de 2007. O cara está levando o retorno a sério…

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Sai BMW, entra Schumacher

Cheguei a fazer uma busca na Internet para confirmar se hoje não era o dia dos Santos Inocentes, o dia da mentira dos espanhóis que faz com que várias pegadinhas sejam espalhadas por agências de notícias do país. Afinal, é estranho que, num mesmo dia, duas notícias tão impactantes – e, até certo ponto, improváveis – tenham acontecido. Mas não se tratavam de “inocentadas”. Realmente aconteceram. A BMW anunciou que abandona a Fórmula 1. E a Ferrari anunciou que Michael Schumacher está de volta.

A primeira notícia não era de todo improvável. Todo mundo sabe – e Max Mosley alertou várias vezes sobre isso – que as montadoras não têm e nem nunca tiveram compromisso com o esporte. Basta meia dúzia de maus resultados para que executivos que pouco entendem de corridas (e até de carros) acabem com uma equipe numa canetada. E foi justamente o que aconteceu.

O que não se esperava é que tal atitude viesse da BMW, historicamente presente no automobilismo e que há menos de quatro anos comprou a escuderia de Peter Sauber com promessas de fincar o pé na Fórmula 1. O planejamento parecia correto, os resultados vinham acontecendo e a BMW parecia sólida na categoria. Estreou com time próprio em 2006, os resultados vinham melhorando ano a ano, culminando na temporada do ano passado, na qual foi a única equipe a eventualmente fazer frente ao poderio de McLaren e Ferrari, conquistando sua primeira vitória com Robert Kubica, no Canadá.

Mas em 2009, a fábrica cometeu um enorme gol contra. “Inventou” o tal do KERS e convenceu a FIA a fazer com que a Fórmula 1 seguisse neste caminho. Gastou os tubos de dinheiro numa engenhoca que até agora se mostrou um tiro n’água. Levou Ferrari e McLaren (leia-se Mercedes) para o mesmo caminho, abrindo espaço para que emergentes como Brawn e Red Bull começassem a dominar a categoria. Faz uma temporada ridícula, sempre brigando pelas últimas posições com Force India e Toro Rosso. E, de forma covarde, resolve pular fora.

Covarde porque exemplifica o descompromisso de uma montadora com o esporte. Covarde porque demonstra a hipocrisia de unir-se a outras montadoras na briga contra o teto orçamentário na F1 e, semanas depois, sair justamente para cortar custos. E covarde pelo que faz com Peter Sauber, um sujeito realmente comprometido com as corridas, um verdadeiro esportista, que vende sua equipe para vê-la destruída em menos de quatro anos. Bem fez Frank Williams, quando mandou a BMW seguir seu rumo quando Mario Theissen tentava mandar no time. Bem ou mal, em 2010 a Williams estará no grid. A Sauber, não. A Toyota e a Renault, não se sabe.

Em contrapartida, a notícia boa do dia: Michael Schumacher de volta, em substituição temporária a Felipe Massa. A decisão da Ferrari é absolutamente inteligente. A equipe vai mal no campeonato – apesar da melhora nas últimas provas -, virou uma coadjuvante de luxo e perdeu seu piloto mais eficaz. Nada melhor do que resgatar a auto-estima do time com um piloto tão querido pelo grupo, como Schumacher. Ao mesmo tempo, chama para si todos os holofotes dos GP de Valência.

O retorno de um campeão sempre chama a atenção, principalmente no caso de Schumacher, que se aposentou jovem e com praticamente todos os recordes possíveis. A volta do alemão será um grande evento e, ainda que não ande bem e não marque pontos, o gol já está feito.

E aí a pergunta: será que com 40 anos, aposentado há mais de dois e com alguns quilos a mais, o heptacampeão conseguirá ser competitivo? A resposta ainda não se sabe. Mas, no fim das contas, é o que menos importa. Schumacher não tem obrigação nenhuma e não deve mais nada a ninguém. Se andar na frente e der show, será novamente ovacionado como um fenômeno. E se não fizer nada de muito bom – como Nigel Mansell em seu retorno em 1994 -, terá todos os “poréns” utilizados a seu favor: aposentado, fora de forma, sem compromisso, não conhece o carro…

Mas o mais emblemático desta quarta-feira movimentada na Fórmula 1 é o contraste entre a BMW e Schumacher. Enquanto um sai de cena demonstrando um total desrespeito com a Fórmula 1, seus funcionários e com os fãs do esporte, o outro volta de uma aposentadoria pelo puro prazer de competir e por lealdade a quem ajudou a fazer dele uma lenda. Vai dar gosto vê-lo em ação em Valência.

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Curiosidades do GP da Hungria

Foto: Reprodução/Google Maps

Foto: Reprodução/Google Maps

* Esta será a 24ª edição do GP da Hungria. Desde que estreou na Fórmula 1, em 1986, a corrida acontece todos os anos, ininterruptamente.

* Todas as provas aconteceram no circuito de Hungaroring. O traçado, no entanto, já sofreu duas alterações com relação ao desenho original.

* Em 1989, uma variante foi retirada do traçado. Em 2003, a reta de chegada foi alongada e a primeira curva teve seu traçado modificado, assim como o trecho final que leva à reta dos boxes.

* O primeiro vencedor foi Nelson Piquet, em 1986. Nesta prova, uma das melhores manobras da história da F1: Piquet ultrapassou Ayrton Senna por fora no final da reta dos boxes e partiu para a vitória.

* Nos primeiros anos do GP da Hungria, por sinal, só vitórias brasileiras. Piquet venceu em 1986 e 1987, Senna em 1988. Depois, Senna repetiria a dose em 1991 e 1992. Outra vitória nacional, só dez anos depois, com Rubens Barrichello.

* O recordista de vitórias no GP húngaro é Michael Schumacher, com quatro conquistas. Senna tem três, contra duas de Nelson Piquet, Damon Hill, Jacques Villeneuve e Mika Hakkinen.

* Apesar de ser uma corrida historicamente com poucas ultrapassagens, algumas vitórias improváveis já aconteceram na Hungria. Em 1989, Nigel Mansell partiu do 12º lugar para uma espetacular vitória com a Ferrari. Em 2006, Jenson Button venceu pela primeira vez na Fórmula 1 largando da 14ª posição.

* E os finais de corrida já reservaram surpresas em terras magiares. Em 1987, uma porca soltou-se do pneu traseiro direito de Nigel Mansell a seis voltas do fim, caindo a vitória no colo de Piquet. Dez anos depois, em 1997, um problema hidráulico impediu uma histórica vitória de Damon Hill com a Arrows. Ele acabou ultrapassado por Jacques Villeneuve na última volta. No ano passado, o motor Ferrari de Felipe Massa estourou a três giros do fim, dando a Heikki Kovalainen sua primeira vitória na Fórmula 1.

* Além de Kovalainen e Button, Damon Hill e Fernando Alonso também tiveram em Hungaroring o palco de suas primeiras vitórias na Fórmula 1.

* Michael Schumacher e Nigel Mansell são outros que possuem boas lembranças do GP da Hungria. Foi lá, em 2001 e 1992, respectivamente, que eles confirmaram seus títulos mundiais.

* Em 11 das 23 edições até aqui, a vitória ficou com o pole position.

* Pole position, aliás, amplamente dominada por Michael Schumacher. O alemão marcou sete poles na Hungria. Ayrton Senna é o segundo, com três.

* Entre as equipes, mais equilíbrio nas poles. Sete da Ferrari e sete da McLaren, contra seis da Williams.

* Nas vitórias, vantagem para a McLaren, com oito. A Williams venceu sete vezes em Hungaroring, contra cinco da Ferrari.

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É fogo!

Durante muito tempo, o fogo foi um dos maiores medos dos pilotos de Fórmula 1. Pelo menos cinco pilotos perderam a vida na categoria em acidentes seguidos de incêndio. Em 1967, Lorenzo Bandini foi a vítima no GP de Mônaco. No ano seguinte, Jo Schlesser foi vítima do fogo em sua Honda no GP da França. Em 1970, Piers Courage morreu a bordo de um De Tomaso da equipe de Frank Williams em Zandvoort, mesmo circuito em que Roger Williamson teve uma das mortes mais cruéis da categoria, em 1973. E em 1986, Elio de Angelis foi vítima de um incêndio em sua Brabham durante testes em Paul Ricard. Os austríacos Niki Lauda e Gerhard Berger, ambos com Ferrari, sobreviveram a graves acidentes seguidos de incêndio, em Nürburgring e Imola, respectivamente. O de Lauda, mais sério, deixou seu rosto marcado pelo resto da vida. Berger teve bem menos sequelas.

Mas não é de tragédias que quero falar. Mas sim de momentos de pirotecnia. Na Fórmula 1, o maior risco de incêndio está nos pit stops. Um pequeno vazamento de combustível, em contato com as partes quentes do carro, pode gerar assustadoras e espetaculares imagens. Mas, felizmente, não há registros de acidentes graves em pit stops da categoria.

No melhor estilo CQC, resolvi fazer um Top 5 dos incêndios em pit stop. Vamos lá?

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5. Felipe Massa – GP da Espanha de 2007

O mais recente de todos. Em um de seus dois pit stops na corrida, um pouco de gasolina vazou na Ferrari de Felipe Massa. A imagem até assusta incialmente, mas absolutamente nada aconteceu. Havia pouco combustível, que logo evaporou. Com o movimento do carro, o incêndio se extinguiu e o brasileiro pode prosseguir na corrida. E venceu.

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4. Keke Rosberg – GP do Brasil de 1983

Muito provavelmente, o primeiro acidente flamejante em um pit stop na Fórmula 1. A Williams de Keke Rosberg pega fogo e o piloto desce do carro. Porém, volta assim que o incêndio é extinto. O finlandês ainda chegou em segundo na corrida, mas foi desclassificado por ter o carro empurrado pelos mecânicos para voltar para a pista. Numa decisão bizarra da então FISA, ninguém foi alçado à segunda posição. Foi a única corrida da história da F1 que não teve um segundo colocado.

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3. Michael Schumacher – GP da Áustria de 2003

Nem um incêndio parava Michael Schumacher. Seu carro pegou fogo nos pits, mas o alemão permaneceu impávido, aguardando que seus mecânicos dessem fim às chamas. Acompanhou tudo pelo retrovisor e voltou à pista para ganhar a corrida, mesmo tendo perdido mais de dez segundos com o incidente.

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2. Eddie Irvine – GP da Bélgica de 1995

A Jordan de Eddie Irvine virou uma bola de fogo em Spa, 1995. Os mecânicos foram bastante rápidos, mas o carro apagou e o irlandês não pode mais retornar à prova, na qual ocupava a sexta posição.

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1. Jos Verstappen – GP da Alemanha de 1994

Era o ano do retorno do reabastecimento à Fórmula 1, depois de dez anos de proibição. Ainda pouco preparados para emergências como essa, os mecânicos da Benetton deram um show de patetice. Muito combustível vazou, alguns saíram correndo, outros ficaram olhando para ver o que aconteceria. O carro explodiu em chamas e ao incêndio seguiu-se um corre-corre danado, até o piloto saiu correndo em chamas para dentro dos boxes. Felizmente, Verstappen teve apenas algumas queimaduras no rosto e nenhum mecânico ficou seriamente ferido.

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O festival dos festivais

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

No último final de semana, Bruno Senna apareceu em tudo quanto é canto nesta foto fantástica, guiando a McLaren que foi de seu tio. Mas você sabe por que isso aconteceu? E que evento era este? Pois eis a resposta. Foi no “Festival dos Festivais”, alcunha sacana que acabei de chupinhar daquele programa brega da Globo para descrever o Festival da Velocidade de Goodwood, certamente o maior encontro automobilístico mundial.

O circuito de Goodwood faz parte da história do automobilismo inglês. Palco da primeira corrida britânica acontecida no pós-guerra, em 1948, firmou-se como um dos principais centros de corridas do país, com as tradicionais “9 horas de Goodwood”. Em 1962, no entanto, começou a cair em desgraça quando Stirling Moss sofreu um grave acidente que abreviou sua carreira. Em 1966, com a recusa de seus donos em encher o traçado de chicanes em função da crescente velocidade dos carros, o circuito foi fechado e passou a ser apenas uma pista de testes. Mas ainda entraria para a história em 1970, quando Bruce McLaren lá perdeu a vida enquanto testava um de seus carros.

Goodwood ficou esquecido por mais de duas décadas, até que a nobreza da região, na figura do Conde de March e Kinrara (que também responde pelos títulos de Duque de Richmond, Duque de Lennox e Duque de Gordon), decidiu trazer de volta o charme do automobilismo para Goodwood. Não foi possível resgatar o antigo circuito para voltar a organizar corridas, mas foi aí que surgiu a ideia de montar um festival que reunisse exposição de carros antigos, desfiles e corridas de demonstração num traçado de pouco mais de dois quilômetros cercado por feno, ladeira acima e abaixo.

O primeiro Festival da Velocidade de Goodwood aconteceu em 1993, pequeno, mas cresceu rapidamente e hoje é, sem dúvida, uma das principais datas do calendário automobilístico mundial. Em todo o final de semana, cerca de 200 mil pessoas comparecem para ver carros de todas as épocas, desde os quase artesanais do fim do século XIX até os Fórmula 1 atuais. No evento da semana passada, Lewis Hamilton andou com a McLaren campeã de 2008, enquanto Stirling Moss desfilou com a histórica Mercedes W196.

E em Goodwood é possível ver improváveis relações carro/piloto. Em outras edições, Eddie Jordan já guiou o 191, o primeiro F1 que construiu e que foi o primeiro cockpit de Michael Schumacher na categoria. Nelsinho Piquet já guiou a Williams do pai e até Emerson Fittipaldi deu uma aceleradinha na Ferrari de Michael Schumacher.

E, em 1999, Rubens Barrichello teve a oportunidade de guiar dois F1 históricos: a McLaren MP4/6 de 1991, do tricampeonato de Ayrton Senna, e a Lotus 79 de Mario Andretti, o revolucionário bólido que deu ao ítalo-americano o título mundial de 1978. E o piloto brasileiro deu um depoimento exclusivo ao Blog do Capelli, relatando o que sentiu ao guiar tais máquinas. Com a palavra, Rubens!

Foto: Anthony Fosh/Flickr

Foto: Anthony Fosh/Flickr

“Eu estava tão empolgado em guiar o carro do “chefe” que a situação passou tão rápido, nem vi… O pedal era muito arisco e com as ondulações ele saltava demais. Era 8 ou 80! Dava pra sentir a potência do motor e a diferença do assento. Eu ficava para fora do carro, totalmente! Foi demais a experiência.”

Foto: Anthony Fosh/Flickr

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“Quanto à Lotus, eu não tinha nem banco e estava mais desconfortável. Mas o carro era muito mais alto em relação ao chão e o motor mais fraco (400 cavalos). Naquelas ruas foi muito mais fácil de guiar do que a McLaren. E também foi o primeiro carro que lembro ter visto e torcido na TV.”

Isso é Goodwood!

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Quando um carro bom é ruim

Foto: Divulgação/Brawn

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Passadas sete corridas do início do campeonato, que apresenta um domínio assombroso de Jenson Button e um desempenho pra lá de irregular de Rubens Barrichello, começo a procurar explicações para uma diferença tão grande de resultados entre os dois companheiros de equipe.

Com uma amostra desse porte disponível, já não é mais possível creditar tudo a um fator aleatório de sorte/azar. Ao mesmo tempo, não dá para colocar tudo na conta de uma hipotética “incompetência” de Barrichello. Ele pode até não ser aquele piloto que promete ser, mas nem de longe é um inepto que comete erros grosseiros. E aí vem a pergunta: o que há com Barrichello?

Passo a lembrar de toda a carreira do brasileiro, que acompanhei desde o início, e a enumerar seus grandes momentos na Fórmula 1. E me dou conta que, via de regra, alguma coisa havia em comum: um carro nervoso. E lembrando também dos maiores capotes que ele levou de companheiros de equipe, outro aspecto comum: um carro fantástico, que anda sobre trilhos.

Historicamente, Barrichello distinguiu-se por sua habilidade na chuva. Seu grande cartão de visitas em Donington Park há 16 anos, a sua primeira vitória na encharcada Hockenheim, sua primeira pole em Spa, seu belo desempenho em Mônaco e em Magny-Cours com a Stewart. E o que há em comum em todos estes momentos chuvosos? Pista com pouco grip, condições adversas, carro escorregadio.

É nessas circunstâncias que Rubens Barrichello brilha. Poucos conseguem extrair mais de um carro nervoso e com pouca aderência do que o brasileiro. Na chuva, ele patrola. No seco, quase nunca, diria. Mas sempre que teve um carro nervoso e difícil de conduzir, destacou-se sobre seus companheiros de equipe.

Foi assim com Jenson Button no ano passado, guiando a carroça da Honda. Foi assim em seu ano de estreia, contra pilotos experientes como Ivan Capelli e Thierry Boutsen. E mesmo na Ferrari, quando Barrichello só conseguiu andar mais próximo e até a ameaçar Michael Schumacher em anos nos quais a equipe italiana teve dificuldades: 2003 e 2005.

Quando o carro era um foguete, como a fantástica F2004, Schumacher foi soberano. Ganhou 13 corridas e Barrichello levou apenas Monza e Xangai, isso depois que a fatura estava liquidada, com a sede de títulos do alemão saciada. Tudo bem, a gente sabe que na Ferrari havia uma hierarquia clara, mas mesmo assim, o brasileiro não precisou abrir mão de nenhuma posição ou vitória naquele ano. Foi a única temporada, aliás, na qual Ross Brawn e Jean Todt foram a público para afirmar que os dois estavam livres para brigar. Nos anos anteriores até o sino de Maranello sabia que Barrichello não teria chances. E 2004 foi uma surra, nas palavras do próprio Ross.

É incorreto afirmar que Barrichello só vai bem se tem um carro “ruim”. Com carro ruim ninguém faz nada, nem Schumacher venceria se guiasse uma Minardi. Mas, para que o talento de Rubens desperte, é preciso que o bólido seja nervoso, arisco, com reações pouco previsíveis, sem margem para que o piloto possa acelerar sem dó. Pode até ser um carro rápido e vencedor, com foi o F2003-GA. Mas, se o carro é rápido, estável e não precisa de grandes correções, como é a Brawn de 2009, os companheiros acabam se saindo melhor.

A avaliação pode ser superficial, admito. Mas acho que tem um belo fundo de verdade aí, dá para desenvolvê-la melhor. O extrato é que, para ele, carro muito bom é ruim. Seu talento aparece mais em condições difíceis. Quando pisar no da direita é fácil, seus companheiros o vencem em velocidade pura. Mas quando para vencer é preciso jeito, ele aparece muito bem. E, por mais irônico que possa parecer, o BGP 001 – infelizmente para ele – é um baita carro.

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Button iguala Clark e Schumacher

Foto: Divulgação/Brawn GP

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Jenson Button ainda não é campeão, mas já vem colecionando feitos dignos dos maiores deles. Hoje, em Istambul, igualou recordes históricos do bicampeão Jim Clark e do hepta Michael Schumacher. Com seis vitórias nas sete primeiras corridas, o piloto da Brawn repetiu Clark em 1965 e Schumacher em 1994 e 2004. Vale lembrar que, em todas estas situações, os pilotos levaram o título ao final das temporadas.

Porém, os outros campeões tiveram feitos ainda maiores. Clark só não pôde vencer sete das sete em 1965 porque abdicou de disputar o GP de Mônaco daquela temporada para cruzar o Atlântico e vencer as 500 Milhas de Indianápolis. Assim, ele disputou só seis das primeiras etapas. E venceu todas. Já Michael Schumacher foi ainda além em 2004: venceu 12 das 13 primeiras. Será que Button chega lá? A julgar pela grande fase, eu não duvidaria.

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Pergunte ao Capelli: Vitórias em todos os continentes

Arte: Reprodução/vmapas.com

Arte: Reprodução/vmapas.com

Capelli, minha pergunta é a seguinte: existe algum piloto na Fórmula 1 que venceu em todos os continentes (América, Europa, Ásia, África e Oceania)? Não precisa ser necessariamente na mesma temporada. – Márcio Luís Duarte

Márcio, a pergunta é muito interessante. Considerando apenas as provas válidas pelo Mundial de Fórmula 1, não existe nenhum piloto que tenha vencido nos cinco continentes.

Como provas nas Américas e na Europa são mais comuns, todos os grandes vencedores possuem conquistas nestes dois continentes. Porém, os outros três é que acabam fazendo a diferença. Alain Prost e Nigel Mansell, por exemplo, nunca conseguiram vencer um GP na Ásia. Em seus respectivos períodos de atividade, apenas o Japão fazia parte do calendário, etapa na qual nunca conseguiram lograr sucesso. Niki Lauda, por sua vez, ficou devendo a Oceania, nunca tendo conquistado um GP da Austrália. Vale considerar que ele pôde disputar apenas um, justamente sua corrida de despedida da Fórmula 1, em 1985.

Jim Clark, que venceu na América, Europa e África, ficou devendo no continente asiático, onde não aconteciam corridas na época. Ele até venceu várias na Oceania pela Tasman Series, um espetacular campeonato de pré-temporada que ocorreu na Austrália e na Nova Zelândia entre 1964 e 1967.

Três dos maiores nomes da história da Fórmula 1 possuem a mesma brecha no currículo. Ayrton Senna, Michael Schumacher e Nelson Piquet nunca conseguiram vencer no continente africano, embora tenham reinado em todos os demais. Piquet disputou seis GPs na África do Sul, Senna quatro e Schumacher apenas dois. Sem vitórias para nenhum deles.

Para os pilotos atuais, atingir tal meta é impossível. Embora hoje o calendário esteja repleto de corridas na Ásia (Japão, China, Bahrein, Cingapura, Turquia e Abu Dhabi), já há 16 anos a África não é mais visitada pela Fórmula 1.

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Novo recorde para Barrichello

Foto: Divulgação/Brawn

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Essa dica veio do Guilherme, via comentários. Enquanto segue em sua longa carreira, Rubens Barrichello vai quebrando cada vez mais recordes de longevidade. Se no ano passado ele tornou-se o piloto com mais GPs disputados na categoria, no GP de Mônaco ele atingiu outra marca: ele é agora o piloto com mais voltas completadas na Fórmula 1.

Com as 78 percorridas ontem em Monte Carlo, Barrichello chegou a 13.940 voltas em Grandes Prêmios. A marca anterior era de Michael Schumacher, com 13.909. Confira abaixo os dez pilotos que mais giros completaram na história da Fórmula 1.

Maior número de voltas
1. Rubens Barrichello – 13.940
2. Michael Schumacher – 13.909
3. David Coulthard – 12.394
4. Riccardo Patrese – 11.346
5. Giancarlo Fisichella – 10.923
6. Alain Prost – 10.540
7. Jarno Trulli – 10.090
8. Nelson Piquet – 9.872
9. Gerhard Berger – 9.793
10. Jean Alesi – 9.645

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Curiosidades do GP da China

Foto: Divulgação/MotoGP

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Neste domingo acontece a sexta edição do GP da China de Fórmula 1. E, como já está virando hábito, um rápido levantamento de curiosidades acerca da corrida.

* O GP da China estreou no calendário em 2004, sendo sempre disputado no autódromo de Xangai;

* Em cinco edições até aqui, nunca um piloto conseguiu repetir vitória. Cinco diferentes subiram ao alto do pódio uma vez: Rubens Barrichello, Fernando Alonso, Michael Schumacher, Kimi Raikkonen e Lewis Hamilton;

* Entre as equipes, domínio da Ferrari: três vitórias, contra uma da Renault e uma da McLaren;

* A corrida chinesa de 2007 ficou marcada pela besteira antológica de Lewis Hamilton, que desgastou seus pneus intermediários na pista seca até não aguentar mais e jogou o título mundial no lixo ao ficar atolado na caixa de brita da entrada dos boxes;

* Rubens Barrichello não vence na Fórmula 1 desde 2004. Sua última vitória aconteceu justamente na China;

* A Ferrari só marcou pole position na China uma vez, na corrida de 2004, com Rubens Barrichello. De lá para cá, duas poles da Renault (Fernando Alonso) e duas da McLaren (Lewis Hamilton);

* Pela primeira vez a corrida em Xangai acontece no começo de um campeonato. Normalmente agendada para o terço final do ano, o GP da China inclusive encerrou a temporada de 2005.

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Pintou o favorito?

Foto: Divulgação/Brawn

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Com duas vitórias nas duas primeiras corridas da temporada, Jenson Button lidera o campeonato mundial de pilotos, a bordo da surpreendente Brawn Mercedes. E se uma escrita histórica for levada em consideração, ignorando as circunstâncias, o britânico desponta como favorito ao título de 2009.

Em todos os campeonatos realizados de 1950 a 2008, em 16 ocasiões um mesmo piloto ganhou as duas primeiras etapas da temporada. E em apenas quatro delas este mesmo piloto não terminou o ano como campeão. A última vez em que o vencedor inicial não levou o caneco foi há 27 anos, em 1982, quando Alain Prost despontou com a Renault, mas não conseguiu pontuar nas sete corridas seguintes e terminou o ano apenas em quarto lugar.

Confira abaixo quem venceu as duas primeiras provas até hoje. Entre parêntesis, sua classificação final no campeonato.

1953 - Alberto Ascari (1º) *
1954 - Juan Manuel Fangio (1º) *
1957 - Juan Manuel Fangio (1º)
1969 - Jackie Stewart (1º)
1973 - Emerson Fittipaldi (2º)
1976 - Niki Lauda (2º)
1979 - Jacques Laffite (4º)
1982 - Alain Prost (4º)
1991 - Ayrton Senna (1º)
1992 - Nigel Mansell (1º)
1994 - Michael Schumacher (1º)
1996 - Damon Hill (1º)
1998 - Mika Hakkinen (1º)
2000 - Michael Schumacher (1º)
2001 - Michael Schumacher (1º)
2004 - Michael Schumacher (1º)
2009 - Jenson Button (?)

* Em 1953 e 1954, o GP de Indianápolis foi a segunda etapa da temporada, mas nenhum dos pilotos que disputavam regularmente o campeonato participavam da corrida. Assim, foram consideradas a primeira e terceira provas.

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