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Vingança consumada

Foto: Charles Coates/LAT Photographic/Divulgação Renault

Foto: Charles Coates/LAT Photographic/Divulgação Renault

Na roda viva da destruição de reputações da Fórmula 1, mais dois nomes entraram hoje para o rol dos defenestrados: Flavio Briatore e Pat Symonds. Acusados por Nelsinho Piquet de arquitetarem um plano maquiavélico de forçar um Safety Car no GP de Cingapura do ano passado, foram hoje demitidos pela Renault. O que parece um ato de vingança foi consumado. Mas fica a pergunta: vingança de quem?

Que os Piquet – pai e filho – queriam muito ver Briatore pelas costas, não há dúvidas. Mas, por mais que a informação que tinham em mãos fossem bombásticas, o chefão da Renault não seria derrubado se não houvesse o interesse em sua queda por parte de outros chefões.

Afinal, o escândalo de Cingapura não pode ser encarado como uma grande surpresa. Jocosamente, a suspeita já corria pelo paddock há muito tempo. Soava como folclore, não havia provas concretas, mas de fato todo mundo sabia o que tinha acontecido. Como revelou Reginaldo Leme, Felipe Massa procurou Briatore naquele próprio final de semana para, com dedo em riste, acusá-lo: “isso não se faz”. Se ninguém correu atrás de provas na época, foi porque ainda não havia o interesse em derrubar Briatore.

E se agora Nelsinho delatou e apresentou provas, foi porque tal interesse houve. O piloto brasileiro certamente não agiu sozinho, uma delação desse porte apenas por uma demissão e uma briga com seu empresário não faz o menor sentido.

Se Nelsinho foi ingênuo ou não, se se queimou ou não, teremos noção nos próximos meses. Se conseguir salvar sua carreira na Fórmula 1 e assinar com outra equipe, poderemos concluir que teve sucesso em sua vingança. Mas se realmente perdeu reputação, será possível entender que foi usado para a vingança de alguém maior.

O nome desse alguém? Difícil afirmar categoricamente, mas é inegável a sensação de que tudo isso está relacionado à divulgação de um certo vídeo erótico por parte de um tablóide britânico. É bom lembrar que Ron Dennis, desafeto do presidente da FIA, foi impelido a se afastar da Fórmula 1. Coincidência ou não, o mesmo acontece agora com Flavio Briatore.

Max Mosley não dá ponto sem nó. Ele vai embora, mas vai levar os inimigos consigo.

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McLaren: ponto mais baixo em 28 anos

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

Heikki Kovalainen teve um pneu furado e bateu com Sebastien Bourdais. Lewis Hamilton saiu na última fila e chegou em antepenúltimo. Distante das primeiras posições, a McLaren não marca pontos há quatro corridas. O jejum é histórico.

A última vez em que a equipe prateada ficou quatro GPs consecutivos sem pontuar foi há 28 anos, entre as temporadas de 1980 e 1981, do final do campeonato nos Estados Unidos até o GP da Argentina do ano seguinte. É o ponto mais baixo da história da equipe desde que foi assumida por Ron Dennis, no final de 1980. E, a julgar pelo desempenho que os carros vêm apresentando, o jejum deve seguir por mais algumas etapas.

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Do Baú: Ron Dennis, mecânico da Brabham


O rosto é conhecido, apesar de estar mais magro, bem mais jovem e com muito mais cabelo. Ao lado de Jack Brabham, circundado de vermelho, é ele mesmo. Ron Dennis, principal dirigente da McLaren.

A foto é do começo da carreira do britânico, final dos anos 60, quando ainda era mecânico da equipe Brabham. Dennis começou na Cooper, saiu de lá com Jack Brabham e na Brabham permaneceu até a aposentadoria do piloto. Em 1972, montou seu próprio time de Fórmula 2, iniciando sua escalada como dirigente.

Apesar de todos os escândalos de 2007 envolvendo a McLaren, Ron Dennis ainda merece respeito por sua longa história de dedicação ao automobilismo. Junto com Frank Williams, são os últimos exemplares de dirigentes-puro-sangue na Fórmula 1.

A foto foi uma dica do LucasWheldon.

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E Alonso foi


A notícia é de sexta, velha e requentada, mas precisa ser abordada. Finalmente, saiu o anúncio oficial de que Fernando Alonso não é mais piloto da McLaren.

Não chega a ser nenhuma novidade para quem acompanhava as movimentações de bastidores e o noticiário de automobilismo. Desde a confusão do GP da Hungria tudo apontava para um rompimento. Acreditavam na permanência do espanhol apenas aqueles que acham que contratos são absolutos na Fórmula 1. Não são, a história prova o contrário. Nelson Piquet já havia cravado a máxima de que, na categoria, contratos são assinados para serem rasgados. É por essas e outras que continuo não achando absurdo o possível “rebaixamento” de Barrichello à Super Aguri.

Fernando Alonso vive uma situação bastante rara, na qual tem liberdade de escolher para onde quer ir. Qualquer equipe da categoria deseja um piloto do nível do espanhol e não fará a mínima formalidade para contratá-lo. O único problema do bicampeão é que os melhores cockpits – McLaren e Ferrari – são as únicas opções vetadas. Ruim para ele, mas bom para F1. Um grande piloto num carro inferior é sempre garantia de disputas e surpresas.

Surgem como possibilidades para Alonso cinco equipes: Renault, BMW, Toyota, Red Bull e Williams. Na escala Capelliana de probabilidade, a Renault surge em primeiro lugar. A admiração mútua entre piloto e equipe, o relacionamento de longa data com Flavio Briatore e o histórico das partes faz parecer a melhor das opções. Alonso retornaria à equipe com o desafio de trazê-la de volta ao grupo das vencedoras, no que seria muito bem recebido. Há um empecilho que se chama salário, mas nada que um patrocinador espanhol não resolva. Ano que vem haverá duas corridas na Espanha e será um ótimo momento para uma companhia associar sua marca a um ídolo nacional. Quem sabe a Telefonica, afastada da F1 em 2007, não retornaria para bater de frente com a concorrente Vodafone? Também não é nada impossível que patrocinadores da McLaren diretamente associados a Alonso, como Banco Santander e Mutua Madrileña, mudem de equipe juntamente com ele. Contratos, lembre-se, são mera formalidade.

A BMW aparece como a segunda boa possibilidade. Terceira equipe nesta temporada, o time sente falta justamente de alguém como Alonso para liderá-la rumo às vitórias. Dinheiro, staff competente e motivação não faltam. O espanhol seria o catalisador a acelerar o ritmo de crescimento. Tecnicamente, é um cockpit até melhor que o da Renault. Os franceses levam vantagem pelo histórico.

Toyota e Red Bull aparecem em terceiro lugar, com chances mais remotas. Os japoneses seriam uma ótima opção caso Alonso preocupe-se apenas em ganhar dinheiro. Para ir para lá, poderia até escolher quanto quer ganhar. Mas encontrará um time bagunçado, com problemas de gestão e sem um histórico vitorioso. Na Red Bull, terá a grande possibilidade de dar uma limpada em sua imagem, arranhada pelas choradeiras dessa temporada e, principalmente, pelas chantagens feitas a Ron Dennis e pela participação ativa no caso de espionagem. Talvez a estada numa equipe mais arejada, bem-humorada e com ações de marketing muito bem calculadas façam bem à sua imagem. Não vai vencer, mas também é uma opção a ser considerada.

Em último, a Williams. A equipe inglesa não ganha uma corrida há três anos, mas tem experiência e staff para voltar a vencer. O problema é a falta de dinheiro, o maior entrave à contratação de Alonso. Frank Williams sempre teve fama de pão-duro, e não sem razão. Historicamente, quem exigiu grandes salários foi demitido sem muita conversa, mesmo em anos em que conquistavam o título mundial. Nigel Mansell e Damon Hill que o digam. Se na época de vacas gordas a equipe economizava nos salários, mudaria de filosofia justamente quando o orçamento é mais magro? Complicado.

Estão abertas as apostas e o mercado de pilotos segue em compasso de espera até que Alonso faça o seu movimento definitivo. Depois, será uma correria desenfreada pelos cockpits restantes. Aposto que ainda teremos surpresas até janeiro. Ninguém cotou ainda, mas e se a transferência de Barrichello para a Super Aguri estiver vinculada à contratação de Alonso pela Honda? Ninguém falou nada a respeito, levanto a lebre de maneira até irresponsável. Mas, por que não?

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Charge do Capelli: Aprenda com quem entende

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Charge do Capelli: Mecânicos premiam Ron Dennis

Não acredita? Pois veja.

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A frase do ano

“Não estávamos correndo contra Kimi, estávamos correndo contra Alonso.”

Ron Dennis, tropeçando na própria arrogância, logo após o GP da China.

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Charge do Capelli: Cachimbo da Paz

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Charge do Capelli: Entrega especial

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Para entender a confusão

Os últimos dias têm sido de tanta loucura na Fórmula 1, notícias confirmadas, notícias desmentidas, especulações mil e até gente fazendo confusão de forma proposital que resolvi dar uma zerada em tudo e pontuar os pontos principais para tentar entender melhor a quantas anda o escândalo de espionagem. Será que vai ajudar ou atrapalhar ainda mais? Vejamos.

Os e-mails entre Fernando Alonso e Pedro de la Rosa existem ou não?
Sim, existem. Max Mosley confirmou em Monza que as novas provas que haviam sido descobertas e que provocaram a reconvocação do Conselho Mundial da FIA foram e-mails comprometedores trocados entre Alonso e De la Rosa.

Mas não houve um desmentido?
Sim, houve. Mas um desmentido com relação ao conteúdo dos e-mails, não relativo à existência deles. O jornalista italiano Pino Allievi, da Gazzetta dello Sport, incluiu no meio de uma matéria sobre os e-mails frases simuladas do que um piloto poderia ter dito ao outro. Na própria matéria há um alerta de que se tratava de uma simulação, mas alguns jornalistas não entenderam assim e divulgaram erradamente como sendo o teor correto das mensagens.

A que os e-mails se referem, então?
Não se sabe ao certo, ninguém além dos envolvidos no processo teve acesso ao conteúdo. Porém, algumas fontes dizem que os pilotos trocavam informações sobre o uso dos pneus Bridgestone na Ferrari. Nada comprovado, entretanto.

Os e-mails, portanto, podem não ser tão comprometedores assim?
Difícil. O rebuliço entre dirigentes da Fórmula 1 e das equipes foi muito grande no paddock de Monza para que pensemos que se trata de tempestade num copo d’água. Além disso, a FIA deixou muito claro no comunicado emitido após a reunião do Conselho Mundial realizada em agosto: “Se for detectado no futuro que as informações foram usadas, nos reservamos ao direito de convidar a McLaren a retornar diante do Conselho”. Se o Conselho foi reconvocado e a equipe e seus pilotos intimados a comparecer nesta nova reunião, é porque as evidências devem ser muito fortes.

Mas já não havia uma reunião anteriormente marcada para esta quinta-feira?
Havia, mas uma reunião do Tribunal de Apelações, que iria julgar o recurso da Ferrari contra a decisão anterior do Conselho Mundial. A FIA cancelou esta reunião e reconvocou o Conselho. Ou seja: a entidade entendeu que tinha provas suficientes em mãos para reconvocar a McLaren e que o recurso da Ferrari já não precisaria mais ser apreciado.

A McLaren corre mesmo o risco de ser banida do campeonato?
Corre, pois o comunicado anterior do Conselho Mundial informava: “Nos reservamos ao direito de convidar a McLaren a retornar diante do Conselho, onde enfrentará a possibilidade de ser excluída não apenas do campeonato de 2007, mas também do próximo”. Porém, tal pena seria bastante danosa à imagem da Fórmula 1. Acredito que a punição deva ser bem mais leve.

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Saborosa ironia

Às vésperas do GP da França deste ano, Ron Dennis divulgou uma carta aberta ao presidente da federação italiana, falando sobre o escândalo de espionagem. Nela, dentre muitos outros argumentos e posicionamentos, ele apresentava uma espécie de defesa a Nigel Stepney. Assumia que a informação sobre o assoalho flexível da Ferrari tinha partido dele e encorajava que funcionários de equipes que se sentissem descontentes com as ações antiéticas de seu grupo denunciassem as irregularidades.

Nas palavras dele: “É de interesse da F1 que descobertas alarmantes como esta sejam encorajadas e não desencorajadas.”

Pois bem. Caso se confirme a denúncia de Fernando Alonso à FIA, que tanto incrimina a McLaren… não teria ele, ainda que cinicamente, feito exatamente o que o patrão pediu?

O estalo partiu do Ricardo Silva, do fórum Downforce. Brilhante.

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Cabra ôme

E a notícia do dia é esta: Ron Dennis proíbe pilotos de ingerir bebidas alcoólicas.

Isso é o que é chamado de “desestabilizar o adversário”. A proibição foi para Alonso e Hamilton, mas a gente sabe muito bem de quem Ron Dennis está realmente falando.

Dennis é uma raposa velha, é de conhecimento geral. Como ninguém acredita muito na Renault para 2007 (do Fisichella não sai nada, Kovalainen é muito novo), ele sabe que sua principal adversária ao título mundial é a Ferrari. E ele, mais do que ninguém, sabe onde estão os maiores pontos fracos da equipe de Maranello: o comportamento etílico de Kimi Raikkonen e a pressão que só a imprensa italiana sabe fazer. O que Ron Dennis quer com isso? Atiçar e expor a ferida de Raikkonen, justificar indiretamente que os insucessos da McLaren nos últimos anos tiveram relação com bebida e, assim, gerar mais pressão no piloto e na equipe adversária.

Durante cinco anos de McLaren, a cúpula da equipe nunca se manifestou publicamente contrária aos porres do rapaz. E agora, indiretamente, começa a utilizar isso contra ele.

E a temporada está só começando…

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O único com Juan-Regularis

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Leilão beneficente

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McLaren contrata "babá" para controlar Raikkonen

“Babá” vai controlar a inclinação de Kimi Raikkonen ao consumo de bebidas alcoólicas.


Agradecimento a .

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Últimos preparativos

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Orientação Vocacional

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Nova McLaren dá 19 voltas…

…até motor falhar

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