-
Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSBusca no blog
Arquivos
Twitter
Facebook
-
Tags
Ayrton Senna BMW Brawn F1 Felipe Massa Fernando Alonso Ferrari FIA Force India Fórmula 1 Globo GP da Austrália GP da China GP da Europa GP da Inglaterra GP da Itália GP da Malásia GP de Cingapura GP de Mônaco GP do Bahrein GP do Brasil GP do Japão Heikki Kovalainen Honda Jenson Button Kimi Raikkonen Lewis Hamilton Mark Webber Max Mosley McLaren Michael Schumacher Nelsinho Piquet Nelson Piquet Nigel Mansell Red Bull Regulamento Renault Robert Kubica Rubens Barrichello Sebastian Vettel Super Aguri Toro Rosso Toyota Treinos WilliamsCategorias
- Análises
- Ao vivo
- Automobilismo
- Bastidores
- Baú
- Box
- Camisas de Times
- Charges
- Colunas
- Copa do Mundo
- Curiosidades
- Destaque
- Do Baú
- Entrevistas
- Especulações
- Estatísticas
- Futebol
- História
- Humor
- Infográficos
- Intervalo Comercial
- Jogos
- Na Mídia
- Notícias
- Novos capacetes
- Novos carros
- Novos circuitos
- Olimpíada do Capelli
- Pergunte ao Capelli
- Rádio GP
- Reportagens
- Sem categoria
- Tecnologia
- Todos Chora
- Todos ri
- TV
- Ultrapassando as palavras
- Vídeos
Sites parceiros
Blog Roll
- A Mil por Hora
- Alessandra Alves
- Almanaque Esportivo
- Área de Escape
- Automobilismo Paulista
- Autoracing
- Bruno Mantovani
- Cadernos do Automobilismo
- Café com F1
- Continental Circus
- Documentation
- Esporte Fino
- F1 Girls
- F1 Nostalgia
- Fábio Seixas
- Flavio Gomes
- Fórmula Grün
- Oragoo.net
- Pandini GP
- Velocidade
- Victor Martins
- Voando Baixo
Arquivo da tag: Sebastian Vettel
Todos contra Vettel

São apenas duas corridas de um total de 19, é verdade. Mas o campeonato 2011 da Fórmula 1 já vai ganhando alguns contornos. E o mais delineado de todos até aqui é o da disputa pelo título: são todos contra Sebastian Vettel.
O atual campeão do mundo faz uma arrancada perfeita em direção ao bi. Duas pole positions, duas vitórias dominadoras, 109 voltas lideradas das 114 do campeonato até aqui. Até agora, Vettel só não esteve na frente nos breves momentos entre uma troca de pneus e outra. Não deu chances a ninguém, nem mesmo a seu companheiro Mark Webber, que fez duas corridas irregulares neste mesmo período.
Um domínio tão grande, com um companheiro de equipe sucumbindo tão facilmente, chega a lembrar a era Schumacher na Ferrari. Também pelo fato de, apesar de ser o melhor carro, a Red Bull não ser tão melhor assim. É verdade que, em voltas lançadas, os touros são imbatíveis. Mas, em ritmo de corrida, deixam um pouco a desejar, principalmente em função do desgaste de pneus.
Nas vitórias na Austrália e na Malásia, a vantagem de Vettel para o segundo colocado poucas vezes foi maior do que dez segundos. Os adversários sempre estiveram perto, mas nunca a ponto de ameaçar seriamente a sua liderança. No estágio atual, o carro da Red Bull é bom o suficiente para fazer com que o talento de Vettel se sobressaia sobre os demais na medida certa. Enquanto que, nas mãos de um piloto irregular como Webber, vira um carro comum.
Isso é o que dá esperança aos adversários. A Red Bull é boa, mas não imbatível. E a McLaren é quem está mais próxima. Lewis Hamilton foi um esforçado combatente nas duas primeiras corridas, mas em ambas sucumbiu por excesso de arrojo. Na Austrália, saiu da pista e teve o assoalho quebrado. Na Malásia, abusou dos pneus e foi obrigado a uma parada extra a três voltas do fim. Jenson Button, de condução mais gentil com os pneus, foi uma ameaça mais séria na Malásia, terminando a prova a apenas três segundos do vencedor. Mas talvez, para bater Vettel, seja necessário um pouco mais de arrojo.
A Ferrari ainda é muito instável. Tem um desempenho abaixo da crítica em voltas de classificação, o que deixa seus carros sempre para trás no grid de largada. Porém, em ritmo de corrida, faz tempos animadores. Fernando Alonso fatalmente subiria ao pódio em Sepang, não fosse tão afoito no ataque a Hamilton nas voltas finais, o que lhe fez perder um pedaço da asa dianteira. Felipe Massa consegue ser muito rápido em alguns momentos da corrida, mas lhe falta uma certa constância. A Ferrari precisa de um desempenho mais constante para poder brigar pela vitória. Com o dinheiro e o staff que tem, em breve deve chegar lá.
O fato é que Vettel já assumiu o posto de protagonista do campeonato de 2011. Agora, resta descobrir quem vai conseguir se posicionar como real desafiante ao título. Em algumas corridas, a tendência é que McLaren e Ferrari se aproximem e se tornem uma ameaça real. O problema será se, até lá, o alemãozinho continuar a empilhar vitórias. Se demorar, pode ser tarde demais.
Falta ambição

Equipe número 2 da Red Bull, nascida do espólio da simpática Minardi, a Toro Rosso surgiu para fazer apenas figuração na Fórmula 1. E assim foi nos seus primeiros anos, até que, dentro da estratégia de servir de plataforma de lançamento de jovens pilotos da Red Bull, teve a bênção de contar com Sebastian Vettel em um de seus cockpits por uma temporada e meia.
O salto técnico da Toro Rosso em 2008 foi impressionante. De time da rabeira conquistou status de equipe média e provou até o gostinho da vitória, num inesquecível GP chuvoso em Monza. Terminou aquela temporada à frente da própria Red Bull, criando um certo constrangimento nos austríacos.
Sabe-se lá se por causa disso ou não, o fato é que a partir daí a relação do time italiano com a fábrica de energéticos azedou. Vettel foi para a Red Bull e Didi Mateschitz chegou a ensaiar a venda da equipe, que acabou não acontecendo. A parceria técnica com o time principal acabou e agora são praticamente dois times independentes, ainda que Didi continue aportando dinheiro e escolhendo seus pilotos.
O lançamento do STR6 ontem deixou bem claro esse distanciamento técnico. O carro é bem diferente do RB7 da Red Bull, com um bico mais baixo, linhas menos agressivas e uma tampa de motor mais convencional. O propulsor que empurrará o bólido continua sendo Ferrari e a dupla de pilotos segue a mesma do ano passado: Jaime Alguersuari e Sebastien Buemi, talvez a mais fraca de toda a Fórmula 1.
A perspectiva da Toro Rosso é de mais uma temporada fazendo figuração, numa versão meio torta do lema do Barão de Coubertin, que dizia que “o importante é competir”. No caso deles, talvez o importante seja apenas estar presente, desenvolver pilotos e exibir a marca. Tarefa que, um dia, já foi das cada vez mais indigentes categorias de base.
A número 1

Dentre todos os lançamentos da Fórmula 1 hoje em Valência (e que terão seus respectivos posts mais tarde), o que mais se destaca é o da Red Bull, atual equipe campeã do mundo. Se chegar ao topo já é difícil, manter-se é tarefa ainda mais complicada. Mas o time rubrotaurino parece que tem a receita para buscar o bicampeonato.
Vejamos: o melhor projetista das últimas duas décadas da Fórmula 1 (Adrian Newey), um propulsor bastante confiável (Renault), um piloto veterano que vive a melhor fase da carreira (Mark Webber) e outro piloto que já deixou de ser uma grande promessa e virou realidade ao sagrar-se campeão do mundo (Sebastian Vettel). Tem como ficar melhor? Eu acho difícil.
O RB7, que foi para a pista pela primeira vez hoje, surpreende por romper mais do que o esperado com o seu modelo antecessor. Parece ser mais do que uma simples evolução, principalmente no desenho da traseira e das asas dianteira e traseira. No fim das contas, é um reflexo técnico da filosofia da marca que banca time. Tão importante quanto ganhar é ser diferente, ousado, inovador. E isso a Red Bull vem conseguindo, ainda que seu marketing por vezes exagere um pouco no conceito de juventude inconsequente.
Resta saber agora se o carro é bem nascido. Se for, pela estrutura e por tudo o que fizeram em 2010, é a equipe favorita ao título. Fica agora como interrogação o comportamento de Sebastian Vettel como detentor do título. Vestirá a capa com maestria ou o compromisso de continuar ganhando poderá levá-lo a tropeços? As respostas, a partir de março. Mas Vettel tem toda a pinta de ter vindo para ganhar. De novo.
Rapidinhas: GP da Turquia

- Contrariando a lógica, que indicava mais uma fácil vitória da Red Bull, deu Lewis Hamilton na cabeça em Istambul. Mas, mesmo que tenha herdado a liderança depois de uma briga fratricida entre os dois touros vermelhos, é preciso dizer que o inglês mereceu a vitória.
- Sim, porque desde a largada Lewis foi o nome da corrida. Arrancou mal, perdeu a segunda posição para Sebastian Vettel na primeira curva, mas recuperou o posto nas curvas seguintes com ousadia e precisão. Dali para frente, pressionou o líder Mark Webber e parecia capaz de assumir a liderança. Até que foi vítima de um pit stop ruim e caiu para a terceira posição.
- Mas a entrada de Vettel em segundo, quem diria, seria a chave para sua vitória. O alemãozinho é um ótimo piloto, mas ainda é jovem e impetuoso demais. Tentou ultrapassar seu companheiro Webber, achou que a manobra estava consumada e mudou a tangência para fazer a curva antes do que devia. Pegou o australiano e acabou com a dobradinha da Red Bull. Christian Horner o aguarda no motorhome com uma palmatória.
- Webber caiu para terceiro e ainda precisou parar nos boxes para trocar o bico do carro. Uma vitória quase certa virou um pódio amargo. Pelo menos, continua líder do campeonato. Mas a manobra desastrada de Vettel jogou por terra o sonho da terceira vitória consecutiva.
- Hamilton herdou a ponta, mas mesmo assim, teve trabalho. Num dia em que brigas entre companheiros de equipe foram a tônica, Jenson Button arriscou uma ultrapassagem e chegou a assumir a liderança, por poucas curvas. Outra vez, Lewis se recuperou e dividiu algumas curvas, até voltar a ser líder.
- Provavelmente espelhada no que aconteceu com a Red Bull, a McLaren pediu para seus pimpolhos se acalmarem e garantirem a dobradinha. Bom para Hamilton, que conquistou a primeira vitória na temporada.

Vettel encarnou o Red Five de Nigel Mansel e jogou uma corrida pela janela.
(Foto: AP Photo/Thanassis Stavrakis)
- Na quarta e na quinta posições, chegaram Michael Schumacher e Nico Rosberg, da Mercedes. O heptacampeão voltou a derrotar Nico e demonstra estar numa curva ascendente. Diferentemente da Ferrari, que em Istambul virou quarta força do campeonato.
- A distribuição de forças entre equipes parece bem clara. Red Bull e McLaren lá na frente, com vantagem para o time austríaco. Atrás, vem a Mercedes. E, num terceiro pelotão, brigam Ferrari e Renault. Os italianos ainda estão na frente, mas não sei não… A dificuldade de Fernando Alonso em ultrapassar Vitaly Petrov, considerando a diferença entre os pilotos, pode indicar que a equipe francesa está até melhor. A Ferrari anda pra trás.
- Outra que anda mal é a Williams. Hoje, foi a última equipe da F1-A, ganhando apenas de Lotus, Virgin e Hispania. E, ainda assim, com dificuldades.
- Destaque para Kamui Kobayashi, que marcou o primeiro ponto da Sauber na temporada ao chegar em décimo lugar. Medalhinha também para a Virgin, que conseguiu concluir a corrida com seus dois carros, que agora não parecem mais feitos de papel.
- Já a Hispania e a Lotus quebraram. Estou pensando em criar o Troféu Jerimum, para premiar as equipes novatas. O que acham? O melhor dos seis pilotos marca 10 pontos, o segundo marca 6… e o sexto, um ponto. Vou fazer o cálculo durante a semana.
- É isso aí, está instituído o Troféu Jerimum. Então vou mudar meu texto sobre a Virgin: “Parabéns para a Virgin, que fez a dobradinha no Troféu Jerimum, com Timo Glock em primeiro e Lucas di Grassi em segundo”.
- De resto, a destacar que o GP da Turquia foi uma boa corrida. Uma pena que corra o risco de ficar fora do calendário, já que o circuito do Istambul Park é um dos melhores da atualidade.
- Daqui a duas semanas, GP do Canadá, que vai ser uma corridaça. E outra boa notícia é que a corrida acontece às 13h (horário brasileiro), exatamente no intervalo entre dois jogos da Copa. Então, certamente a prova será transmitida ao vivo pela Globo.
RESULTADO GP DA TURQUIA 2010:

Rapidinhas: GP de Mônaco

- Como esperado, o GP de Mônaco se decidiu na primeira curva. Salvo raras exceções, há alguns anos já é assim. Mark Webber saltou na frente, Sebastian Vettel ultrapassou Robert Kubica, Felipe Massa se manteve em quarto e assim foi até o final da corrida.
- Procissão sonolenta que teve alguns momentos de (falsa) emoção com as várias entradas do Safety Car. A cada acidente, todo o pelotão se juntava outra vez para recomeçar o desfile mais de pertinho. No total, foram quatro intervenções.
- Na primeira volta, Nico Hulkenberg errou ao tentar contornar o túnel por fora. Pegou sujeira, perdeu o controle do carro e foi parar nos guard-rails. A segunda entrada foi causada pela outra Williams, de Rubens Barrichello, que teve a suspensão traseira quebrada e também bateu. Mais adiante, fiscais identificaram uma tampa de bueiro aberta e a corrida precisou ser interrompida novamente. E a última entrada, nas voltas finais, foi causada por um patético acidente entre Jarno Trulli e Karun Chandhok na La Rascasse.
- Na prática, apenas a primeira e a última entrada definiram alguma coisa na corrida. A da primeira volta serviu para que Fernando Alonso parasse nos boxes e trocasse de pneus logo no começo, cumprindo cedo a norma de pit stop obrigatório (ridícula, por sinal) e tendo oportunidade de ganhar posições quando os demais tivessem que parar. Para quem saía da última posição, foi um grande negócio.
- E, no último Safety Car, Michael Schumacher aproveitou para mais uma tradicional Schumacada, ultrapassando Fernando Alonso assim que o carro-madrinha voltou para os boxes, no final da última volta. Nessa circunstância não é permitido ultrapassar, e o alemão perdeu os pontos que conquistaria ao ser punido por comissários. Bem feito.
- Alonso se deu bem, os oito pontos conquistados saíram melhor que a encomenda. O espanhol manteve-se a três pontos dos líderes do campeonato, Webber e Vettel. Antes o líder era Button, mas o importante para ele é que a diferença permaneceu a mesma.
- O grande problema para o espanhol e os demais adversários, porém, é o fato da Red Bull finalmente ter assumido a ponta do campeonato, e com seus dois pilotos. É o melhor carro da temporada e a tendência agora é que disparem na frente.
- Pior para Jenson Button, que certamente continuaria na liderança do campeonato não fosse o abandono logo no começo da corrida. Pior, por um motivo prosaico. Um mecânico esqueceu de tirar a cobertura do seu duto de ar e seu motor superaqueceu. #MegaFail para a McLaren.
- Em apenas oito dias, Mark Webber saltou de oitavo para a liderança do campeonato. Marcou duas pole positions e ganhou duas corridas de ponta a ponta. Soube, como ninguém, aproveitar o sonolento início de temporada europeia, marcada por GPs nos quais é muito difícil ultrapassar. A fase é ótima e o australiano desponta como favorito ao título.
- Daqui a duas semanas, corrida na Turquia. É o melhor dos “Tilkódromos”, mas a Red Bull tem tudo para seguir dominando. E uma terceira vitória seguida poder ser o golpe fatal no ânimo de Sebastian Vettel. Ao que tudo indica, é o único piloto capaz de parar Webber. Mas, dada sua juventude, parece não estar assimilando bem o rápido crescimento do companheiro de equipe. É a hora de Vettel reagir.
- Dificilmente outra equipe terá, em pouco tempo, oportunidade de fazer frente à Red Bull. A esperança de Alonso, Massa, Button e Hamilton reside nos infortúnios do time austríaco. Mas eles estão cada vez mais escassos.
- Ainda é cedo, mas já dá para arriscar. Se nenhuma reviravolta acontecer, Adrian Newey voltará, depois de dez anos, a ser o projetista de um carro campeão.
- Já ia encerrar o post, mas lembrei que estava cometendo uma imensa injustiça ao não citar Robert Kubica. Que corridaça do polonês, terceiro colocado, cada vez melhor com a Renault. Já é o meu favorito para ganhar no Canadá.
RESULTADO GP DE MÔNACO 2010*

* Michael Schumacher foi punido em 20s e caiu para a 12ª posição
Rapidinhas da classificação: Mônaco

- Na sexta prova da temporada, sexta pole da quase imbatível Red Bull. Mark Webber, que tem como característica principal fazer grandes classificações, manteve a regra e marcou sua terceira pole na temporada, a quarta na carreira.
- Uma pole importante e que, em Mônaco, representa boas chances de vitória. Nos últimos dez anos, cinco vezes o vencedor partiu da primeira posição na largada.
- A grande surpresa do treino ficou por conta de Robert Kubica, que fez uma classificação sensacional com a Renault. Andou o tempo todo entre os primeiros e, não fosse uma grande volta de Webber no final, teria ficado com a pole. Larga da primeira fila e deve fazer uma excelente corrida.
- Felipe Massa recuperou-se bem dos maus resultados das últimas provas. Vai sair em quarto lugar, embora tenha demonstrado que poderia brigar pela primeira fila. De toda forma, ficou claro que tem um bom carro para Mônaco e pode incomodar na prova amanhã.
- O mesmo, no entanto, não se pode dizer de Fernando Alonso. O espanhol bateu no terceiro treino livre e destruiu seu carro. Com isso, não pôde nem participar da classificação e vai largar dos boxes, em último. Numa pista na qual ultrapassagens são quase impossíveis, vai precisar de muito esforço para conseguir, talvez, um ou dois pontos.
- Sebastian Vettel marcou o terceiro melhor tempo com a Red Bull e parece estar sentindo o crescimento de Webber dentro da equipe. O alemão, que reinou absoluto no time no começo da temporada, não vem bem nas últimas corridas. Vamos ver o que poderá fazer em Mônaco.
- Numa pista em que o torque em saídas de curvas de baixa é bastante importante, os motores Mercedes não foram tão bem como nos circuitos mais velozes. As duas McLaren e as duas Mercedes saem na terceira e quarta filas. E Michael Schumacher, sétimo, voltou a apanhar de Nico Rosberg, sexto. Lewis Hamilton foi
melhor que Jenson Button e sai na quinta posição. O atual campeão não passou de oitavo.
- Quem mandou muito bem foi Rubens Barrichello. Pela terceira vez na temporada conseguiu levar a Williams ao Q3 e vai largar em nono. Nico Hulkenberg fez o 11º tempo.
- Lucas di Grassi e Bruno Senna, como de costume, vão largar lá da rabeira. Ainda sem o novo carro da Virgin, Lucas foi meio segundo mais lento que Timo Glock e sai em 21º. Logo atrás dele, Bruno e sua carroça espanhola fabricada na Itália. Pelo menos superou seu companheiro Karun Chandhok, lanterninha da classificação.
- Senna e Di Grassi não têm culpa de estarem andando lá atrás. Pagam o preço de terem aceitado correr em equipes estreantes. Com a proibição de treinos, a evolução do carro fica muito complicada e a tendência é que a Fórmula 1 siga repartida em duas divisões até o fim da temporada. O que é uma pena, já que a Virgin, por exemplo, demonstra ter muita capacidade – e dinheiro – para crescer. Diferentemente da Hispania, que eu acredito que talvez não consiga nem terminar a temporada.
- A corrida amanhã será longa e complicada, mas duvido que a vitória escape de quem larga das duas primeiras filas. Webber é favoritaço, mas Vettel pode incomodar se largar bem. Se saltar na frente na primeira curva, Kubica passa a ter boas chances tamém. E o caminho da vitória para Felipe Massa, creio eu, passa pelo infortúnio de um ou dois adversários à frente. O que em Mônaco, com seus guard-rails rentes ao traçado, é algo até provável.
- Dificilmente será uma prova emocionante, mas pelo menos dá para curtir uma bela paisagem durante a corrida. Pelo charme, beleza e pelo desafio, vale a pena acordar cedo amanhã.
GRID DE LARGADA – GP DE MÔNACO 2010

Rapidinhas: GP da Espanha

- Deu a lógica em Barcelona. Corrida chata, decidida na primeira curva. Mark Webber, pole, arrancou melhor que seu companheiro Sebastian Vettel e disparou na frente. Ganhou com folga e tranquilidade.
- Dotado do mesmo carro, Vettel não conseguiu formar a dobradinha. Ficou em segundo após a largada, mas perdeu a posição para Lewis Hamilton na troca de pneus e, mesmo com um carro melhor, não conseguiu retomar a posição, dadas as dificuldades de ultrapassagem do circuito. No final da prova, enfrentou problemas de freios e precisou fazer uma troca extra de pneus, perdendo mais uma posição. Conseguiu o pódio na última volta, depois que Hamilton teve um pneu furado.
- Lewis vinha bem com a McLaren e chegaria numa excelente segunda posição, até que viu sua corrida ruir na penúltima volta. Seu pneu dianteiro esquerdo estourou na entrada de uma curva e o inglês acabou batendo na barreira de pneus. Azar de um, sorte de outros. Fernando Alonso comemorou.
- A Ferrari não é páreo para McLaren e Red Bull e Alonso conseguiria, se muito, uma quinta posição hoje. Mas, além de ter sido competente, se viu favorecido por infortúnios dos adversários. Ganhou dois lugares com os problemas de Hamilton e Vettel. E Jenson Button, que poderia incomodá-lo, perdeu a posição para Michael Schumacher na troca de pneus e ficou encaixotado atrás da Mercedes do alemão.
- A diferença de velocidade no final da reta entre a McLaren e a Mercedes era gigantesca, graças ao duto de ar do carro da equipe inglesa. Durante cinco ou seis voltas, Button deu pinta que ultrapassaria, mas Schumacher defendeu-se de forma magistral. Quando viu que o alemão seria mesmo um osso duro de roer, o atual campeão do mundo desistiu e resignou-se com a situação. Bom para Alonso, segundo colocado.
- Se Michael Schumacher renasceu nessa corrida, Nico Rosberg enfrentou os maiores problemas da temporada até aqui. Foi atrapalhado por um mecânico afobado, que o liberou do pit antes da hora, e acabou perdendo muito tempo. Chegou apenas em 13º, depois de fazer um pit stop extra. Como resultado, perdeu a segunda posição no campeonato, despencando para quinto na classificação.
- Outro que vem em queda livre depois de um bom início de temporada é Felipe Massa. Foi facilmente batido por Fernando Alonso outra vez, tanto na classificação quanto na corrida. Foi sexto na prova e agora é sétimo no Mundial de Pilotos, bem longe da liderança que chegou a ocupar.
- Quem tem mais motivos para comemorar, mesmo é Alonso. Dificilmente esperava uma segunda posição que, somada ao mau resultado de Button, o deixou em segundo no campeonato, a apenas três pontos do inglês. Saiu muito melhor do que a encomenda.- A Red Bull, ainda que dominante, tem Vettel e Webber em apenas terceiro e quarto no campeonato, enquanto que ocupa o terceiro entre os construtores. Mas, dada a enorme diferença apresentada hoje em Barcelona, é apenas questão de tempo para que pulem na ponta dos campeonatos. Semana que vem, em Mônaco, já pode ser a hora.
- Destaque para Rubens Barrichello, que saltou de 18º para 12º na largada e terminou a corrida numa bela nona posição. Lucas di Grassi foi último com a Virgin, mas pelo menos chegou. Aliás, pela primeira vez os dois carros da equipe concluem uma corrida. Está melhorando.
- Quem não dá sinais de melhora é a lanterninha Hispania. O carro é muito lento e Karun Chandhok acabou, involuntariamente, atrapalhando as corridas de Felipe Massa e Sebastien Buemi. É uma pena que a equipe espanhola tenha virado uma piada de mau gosto. Bruno Senna saiu logo na quarta curva da corrida, não sei se por problema mecânico ou por erro de pilotagem mesmo.
- Há pouco mais a acrescentar. Foi, como se imaginava, uma corrida insuportável. Foi a 20ª no circuito de Montmeló e conto nos dedos as boas disputas acontecidas lá esses anos todos. Chega a dar saudades de Jerez, que era outra pista chata pra diabo.
- Semana que vem já tem Mônaco que, se também não proporciona corridas assim tão emocionantes, pelo menos tem um certo charme e uma paisagem que nos mantém acordados. Porque as corridas na Espanha são um quase irrecusável convite a um cochilo.
RESULTADO GP DA ESPANHA 2010

Rapidinhas da classificação: Espanha

- O GP da Espanha, primeiro da fase europeia do campeonato, costuma ditar o tom da temporada da Fórmula 1. E, a julgar pela classificação de hoje, não vai ter para ninguém. Red Bull na cabeça.
- É certo que a equipe austríaca ainda não conseguiu converter sua supremacia em vitórias – foi apenas uma nas quatro corridas até aqui -, mas a vantagem das Red Bull sobre as demais equipe nunca foi tão evidente.
- Sebastian Vettel e Mark Webber dominaram todos os treinos e foram alucinantes na classificação. Há tempos não se via uma vantagem tão grande. Para se ter uma ideia, Webber marcou a pole position com um tempo de 1’19.995, enquanto que as demais equipes tiveram dificuldades em baixar da casa de 1’21.
- No fim das contas, foi praticamente um segundo de vantagem na classificação. É muita coisa. Só perdem essa corrida se tiverem novos problemas de confiabilidade ou fizerem alguma bobagem. Nem a McLaren, que vem andando bem em ritmo de corrida, tem condições de alcançar a Red Bull.
- Sendo o circuito de Montmeló aquele que as equipes mais bem conhecem, com possibilidades de acerto mais que mapeadas, não há muito espaço para surpresas. E isso aponta para uma corrida bem chatinha amanhã.
- Na terceira posição, larga Lewis Hamilton, ao lado de Fernando Alonso. Jenson Button sai em quinto e, grata surpresa, o sexto lugar foi de Michael Schumacher.- No final do treino, o alemão fez uma volta perfeita e vai largar pela primeira vez à frente de seu companheiro Nico Rosberg, oitavo colocado. Será que o velho Schumacher está de volta?
- Robert Kubica enfiado em sétimo foi outra surpresa, assim como a décima posição de Kamui Kobayashi com a Sauber. O japonês fez um temporal no final do Q2 e levou sua equipe pela primeira vez à fase final da classificação.
- Quem ficou devendo foi Felipe Massa. A Ferrari não anda com essa bola toda, mas a nona posição no grid é um resultado ruim, principalmente se comparado com o quarto lugar de Alonso.
- Os brasileiros, em geral, não foram muito bem. Rubens Barrichello caiu logo no Q1 e utilizou umas alegações meio ridículas, como “meu rádio é ruim”. Vai sair em 18º e torço para que instale uma nova antena. Lucas di Grassi fez o 22º tempo, mas vai sair em último por causa de uma punição recebida pela Virgin por não cumprir alguns trâmites burocráticos. E Bruno Senna foi o lanterninha da classificação, mas deu sorte e ganhou duas posições por causa da pouca familiaridade da Virgin com bobagens organizacionais.
- De resto, um treino sonolento como de hábito na Espanha. E amanhã a 20ª procissão em Barcelona. Se você não quiser dormir, recomendo um café bem forte ou um energético. Mas não Red Bull, porque esse vai fazer todo mundo dormir na corrida.
RESULTADO DA CLASSIFICAÇÃO – GP DA ESPANHA

Rapidinhas da classificação: China

- Quarta corrida da temporada, quarta pole position da Red Bull. Será que alguém segura os “touros indomáveis”?
- O domínio parecia se encerrar nessa classificação. Lewis Hamilton dominou o Q1 e o Q2 e despontava como barbada para a pole, dada a superioridade da McLaren. Mas alguma coisa deu errado justamente no Q2. Dentre os pilotos que largam mais à frente, foi o único que fez um tempo pior do que nas outras fases do treino. O resultado foi um decepcionante sexto lugar, atrás inclusive de seu companheiro Jenson Button.
- De toda forma, a Red Bull provavelmente ficaria com a pole do mesmo jeito. O temporal de Sebastian Vettel no final foi incrível: 1’34.558, quase um segundo melhor que no Q2. Hamilton precisava ter melhorado muito seu tempo de 1’34.928 para ter alguma chance.
- Fechando a primeira fila, adivinhe. Mark Webber, com a segunda Red Bull. Se não chover, um dos dois leva a corrida de barbada.
- Quem se deu bem no treino foi Fernando Alonso, terceiro colocado. O espanhol bateu a mais bem cotada Mercedes de Nico Rosberg por apenas um centésimo de segundo.

Hamilton era o favorito para a pole, mas desceu do carro decepcionado. (Foto: Paul Gilham/Getty Images)
- Infiltrado entre os grandes, mais uma vez, Robert Kubica e sua boa Renault. Vai sair em oitavo.
- Dos que não passaram para a fase final do treino, destaque para Rubens Barrichello, 11º com a Williams. Fez Nico Hulkenberg comer poeira, em 16º.
- Jaime Alguersuari confirmou a boa forma, ficando com o 12º tempo. Vai largar logo à frente do seu companheiro ejetor de rodas, Sebastien Buemi.
- Lá na briga das estreantes para ver quem é menos pior, quem se deu bem foi a Virgin, que com Timo Glock ficou à frente das demais novatas, em 19º. Lucas di Grassi fazia boa volta e deveria fechar o Q1 com um tempo ainda melhor, mas errou no trecho final da pista e vai largar apenas em 22º. Entre as duas Virgin, as duas Lotus.
- E a Hispania fecha o grid outra vez, com Bruno Senna em 23º e Karun Chandhok em último. E se a esperança do time em acelerar seu desenvolvimento estava em contratar um piloto de testes experiente, a contratação de Sakon Yamamoto comprova que vão ficar o ano todo na rabeira mesmo.
- A previsão do tempo para a corrida nesta madrugada é de chuva, o que dá alguma esperança de uma corrida movimentada. Caso a chuva teime em não cair, deveremos ter mais uma prova sonolenta no Tilkódromo de Xangai. A vitória deve ficar com Vettel ou Webber, que só perderiam a ponta em caso de quebra mecânica.
- Com chuva, tudo se embaralha. E aí acredito muito numa corridaça de Fenando Alonso e Lewis Hamilton. Mas Vettel também é muito bom de chuva e deve dar trabalho.
- Lembrando: o treino foi às 3h de Brasília, mas a corrida é às 4h. Não esqueça do despertador. Eu estarei no Twitter dando pitacos.
GRID DE LARGADA – GP DA CHINA 2010

Rapidinhas: GP da Malásia

- Pode não ter sido a corrida mais emocionante dos últimos anos, mas o GP da Malásia até que foi bom. Se na frente as Red Bull dispararam sem tomar conhecimento de ninguém, do segundo pelotão para trás a briga foi encarniçada. Principalmente entre as McLaren e Ferrari.
- Mas vou primeiro destacar quem mais merece. As Red Bull, finalmente, converteram o domínio em resultados. Se no Bahrein e na Austrália já tinha ficado claro que se tratava do melhor carro do campeonato até aqui, finalmente em Sepang chegou a vitória tão esperada.
- Sebastian Vettel foi perfeito na largada, saltando do terceiro para o primeiro lugar na primeira curva. Conseguiu manter boa vantagem sobre seu companheiro Mark Webber e ganhou sem qualquer sobressalto. Perdeu a ponta apenas por duas voltas, enquanto o australiano não trocava pneus. Depois da troca, foi só controlar a diferença. A vantagem da Red Bull foi tão grande que seus carros mal apareceram na transmissão.- Aliás, vale uma observação. Em três corridas até aqui, Sebastian Vettel é o único piloto que liderou todas as provas. E mais: andou em primeiro em 110 das 163 voltas disputadas, o que dá dois terços do GPs. Se considerarmos ainda que ele teve um problema mecânico logo cedo na Austrália, o domínio poderia ser ainda maior.
- Em terceiro, chegou Nico Rosberg com a Mercedes. O alemão foi outro que fez uma corrida segura, sem ameaçar ninguém, mas também sem quem lhe ameaçasse. Conseguiu o primeiro pódio na temporada e abriu larga vantagem sobre Michael Schumacher. Aquele que, por sinal, vem decepcionando.
- Não que Schumi tenha tido alguma culpa hoje. Uma porca de roda se soltou logo no começo e ele foi obrigado a deixar a prova muito cedo. Mas, de toda forma, não vinha bem. Saltou de oitavo para sexto na largada, muito pouco se comparado com o que fez Nico Rosberg, que vinha em terceiro com o mesmo carro.
- A briga boa, mesmo, ficou para o segundo pelotão. Depois da besteira da classificação, Ferrari e McLaren precisavam recuperar o tempo perdido e começaram a prova alucinadas, ultrapassando quem houvesse pela frente. Destaque para Lewis Hamilton, que foi fantástico nas manobras de ultrapassagem. Engoliu todo mundo e chegou até a andar em segundo lugar, antes de trocar pneus. Terminou em sexto, um ótimo resultado, considerando as circunstâncias.
- Outro que foi muito bem foi Felipe Massa. Fez boa largada, saltando à frente de Button e Alonso, mas depois ficou um tanto hesitante atrás de Sebastian Buemi. Não conseguiu ultrapassar e só voltou a virar rápido depois que o suíço parou nos boxes. Mas, quando fez sua parada para troca de pneus, Felipe se transformou. Passou a virar volta rápida em cima de volta rápida, descontou 10s de desvantagem para Jenson Button – que tinha parado mais cedo e saído na frente – e ultrapassou o atual campeão do mundo com autoridade.- Fernando Alonso, que vinha logo atrás, não teve a mesma competência. É certo que o espanhol sofria com um problema de câmbio, mas quando tentou passar Button, tomou um belo “xis”. Na segunda tentativa de ultrapassagem, a duas voltas do fim, vinha completando a manobra, até que seu motor falhou. Foi fumaça para todo lado e fim de prova.
- Boa notícia para Felipe Massa, que terminou a prova em sétimo e assumiu a liderança do campeonato. Jenson Button foi oitavo. Mas a classificação do mundial eu vou abordar mais adiante.
- Antes, faz-se necessária uma distinção a Adrian Sutil, da Force India. Que corrida! Veloz e sem cometer seus habituais erros por afobação, marcou um excepcional quinto lugar. Robert Kubica, quarto com a Renault, também foi muito bem.
- E o mais surpreendente destaque da prova foi Jaime Alguersuari, da Toro Rosso. Fez corrida de gente grande, defendendo-se de Felipe Massa, fazendo ultrapassagens arrojadas (uma delas por fora) e terminando na nona posição. Marcou os primeiros pontos da carreira, merecidamente.
- Para os demais brasileiros, um certo ar de conquista. Tanto Lucas di Grassi quanto Bruno Senna conseguiram terminar a prova, um feito para quem tem equipamentos tão frágeis. Bruno, no entanto, levou um toco de Karun Chandhok, que lhe deu quase uma volta. Entretanto, isso é o menos importante agora.
- Já Rubens Barrichello não foi nada bem. Deixou o motor morrer na largada, como já ocorrera duas vezes no ano passado, e acabou despencando para as últimas posições. Tentou uma corrida de recuperação, mas a Williams não lhe permitia muita coisa mesmo. Chegou em 12º, contra 10º de seu companheiro Hulkenberg. Levou uma bela ultrapassagem de Sebastien Buemi e ficou gesticulando no carro, como reclamação. Não entendi os motivos. Assim como achei de mau gosto dizer para a televisão, ainda que de brincadeira, que seu carro é uma porcaria. Com 200 anos de F1, já deveria ter aprendido o que se deve e o que não se deve dizer com um microfone aberto.
- Coisas curiosas acontecem na F1. Quando a FIA modifica o sistema de pontuação justamente para valorizar a vitória, depois de três corridas o líder do campeonato é aquele que não venceu: Felipe Massa. O brasileiro tem 39 pontos, contra 37 de Alonso e Vettel, seguidos por Button e Rosberg, com 35. Hamilton tem 31 e Kubica, 30. Menos de 10 pontos (um quinto lugar) separam o primeiro do sétimo. É uma bela disputa.
- Mesmo assim, aplaudo o novo sistema. Vettel, ainda que com os problemas enfrentados nas primeiras etapas, já é o segundo, bem perto do líder. O que reflete bem a realidade das pistas.
- A Red Bull parece ser mesmo o carro a ser batido, porém as besteiras de McLaren e Ferrari na classificação tornaram as coisas mais fáceis para eles em Sepang. Numa situação normal de corrida, acho que os seis carros brigarão por vitória, muito próximos. Está pintando um ótimo campeonato.
RESULTADO DO GP DA MALÁSIA

Rapidinhas da classificação: Malásia
- Como se esperava, mais um treino maluco na Malásia. Todos os tipos de chuva caíram durante a classificação, da mais fina até o estilo canivete. Assim, os carros ficaram quase sempre na pista, buscando melhorar seus tempos à medida em que a pista melhorasse, o mínimo que fosse, graças a uma possível diminuição da chuva.
- Quem se deu bem na loteria do chove-pára foi Mark Webber, que arriscou pneus intermediários no final do Q3 e marcou a pole position com larga vantagem para Nico Rosberg, segundo colocado. O australiano foi quase um segundo e meio mais rápido.
- Segunda fila alemã, com Sebastian Vettel e Adrian Sutil. O piloto da Force India, além do excelente resultado, protagonizou uma das cenas mais hilárias dos últimos anos na F1. Quando o Q3 começou, os carros indianos ficaram à frente no pit Lane, até que Robert Kubica, malandrinho, ultrapassou todo mundo pela lateral e arrancou na frente, tal qual muitos espertinhos fazem pelos acostamentos do Brasil. Porém, a esperteza do polonês de nada serviu, já que o teino foi interrompido por uma forte chuva. Quando a classificação recomeçou, novamente as Force India se posicionaram à frente. Porém, Sutil colocou-se ao lado de Liuzzi, trancando o “acostamento” e evitando que outro engraçadinho fizesse a mesma malandragem do piloto da Renault. Cena épica.
- Kubica, que deveria levar sete pontos na carteira de habilitação, vai largar em sexto, logo atrás de Nico Hulkenberg, o quinto. Mas, falando sério, não duvido que o polonês ganhe alguma punição e perca posições no grid. Seria justo.
- Impressionante o domínio de pilotos alemães. Atrás do pole Webber, quatro tedescos consecutivos. Eles ainda vão fazer trifeta no pódio esse ano.
- Mas o mais famoso alemão, Michael Schumacher, ficou devendo de novo. Vai largar apenas em oitavo, mais de um segundo atrás de seu companheiro Rosberg. Em condições adversas, Schumacher não apanhava assim. Tá ficando feio, já.
- Rubens Barrichello, embora tenha apanhado do novato Hulkenberg, foi bem e sai em sétimo. Atrás dele, Kamui Kobayashi, que voltou a andar bem, e Vitantonio Liuzzi. Assim, encerra-se a classificação dos top 10.
- Quem ficou de fora graças a um erro patético foram McLaren e Ferrari. As duas equipes deixaram seus carros nas garagens no começo do Q1, quando já chovia. Enquanto todo mundo foi para a pista para marcar um tempo o mais rápido possível, antes que a chuva apertasse, os carros das duas principais equipes da F1 ficaram parados, esperando a pista melhorar.- Resultado: a pista não melhorou, pelo contrário. A chuva apertou e Lewis Hamilton, Fernando Alonso e Felipe Massa dançaram. Jenson Button, por ter sido o primeiro deles a marcar tempo, conseguiu uma volta razoável e passou para o Q2, ainda que tenha atolado na caixa de brita na segunda tentativa. Não pode voltar à pista e acabou na 17ª colocação no grid.
- O saldo de tudo isso é que Alonso vai largar em 19º, Hamilton em 20º e Massa em 21º. Uma situação ridícula e constrangedora.
- A Mercedes cometeu o mesmo equívoco, mas mandou Michael Schumacher e Nico Rosberg à pista alguns segundos antes. O suficiente para conseguir passar pela degola, o que não aconteceu com três dos principais pilotos do campeonato.
- A patuscada das principais equipes provocou resultados inéditos. Heikki Kovalainen e Timo Glock conseguiram passar para a segunda fase do treino, a primeira vez de duas equipes estreantes, Lotus e Virgin, respectivamente. O que, provavelmente, será a única vez no campeonato que acontecerá.
- Lá na rabeira, um treino para Bruno Senna e Lucas di Grassi esquecerem. O sobrinho de Ayrton levou um segundo de Karun Chandhok e ainda foi parar na caixa de brita quando tentava melhorar o tempo. E só não vai largar em último porque Di Grassi ficou nos boxes, com problemas mecânicos. Quando foi para a pista, já era tarde. Se McLaren e Ferrari não conseguiram fazer bons tempos, quem dirá um Virgin. A última fila na Malásia é verde-amarela.
- Será uma corrida bastante interessante, menos pelas características de Sepang, mais pela maluquice que é o tempo na Malásia e pelo fato de quatro pilotos de ponta saírem lá do final do grid. Está pintando uma corrida mais para Austrália do que para Bahrein, o que é uma ótima notícia.
- Mesmo com os problemas de confiabilidade, acho que dessa vez a Red Bull leva. Vettel é craque na chuva e vai dar trabalho para Webber. Se não se acharem pela pista, devem dominar. Porém, corridas chuvosas são sempre surpreendentes. Numa dessas, dá até Hamilton.
GRID DE LARGADA DO GP DA MALÁSIA

Rapidinhas da classificação: Bahrein
A Fórmula 1 está de volta e, com ela, as infames rapidinhas. Análises em tópicos sobre a classificação de hoje para o GP do Bahrein.
- Sebastian Vettel não só fez a pole, como também fez a volta mais rápida de todo o treino, no Q2. Era o favorito e confirmou que vai largar na frente, mas talvez tenha sido mais difícil que o esperado. A Red Bull vem muito bem, mas a Ferrari mostrou que está com um conjunto muito bom.
- Felipe Massa sai em segundo, pouco mais de um décimo de segundo mais lento que Vettel. Eu confesso que esperava uma Red Bull mais dominante. Mesmo assim, Felipe aparece muito bem para a corrida.
- Curioso, porém, foi o semblante de desapontamento do brasileiro ao descer do carro. Ficou perceptível que ele almejava a pole, o que é ótimo. Largar na frente de seu companheiro Fernando Alonso, que será terceiro, é bom para dar as cartas dentro da equipe logo no começo da temporada. Mas, pelo jeito, não foi o suficiente para deixá-lo feliz. O que demonstra que as ambições de Felipe vão muito além de apenas bater Alonso.
- Mas a melhor notícia de todas foi ver que, em sua primeira sessão de classificação depois do terrível acidente na Hungria, Felipe Massa não perdeu sua principal característica, que é a velocidade pura. O piloto da Ferrari andou rápido e mostrou que está competitivo como antes. Quiçá, até melhor. Resta ver seu desempenho em corrida, mas essa primeira fila já vale como uma grande vitória para quem corria risco de vida há pouco mais de seis meses.
- Fernando Alonso, competitivo e autocentrado, certamente não ficou feliz com o resultado. Foi apenas um treino de classificação, mas nunca é bom perder para o companheiro de equipe. Amanhã, na corrida, o espanhol vem com tudo. O duelo interno na Ferrari será bastente empolgante.
- Fechando a segunda fila, em quarto lugar, logo quem: Lewis Hamilton, o desafeto favorito de Alonso. Se dividirem a curva, um não alivia para o outro. Será uma largada interessante.
- Jenson Button, atual campeão, tomou um coco de Hamilton em sua estreia pela McLaren. Largará apenas em oitavo lugar, tendo sido quase meio segundo mais lento.
- Mas foi Mark Webber quem levou mais tempo do companheiro no Q3: 1,1s. Enquanto Vettel é pole, o australiano sai somente em sexto. Esperava mais dele, mas é possível que tenha sofrido algum problema nos treinos.
- Michael Schumacher não saiu ileso e, em seu aguardado retorno à Fórmula 1, ficou atrás de seu companheiro de equipe. Sairá em sétimo, contra o quinto lugar de Nico Rosberg. A diferença de tempo foi de três décimos. Mas, considerando que Schumacher ficou três anos parado e a pré-temporada não permite um grande volume de treinamentos, o alemão ainda briga para retomar sua forma ideal. Mas é inegável que a sétima posição foi um tanto decepcionante.- Estrelinhas para Robert Kubica, nono com a Renault, e Adrian Sutil. O alemão da Force India, especialmente, foi a grande zebra do Q3. Percebe-se que o motor Mercedes empurra bem, mas mesmo assim não se imaginava uma Force India tão bem posicionada.
- Rubens Barrichello sai num bom 11º lugar com a Williams. Por pouco não foi à fase final da qualificação. Com a experiência que tem, pode fazer uma ótima corrida poupando pneus com o tanque cheio.
- Dos estreantes: Nico Hulkenberg, companheiro de Barrichello, ficou em 13º. Vitaly Petrov, da Renault, foi 17º. Sobre o desempenho de Lucas di Grassi, Bruno Senna e Karun Chandhok não há o que comentar. Eles não estão de fato na Fórmula 1.
- O abismo entre as equipes antigas e as novas é enorme. Lotus e Virgin ficam andam dois segundos mais lentas que as mais lentas. E a Hispania (ou HRT, que seja) é 3 segundos pior que as outras novatas.
- Tenho medo dessa “Fórmula 1 B”. Os carros são lentos de mais. Chandhok foi quase 11s mais lento que o pole position. Bruno Senna, 9s. O melhor dessa categoria, Timo Glock, foi cinco segundos pior que o pole. É quase como se a GP2 dividisse a pista com a F1. Uma diferença tão grande entre os carros é muito perigoso. Agora é torcer para que nada aconteça, enquanto a regra dos 107% não volta.
- Falando nisso, cálculo de padeiro: aplicando-se os 7% sobre o tempo da melhor volta do Q1 (1’54.612), teríamos 2’02.635 como limite para largada. O que significa que a Hispania não largaria.
- A corrida promete. O desenvolvimento da prova será completamente diferente dos últimos anos, já que não há mais reabastecimento. Na pole, Vettel tem vantagem, mas vai vencer quem cuidar melhor de seu carro. Ser veloz o tempo inteiro já não basta mais, a nova Fórmula 1 passa a exigir outras habilidades além do pé no fundo. Inteligência, controle e suavidade serão fundamentais. Podemos ter surpresas amanhã.
Grid de largada para o GP do Bahrein:

Positivo e negativo: Japão
Positivo: Sebastian Vettel, que fez o que se pode chamar de corrida perfeita. Pole, vitória e domínio absoluto. Conseguiu o resultado que precisava para manter-se vivo na briga pelo título, ainda que com chances remotas.
Negativo: Brawn. A equipe oscila demais, vai da vitória esmagadora a desempenhos medíocres num intervalo de poucas corridas. Chegar em sétimo e oitavo é muito pouco quando se é líder entre os construtores e se faz dobradinha no Mundial de Pilotos.
Vettel e o milésimo capacete

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull
Sebastian Vettel, como de hábito, utilizou um capacete diferente no GP da Alemanha, domingo passado. Porém, sua pintura especial trouxe, pela primeira vez, um elemento novo. Enquanto em todos os desenhos anteriores o azul e prata da latinha de Red Bull era preservado, com as inovações restringindo-se apenas ao topo e à base, dessa vez a mudança foi mais radical.
O prata virou branco e o azul, um cinza esmaecido, meio azulado. O amarelão do logo da Red Bull virou dourado, deixando o desenho mais classudo. Acho que foi o mais bonito utilizado pelo “Baby Schummy” até aqui.


























