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Primeira fila italiana é a sétima da história

Foto: Reprodução/Adrivo.com

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De forma absolutamente inesperada, dois italianos ocupam a primeira fila no grid para o GP da Bélgica: Giancarlo Fisichella na pole, acompanhado por Jarno Trulli. E é apenas a sétima vez na história que isso acontece, sendo a primeira em quatro anos.

No GP da Austrália de 2005, Fisichella e Trulli já tinham dividido uma primeira fila, nas mesmas posições. Fisico, que estreava na Renault, venceu a corrida. Antes disso, no entanto, é preciso voltar bastante no tempo.

A primeira vez em que só italianos compuseram a primeira fila aconteceu, curiosamente, também em Spa-Francorchamps. Foi em 1952, quando Alberto Ascari, Giuseppe Farina e Piero Taruffi saíram na frente, todos com Ferrari. É bom lembrar que, nesta prova, a primeira fila era composta por três carros. Todos eles repetiram a dose no mesmo ano, no GP da França, largando nas mesmas posições. No ano seguinte, a italianada voltou a dominar o grid na França, mas agora com Ascari, Felice Bonetto e Luigi Villoresi.

Somente trinta anos depois a Fórmula 1 voltou a ver uma primeira fila da Itália, já na configuração de filas de dois carros. Foi com Elio de Angelis e Riccardo Patrese no GP da Europa de 1983, em Brands Hatch. E em 1984 aconteceu novamente, dessa vez com o mesmo De Angelis na pole, acompanhado de Michele Alboreto, no GP do Brasil.

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Barrichello interrompe jejum de quase 5 anos

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Com a vitória em Valência, Rubens Barrichello interrompeu um jejum de quase cinco anos sem vencer na Fórmula 1. Precisos quatro anos, dez meses e 28 dias separaram sua última conquista, na China em 2004, desta de hoje no GP da Europa.

O longo jejum, no entanto, não é o maior da história da Fórmula 1. Outros cinco pilotos enfrentaram períodos ainda mais longos de vacas magras. O recordista é o italiano Riccardo Patrese, que ficou mais de seis anos sem subir ao alto do pódio.

Confira abaixo os mais longos períodos entre-vitórias da F1:

Riccardo Patrese – 6 anos, 6 meses e 28 dias (África do Sul/1983 – San Marino/1990)
Bruce McLaren – 6 anos e 6 dias (Mônaco/1962 – Bélgica/1968)
Jack Brabham – 5 anos, 10 meses e 19 dias (Portugal/1960 – França/1966)
Mario Andretti – 5 anos, 7 meses e 18 dias (África do Sul/1971 – Japão/1976)
John Watson – 4 anos, 11 meses e 3 dias (Áustria/1976 – Inglaterra/1981)
Rubens Barrichello – 4 anos, 10 meses e 28 dias (China/2004 – Europa/2009)
Johnny Herbert – 4 anos e 16 dias (Itália/1995 – Europa/1999)

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Um momento angustiante

Há duas semanas, quando preparei aquele Quiz do Capelli, lembrei de um fato envolvendo o atropelamento de um mecânico da equipe Arrows por um carro da própria equipe. Dentre todas as respostas do quiz, foi uma das menos acertadas e que gerou alguns e-mails de leitores questionando sobre o acidente. Assim, tive a ideia para este post.

Foi um momento absolutamente angustiante. Não só pelo fato em si, mas também por todo o contexto no qual esteve envolvido. Assim como no GP de San Marino de 1994, quando uma sucessão de fatos trágicos aparentemente não relacionados aconteceu de forma inacreditável, uma aura negativa cobria aquele final de semana em Zolder, no GP da Bélgica de 1981.

Durante o treino de classificação de sexta-feira, Carlos Reutemann, da Williams, havia atropelado um mecânico da eqiupe Osella, Giovanni Amadeo. O pit lane de Zolder era demasiado apertado e mais hora menos hora, algo assim viria a acontecer. No final da sessão, Amadeo atravessou o pit lane sem perceber a presença de Reutemann, que entrava rápido, mas dentro dos limites de velocidade regulamentares. O mecânico foi atingido por um dos pneus traseiros da Williams, sendo que Reutemann nem percebeu o que havia acontecido. Há inclusive relatos de que o mecânico teria escorregado e caído por sobre o carro que passava, o que explicaria o estranho acidente. Com traumatismo craniano severo, Amadeo foi levado ao hospital em estado grave.

Todo o sábado transcorreu com uma aura ruim e com a informação de que o mecânico estava em coma profundo. Na madrugada de domingo, chega a notícia do diagnóstico de morte cerebral. A Fórmula 1 ficou de luto.

Minutos antes do começo da corrida, mecânicos de diversas equipes resolvem fazer um protesto em frente ao grid de largada, exigindo mais segurança nos pit lanes. Alguns pilotos juntam-se ao movimento, entre eles Gilles Villeneuve, Didier Pironi e Jacques Laffite. Outros ficam batendo boca com os mecânicos, exigindo liberação da pista para que a prova possa iniciar.

Nisso, a direção de prova autoriza o início da volta de apresentação, mesmo com vários pilotos fora de seus carros. O cenário é de caos, mas os carros partem sem maiores incidentes. O problema é que, ao alinhar seu carro para a largada, Nelson Piquet erra a sua posição. A direção de prova permite que ele parta para uma segunda volta de apresentação, enquanto todos os outros carros ficam esperando no grid.

Quando Piquet finalmente alinha, a largada é autorizada. Mas o motor da Arrows de Riccardo Patrese não aguenta um minuto e meio em ponto morto e apaga. Parado no grid, o italiano começa a agitar os braços, e eis que um mecânico seu, Dave Luckett, invade a pista para acionar seu motor novamente.

E aí começam momentos de agonia. Imagine um carro parado no grid, correndo o risco de ser atingido por alguém que vem mais veloz atrás. Agora imagine este carro parado com um mecânico atrás. O provável acontece: outro carro vem e atinge a Arrows de Patrese em cheio, com Luckett no meio. Ironicamente, a outra Arrows inscrita para a prova, do italiano (sim, italiano!) Siegfried Stohr.

A cena é chocante: o mecânico está estirado no chão, desmaiado e com as pernas fora de esquadro. Todos temem pelo pior. E Stohr é o próprio retrato do desespero. Tenta sair do carro, tropeça, quase cai, leva as mãos à cabeça e gesticula sem parar, como que dizendo: “o que eu fiz? o que eu fiz?”.

Passado o susto, Luckett é atendido e seu estado, felizmente, não é grave. Ele tem fraturas nas pernas, mas não corre risco de vida. Assim, a corrida reinicia normalmente, mas sem as duas Arrows. Foi apenas um grande susto, causado por absoluta incompetência da organização da prova, que conseguiu fazer uma besteira atrás da outra.

As marcas do acidente, no entanto, não se apagaram para Siegfried Stohr. Mesmo sendo um psicólogo formado, o italiano não reagiu bem ao fato de quase ter matado um mecânico da própria equipe. Perdeu a velocidade que tinha e nunca mais competiu em bom nível. Nos treinos para o GP da Itália, sofreu um acidente e optou por abandonar as pistas definitivamente. E Luckett, felizmente, vive sem sequelas daquele dramático acidente.

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Curiosidades do GP de Mônaco

Foto: Reprodução/Google Maps

Foto: Reprodução/Google Maps

Tão tradicional quanto cheio de frescura, o GP de Mônaco é mais antigo do que a própria Fórmula 1. A primeira edição da prova aconteceu em 1929, 21 anos antes da criação da categoria. No próximo domingo, acontecerá o 67º GP no apertado circuito monegasco.

Algumas curiosidades acerca da corrida:

* O maior vencedor é Ayrton Senna, com seis conquistas no principado. Michael Schumacher e Graham Hilll venceram cinco vezes cada.

* Senna é, também, o único brasileiro a ter vencido em Monte Carlo. Até sua primeira vitória, em 1987, o GP de Mônaco era um tabu para o Brasil.

* Durante dez anos, apenas Alain Prost e Ayrton Senna venceram o GP. Entre 1984 e 1993, foram quatro vitórias do francês, contra seis do brasileiro.

* Senna ainda detém o recorde de poles em Monte Carlo: cinco. Juan Manuel Fangio, Jim Clark, Jackie Stewart e Alain Prost marcaram quatro.

* Em quatro das últimas cinco corridas em Mônaco, o pole position venceu a corrida. A exceção foi Felipe Massa, no ano passado, batido por Lewis Hamilton, que havia largado em terceiro.

* Volta e meia, a zebra passeia pelo GP de Mônaco. Na última delas, em 2004, Jarno Trulli largou na pole e venceu de maneira surpreendente. Em 1972, debaixo de um temporal, Jean-Pierre Beltoise conquistou sua única vitória na categoria. Mas a maior de todas as zebras foi Olivier Panis, vencedor da prova em 1996, numa corrida maluca em que apenas quatro carros cruzaram a linha de chegada. Foi a última vitória da equipe Ligier, que não ganhava uma corrida há quase 15 anos.

* Falando em equipes, a vencedora absoluta em Mônaco é a McLaren, com 15 conquistas. A Ferrari venceu 8, seguida pela Lotus, com 7. Foi também em Monte Carlo que a McLaren fez sua estreia na Fórmula 1, em 1966.

* Por 17 GPs consecutivos, apenas equipes inglesas venceram no principado. De 1959 a 1974, Cooper, Lotus, BRM, Brabham e Tyrrell alternaram-se no alto do pódio. A marca só foi quebrada por Niki Lauda em 1975, com a Ferrari. Depois de 20 anos, a equipe italiana voltava a vencer em Mônaco.

* O GP de Mônaco proporcionou alguns finais de corrida históricos. Em 1970, Jack Brabham liderava a corrida, mas escapou da pista na última curva da última volta, entregando a vitória para Jochen Rindt. O diretor de prova ficou tão surpreso que não deu a bandeirada para o vencedor.

* Mas nada supera a maluquice que foi o final da corrida de 1982. A liderança trocou de mãos diversas vezes nas últimas três voltas, até que Riccardo Patrese vencesse. Detalhe: ele só ficou sabendo que tinha vencido algum tempo depois. Essa história está detalhada aqui.

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Os confusos números de Barrichello


Rubens Barrichello escolheu o GP da Turquia, daqui a duas semanas, para comemorar a quebra do recorde de 256 GPs disputados, que pertence ao italiano Riccardo Patrese. Digo “escolheu” porque, na prática, ele não atingirá tal marca em Istambul, segundo os critérios estatísticos mais adequados.

O brasileiro já esteve presente em 257 finais de semana de Grande Prêmio, mas só participou de 253 corridas. Em sua própria conta, porém, ele já tem 256 GPs disputados. Por que tal discrepância?

No GP de San Marino de 1994, Barrichello bateu na sexta-feira, foi levado ao hospital e ficou impedido de correr. Esta prova ele não conta, ótimo. Mas o pomo da discórdia está em outras três corridas: GP da Bélgica de 1998 e GPs da Espanha e França de 2002. Tudo por que, nestas ocasiões, ele não estava presente no grid quando a largada oficial foi dada.

Na Bélgica, ele até largou uma vez. Foi aquela carambola histórica e, com o caos instaurado, a direção de prova anulou a partida. Uma nova largada foi dada, sem Barrichello, cuja Stewart estava destruída.

Na Espanha e na França, duas ocorrências semelhantes. Na partida para a volta de apresentação, sua Ferrari ficou estancada no grid. Os mecânicos recolheram o carro para o box e Rubens Barrichello não pôde correr.

Sendo assim, tais etapas não devem ser consideradas como GPs disputados, pois o piloto não participou de nenhum trecho do Grande Prêmio. Mas, na conta de Barrichello, elas valem.

A grande incoerência, no entanto, está no uso de critérios distintos para configurar tal recorde. Se partirmos da premissa de que “conseguiu classificação para o grid, estava presente no autódromo, então vale”, Barrichello terá mesmo 256 GPs. Porém, se o mesmo critério for adotado para Riccardo Patrese, ele continua sendo o recordista. O italiano teria 257 corridas no currículo, já que esteve presente no GP da Argentina de 1979, conseguiu classificação para o grid de largada, mas não alinhou por problemas mecânicos. Ou seja: não houve recorde igualado de 256 GPs na Espanha. No máximo, o recorde de 257 participações em finais de semana.

Como se vê, o piloto deve ter contratado o mesmo matemático que calculou os mil gols do Romário e os mil GPs narrados do Galvão Bueno. Confira na tabela abaixo:

Critério GPs Barrichello GPs
Patrese
Quando vem o recorde?
Participação em fim-de-semana de GP 257 257 Próxima corrida, em Istambul.
Classificação para o grid de largada 256 257 GP de Mônaco, em 25/05
GPs disputados 253 256 GP da França, em 22/06
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