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O fim da regra burra

Foi preciso que alguém tirasse proveito de um regulamento mal formulado para que finalmente a FIA decidisse tomar alguma providência.

Hoje, em Fuji, a entidade anunciou que a regra de boxes fechados durante as intervenções do Safety Car será modificada. A partir de 2009, o pit lane permanecerá sempre aberto e, para controlar a velocidade dos carros durante o período em que ainda não alinharam atrás do carro-madrinha, será determinado um limite mínimo de tempo para voltas nesta circunstância.

Como será feito tal controle e se será efetivo ou não, ninguém sabe ainda. Mas, com certeza, manter os boxes abertos acabará com a verdadeira loteria na qual as corridas atuais se transformaram.

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Quando burlar a regra é bom negócio


A Fórmula 1 utiliza a regra do Safety Car há 15 anos, desde 1993. De lá até 2006, sua intervenção na corrida era simples. Em caso de acidente, todos os pilotos alinhavam atrás do carro de segurança, paravam nos boxes quando quisessem (se necessário) e relargavam após seu retorno ao pit lane. Um pouco de sorte envolvia a operação, muitos ganharam e outros tantos perderam corridas assim, mas durante todo o período, em nenhum momento alguém levou vantagem indevida.

No ano passado, porém, a FIA implementou uma nova norma. Visando evitar que os carros continuassem acelerando para chegar aos boxes para fazer um rápido pit stop antes que encontrassem o Safety Car, o que de fato é contrário ao espírito da regra, decidiu-se fechar os boxes assim que a corrida é paralisada com bandeira amarela. Todos os pilotos precisam alinhar atrás do carro-madrinha e só então os pits são abertos para que todos entrem e façam seus pit stops ao mesmo tempo. Os infratores que reabastecerem seus carros durante o período de box fechado são punidos com um stop & go de 10 segundos.

Desta maneira, a regulamentação acabou com a vantagem que alguns pilotos poderiam conquistar na regra antiga, parando nos boxes antes de todos e voltando à frente. Certo? Errado. É um jogo arriscado, mas é possível infringir a regra, reabastecer durante o período de proibição e ganhar posições. Levantei esta hipótese pela primeira vez na Rádio GP da corrida do Canadá do ano passado. Ontem, em Cingapura, Nico Rosberg e a Williams comprovaram a tese.

Vamos aos fatos. Nico era o 9º colocado no GP de Cingapura até a 15ª volta, quando o Safety Car foi acionado. O piloto da Williams quebrou a regra de box fechado e realizou seu primeiro pit stop antes de todo mundo, voltando à pista no meio do pelotão, em décimo lugar. Quando os boxes foram abertos e os demais realizaram seus pit stops, voilà. Rosberg assumiu a liderança. Robert Kubica tomou a mesma atitude, mas não logrou o mesmo sucesso. Jarno Trulli e Giancarlo Fisichella não pararam e o polonês ficou apenas em quarto.

Obviamente, a Williams informou que o piloto tinha pouco combustível e por isso foi obrigado a parar. É claro que a equipe jamais admitiria formalmente que quebrou a regra de propósito. Mas os tempos de Rosberg no treino de classificação não indicam que ele tivesse largado assim tão leve. Comparando os tempos de classificação do alemão no Q2 (pouco combustível) e no Q3 (tanque cheio), ele perdeu 2.2s. Pilotos que largaram mais leves, como Felipe Massa, perderam menos de 1s, e ainda resistiram a mais duas voltas na pista. Kubica, que também estava “sem gasolina”, perdeu 1.2s. Ou seja, tudo aponta para que Nico ainda tivesse combustível no tanque. Seu pit stop dificilmente foi de emergência.

A Williams arriscou e se deu muito bem. Líder na relargada e com pista livre à sua frente, beneficiado ainda pela lentidão dos pesados Trulli e Fisichella atrás de si, Rosberg pôde abrir uma grande diferença antes de cumprir a anunciada punição de sopt & go por 10 segundos. Depois da parada forçada nos boxes, retornou à pista em terceiro lugar.

Para se ter uma idéia, quem estava imediatamente à frente do alemão da Williams antes da entrada do Safety Car, Nick Heidfeld, a esta altura era nono. Na melhor das hipóteses, caso tivesse feito uma parada dentro do período permitido, Nico estaria por ali. Não há dúvidas de que houve vantagem.

Embora não goste da idéia de carros fazendo pit stop todos juntos, entregando posições para aqueles que não pararam ou que, por sorte, pararam antes (caso de Alonso), não acho que este seja o problema central da regra. A grande questão está na aplicação da pena por infração. A punição precisa ser rigorosa o suficiente para impedir que alguém tente burlar a regra, não é admissível que uma equipe possa ser permitida a arriscar uma ilegalidade sabendo que, mesmo pagando uma pena, levará vantagem.

Então, que altere-se o tamanho da punição. Em vez de 10s, que o piloto fique 20 ou 30s retido nos boxes, ou que só seja permitido retornar à pista ao final do pelotão, em último lugar. Do modo como a regra está, ser infrator pode ser bom negócio. Nico Rosberg, segundo colocado em Marina Bay, que o diga.

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Recorde Mundial de Penduricalhos


Observando as fotos dos treinos em Montmeló, me chamou a atenção, por este ângulo, o excesso de apêndices aerodinâmicos do carro-veado da BMW. Alguém já viu outro modelo tão cheio de penduricalhos, chifres e ferrões?

Esta aberração só exemplifica o cenário da F1 atual: com motores congelados, pneus raiados e com pouca aderência mecânica, as equipes atiram-se ao refinamento aerodinâmico como única forma de melhorar performance. O saldo disso? Carros perfeitos com pista livre, mas que começam a perder rendimento com qualquer turbulência logo à frente, ainda que o adversário mais próximo esteja a 300 metros de distância.

Carros cheios de aletas e penduricalhos são sinônimos de corridas sem ultrapassagens. E é justamente este o motivo que me faz aguardar ansiosamente uma Fórmula 1 de aerodinâmica limpa em 2009. Ninguém deseja que o topo do esporte a motor se transforme numa competição de chassis únicos ou totalmente padronizados, mas alguma coisa precisa mudar para que haja o retorno das disputas, das ultrapassagens, de corridas que não sejam vencidas porque alguém pegou o ar mais limpo (lembram do último GP da França?). Pneus slick – maior aderência mecânica – e carros de desenho limpo – menos eficiência aerodinâmica – podem ser o caminho. É um alento.

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Nova Ferrari na pista


Kimi Raikkonen fez o shakedown do F2008 hoje cedo em Fiorano. Com as imagens de pista, foi possível notar que o carro novo tem um aspecto mais robusto, principalmente na área de proteção em torno da cabeça do piloto.

Mas esta alteração não é exclusiva da Ferrari. Trata-se de uma nova norma da FIA, obrigando as equipes a aumentarem a proteção naquela região do carro. O motivo da alteração foi o acidente entre Alex Wurz e David Coulthard no GP da Austrália do ano passado, quando por muito pouco a Red Bull do escocês não atingiu a cabeça do austríaco.

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Aerodinâmica: a provável F1 de 2009


Victor Martins conseguiu um furo e tanto em seu blog. Ele teve acesso a um relatório feito pela equipe BMW Sauber, a pedido da FIA, com o resultado de estudos aerodinâmicos visando facilitar as ultrapassagens na categoria, a partir de 2009.

Os modelos de asas dianteira e traseira propostos pelos alemães são estes da ilustração acima. Vale uma visita para conferir maiores detalhes sobre o estudo.

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E se não houver classificação?

O Speed Arosi enviou excelente pergunta, querendo saber como fica o grid de largada caso o treino de classificação não ocorra por falta de condições meteorológicas.

Consultando o Regulamento Esportivo, o Código Esportivo Internacional e as Prescrições Gerais da FIA, em nenhum dos documentos está prevista a realização de uma corrida sem treino de classificação. Assim, dificilmente ocorrerão alternativas que são utilizadas por outras categorias, como grid de largada definido pela classificação do campeonato, pela ordem de chegada da corrida anterior ou pelos treinos livres.

Caso não haja condições de visibilidade em Fuji para a realização do treino das 2h (horário do Brasil), muito provavelmente a sessão será adiada até que o clima permita. Se o tempo continuar ruim hoje, a classificação pode ocorrer amanhã, antes da corrida.

Lembrando que caso semelhante ocorreu durante o GP do Japão de 2004, que teve as atividades de sábado canceladas por uma ameaça de furacão. O grid de largada foi definido num treino especial, horas antes da prova.

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Luz de freio?

Neste final de semana surgiram rumores de que a Fórmula 1 passaria a adotar luzes de freio nos carros, fundamentados no que se viu nos últimos dias, nos testes no Bahrein. Os carros de algumas equipes, quando freiavam, acendiam a luz de segurança traseira, normalmente utilizada em dias de chuva.

A imprensa européia mais desavisada já saiu anunciando que a FIA estuda adotar estes dispositivos em corrida e que por isso as equipes os testavam. Minha opinião? Bullshit. Acredito que tais luzes de freio possam mesmo ser adotadas em treinos livres, já que os carros andam em ritmos completamente diferentes e isso aumentaria a segurança. Em corrida, julgo impossível. Chega a ser contrário à competição você permitir que um adversário veja exatamente em que ponto o outro freia.

Acho que é tudo balela, parecida com aquela de alguém que viu um projeto da Honda com um mapa pintado no carro e saiu espalhando que era patrocínio do Google Earth. Mas, como quase sempre, posso estar errado.

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