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Mais um capacete especial: Glock

Foto: Divulgação/Toyota

Foto: Divulgação/Toyota

Já que o GP é da Alemanha, mais um alemão preparou um capacete especial para correr em casa. Depois da atrocidade de Nick Heidfeld, agora quem aparece com pintura nova é Timo Glock.

Mas o piloto da Toyota, pelo menos, tem um bom álibi: sua pintura foi desenhada por uma criança de seis anos. Glock preparou um concurso infantil, com centenas de crianças enviando desenhos para ele. Ele escolheu o que julgou melhor e transformou em capacete. Esteticamente questionável, mas simpático pra caramba.

E fica uma pergunta: o que será que Sebastian Vettel aprontará?

Atualização: analisando um detalhe do capacete, abaixo, fica bastante claro que Máximo Bueno está famoso internacionalmente. O garotinho alemão prestou uma homenagem ao colunista do Grande Prêmio, desenhando sua rotunda figura no casco de Timo Glock.

Foto: Divulgação/Toyota

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O verdadeiro pole position

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull

Foto: Mark Thompson/Getty Images/Divulgação Red Bull

Avaliando os pesos dos carros na classificação, em release divulgado pela FIA hoje pela manhã, fica claro que, se alguém fez um grande treino hoje, este alguém é Sebastian Vettel. O alemãozinho da Red Bull esmerilhou, é um dos carros mais pesados entre os que largam na frente e, mesmo assim, conseguiu a terceira posição no grid. Se conseguir um bom ritmo de corrida nas primeiras voltas e não deixar as Toyotas escaparem, tende a vencer a prova.

Jenson Button é outro que está muito bem na foto. Tem três voltas a menos de combustível que Vettel, mas tem certa vantagem para as Toyotas de Trulli e Glock, os dois mais leves do grid. Olho nele e em Lewis Hamilton, que larga com o mesmo peso do compatriota. A McLaren não é tão confiável quanto a Brawn, mas parece em boa forma para a corrida.

Confira abaixo a relação de pilotos / peso do carro / posição de largada para amanhã.

Piloto Peso (kg) Posição de largada
Robert Kubica 698,6 13º
Nick Heidfeld 696,3 14º
Kazuki Nakajima 680,9 12º
Adrian Sutil 679,0 19º
Heikki Kovalainen 678,5 11º
Sebastien Buemi 678,5 16º
Nelsinho Piquet 677,6 15º
Kimi Raikkonen 671,5 10º
Nico Rosberg 670,5
Sebastien Bourdais 667,5 20º
Felipe Massa 664,5
Sebastian Vettel 659,0
Mark Webber 656,0 18º
Jenson Button 652,5
Lewis Hamilton 652,5
Giancarlo Fisichella 652,0 17º
Fernando Alonso 650,5
Rubens Barrichello 649,0
Jarno Trulli 648,5
Timo Glock 643,0
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Agora é a vez da Toyota

Foto: Divulgação/Toyota

Foto: Divulgação/Toyota

Na temporada da Fórmula 1 de cabeça para baixo, toda equipe tem direito a seu fim de semana de fama. Começou com a Brawn, dominando Austrália e Malásia. A tendência prosseguiu com a Red Bull, que mandou e desmandou na China. Agora, no Bahrein, é a vez da Toyota.

Os japoneses fizeram valer a vantagem de terem treinado milhares de quilômetros no circuito barenita durante a pré-temporada. Mas, logicamente, nem só isso explica o domínio. Afinal, Ferrari e BMW fizeram o mesmo e deram com os burros n’água.

Jarno Trulli e Timo Glock foram perfeitos e conseguiram uma primeira fila bastante importante. Ainda não se tem os pesos de cada carro para a largada, mas, pelo que se viu na pista, não parece ter sido apenas um showzinho para agradar patrocinador. A Toyota vem forte e tende a vencer a corrida amanhã. Se ocorrer, será a terceira diferente equipe a conquistar sua primeira vitória em 2009. Feito igual só aconteceu até hoje em 1977, quando Wolf, Shadow e Ligier subiram ao alto do pódio pela primeira vez.

Às rapidinhas:

- Atrás das Toyotas, segunda fila dos dois pilotos que despontam como protagonistas da temporada: Sebastian Vettel e Jenson Button. Nenhum dos dois pode ser descartado como possível vencedor, mas ainda levo mais fé em Trulli e Glock.

- Na terceira fila, Lewis Hamilton e Rubens Barrichello. A McLaren vem dando visíveis sinais de melhora – Kovalainen sai em 11º -, enquanto o brasileiro da Brawn não vive um bom final de semana. Pela terceira vez em quatro corridas na temporada, larga atrás do companheiro. Porém, provavelmente está mais pesado, o que pode explicar os dois décimos de diferença no tempo da classificação. Algo bastante aceitável.

- Fernando Alonso e Felipe Massa dividem a quarta fila. O espanhol nitidamente vem tirando leite de pedra com o carro da Renault, enquanto Felipe mostra alguma (pequena) evolução na Ferrari. Talvez a oitava posição no grid seja explicada pelo conhecimento prévio do comportamento deste carro no circuito de Sakhir, o que pode significar finalmente uma corrida nos pontos.

- Entre os companheiros, Kimi Raikkonen sai em décimo com a Ferrari, enquanto o cada vez mais avulso Nelsinho Piquet errou ao sair da pista em sua última volta, ficou em último no Q2 e sai em 15º. Pelo menos passou do Q1, vá lá. Mas não deve mais salvar o emprego.

- Williams com Rosberg em nono e Nakajima em 12º. Sem dúvida é o conjunto mais frágil da turma dos difusores de fundo duplo.

- BMW mal, muito mal. Robert Kubica em 13º, Nick Heidfeld em 14º, fogo no carro durante um reabastecimento do polonês… Se a Ferrari deu cinco passos para trás em 2009, a BMW deu uns quatro.

- Adrian Sutil foi uma grata surpresa do treino, marcando o 16º tempo com a Force India. Porém, atrapalhou Mark Webber em sua última volta rápida no Q1 e provavelmente deve levar um gancho. O piloto da Red Bull ficou apenas em 19º, revoltado.

- Último lugar para Sebastian Bourdais, outro que tem seu emprego ameaçado. Seu companheiro, o novato Buemi, foi 17º.

- Palpite para amanhã: dá Trulli, com Button em segundo e Vettel em terceiro. Se o italiano confirmar a vitória, será a sexta corrida consecutiva com vitória do pole position. Desde o GP da China do ano passado, quem larga na frente vence.

- Domingo, a partir das 8h30, comentários infames ao vivo no blog. “Não perquem….”

GP do Bahrein 2009 - Grid de largada

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Sobre equipes e países…

Sempre achei que a Red Bull fosse registrada junto à FIA como um time austríaco, porém hoje no pódio tocou o hino da Grã-Bretanha. Provavelmente, por sua fábrica em Milton Keynes. Aí pergunto… se a Toyota vencer, toca o hino do Japão ou da Alemanha?

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A farra dos difusores

Agora que a FIA liberou geral, começou a farra dos difusores de fundo duplo na Fórmula 1. Pelo que me enviaram por e-mail o João Rodrigues e o Gabriel Nova, a Ferrari andou testando uma versão própria numa pista de aviação na Itália.

Ferrari testando novo difusor na Itália

Admito que estou bem por fora do noticiário dos últimos dois dias (o motivo vocês saberão perto do GP da Espanha), então se alguém souber a fonte da imagem e quiser avisar, agradecerei. Mas a foto me parece absolutamente verdadeira, sem sinais de manipulação digital.

Sobre o veredito da FIA, não vou entrar no mérito se os difusores duplos ferem o espírito do novo regulamento ou não. Mas o que me pareceu de todo o caso foi que a entidade, mais uma vez, foi contraditória. Se for verdadeira a alegação da Renault de que apresentou esta solução à FIA no final do ano passado e recebeu um “é proibido” como resposta, os comissários não poderiam tê-la considerado legal na Austrália. Mas, em compensação, também não poderia ter proibido ontem depois de ter dado um OK para Brawn, Williams e Toyota.

Exposta a contradição, o veredito seria de toda forma incoerente e prejudicaria alguém. Em vez de prejudicar times com menor orçamento (Williams e Brawn), que provavelmente não poderiam nem competir na China caso tivessem seu carro proibido, abriram uma frente para que as grandes (McLaren, Ferrari) começassem a correr atrás do prejuízo. O problema é que, com as duas dispostas a praticamente refazer seus carros para vencer, a FIA se contradiz novamente: estimula a gastança em tempos de crise.

Não vejo mocinhos nem vilões no caso. Vejo, sim, uma entidade incoerente e atrapalhada.

Atualização: A Ferrari não testou difusor novo nenhum, a foto em questão é uma montagem. O Nickcs acabou de descobrir a foto original aqui.

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Rapidinhas – GP da Malásia

Foto: Reprodução/F1-live.com

Foto: Reprodução/F1-live.com

- Duas corridas, duas vitórias da Brawn com Jenson Button. O britânico foi perfeito durante a prova, no seco e no molhado. Conquista mais do que merecida. No entanto, não foi um passeio como na Austrália. Toyota e Williams realmente incomodaram e Button arrancou muito mal, caindo para a quarta posição na largada. No entanto, teve sangue frio para recuperar as posições que precisava. Quando o líder Rosberg parou nos boxes, fez uma série de voltas rápidas e garantiu a vitória.

- Nem quando choveu o piloto inglês teve sua corrida ameaçada. Timo Glock vinha com pneus intermediários, andava mais rápido, incomodou, mas Button foi perfeito. Mais uma corrida nota 10 para o inglês.

- Impressionante o volume de água que caiu em Sepang e obrigou a interrupção da corrida. O que não chega a ser novidade para ninguém, já que por lá sempre cai uma chuvarada por volta daquele horário. Os organizadores da corrida não contaram com o óbvio e acabaram realizando uma corrida que terminou antes do fim, com apenas metade dos pontos contados para a classificação do mundial. Bem feito.

- A decisão de não reiniciar a prova foi acertada, dada a absoluta falta de visibilidade por causa da chuva e da pouca luz natural. Só não precisava ter demorado tanto.

- Voltando a falar de corrida, excelente participação de Timo Glock, que foi o único a apostar nos pneus intermediários na hora em que a chuva apareceu. Cautelosos, todos foram de pneus de chuva forte e passaram a andar quase 10s por volta mais lentos que o alemão da Toyota. Com essa jogada, pulou de oitavo pra segundo. Perdeu uma posição numa nova parada de box, mas era segundo novamente, até que a corrida terminou e passaram a ser contabilizadas as posições da volta anterior. Terminou em terceiro.

- Quem se deu bem com a interrupção foi Nick Heidfeld. Nas trocas de pneus, acabou pulando para segundo e assim terminou. Fez uma corrida discreta, mas conquistou um belo resultado. Melhor que o companheiro Kubica, que se classificou bem mas teve o carro quebrado na largada.

- Rubens Barrichello teve outra corrida de altos e baixos. Se fez belas ultrapassagens sobre Fernando Alonso, Jarno Trulli e Nico Rosberg, não conseguiu ser rápido o suficiente nas voltas que antecedem ao pit stop para bater seu companheiro Button. O inglês sempre conseguiu manter uma margem de segurança sobre o brasileiro e não foi ameaçado. Depois que começou a chuva, ainda perdeu tempo nas trocas de pneus, escapou da pista e acabou derrubado para o quinto lugar. Ainda é cedo, mas já começa a ficar para trás na hierarquia da equipe.

- Jarno Trulli fez uma prova discreta. Começou bem no seco, pulando e se mantendo em segundo lugar. Mas foi perdendo rendimento durante a prova e terminou em quarto.

- Nico Rosberg foi o nome do primeiro terço da corrida, com uma brilhante largada e comandando a prova com autoridade. Fez grandes voltas, parecia que brigaria pela vitória. Mas bastou o pimeiro pit stop para ficar no meio do pelotão e não conseguir mais nada. Não se deu bem com a chuva e sai de Sepang com apenas meio ponto, pelo oitavo lugar. Ele e a Williams mereciam mais.

- Lewis Pinóquio Hamilton foi o sétimo, mais uma vez se deu bem na prova mesmo com um carro ruim. Que não conte nenhuma mentira hoje, senão pode perder o ponto que ganhou.

- Patética, novamente, a corrida da Ferrari. Felipe Massa saiu lá de trás, ganhou quatro posições na largada, mas depois ficou preso no fundão e não conseguiu grande coisa. Kimi Raikkonen vinha “bem”, em quinto, até que a equipe resolveu acabar com sua corrida, colocando pneus de chuva forte quando ainda não chovia. A água demorou a cair, Kimi ficou três ou quatro voltas andando 20s mais lento que todo mundo e deu adeus a qualquer chance de marcar pontos. Simplesmente ridículo.

- O ocorrido só ilustra o desespero ferrarista. Em sã consciência, ninguém arrisca uma boa posição dessa forma. Se quisessem arriscar com Felipe, que vinha em 12º e não tinha nada a perder, seria compreensível. Fizeram o que fizeram e continuam com zero pontos no campeonato, igualzinho à péssima campanha de 1992.

- Com otite, Fernando Alonso fez o possível na corrida. Largou bem, segurou todo mundo atrás de si por várias voltas, mas não teve como manter a posição por muito tempo. Começou a perder desempenho, foi o primeiro a sair da pista com chuva e ficou em 11º. Nelsinho Piquet, em outra corrida sem comentários, foi 13º. Pelo menos não deu vexame na pista molhada.

- Heikki Kovalainen está conseguindo ser pior que Michael Andretti em 1993, não conseguindo completar nenhuma volta em corrida pela McLaren até agora. Errou logo no começo e abandonou de novo, de forma melancólica.

- Corrida morna no início, sensacional depois que a chuva começou. Mas ainda não afirmo com todas as letras que o novo regulamento “salvou” a Fórmula 1, pois foi mais uma corrida atípica. Só vamos ter certeza se o GP da Espanha for uma boa corrida, coisa rara na história.

- Campeonato: Button 15, Barrichello 10, Trulli 8,5, Glock 8. Brawn e Toyota dominando a temporada, quem diria. Ferrari na lanterna, zeradinha.

- Próxima corrida daqui a 15 dias, na China. Brawn deve levar novamente… que loucura.

Resultado do GP da Malásia

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Button mantém domínio

Foto: Reprodução/Adrivo.com

Foto: Reprodução/Adrivo.com

- Duas corridas, duas pole positions. Jenson Button e a Brawn continuam dominando amplamente este começo de temporada na Fórmula 1. Dessa vez, no entanto, a vantagem da equipe-sensação de 2009 não foi tão avassaladora quanto na Austrália. A Brawn está bem e é favorita na corrida, mas Toyota e Red Bull estão muito próximas. Jarno Trulli, segundo no treino, ficou menos de um décimo atrás. A briga promete ser boa.

- Rubens Barrichello não fez um bom treino, marcando apenas o quarto tempo. Como o próprio piloto admitiu para Carlos Gil na transmissão da Rede Globo, ainda que esteja mais pesado que Button, a diferença de seis décimos foi muito grande. Deveria ter ficado mais perto. “O carro saía muito de frente”, justificou. Eu só acho que ele se justifica demais.

- Por ter trocado de câmbio, perde cinco posições no grid e deveria largar em nono. Mas como Sebastian Vettel, terceiro, perdeu dez posições, Barrichello acabou ganhando uma. Sairá em oitavo.

- Timo Glock confirmou o bom desempenho da Toyota e sairá em terceiro. Quinto mais rápido, herdou as posições dos punidos Barrichello e Vettel. A primeira vitória da equipe japonesa nunca esteve tão perto.

- Nico Rosberg, estrela dos treinos livres, sai em quarto, fechando a segunda fila. Muito bom para a Williams, que tem grandes chances de voltar ao pódio.

- A terceira fila será aberta por Mark Webber, com Robert Kubica a seu lado. Enquanto Nick Heidfeld segue decepcionando com a BMW – larga em 11º -, o polonês vai muito bem, obrigado. Será só culpa do KERS?

- Não há dúvidas que, no momento atual, três equipes dominam a Fórmula 1: Brawn, Toyota e Red Bull. Williams, BMW e Ferrari parecem vir logo atrás, num segundo pelotão. Agora as coisas começam a ficar um pouco mais claras, mas fica a questão: terão elas fôlego para continuar andando na frente?

- A julgar pelo poderio da Ferrari, os italianos têm toda a capacidade de reação. O problema é que o time não se ajuda. A besteira na classificação de hoje foi imensurável. Satisfeita com as primeiras voltas de Felipe Massa e Kimi Raikkonen na primeira parte da classificação, recolheu os carros para a garagem e não voltou mais para a pista. Resultado: no finalzinho, Sebastian Bourdais roubou o 15º posto e tirou Massa do Q2. E Kimi escapou por pouco…

- Resultado: a estúpida soberba Ferrarista jogou o brasileiro a um ridículo 16º do grid, quando tinha chances claras de largar entres os 10 primeiros, quiçá entre os cinco, a julgar pelos treinos livres. Kimi conseguiu seguir adiante e sairá em nono. Impressionante como a Ferrari abusa de erros idiotas há pelo menos três temporadas.

- A McLaren pode ter feito um projeto ruim e pode ter feito a lambança que fez no episódio Hamilton-Pinóquio. Mas vão fazendo o que podem, sem cometer erros de estratégia. Lewis Hamilton sai em 12º e tem condições de pontuar na corrida. Seu companheiro Kovalainen foi o 14º.

- Já a Renault melhorou um pouco em Sepang, provavelmente graças ao KERS. Fernando Alonso, mesmo com uma incômoda otite, sai num bom décimo lugar. Já Nelsinho Piquet decepcionou outra vez, ficando à frente somente de três carros: das duas Force India e do novato Sebastien Buemi. 17º colocado, sua vida está complicada. A fase de adaptação já passou há tempos e Nelsinho segue lento.

- Palpite para amanhã: dá Button novamente. Porém, há grandes chances de chuva e aí embaralha tudo, sendo possível até que uma equipe grande vença. No molhado, aposto em Barrichello e Hamilton.

- Para encerrar: a pista larga de Sepang dá um sono…

Resultado da classificação - GP da Malásia

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Dando migué

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Foto: Reprodução/Grande Prêmio

Lewis Hamilton admitiu hoje, em coletiva, que mentiu aos comissários. Tentou dar neles um verdadeiro “migué”, omitindo a informação de que teria deixado Jarno Trulli passar e deixando o italiano pronto para ser punido, como foi. Porém, o inglês tenta se defender alegando que fez isso orientado por Dave Ryan, diretor esportivo da McLaren, já devidamente afastado do cargo. Mas o fato é que, nessa história, ficou feio para todo mundo.

Ficou feio para Hamilton que, além de ter ficado com imagem de vilão-mentiroso-safado para alguns, ficou com a de mané para outros. Afinal de contas, foi muita estupidez descer do carro, contar a versão correta dos fatos para os jornalistas e depois mentir de forma deslavada aos comissários da corrida. Seria no mínimo inteligente avisar a McLaren: “olha, eu já falei a verdade, não vai colar”. Se não agiu de má-fé, foi burro. Tentou ser esperto e acabou como malandro-otário. O garoto é jovem, é perdoável. Mas não dá para negar que Hamilton já se envolveu em confusões proporcionais a seu talento, em muito pouco tempo de Fórmula 1. Sua imagem está ficando desgastada cedo demais.

Ficou péssimo para a McLaren. Com a reputação manchada desde o episódio da espionagem em 2007, mais uma vez passou a impressão de equipe desonesta. Feriu um dos princípios mais nobres do esporte, que é o fair play. É claro que não há santinhos na Fórmula 1, mas a mentira da forma como aconteceu foi um jogo sujo, baixo. E a equipe pode levar um gancho mais sério da FIA, embora não acredite que vá acontecer.

E, por fim, ficou ainda mais feio para a trapalhona FIA. Como os comissários julgam a desclassificação de um piloto baseado apenas no testemunho de Hamilton? O que Trulli disse não foi considerado por quê? Por que não avaliaram a telemetria da McLaren e da Toyota? Por que não ouviram a fita antes? Como, com duzentas câmeras espalhadas num perímetro de menos de cinco quilômetros e mais de uma câmera onboard em cada carro, não conseguiram captar o incidente e julgar de forma adequada? Tomaram uma decisão apressada, errada e sem subsídios adequados para tal.

É preciso mais seriedade, de todas as partes. No fim das contas, todos agiram como moleques. E fizeram de manés aqueles que ficam nas arquibancadas, nas poltronas e nos sofás. E, que no fim das contas, são a razão desses moleques existirem.

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Conversa entre Lewis e McLaren

Tradução capellesca do diálogo entre Lewis e McLaren após o incidente com Jarno Trulli no GP da Austrália. Alguns trechos técnicos do diálogo foram suprimidos, por não serem relevantes (coisas como “freios frios, aqueça”).

Lewis Hamilton: A Toyota saiu da pista na segunda curva… isso está certo?
McLaren: Entendido, Lewis. Vamos confirmar e damos retorno a você.
Lewis: Ele estava fora da pista. Ele saiu.
McLaren: Lewis, você deve deixar a Toyota passar. Deixe passar agora.
Lewis: OK.
Lewis: Ele ficou lento, bem na minha frente.
McLaren: OK, Lewis. Fique atento, fique atento. Ele vai ultrapassá-lo. Estamos falando com Charlie [Whiting, diretor de prova].
Lewis: Eu já o deixei passar.
McLaren: OK, Lewis. Está certo. Está certo. Mantenha a posição, mantenha a posição.
Lewis: Diga a Charlie que eu o ultrapassei, mas já o deixei passar.
McLaren: Entendido. Estamos checando. (…)
Lewis: Eu não tenho que deixá-lo passar, eu deveria assumir essa posição novamente, se ele cometeu um erro.
McLaren: Sim, a gente entendeu, Lewis. Apenas faça de acordo com a regra. Estamos perguntando a Charlie agora. Você está em quarto lugar. Mantenha esta posição, apenas fique próximo.
(…)
Lewis: Alguma notícia de Charlie, posso pegar a posição de volta ou não?
McLaren: Ainda aguardando resposta, Lewis. Ainda aguardando.
(…)
McLaren: OK, Lewis, esta é a última volta da corrida. Ao final da volta o Safety Car vai entrar nos boxes, apenas cruze a linha sem ultrapassar, sem ultrapassar. Nós estamos vendo este caso do Trulli, mas apenas mantenha sua posição.

O que se pode entender: Lewis estava querendo o terceiro lugar, pois achava que tinha direito à posição. Mas deixou Trulli passar por recomendação da equipe. O problema é que a desclassificação não veio baseada neste diálogo, mas sim na mentira que Lewis teria contado aos comissários ao final da corrida, que entraria em contradição com o que realmente ocorreu.

O que eu acho muito estranho é o fato de Hamilton mentir para os comissários, como eles alegam, sabendo que existem gravações do rádio disponíveis. E outra: por que, depois da corrida, Lewis falou abertamente a jornalistas que deixou Trulli passar por um pedido da equipe? Se ele mentiu aos comissários, seria lógico que mantivesse a mentira em público.

Muito, muito estranha esta história toda.

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Dois erros não fazem um acerto

Foto: Divulgação/Bridgestone

Foto: Divulgação/Bridgestone

A máxima é antiga e inspira-se no contrário das propriedades da multiplicação na matemática, que diz que “menos com menos, dá mais”. Mas é fato que na vida real dois erros não fazem um acerto e a FIA parece não prestar muita atenção nisso.

Hoje, a entidade mais atrapalhada do automobilismo mundial anunciou uma inversão nas punições no GP da Austrália. Jarno Trulli teve sua pena de 25 segundos cancelada e voltou ao pódio, recuperando seus seis pontos. Até aí, tudo bem, nada mais justo dados os novos indícios que surgiram durante a semana e que ajudaram a compreender melhor o acontecido. O problema é que, não satisfeitos, resolveram eleger um culpado. Um não, dois: Lewis Hamilton e McLaren foram “banidos” da prova e tiveram suas posições retiradas.

Por mais que a FIA diga que analisou as conversas de rádio, não acredito que nelas pudesse haver algum indício que a McLaren agiu de má-fé quando recomendou que Hamilton devolvesse a posição a Trulli. Teria o engenheiro dito pelo rádio: “deixa e trouxa passar e vamos forçar uma desqualificação”? Lógico que não. E duvido que haja alguma conversa que aponte, ainda que indiretamente, num direção assim. Seria uma estratégia tão absurda que não merece sequer ser comentada.

A McLaren errou, e feio, ao ter silenciado quando a Toyota foi punida. Se realmente Lewis e McLaren cederam a posição numa atitude de fair play, jogaram todo o jogo limpo para o espaço quando viram a adversária ser desclassificada e nada fizeram para esclarecer o caso. E talvez esta atitude contraditória, quase um fair-play-pero-no-mucho, é que tenha gerado a punição. Mas fica esquisito pra caramba desclassificar alguém por isso. Uma multa, uma advertência, ainda vá. Até porque todo o imbróglio só aconteceu porque nenhum fiscal ou comissário – contratados pela própria FIA – conseguiu entender o que tinha acontecido. E nem as câmeras de televisão – controladas pela FOM, parceira carnal da FIA – conseguiram flagar o incidente.

Em última instância, a McLaren paga pela incompetência da entidade em administrar suas próprias competições. Culpam a equipe por “conduta enganosa”, quando tudo o que aconteceu foi bastante evidente, com todas as dúvidas geradas apenas pelo problema de cobertura de televisão e de cegueira de comissários. Em 2009, de erros em erros, de menos em menos, a FIA vem se esforçando cada vez mais para multiplicar a confusão.

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Atualização: A FIA acaba de divulgar em seu site o áudio e a transcrição da conversa de rádio entre Lewis e a McLaren durante o GP da Austrália. Com ela, fica evidente que Lewis realmente devolveu a posição.

Louvável a transparência da FIA em divulgar esta evidência, mas ela não é muito diferente do que já se sabia. O que justificaria a punição seria o fato de Lewis ter negado aos comissários, em conversa posterior à corrida, que tenha deixado Trulli ultrapassar. O problema é que isso não está gravado e não foi divulgado. Transparência pela metade não resolve a questão como um todo.

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Trunfo das Equipes (14/16): Toyota e Hesketh

As cartas de hoje trazem duas equipes contrastantes. Uma é a metódica japonesa Toyota, que leva a Fórmula 1 muito a sério, já tem vida relativamente longa na categoria e nenhuma vitória. A outra é a excêntrica britânica Hesketh, que não levava nada a sério e teve uma vida curta, mas coroada por uma gloriosa vitória no GP da Holanda de 1975.

Toyota - clique para ampliar Hesketh - clique para ampliar

Faltam apenas quatro cartas… por eliminação, você já consegue supor quais são?

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A salvação da pré-temporada

Foto: Divulgação/Brawn

Foto: Divulgação/Brawn

A Fómula 1 viveu entre dezembro de 2008 e março de 2009 seu mais longo e tenebroso inverno. Severamente atingida pela crise financeira mundial, a categoria viu as montadores que a mantém divulgarem balanços alarmantes, acumulando imensos prejuízos. Rapidamente, a Honda anunciou que pulava fora do barco. Boatos apontavam que Toyota e Renault poderiam seguir pelo mesmo caminho. As limitações econômicas acabaram com os pomposos lançamentos de carros. Modestas, as equipes apenas divulgaram fotos pela Internet ou posaram para fotógrafos nos boxes de Montmeló, Jerez ou Portimão. Para economizar, o volume de testes foi drasticamente reduzido. À exceção das gêmeas Red Bull/Toro Rosso, ninguém trocou de pilotos.

Assim, formou-se um cenário pra lá de esquisito. Sem carros na pista, sem pilotos disputando vagas, viveu-se uma absoluta falta de assunto. E aí, para preencher espaço, o mundo da cobertura jornalística da Fórmula 1 passou meses vivendo de ilações. Todo milionário passou a ser um potencial comprador da Honda, do mexicano Carlos Slim ao britânico Richard Branson. Até uma suposta evacuação do estacionamento da fábrica em Brackley para o pouso do helicóptero do dono da Telmex foi noticiada. Tudo cascata. Jocosamente, no meio jornalístico brasileiro brincava-se que Carlos Col era o mais novo candidato a dono da equipe. Sim, era só o que faltava, tamanhas eram as especulações infundadas.

Jornalista experimentado no meio, Peter Windsor, que de bobo só tem a cara, e seu pretenso-futuro-sócio Ken Anderson resolveram divulgar com pompa e circunstância um projeto que têm há mais de cinco anos: a USF1, uma equipe de Fórmula 1 norte-americana. Um anúncio pra lá de precipitado, afinal de contas ambos foram ao Speed Channel falar ao vivo de uma equipe que ainda não tem sede, projetista, orçamento, patrocínio, motor, pneus, mecânicos e nem pilotos. A única informação concreta foi um número mágico: nós vamos estrear em 2010. OK, eu acredito. “Temos o apoio de Bernie Ecclestone”, disseram. Que apoio? “Nos autorizaram a usar o DVD da temporada 2008 nas apresentações para possíveis financiadores”. Um apoio de respeito, mas tão de respeito que dias depois o anão malvado proibiu o uso de “F1″ no nome do time. O projeto já mudou de nome, agora é USGPE. A única coisa que tinham, um logotipo, já não pode mais ser usado. Que coisa.

OK, fizeram o seu show, ganharam atenção de um mundo carente por notícias e, quem sabe, abriram portas para futuros financiadores. Bobo fui eu, que não tive a ideia de lançar a Capelli Racing este ano. Fica para a próxima.

Mas eis que, depois de tanta chatice e falta de conteúdo, finalmente alguma coisa voltou a acontecer. O mês de março salvou a pré-temporada da Fórmula 1. Primeiro, finalmente acabou a novela Honda, recheada de capítulos fictícios. Ross Brawn assumiu o time, confirmou a manutenção de Jenson Button e Rubens Barrichello e fechou fornecimento de motores com a Mercedes. E, na semana seguinte, todas as equipes se encontraram em Montmeló com seus novos carros e pilotos titulares.

Foto: Divulgação/McLaren

Foto: Divulgação/McLaren

Mas o que parecia um teste rotineiro tornou-se absolutamente atípico, dando amostras de um começo de temporada imprevisível. A começar pela impensável inversão de posição na tabela de tempos. Do topo, sai a McLaren e entra a novata Brawn. Na rabeira, estreia o time prata, cujo MP4-24 já vem ganhando o apelido de McLata.

Todos sabemos que testes de inverno não podem ser levados ao pé-da-letra. Os carros brancos da Brawn necessitam sim de patrocínio e as brilhantes performances de Barrichello e Button podem estar um tanto fora da realidade, servindo de chamariz para anunciantes. Em anos anteriores já vimos a Arrows de Pedro de la Rosa detonando recordes, ou a própria Honda em 2005, que dava pinta de que seria campeã do mundo. Mas, inegavelmente, os testes revelam tendências.

E a tendência, por incrível que pareça, é que a Brawn venha forte no começo de 2009. Por mais que o BGP001 tenha corrido abaixo do peso ou com algum outro tipo de artifício para gerar manchetes positivas (e mesmo que desmentidos existam, a suspeita sempre há), é certo que se trata de um carro bem nascido. Equilibrado, anda rápido com tanque cheio, com tanque vazio, com pneus duros, com pneus macios e o principal: não quebra. Pode até ganhar a corrida de estreia, mas não deve brigar pelo título. Tem tudo para andar bem, beliscar um pódio aqui e outro ali, quem sabe até mais de uma vitória. O que, diga-se de passagem, já é surpreendente o suficiente. Nem a projeção mais otimista da própria direção da equipe esperava algo assim. Nem Barrichello, que tem o costume de encarnar Pollyanna com seu jogo do contente, imaginava que o fosse receber um carro desses. Dizer “eu já sabia” agora é puro oportunismo.

Ainda haverá mais uma semana de testes em Jerez, muita coisa pode acontecer. A McLaren pode resolver os graves problemas de equilíbrio do carro, os outros podem descobrir o que a Brawn parece ter descoberto e ninguém sabe ainda. Mas, no momento, apostaria em Ferrari, Toyota e Brawn como favoritas em Melbourne.

Mas o bom, mesmo, é que meu palpite pode estar absolutamente furado. O novo regulamento deu uma embaralhada geral nas cartas da F1, que dá pintas de que nos brindará com primeiras corridas recheadas de surpresas. Porém, como quem tem mais dinheiro sempre dita as cartas, é de se esperar que Ferrari e McLaren comecem a desgarrar do resto durante o campeonato. E que a Brawn, nanica e com recursos limitados, acabe ficando para trás.

De toda forma, março nos trouxe boas notícias. O inesperado sucesso da Brawn salvou a pré-temporada.

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Carros da F1 2009

Agora que finalmente todos os carros foram para a pista juntos em Montmeló, que tal conferir, lado a lado, todos os modelos que vão disputar a temporada 2009 da Fórmula 1?

Fotos: Reprodução/Adrivo

Fotos: Reprodução/Adrivo

Amanhã, meus pitacos sobre os resultados dos testes. É tanta loucura que preciso de um tempo para tentar formular um raciocínio.

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Glock com nova pintura

Fotos: Montagem/Divulgação Toyota

Fotos: Montagem/Divulgação Toyota

O Hugo Cortes me corrigiu prontamente, e com razão. Eu é que não tinha percebido, Timo Glock apresentou ontem uma nova pintura em seu capacete. A nova, à direita, traz um laranja no fundo, em substituição ao vermelho, e novos detalhes em preto.

Nunca achei o capacete dele bonito, mas achei que ficou pior. Se já tinha uma profusão ímpar de elementos, acabou ficando ainda mais poluído.

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Comparativo Toyota: TF108 x TF109

Foto: Montagem/Divulgação Toyota

Foto: Montagem/Divulgação Toyota

Há quem prefira os modelos rebuscados que tiveram seu auge em 2008, mas não escondo minha clara preferência pela aerodinâmica limpa desta temporada. Como ponto negativo, os aerofólios, que são realmente desproporcionais.

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Toyota apresenta novo carro

Foto: Divulgação/Toyota

Foto: Divulgação/Toyota

Insossa como sempre, a Toyota apresentou hoje seu novo modelo, o TF109. O desenho do carro se assemelha muito ao da Ferrari, e deve ser assim em praticamente todos os carros da temporada. As restrições aerodinâmicas impostas por Max Mosley são tantas que ficam todos assim, cara de um, focinho de outro. O bico, ao menos, é mais afilado.

Sei que a preocupação é desimportante, mas me incomoda ver essa mesma pintura há tantos anos. Será que não estava na hora da Toyota dar uma renovada? Sempre o mesmo visual, pela oitava temporada consecutiva. Mudanças sutis nos ângulos e nos volumes das pinceladas, e só.

Não sei se é pela pintura, pelos poucos resultados ou pelos pilotos… mas a Toyota me parece uma equipe sem alma. Alguém mais sente isso?

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Rapidinhas – GP do Brasil

Foto: Reprodução Adrivo.com

Foto: Reprodução Adrivo.com

- Faltam palavras para descrever a loucura que foi este final de campeonato. Uma corrida maluca, com chuva e sol, com variáveis para lá e para cá e com uma última volta de tirar o fôlego. Se até ontem utilizava-se a expressão “campeonato disputado até a última curva” apenas como figura de linguagem, neste 2 de novembro de 2008 ela pode ser compreendida em seu sentido literal. Me arrisco a dizer que nunca mais haverá uma decisão como esta.

- Que corrida fez Felipe Massa! Confirmou o favoritismo, andou bem no seco e no molhado, foi soberano durante todo o tempo. Foi competente e venceu, mas infelizmente apenas a competência não mais lhe bastava. Era necessário um tanto de sorte e ela quase sorriu a ele. Faltou pouco.

- O resultado da corrida, apesar da vitória de Felipe, foi muito dolorido para a torcida brasileira e para a equipe Ferrari. A menos de 10 voltas do fim já se tinha consciência de que o título estava nas mãos de Lewis Hamilton, apenas algum acontecimento fantástico poderia reverter o resultado. E eis que ele aconteceu, com uma pancada de chuva que embaralhou as coisas.

- E tal pancada, que tornou a final do campeonato a mais emocionante da história, foi o que trouxe à vitória de Felipe Massa um travo amargo. Por minutos, passou a sensação de que o impossível tornava-se novamente possível. E a última curva da última volta devolveu Felipe e seus pares à dura realidade. É um tipo de coisa que não se faz.

- O clima no pódio era o mais estranho possível. Um misto de alegria e decepção, uma felicidade não-completa, um choro contido nos olhos de Felipe Massa.

- A decepção dói, mas tenho certeza de que o brasileiro vai mais forte do que nunca para o campeonato do ano que vem. Aprende-se nas vitórias e também nas derrotas e uma derrota bonita como a de hoje só servirá de estímulo para que Felipe torne-se um piloto ainda mais completo do que já é.

- Lewis Hamilton, coroado o novo campeão por apenas um ponto de vantagem, tem todos os méritos pela conquista. Se chegou a Interlagos na liderança com alguma folga é porque o fez por merecer. Ganhou corridas importantes – como a de Mônaco – e cometeu, junto com a McLaren, menos erros do que Felipe e a Ferrari. Foi excessivamente cauteloso em Interlagos e por muito pouco não perdeu o campeonato, mas fez o certo. Não havia motivos para correr riscos e o inglês fez uma corrida fria, como devem fazer os grandes campeões.

- Timo Glock, o fiel da balança do campeonato de 2008, não tem culpas pelo acontecido. E nem a Toyota, antes que surja uma nova teoria da conspiração. Com pneus para seco na chuva que aumentava, ficava muito difícil tracionar, principalmente na curva da Junção. Somente ele e seu companheiro Jarno Trulli não trocaram pneus e ambos fizeram uma volta no ritmo de 1’44 no final da corrida. Não há combinação que permita tão perfeita sincronia. Ambos perderam posições na última volta. Glock caiu de 4º para 6º, Trulli de 7º para 8º.

- Fernando Alonso, segundo, comprovou mais uma vez o crescimento da Renault e mostra que será um duro adversário para o próximo campeonato. Com Alonso na briga, a disputa fica mais difícil para todos. A temporada 2009 se abre com pelo menos quatro fortes candidatos ao título.

- Kimi Raikkonen, terceiro colocado sonolento durante a temporada 2008, deve voltar à briga no ano que vem. Felipe não terá vida fácil dentro da Ferrari.

- Sebastian Vettel, que chegou em quarto e que por muito pouco não foi alçado ao posto de herói da torcida brasileira por ultrapassar Hamilton no final, encerrou o campeonato em grande estilo com um belíssimo quarto lugar. E torna-se uma incógnita para a próxima temporada: terá na Red Bull as mesmas condições de brigar pela liderança como tem na surpreendente Toro Rosso?

- Jarno Truli, oitavo, foi o cavalo paraguaio da corrida. Fez uma grande classificação, manteve-se em segundo depois da largada e se perdeu depois do primeiro pit stop. Rodou na curva do Sol e desapareceu.

- BMW termina pela primeira vez no ano uma corrida fora da zona dos pontos, quebrando uma seqüência recorde de 34 corridas pontuando. Somente a Ferrari conseguiu mais pontos consecutivos em toda a história. Os bávaros perderam muito rendimento no final da temporada, estranhamente.

- Nelsinho Piquet rodou logo na largada e deu adeus à corrida. Rubens Barrichello pode ter dado adeus à F1 com uma corrida pra lá de discreta. Não andou bem e chegou em 15º, inclusive atrás de seu companheiro Jenson Button.

- Palmas para Lewis Hamilton, o mais jovem campeão da história da Fórmula 1. E palmas também para Felipe Massa, que fez um grande campeonato e tirou de si quaisquer dúvidas que pudessem haver sobre suas capacidades. Se não foi campeão, foi por detalhe.

- Porém, não se pode colocar toda a culpa da derrota na Ferrari. Sim, a equipe errou com a mangueira em Cingapura, errou também com o motor estourado a poucas voltas do fim na Hungria. Mas Felipe também errou na Malásia ao rodar sozinho e abandonar, assim como também deixou de marcar pontos em Silverstone em uma corrida bizarra, na qual rodou feito pião.

- A Fórmula 1, apesar do grande enfoque no Mundial de Pilotos, é um campeonato de equipe. Ou pelo menos até hoje não tive notícia de um piloto que fabricasse, preparasse e colocasse sozinho um carro na pista. Ganha-se junto e perde-se junto. “Eu acertei, eles erraram” é um pensamento que não se aplica a qualquer esporte coletivo. Felipe e Ferrari formaram um conjunto vencedor em 2008, mas não o suficiente para o campeonato.

- Lewis Hamilton e McLaren, se não foram um conjunto perfeito, pelo menos foram suficientemente melhores do que a Ferrari. A equipe e o piloto inglês também cometeram erros, mas em menor grau do que os italianos. No final das contas, foi o título de quem cometeu menos erros capitais. Quebras, por exemplo, Hamilton não enfrentou nenhuma. Isso, no final, fez diferença.

- No final das contas, ganharam todos os fãs do esporte. Final emocionante para o mundial mais disputado da história.

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Depois de três anos, Toyota volta à 1ª fila

Foto: Divulgação Toyota

Foto: Divulgação Toyota

O segundo lugar no grid obtido por Jarno Trulli para o GP do Brasil foi muito comemorado pela equipe Toyota. Também, não é para menos. Desde o GP do Japão de 2005, com Ralf Schumacher, o time japonês não conseguia colocar um de seus carros entre os dois primeiros num grid de largada.

O resultado é a comprovação do renascimento da Toyota. Na Fórmula 1 desde 2002, gastando os tubos, a equipe não vem bem desde 2005, sua melhor temporada até aqui. Naquele ano, o time conquistou duas pole positions, subiu cinco vezes ao pódio e terminou o Mundial de Construtores em quarto lugar. De lá para cá, só decepções, brigas e cobranças, até a redenção em 2008.

Timo Glock foi segundo colocado na Hungria, Jarno Trulli foi terceiro na França e o time está em quinto na classificação geral. Não tem mais chances matemáticas de ultrapassar a Renault e terminará a temporada nesta posição, mas o segundo posto no grid da corrida em Interlagos é um encerramento perfeito para um ano de recuperação. Com a mudança de regulamento, pode ser uma equipe difícil de ser batida na próxima temporada. Apesar das seguidas mostras de ineficiência técnica e problemas políticos, a Toyota parece estar entrando no rumo certo. Bem diferente de sua rival Honda.

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Toyota de Luto


A Toyota corre enlutada em Magny-Cours. Em homenagem a Ove Andersson, ex-dirigente da equipe, morto semana passada em um acidente de rali, o time aplicou uma tarja preta em diagonal na altura do cockpit de seus carros.

Uma simples, porém bonita reverência.

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Clones e mais clones


O amigo Alex Grün, que anda sofrendo de dupla personalidade bloguística enquanto substitui Rafael Lopes no Voando Baixo agora em janeiro, mandou e-mail alertando para as calotas dianteiras da Toyota.

Confesso que não tinha notado, mas reparem: é uma cópia fiel da inovação implantada pela Ferrari no ano passado. Mas como a Ferrari também copiou a asa dianteira da Toyota de 2007, as acusações terminam em empate técnico.

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