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Fórmula Ornitorrinco

Depois do lançamento da Caterham na semana passada, as novas Ferrari e Force India divulgadas hoje confirmaram a tese de que os carros da Fórmula 1 deste ano serão ornitorrincos feitos de fibra de carbono. Mas por quê essa solução aerodinâmica bizarra?

Bom, o motivo dos engenheiros terem escolhido este desenho eu realmente não sei. Mas o que provocou tal mudança foi o novo regulamento da categoria. Por questões de segurança, a FIA instituiu que os bicos dos carros este ano não poderão ter uma altura superior a 55 centímetros em relação ao solo.

VJM05, o ornitorrinco-da-índia.

A preocupação é com possíveis colisões em “T”. Na altura em que os bicos estavam até o ano passado, era possível que estes acertassem a cabeça de um piloto adversário em caso de um choque perpendicular. Com imposição da nova altura, agora o bico do carro bateria na lateral do cockpit, preservando assim o piloto que sofresse a eventual pancada. Como o regulamento diz que a altura do cockpit pode permanecer a 62,5 cm do solo, a melhor alternativa encontrada pelos projetistas, depois de simulações aerodinâmicas (creio), foi criar este degrau esquisito no bico.

Até agora, a McLaren parece ter fugido à regra, mas ainda não dá para ter certeza. Como o bico apresentado anteontem não é o que será utilizado na temporada, novidades (desagradáveis) podem aparecer nos carros prateados nas primeiras provas do ano. Uma coisa é fato: os carros da F1 estão medonhos em 2012.

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Virou farelo

Virou farelo

Muita gente acredita na máxima que diz que “qualquer propaganda é boa propaganda”, e este parece ser o caso dos executivos mundiais da Pirelli. Sim, por que só isso explica o tamanho descalabro que tem sido o retorno dos italianos para a Fórmula 1.

Não há dúvidas de que fornecer pneus para a Fórmula 1 é uma excelente estratégia de marketing. A empresa ganha visibilidade mundial, aparece em todos os carros, no cenário de todas as corridas, no boné dos vencedores, enfim… garante presença da marca em praticamente todos os meios de comunicação do mundo durante um ano inteiro. Tal exposição não tem preço. Mesmo o investimento milionário para desenvolver e fabricar os pneus compensa de longe o retorno em visibilidade da marca. Até aí, está garantida a propaganda. O problema é que ela precisa ser boa.

Mas não é o caso até aqui. A pedido da organização da Fórmula 1 – é bom que se diga -, a Pirelli caiu na armadilha de fabricar pneus menos resistentes e com uma variação de desempenho maior que os anteriores da Bridgestone. Quando novos, andam que é uma beleza, mas em poucas voltas perdem rendimento. O objetivo é tornar as corridas mais movimentadas, com mais ultrapassagens e pit stops. Assumir este desejo dos organizadores já é um grande risco, e ele foi assumido pelos italianos.

A situação, no entanto, foi um pouco além do previsto. Não que os pneus representem um risco severo à segurança – até agora não provocaram nenhum acidente – o problema é que os compostos da Pirelli se esfarelam a olhos vistos. Domingo passado, em Sepang, a situação chegou a limites absurdos. Como se vê na foto que ilustra o post, os trechos da pista externos ao trilho por onde passam os carros ficaram tomados de nacos de pneus, num nível muito maior do que o já visto alguma vez na história da Fórmula 1.

E aí cabe a pergunta: valeu a pena? Durante a prova, no Twitter, foi possível constatar diversas piadinhas a respeito, de gente de todo o mundo. A brincadeira mais corrente era: “Tomara que a Pirelli não traga a tecnologia da Fórmula 1 para o meu carro”. E aí, o que deveria ser um grande apelo de propaganda, virou piada. Ou seja, eu até compro um Pirelli, mas desde que não seja aquela porcaria que eu vejo na Fórmula 1.

Ainda que no inconsciente, a Pirelli está gravando na cabeça dos consumidores do mundo todo, via F1, a mensagem de que fabrica pneus que duram pouco. Que fazem sujeira. Que são ruins. Em breve, podem causar acidentes. Fernando Alonso já sinalizou preocupação com o excesso de “marbles” que os Pirelli lançam na pista, dizendo que tentativas de ultrapassagem em pistas como Montreal e Cingapura podem terminar em acidentes caso o piloto “pise” no lado sujo da pista.

No fim das contas, a situação é um grande contrassenso. A Fórmula 1 sempre se posicionou como auge tecnológico do automobilismo, tendo os melhores pilotos, os melhores fabricantes, os grandes patrocinadores e tudo de grandiloquente que se imagina relacionado a corridas. E aí, propositalmente, contrata alguém para fabricar um pneu vagabundo. E esse alguém aceita. Absurdo.

As corridas ficaram movimentadas, isso é inegável. E se a emoção é genuína ou fabricada, é outra discussão. O fato, no entanto, é que a nova regra dos pneus está criando imagens contraditórias. E fazendo a reputação da Pirelli virar farelo.

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Asa móvel: #EpicFail

Foto: Clive Mason/Getty Images

Incrível como, ano após ano, a FIA se esforça em criar novidades no regulamento da Fórmula 1 que simplesmente não atendem em nada os objetivos propostos. O último #EpicFail da entidade foram as tais asas móveis, que estrearam no GP da Austrália.

O recurso, criado com o intuito de facilitar ultrapassagens, revelou-se uma engenhoca inútil. No começo da prova, quando Jenson Button atacava Felipe Massa, que vinha num ritmo bem mais lento, imaginou-se que a asa móvel resolveria a parada. Com ansiedade, todos esperaram Button acionar o dispositivo pela primeira vez. O inglês fez a última curva da pista colado na Ferrari do brasileiro, a luz do volante acendeu, ele acionou o dispositivo e… nada aconteceu. O piloto da McLaren tentou ultrapassagens por oito voltas, até se afobar e cortar uma curva.

A asa móvel foi absolutamente inútil exatamente na situação a qual mais dela se esperava. Disputa direta de posição, dificuldade de ultrapassagem mesmo com um carro mais lento à frente. E a solução de todos os problemas não solucionou coisa nenhuma.

O caso Button-Massa foi o mais emblemático, mas em várias outras brigas na corrida a asa móvel foi utilizada. E, assim como no primeiro caso, de pouca coisa serviu. Virou apenas mais uma traquitana besta. Talvez sua maior valia tenha sido na ultrapassagem de Felipe Massa sobre Sebastien Buemi, no final da corrida. Ainda assim, uma manobra que provavelmente aconteceria também sem ela.

Talvez, em autódromos com retas mais longas, como Shanghai, ela sirva para alguma coisa. Mas é motivo de chacota criarem um frisson tão grande em cima de algo que, na prática, funciona apenas em determinadas condições. E assim segue a Fórmula 1, até a próxima “inovação” enfiada goela abaixo, sem resultados práticos.

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Entendendo a asa móvel

Foto: Robert Cianflone/Getty Images

A grande novidade da temporada 2011 da Fórmula 1, além da chegada de um novo fabricante de pneus, é sem dúvida o recurso de asa traseira móvel. Nos primeiros treinos livres no Albert Park ficou mais claro como o recurso funciona, embora tenha gerado também muitas dúvidas. Então, em forma de “FAQ”, perguntas e respostas capellescas sobre as tais asas móveis que estão estreando. Algumas respostas foram baseadas numa conversa com o piloto reserva da Lotus, o brasileiro Luiz Razia.

Qual o sentido das asas móveis?
Criar mais uma varíavel nas corridas, que permita mais ultrapassagens. Com o aerofólio traseiro posicionado num ângulo mais baixo, o carro ganha velocidade em reta, facilitando manobras de ultrapassagem.

Como funciona?
O carro possui agora um botão no volante, que aciona o dispositivo que movimenta a asa. Quando o piloto pressiona este botão, um mecanismo modifica o ângulo de ataque, gerando menos arrasto aerodinâmico e fazendo o carro ganhar velocidade. Na foto que ilustra o post o funcionamento fica bastante claro. À esquerda, a asa em posição normal. À direita, a asa aberta.

O piloto pode modificar o ângulo da asa quando quiser?
Não. Nos treinos e na classificação, até pode. Mas o sistema só funciona se o piloto estiver com o pé 100% no acelerador. Uma leve retirada de pé já faz com o que a asa retorne à posição original. Na corrida, o sistema funcionará em condições muito especiais, na chamada “zona de ultrapassagem”.

O que é a zona de ultrapassagem?
É um trecho da pista, delimitado pelos organizadores da prova, no qual os pilotos poderão mudar a inclinação da asa durante as corridas. Normalmente, deve ser a reta de chegada, mas isso pode variar em circuitos como o de Shanghai, no qual há uma reta maior e mais apropriada para ultrapassagens que a de chegada.

Então é possível mudar o ângulo da asa quando quiser na reta?
Não. A asa móvel só vai funcionar durante a corrida se o piloto estiver a no máximo um segundo de distância do adversário à frente.

E como isso vai ser medido?
Sensores marcarão a diferença entre os pilotos na curva que antecede a zona de ultrapassagem. Se a distância for suficiente para acionar a asa na zona de ultrapassagem, uma luz se acenderá no volante. Assim, o piloto sabe que pode acionar o mecanismo.

E se um piloto acionar a asa fora da zona de ultrapassagem? Será punido?
Não há esta possibilidade. O mecanismo é controlado pela central eletrônica do carro, distribuída pela FIA e igual em todos os modelos, de todas as equipes. O piloto pode até apertar o botão, mas a asa não vai se recolher.

O piloto da frente poderá recolher a asa móvel para se defender da ultrapassagem?
Não. Como o acionamento do mecanismo só será liberado eletronicamente a quem estiver dentro da margem de 1s atrás do adversário, o piloto da frente não terá direito a utilizar o recurso. A não ser que, lógico, também esteja a menos de 1s de distância de outro piloto. O mecanismo existe para auxiliar o piloto em posição de ataque, não aquele em posição de defesa.

E se houver um problema mecânico e a asa traseira travar na posição mais baixa, o que acontece com o piloto? É desclassificado?
Nem é preciso desclassificar, ele já terá a corrida comprometida. Não terá estabilidade suficiente para fazer as curvas mais lentas e será severamente prejudicado nos tempos de volta. Terá que parar nos boxes para consertar ou abandonar a corrida.

Dá para fazer curvas com a asa recolhida?
Nos treinos, sim, mas só curvas de alta velocidade, feitas “flat”. Até porque, se o piloto tirar o pé do acelerador, o mínimo que seja, a asa volta à posição original. Na corrida, como existe a limitação da zona de ultrapassagem, não é possível acionar a asa móvel em curvas.

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"A decadente F1" ou "Novidades a caminho"

Os leitores em geral têm se mostrado revoltados com a falta de posts aqui no blog e não lhes tiro a razão. Entendo e sei como é chato quando uma revista/jornal/blog/site que acompanhamos simplesmente para de ser publicado ou atualizado. Nos sentimos atingidos, como se nos tirassem algo a que nós é muito caro. Compreendo.

Mas o fato é que este blog, desde o início – mesmo na época das charges – pautou-se exclusivamente pela Fórmula 1. É um blog pessoal, sempre foi, mas sempre fiz questão de manter a pauta restrita à categoria que sempre vi como a melhor e de maior representatividade no automobilismo mundial. A linha de corte também serviu para facilitar o trabalho. Como a maioria que me acompanha sabe, tenho outras atividades profissionais e o blog sempre foi uma válvula de escape, feito com dedicação em meu tempo livre. Então não dá para querer falar de todas as categorias, o que demandaria muito tempo e tornaria o blog apenas um noticioso superficial. E, dessa maneira, não valeria a pena manter.

O problema é que a fórmula dá sinais de esgotamento. Soma-se a vida pessoal do blogueiro, as rápidas mudanças de costumes da audiência, as novidades tecnológicas (olha o Twitter aí) e a temporada farsesca que foi a de 2009 e tem-se o cenário atual: poucas postagens.

O GP de Abu Dhabi, no meu entender, serve como um marco e uma referência do que será a Fórmula 1 daqui para a frente. O foco não está na competição, o foco não está no automobilismo, o foco não está no cheiro de borracha queimada, no desafio e na coragem dos pilotos. O foco está no espetáculo. E espetáculo é tudo aquilo que brilha e chama a atenção. Então… grande coisa se a corrida foi uma porcaria. O hotel muda de cor! A corrida acontece ao pôr-do-sol, o cenário é lindo. É a Fórmula 1 se transformando no que o Cirque du Soleil fez com a ginástica artística. Mas pelo menos a ginástica não foi extinta. Já a Fórmula 1 só gira em torno de si mesma e, no ritmo atual, está se engolindo.

Sempre cito o sábio Panda, que desde 2003 alerta que a Fórmula 1 acabou. Virou uma palhaçada midiática, uma competição na qual o mais rápido não necessariamente é o pole, no qual chegar em segundo ou primeiro dá praticamente no mesmo, em que o título geralmente é definido na última corrida apenas por força do regulamento e não em razão de um equilíbrio real. Houve até grandes decisões de título em 2007 e 2008, mas me pergunto se vale a pena pagar o preço de um campeonato patético como o de 2009 para viver minutos de emoção. Não que o fato da Brawn ser campeã na estreia seja um demérito para a categoria, não é. O demérito está no regulamento dúbio, nas decisões políticas que levaram a Red Bull a ter um projeto similar ao da Brawn vetado e depois ver o adversário ganhar tudo com a mesma ideia. Os dois pesos e duas medidas dos dirigentes vêm marcando pelo menos os últimos anos da categoria. E se há 20 anos também havia favorecimentos, vide Jean-Marie Balestre e Alain Prost, eram atitudes pontuais. Hoje, o problema é estutural, como compararia Cléber Machado.

Sou um crítico árduo da gestão da Stock Car brasileira, mas fico pensando se o errado da história não sou eu. Bem ou mal, apostando mais no show e menos em competição, eles vêm seguindo a mesma fórmula mágica de Bernie Ecclestone e Max Mosley. Podem ficar ricos, podem ter autódromos cheios, mas essa competição fajuta certamente não é aquela que quem se acostumou a ver nos anos 70, 80 e até meados 90 entende como verdadeira.

Mas o desabafo não é para justificar o fim do blog, até porque o blog não vai terminar. Mas é uma visão mais ampla para que todos possam entender as mudanças que virão. Não sou acomodado, é preciso ousar, é preciso reagir, é preciso sair da mesmice. O blog já teve dois momentos, primeiro o de charges e depois o de notícias e comentários. E, como da primeira vez, a decisão de mudar nasce da necessidade de fazer algo diferente. As “Charges do Capelli” foram pioneiras na Internet, mas quando esgotaram-se, deram lugar a um novo formato. Quando o novo modelo entrou em vigor, no começo de 2007, havia na Internet brasileira praticamente apenas o blog do Flavio Gomes dedicado ao automobilismo. O Blog do Capelli apareceu para complementar, para mostrar um lado B da Fórmula 1, com curiosidades, bom humor e notícias que pouco apareciam. Mas isso também se esgotou. Hoje, excelentes jornalistas como Fábio Seixas, Ico, Pandini, Rodrigo Mattar e Victor Martins mantêm blogs de alto nível. Abnegados como o Rianov Albinov e o Becken Lima também. Mas a Internet está inflada de blogs de F1. Alguns bons, outros nem tanto, mas é preciso mudar outra vez.

Assim, proclamo uma pausa nas atualizações. Enquanto isso, não pensem que estou de folga. Estou trabalhando no novo formato, novo layout, tudo vai mudar. O foco segue sendo a F1, mas outras coisas vão pintar no balaio. Mas, lógico, as opiniões, as críticas, o bom humor e as curiosidades vão continuar. Afinal, é um blog pessoal e não há como fugir a características inerentes à pessoa. Uma novidade bem legal já está sendo desenvolvida por mim, Bruno Mantovani e o Robson Moraes, aquele mesmo que fez o jogo online Trunfo das Equipes. Será bem bacana.

O novo Blog do Capelli ainda não tem data para estrear, mas deve pintar ainda antes do fim de 2009. Até lá, continuem me acompanhando no Twitter, onde as palhaçadas seguem.

E não levem isso aqui tão a sério. É só um passatempo que deu certo.

Abraço a todos,

Capelli

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A Fórmula dos iniciados

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Foto: Andrew Ferraro/LAT Photographic/Divulgação Renault

Flavio Gomes fez anteontem, em seu blog, um post que considero definitivo sobre a influência da transmissão da Fórmula 1 para o Brasil no modo como a população julga Rubens Barrichello e se relaciona com ele.

Mas acredito que, além dos argumentos muito bem pontuados pelo Flavio, ainda existe um viés por trás disso. Por mais que as transmissões da TV Globo deixem muito a desejar, que existam omissões graves do que acontece na pista em prol da “torcida pelo Brasil-sil-sil”, as próprias características das corridas da era do reabastecimento na Fórmula 1 é que acabam tornando as coisas mais complicadas para o telespectador. A F1 dos pit stops virou uma categoria para “iniciados”.

Diferentemente de esportes mais populares, como o futebol, uma transmissão de corrida de Fórmula 1 não é autoexplicativa. Tudo o que acontece na tela precisa ser interpretado, sob pena do telespectador não compreender o que se passa. Você só consegue entender bem o que está acontecendo na corrida e seus prováveis desdobramentos se entende a diferença entre os pneus, se compreende o comportamento de um carro conforme a estratégia de combustível, se possui os pesos dos carros quando da largada, se tem o live timing da FIA à mão para acompanhar os tempos de volta. Se ninguém lhe passa essas informações, ou se passa incorretamente, você fica vendido.

Fora os acontecimentos do GP do Brasil citado pelo Flavio, o GP de Cingapura é outro exemplo notável do problema de compreensão. Na narração global, tudo o que acontecia era “bom para Barrichello”, quando nem sempre o era. E, no decorrer da prova, ninguém na transmissão deu-se conta que o brasileiro voltaria dos boxes atrás de Jenson Button, mesmo que não tivesse perdido os tais cinco segundos no pit stop. Estava na cara que ia acontecer, quem tinha o live timing oficial já sabia, mas ninguém da Globo viu.

Se isso é feito de propósito para segurar a audiência, é outra discussão. Mas o fato é que tal comportamento acaba gerando na população que não consegue entender detalhadamente a dinâmica de uma corrida a impressão de que o Barrichello “de repente” fica lento, ou que “dá azar”. Até pessoas geralmente bem informadas, como Marcelo Tas, começam a formular conceitos em cima de informações que não são reais. Atualmente, a leitura de uma corrida é muito complicada. E se você não for um “iniciado”, dança.

Felizmente, no ano que vem o reabastecimento acaba. E acredito que isso tornará a compreensão da corrida muito mais fácil. Quem está na frente estará realmente na frente, no máximo poderá perder ou ganhar alguns segundos de acordo com o comportamento do carro com o tipo de pneus, mas dificilmente voltará a acontecer aquela situação do piloto estar em primeiro, acabar em quinto e ninguém entender bem o motivo.

Todo mundo vai classificar com o carro leve, então o pole será realmente o piloto mais rápido e não mais aquele com a estratégia mais ousada. Todo mundo vai largar com o mesmo peso de combustível, então não haverá mais uma diferença brutal de performance entre carros em momentos da prova. E nesse novo mundo, quem sabe, o sonho de muito telespectador de assistir uma corrida inteira no “mute” poderá se realizar.

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A verdade está de volta

Depois de tantas patuscadas, é com alguma surpresa que recebo a notícia das regras para a Fórmula 1 em 2010, anunciadas hoje pela FIA. Não vi nenhuma maluquice, invencionice ou estupidez. Fazia tempo que isso não ocorria.

Em resumo, ficou definido que:

- Estarão proibidos os reabastecimentos durante a corrida;
- A fase final do treino de classificação acontecerá com os carros leves, acabando a babaquice de dar voltas de tanque cheio;
- Sistema de pontos para definição do campeão mantido (xô, medalhinhas do Bernie);
- Proibição de testes e KERS serão mantidos.

Embora ache que a proibição total de testes durante a temporada seja um tanto exagerada, entendo a sua motivação. O KERS poderia ter caído, não faria falta nenhuma, mas muito dinheiro foi investido no seu desenvolvimento. Então, é preciso fazer com que ele continue em uso, ainda que seja só para prestar contas.

Mas as novidades no treinos de classificação e a proibição do reabastecimento são as melhores notícias. Poder ver novamente os pilotos só com o cheiro da gasolina no carro, andando o mais rápido que podem em busca da pole position, trará mais realidade para as posições de largada. Agora o pole será pole porque é o mais rápido, não o que escolheu a estratégia mais maluca (alguém lembrou da pole de Alonso na Hungria?). O Q3 de tanque vazio traz a verdade de volta aos treinos de classificação. Isso é bom para o espetáculo, bom para o público e bom para os próprios pilotos.

E as corridas sem reabastecimento, no meu entender, mudarão bastante o panorama da Fórmula 1. Agora os pilotos não disputarão mais “mini-corridas” de 20 voltas. Será preciso poupar pneus no começo, quando o peso dos tanques cheios aumentam o desgaste. Pilotos poderão arriscar corridas sem pit stop, caso a relação composição da borracha/abrasividade da pista permita. E a gente vai saber que quem está na frente está na frente mesmo, não porque tem menos combustível, dando às corridas um ar de falsa competitividade.

Poderemos ter corridas chatas e sem ultrapassagens? É lógico que sim. Mas antes isso a um monte de trocas de posições inúteis via box. Como diz o Panda há tempos: “melhor uma corrida chata de verdade do que uma emocionante de mentira”. E, pela primeira vez em muito tempo, vejo que nenhuma das novidades visa enrolar o espectador. Se foi reflexo da briga entre FIA e FOTA, não sei. Mas a perspectiva para 2010, se não é de um campeonato emocionante – coisa que não dá para prever -, será de uma temporada pelo menos honesta. E isso já está bom demais.

FIA e FOTA, não estraguem tudo. Por favor.

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Isso aqui tá bom demais

Foto: Divulgação

Foto: Divulgação

“Olha, isso aqui tá muito bom / Isso aqui tá bom demais / Olha, quem tá fora qué entrá / Mas quem tá dentro não sai”

Os simples e sonoros versos de Dominguinhos e Nando Cordel, num forró arretado cantado pelo sanfoneiro e por Chico Buarque que virou hit nos anos 80, caem como uma luva na situação das inscrições das equipes para a temporada 2010. Ameaçaram boicote daqui, disseram que iam criar uma categoria nova ali, mas no fim das contas todo mundo procurou garantir seu lugar na boa e velha Fórmula 1.

É uma novela repetitiva, chata e de final previsível, exatamente como as que escreve Glória Perez. Não foi a primeira vez e nem será a última em que equipes brigam com a FIA, desdenham a categoria, fazem ameaças públicas para, no final, fazerem as pazes. Tudo parte do cerimonial para conseguir alguma regalia no final.

As bases do acordo para a próxima temporada ainda não foram reveladas, talvez um acordo formal ainda não tenha sido fechado, mas é perceptível que FOTA, FIA e FOM já têm um esboço de regulamento para trabalhar, no qual não ficou ruim para ninguém. Agora basta fazer uma arte-final e divulgar.

Afinal, ninguém é doido de matar a galinha dos ovos de ouro. A lição da cisão IRL/Cart, que criou duas categorias inifinitamente menores do que a original e que hoje, após a reunificação, ainda é menor do que era há 15 anos, serve para todo mundo. Historicamente, a F1 é um campeonato de equipes de fábrica contra independentes, ou de equipes independentes impulsionadas por motores de fábricas. É assim e sempre será, às vezes com maior investimento das montadores, às vezes com menos. Mas uma categoria só de fábricas não duraria dez anos, ao passo que uma categoria só de independentes teria dificuldades em subsistir.

Se as sandices de Max Mosley trouxeram algo de divertido, foi a farta inscrição de equipes para o ano que vem. Além dos dez times que já disputam o campeonato, outros sete resolveram aparecer: USGPE, March, Lola, Prodrive, Campos, Litespeed e Superfund. Mas tantas inscrições não devem ser levadas a sério. Somente três poderão fazer parte do seleto clube e, de todas, acredito mesmo apenas no projeto da Prodrive. A Lola me parece um pouco mais séria, talvez a Campos, e o resto me cheira mais a uma aventura inconsequente. Quando ficar claro para todo mundo qual o orçamento necessário para disputar uma temporada de forma competitiva, com ou sem teto, começarão a pipocar as desistências. Talvez entrem apenas duas, ou até uma.

Mas no levantar da poeira do arrastapé da Fórmula 1, ficou claro que quem está fora quer entrar. E quem está dentro não sai de jeito nenhum.

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A farra dos difusores

Agora que a FIA liberou geral, começou a farra dos difusores de fundo duplo na Fórmula 1. Pelo que me enviaram por e-mail o João Rodrigues e o Gabriel Nova, a Ferrari andou testando uma versão própria numa pista de aviação na Itália.

Ferrari testando novo difusor na Itália

Admito que estou bem por fora do noticiário dos últimos dois dias (o motivo vocês saberão perto do GP da Espanha), então se alguém souber a fonte da imagem e quiser avisar, agradecerei. Mas a foto me parece absolutamente verdadeira, sem sinais de manipulação digital.

Sobre o veredito da FIA, não vou entrar no mérito se os difusores duplos ferem o espírito do novo regulamento ou não. Mas o que me pareceu de todo o caso foi que a entidade, mais uma vez, foi contraditória. Se for verdadeira a alegação da Renault de que apresentou esta solução à FIA no final do ano passado e recebeu um “é proibido” como resposta, os comissários não poderiam tê-la considerado legal na Austrália. Mas, em compensação, também não poderia ter proibido ontem depois de ter dado um OK para Brawn, Williams e Toyota.

Exposta a contradição, o veredito seria de toda forma incoerente e prejudicaria alguém. Em vez de prejudicar times com menor orçamento (Williams e Brawn), que provavelmente não poderiam nem competir na China caso tivessem seu carro proibido, abriram uma frente para que as grandes (McLaren, Ferrari) começassem a correr atrás do prejuízo. O problema é que, com as duas dispostas a praticamente refazer seus carros para vencer, a FIA se contradiz novamente: estimula a gastança em tempos de crise.

Não vejo mocinhos nem vilões no caso. Vejo, sim, uma entidade incoerente e atrapalhada.

Atualização: A Ferrari não testou difusor novo nenhum, a foto em questão é uma montagem. O Nickcs acabou de descobrir a foto original aqui.

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Regras esdrúxulas

Bernie & Max, tantando conquistar o mundo

A semana que passou foi permeada pela polêmica levantada pela brilhante dupla “Bernie & Max”, que chocou o mundo ao mudar as regras que definiam o título mundial de pilotos da Fórmula 1 a menos de dez dias do início do campeonato. Depois da reação negativa das equipes, os dirigentes da FIA e da FOM desistiram de impôr a medida e o campeonato deverá seguir como se espera: quem faz mais pontos leva o título. Porém, não é a primeira vez que Pinky e Cérebro têm ideias brilhantes, muito pelo contrário. Além de algumas regras esquisitas que chegaram a ser implantadas, ainda houve outras que, felizmente, nunca saíram do papel.

Dentre as maluquices que realmente aconteceram, ganha destaque a regra para os treinos de classificação em 2005. Para aquela temporada, foi inventada uma classificação extra aos domingos pela manhã, horas antes da corrida. As posições de largada eram definidas pela soma dos tempos da classificação de sábado e do treino extra de domingo. Uma regra difícil de acompanhar e com horários absolutamente fora do usual. O piloto dava uma volta e seu tempo precisava ser somado ao do dia anterior para saber em que posição ele largaria. Algo absolutamente esdrúxulo.

Com isso, o treino de sábado foi esvaziado, pois a reação do público foi: “para que ficar uma hora vendo uma classificação que não define nada?”. Houve queda na audiência aos sábados e as transmissões do treino de domingo na Europa tiveram uma audiência ridícula, sendo que nem sequer foram exibidos em alguns países. Por aqui, você acordava para ver a corrida e só nessa hora sabia quem largaria na frente, a não ser que tivesse disposição para levantar às cinco da manhã aos domingos, entrar na Internet e acompanhar a sessão. O sistema, obviamente, foi extinto depois de seis corridas. A partir do GP da Europa, sétima etapa do campeonato, o pole position voltou a ser definido no sábado.

Antes disso, em 2004, já haviam tentado uma alteração igualmente estúpida para a classificação. Os pilotos entravam na pista, de um em um, e davam uma volta rápida. Terminada essa fase do treino – que já durava quase 50 minutos -, os tempos obtidos indicavam a ordem na qual eles voltariam à pista para dar as voltas que realmente valeriam para a formação do grid. O mais lento era o primeiro a ir para a pista e o mais rápido era o último. No geral, o formato do treino passou a ter quase duas horas, praticamente o tamanho de uma corrida. Chato de acompanhar e inútil, ainda durante a temporada o sistema foi modificado, com os tempos de sexta passando a valer para a ordem de entrada no treino de classificação de sábado. Algo que, se não era muito lógico, pelo menos não obrigava ninguém a ficar quase duas horas vendo um carro dar uma volta na pista por vez.

Mas Bernie & Max ainda tiveram pelo menos outras duas ideias ainda mais absurdas que, felizmente, nunca passaram de balões de ensaio. Em 1989, incomodado com três vitórias consecutivas de Ayrton Senna no começo do campeonato, que se desenhava um passeio fácil do brasileiro (e acabou não sendo), Ecclestone foi a público defender uma “punição” ao vencedor. Sim, isso mesmo. Na época, não havia reabastecimento e os pit stops não eram obrigatórios. Então, Bernie passou a defender que o piloto vencedor de uma prova deveria obrigatoriamente fazer uma parada para troca de pneus na corrida seguinte. Se vencesse duas seguidas, deveria parar duas vezes na prova seguinte. Se ganhasse três, então três pit stops, até que finalmente parasse de ganhar. Fico imaginando essa regra em 2004, Schumacher seria capaz de vencer corridas até com seis paradas de box.

E a cereja do bolo veio da mente brilhante de Max Mosley, em 2002. Depois de um ano de domínio absoluto da dupla Ferrari/Schumacher, o presidente da FIA passou a defender um “rodízio de pilotos”. Antes de cada corrida, pilotos e equipes seriam sorteados aleatoriamente. Seria possível ver Schumacher na Minardi, Montoya na Jaguar, Alex Yoong na Ferrari. De tão absurda, a ideia nem foi levada a sério e logo foi esquecida. Mas suscita um pensamento preocupante: é na mão destes sujeitos que está a maior categoria do automobilismo mundial. Se ela sobreviver a eles, sobreviverá a qualquer outra coisa.

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Fim da polêmica

Acuada pela pressão das equipes, pilotos e opinião pública, a FIA mudou de ideia e resolveu “adiar” o sistema de classificação “só vitórias” para 2010. Digo adiar entre aspas porque, na prática, acho difícil que ele seja realmente implantado. A rejeição foi muito grande e a FOTA, desde o início, posicionou-se contra a medida autoritária e antipopular. A única voz dissonante foi a de Flavio Briatore, mas como o italiano adora criar polêmica e está de olho na sucessão de Bernie Ecclestone, não serve como parâmetro.

Ainda que por linhas tortas, o bom-senso venceu. Mas o fato vai deixar fortes cicatrizes, a chaga da queda-de-braço FOTA x FIA está exposta. E a entidade máxima do automobilismo mundial nunca esteve em posição tão fragilizada desde o grande racha de 1982. Em condições normais, Mosley e Ecclestone bateriam firme o pé. Se recuaram tão rápido, é porque estão na defensiva. E o assunto não será esquecido até a assinatura do próximo Pacto de Concórdia. Se é que ele virá.

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Pensamento do dia

Na Fórmula 1 de Max Mosley, o pole position não é o mais rápido e quem tem mais pontos não é o campeão mundial.

Saudades do Balestre, viu…

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Fragilizando a liderança

Foto: Arquivo

Foto: Arquivo

Quanto mais penso no novo regulamento da Fórmula 1, mais enxergo um tiro que sai pela culatra. Vislumbrando um cenário em que apenas a vitória importa e que o segundo lugar de nada vale, fica cada vez mais clara para mim a ideia de que a FIA, indiretamente, passará a fragilizar aquele que está na liderança de uma corrida.

Pensemos. É preciso vencer para ser campeão. Ser segundo colocado, de nada vale. Assim, monta-se uma situação na qual alguém que está andando em segundo em uma corrida não tem nada a perder. E o líder, aquele que deveria ter total controle da situação, passa a ser um alvo. “É melhor eliminar o primeiro do que ser segundo”, li em algum lugar. E é uma triste verdade.

Não imagino um mau-caratismo latente nos pilotos, não creio que tentarão eliminar os adversários propositalmente. Porém, quem estiver em segundo terá todas as condições do mundo para tentar uma ultrapassagem impossível, poderá forçar, deixar o líder em uma situação desconfortável. Fechar a porta numa briga pela liderança poderá ser uma atitude suicida, já que um toque que elimine ambos da prova trará prejuízos apenas àquele que estava em primeiro. Talvez seja até melhor estar em segundo na fase final da corrida, desde que o líder esteja próximo, do que andar em primeiro lugar e não ter o controle da situação.

Isso aumenta a emoção? Sem dúvida. Mas gera uma desigualdade perigosa, estimulará uma concorrência negativa, senão até desleal. Se Fernando Alonso e Felipe Massa andaram se estranhando em 2007 nos GPs da Espanha e da Europa por disputas um tanto duras por posição, ainda que leais, imagine o que pode vir a acontecer numa situação em que um piloto jogue o outro para fora. Num extremo, o panorama poderá ser caótico. Poderemos viver a era do mata-mata na Fórmula 1.

Estimular a agressividade é um erro. Talvez os maus exemplos do passado, protagonizados por Alain Prost, Ayrton Senna e Michael Schumacher não tenham servido de lição. A FIA está brincando com coisa muito séria.

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Petição contra o novo regulamento

Thiago Leopoldo avisa via comentários: já existe um abaixo-assinado online contrário ao novo regulamento para definição do campeão mundial de Fórmula 1. Se você é contra, assine clicando aqui.

Honestamente, acho que não vai dar em nada. Mas não foi a FIA quem fez uma pesquisa para saber o que o público queria? A maioria disse que era a favor de mudanças e que preferia que a vitória fosse mais recompensadora. Mas precisavam levar tão ao pé-da-letra?

Se a FIA quer resposta do público, terá. Em poucos minutos, já há mais de 1.400 assinaturas de todo o mundo.

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Na decisão por vitórias, 12 títulos trocariam de mãos

Foto: Divulgação/Honda

Foto: Divulgação/Honda

Nos 59 campeonatos já disputados até hoje na Fórmula 1, 12 deles teriam campeões mundiais diferentes caso o critério de vitórias tivesse sido sempre utilizado para definir o dono da coroa.

Algumas reparações históricas teriam acontecido, como um merecido título mundial para Stirling Moss. Em compensação, Nelson Piquet teria apenas um campeonato em toda a carreira, enquanto Jody Scheckter e Keke Rosberg seriam excluídos do hall de campeões do mundo. Ayrton Senna teria sido tetracampeão, assim como Jim Clark. Nigel Mansell, quem diria, seria tricampeão, e Felipe Massa teria conquistado o título em Interlagos no ano passado.

Curioso observar que a grande maioria das trocas de campeões aconteceria no período entre 1977 e 1989, auge da regra dos descartes na Fórmula 1.

Confira abaixo como ficaria cada campeonato, desde 1950.

Temporada Campeão Mundial "Novo Campeão"
1950 Giuseppe Farina Giuseppe Farina
1951 Juan Manuel Fangio Juan Manuel Fangio
1952 Alberto Ascari Alberto Ascari
1953 Alberto Ascari Alberto Ascari
1954 Juan Manuel Fangio Juan Manuel Fangio
1955 Juan Manuel Fangio Juan Manuel Fangio
1956 Juan Manuel Fangio Juan Manuel Fangio
1957 Juan Manuel Fangio Juan Manuel Fangio
1958 Mike Hawthorn Stirling Moss
1959 Jack Brabham Jack Brabham
1960 Jack Brabham Jack Brabham
1961 Phil Hill Phil Hill
1962 Graham Hill Graham Hill
1963 Jim Clark Jim Clark
1964 John Surtees Jim Clark
1965 Jim Clark Jim Clark
1966 Jack Brabham Jack Brabham
1967 Dennis Hulme Jim Clark
1968 Graham Hill Graham Hil
1969 Jackie Stewart Jackie Stewart
1970 Jochen Rindt Jochen Rindt
1971 Jackie Stewart Jackie Stewart
1972 Emerson Fittipaldi Emerson Fittipaldi
1973 Jackie Stewart Jackie Stewart
1974 Emerson Fittipaldi Emerson Fittipaldi
1975 Niki Lauda Niki Lauda
1976 James Hunt James Hunt
1977 Niki Lauda Mario Andretti
1978 Mario Andretti Mario Andretti
1979 Jody Scheckter Alan Jones
1980 Alan Jones Alan Jones
1981 Nelson Piquet Nelson Piquet
1982 Keke Rosberg Didier Pironi
1983 Nelson Piquet Alain Prost
1984 Niki Lauda Alain Prost
1985 Alain Prost Alain Prost
1986 Alain Prost Nigel Mansell
1987 Nelson Piquet Nigel Mansell
1988 Ayrton Senna Ayrton Senna
1989 Alain Prost Ayrton Senna
1990 Ayrton Senna Ayrton Senna
1991 Ayrton Senna Ayrton Senna
1992 Nigel Mansell Nigel Mansell
1993 Alain Prost Alain Prost
1994 Michael Schumacher Michael Schumacher
1995 Michael Schumacher Michael Schumacher
1996 Damon Hill Damon Hill
1997 Jacques Villeneuve Jacques Villeneuve
1998 Mika Hakkinen Mika Hakkinen
1999 Mika Hakkinen Mika Hakkinen
2000 Michael Schumacher Michael Schumacher
2001 Michael Schumacher Michael Schumacher
2002 Michael Schumacher Michael Schumacher
2003 Michael Schumacher Michael Schumacher
2004 Michael Schumacher Michael Schumacher
2005 Fernando Alonso Fernando Alonso
2006 Fernando Alonso Fernando Alonso
2007 Kimi Raikkonen Kimi Raikkonen
2008 Lewis Hamilton Felipe Massa

 

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Novo regulamento não deve mudar período de decisão

Ao contrário do que poderia prever o senso comum, o novo regulamento de classificação do Mundial de Pilotos da Fórmula 1, que em 2009 considerará apenas o número de vitórias para definir o campeão, não deve mudar o período de decisão do título mundial. Pelo menos é o que nos mostra a história da categoria, desde 1950.

Aplicando nos campeonatos anteriores os mesmos critérios definidos hoje pelo Conselho Mundial da FIA, 24 títulos teriam sido definidos nas corridas de encerramento de cada temporada. Nos regulamentos antigos, a decisão na prova final aconteceu 26 vezes. Uma mudança estatisticamente desprezível.

Apenas poucos campeonatos teriam seu momento definição alterado. Os títulos de 1955 (Juan Manuel Fangio), 1967 (Dennis Hulme), 1994 (Michael Schumacher), 1996 (Damon Hill), 1997 (Jacques Villeneuve) e 2003 (Michael Schumacher), definidos apenas na corrida final, teriam sido entregues aos campeões por antecipação. Em compensação, os títulos antecipados de 1961 (Phil Hill), 1977 (Niki Lauda), 1979 (Jody Scheckter) e 2005 (Fernando Alonso) teriam sua disputa postergada até a corrida final.

Confira na tabela abaixo, ano a ano, as decisões que o novo regulamento modificaria.

Temporada Foi decidida na última corrida? E com novo regulamento?
1950 Sim Sim
1951 Sim Sim
1952 Não Não
1953 Não Não
1954 Não Não
1955 Sim Não
1956 Sim Sim
1957 Não Não
1958 Sim Sim
1959 Sim Sim
1960 Não Não
1961 Não Sim
1962 Sim Sim
1963 Não Não
1964 Sim Sim
1965 Não Não
1966 Não Não
1967 Sim Não
1968 Sim Sim
1969 Não Não
1970 Não Não
1971 Não Não
1972 Não Não
1973 Não Não
1974 Sim Sim
1975 Não Não
1976 Sim Sim
1977 Não Sim
1978 Não Não
1979 Não Sim
1980 Não Não
1981 Sim Sim
1982 Sim Sim
1983 Sim Sim
1984 Sim Sim
1985 Não Não
1986 Sim Sim
1987 Não Não
1988 Não Não
1989 Não Não
1990 Não Não
1991 Não Não
1992 Não Não
1993 Não Não
1994 Sim Não
1995 Não Não
1996 Sim Não
1997 Sim Não
1998 Sim Sim
1999 Sim Sim
2000 Não Não
2001 Não Não
2002 Não Não
2003 Sim Não
2004 Não Não
2005 Não Sim
2006 Sim Sim
2007 Sim Sim
2008 Sim Sim

 

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Regulamento de merda

O título do post é uma citação ao mestre Pandini. Que, desde 2003, ano a ano, repete o mantra: “o regulamento da Fórmula 1 é uma merda”. E a FIA conseguiu, hoje, deixá-lo ainda pior. O Mundial de Pilotos de 2009 será decidido apenas em um critério: vitórias. Sim, não importa se o piloto chegou em segundo, terceiro ou décimo. Só importa a vitória. Conseguiram algo ainda pior que o sistema de medalhas idealizado por Bernie Ecclestone.

De uma forma simplista, o raciocínio é: pra ser campeão, tem que ganhar mais. Quem ganha mais, é o melhor. Então, o título é justo. O problema é que o regulamento “justo” pode gerar enormes injustiças. Um exemplo: se todos os campeonatos até aqui seguissem o mesmo critério, Nelson Piquet nunca teria sido campeão do mundo teria apenas um título mundial, o de 1981. E aí eu pergunto: é justo?

A Fórmula 1 empurrou o pêndulo além do ponto. Foi de um extremo ao outro, sem escalas. Se de 2003 a 2008 os campeonatos privilegiavam praticamente só a regularidade, agora privilegiará unicamente a vitória. Será que esperar um caminho do meio é exigir demais das cabeças dirigentes?

Senti uma lufada de ar fresco quando a FOTA propôs, semana passada, um sistema de pontuação de 12-9-7-5-4-3-2-1. Seria o caminho mais lógico, premiar a vitória e o pódio e gerar um campeonato equilibrado, mas justo. Agora, alguém poderá subir ao pódio em todas as corridas e não ser campeão. Enquanto alguém pode ser irregular ao extremo, vencendo cinco corridas e abandonando 14 e ainda assim levar o caneco.

Uma coisa é inegável: as disputas pela vitória serão mais acirradas. Em compensação, quem vai se arriscar a brigar pelo segundo ou terceiro lugar, se de mais nada vale? O piloto de ponta que tiver um problema no grid de largada e tiver que sair dos boxes dificilmente vencerá. Logo, que estímulo terá para fazer uma arriscada e emocionante corrida de recuperação? Apenas pelo Mundial de Construtores? Numa situação dessas, não seria mais lógico desistir da corrida e poupar o motor para a etapa seguinte?

Escrevam: toda corrida em que alguém disparar na frente se tornará uma merda. Exatamente como a nova pontuação da Fórmula 1.

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As medalhas do Tio Bernie

O Felipe Maciel enviou um e-mail alertando para uma entrevista de Bernie Ecclestone no site oficial da F1. Nela, o dirigente fala de seus planos de virar a categoria de pernas para o ar, com suas alterações no sistema de pontuação, substituindo os pontos do Mundial de Pilotos por medalhas de ouro, prata e bronze, introduzindo uma contagem como a olímpica para definir o campeão do mundo.

Mas o mais interessante não é a entrevista em si, mas sim a pergunta aos internautas que aparece ao final dela. A F1 quer ouvir a gente: você é a favor ou contra o sistema de medalhas? Clique em um dos botões ao final da entrevista e deixe sua opinião. Não há melhor local para manifestar seu apoio ou veto à iniciativa.

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F1 muda não mudando

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

E depois da reunião desta semana em Paris, quando esperava-se um pacotão que mudaria radicalmente a Fórmula 1 daqui pra frente, a comissão formada por equipes e dirigentes decidiu que a categoria vai mudar, mas não mudando.

Explico: embora tenham sido tomadas medidas mais fortes visando cortes de custos, na prática a mais importante delas, que seria o polêmico motor-padrão, acabou não passando. E o resto, é preciso ser dito, não passa de perfumaria. Proibição de testes durante a temporada, por exemplo, parece indicar que quem tiver um carro mal nascido vai se dar mal e não poderá desenvolvê-lo. O mesmo aplica-se à limitação de uso de túnel de vento. Mas seria inocência demais acreditar nisso. As equipes – leia-se montadoras – darão um jeito.

O congelamento de motores imposto ao final de 2006, por exemplo, provou-se uma imensa farsa. Sob o pretexto de “melhorias de durabilidade”, novas especificações de materiais e peças eram enviados para a FIA durante os últimos anos e foram prontamente aceitas. Durante os dois anos de congelamento, os propulsores de Ferrari, BMW e Mercedes evoluíram espantosamente, enquanto Renault e Toyota ficaram para trás. Curiosamente, mesmo com alterações homologadas visando “apenas” durabilidade, os motores Ferrari quebraram diversas vezes nessa temporada. E, não por acaso, a FIA acaba de autorizar uma alteração nos V8 da Renault. E a Velhinha de Taubaté acreditou que os motores estavam de fato congelados…

Não há dúvidas de que a F1 precisa de um corte de custos, mas assim, no canetaço ou num acordo entre engravatados, ele não vai acontecer. Os custos só serão substancialmente reduzidos quando as montadoras resolverem enxugar as torneiras de vez. O que pode mesmo acontecer com a atual crise econômica global. Mas, enquanto houver uma delas ainda disposta a gastar os tubos, as que tiverem fôlego financeiro para tal vão continuar acompanhando.

E enquanto isso, através de uma “pesquisa de mercado”, o público vai decidir se a pontuação atual deve continuar ou se será adotado o sistema de medalhas. Assim como um “novo sistema de classificação”, que ninguém viu até agora, e uma diminuição no tempo das corridas serão postos a júri popular. Mais uma perfumaria que não vai passar.

A medida mais impactante – e surpreendente – de todas é a proibição do reabastecimento em 2010. Por essa ninguém e esperava e, isso sim, mudará a dinâmica das corridas a partir de então. O que será bom.

Para saber tudo o que mudou não mudando, confira esta lista elaborada pelo Becken Lima, no cada dia melhor F1 Around.

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Simulação: Ferrari 2009

Reprodução Autosport

Reprodução Autosport

O amigo Mário, aquele mesmo do “Ultrapassando as Palavras“, envia reprodução da mais recente edição da revista inglesa Autosport, na qual a equipe de arte produz uma simulação de como deve ficar uma Ferrari em 2009, à luz do novo regulamento técnico.

As mudanças mais significativas dizem respeito aos pneus, que agora serão slick, aos apêndices aerodinâmicos que foram proibidos e aos aerofólios dianteiros e traseiros, que possuem nova proporção.

As asas dianteiras terão agora largura de 180cm, contra 140 dos atuais. O resultado disso são asas mais compridas, que não mais se limitarão aos pneus, projetando-se sobre eles. As traseiras, por sua vez, ficam mais estreitas: 75cm, contra os 100 atuais. Além disso, elas ganharão em altura, passando de 80 para 95cm.

Para ver o carro por outros ângulos, clique aqui.

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