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Perfil
Ivan Capelli não é um ex-piloto de Fórmula 1, embora o nome sugira isso. É um jornalista não-praticante gaúcho que adora dar pitaco em diversos assuntos, principalmente automobilismo. Escreve sobre Fórmula 1 na Internet desde 1998, tendo sido um dos primeiros a fazer isso no Brasil. Desde 2003 colabora com o site Grande Prêmio. Já escreveu também para o site GP Total e foi o responsável pela tradução do GP Guide, Bíblia da F1, para o português brasileiro. Fundou e assina matérias para a Revista Warm Up. Também quebra galhos como ilustrador picareta. Mas faz tudo isso por gosto pelas corridas, já que sua atividade principal é como gestor em uma empresa de Tecnologia da Informação. No fim das contas, não sabe nada de nada, mas parece que engana muito bem. SIGA NO TWITTER ASSINE O RSSContato
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A que foi sem nunca ter sido
Ao que tudo indica, um dos mais patéticos capítulos da história da Fórmula 1 teve seu fechamento hoje. A USF1, equipe norte-americana que anunciou sua entrada na categoria no começo do ano passado, fecha suas portas depois de um ano sem nunca ter ido à pista. Pior: em sua fábrica em Charlotte não fo produzido sequer um carro.
A história toda teve contornos patéticos desde o início. Peter Windsor, sócio-fundador da equipe virtual, jornalista experiente e bastante influente no meio, usou de sua credibilidade para atrair a atenção de toda a imprensa. Em fevereiro de 2009 foi ao Speed Channel junto com seu sócio Ken Anderson anunciar, ao vivo, a criação do time. Mas tal anúncio deixou um enorme ponto de interrogação na cabeça de todos, tamanha era a falta de consistência. Era uma equipe muito engraçada. Não tinha teto, não tinha nada. O anúncio soou como palavras ao vento. Os mais céticos duvidaram que aquela aventura fosse durar mais que semanas.
Meses depois, no entanto, Windsor e a USF1 passaram no vestibular da FIA e ganharam o direito de ingressar na F1. Mesmo que tudo o que dispusessem fosse uma sede, um bico de carro e alguns vídeos no Youtube. Imaginava-se, então, que a equipe etérea finalmente ganharia solidez. Afinal, com vaga garantida, agora bastava correr atrás de verba que financiasse a construção do carro. Mas nada aconteceu. E a USF1 continuou sendo apenas um simulacro. Tinha site, Twitter, Facebook, canal no Youtube. Quem só visse as ações midiáticas, provavelmente acreditaria em sua existência. Mas a F1, felizmente, ainda exige realidade.
A fragilidade do projeto da USF1 foi latente. Seus donos agiram como uma empresa que apresenta e vende seu produto antecipadamente para, com este capital, fabricá-lo. Num mundo de alta tecnologia, competição acirrada e altos investimentos, é óbvio que não daria certo. E não deu.
Outro grande problema foi a falta de transparência das operações. José Maria Lopez, coitado, e o governo da Argentina caíram como patos. Nas palavras do próprio pai do piloto: “pagamos por uma vaga que não existia”. Sim, Pechito López comprou uma vaga virtual na Fórmula 1. A USF1 vendeu e não entregou.
Tal qual a Viúva Porcina, da obra de Dias Gomes, a USF1 provou-se uma farsa. Entrará para a história como aquela que foi sem nunca ter sido.



