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A história da atual equipe Mercedes na Fórmula 1 chega a ser curiosa. Originou-se da Tyrrell, que virou BAR e depois tornou-se Honda. Quando os japoneses debandaram e deixaram a escuderia nas mãos de Ross Brawn, nasceu a Brawn GP. Imaginava-se um arremedo de time: além do carro branco e sem patrocínios, as temporadas anteriores da Honda foram um verdadeiro desastre. Mas, contrariando a lógica, a Brawn nasceu vencedora. Ganhou a corrida de estreia e ainda terminou o ano de 2009 campeã de pilotos e construtores. Nascia ali uma lenda.

Nascia, mas morria rapidamente, com apenas uma temporada. Num lance surpreendente, a Mercedes deu de ombros para a McLaren e comprou a maior parte da equipe campeã. Surgiu ali a Mercedes GP. Em outro lance não menos surpreendente, os alemães tiraram Michael Schumacher da aposentadoria, montando ali o que parecia ser um supertime, talvez a favorita de 2010. Não colou. Os resultados foram escassos, apenas o quarto lugar entre os construtores. O heptacampeão Schumacher decepcionou e a grata surpresa foi Nico Rosberg, que conseguiu subir três vezes ao pódio. Ainda assim, pouco para quem vinha de um título mundial.

Schumacher é atração, mas também uma grande interrogação.
Foto: Divulgação/Mercedes

Um paradoxo curioso se formou. Quando ninguém esperava nada, o time foi lá e ganhou tudo. Quando se imaginava uma potência, sucumbiu. Assim, talvez a receita da Mercedes em 2011 seja a de não gerar expectativa alguma. Quem sabe assim os resultados surjam ao natural.

A dupla de pilotos foi mantida, mas agora uma enorme interrogação paira sobre Michael Schumacher. Aos 42 anos, já andou até cancelando testes no simulador, por causar-lhe enjoos. Não parece mais ser capaz de causar medo aos adversários como um dia já foi. Nico Rosberg é a esperança de vitórias, mas para isso precisa de um carro de primeira.

O W02, modelo para esta temporada, foi lançado na terça-feira passada, durante os testes em Valência. No design, é arrojado. Possui uma frente proeminente parecendo um bico de pato e uma pintura prateada com belos detalhes verdes (ou azuis, depende do gosto do freguês). Pelo dinheiro investido e pelos nomes envolvidos, é um time que não deve ser menosprezado. A concorrência com McLaren, Ferrari e Red Bull será dura, mas a Mercedes espera, ao menos, deixar a desconfortável quarta posição entre as grandes da F1. O grande desafio é voltar à ponta.

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Rapidinhas: GP da China

- O melhor antídoto aos Tilkódromos é a chuva. Santa chuva. O GP da China foi uma excelente corrida, contra todos os prognósticos. São Pedro tem ajudado pacas a F1 em 2010.

- Vitória de Jenson Button, que mais uma vez mostrou ter uma espécie de sexto sentido com relação às condições de pista. Se na Austrália venceu por ter sido o primeiro a arriscar um pit stop para colocar pneus de pista seca, sua vitória na China deve-se principalmente à opção de não trocar pneus na primeira entrada do Safety Car, quando todo mundo resolveu arriscar.

- O inglês permaneceu na pista e ficou em segundo lugar, atrás da Mercedes de Nico Rosberg. A pista manteve-se em boas condições para pneus slick e os dois conseguiram abrir uma ótima vantagem contra os principais adversários, que se precipitaram ao colocar pneus intermediários e perderam muito tempo.

- Confesso que torci pela vitória de Rosberg, para que houvesse quatro diferentes vencedores de quatro diferentes equipes nas quatro primeiras provas do ano. Seria um barato, mas não aconteceu. Button, no entanto, mereceu a conquista. Ultrapassou Rosberg quando os pneus se desgastavam e dali arrancou para a vitória.

- Uma segunda entrada do Safety Car ameaçou a vantagem daqueles que não pararam no começo, mas não foi suficiente para comprometer a liderança de Button. Mais uma vez, o inglês foi seguro e preciso. Conquistou a segunda vitória em quatro provas e assumiu a liderança do mundial.

Alonso disparou na frente, mas queimou a largada. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)

Alonso disparou na frente, mas queimou a largada.
(Foto: Paul Gilham/Getty Images)

- Admito que tendo a subvalorizar Jenson Button. O estilo de pilotagem de Lewis Hamilton, por exemplo, é muito mais exuberante e empolgante. Aliás, o que Lewis fez hoje foi genial. Dezenas de ultrapassagens, para todos os gostos. Uma para cima de Michael Schumacher no grampo, então, que foi antológica. Uma dupla pra cima de Adrian Sutil e Sebastian Vettel foi uma aula. O inglês é o piloto mais espetacular do campeonato, sem dúvida. Mas nem sempre isso resulta em vitórias, o que também é fato. Button foi mais eficiente. Mas o segundo lugar, no entanto, ficou de bom tamanho.

- Nico Rosberg acabou em terceiro, com seu segundo pódio na temporada, que o elevou ao segundo lugar no Mundial de Pilotos. Já Michael Schumacher, seu companheiro de luxo, é apenas décimo no campeonato.

- A corrida do heptacampeão na China foi algo próximo do lamentável. Não manteve um bom ritmo e foi presa fácil para todo mundo que vinha atrás. Sofreu uma ultrapassagem humilhante de Lewis Hamilton e depois não ofereceu resistência a quem se aproximava, como um retardatário conformado. Levou até de Vitaly Petrov. Se decidisse abandonar o capacete hoje, eu entenderia. Schumacher não merecia passar por isso. Respondendo à pergunta de capa da Revista Warm Up de abril: não, ele não é mais o mesmo.

- Fernando Alonso foi outro irreconhecível hoje. Não tanto pela corrida como um todo, mas sim pelo erro de principiante ao queimar a largada. Assumiu a liderança na primeira curva de forma espetacular, pena que tenha sido por ter arrancado antes das luzes se apagarem. Tomou um drive-trough mas recuperou-se bem, cruzando a linha de chegada na quarta posição. Mas não sem antes dar um passeio na caixa de brita da entrada do box chinês, aquela mesma que sente muita falta de Hamilton.

- Mas a manobra mais controversa de espanhol, no entanto, nem foi a largada queimada. Gerou reações inflamadas sua ultrapassagem sobre Felipe Massa no acesso aos boxes. Na prática, Alonso não fez nada de errado. Pelo contrário: ali é pista, pode ultrapassar, bobo foi Felipe que saiu mal da curva e deu espaço.

- Diria que não é algo muito esperado em se tratando de companheiros de equipe, dificilmente se assume riscos assim, mas o ocorrido foi bom pra Felipe Massa ter melhor a noção de que não tem um cordeirinho ao seu lado. Achei a manobra parecida com aquela de Michael Schumacher sobre Rubens Barrichello no GP de Mônaco de 2005. Que também não teve nada de errado, mas que gerou um chororô que foi definitivo para que o brasileiro saísse da Ferrari um ano antes do término de seu contrato.

Schumacher, aqui ultrapassado por Hamilton, foi presa fácil. (Foto: AP Photo/Eugene Hoshiko)

Schumacher, aqui ultrapassado por Hamilton, foi presa fácil.
(Foto: AP Photo/Eugene Hoshiko)

- E, apesar de ter feito uma corrida ruim hoje, terminando em nono, Felipe Massa sobe cada vez mais no meu conceito. Ao término da prova, foi abordado por Carlos Gil, que lhe ofereceu um púlpito para que começasse um show de reclamações. O repórter da Globo pontuou que “A manobra de Alonso não foi ilegal, mas não foi muito legal do ponto-de-vista do companheirismo” e perguntou o que Felipe achava disso. A resposta foi seca, sem chorumelas: “Eu saí mal do cotovelo, ele pôs do lado de dentro e teve mais vantagem na entrada da curva”. Gil ainda insistiu perguntando se nenhum regulamento interno da Ferrari tinha sido ferido e Massa foi político mais uma vez: “Não, está tudo bem”.

- Pode até ser que as coisas não estejam bem, mas Felipe Massa é maduro o suficiente para entender que esse tipo de roupa suja se lava em casa. Soltar os cachorros no microfone não resolveria absolutamente nada, além de criar uma polêmica vazia. Se não gostou da ultrapassagem ou se ela feriu algum acordo interno, que se resolva internamente. É assim que se mantém um bom clima na equipe e se trabalha de forma leal, sem jogar para a torcida.

- E as Red Bull, pergunto? Foram mal. Erraram na tática de pneus e fizeram mais uma vez uma corrida abaixo do esperado, mesmo tendo um baita carro. Sebastian Vetel foi sexto e Mark Webber abusou de cometer erros, terminando em oitavo. Muito pouco para quem fez a primeira fila e tem um carro muito bom.

- Especula-se que a vantagem da McLaren se deu graças ao setup, mais apropriado para uma corrida chuvosa. As Red Bull teriam apostado no seco e se deram mal. É possível.

- Medalhinhas para a Renault, que ficou boa parte da corrida em terceiro com Robert Kubica e em quarto com Vitaly Petrov. O polonês chegou em quinto e o russo, em sétimo. Apesar de uma rodada espetacular, a corrida de Petrov foi muito boa. Está fazendo bela figura em sua temporada de estreia. A Renault é uma grata surpresa neste campeonato, mostrando que existe vida pós-Briatore.

- No campeonato de pilotos, embolou geral. Button 60, Rosberg 50, Alonso e Hamilton 49, Vettel 45, Massa 41 e Kubica 40. A briga é boa e quem saiu pior de Xangai foi Felipe Massa, que despencou da liderança para o sexto lugar. Mas o campeonato é longo e a diferença ainda é pequena.

- Depois de um intervalo de três semanas, começa a temporada europeia, com o GP de Barcelona. Apesar de ser tradicionalmente uma corrida chata, é bastante aguardada porque normalmente revela a verdadeira relação de forças do campeonato. O que ocorrer em Montmeló é tendência para o restante da temporada.

RESULTADO GP DA CHINA 2010

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Rapidinhas da classificação: Bahrein

A Fórmula 1 está de volta e, com ela, as infames rapidinhas. Análises em tópicos sobre a classificação de hoje para o GP do Bahrein.

- Sebastian Vettel não só fez a pole, como também fez a volta mais rápida de todo o treino, no Q2. Era o favorito e confirmou que vai largar na frente, mas talvez tenha sido mais difícil que o esperado. A Red Bull vem muito bem, mas a Ferrari mostrou que está com um conjunto muito bom.

- Felipe Massa sai em segundo, pouco mais de um décimo de segundo mais lento que Vettel. Eu confesso que esperava uma Red Bull mais dominante. Mesmo assim, Felipe aparece muito bem para a corrida.

- Curioso, porém, foi o semblante de desapontamento do brasileiro ao descer do carro. Ficou perceptível que ele almejava a pole, o que é ótimo. Largar na frente de seu companheiro Fernando Alonso, que será terceiro, é bom para dar as cartas dentro da equipe logo no começo da temporada. Mas, pelo jeito, não foi o suficiente para deixá-lo feliz. O que demonstra que as ambições de Felipe vão muito além de apenas bater Alonso.

- Mas a melhor notícia de todas foi ver que, em sua primeira sessão de classificação depois do terrível acidente na Hungria, Felipe Massa não perdeu sua principal característica, que é a velocidade pura. O piloto da Ferrari andou rápido e mostrou que está competitivo como antes. Quiçá, até melhor. Resta ver seu desempenho em corrida, mas essa primeira fila já vale como uma grande vitória para quem corria risco de vida há pouco mais de seis meses.

- Fernando Alonso, competitivo e autocentrado, certamente não ficou feliz com o resultado. Foi apenas um treino de classificação, mas nunca é bom perder para o companheiro de equipe. Amanhã, na corrida, o espanhol vem com tudo. O duelo interno na Ferrari será bastente empolgante.

- Fechando a segunda fila, em quarto lugar, logo quem: Lewis Hamilton, o desafeto favorito de Alonso. Se dividirem a curva, um não alivia para o outro. Será uma largada interessante.

- Jenson Button, atual campeão, tomou um coco de Hamilton em sua estreia pela McLaren. Largará apenas em oitavo lugar, tendo sido quase meio segundo mais lento.

- Mas foi Mark Webber quem levou mais tempo do companheiro no Q3: 1,1s. Enquanto Vettel é pole, o australiano sai somente em sexto. Esperava mais dele, mas é possível que tenha sofrido algum problema nos treinos.

Schumacher, 7º, decepcionou em seu retorno. (Foto: Divulgação/Mercedes GP)

Schumacher, 7º, decepcionou em seu retorno.
(Foto: Divulgação/Mercedes GP)

- Michael Schumacher não saiu ileso e, em seu aguardado retorno à Fórmula 1, ficou atrás de seu companheiro de equipe. Sairá em sétimo, contra o quinto lugar de Nico Rosberg. A diferença de tempo foi de três décimos. Mas, considerando que Schumacher ficou três anos parado e a pré-temporada não permite um grande volume de treinamentos, o alemão ainda briga para retomar sua forma ideal. Mas é inegável que a sétima posição foi um tanto decepcionante.

- Estrelinhas para Robert Kubica, nono com a Renault, e Adrian Sutil. O alemão da Force India, especialmente, foi a grande zebra do Q3. Percebe-se que o motor Mercedes empurra bem, mas mesmo assim não se imaginava uma Force India tão bem posicionada.

- Rubens Barrichello sai num bom 11º lugar com a Williams. Por pouco não foi à fase final da qualificação. Com a experiência que tem, pode fazer uma ótima corrida poupando pneus com o tanque cheio.

- Dos estreantes: Nico Hulkenberg, companheiro de Barrichello, ficou em 13º. Vitaly Petrov, da Renault, foi 17º. Sobre o desempenho de Lucas di Grassi, Bruno Senna e Karun Chandhok não há o que comentar. Eles não estão de fato na Fórmula 1.

- O abismo entre as equipes antigas e as novas é enorme. Lotus e Virgin ficam andam dois segundos mais lentas que as mais lentas. E a Hispania (ou HRT, que seja) é 3 segundos pior que as outras novatas.

- Tenho medo dessa “Fórmula 1 B”. Os carros são lentos de mais. Chandhok foi quase 11s mais lento que o pole position. Bruno Senna, 9s. O melhor dessa categoria, Timo Glock, foi cinco segundos pior que o pole. É quase como se a GP2 dividisse a pista com a F1. Uma diferença tão grande entre os carros é muito perigoso. Agora é torcer para que nada aconteça, enquanto a regra dos 107% não volta.

- Falando nisso, cálculo de padeiro: aplicando-se os 7% sobre o tempo da melhor volta do Q1 (1’54.612), teríamos 2’02.635 como limite para largada. O que significa que a Hispania não largaria.

- A corrida promete. O desenvolvimento da prova será completamente diferente dos últimos anos, já que não há mais reabastecimento. Na pole, Vettel tem vantagem, mas vai vencer quem cuidar melhor de seu carro. Ser veloz o tempo inteiro já não basta mais, a nova Fórmula 1 passa a exigir outras habilidades além do pé no fundo. Inteligência, controle e suavidade serão fundamentais. Podemos ter surpresas amanhã.

Grid de largada para o GP do Bahrein:

GP do Bahrein: Grid de largada

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Agora sim, o novo carro

O lançamento da nova pintura, semana passada, foi com o carro da Brawn do ano passado. Mas agora é quente: foi hoje à pista, pela primeira vez, o W01, modelo da Mercedes para a temporada 2010 da Fórmula 1.

Nico dá a volta inaugural do W01

Fotos: Divulgação/Mercedes

Na contramão das equipes rivais, a Mercedes tem um bico bastante curvo e baixo, quase que como um tucano. A altura chega a lembrar o BGP001 de 2009, mas a curva parece mais acentuada. A tomada de ar no santoantônio também é diferente, na forma de um triângulo achatado.

Novidades também no capacete de Nico Rosberg. O piloto alemão substituiu o azul de sua pintura pelo prata da equipe. Perdeu um pouco de originalidade, mas a combinação ficou inegavelmente bonita.

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Foi dada a largada

E foi a Mercedes, a mais nova-velha equipe da Fórmula 1, quem deu a largada para temporada de lançamentos do campeonato de 2010. O carro ainda é o BGP001 campeão de 2009 com Jenson Button, mas a pintura… quanta diferença.

A Brawn GP prateou, ganhou novo nome, novos patrocínios e novos pilotos. Além de Michael Schumacher e Nico Rosberg como titulares, Nick Heidfeld foi confirmado hoje como piloto-reserva. Um trio alemão na equipe da estrela de três pontas. Um começo para patriota nenhum botar defeito.

Pena que, dada a qualidade dos dois titulares, o anúncio praticamente joga uma pá de cal na carreira do “nem tão quick” Nick. Salvo algum acidente ou contratempo, não vai correr e pouco vai treinar. Daí para categorias menos importantes é um passo.

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

O carro, todo prata com detalhes em preto e verde-piscina, é bonito pra caramba. Quem não vai gostar é o telespectador – nem o Galvão Bueno -, já que certamente vai ser bem fácil confundir com a McLaren na pista. Chama a atenção o detalhe retrô da numeração: algarismos vermelhos sobre círculos brancos, exatamente como nas flechas de prata de Juan Manuel Fangio, Karl Kling e Stirling Moss nos anos 50. Nostalgia não ganha corridas, mas conforta um pouco. É sempre bom ver o respeito de uma marca por sua história.

Agora, no decorrer da semana, mais uma série de lançamentos. A Ferrari é a próxima a apresentar suas armas para 2010, na quinta-feira. No dia seguinte, é a vez da McLaren. E, no domingo, Renault e Sauber fazem suas apresentações. Na segunda, 1º de fevereiro, é a Williams de Rubens Barrichello. O lado curioso e inútil de tudo isso você confere aqui no Blog do Capelli.

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Par ou ímpar?

Na semana que passou, Michael Schumacher apareceu dando as cartas na Mercedes. Segundo versão oficial, “solicitou” que seu número fosse trocado de 4 para 3, já que gostava mais de números ímpares. Além disso, um tanto de superstição, já que o 4 nunca foi campeão. Embora os pilotos geralmente sejam um tanto supersticiosos, não creio muito na versão. Na verdade, como fazem os cães, Michael começou a fazer xixi para demarcar seu território.

Mas, partindo do pressuposto de que o motivo tenha sido realmente uma predileção numérica, Schumacher não está de todo errado. Desde que a Fórmula 1 adotou a numeração fixa, em 1974, 36 campeonatos foram disputados. E os carros de números ímpares levam uma larga vantagem: até hoje, dois terços dos títulos ficaram com eles. Apenas 12 foram campeões com números pares.

A explicação para o “fenômeno” é simples. Normalmente, os primeiros pilotos das equipes ganham os números mais baixos. E tais números geralmente são ímpares, sendo pares apenas em times que são ordenados acima do 14. Como geralmente as melhores equipes estão com os números mais baixos… os favoritos quase sempre são os ímpares.

Tanto que, desde que a numeração baseada na classificação do ano anterior foi adotada, em 1996, em apenas duas ocasiões o piloto campeão tinha numeração mais alta que seu colega de time. Mika Hakkinen em 1998 e Kimi Raikkonen em 2007.

Confira abaixo os números de todos os campeões, desde 1974.

Ano Campeão Número do carro
1974 Emerson Fittipaldi 5
1975 Niki Lauda 12
1976 James Hunt 11
1977 Niki Lauda 11
1978 Mario Andretti 5
1979 Jody Scheckter 11
1980 Alan Jones 27
1981 Nelson Piquet 5
1982 Keke Rosberg 6
1983 Nelson Piquet 5
1984 Niki Lauda 8
1985 Alain Prost 2
1986 Alain Prost 1
1987 Nelson Piquet 6
1988 Ayrton Senna 12
1989 Alain Prost 2
1990 Ayrton Senna 27
1991 Ayrton Senna 1
1992 Nigel Mansell 5
1993 Alain Prost 2
1994 Michael Schumacher 5
1995 Michael Schumacher 1
1996 Damon Hill 5
1997 Jacques Villeneuve 3
1998 Mika Hakkinen 8
1999 Mika Hakkinen 1
2000 Michael Schumacher 3
2001 Michael Schumacher 1
2002 Michael Schumacher 1
2003 Michael Schumacher 1
2004 Michael Schumacher 1
2005 Fernando Alonso 5
2006 Fernando Alonso 1
2007 Kimi Raikkonen 6
2008 Lewis Hamilton 22
2009 Jenson Button 22

Este post foi uma sugestão do leitor Francisco Meireles.

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Pergunte ao Capelli: 3ª edição

P: Vc acha q, caso Senna saísse vivo de Ímola, mesmo com 0 x 30 no placar, conseguiria tirar o título de Schumacher? by carloztavares
R: Acho que sim, era começo de campeonato… seria difícil, mas não impossível.

P: Capelli, não seria mais bacana pro espetáculo da F1 se além de banir o reabastecimento fosse instituído um Bikini Car Wash obrigatório em todos os pit stops?
R: Sim. O problema é que o Nico ia ficar com nojinho.

P: A Lotus vai vir com aquela pintura toda colorida ou vai amarelar? by edimervaldo
R: Parece que vem british green.

P: O que acha de ponto extra para uma pole? Sera que seria legal um campeonato sendo decidido por uma pole?
R: Acho que não. A pole já tem seu valor, que é largar na frente. Não acho que o treino de classificação deva influenciar diretamente no resultado de um campeonato.

P: Capelli, você assiste Chaves e Chapolin ? E também é mais fácil o Zina ir para o chilindro ou o Bruno Senna ganhar com a Campos?
R: Sim, assisto. Mais fácil o Zina voltar. Pepe, a vela.

P: Olá Capelli. Após o escândalo de Cingapura, falou-se muito do Safety Car, inclusive que ele não fazia parte da F1 na época de N Piquet. A partir de que ano o Safety Car passou a ser usado na F1 e quais marcas/modelos de já foram usados para essa função?
R: O SC foi introduzido oficialmente em 1993. Mas antes ele apareceu em algumas corridas com regulamento específico, como Canadá/1973. Marcas e modelos foram vários, no começo dependia da organização da corrida.

P: Capelli, tirando aquela ultrapassagem do Piquet sobre o Senna, qual a mais emocionante que você já viu na F-1 moderna?
R: Aquela briga do Massa com o Kubica em Fuji foi algo…

P: Para se manter em forma, o Nico corre ou só caminha?
R: Ele faz marcha atlética.

P: Capelli, pergunta de Portugal, o que achava do Pedro Lamy e Tiago Monteiro? Acha que este ultimo é um dos piores que já passou pela F1, nos últimos 10 anos?
R: Claro que não. Tiago era bastante regular e fez uma bela corrida na Bélgica. Pedro Lamy também era um bom piloto.

P: Capelli, você já viu algum F1 mais feio que o Williams-Prestobarba de 2.004? Será que farão algo semelhante, apenas para o pessoal esculachar o Rubens Barrichello?
R: Tem coisa pior, sim… A Ligier bule-de-chá, por exemplo, me dá medo.

P: Capelli, tenho uma dúvida que me acompanha há muito tempo e nunca tive a resposta. Por que entre 1980 e 1982, vários carros como Williams e Brabham não usavam asas diateiras, o carro tinha somente o bico, sem os spoilers laterais. Obrigado
R: Porque eram carros-asa. A forma de cunha do assoalho já “prendia” o carro ao chão, tornando desnecessário o uso de asas dianteiras em determinados circuitos.

P: Capelli, qual a sua opinião sobre a temporada de 2007. O Hamilton bateu Alonso (ficaram empatados em nº de pontos) por mérito próprio ou você acredita que a McLaren puxou a sardinha pro Hamilton, afinal Alonso não tinha nenhum Papa Alonso por perto?
R: Eu acho que os dois tiveram uma igualdade de condições que Alonso não esperava. E, na reta final, a equipe puxou a sardinha para o Hamilton, sim. Tanto que Ron Dennis se entregou dizendo na China que “corríamos contra Alonso, não contra a Ferrari”.

P: Capelli, vc não acha que carro bigorna mesmo foi o Lotus 72? Aquela entrada de ar do motor é uma verdadeira bigorna vista de lado, de cima, de qualquer lado. Concorda?
R: Concordo. Os atuais lembram mais barbatana de tubarão mesmo, mas eu acho o nome “bigorna” mais engraçado.

P: Capelli, alguma equipe de F-1 já alinhou mais de dois carros no grid?
R: Sim… a última foi a Renault, em 1985, que colocou três carros no GP da Europa. Warwick, Tambay e Streiff.

P: Por que a Rádio GP nunca mais foi ao ar?
R: Porque o meu ego e o do Victor não cabiam mais no arquivo mp3.

P: Quais são os 3 melhores pilotos de F1 que mandam bem na chuva, que vc viu correr??Poderia me indicar o 1,2 e 3??
R: Senna, Schumacher e Barrichello.

P: Por favor, cite casos em que o piloto cruzou a linha de chegada com o carro destruido (só lembro do christian fittipaldi naquele clássico momento em que cruzou voando). algum piloto já venceu desse modo?
R: O Vittorio Brambilla cruzou a linha de chegada do GP da Áustria de 1975, sua única vitória na F1, de lado e depois bateu na mureta. Tem vídeo aqui: http://www.youtube.com/watch?v=6a4mbwhuJfI .

P: Qual o seu nome de batismo? by ozferreira
R: Sou pagão.

P: Sem reabastecimento voltaremos a ver corridas como as do passado, em que o primeiro terminava 137 R: voltas a frente do ultimo, 130 a frente do penultimo e tudo mais?
Acho que pode acontecer, mas não por causa da mudança de regulamento, e sim pelo abismo entre as grandes equipes e as novatas sem estrutura.

P: Que vantagem a Marlboro leva na Ferrari com seu logo sempre censurado nos GPs?
R: Uma espécie de propaganda subliminar. Ela não aparece, mas todo mundo sabe que está lá.

P: Me cite, de bate-pronto, as 5 melhores corridas de F1 que vierem em sua cabeça agora. by DUDUBALDAO
R: Gosto de corridas doidas. Então: Brasil/2003, Mônaco/1996, Luxemburgo/1999, Canadá/1989 e Japão/1988.

P: Quem foi melhor: Alain Prost ou Nelson Piquet?
R: Eu acho que o Prost. Por um nariz.

P: Duas Perguntas. A partir de que ano passou a ser utilizada as borboletas no lugar do antiga câmbio e os freios da Fórmula 1 são tudo ou nada, ou tem como controlar quanto você quer freiar, como no acelerador?
R: A primeira equipe a usar foi a Ferrari, em 1989. E ganhou a corrida de estreia do novo câmbio, no Brasil, com Mansell. Sobre os freios, me parecem que são progressivos sim.

P: Imagina o seguinte: Schumacher começa com tudo, pole e vitória nas duas primeiras etapas. Quais pilotos da temporada 2010 rachariam a curva na raça com Schumacher na terceira etapa?
R: Todos os que tiverem bolas.

P: Uma pergunta que creio que ninguém lhe fez Capelli. Qual é o seu nome verdadeiro Capelli? E nada de dizer que é Ivan Capelli. E se disser “Ivan Capelli” só acredito com scanner do RG.
R: Já disse… meu nome é Pepson.

P: Vale a pena comprar “O Boto do Reno” do FG?
R: Sim, eu tenho uma mesa bamba e o boto foi a melhor solução que achei.

P: Vamos combinar. Qual a frequencia desta bagaça aqui?
R: 2580MHz, 49 metros.

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Para enviar a sua pergunta, preencha o formulário em www.formspring.me/ivancapelli e aguarde a resposta. Lá eu respondo quase tudo, no blog só entram algumas selecionadas.

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Pergunte ao Capelli: 2ª edição

P: Tostines é fresquinho porque vende mais ou vende mais pq é fresquinho?
R: Nada disso. É fresquinho porque dá o biscoito.

P: O que você acha da regra que obriga os pilotos a fazerem troca de pneus, alternando compostos?
R: Idiota.

P: De todos os capacetes que ja apareceram na f1, qual o seu preferido?
R: Gosto muito de desenhos mais simples e limpos, como do Senna, do Prost e do Mansell. O do inglês, particularmente, era espetacular.

P: O que estará escrito em seu epitáfio?
R: “Eu não era o ex-piloto Ivan Capelli, cacete!”

P: Capelli, vc acha que a USF1 vai correr próximo ano?
R: Não. Mas quase sempre eu erro…

P: Tô sem imaginação pra uma pergunta… fala qualquer besteira aí que agradeço rs
R: Em briga de saci, pontapé é voadora.

P: Capelli, o McLaren MP4-10 (não sei se o “puro”, o B, ou o C), com aquele pequeno segundo aerofólio traseiro, pode ser considerado o primeiro “carro-bigorna” da história da F1? (chicocougo)
R: Mais ou menos… ali o objetivo era outro. Parece que aquela asa objetivava mais jogar ar de volta para dentro do motor (a carenagem tinha um buraco ali embaixo) do que criar mais downforce.

P: Será que com o fim dos reabastecimentos as corridas vão seguir com disputas por posição (inclusive na frente) ou depois de algumas voltas vão virar o desfile que vêm sendo há alguns anos?
R: Eu acho que vão seguir com disputas, porque o comportamento dos carros vai variar. Talvez determinada equipe ande melhor no começo, com tanque cheio e outra ande melhor no final, com tanque vazio.

P: Capelli, houve alguma dobradinha entre dois dois pilotos do mesmo país e da mesma equipe fora aquela do Piquet e do Moreno em 1990, no GP do Japão, na corrida do bicampeonato do Senna?
R: Sim… vários italianos nos anos 50 (Alfa, Ferrari), ingleses nos 60 (Lotus) e franceses nos 70/80 (Renault e Ligier). De 1990 pra cá é que não lembro de cabeça.

P: Por que a Williams correu sem o patrocínio da Camel do GP Brasil de 1991?
R: Tinha o patrocínio, mas só na frente do carro. Depois a Camel comprou também as laterais que estavam vagas.

P: Qual foi a primeira corrida inteira que você lembra de cabeça?
R: Acho que foi o GP da Alemanha de 1986, quando o Piquet ganhou e o Senna cruzou a linha de chegada balançando o carro para achar combustível no tanque.

P: Baseando-se no estilo de pilotagem de cada piloto, quem você acha que vai se destacar de forma positiva (vai andar mais que no regulamento antigo) e negativa (vai andar menos que no regulamento antigo) com o novo regulamento, em relação ao combustível?
R: Difícil. Acho que Massa pode se dar mal. E Alonso pode se dar bem.

P: Quanto tempo até o Barrichello falar mal da equipe e levar um cartão amarelo do Willians?
R: Se ele demonstrar a maturidade que apresentou no segundo semestre de 2009, não vai acontecer.

P: Se o Rosberg estiver em 1° e o Schumacher em 2°, você acha mandam ele deixar passar? Se ele não deixar, o cachorro dele corre risco de ser sequestrado?
R: Eu acho que sequestram a Dona Nica e botam pra conversar com ele no rádio.

P: Na sua opinião qual o capacete mais feio e o mais bonito da F1?
R: Feios: Timo Glock e Adrian Sutil. Bonito: Felipe Massa.

P: Capelli, os carros “tubarões” (com o bico levantado e a asa suspensa embaixo dele) surgiram no final dos anos 80, início dos 90 pelo que me lembro. Mas quem, precisamente, testou em pista essa idéia primeiro? Se possível também o nome do projetista.
R: Tenho a impressão de que foi a Tyrrell, em 1990. O projetista era o Harvey Postlethwaite. No entanto, a March de 1988 usava muito do conceito, embora a asa não fosse “tubarão”.

P: Capelli, li no GP que o nome “BMW Sauber” será mantido no ano que vem. Mas se a Sauber vier com motor Ferrari, é permitido ou já existiu alguma vez duas montadoras formarem um mesmo time, ou pelo menos o nome de uma equipe?
R: Vai ser bem engraçado se isso acontecer. Acho que será a primeira vez. A Brabham, em 1982, correu com motores Cosworth e BMW, um em cada carro.

P: Capelli, quando foi introduzida a regra que, em falta do campeão, o time campeão de constutores usa o #0 e #2?
R: Em 1993, quando Mansell foi campeão do ano anterior e foi para a Indy.

P: Dentre todas as trocas de pilotos, quem você acha que se deu melhor? Eu acho que foi o Rubinho (LWxJB) (FMxFA) (NRxMS)…
R: Se levar em conta o companheiro de equipe, o Barrichello. Se levar em conta o equipamento, o Alonso.

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Para enviar a sua pergunta, preencha o formulário em www.formspring.me/ivancapelli e aguarde a resposta. Lá eu respondo quase tudo, no blog só entram algumas selecionadas.

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Positivo e negativo: Cingapura

Positivo: Jenson Button. À mineira, derrotou seu companheiro de equipe que vive melhor fase e deu um passo muito importante rumo ao título mundial.

Negativo:
Nico Rosberg. Perdeu uma grande chance para a Williams ao errar de forma vexatória na saída dos boxes, queimando a linha branca com todas as rodas.

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Positivo e negativo: Alemanha

Positivo: Felipe Massa e Nico Rosberg. Mesmo com carros inferiores, tiveram um desempenho acima da média em Nürburgring. O brasileiro conseguiu um ótimo pódio, enquanto Rosberg galgou 11 posições para somar improváveis cinco pontos.

Negativo: Brawn. Na pior corrida da equipe até aqui, conseguiu ficar atrás inclusive de Ferrari e Williams. Vai precisar buscar forças para reagir, a Red Bull tornou-se uma séria ameaça.

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Que Williams é essa?

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

Fim do terceiro treino livre para o GP da Austrália e, mais uma vez, Williams na ponta. Nico Rosberg é o homem a ser batido no Albert Park. A Williams, quem diria, surge como uma das favoritas à pole na classificação de daqui a pouco.

Mas a concorrência será dura. Jarno Trulli, com a Toyota, ficou a apenas três milésimos de segundo do alemão. Jenson Button, com a Brawn, ficou coladinho, a pouco mais de um décimo. Está tudo embolado e embaralhado.

A Ferrari teve problemas com Kimi Raikkonen, que escapou da pista e teve de abandonar o treino logo no começo. Felipe Massa começou discreto, mas fez ótimas voltas no final que lhe garantiram o quarto lugar. Kazuki Nakajima, com a outra Williams, foi o quinto, com Rubens Barrichello fechando a lista dos seis primeiros.

O fato é que o bloco dos difusores polêmicos estão dominando a cena. Williams, Toyota e Brawn. Das equipes que ainda não adotaram o famigerado desenho em seus difusores, a Ferrari é quem se sai melhor. A McLaren está mal, como se esperava: 11º para Kovalainen, 12º para Hamilton. Aliás, curioso observar o finlandês andando melhor que o campeão mundial neste final de semana. Será que Lewis abate-se fácil sem um carro de ponta? Será que o comportamento do carro favorece Heikki? Ou será que na hora do “vamos ver” o inglês bota pra quebrar? Eu aposto na terceira alternativa.

A classificação começa daqui a duas horas, às 3h da manhã. Passa ao vivo na Globo. Se é para fazer uma aposta, eu vou no óbvio: Rosberg pole. Mas não dá para duvidar das Brawn, das Toyota, e até das Ferrari. Tudo pode acontecer, vai ser divertido pacas.

Que Fórmula 1 é essa, gente?

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Quando burlar a regra é bom negócio


A Fórmula 1 utiliza a regra do Safety Car há 15 anos, desde 1993. De lá até 2006, sua intervenção na corrida era simples. Em caso de acidente, todos os pilotos alinhavam atrás do carro de segurança, paravam nos boxes quando quisessem (se necessário) e relargavam após seu retorno ao pit lane. Um pouco de sorte envolvia a operação, muitos ganharam e outros tantos perderam corridas assim, mas durante todo o período, em nenhum momento alguém levou vantagem indevida.

No ano passado, porém, a FIA implementou uma nova norma. Visando evitar que os carros continuassem acelerando para chegar aos boxes para fazer um rápido pit stop antes que encontrassem o Safety Car, o que de fato é contrário ao espírito da regra, decidiu-se fechar os boxes assim que a corrida é paralisada com bandeira amarela. Todos os pilotos precisam alinhar atrás do carro-madrinha e só então os pits são abertos para que todos entrem e façam seus pit stops ao mesmo tempo. Os infratores que reabastecerem seus carros durante o período de box fechado são punidos com um stop & go de 10 segundos.

Desta maneira, a regulamentação acabou com a vantagem que alguns pilotos poderiam conquistar na regra antiga, parando nos boxes antes de todos e voltando à frente. Certo? Errado. É um jogo arriscado, mas é possível infringir a regra, reabastecer durante o período de proibição e ganhar posições. Levantei esta hipótese pela primeira vez na Rádio GP da corrida do Canadá do ano passado. Ontem, em Cingapura, Nico Rosberg e a Williams comprovaram a tese.

Vamos aos fatos. Nico era o 9º colocado no GP de Cingapura até a 15ª volta, quando o Safety Car foi acionado. O piloto da Williams quebrou a regra de box fechado e realizou seu primeiro pit stop antes de todo mundo, voltando à pista no meio do pelotão, em décimo lugar. Quando os boxes foram abertos e os demais realizaram seus pit stops, voilà. Rosberg assumiu a liderança. Robert Kubica tomou a mesma atitude, mas não logrou o mesmo sucesso. Jarno Trulli e Giancarlo Fisichella não pararam e o polonês ficou apenas em quarto.

Obviamente, a Williams informou que o piloto tinha pouco combustível e por isso foi obrigado a parar. É claro que a equipe jamais admitiria formalmente que quebrou a regra de propósito. Mas os tempos de Rosberg no treino de classificação não indicam que ele tivesse largado assim tão leve. Comparando os tempos de classificação do alemão no Q2 (pouco combustível) e no Q3 (tanque cheio), ele perdeu 2.2s. Pilotos que largaram mais leves, como Felipe Massa, perderam menos de 1s, e ainda resistiram a mais duas voltas na pista. Kubica, que também estava “sem gasolina”, perdeu 1.2s. Ou seja, tudo aponta para que Nico ainda tivesse combustível no tanque. Seu pit stop dificilmente foi de emergência.

A Williams arriscou e se deu muito bem. Líder na relargada e com pista livre à sua frente, beneficiado ainda pela lentidão dos pesados Trulli e Fisichella atrás de si, Rosberg pôde abrir uma grande diferença antes de cumprir a anunciada punição de sopt & go por 10 segundos. Depois da parada forçada nos boxes, retornou à pista em terceiro lugar.

Para se ter uma idéia, quem estava imediatamente à frente do alemão da Williams antes da entrada do Safety Car, Nick Heidfeld, a esta altura era nono. Na melhor das hipóteses, caso tivesse feito uma parada dentro do período permitido, Nico estaria por ali. Não há dúvidas de que houve vantagem.

Embora não goste da idéia de carros fazendo pit stop todos juntos, entregando posições para aqueles que não pararam ou que, por sorte, pararam antes (caso de Alonso), não acho que este seja o problema central da regra. A grande questão está na aplicação da pena por infração. A punição precisa ser rigorosa o suficiente para impedir que alguém tente burlar a regra, não é admissível que uma equipe possa ser permitida a arriscar uma ilegalidade sabendo que, mesmo pagando uma pena, levará vantagem.

Então, que altere-se o tamanho da punição. Em vez de 10s, que o piloto fique 20 ou 30s retido nos boxes, ou que só seja permitido retornar à pista ao final do pelotão, em último lugar. Do modo como a regra está, ser infrator pode ser bom negócio. Nico Rosberg, segundo colocado em Marina Bay, que o diga.

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O alemão que se salvou


A Red Bull anunciou hoje em Hockenheim o que todo mundo já sabia: Sebastian Vettel será “promovido”, saindo da Toro Rosso para assumir a vaga do aposentado David Coulthard na Red Bull em 2009. Corrida na Alemanha, hora certa para o anúncio. Até porque, diria eu, trata-se da primeira boa notícia envolvendo um piloto alemão nesta temporada.

O ano começou com um recorde: cinco alemães presentes inscritos, o equivalente a um quarto no grid da Fórmula 1, depois da debandada da Super Aguri. A maioria deles jovens e promissores talentos, dando a impressão de que iniciava-se uma nova era de domínio germânico.

Porém, em oito corridas, todas as previsões se desmancharam. Vettel conseguiu sua promoção, é verdade, mas muito pelo que fez no ano passado. À exceção do GP de Mônaco, no qual guiou como veterano e chegou num brilhante quinto lugar, pouco fez além de bater nas primeiras voltas da maior parte das corridas.

Adrian Sutil vive fase parecida com a de Vettel. Brilhou em Mônaco, mas bate demais e, para piorar, vem sendo obscurecido pelo veterano Fisichella na Force India. Sua cotação vem caindo a cada prova.

Nico Rosberg, já em sua terceira temporada, segue caminho parecido. Era incensado como uma das possíveis surpresas do ano e não pára de decepcionar. Os seguidos bicos perdidos nas corridas são prova disso – entre Mônaco e Canadá foram quatro -, e o herdeiro de Keke Rosberg chega à metade da temporada empatado em pontos com seu companheiro Kazuki Nakajima. O que, convenhamos, é muito pouco. Pelas boas performances em classificação, continua bem cotado. Mas se os resultados continuarem escassos, perderá valor em pouco tempo.

Timo Glock, campeão da GP2 em 2007, chegou à Toyota sem grandes expectativas. Porém, esperava-se pelo menos uma luta mais árdua com Jarno Trulli, veterano às vésperas da aposentadoria. Não está acontecendo. Glock tem apenas 5 pontos marcados, contra 20 do companheiro. Em grids de largada, vem sendo goleado por 7×2. Além disso, acumula rodadas e batidas. Muitas delas, infantis.

E o quinto tedesco, Nick Heidfeld, o mais experiente, também vem sucumbindo. Foi muito bem em Silverstone com um segundo lugar, mas não vem sendo nem sombra para Robert Kubica. Dos cinco, é aquele de quem mais se esperava em 2008, cogitando-se até uma provável primeira vitória. Ironicamente, ela chegou para seu companheiro de equipe, que briga pela ponta da tabela. Com 36 pontos, Nick está bem posicionado – a apenas 12 do líder – e não faz um campeonato ruim. Mas está longe do que dele se esperava.

Cinco pilotos, cinco decepções. Sebastian Vettel garantiu boa posição para o ano que vem e, até agora, é o alemão que se salva em 2008. Por acaso ou não, é o único deles que tem mais pontos na tabela do que o companheiro de equipe.

Nico Rosberg e Nick Heidfeld também devem garantir bons contratos para o ano que vem, mas é fato que o futuro do automobilismo germânico já não é mais visto com o mesmo otimismo de alguns meses atrás. Ainda há tempo, o cenário pode mudar. Mas, se a tônica for a das primeiras etapas desta temporada, restará aos alemães torcer por BMW e Mercedes. A geração pós-Schumacher não emplaca.

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A imagem do dia


A alegria genuína do encontro de dois amigos. Lewis Hamilton e Nico Rosberg, adversários e amigos desde a infância, comemoram o primeiro pódio do alemão assim que se encontram, ao final da corrida.
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Novas peças se movimentam


No jogo de xadrez “o destino da McLaren e de Alonso após o rompimento”, novas peças se movimentaram hoje. Frank Williams confirmou sua promessa de manter Nico Rosberg e o anunciou oficialmente como piloto principal da equipe em 2008, ao lado do novato Kazuki Nakajima. A notícia traz em si alguns significados:

1) Alonso não vai mais para a Williams (a hipótese era mesmo remota);
2) Rosberg não assume a vaga do espanhol na McLaren;
3) Nelson Angelo Piquet não correrá pela Williams no ano que vem. Nem Fisichella.

O torcedor brasileiro que espera ver o filho de Nelson Piquet na F1 no ano que vem, terá que torcer para que Alonso não assine com a Renault. Se assim o fizer, o brasileiro deve ficar mais um ano no banco de reservas, a menos que Heikki Kovalainen assuma um cockpit da McLaren.

A vaga na equipe prateada também tem Adrian Sutil como candidato, que tem a seu favor o fato de ser veloz, alemão e amigo de Hamilton. Mas tenho minhas dúvidas se Ron Dennis desejaria ter dois titulares tão jovens e inexperientes. Os erros de Lewis nesta temporada devem ter ensinado alguma lição para o dirigente.

Justamente por isso, cresce a possibilidade da McLaren contratar alguém mais calejado e segundo piloto por natureza. Numa associação direta, muitos cogitaram Barrichello no time, o que acho improvável. Giancarlo Fisichella seria até uma opção mais plausível. Possível mesmo é a ida de Nick Heidfeld caso Alonso acerte com a BMW, mas o alemão está longe de representar um bom companheiro que não ameace. Por isso, julgo que a vaga ficará é com Pedro de la Rosa. Além de ser experiente, ter total confiança do time e não assustar Hamilton, ainda agradaria os patrocinadores espanhóis que permanecerem na equipe mesmo com a saída de Alonso.

E o bicampeão, como fica? Sem Williams e muito provavelmente sem Toyota (que, talvez numa cortina de fumaça, confirmou hoje a negociação com Timo Glock), restam Renault, BMW e Red Bull. O ultimato de Briatore vence hoje, mas na prática isso não quer dizer que o espanhol está fora do time francês caso nada seja anunciado. O cerco vai se fechando e vejo Alonso cada vez mais vestido de branco, amarelo e laranja.

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Moleques

Foto tirada em 2000. Um tinha 15 anos e o outro, 14. Na mesma época, Alonso e Kimi se preparavam para estrear na Fórmula 1.

Continuam moleques, com a diferença que agora têm licença para pilotar um F1. Ambos fizeram bonito na Austrália, anteontem. É mais uma geração chegando.

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E o Nico também mudou

Em mais uma evolução do seu desenho, Nico Rosberg posou ontem para fotos com um novo capacete, o terceiro diferente em três anos. Confira.

Neste caso, nada contra as mudanças. Foram todas variações do mesmo tema, o design foi ficando cada vez mais limpo. Não caiu no clichê atual das labaredas, texturas ou profusão de cores que mais parecem o resultado de uma explosão numa fábrica de tintas.

É um capacete moderno, mas com um certo ar clássico, uma releitura da pintura de seu pai, Keke Rosberg.

E o melhor: não foi alterado por um pedido de patrocinador, nem teve suas cores originais aviltadas. Sendo assim, aprovado!

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Nico e o Red Bulletin

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Flagrante: o iPod do Nico

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A última charge homofóbica deste blog

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