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Outros tempos

Em 1986, Nelson Piquet e Nigel Mansell disputavam palmo a palmo o título mundial. Alain Prost corria por fora e terminou o ano campeão, mas poucos acreditavam no francês.

Logo após o GP de Portugal, antepenúltima prova da temporada, Murray Walker – lenda viva do jornalismo britânico – dirigiu-se aos boxes da Williams para gravar a cabeça do Grand Prix, compactos que eram exibidos pela BBC nas noites de domingo.

Lá, juntou a equipe, sentou-se num dos carros ladeado por Mansell e Piquet – os aspirantes ao título – e começou a gravar. Ou melhor, tentou começar a gravar. Os pilotos da Williams infernizaram a vida do pobre Murray.

O vídeo está em inglês, mas nem precisa de tradução.

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Para a história

Já que é semana de GP da Inglaterra, vale a pena relembrar um dos melhores duelos da história da F1. Em 1987, Nigel Mansell e Nelson Piquet, companheiros de Williams, disputavam a vitória em Silverstone numa época ainda sem a chatice do “tragam as crianças para casa”.

O Leão saiu em segundo e tentou passar Piquet durante toda a prova, sem sucesso. Destruiu seus pneus e foi para os boxes trocá-los, ficando cerca de 30 segundos atrás do brasileiro. Em menos de 25 voltas, marcou nove vezes a volta mais rápida, acabou com a diferença e partiu para o ataque.

A três passagens do fim, o lance memorável.


Mansell venceu e a inglesada invadiu a pista numa festa inesquecível.
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Jogando a corrida fora

A asneira cometida por Lewis Hamilton na saída dos pits em Montreal, batendo em Kimi Raikkonen e jogando sua corrida fora, me fez lembrar de uma certa predileção que os britânicos têm em fazer patuscadas nos boxes.

É certo que Felipe Massa, Juan Pablo Montoya, Rubens Barrichello e Giancarlo Fisichella já foram desclassificados por avançarem a luz vermelha, mas nada disso se compara ao que já fizeram antes Nigel Mansell, David Coulthard e o próprio Lewis Hamilton.

1º ato: Guiando pela Ferrari no GP de Portugal de 1989, Mansell briga pela liderança da prova com seu companheiro Gerhard Berger, até que é chamado pela equipe para uma troca de pneus. Na hora de parar o carro, erra o ponto de freada, passa reto e quase atropela seus mecânicos. Dá marcha-ré – o que é proibido pelo regulamento – e leva bandeira preta, jogando sua corrida fora. Aliás, destruiu também a corrida de Ayrton Senna, já que não viu a bandeira preta e seguiu disputando posição com o brasileiro. Os dois se tocaram, ficaram fora da prova e Mansell ainda levou da então FISA um gancho de uma corrida.

2º ato: David Coulthard, de mudança para a McLaren, disputa sua última corrida pela Williams em Adelaide, 1995. Tem uma certa vantagem para seu companheiro Damon Hill e aparentemente venceria a prova, até que precisa entrar nos pits para reabastecer e trocar pneus. Na curva de entrada, perde a frente de carro e bate de cara na mureta interna, dando adeus à corrida. Tudo bem que havia sujeira na pista mas, mesmo assim, o erro foi patético.

3º ato: Lewis Hamilton lidera o campeonato mundial e pode ser campeão antecipado na China, em 2007. Para isso, basta marcar Fernando Alonso, chegando uma posição à frente de seu desafeto. Poderia até chegar uma posição atrás, desde que Alonso não fosse mais que terceiro. O problema é que Hamilton não se contentou em chegar apenas à frente do espanhol. Queria mesmo era vencer a corrida. E, para isso, colocou os pés pelas mãos. Não parou para trocar pneus na hora adequada, ficou brigando inutilmente pela liderança com Kimi Raikkonen, destruiu seus pneus intermediários na pista seca e começou a perder grande terreno para Alonso, o terceiro. Foi tão longe que chegou a ser sete segundos mais lento que o companheiro em apenas uma volta. Com os pneus já na lona, resolveu ir para os pits, mas já era tarde. Perdeu o controle da McLaren e acabou atolado na pequena caixa de brita da entrada dos boxes. Começou, ali, a jogar seu título mundial pela janela.

E você? Lembra de outra besteira parecida de um piloto nos boxes, que comprometeu uma possível vitória ou mesmo um título mundial?

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Causos da Espanha: a estréia de Montmeló


Raramente, desde os anos 90, a Espanha é palco de uma grande corrida de Fórmula 1. Além de ser utilizado para testes das equipes durante toda a pré-temporada, o circuito de Montmeló praticamente não possui pontos de ultrapassagem. O resultado? Provas monótonas e previsíveis, com raros lances de emoção.

Mas nem sempre foi assim. Na estréia do circuito catalão, em 1991, a exibição foi de gala. Uma corrida que podia decidir o título, movimentada e cheia de alternativas. E, de quebra, com lances antológicos.

O GP da Espanha daquele ano era a antepenúltima prova do campeonato, disputada em setembro. Nigel Mansell e Ayrton Senna brigavam pelo título, com grande vantagem para o brasileiro. Com 24 pontos atrás na tabela, um simples abandono de Mansell definiria o campeonato a favor do piloto da McLaren. O inglês não poderia, também, chegar abaixo do terceiro lugar. E, se fosse segundo, Senna teria de chegar abaixo do quarto posto para que o título continuasse em aberto. Em resumo: para o Leão, era vencer ou vencer.

Nos treinos, Gerhard Berger marcou a pole position. Mansell foi o segundo e Senna, o terceiro. A estratégia da McLaren para a corrida era deixar Berger fazer as vezes de coelho, disparando na ponta, enquanto Senna, largando do lado limpo da pista, tentaria pular na frente de Mansell e segurar o ritmo. O inglês sempre foi instável psicologicamente e o time de Ron Dennis jogava com isso. A intenção era deixar o adversário nervoso ao perceber Berger desgarrando na frente e forçá-lo a um erro. Conhecendo Mansell, era um cenário bem provável.


Chega o dia da corrida e uma fina garoa cobre o Circuito da Catalunha desde cedo. Na hora da largada, a pista permanece úmida, fazendo com que todos saiam com pneus de chuva. Ao acender das luzes verdes, tudo ocorre tal qual o script da McLaren. Berger pula na ponta e Senna arranca muito bem, tomando o segundo lugar de Mansell. Melhor ainda: algumas curvas depois, o atrevido Michael Schumacher, em apenas sua quarta corrida de Fórmula 1, não toma conhecimento da Williams do Leão e o ultrapassa também, assumindo o terceiro posto.

Mas Nigel Mansell estava inspirado, mesmo com um tornozelo machucado depois de uma partida de futebol na sexta-feira. Manteve a calma, ficou mais uma volta atrás de Schumacher e recuperou a posição logo depois. Enquanto Senna segurava o ritmo e permitia que Berger abrisse oito segundos na frente, o inglês foi à caça. Na abertura da quinta volta, uma cena que se tornou antológica. Mansell entra na reta embutido na McLaren de Senna e tira para o lado interno para tentar a ultrapassagem. Os dois descem a reta de quase 1km do circuito lado a lado, praticamente tocando rodas, até que, na freada, o inglês leva vantagem e assume a segunda posição.


Porém, o belo lance não foi decisivo para história da corrida. Cinco voltas depois, Senna e Mansell param juntos para colocar pneus slick. A McLaren trabalhou melhor, devolvendo o brasileiro à pista na frente do inglês. As posições estavam novamente invertidas.

Berger também já havia parado e caiu para segundo, entre Senna e Mansell. Mas a McLaren preferiu não modificar sua estratégia e, na passagem seguinte, o brasileiro fez sinal no meio da reta e permitiu a ultrapassagem do companheiro, como que dizendo: “vai, coelho!”.

Ayrton voltou a segurar Mansell, mas sua autosuficiência nem sempre era suficiente. Na última curva do traçado, escapou na pista molhada e ficou atravessado na área de escape. Conseguiu retornar à prova, mas encheu a pista de brita e já havia caído para a sétima posição, perdendo qualquer chance de voltar a brigar pela ponta. Seu objetivo, a partir de então, era chegar em quarto lugar, contando com uma vitória de Berger para garantir o tricampeonato mundial.


Mas Mansell não estava deixando barato e partiu para um novo ataque sobre uma McLaren, agora para assumir a liderança. A diferença, que era de apenas quatro segundos, foi caindo rapidamente. Na volta 17, o inglês coloca por dentro na curva 4, escorrega de lado, faz Berger escorregar também e consuma uma linda ultrapassagem, com os dois carros derrapando na pista ainda úmida. Schumacher tentou tirar proveito para roubar o segundo lugar do austríaco, mas perdeu o controle de sua Benetton e acabou atolado na lama.

Restavam 48 voltas para o fim e a McLaren ainda contava com uma reação de Berger, mas seu carro foi perdendo rendimento até o austríaco encostar nos boxes, com pane elétrica. O sonho do tri de Senna ficava adiado.

Dali para a frente, Nigel Mansell passou a controlar a diferença para a Ferrari de Alain Prost, que herdara o segundo posto depois do abandono de Berger e dos erros de Senna e Schumacher. Lá atrás, Senna era o terceiro e se degladiava com Riccardo Patrese e Jean Alesi, mas cedeu as duas ultrapassagens, cautela um tanto incomum em sua carreira. O brasileiro preferiu não arriscar e garantir alguns pontos, pois sabia que, qualquer que fossem, tornariam sua situação muito cômoda para ser campeão no Japão.


Depois de 65 voltas, Mansell recebe a bandeira quadriculada em primeiro lugar, numa das mais difíceis vitórias de sua carreira. Com o resultado, adia a decisão do campeonato e mantém-se vivo por pelo menos mais uma corrida. Senna cruza em quinto e passa a depender de apenas mais cinco pontos em duas provas para confirmar o título, sem depender de resultados paralelos.

Em Montmeló, Mansell foi um verdadeiro anti-Mansell, com uma rara exibição de inteligência, sangue frio e autocontrole. Escapou das armadilhas de seus adversários, mas não por muito tempo. Em Suzuka, três semanas depois, a McLaren se utilizou da mesma estratégia do GP da Espanha para bater o inglês. Berger disparou na ponta e Senna ficou em segundo, controlando o ritmo. No desespero em tentar tomar a posição, Mansell afobou-se, rodou sozinho no final da reta e entregou o campeonato para Senna. O Leão voltava a ser o Leão.

Atualização: Há ótimo um resumo da corrida, em português, no Youtube.

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Do Baú: Nigel Johansson


Que Nigel Mansell correu na Ferrari todo mundo sabe… mas o modelo da foto é um pouco mais antigo, de 1986. O capacete também está meio esquisito, com um pouco mais de vermelho. Mas espera aí… ali no logo da Marlboro está escrito “Johansson”. Mas que joça é esta?

Explico. Na manhã de sexta-feira, às vésperas do GP de Detroit de 1986, o sueco Stefan Johansson saiu apressado de seu quarto de hotel. De tão apressado, esqueceu o capacete. Já não havia mais tempo de retornar para buscar e, por isso, o piloto da Ferrari não poderia participar da primeira sessão de treinos livres. Mas Stefan não se fez de rogado e pediu ajuda a seu amigo Nigel Mansell. Prontamente, o inglês emprestou um de seus cascos ao desatento colega. Johansson colocou fita adesiva vermelha sobre a bandeira inglesa, sobre os patrocinadores da Williams e foi para a pista. À tarde, retornou à pista com seu visual tradicional, já que um dedicado funcionário da Ferrari foi ao hotel resgatar o capacete esquecido.

Mas esta não foi a única vez que Johansson usou um capacete de outro piloto. Ele chegou a se classificar para um GP usando um casco de outro colega. Quem foi e quando? Resposta amanhã.

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Outros tempos

Em reportagem para a BBC, Nigel Mansell revela a Murray Walker os “segredos” tecnológicos da Williams FW14, de 1991. Foi o carro-matriz do FW14B, que lhe daria o título mundial no ano seguinte.


Agora imagine se esta cena seria possível este ano, com tanta neura com espionagem industrial. Eram outros tempos… e nem tão distantes assim.

O vídeo foi dica do leitor Guilherme Daroit.

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Kimi e o Leão

Kimi Raikkonen é o primeiro piloto da Ferrari, em 18 anos, a vencer em sua estréia na equipe. O último a conseguir a façanha foi este aí em cima, o Leão Nigel Mansell, no GP do Brasil de 1989.

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Loucuras do Leão

Mesmo aposentado, Nigel Mansell não toma jeito. O vídeo abaixo é antigo, mas muito bom.

O ano é 2001. Mansell é convidado por Paul Stoddart para um evento beneficente da Minardi, que vendeu a celebridades uma participação, como caronas, em uma corrida de carros de 2 lugares no circuito de Donington Park.

Cinco geringonças alinham no grid, guiadas por Mansell, Fernando Alonso, Tarso Marques, Jos Verstappen e o próprio Paul Stoddart. Alonso lidera, com o Leão em segundo. Eis que, na última curva, o inglês resolve tentar uma ultrapassagem maluca.

O resultado?

Pobres caronas. O que estava com Alonso quase levou a pior.

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